quinta-feira, 9 de junho de 2011

Diminuição das APPs e da reserva legal, proposta na reforma do Código Florestal, coloca em risco espécies que dependem dos fragmentos florestais

 Value of Small Forest Fragments to Amphibians

Refúgios ameaçados
A diminuição das Áreas de Proteção Permanente (APPs) e de reserva legal no Brasil, proposta pelo projeto de reforma do Código Florestal aprovado em 25 de maio na Câmara dos Deputados, pode resultar na eliminação de pequenos fragmentos de mata ciliar e de propriedades rurais que são cruciais para a sobrevivência de animais como os anfíbios.

Isso porque essas espécies utilizam as áreas remanescentes de floresta como refúgio durante a estação seca e como corredores para se deslocar e buscar alimentos. O alerta foi feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ligados ao programa BIOTA-FAPESP, em carta publicada na edição de 27 de maio da revista Science.

Na carta, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que a existência de pequenos fragmentos da Floresta Estacional Semidecidual – a porção da Mata Atlântica que ocupa no interior do país áreas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná – aumenta significativamente a diversidade de anfíbios, baseados nos resultados de uma pesquisa de doutorado realizada pelo biólogo Fernando Rodrigues da Silva no âmbito do Projeto Temático “Fauna e flora de fragmentos florestais remanescentes no noroeste paulista: base para estudos de conservação da biodiversidade”, apoiado pela FAPESP.

Em sua pesquisa, intitulada “A influência de fragmentos florestais na dinâmica de populações de anuros no noroeste do Estado de São Paulo”, realizada com Bolsa da FAPESP, Silva colocou poças artificiais próximas a seis fragmentos florestais da região noroeste paulista, com diferentes extensões, para analisar a diversidade de anfíbios presentes neles.

Com isso, o pesquisador constatou que os fragmentos de floresta com 70 a 100 hectares apresentam alta diversidade de anfíbios durante o período de reprodução das espécies, em que elas saem de seus hábitats naturais para se reproduzir.

“A diminuição das APPs e áreas de reserva legal, como pretende o projeto de reforma do Código Florestal, pode eliminar os fragmentos florestais e afetar a diversidade de espécies que ocorrem próximas a eles”, disse Silva.

Segundo ele, não se imaginava que os fragmentos florestais fossem tão importantes para espécies consideradas de área aberta (que vivem fora da mata), como os anfíbios da região noroeste do estado. Porém, a pesquisa demonstrou que, mesmo que essas espécies se reproduzam em área aberta, em momentos específicos de seus ciclos de vida esses animais recorrem aos fragmentos florestais para se alimentar, procurar abrigo na estação seca e se deslocar.

Em função disso, a redução de áreas remanescentes de florestas pode promover o fenômeno da “separação do hábitat”, que é reconhecido como ameaçador especialmente para anuros (sapos, rãs e pererecas). O processo ocorre quando os ambientes que os animais usam para se alimentar e se reproduzir são desconectados, resultando em um ambiente mais hostil durante a migração e a dispersão.

“Se forem preservados os fragmentos florestais, também é possível preservar a diversidade de espécies de anfíbios no entorno deles”, afirmou Silva.

Essas áreas remanescentes de floresta atuam em vários serviços ecossistêmicos. Entre eles estão aumentar a quantidade de polinizadores para as lavouras, controlar as pragas e manter os regimes hidrológicos e a qualidade da água, que são críticos para a existência não só de anfíbios, mas para muitas outras espécies, em geral.

Sem fragmentos

Na carta, os pesquisadores destacam que, no interior do Estado de São Paulo, a expansão das colheitas de cana-de-açúcar para produzir etanol está levando à eliminação dos corpos d’água próximos aos fragmentos de floresta, colocando sob ameaça os anfíbios, que usam esses ambientes para se reproduzir.

