quinta-feira, 10 de março de 2011

Chamada FAPs-VALE - FAPESP ,Fapemig e Fapespa contempladas

Diversidade rupestre
Definir ações concretas e duradouras para restaurar um dos ambientes de maior diversidade biológica do Brasil é a meta do projeto "Diversidade florística e padrões sazonais dos campos rupestres e cerrado", coordenado por Leonor Patrícia Cerdeira Morellato, professora titular do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro.

A pesquisa integra a rede Recuperar, aprovada em chamada de propostas lançada em 2010 pelas fundações de amparo à pesquisa (FAPs) dos Estados de São Paulo (FAPESP), de Minas Gerais (Fapemig), do Pará (Fapespa) e Vale S.A.

O Brasil tem inúmeras zonas de vida e formações vegetais. Entre os principais tipos de vegetação se destacam florestas (amazônica, pluvial atlântica, ombrófila mista e outras), cerrados e campos. Algumas delas estão entre as mais diversas do mundo, com elevado endemismo local – restritas a ecossistemas específicos. No entanto, a maior parte dessa biodiversidade ainda é pouco estudada e compreendida.

O país contabiliza vários hotspots (áreas críticas com prioridade de conservação), como os campos rupestres. Formada em solos rasos e pobres em nutrientes, combinados com a alta concentração de alumínio e com o relevo movimentado – resultante do soerguimento – de afloramento rochoso a altitudes superiores a 900 metros, essa vegetação tem vasta riqueza de flora – estimada em mais de 4 mil espécies – e endemismos.

“Rica em quartzo e ferro, a área de estudo apresenta ravinas, sulcos e voçorocas por toda parte, que são, geralmente, causadas pela mineração. Por conta do ecossistema frágil e de baixa resiliência, dificilmente os campos rupestres conseguem se regenerar de forma espontânea”, disse Patrícia .

“O principal enfoque de nosso projeto de pesquisa será fornecer tecnologia ou caminhos para a recuperação e manejo dessa vegetação que hoje é suscetível a muitas ameaças. O objetivo da rede Recuperar é avançar em propostas”, explicou.

Até 2015, cientistas de universidades de Minas Gerais e de São Paulo manterão um fluxo constante de informações sobre a região da Serra do Cipó, na Cadeia do Espinhaço.

Atualmente, o gado é a principal atividade econômica na Cadeia do Espinhaço. Segundo Patrícia, muitas espécies existentes nos campos rupestres correm o risco de extinção devido à pequena área que ocupam, além do impacto da ação humana.

A rede Recuperar é composta por cinco subprojetos, dos quais fazem parte professores e alunos da Unesp, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Patrícia, que também é responsável pela vertente paulista do projeto, explica que grande parte da pesquisa será concentrada em Minas. Embora o início do projeto esteja previsto para março, o grupo já adiantou a primeira fase – o projeto também está dividido em cinco etapas –, iniciando a demarcação dos transectos (parcelas) das plantas em diferentes altitudes na Serra do Cipó.

“Após esse trabalho de campo, que tem como meta ajudar a entender a biodiversidade do local, pretendemos acompanhar a fenologia das plantas. Essa fase integra o meu subprojeto”, disse.

A fenologia estuda a forma como as plantas e os animais se desenvolvem ao longo de suas diferentes fases e se relacionam com o ambiente, especialmente mudanças causadas pelo clima ou pela temperatura. Nessa segunda etapa será definido o padrão sazonal da vegetação, ou seja, o seu comportamento ao longo do gradiente de altitude.

Sementes e conservação
Como existem plantas com modos de polinização mais especializados do que outras, esperamos, com base nos resultados obtidos, poder prever tais modificações e, eventualmente, mitigar esses dados seja pela mineração, pela mudança de clima ou por alterações ambientais, no futuro”, disse a professora da Unesp.

