quarta-feira, 6 de julho de 2011

QS World University Rankings lista as 200 principais universidades no mundo em ciências sociais


Ranking das ciências sociais
O QS World University Rankings by Subject: Social Science, que acaba se ser divulgado no site TopUniversities , traz sete universidades da América Latina entre as 200 principais no mundo em ciências sociais.

É a primeira vez que os QS World University Rankings listam universidades por assunto ou disciplina acadêmica. Foram listadas 26 disciplinas, com base em “reputação acadêmica”, “reputação da instituição” e “citações por artigo” (base Scopus).

As disciplinas foram reunidas em seis áreas principais: Contabilidade e Finanças; Economia; Direito; Estudos Internacionais e em Política; Estatística e Pesquisa Operacional; e Sociologia.

Os rankings listam as universidades de 1ª a 50ª e, a partir dali, em faixas de 50. A Universidade de São Paulo ficou na faixa 51 a 100 em Sociologia e de 151 a 200 em Estudos Internacionais e em Política.

A Universidade Estadual de Campinas ficou na faixa de 101 a 150 em Estatística e Pesquisa Operacional. A Universidade Federal do Rio de Janeiro também ficou entre 101 a 150 em Estatística e Pesquisa Operacional e aparece entre os 151 e 200 em Sociologia.

Em Estudos Internacionais e em Política, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ficou de 101 a 150 e a Fundação Getúlio Vargas de 151 a 200.

A mais elevada posição no ranking de uma instituição latino-americana foi o 44º lugar ocupado pela Universidade Nacional Autônoma do México em Sociologia.

“Com sete universidades entre as 200 principais no mundo em ciências sociais, as universidades da América Latina demonstram sua força em temas individuais nos novos rankings”, disse Ben Sowter, que chefia a Unidade de Inteligência na QS.

No geral, a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ficou em primeiro em cinco das seis áreas e em 16 das 26 disciplinas. A única área em que Harvard não liderou foi Estatística e Pesquisa Operacional, na qual a Universidade Stanford ficou em primeiro.

A QS (Quacquarelli Symonds) é uma empresa especializada na produção de informações e estatísticas para o ensino superior.

Fonte: Agência FAPESP

Science publica artigo com coautoria de pesquisadoras da Faculdade de Medicina da USP identifica genes envolvidos na maior durabilidade das células cancerígenas

Células que não envelhecem
Uma pesquisa feita por cientistas dos Estados Unidos e do Brasil acaba de fornecer novas pistas para um dos fenômenos menos conhecidos de alguns tipos de câncer: por que os telômeros se alongam, quando deveriam diminuir de tamanho.

Telômeros são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. Sua principal função é proteger a estrutura do cromossomo. Os telômeros contêm sequências de DNA que, em células sadias, encurtam-se a cada processo normal de divisão celular.

Sem telômeros, o encurtamento não ocorre, afetando as funções celulares. Sabe-se que células cancerosas, que se dividem muito rapidamente, usam grandes quantidades da enzima telomerase para manter os telômeros intactos. Mas há alguns tipos de células cancerosas que mantém o comprimento dos telômeros intacto, e isso sem precisar da ajuda da telomerase.

Sem um aumento na produção da telomerase, a dúvida é como as células cancerosas conseguem manter seus telômeros, em um fenômeno de alongamento alternativo dessas estruturas.

O novo estudo identificou, por meio de uma técnica de marcação histológica molecular chamada “hibridização in-situ com marcadores fluorescentes específicos de telômeros” (FISH, em inglês), dois genes encontrados com alta frequência em tumores, denominados ATRX e DAXX. Esses genes são responsáveis por manter o comprimento dos telômeros, indica o trabalho.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados no site da revista Science, têm como autoras a pesquisadora Sueli Mieko Oba-Shinjo e a professora Suely Kazue Nagahashi Marie, do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Segundo ela, em alguns tipos de câncer foram detectadas – por sequenciamento ou por imunomarcação – mutações nos genes ATRX e DAXX. “Todos os genes com grande alteração na sequência tinham o telômero mais preservado, o que justifica um dos mecanismos do processo de câncer”, disse Marie à Agência FAPESP.

A mutação foi detectada inicialmente em carcinomas de pâncreas. Em seguida, o grupo também identificou a mutação em outros mais de 400 tipos de câncer, entre deles o glioblastoma multiforme – tumor maligno que ataca o sistema nervoso central e atinge tanto crianças como adultos – e o oligodendroglioma – que também ataca o sistema nervoso e tem origem na célula oligodendroglial.

Para os pesquisadores, o objetivo a ser atingido com esses marcadores é o de detectar a doença o quanto antes para que seja possível evitar o crescimento do tumor sólido.

“Essas são mutações genéticas que só existem nos tumores. Se conseguirmos rastreá-las durante a evolução do paciente será possível saber, precocemente, se o tumor voltou ou se está crescendo”, disse Marie.

O estudo foi liderado por cientistas do Departamento de Patologia do Johns Hopkins Medical Institutions, em Baltimore. “Descobrir os genes responsáveis pelo alongamento alternativo dos telômeros é o primeiro passo para compreender esse processo e, com isso, poderemos ter oportunidades de desenvolver novas terapias contra o câncer”, disse Nickolas Papadopoulos, do Johns Hopkins.

Projeto Temático

Marie atua há mais de dez anos na área de genômica e coordenou diversos projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP, entre eles o Temático recém- concluído "Procura de marcadores moleculares relacionados ao diagnóstico e prognóstico de tumores do sistema nervoso central".

O artigo que acaba de sair na Science é a terceira publicação na revista resultante de trabalhos desenvolvidos pela rede de pesquisas criada a partir do Projeto Temático e que envolve, no Brasil, além do Departamento de Neurologia da FMUSP, o Hospital do Câncer, em Barretos, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a USP de Ribeirão Preto.

Os artigos Integrated Genomic Analysis of Human Glioblastoma Multiform, de 26 de setembro de 2008 (doi: 10.1126/science.1164382), e The Genetic Landscape of the Childhood Cancer Medulloblastoma, de 28 de janeiro de 2011 (doi: 10.1126/science.1198056), descrevem os resultados obtidos pelas pesquisas do grupo com a identificação de marcadores para o diagnóstico precoce de câncer, realizadas em colaboração com instituições nos Estados Unidos.

O novo artigo, Altered Telomeres in Tumors with ATRX and DAXX Mutations (doi: 10.1126/science.1207313), de Sueli Mieko Oba-Shinjo, Suely Kazue Nagahashi Marie e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencexpress.org.

Fonte: Mônica Pileggi / Agência FAPESP