“Ainda não fizemos um estudo para observar o impacto do cultivo da cana-de-açúcar na diversidade de anfíbios. Mas o que constatamos é que quando se eliminam as áreas de pasto para cultivar cana são extinguidos os corpos d’água, como os açudes, que os anfíbios utilizam para se reproduzir. E estamos percebendo que esses ambientes estão desaparecendo no noroeste paulista”, disse.

O que ainda continua existindo na região, segundo Silva, são grandes represas onde há muitos peixes. Mas muitos anfíbios não utilizam esses ambientes para se reproduzir, porque os peixes comem os ovos e os girinos.

Os pesquisadores que assinam a carta enfatizam que, embora estejam tentando mostrar o valor dos pequenos fragmentos de floresta para a preservação de diversas espécies, isso não significa dizer que possa ser diminuído o tamanho das áreas maiores.

“Quanto maior o tamanho dos fragmentos de floresta, melhor para essas espécies. Mas mesmo os pequenos fragmentos são fundamentais e não podem ser desmatados. E, diminuindo o tamanho das APPs e das reservas legais, como propõe o projeto de reforma do Código Florestal, esses fragmentos florestais irão desaparecer”, ressaltou Denise de Cerqueira Rossa Feres, professora do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp, campus de São José do Rio Preto, que orientou Silva em seu doutorado e também assina a carta publicada na Science com Silva e Vitor Hugo Mendonça do Prado, do Departamento de Zoologia da Unesp em Rio Claro.

A carta “Value of Small Forest Fragments to Amphibians” (DOI:10.1126/science.332.6033.1033-a), de Fernando Rodrigues da Silva e outros, pode ser lida por assinantes da Science.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

Ufsc - Pesquisadores criam simuladores para Petrobras


Pesquisadores da Ufsc criam simuladores para Petrobras
No final do corredor um cluster de 512 processadores está conectado a uma tela de transmissão de imagens 3D. A estrutura, montada a um custo de um milhão de reais, é utilizada para exibição dos resultados obtidos com os simuladores para a perfuração de rochas e a extração do petróleo no Laboratório de Simulação Numérica em Mecânica dos Fluidos Transferência de Calor (Sinmec), do Departamento de Engenharia Mecânica da Ufsc.

As pesquisas feitas no Sinmec possibilitam à Petrobras pedir determinadas adaptações aos simuladores que são comprados e ajudam os técnicos a conhecer melhor as potencialidades dos equipamentos. “Nosso objetivo não é um simulador completo”, explica o coordenador do laboratório, professor Clóvis Maliska, “nosso interesse é estudar apenas com o “coração” do equipamento, o núcleo numérico”. Há 20 anos a Petrobras financia projetos nesse laboratório. O principal foco das pesquisas do grupo agora são as operações multifásicas que consistem em codificar operações integradas entre a perfuração da rocha com a passagem pela tubulação, avaliando pressão, quantidade e tamanho das aberturas na tubulação para dar acesso ao óleo.

Desde a década de 80, a perfuração horizontal (veja o desenho abaixo) começou a substituir os poços verticais. Dessa forma é possível aumentar a área exposta a captação do óleo e se obtém um maior vazão. As técnicas para esse tipo de perfuração ainda estão em desenvolvimento e o Sinmec, desde 2009, está elaborando um software para a determinação de quantas aberturas podem ser feitas na tubulação para entrada de óleo e a que distância. O estudo será entregue até o final deste ano à Petrobrás.

Outra pesquisa dentro do laboratório irá auxiliar na exploração do pré-sal. A preocupação de Cristiano Garibotti, que iniciou o doutorado na UFSC em 2008, é estudar o movimento do sal, que ao contrário da rocha, se movimenta com muito maior facilidade o que pode ocasionar o fechamento do poço. A movimentação das rochas está entre os próximos objetos de pesquisa do laboratório. Um dos motivos são as características geológicas no Brasil, uma vez que a exploração no país não pode alcançar níveis de produção como no Oriente Médio, pois haveria uma destruição do poço.

