segunda-feira, 11 de abril de 2011

Médico Iván Antonio Izquierdo ganha o Prêmio Almirante Álvaro Alberto

O médico e neurocientista Iván Antonio Izquierdo receberá a mais importante honraria em C&T do Brasil, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia. Ele foi escolhido durante a 155ª reunião do Conselho Deliberativo do CNPq.

Izquierdo é especialista nos mecanismos da memória. Graduou-se e doutorou-se na Universidade de Buenos Aires (UBA) e fez seu pós-doutorado na Universidade da California, em Los Angeles (UCLA).

Reconhecido como um dos maiores pesquisadores do mundo na área de biologia da memória, Izquierdo fez grandes descobertas, como os principais mecanismos moleculares da formação, evocação, persistência e extinção das memórias, a dependência de estado endôgena, a separação funcional entre as memórias de curta e longa duração.

A cerimônia de entrega da premiação será realizada no dia 3 de maio, na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro (RJ), com a participação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Prêmio
Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é uma parceria entre o MCT, o CNPq e a Fundação Conrado Wessel. Reconhece pesquisadores brasileiros pelo trabalho realizado ao longo de sua carreira em prol do progresso da ciência e pela transferência de conhecimento da academia ao setor produtivo. O agraciado recebe diploma, medalha e R$ 150 mil.(Com informações do CNPq) 

Fonte:Gestão CT

Finep - R$ 1,75 bilhão dentro do Programa de Sustentação do Investimento

A Finep anunciou que pretende contratar até julho deste ano cerca de 120 projetos em áreas como energia, saúde, tecnologia da informação e comunicação (TIC), novos materiais, defesa, sustentabilidade ambiental, biodiversidade e aeroespacial. A ideia é executar o montante de R$ 1,75 bilhão proveniente do Programa de Sustentação do Investimento (PSI 3).

A principal opção será aproveitar os projetos que já constam na carteira reembolsável da financiadora, mas novas propostas também poderão ser analisadas. O valor mínimo de solicitação de crédito foi estipulado em R$ 1 milhão. Os recursos do PSI serão aplicados por intermédio do Programa Inova Brasil, voltado a médias e grandes empresas.

PSI
O PSI tem como objetivo estimular a produção, a aquisição e a exportação de bens de capital e a inovação tecnológica. Há três subcategorias dentro do programa, que são as linhas de crédito para aquisição de bens de capital, para inovação e para o pré-embarque de exportações. Operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa conta este ano com um orçamento de R$ 75 bilhões(Com informações da Finep)

Fonte: Gestão CT

BIOTA-FAPESP ampliará transferência do conhecimento sobre biodiversidade para escolas

Mais educação em biodiversidade
Ao longo de seus 12 anos de existência, o programa BIOTA-FAPESP possibilitou a descoberta de mais de 500 espécies de plantas e animais e contribuiu para o aprimoramento de políticas públicas de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade do Estado de São Paulo.

Traduzir e publicar esse conhecimento sobre os biomas paulistas em materiais didáticos, que possam ser utilizados em espaços de educação formal – como as escolas – e não formais – como os museus de ciências –, é um dos desafios que o programa pretende atingir nos próximos anos.

Para avaliar as ações educativas realizadas no âmbito do programa e fomentar novas atividades foi realizado, nos dias 7 e 8 de abril, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Workshop BIOTA-FAPESP sobre Biodiversidade, Educação e Divulgação.

O evento reuniu especialistas em educação e biologia para discutir possibilidades de relacionar conhecimentos sobre biodiversidade gerados pelo programa com práticas de educação e de divulgação científica.

Em avaliação realizada em 2009, intitulada BIOTA+10: Definindo Metas para 2020, a extensão do conhecimento científico gerado sobre biodiversidade para as escolas de ensino fundamental e médio e em espaços de educação não formal foi apontada como um dos maiores desafios a ser atingido pelo programa.

“Identificamos essa área como uma das lacunas que o programa não conseguiu preencher e estabelecemos como meta no plano de atividades do BIOTA-FAPESP traçado até 2020 conseguir promover, de fato, a interlocução do programa com a área da educação”, disse o coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly.

O programa já originou materiais educativos, como exposições, projetos de educação ambiental e uma série de vídeos exibidos pela TV Cultura. Mas, na avaliação de Joly, as atividades educacionais precisam atingir um número muito maior de estudantes dos ensinos fundamental e médio.

Para estimular a realização de mais atividades do gênero, será lançada em breve, pela FAPESP, uma chamada de pesquisas sobre educação e biodiversidade. “Pretendemos utilizar ideias e sugestões lançadas no workshop para auxiliar na formatação da chamada”, disse.

Conceitos de biodiversidade

De acordo com a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Martha Marandino, um dos desafios para se promover a articulação entre as ações de educação e biodiversidade no âmbito do BIOTA-FAPESP será o de trabalhar o conceito de biodiversidade de acordo com as diretrizes do programa.

“O programa se baseia em uma diretriz de biodiversidade que, obviamente, não abrange todas as questões possíveis sobre o conceito, mas levanta temáticas muito importantes, que vale a pena serem pensadas e desenvolvidas tanto no âmbito da educação formal como da não formal”, analisou.

Na escola, segundo Marandino, a educação em biodiversidade atualmente está muito baseada no ensino do conceito a partir da ecologia sistêmica, com ênfase em cadeias ambientais, e se dá pouca atenção à ecologia humana.

Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa realizada com professores de ciências do ensino básico pelo professor da Faculdade de Educação da Unicamp, Antonio Carlos Rodrigues Amorim, os sentidos, significados e conceitos sobre biodiversidade apresentados pelo BIOTA-FAPESP devem se confrontar com o conceito de biodiversidade consolidado e estabelecido pela biologia que é ensinada na escola.