Em paralelo, os pesquisadores das universidades mineiras coordenados pelo professor Geraldo Wilson Fernandes, do Departamento de Biologia Geral da UFMG, investigarão parte do material coletado na primeira fase para estabelecer protocolos de germinação em sementes.

“A finalidade desse trabalho será obter características ecofisiológicas, ou seja, da adaptação das espécies às condições ambientais dos campos rupestres mineiros e formações similares, como o cerrado no interior paulista”, disse Patrícia.

O resultado desse estudo culminará nas próximas etapas, que consistem no desenvolvimento e possível implementação de um banco de sementes, além da propagação in vitro das 20 principais espécies identificadas durante os estágios anteriores do projeto.

Ao fim da pesquisa, os pesquisadores esperam obter dados suficientes para o uso efetivo e autossustentável dessas espécies na restauração dos campos rupestres e em sua futura conservação.

Mais informações sobre a chamada FAPs-VALE

Fonte: Mônica Pileggi / Agência FAPESP

Análise computacional de estruturas

Base para analisar estruturas
Especialmente voltado para estudantes de graduação, o livro Análise computacional de estruturas, consolida a experiência didática e de pesquisa de Marco Lúcio Bittencourt, professor do Departamento de Projeto Mecânico da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM-Unicamp).

O livro apresenta os principais elementos conceituais de simulação computacional, com a aplicação do Método de Elementos Finitos (MEF) para problemas de elasticidade linear. Ferramenta de resolução numérica para sistemas de equações diferenciais parciais, o MEF tem aplicações em campos como mecânica estrutural, mecânica de fluidos e eletromagnetismo.

De acordo com Bittencourt, o texto em que se baseia o livro surgiu há cerca de uma década quando apresentou, na graduação da Unicamp, seu primeiro curso relacionado às aplicações do MEF. Durante os anos subsequentes, o material foi se tornando mais elaborado e foi utilizado também em cursos de extensão e pós-graduação.

“Há cerca de quatro anos percebi que, embora o texto tivesse sido elaborado especificamente para fins didáticos, na disciplina de Métodos Numéricos e Simulação, possuía um grau de ineditismo na literatura da área. Gerei então mais alguns artigos que foram agregados ao texto original”, disse à Agência FAPESP.

Em sua trajetória acadêmica e profissional, Bittencourt tem atuado em duas frentes principais, uma delas compreende os aspectos conceituais relacionados aos métodos numéricos e outra corresponde ao desenvolvimento de softwares para engenharia e outras aplicações.

“O foco do livro – os elementos conceituais de simulação em engenharia – é a base do conhecimento que, quando é associado à análise computacional e aos modelos matemáticos, possibilita inúmeros estudos e aplicações”, disse.

Diversas das aplicações possíveis foram objeto de estudo do Projeto Temático "Impactos em estruturas", do qual Bittencourt é um dos pesquisadores principais. O projeto, financiado pela FAPESP, foi coordenado por Marcílio Alves, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) .

“O projeto envolveu estudos sobre o impacto estrutural que ocorre quando se deixa cair um celular ou um notebook, quando se faz crash tests em carros, quando um projétil encontra seu alvo ou quando aviões são atingidos por pássaros, por exemplo. Esses são problemas muito mais complexos do que os tratados no livro, mas ali está a base conceitual de simulação necessária para se partir para esse tipo de estudo”, explicou Bittencourt.

Segundo ele, a literatura sobre a análise computacional é bastante ampla, mas muitos livros têm foco exclusivo na área conceitual e técnica, e outros se limitam à parte de softwares. “Procuramos encontrar um meio termo, trazendo conceitos importantes para o aluno, mas usando também um programa comercial de simulação”, disse.

O livro apresenta inicialmente uma revisão dos conceitos básicos de elasticidade, indicando casos particulares de barra em tração, vigas em flexão e torção circular. Utilizando o princípio dos trabalhos virtuais, considera-se o equilíbrio de um sistema mecânico na forma integral.