As simulações realizadas pelo Laboratório nunca ocorrem com dados de poços em funcionamento, mas com aqueles que já foram fechados ou de produtividades antigas, uma vez que estás informações são sigilosas. Maliska afirma que não há prejuízo nenhum para a pesquisa, uma vez que o papel do Sinmec é desenvolver as fórmulas matemáticas para operação dos simulares.

Fonte: CIMM

FAPESP e MIT- Seleção apoiará propostas de intercâmbio de pesquisadores de instituiçõesde São Paulo e EUA

FAPESP e MIT lançam nova chamada
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, publicam nova chamada de propostas para intercâmbio no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições.

A chamada está aberta a propostas de intercâmbio de pesquisadores em todas as áreas do conhecimento. As propostas serão recebidas pela FAPESP até o dia 19 de setembro de 2011.

Podem participar pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior ou pesquisa, públicas ou privadas, no Estado de São Paulo, que sejam pesquisadores responsáveis ou pesquisadores principais de auxílios apoiados pela FAPESP e vigentes nas modalidades Auxílio à Pesquisa – Regular, Auxílio à Pesquisa – Projetos Temáticos, Apoio a Jovens Pesquisadores ou Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID).

A execução de cada proposta deverá ocorrer no período de janeiro de 2012 a agosto de 2013.

FAPESP e MIT apoiarão as propostas selecionadas com recursos combinados de até US$ 30 mil por projeto (US$ 20 mil para pesquisadores e pós-doutorandos e US$ 10 mil para graduados ou estudantes de graduação), pela vigência estabelecida na concessão, destinados necessariamente e exclusivamente a despesas de mobilidade (passagens, diárias e seguro-saúde) e nos termos do acordo entre as instituições.

As propostas devem ser apresentadas simultaneamente pelo pesquisador do Estado de São Paulo à FAPESP e pelo seu colaborador nos Estados Unidos ao MIT. Cada uma das partes efetuará a seleção das propostas segundo sua sistemática de análise. Somente as propostas aprovadas por ambas as partes serão financiadas.

Fonte:Agência FAPESP

Finais da OBI acontecem no ICMC-USP


ICMC-USP recebe finais da OBI
A 13ª edição da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI), organizada pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), terá sua fase final realizada no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação  da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, de 11 a 15 de julho.

A competição é organizada nos moldes de outras olimpíadas científicas brasileiras, como as de Matemática, Física e Astronomia. O evento serve como seleção para indicar quatro alunos na categoria "Programação" para integrar a equipe brasileira na Olimpíada Internacional de Informática (IOI), que será realizada de 22 a 29 de julho, na Tailândia, com a participação de mais de 80 países.

A OBI tem como objetivo despertar nos alunos o interesse pela ciência da computação, por meio de atividades que envolvam desafio, engenhosidade e competição.

Os melhores colocados serão convidados para uma semana de cursos no Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que este ano organiza o evento. As finais realizadas no ICMC serão as de Iniciação níveis 1 e 2 e de Programação níveis Júnior e 1. A final do nível 2 será na Unicamp e é a seletiva para a IOI.

O endereço do ICMC é Av. Trabalhador São-Carlense nº 400, São Carlos.

Fonte: Agência FAPESP

FAPESP e Agilent Technologies assinam carta de intenções para colaboração em pesquisa científica e tecnológica


Oportunidades abertas
A FAPESP e a Agilent Technologies assinaram nesta quarta-feira (1/6) uma carta de intenções que prevê a possibilidade de colaborações futuras em pesquisa científica e tecnológica. Considerada líder mundial na área de medição analítica, a empresa norte-americana também atua em tecnologia para análises químicas, biociências, eletrônica e comunicações.

A carta de intenções foi assinada pelo presidente da FAPESP, Celso Lafer, e pelo presidente da Agilent Technologies, William Sullivan, na sede da Fundação.

