segunda-feira, 25 de abril de 2011

Brasil e Itália - Acordo prevê ações para estabelecimento de padrões comuns de certificação

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) reuniu, na semana passada, o cônsul da Itália para o Paraná e Santa Catarina, Salvatore Di Venezia, o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal, e diretores do Tecpar para discutir o acordo de cooperação entre o governo paranaense e a região de Parma, na Itália.

As ações previstas são voltadas para o estabelecimento de padrões comuns de certificação entre Itália e Brasil, com vistas a facilitar o comércio de suínos e produtos lácteos entre os dois países. Uma das propostas é a criação de um curso de especialização no Brasil e de um laboratório de análises que permitiriam formar técnicos especializados em certificação de alimentos, de acordo com os padrões europeus.

De acordo com o cônsul da Itália, esse é um acordo estratégico para agilizar os trâmites burocráticos envolvidos no comércio internacional, que poderia contemplar inclusive outras áreas e Estados brasileiros. “É grande a nossa expectativa para a concretização desse acordo, que agora está na fase de execução de um plano de trabalho”, explicou.

O diretor-presidente do Tecpar, Júlio Felix, informou que há interesse da instituição em contribuir. “Nossa expectativa é de que haja um plano de ação indicando as responsabilidades de cada parte envolvida no processo, objetivos comuns, fontes de recursos e cronograma de ações”.

Em novembro, está prevista a vinda do embaixador da Itália ao país. A ideia é que nessa visita o plano de ação já esteja bastante avançado para que o acordo possa ser referendado e executado.

Fonte: Gestão CT

Grupo internacional, com participação brasileira, consegue pela primeira vez observar e medir núcleos de anti-hélio 4

Observation of the antimatter helium-4 nucleus
 Antipartícula de peso
Em 1911, o cientista neozelandês Ernest Rutherford (1871-1937) utilizou núcleos de átomos de hélio-4 – as chamadas partículas alfa – para demonstrar que os átomos têm sua carga positiva concentrada em um pequeno núcleo. A descoberta foi o pontapé inicial da física nuclear.

Exatos 100 anos depois da criação do modelo atômico de Rutherford, um grupo internacional de cientistas, com participação brasileira, descreve pela primeira vez a observação e medição de antipartículas de núcleos de hélio-4. Trata-se da antimatéria mais pesada já produzida e medida em um laboratório.

De acordo com os autores, a detecção tem consequências importantes para a futura observação de antimatéria no Universo. Segundo eles, o estudo sobre as antipartículas é fundamental para o avanço do conhecimento em aspectos fundamentais da física nuclear, da astrofísica e da cosmologia.

O experimento, realizado pela Colaboração Star – que reúne 584 cientistas de 54 instituições em 12 países diferentes –, foi produzido no Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês), localizado nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados neste domingo (24/4) na seção Letters da revista Nature.

Os coautores brasileiros são Alexandre Suaide, Alejandro Szanto Toledo e Marcelo Munhoz – todos eles professores do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física (a Universidade de São Paulo (IF- USP) –, Jun Takahashi, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin () da Universidade Estadual de Campinas (IFGW-Unicamp) e seus orientandos de doutorado Rafael Derradi de Souza e Geraldo Vasconcelos.

Com a participação do mesmo grupo, o experimento já havia rendido, há um ano, a primeira evidência experimental de um anti-hipernúcleo: isto é, os cientistas haviam obtido um núcleo que não faz parte da tabela periódica. O estudo foi publicado em março de 2010 na revista Science.

De acordo com Suaide, no trabalho de 2010, as antipartículas foram submetidas à coalescência – um processo análogo à condensação –, agregando dois antinêutrons e um antipróton, formando um antitrítio – isto é, um núcleo de antimatéria correspondente ao do átomo de trítio –, o isótopo do hidrogênio que possui dois nêutrons e um próton. No trabalho atual, os pesquisadores conseguiram produzir um anti-hélio, com dois antiprótons e dois antinêutrons.

