quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ciência, tecnologia e sociedade: desafios da construção do conhecimento

Conhecimento em construção
A relevância dos temas científicos e tecnológicos na determinação das condições de vida dos seres humanos levou à formação de um novo campo de pesquisas conhecido como Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS).

O livro Ciência, tecnologia e sociedade: desafios da construção do conhecimento, que acaba de ser lançado, tem como objetivo sintetizar o conhecimento sobre CTS adquirido por docentes, pesquisadores e alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Organizado por Wanda Hoffmann, professora do Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da UFSCar, o livro reúne ensaios sobre temáticas que envolvem diferentes perspectivas a respeito da CTS.

Segundo ela, docentes, pesquisadores e alunos da universidade foram motivados pela vontade de colaborar com a construção, o crescimento e o fortalecimento do campo. “O objetivo fundamental da obra foi trazer contribuições importantes para a CTS, reunindo uma diversidade de ideias, conceitos e argumentos”, disse à Agência FAPESP.

Hoffmann, que também é diretora do Centro de Educação e Ciências Humanas da UFSCar, explica que, por abordar os temas relacionados à ciência, à tecnologia e à sociedade em diferentes contextos, esse campo de estudos em construção tem caráter essencialmente multidisciplinar, com interface com as diversas áreas de conhecimento.

“A CTS busca compreender e superar os desafios provocados pelas mudanças e transformações radicais e abrangentes que ocorreram na passagem do milênio, constituindo um emergente padrão social, econômico, político e cultural que colabora para o aumento das incertezas e indefinições”, afirmou.

Essa nova sociedade sofre influência da crescente intensidade e complexidade dos conhecimentos desenvolvidos, que se caracterizam pela velocidade, pela confiabilidade e pelo baixo custo. O armazenamento e o processamento de grandes quantidades de informação, segundo ela, exercem papel central no processo de compreensão e relação da ciência, tecnologia e sociedade.

“Com novos conhecimentos e competências, com novos aparatos e tecnologias, surgem reflexões sobre os novos modos disponíveis de aprendizado, interação, pesquisa, produção, trabalho, consumo, diversão, exercício da cidadania e compartilhamento de bens coletivos”, afirmou.

Assim, segundo a professora, a capacidade de compreender e gerar ciência e tecnologia não é mais considerada um fenômeno neutro e automático, mas está associada a questões complexas e, às vezes, invisíveis. “O alcance, o desenho e os objetivos da produção científica e tecnológica foram reformulados e se tornaram mais dinâmicos, com foco no atendimento dos novos requisitos do ensino, pesquisa e desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Os autores dos ensaios presentes no livro fizeram parte dos grupos de pesquisa do programa de pós-graduação em CTS na UFSCar. “Eles pesquisam e abordam diferentes temáticas que envolvem a CTS e que poderiam contribuir para a disseminação da área à luz de diferentes olhares. O público-alvo do livro é composto por pesquisadores, docentes, estudantes, profissionais de organizações públicas e privadas que estão envolvidos direta e indiretamente com CTS”, afirmou.

Como o campo de estudos em CTS é muito abrangente, os ensaios foram agrupados em quatro seções, para possibilitar interpretações melhores e reflexões sobre cada realidade a ser analisada: “Educação e informação tecnológica”, “Gestão e empreendedorismo”, “Tecnologia, ambiente e sociedade” e “Ciência, sociedade e linguagem”.

“A seção ‘Educação e informação tecnológica’ aborda o movimento CTS enquanto campo de atividade de pesquisa acadêmica orientador de políticas públicas no contexto da educação. Remete também às tecnologias sociais que atendam aos interesses sociais e que são aplicadas para garantir o retorno para a sociedade em qualidade de vida e sustentabilidade”, disse Hoffmann.

A seção “Gestão e empreendedorismo” enfoca, com reflexões sobre a gestão da parceria pública-privada, a administração dos desafios envolvendo conhecimento, criatividade, inovação e sustentabilidade nas organizações. “Essa parte trata também da reflexão relacionada ao atendimento das crescentes necessidades da sociedade e requisitos governamentais em áreas altamente intensas em novas tecnologias, como o setor aeronáutico”, explicou.

Em “Tecnologia, ambiente e sociedade”, os ensaios tratam de políticas ambientais e do consumo sustentável. “São abordadas também discussões teóricas e práticas no contexto da ciência e tecnologia envolvendo diferentes perspectivas, como aquelas relacionadas ao agronegócio sustentável, à propriedade intelectual, às organizações de base tecnológica e aos empreendimentos coletivos solidários como as cooperativas”, disse a autora.

Na última seção, “Ciência, sociedade e linguagem”, está a ciência vista por meio da análise do discurso e das mensagens disseminadas em diferentes contextos e ambientes.

“A contribuição essencial do campo CTS consiste em refletir e compreender de forma integrada o mundo construído pelos seres humanos a partir da análise das diversas áreas de conhecimento, sem, contudo, perder a visão do todo”, disse.