“Em seguida, introduz o conceito de aproximação da equação integral do equilíbrio, usando a interpolação via funções de forma. Desse modo, são obtidas as expressões gerais das matrizes de massa e de rigidez dos elementos. Apresentamos também funções de forma para vários tipos de elementos e o uso de integração numérica. Por fim, consideramos problemas do estado plano, sólidos assimétricos e sólidos gerais”, disse o autor.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Programa L’Oréal/Unesco para Mulheres na Ciência - Inscrições Abertas

Prêmio para mulheres cientistas
Estão abertas as inscrições para o Programa L’Oréal/Unesco para Mulheres na Ciência, realizado pela indústria de cosméticos L’Oréal em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e também, no Brasil, com a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

A premiação tem o objetivo de incentivar a presença da mulher na linha de frente do conhecimento e garantir visibilidade ao trabalho das pesquisadoras, além de oferecer condições favoráveis para a continuidade de projetos por meio de auxílio financeiro.

Para a edição de 2011, podem se inscrever no programa cientistas das áreas de ciências biomédicas, biológicas e da saúde, ciências físicas, ciências matemáticas e ciências químicas. Cada vencedora receberá bolsa-auxílio grant no valor equivalente a US$ 20 mil. Desde 2006, o programa já beneficiou 40 jovens cientistas no Brasil.

Nesta edição, o júri será presidido pelo presidente da ABC, Jacob Palis Jr., e contará com um representante da Unesco, outro da L’Oréal e mais oito pesquisadores indicados pela ABC. O prazo para inscrições será encerrado em 13 de maio.

No início de março, será realizada a premiação internacional de 2010 do programa, que reúne cientistas de vários países e cujo júri é integrado pela astrofísica e professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Beatriz Barbuy.

Beatriz foi laureada do prêmio internacional em 2009 – que distingue cinco notáveis cientistas no mundo, sendo uma por continente – e é jurada do programa no Brasil.


Fonte: Agência Fapesp

UFMS - desenvolvido processador que apresenta tecnologia inédita e alternativa para redução de tamanho

Novo chip brasileiro
Pesquisadores do Departamento de Engenharia Elétrica e da Faculdade de Computação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) começaram a ingressar em uma área até então dominada no Brasil por cientistas situados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

No início de janeiro eles concluíram o desenvolvimento do primeiro chip (circuito integrado) projetado e implementado no Mato Grosso do Sul.

Voltado para utilização em qualquer aparelho eletrônico, como computadores, celulares e tocadores de música digitais, o dispositivo apresenta uma tecnologia inédita no mercado de equipamentos eletroeletrônicos.

Enquanto os chips atuais possuem dois níveis lógicos de tensão elétrica, que convertem os sinais analógicos da energia recebida diretamente de uma tomada convencional em sinais digitais, o novo dispositivo é um conversor analógico digital que trabalha com múltiplos níveis lógicos. Em função disso, é bem menor e pode agregar mais funcionalidades do que um chip convencional.

“Essa tecnologia pode ser uma alternativa para a redução do tamanho e para a agregação de mais funcionalidades pelos chips, que são duas das principais tendências na indústria de microeletrônica hoje”, disse Ricardo Ribeiro dos Santos, professor da Faculdade de Computação da UFMS.

Para desenvolver o novo dispositivo, pesquisadores da UFMS começaram a vir nos últimos anos para universidades e instituições de pesquisa em São Paulo, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), para cursar doutorado e realizar treinamento em microeletrônica e em projetos de chips.

Após ganhar experiência na área, iniciaram o projeto do desenvolvimento do dispositivo no Centro de Tecnologia de Eletrônica e Informática (CTEI) do Mato Grosso do Sul, que conta com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect). Mas, como o Brasil ainda não possui uma fábrica de chips que domine a tecnologia de produção de transistores com 350 nanômetros (bilionésima parte do metro), ao terminar de projetar o dispositivo, os pesquisadores decidiram encaminhá-lo para a França para ser fabricado pela empresa Circuits Multi-Projets (CMP), que realiza a prototipagem e produz processadores em pequena quantidade.