“Observando pela primeira vez o anti-hélio – uma partícula alfa de antimatéria –, demos mais um passo em direção à construção de uma nova tabela periódica. Tratava-se de uma tarefa difícil, porque a possibilidade de haver coalescência decresce à medida que aumenta a complexidade do antinúcleo”, disse Suaide.

No experimento Star, segundo o cientista, foram realizadas colisões de núcleos de átomos de ouro em velocidade próxima à da luz, em temperatura altíssima, criando uma densidade de energia semelhante à que existiu alguns microssegundos após o Big Bang. Tanto no laboratório como no início do Universo, as colisões resultam na formação de uma quantidade equivalente de matéria e antimatéria.

“Teoricamente, acreditamos que o Big Bang surgiu de uma grande concentração de energia em uma singularidade e, a partir de modelos, concluímos que esse processo deve ter produzido muita antimatéria. No entanto, quando olhamos o Universo quase não encontramos a antimatéria. O experimento poderá ajudar a entender o que aconteceu nesses instantes iniciais”, disse Suaide.

Atrás da antimatéria
Para detectar as antipartículas, os cientistas utilizam detectores sofisticados – o maior deles tem 10 metros de largura por 15 metros de comprimento – que medem a trajetória das partículas e a partir delas tenta identificar o tipo de partícula observada.

O armazenamento e a análise da imensa quantidade de dados produzida, segundo Suaide, exigem o envolvimento de dezenas de instituições em todo o mundo e uma poderosa infraestrutura computacional.

“Produzimos no experimento um número de colisões de núcleos de ouro da ordem de 1 bilhão. Cada uma delas produz milhares de partículas diferentes. De todos esses trilhões de partículas, conseguimos encontrar 18 núcleos de anti-hélio. A dificuldade envolvida na tarefa explica por que as partículas antialfa jamais haviam sido observadas, embora a partícula alfa já tenha sido identificada há um século”, disse.

A partir dos estudos sobre as antipartículas em laboratórios, segundo Suaide, os cientistas buscam as condições necessárias para a observação futura da antimatéria no cosmos.

“Esses estudos nos ajudam a saber o que se espera observar. Ao medir o anti-hélio 4, também contribuímos para que os cosmólogos façam previsões sobre como e onde procurar a antimatéria”, explicou.

Suaide conta que o grupo brasileiro faz parte do experimento Star há 15 anos e desempenhou um papel importante no desenvolvimento e construção dos detectores principais.

“Os pesquisadores do Brasil tiveram uma participação ativa no experimento, participando intensamente da coordenação dos subgrupos nos quais se dividem os trabalhos. Neste último trabalho, participamos diretamente da revisão do artigo”, afirmou.

Leia o  resumo do artigo Observation of the antimatter helium-4 nucleus (DOI: 10.1038/nature10079) , da Colaboração Star.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

INPI - Patente em tempo real

Inventor acompanhará patente em tempo real
A partir de 3 de maio os inventores brasileiros terão nova ferramenta que vai dar mais agilidade ao processo de registro de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O sistema e-Patentes/Parecer permitirá aos depositantes de patentes acompanhar, em tempo real, os pareceres técnicos dos respectivos pedidos. O diretor substituto da Área de Patentes do Inpi, Julio César Moreira, disse nesta terça-feira, 19, à Agência Brasil que o sistema vai tornar mais transparente o processo de exame e concessão de patentes no país.

“O inventor não ganha patente de pronto. O que ele deposita precisa ser corrigido, tanto com relação ao conteúdo, quanto à forma. E o Inpi faz exigências para o depositante se ajustar”. Para obter a patente, o produto precisa ser novo, inédito no mundo, além de ser fruto de atividade inventiva e ter aplicação industrial.

Hoje, os depositantes de qualquer lugar do Brasil têm que receber, pelos Correios, uma cópia do parecer técnico do Inpi. Como o processo é demorado, o depositante acaba sendo prejudicado com perda de prazos por não receber o documento em tempo hábil. É justamente para resolver este problema que o instituto vai disponibilizar os pareceres técnicos pela internet, em tempo real.

