quarta-feira, 27 de julho de 2011

OMS - publicação sobre depressão reúne estudos populacionais em 18 países e indica relação entre o distúrbio e condições sociais


Mapa global da depressão
O episódio depressivo maior (MDE, na sigla em inglês) é uma preocupação considerável para a saúde pública em todas as regiões do mundo e tem ligação com as condições sociais em alguns dos países avaliados.

Essa é a principal conclusão de um estudo que reuniu dados epidemiológicos provenientes de 18 países, incluindo o Brasil. Os resultados foram apresentados no artigo Epidemiologia transnacional do MDE, publicado nesta terça-feira (26/7) na revista de acesso aberto BMC Medicine.

A depressão é uma doença caracterizada por um conjunto de sintomas psicológicos e físicos, associada a altos índices de comorbidades médicas, incapacitação e mortalidade prematura.

Os países foram divididos em dois grupos: alta renda (Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos) e baixa e média renda (Brasil – com dados exclusivamente de São Paulo –, Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul e Ucrânia).

De acordo com o relatório, nos dez países de alta renda incluídos na pesquisa, 14,6% das pessoas, em média, já tiveram MDE. Nos 12 meses anteriores, a prevalência foi de 5,5%. Nos oito países de baixa ou média renda considerados no estudo, 11,1% da população teve episódio alguma vez na vida e 5,9% nos 12 meses anteriores. A maior prevalência nos últimos 12 meses foi registrada no Brasil, com 10,4%. A menor foi a do Japão, com 2,2%.

O trabalho faz parte da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que integra e analisa pesquisas epidemiológicas sobre abuso de substâncias e distúrbios mentais e comportamentais. O estudo é coordenado globalmente por Ronald Kessler, da Universidade de Harvard (Estados Unidos).

A pesquisa São Paulo Megacity Mental Health Survey, que gerou para o relatório os dados relativos ao Brasil, foi realizada no âmbito do Projeto Temático “Estudos epidemiológicos dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica”, financiado pela FAPESP e encerrado em 2009.

Entre os autores do artigo estão Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), e Maria Carmen Viana, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Andrade conduziu o Temático em parceria com Viana, que teve bolsa de pós-doutorado da FAPESP entre 2008 e 2009 no Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do IP-FM-USP, coordenado por Andrade.

Segundo Viana, o São Paulo Megacity Mental Health Survey é um estudo epidemiológico de base populacional que avaliou uma amostra representativa de residentes da região metropolitana de São Paulo, com 5.037 pessoas avaliadas em seus domicílios.

Todas as entrevistas foram feitas com base no mesmo instrumento diagnóstico. Atualmente, cerca de 30 países participam da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental com pesquisas semelhantes .

“Em todos os países foi aplicada a mesma metodologia. No artigo internacional, foram incluídos exclusivamente os dados sobre depressão maior, mas a nossa pesquisa avalia diversos outros transtornos mentais, entre eles os de ansiedade – como pânico, fobias específicas, fobia social e transtorno obsessivo compulsivo – e transtornos de humor, como o transtorno bipolar, distimia e a própria depressão maior”, disse Viana .

Também foram publicados recentemente resultados sobre transtorno bipolar, suicídio e tabagismo. “No estudo São Paulo Megacity estimamos que 44,8% da população já apresentou pelo menos uma vez na vida algum transtorno mental. Nos 12 meses anteriores à entrevista, a prevalência foi de 29,6%”, disse.

Segundo o levantamento transnacional, a depressão maior é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. “Os dados epidemiológicos, no entanto, não estão disponíveis em muitos países, em especial os de baixa e média renda, como o Brasil. Por isso é tão importante termos esse tipo de estudo de base populacional”, afirmou Viana.

A assistência à saúde mental no Brasil, segundo Viana, deixa a desejar do ponto de vista da Saúde Pública. "Acredito que a divulgação de dados como esses devem servir de alerta e de embasamento para políticas públicas de prevenção e assistência à saúde mental. É preciso que essas políticas possam ser traçadas e implementadas levando em consideração as necessidades que identificamos na nossa população", afirmou Viana.

