sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Esfera instalada na USP permite visualizar fenômenos do planeta

Veja a Terra em movimento


É possível agora enxergar o planeta Terra em movimento em São Paulo graças à esfera de 1,80 metro instalada no Museu Oceanográfico, na Cidade Universitária. O globo suspenso por três cabos de aço se transforma, em segundos, na Terra vista do espaço, na qual se veem o avanço das correntes marinhas ou os ciclones em formação. Quatro projetores sincronizados por um computador e dispostos em cada canto de uma sala toda azul – paredes, chão e teto – são os responsáveis pelo efeito (Veja o vídeo do sistema em funcionamento). “Parece um planetário, mas ao contrário”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP).
O sistema completo, batizado de Science on a Sphere, foi desenvolvido pela Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa) como uma ferramenta educacional. O Instituto Oceanográfico é a primeira instituição do Hemisfério Sul a receber esse sistema, instalado em abril deste ano, ao custo de US$ 200 mil. A aquisição inclui as bases de dados mundiais da Noaa – mais de 500 arquivos – e uma atualização constante e automática dos dados feita a cada 15 minutos. Isso é possível porque o computador tem uma ligação direta com a agência norte-americana.
Pelo controle remoto adaptado do videogame Wii, professores do Oceanográfico controlam as imagens projetadas e, assim, o mundo surge dentro da sala. Com um clique, a esfera se transforma no planeta Terra visto do espaço, com a projeção das fotos chamadas Blue Marble (imagens do planeta como é visto pelos cosmonautas) captadas pela Nasa. Com outro comando aparece, no canto do globo, uma contagem do tempo como na série de televisão 24 Horas, e as correntes marinhas de todo o planeta entram em movimento. Ao mesmo tempo, a esfera fixa parece girar em torno de si mesma graças à movimentação das imagens projetadas.
A oceanógrafa Ilana Wainer, do IO-USP, é a primeira pesquisadora na fila para usar a esfera e, assim, visualizar seu trabalho. Junto com sua equipe, Ilana analisa os resultados de modelos matemáticos para entender projeções futuras – dos anos de 2020 até 2050 – da circulação oceânica do Atlântico Sul e do Oceano Austral (que circunda a Antártida). “A projeção na esfera nos possibilitará visualizar de forma mais realista como será a circulação oceânica. Isso nos ajudará a interpretar como ela se relaciona com as mudanças climáticas”, conta a pesquisadora. A projeção está marcada para agosto. Estudiosos de migrações de espécies também podem, por exemplo, usar dados de exemplares marcados com chips e monitorar na esfera a rota percorrida.
“O sistema é também uma excelente ferramenta de divulgação científica. Você pode aproximar o público de dados que são frutos de pesquisa”, destaca Mahiques. O pesquisador, geólogo de formação, está entusiasmado: “Agora, posso explicar os movimentos das placas tectônicas em uma animação projetada na esfera, e não apenas na sala de aula. Será mais fácil para os estudantes entenderem a geologia do planeta”. Além do uso didático, o sistema também pode ser utilizado por pesquisadores em estudos que propõem modelos para explicar e prever fenômenos naturais. “O pesquisador pode criar seus modelos e projetar em forma de animação na esfera”, explica Mahiques.
É possível, assim, observar fenômenos climáticos como ciclones se formando no sul do Oceano Atlântico. Outras projeções mostram o tráfego aéreo (a rota dos aviões pontilhada em amarelo), o impacto de tsunamis nas costas dos continentes, a quantidade de calor emitida pelos oceanos e as variações de produtividade biológica no planeta. Além dessas imagens (algumas derivadas de fotos) com dados reais e modelos relacionados ao planeta, a esfera pode projetar imagens de outros corpos celestes como o Sol e suas explosões, a Lua e o céu estrelado visto da Terra, ou seja, a esfera permite observar fenômenos oceanográficos, atmosféricos, astronômicos, geológicos e ecológicos. “O sistema mostra que um evento local pode ter efeitos mundiais. Por exemplo, o tsunami que atingiu a Indonésia, em 2004, gerou ondas que se propagaram até a costa do Brasil”, conta o pesquisador.
Science on a Sphere pode ser usado por professores de colégios, docentes da USP e pesquisadores mediante agendamento pelos telefones (11) 3091-6541 e 3091-6542. O Museu Oceanográfico está aberto para visitação de terça à sexta das 9h às 11h30 e das 12h30 às 16h30 e aos sábados, domingos e feriados de 10h30 às 15h30.

Fonte: ISIS NÓBILE DINIZ/ REVISTA FAPESP - Edição Online

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