A eliminação de papéis por meio do processamento eletrônico começará em maio, dentro de um projeto mais amplo que prevê a implantação, em março de 2012, do sistema e-Patentes, que permitirá o depósito das patentes também em tempo real pela internet (online). “Além de ter acesso aos pareceres via internet, (o inventor) vai depositar o pedido eletronicamente, sem ter que ir a um escritório do Inpi ou uma representação em qualquer lugar do Brasil”.

A terceira etapa do projeto vai permitir que o inventor (depositante) acompanhe todo o processo de concessão de patentes pela internet, revelou o diretor.

O Inpi está trabalhando também no aperfeiçoamento da Plataforma Eletrônica de Exame Colaborativo (e-PEC), já disponível na internet, que permite o compartilhamento de informações na análise técnica dos pedidos de patentes no Brasil e em outros países. O sistema passa por acordos de cooperação com os Estados Unidos e países da América Latina. “É para a gente trocar informações sobre os exames técnicos, de tal forma que a gente tenha pareceres com maior qualidade e consiga decidir pedidos mais rapidamente”.

Moreira disse que o objetivo da e-PEC é aumentar também a segurança jurídica para todos os interessados no processo, ao mesmo tempo em que estabelece um laço de confiança no trabalho que está sendo feito nos diferentes escritórios participantes do sistema.

O volume de depósitos de patentes recebidos pelo Inpi foi de 30 mil no ano passado. Em 2011, a expectativa é receber 32 mil depósitos. “Hoje, a gente está examinando patentes com bastante tempo. Nós temos qualidade, mas ainda não temos eficiência”, avaliou o diretor substituto. O prazo médio para concessão de um registro de patente é oito anos. O objetivo, porém, é chegar a 2015 examinando todos os pedidos de patentes depositados até 2011.

Fonte: Agência Brasil

Prêmio Nacional de Inovação 2011

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) abriu, nesta quinta- feira (14), as inscrições para a 1ª Edição do Prêmio Nacional de Inovação 2011. O prêmio é um reconhecimento às empresas que investem no desenvolvimento de produtos, serviços e processos visando à competitividade. A iniciativa de homenagear as empresas inovadoras é da CNI em parceria do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e tem o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“É uma ação integrada para agenda de inovação. É importante fortalecer, mobilizar e incentivar as empresas a serem mais inovadoras. Também é necessário reconhecer as empresas que estão tendo sucesso com inovação”, afirma o coordenador do Prêmio da CNI, Rodrigo Teixeira.

As inscrições vão até 13 de maio e as indústrias podem se inscrever em duas modalidades: microempresa e empresa de pequeno porte, com receita igual ou inferior a R$ 2,4 milhões; e empresa de médio e grande porte, com receita superior a R$ 2,4 milhões. Serão avaliados projetos nas categorias competitividade, design e desenvolvimento sustentável.


Também serão avaliadas empresas na categoria gestão da inovação que têm incorporado processos inovadores para favorecer os negócios. “Vamos avaliar qual o grau de comprometimento dos líderes empresariais para gerar produtos inovadores, se o ambiente da empresa é favorável a isso e se é uma estratégia para o crescimento da empresa”, detalha Teixeira.


Segundo ele, a CNI acredita que a promoção, o reconhecimento de boas práticas de gestão e a divulgação de experiências inovadoras estimulam a competitividade das empresas e do país. As empresas premiadas nas categorias competitividade, design e desenvolvimento sustentável do Prêmio Nacional de Inovação receberão cursos de educação executiva em escolas de negócios de renome internacional. Os vencedores na categoria gestão da inovação terão seus projetos pré-aprovados para o Edital SENAI/SESI de Inovação e poderão receber de R$ 300 a R$ 600 mil para desenvolver produtos, serviços e processos inovadores.

Fonte: TN Petróleo