No início de janeiro, a empresa francesa enviou para os pesquisadores um lote com oito unidades do dispositivo, que estão sendo testados no CTEI.

“A proposta com esse primeiro processador está mais focada em demonstrar a viabilidade de se desenvolver um conversor analógico digital que atue em múltiplos níveis. Mas temos uma leva de outros chips que pretendemos prototipar baseados na tecnologia de lógica de múltiplos níveis”, disse Santos.

De acordo com o pesquisador, essa tecnologia, originada na década de 1960, ainda não é muito pesquisada no Brasil e até hoje não conseguiu emplacar no mercado de eletroeletrônicos uma vez que os circuitos eletrônicos baseados em lógica binária, adotados pelos fabricantes de equipamentos, funcionaram muito bem até recentemente.

Mas, nos últimos dez anos, começou a se verificar que a lógica binária apresenta limitações para miniaturizar os circuitos eletrônicos digitais, incluindo os processadores, que têm a demanda de se tornar cada vez mais ínfimos e imperceptíveis nos aparelhos eletrônicos.

“Os pesquisadores que atuam nessa área passaram a olhar para várias alternativas para atingir esse objetivo, como outros tipos de materiais em vez do silício ou para outras áreas, como a física quântica. A lógica de multiníveis seria outra via para projetar chips cada vez mais menores e com diversas funções”, afirmou Santos.

Fone: Elton Alisson /Agência FAPESP

Comissão do Futuro - anunciado nome dos componentes

Ciência brasileira em discussão
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) anunciou os nomes dos cientistas brasileiros e estrangeiros que integrarão a chamada Comissão do Futuro.

A comissão terá o papel de discutir os rumos da ciência brasileira a longo prazo. Entre os 14 brasileiros convidados estão o economista e professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Gonzaga Belluzzo, membro do Conselho Superior da FAPESP, e a diretora de redação da revista Pesquisa FAPESP, Mariluce Moura.

De acordo com o MCT, o critério utilizado foi reunir cientistas de renome, atuantes em diversas áreas, como filosofia, matemática, física, biologia, com jornalistas com disposição para discutir o futuro da ciência no Brasil. A comissão terá sete membros estrangeiros e será presidida pelo neurocientista Miguel Nicolelis, da Universidade Duke. A primeira reunião será em abril.

Membros da comissão:

* Miguel Nicolelis, Universidade Duke e Instituto Internacional de Neurociências de Natal.
* Alan Rudolph, biólogo, pesquisador da Fundação de Neurociência Internacional, dos Estados Unidos.
* Alexander Triebnigg, médico, presidente da Novartis.
* Conceição Lemes, jornalista.
* Débora Calheiros, pesquisadora da Embrapa.
* John H. Kass, neurocientista, Universidade Vanderbilt e Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
* Luiz A. Baccalá, engenheiro, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
* Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, Unicamp e FAPESP.
* Mariano Sigman, neurocientista, Universidade de Buenos Aires.
* Marilena Chauí, filósofa, professora da USP.
* Mariluce Moura, revista Pesquisa FAPESP.
* Mauro Copelli, físico, professor da Universidade Federal de Pernambuco.
* Patrick Aebischer, neurocientista, presidente da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça.
* Ricardo Abramovay, cientista político, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP.
* Robert Bishop, cientista computacional, ex-CEO da Silicon Graphics.
* Ronald Cicurel, matemático e filósofo.
* Selma Jeronimo, médica, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
* Steven Rehens, biólogo, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
* Thereza Brino, educadora em tecnologia da informação.
* Victor Nussenzweig, médico, pesquisador da Universidade de Nova York.
* William Feiereisen, cientista computacional, pesquisador da Intel.

Fonte: Agência FAPESP