Prevalência maior em mulheres
Os resultados do estudo mostraram que, nos países de alta renda, a idade média de início dos episódios de depressão maior foi de 25,7 anos, contra 24 anos nos países de baixa e média renda. Incapacitação funcional mostrou-se associada a manifestações recentes de MDE.

O estudo também revelou que a prevalência é duas vezes maior entre as mulheres em relação aos homens. Nos países de alta renda, a juventude está associada com uma prevalência mais alta de depressão nos 12 meses anteriores à entrevista. Por outro lado, em vários dos países de baixa renda, as faixas etárias mais altas mostraram ter maior probabilidade de episódios depressivos.

A condição de separação de um parceiro apresentou a correlação demográfica mais forte com o MDE nos países de alta renda. Nos países de baixa e média renda, os fatores mais importantes foram as condições de divórcio e viuvez.

O relatório recomendou que futuras pesquisas investiguem a combinação de fatores de risco demográfico que estão associados ao MDE nos países incluídos na Iniciativa Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental.

O artigo Cross-national epidemiology of DSM-IV major depressive episode, de Ronald Kessler e outros, pode ser visto em acesso aberto na BMC Medicine.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

UFABC seleciona professores de economia

A Universidade Federal do ABC (UFABC) está com inscrições abertas até 26 de agosto para concurso público de contratação de dois professores adjuntos de economia na área de teoria econômica, nas subáreas de finanças e macroeconomia e microeconomia.

O regime é de dedicação exclusiva e o salário é de R$ 7.333,67.

Além desse concurso, a UFABC está com inscrições abertas para outros concursos para seleção de professores para diversas áreas.

Fonte: Agência FAPESP

XI Conferência Anual de Inovação Tecnológica - Recomendações e propostas da carta de Fortaleza

A Anpei realizou sua XI Conferência Anual de Inovação Tecnológica entre os dias 20 e 22 de junho de 2.011, em Fortaleza – Ceará. Com mais de 1.700 inscritos considerando também o seminário INOVA-INDI-CE. O tema geral da conferência “Redes de Inovação e Cadeias Produtivas” foi discutido por todos os atores da inovação: empresas (mais de 50% dos participantes ANPEI), academia e governo.

O Brasil está diante de um cenário promissor mas desafiador: bem posicionado com relação à países pouco desenvolvidos economicamente e com perspectivas interessantes pela frente, o País não consegue ganhar velocidade com relação a alguns países emergentes. Isso nos obriga a considerar o sentido de urgência das nossas discussões da XI Conferência da Anpei. Soluções tradicionais não atendem a necessidade de avanço do Brasil em inovação. Devemos buscar novos caminhos com criatividade e ousadia. Registramos a seguir, as principais propostas e recomendações da Carta de Fortaleza.

1. Agregação de valor e aumento de densidade tecnológica devem ser estimulados
Nas cadeias produtivas discutidas durante a conferência (petróleo, plásticos e fruticultura, por exemplo), a agregação de valor pode chegar a 10 vezes ou mais. Essa dinâmica gera benefícios à sociedade, às comunidades locais e ao País, promove a especialização da mão de obra e melhora a remuneração dos trabalhadores. Embora o valor das commodities tenda a ser crescente na atual conjuntura mundial indicando a importância crescente do agronegócio e da mineração, é necessário estimular a inovação ao longo das respectivas cadeias produtivas. É necessário que os instrumentos de estímulo à inovação dêem prioridade clara a desenvolvimentos integrados nas cadeias produtivas, incluindo:

1.1. Incentivos que induzam a sustentabilidade e

1.2. Incentivos para a cooperação Empresa-Empresa que estimulem a inovação nas cadeias produtivas de maior densidade tecnológica.

2. Escala limitada para inovar
Além de restrições de caráter macroeconômico como câmbio, taxa de juros e custos (fiscal e trabalhista), o Brasil tem uma escala limitada para inovar. Por maiores que sejam os investimentos (% PIB), ainda teremos escala limitada nos próximos anos. As empresas brasileiras, com poucas exceções, são relativamente pequenas comparadas aos grandes conglomerados internacionais que demonstram, assim, melhores condições para estruturar programas de PD&I mais amplos e robustos.