* Ciência, tecnologia e sociedade: desafios da construção do conhecimento
Autor: Wanda Hoffmann
Lançamento: 2011
Preço: R$ 39
Páginas: 313
Mais informações:

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Unesp - lançados 50 livros digitais gratuitos

A partir desta quarta-feira (27/4), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) disponibilizará gratuitamente 50 novos livros digitais.

Segundo as responsáveis pela iniciativa, a Editora Unesp e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, os títulos integram o selo Cultura Acadêmica (lançado em 1987, o segundo da Fundação Editora da Unesp) e dão continuidade à Coleção Propg Digital, que oferece obras inéditas para download.

Após o lançamento, cujo início está previsto para as 9h, os autores concederão entrevistas individuais para a Web TV, projeto da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da universidade. Cada entrevista terá 15 minutos e será dividida em dois blocos, sendo o primeiro das 11h30 às 12h30, e o segundo, das 14h às 17h.

A coleção teve sua primeira fase em 2010, quando foram lançadas 44 obras. Desde então, foram registrados mais de 50 mil downloads e cerca de 205 mil acessos.

Segundo os organizadores, a meta do projeto é publicar mil títulos em dez anos, permitindo maior acesso à produção acadêmica da Unesp.

A Editora Unesp fica na Praça da Sé, 108, no Centro de São Paulo. O lançamento da Coleção Propg Digital será no 7º andar do auditório.

A Web TV também fará a transmissão ao vivo do lançamento pelo endereço: www.unesp.br/tv.

Fonte: Agência FAPESP

CNPq 60 anos

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) comemora hoje (27) 60 anos de fundação tendo como perspectiva a necessidade de atender à demanda de crescimento econômico ao apoiar e fomentar a formação de cientistas, técnicos e, especialmente, engenheiros.

“Não há como o país avançar para a quinta posição entre as economias do planeta se não provermos educação básica de qualidade e, em particular, em matemática e ciências”, avaliou, em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, que é professor do Instituto de Física de São Carlos (SP).

O Brasil ocupa hoje a oitava posição em valor nominal do Produto Interno Bruto (PIB), segundo classificação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e tem, de acordo com o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), um déficit anual de formação de 20 mil novos engenheiros.

O temor do apagão de mão de obra qualificada levou o CNPq a elaborar um programa para dobrar a formação de engenheiros em cinco anos. Segundo Oliva, a proposta está sendo formatada e visa a garantir a permanência dos alunos nos cursos de engenharia e evitar a evasão. Além do Confea, participam da elaboração do programa a Associação Brasileira de Engenharia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Além de mais engenheiros, o desenvolvimento econômico vai exigir mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Plano de Ação Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional prevê que o investimento salte do atual índice de 1,13% do PIB para 1,9%, até 2014. Nos Estados Unidos, o gasto com P&D é cerca de 2,7% do PIB e na China, 1,5% do PIB. O Brasil é o 12º no ranking de produção científica e produz cerca de 3% do conhecimento científico no mundo, sendo que um quarto dessa produção é na área de saúde.

O aumento do investimento em P&D vai depender do setor público e mais ainda da iniciativa privada, conforme analisa o presidente do CNPq. O plano de ação estabelece que as empresas invistam 1% do PIB (mais do que o dobro do percentual atual, 0,48%) e o Estado passe dos atuais 0,65% para 0,9% do PIB.

De acordo com Oliva, a expectativa é que o Plano de Ação C,T & I tenha suas metas atingidas também por empresas de setores em que o Brasil é competitivo (como o aeroespacial, o de produção de energia, o agronegócio e a mineração), com a instalação de unidades de P&D de grandes companhias estrangeiras (como as americanas GE, IBM e a chinesa Foxconn) e de empresas da cadeia produtiva da exploração de petróleo na camada pré-sal.

No setor público, o desafio é driblar os efeitos do contingenciamento do Orçamento da União de 2011, que atingiu o Ministério de Ciência e Tecnologia e as agências vinculadas, entre elas o CNPq. Cerca de 25% dos recursos de investimento do CNPq estão bloqueados. O ministério não informou o valor absoluto.

Segundo Oliva, o corte não afetou o pagamento de pesquisas em andamento e nem os programas de bolsa regulares. Nesses programas, há mais de 14 mil pesquisadores de produtividade em pesquisa financiados, cerca de 20 mil bolsistas de mestrado e doutorado e 7 mil bolsistas apoiados nas diferentes modalidades de fomento tecnológico.

O corte pesou sobre os editais temáticos adicionais dos 17 fundos setoriais, como, por exemplo, a qualificação e formação de pessoas para a área de tecnologia da informação e produção de energia alternativa renovável. “O mais importante, nesse momento, é que a gente cumpra os compromissos assumidos em anos anteriores”, disse o presidente do CNPq.

O CNPq foi instalado no dia 17 de abril, mas a cerimônia de comemoração dos 60 anos ocorrerá amanhã (27), em Brasília, no Teatro Nacional Cláudio Santoro. Na ocasião, serão entregues o título de pesquisador emérito e a menção especial de agradecimento a cientistas que contribuíram para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Os funcionários com mais de 25 anos de casa serão homenageados. A vigésima-quinta edição do Prêmio Jovem Cientista será lançada na cerimônia.

Fonte: Agência Brasil