A reunião teve a presença do diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, do gerente geral da Agilent no Brasil, Reinaldo Castanheira, da gerente-geral nos Estados Unidos, Sylvia Escobar, e do diretor de Serviços de Suporte da empresa, Rui Villela Ferreira.

De acordo com Lafer, a assinatura da carta de intenções reflete a preocupação da FAPESP em ampliar as oportunidades de internacionalização. “É também uma forma de propiciar oportunidades para a interação de cientistas paulistas com os pesquisadores qualificados da Agilent”, disse.

Brito Cruz afirmou também que a perspectiva de acordos entre a empresa e a Fundação é uma boa notícia para os pesquisadores paulistas. “É uma oportunidade para que pesquisadores do Estado de São Paulo colaborem em pesquisas relacionadas à instrumentação científica com pesquisadores de uma empresa que tem uma tradição importante na área”, destacou.

Segundo Sullivan, a possibilidade de parcerias abre perspectivas futuras para oportunidades de pesquisas em áreas como agricultura, energia e, em especial, ciências da vida. “Nosso objetivo é que seja feito no futuro um acordo de cooperação, com aportes de recursos das duas instituições. Uma vez definidas as áreas de interesse conjunto, esperamos fazer uma chamada para projetos de pesquisa de interesse conjunto”, disse Sullivan à Agência FAPESP.

Os projetos seriam selecionados por um painel composto pelas duas instituições. Segundo ele, a Agilent valoriza de forma especial o know how da FAPESP para a avaliação de projetos.

Castanheira contou que, durante o ano de 2010, foi feito um esforço para identificar as áreas de interesse comum entre Fundação e empresa. O resultado foi uma lista com mais de uma dúzia de áreas, que será refinada em conjunto com a FAPESP.

"Queremos focar uma possível chamada para projetos de pesquisa em quatro ou cinco áreas – especialmente aquelas ligadas à biotecnologia, como pesquisas sobre curas para doenças humanas ou de vegetais, aprimoramento genético de culturas agrícolas e diversos outros campos. Há grande interesse, ainda, na principal área de atuação de empresa – a instrumentação analítica – e no desenvolvimento de sensores ”, afirmou.

Após a assinatura da carta de intenções, o cronograma será estabelecido pela FAPESP. “Cientistas dos laboratórios da Agilent realizarão apresentações em alguns centros de pesquisa brasileiros, para divulgar as áreas de interesse que forem determinadas em conjunto com a FAPESP. Uma vez estabelecido esse diálogo com a comunidade científica, imaginamos que seja possível lançar uma chamada de propostas até o fim do ano”, disse Castanheira.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Sociedade Brasileira de Genética lança serviço educativo e de acesso gratuito

Biotecnologia na internet
A Sociedade Brasileira de Genética (SBG) lançou o site Saiba mais sobre biotecnologia. Destinado ao público geral, tem conteúdo educativo e gratuito com explicação de aplicações possíveis da manipulação genética.

A iniciativa tem por objetivo demonstrar que a biotecnologia não se detém aos laboratórios de institutos de pesquisa, mas que também está presente no dia a dia das pessoas. Além de promover o estudo da genética, o portal visa à popularização da ciência.

“O conhecimento não pode ficar apenas dentro de laboratórios e publicações especializadas”, disse Carlos Menck, presidente da SBG e coordenador do Projeto Temático Respostas celulares a lesões no genoma, apoiado pela FAPESP.

O conteúdo do novo site está dividido em cinco seções: Biotecnologia, Vegetais transgênicos, Animais transgênicos, Terapia gênica e Células-tronco.

Para explicar como a biotecnologia pode ser empregada nas mais variadas situações, tais como investigações criminais, testes de paternidade e clonagem, o site conta com recursos multimídia como vídeos e animações.

O serviço dispõe também de um fórum para a troca de ideias entre os visitantes e uma área que permite ao usuário descrever suas pesquisas, além de propor alterações ou inclusões em outros trabalhos.

Fonte: Agência FAPESP