2.1. Programas de governo devem estimular a constituição de consórcios de empresas quer com pesquisa pré-competitiva no caso de empresas concorrentes, quer com pesquisas cooperativas no caso de empresas potencialmente parceiras, estimulando as redes de inovação e priorizando claramente as áreas estratégicas para o País;

2.2. Programas de apoio à internacionalização de empresas brasileiras, fortalecendo a competência de gestão empresarial, em particular, a gestão da inovação, e estimulando presença internacional relevante.

3. Atualização dos instrumentos de apoio à inovação
Os mecanismos atuais condicionam apoio à inovação à existência de lucro na organização. Considerando as características de risco e de tempo que separam o investimento em P&D do resultado da inovação, esses instrumentos deveriam ser reformulados porque representam uma ameaça à regularidade e à previsibilidade dos orçamentos de inovação. É necessário ampliar o marco legal e dar maior segurança jurídica às empresas permitindo total exercício do automatismo no uso dos instrumentos de estímulo à inovação por um número cada vez maior de empresas.

3.1. Incluir, como beneficiárias, as empresas que recolhem imposto de renda no regime de lucro presumido;

3.2. Permitir o deferimento dos dispêndios em PD&I – Pesquisa Desenvolvimento e Inovação em anos subseqüentes ao exercício dos gastos.

3.3. Ampliar o benefício fiscal para o dobro das despesas com inovação, sem condicionantes adicionais, como forma a simplificar e ampliar o estímulo ao uso do benefício.

4. Formação e capacitação profissional
É necessário ampliar a formação de recursos humanos em carreiras “duras” como ciências e engenharias, buscando novos modelos educacionais com foco em inovação, empreendedorismo e sustentabilidade.

4.1. Fomentar a formação de pesquisadores que sejam também inovadores e empreendedores,

4.2. Fomentar disciplinas optativas (MEC/MCT) em áreas específicas de interesse das empresas inovadoras;

4.3. Instituir dinâmica de bolsas nas empresas para doutores e pós-doutores do Brasil e do exterior, em regime de fluxo contínuo;

4.4. Retomar o programa de Editais FINEP de subvenção à contratação de mestres e doutores pelas empresas,

4.5. Ampliar os instrumentos de contratação e capacitação de recursos humanos voltados à inovação,

4.6. Criar um programa de atração de talentos do exterior, em áreas críticas.

5. Gestão da Propriedade Intelectual (PI)
Fica claro o destaque da propriedade intelectual na competitividade do País e a necessidade de aprofundar as discussões conjuntas entre governo, empresas e instituições de pesquisa na busca de um ambiente de PI mais favorável.

5.1. Contratar e capacitar novos examinadores no INPI para reduzir o “backlog” do exame de patentes para prazo inferior a 4 anos;

5.2. Participar ativamente na discussão internacional sobre propriedade intelectual visando a adesão aos tratados internacionais principais como forma de dar mais conforto jurídico e agilidade às empresas e entidades;

5.3. Simplificar a tramitação dos contratos de transferência de tecnologia;

5.4. Rever marco legal para acesso e uso do patrimônio genético da biodiversidade (MP 2.186/01);

5.5. Biodiversidade: medida emergencial para garantia das patentes e contratos em vigor uma vez que o marco legal atual, além de vícios por divergências internas, desestimula a inovação e os investimentos nessa área.

6. Interação Universidade – Empresa
Foram apresentados e debatidos os principais gargalos existentes com as seguintes propostas:

6.1. Desburocratizar e agilizar o processo decisório dos projetos nas universidades públicas, imprimindo mais velocidade ao processo;

6.2. Criar novos modelos para definir a repartição da propriedade intelectual;

6.3. Propor iniciativas estruturantes e de fomento que apóiem a fase de transição da escala de bancada para a escala industrial.

Essas reflexões, decorrentes da Carta de Fortaleza, têm o objetivo de fortalecer a inovação no Brasil criando condições favoráveis ao protagonismo das empresas e, assim, ao avanço da competitividade do Brasil no cenário internacional. Inovação é essencial e determinante para a competitividade das empresas e do País.

XI Conferência da Anpei,
Fortaleza, junho de 2011.

Fonte: ANPEI