“Para os professores, a incorporação no currículo de biologia do conceito de biodiversidade do BIOTA-FAPESP poderia causar uma desestruturação no modo de pensar a biologia que é próprio da escola”, disse Amorim.

Segundo ele, alguns dos temas que poderiam ser trabalhados em sala de aula a partir do programa, apontados pelos professores que participaram do levantamento, foram sustentabilidade e ecossistemas que utilizassem exemplos de organismos que compõem a biodiversidade do Estado de São Paulo.

“Essas foram indicações de temas que elas fizeram naturalmente porque são questões que, se incluídas no planejamento escolar, não romperiam com a tradição do ensino da biologia na escola”, disse Amorim.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

O Brasil no olhar de William James

Empatia no olhar
Em 1865, uma expedição liderada pelo cientista natural suíço Louis Agassiz (1807-1873), da Universidade de Harvard (Estados Unidos), percorreu o Brasil durante 15 meses, com objetivos científicos.

Entre os coletores voluntários que participaram da expedição estava um estudante de medicina de 23 anos de idade, William James (1842-1910), que mais tarde se tornaria um dos mais influentes pensadores norte-americanos, conhecido principalmente como um dos formuladores da filosofia do pragmatismo.

Organizado pela professora Maria Helena Toledo Machado, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), o livro O Brasil no olhar de William James aborda a grande quantidade de escritos e desenhos produzidos pelo jovem James durante a expedição.

Diferentemente dos registros de viagem típicos do período, o material deixado por James revela um viajante sensível e empático, capaz de captar perspectivas singulares da natureza e da sociedade do Brasil.

O livro foi lançado no dia 7 de abril no Centro Universitário Maria Antônia da USP, durante a abertura da exposição Rastros e raças de Louis Agassiz: fotografia, corpo e ciência, que reúne uma série de fotografias obtidas durante a expedição sobre tipos raciais brasileiros.

Lançado originalmente nos Estados Unidos em edição bilíngue, em 2006, pela editora da Universidade de Harvard com o título Brazil through the eyes of William James, o livro é resultado de uma pesquisa iniciada por Machado em 2003, nas bibliotecas e arquivos de Harvard, com apoio da FAPESP na modalidade Bolsa de Pesquisa no Exterior.

A pesquisa teve continuidade em 2004 com apoio institucional do David Rockefeller Center for Latin American Studies, da Universidade de Harvard, no qual a cientista permaneceu como Brazilian Visiting Fellow, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2006, a pesquisadora teve nova Bolsa da FAPESP em Harvard.

O livro foi acolhido com simpatia no ambiente acadêmico norte-americano, especialmente entre especialistas na obra de William James e interessados em filosofia, história das expedições científicas, ideias raciais e história das ciências.

“A documentação produzida por James durante a expedição é notavelmente original, em relação à gama de escritos de viagem do século 19. Enquanto a maior parte dos viajantes tem uma postura de distanciamento ao mesmo tempo etnocêntrica e paternalista, pressupondo uma ausência de significado social nos países exóticos, ele é extremamente empático e reflexivo”, disse a autora à Agência FAPESP.

A perspectiva do jovem James também contrastava de forma impressionante com o viés expresso pela própria expedição. Agassiz, fundador do Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard, tinha a intenção de coletar espécimes de peixes e dados sobre sua distribuição geográfica em várias partes do Brasil, a fim de contestar a teoria da evolução de Charles Darwin, à qual ele se opunha frontalmente.

Durante a viagem – conhecida como Expedição Thayer, por ter sido financiada pelo magnata Nathaniel Thayer –, Agassiz se interessou também pelo estudo da população, tomando a iniciativa de documentar tipos raciais brasileiros por meio da fotografia a fim de avaliar resultados da miscigenação. O trabalho é um dos principais registros fotográficos do Brasil no século 19.

“Agassiz era um criacionista, e o enfoque científico e racial da expedição, um tanto retrógrado. Mas isso não afetou a visão de James. Altamente sensível, ele desenvolveu uma característica que defini como ‘empatia’ e que se manifestaria mais tarde ao longo de toda a sua obra. Ele mostrou uma grande capacidade de entender o mundo a partir da visão do outro. Em vez da abordagem paternalista, ‘piedosa’, comum entre os viajantes da época, ele se envolvia de fato com as pessoas e conseguia compreender as diferenças profundas dessa sociedade desconhecida”, afirmou Machado.

Miscigenação

De acordo com a historiadora, as posições mostradas por James em seus registros da expedição se refletiriam ao longo de toda a vida do pensador. Mais tarde, ele lutaria contra o imperialismo, defenderia o darwinismo, iria se tornar adepto do relativismo – o que lhe renderia muitas críticas – e desenvolveria a noção de fluxo de pensamentos.

“Todas essas ideias são coerentes com sua maneira de abordar a realidade, manifesta durante passagem pelo Brasil. Em seus escritos, ele desconstrói a visão do exótico, do outro incompreensível, do estrangeiro alheio aos códigos da vida social”, disse Machado.

A pesquisadora conta que pretende agora trabalhar na catalogação completa das fotos da Expedição Thayer, a fim de produzir um livro sobre toda a coleção fotográfica de Agassiz.

“A ideia é incluir todos os aspectos da expedição, mas com foco na coleção fotográfica, que é muito significativa. O problema da raça acabou se tornando a faceta mais importante da expedição e quero partir do acervo fotográfico para investigar como essa questão foi pensada por Agassiz e como ele enxergava o Brasil como o lugar ideal para estudar a suposta degeneração racial da miscigenação”, disse 

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP