segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Confap organiza fórum em Vitória

Os presidentes das fundações de amparo à pesquisa (FAPs) de todo país se reunirão nos dias 24 e 25 deste mês, em Vitória (ES), para tratar sobre as políticas públicas de investimentos para 2011 e 2012, na área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

Promovido pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), o fórum nacional acontece no Hotel Senac e contará também com os presidentes do CNPq, Glaucius Oliva, e da Finep, Glauco Arbix, entre outras autoridades.

A programação prevê debates sobre as ações realizadas em parceria com o CNPq, apresentação do European Network of Living Labs (ENoLL) e a parceria com a Fundação Gates Cynthia Rocha. Também está prevista a eleição da nova diretoria do conselho assim como a indicação de membros para o Conselho Fiscal.(Com informações do Confap) 

Fonte: Gestão CT

Universidade de Avignon oferece bolsas

Bolsas na França
A Universidade de Avignon, na França, abriu inscrições para o programa Bolsa Mistral para Master, destinado a estudantes estrangeiros interessados em estudar na instituição fundada há mais de 700 anos. As inscrições poderão ser feitas até o dia 14 de março.

O candidato à bolsa deve estar inscrito em um estabelecimento de ensino superior estrangeiro, ter excelente histórico universitário com o intuito de satisfazer o nível acadêmico e linguístico exigido pela formação e não ser beneficiário de outra bolsa de estudos. Não são aceitos estudantes que já morem na França.

Os beneficiários da bolsa Mistral recebem 6 mil euros no primeiro ano universitário, havendo a possibilidade de renovação no segundo ano (4,5 mil euros). Além disso, os bolsistas estão isentos da taxa de inscrição da universidade.

Terão prioridade candidatos originários de países emergentes ou em desenvolvimento, além dos estudantes provenientes de instituições parceiras da Universidade de Avignon.

Fonte: Agência FAPESP

Reparado o único radiotelescópio do Brasil que participa da rede responsável por fazer a calibração de satélites GPS

Conserto astronômico
Contando com uma operação de grandes proporções, um importante radiotelescópio com antena de mais de 14 metros de diâmetro, localizado na região metropolitana de Fortaleza (CE), acaba de ser reparado com sucesso.

O equipamento, que estava fora de uso há um ano devido a um problema técnico aparentemente incontornável, é uma unidade básica de uma rede mundial de geodésia espacial. A rede, que conta com antenas semelhantes em diversos continentes, é responsável por serviços estratégicos como a calibração dos satélites GPS.

O radiotelescópio é operado pelo Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam), da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio de um convênio entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Nasa, a agência espacial norte-americana.

Localizado no município de Eusébio (CE), o instrumento é o único do gênero no país e integra o Rádio Observatório Espacial do Nordeste (Roen). A antena faz parte de uma rede internacional com mais 30 grandes radiotelescópios concentrados principalmente na Europa, Estados Unidos, Japão, Rússia, Austrália e África do Sul.

De acordo com Pierre Kaufmann, professor do Craam, o reparo foi realizado pelas empresas brasileiras Robrasa, do grupo Thyssen Krupp e sua parceira instaladora Peyrani. Com o apoio e orientação do Departamento de Mecânica da Escola de Engenharia da Universidade Presbitariana Mackenzie, o serviço foi encaminhado à empresa e pago com recursos da Nasa.

“A complexidade do reparo necessário era tão grande que, há cerca de um ano, estávamos em vias de encerrar o programa. Não havia opções. Trocar de antena estava fora de cogitação, pelo custo elevado. Mas a empresa contratada fez uma proposta bastante criativa, que viabilizou o reparo”, disse o cientista que coordena o Projeto Temático Emissões da atividade solar do submilimétrico ao infravermelho, apoiado pela FAPESP.

A antena, inaugurada em 1993, teve um problema em seu eixo azimute, que possibilita o movimento horizontal. Para corrigir, era preciso trocar um rolamento de 2,5 metros de diâmetro. O novo rolamento foi fabricado em Diadema (SP), mas a operação – complexa e cara – consistia em desmontar e remontar a antena para a instalação do novo rolamento.

“A solução foi bastante original. Trabalhei na construção de diversas antenas e não havia visto nada parecido. Em vez de suspender a antena com guindastes – que seria uma solução convencional, mas muito difícil –, eles levantaram toda a estrutura com macacos gigantes e a fizeram correr em um trilho”, disse Kaufmann.

O reparo foi realizado com sucesso e agora a parte eletrônica está sendo reinstalada. Espera-se que o radiotelescópio volte a funcionar dentro de algumas semanas.

A rede internacional da qual faz parte o Roen utiliza a técnica de interferometria de longa distância (VLBI, na sigla em inglês) “É uma rede de antenas que observa simultaneamente ‘radioestrelas’ celestes intensas – os quasares – obtendo interferências dos sinais”, explicou.

A precisão das observações é altíssima. “A precisão angular espacial é de 1 milésimo de segundo de arco. Para se ter ideia, o planeta Júpiter tem dimensão angular de cerca de 60 segundos de arco, próximo da resolução do olho humano. Um milésimo de segundo de arco é o tamanho de um astronauta visto na Lua, ou de uma moeda no Rio de Janeiro vista a partir de São Paulo”, disse Kaufmann.

Posições atualizadas
As observações dos mesmos quasares feitas a partir de diversos pontos do mundo geram dados que são gravados com padrões de tempo da mais alta precisão e enviados para centros de processamento em Washington (Estados Unidos) e Bonn (Alemanha).

“Com isso, é possível determinar com grande precisão as derivas dos continentes, as variações na duração dos dias, os movimentos irregulares do eixo de rotação da Terra e os movimentos plásticos da crosta terrestre”, contou Kaufmann.

As observações permitem estabelecer alterações mínimas na rotação da Terra, com precisão absoluta de dezenas de microssegundos, determinando movimentos na superfície da Terra com precisão inferior a 1 centímetro.

“Uma variação de 100 microssegundos na duração do dia significa uma variação de 1 metro na superfície da Terra, ou de dezenas de metros na altura da órbita dos satélites. Esses dados sobre as variações são processados e enviados aos controladores de satélites o tempo todo, possibilitando correções”, disse.

Caso esses erros de posicionamento não fossem corrigidos constantemente, eles se acumulariam e as posições dos satélites seriam perdidas. “Podemos afirmar que, se os serviços de interferometria de longa distância fossem suspensos por dois meses, não teríamos mais GPS. Com isso, o sistema de telefonia, que depende do sincronismo de tempo com satélites GPS, entraria em colapso”, afirmou Kaufmann.

Segundo ele, o principal e mais estratégico serviço prestado pela rede de radiotelescópios VLBI está na permanente atualização e calibração das constelações de satélites GPS e congêneres, como o GLONASS, da Rússia, o Galileo, da Europa, e o COMPASS, da China.

“Estas atualizações são essenciais para assegurar as precisões em georreferenciamento, bem como nos serviços de sincronismo remoto de relógios, de terminais repetidores de telecomunicações, de telefonia celular e assim por diante. Todo o sistema de telecomunicações de países como o Brasil depende do sincronismo de tempo do GPS”, disse.

O projeto do Roen é o resultado de acordos firmados em 1988 e 1989 entre a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e o Centro de Rádio-Astronomia e Aplicações Espaciais (Craae). O Craae é resultado de um acordo que reúne Mackenzie, Inpe, USP e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O Craae coordenou no Brasil os trabalhos de instalação do radiotelescópio na Estação de Eusébio, de propriedade do Inpe, e o Roen iniciou as operações em 1993. Em 2004, foi efetivado o convênio entre a AEB e a Nasa, que deu origem ao novo contrato assinado entre a Nasa e o Mackenzie, que passou a responder pela gestão do Roen. Parte dos custos operacionais, de pessoal e de infraestrutura é provida pelo Mackenzie e pelo Inpe.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Aproveitamento da gordura do corpo como prótese mamária

Gordurinhas milagrosas
Uma pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ) revelou a possibilidade de aproveitar a gordura do corpo como prótese mamária.

O fato ocorre pela grande quantidade de células-tronco existentes no tecido adiposo. No caso de transposição dessas gorduras para as mamas, as células-tronco existentes na gordura seriam isoladas, o que resultaria numa prótese mais duradoura e sem nenhum risco de reação do corpo.

De acordo com Leandra Baptista, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas do Pólo Xerém da UFRJ, o mais importante da pesquisa é a oportunidade de uma terapia autológica:

“Trata-se de uma terapia autóloga, ou seja, células e gordura do próprio paciente são re-injetadas, evita-se qualquer risco imunológico. Hoje já se sabe que o silicone não se comporta como um material 100% inerte em relação a nosso corpo, e o desgaste da prótese em longo prazo é resultante da reação imunológica gerada para o combate de um objeto estranho ao nosso corpo”, explica.

A associação com células-tronco garante a estabilidade do processo, e evita riscos de reabsorção da gordura pelo corpo. Segundo a pesquisadora, através desse mecanismo a paciente tem o efeito de aumento das mamas sem os malefícios do silicone: “alguns artigos científicos internacionais mostraram que a utilização da associação entre essas células-tronco e a gordura é promissora no sentido em que o enxerto passa a ter maior durabilidade, eliminando, ou, pelo menos, adiando o problema da reabsorção. O paciente passa a ter, então, o efeito de aumento de volume da área enxertada (por exemplo, glúteos ou seios) por mais tempo, sem a necessidade da prótese de silicone”.

Amamentação

A amamentação sempre foi uma questão preocupante para mulheres na hora de colocar próteses de silicone. Apesar de, hoje, algumas próteses permitirem a amamentação, ainda há insegurança por parte das mulheres.

No caso das próteses com gordura natural do corpo, não há alguma contra indicação para amamentação posterior.

“Acredito que, em se tratando da re-injeção de gordura e células-tronco, elementos naturais ao nosso corpo (e que por isso possuem grande probabilidade de integração aos outros tecidos da mama), a probabilidade de se afetar os ductos de amamentação seja bem menor do que com o uso de próteses artificiais”, avalia Leandra.

A terapia

O processo de realocação de gorduras do abdome para as mamas compreende em três etapas. A primeira consiste na retirada de gordura pela técnica de lipoaspiração, geralmente da região do abdômen. Na segunda etapa, parte da gordura é retirada e destinada ao isolamento das células-tronco mesenquimais (por metodologias de laboratório já descritas), enquanto o restante é preparada para a enxertia. Já a terceira, compreende na suspensão de células-tronco mesenquimais e mistura com a gordura, para enfim realizar o procedimento.

Para a pesquisadora é extremamente importante que a paciente procure o médico adequado e faça o procedimento de maneira segura.

“É necessário se certificar a respeito não só do médico cirurgião-plástico, mas também sobre qual laboratório irá se responsabilizar pelo isolamento das células. Esse laboratório deve ter liberação da Anvisa para a realização do procedimento”.

Fonte: Michelly Rosa / Olhar Vital - UFRJ

Estudo mostra como informação epigenética se propaga durante a divisão celular e como, nas células de câncer, esse processo é subvertido

 Nucleosomes Containing Methylated DNA Stabilize DNA Methyltransferases 3A/3B and Ensure Faithful Epigenetic Inheritance

Enigma epigenético
Um estudo realizado nos Estados Unidos, com participação brasileira, revelou como a informação epigenética – a parcela de 99% do genoma que não codifica proteínas – se propaga durante a divisão celular e como esse processo é subvertido no câncer.

A pesquisa foi publicada na revista PLoS Genetics. Um dos autores, o brasileiro Daniel Diniz de Carvalho, realiza pós-doutorado no Departamento de Urologia, Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade do Sul da Califórnia.

Graduado em medicina veterinária pela Universidade de Brasília (UnB), Carvalho concluiu em 2009 seu doutorado, com Bolsa da FAPESP, no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), na área de imunologia.

Sob a orientação de Gustavo Amarante-Mendes, do ICB-USP, seu trabalho de doutorado gerou resultados importantes, publicados recentemente na revista Oncogene, do grupo Nature.

O trabalho, a princípio, tinha o objetivo de compreender como os padrões de metilação do DNA se mantêm inalterados em células normais. A metilação é o principal mecanismo epigenético: um grupo metil é transferido para algumas bases de citosina do DNA. O processo é fundamental para “desligar” os genes que provocam alterações na transcrição genética.

“O novo mecanismo descrito no estudo explica como células somáticas normais conseguem manter um padrão fiel de metilação do DNA durante diversas divisões celulares. Isso sugere que, durante o processo de gênese do tumor, esse mecanismo é desregulado, permitindo que ocorra metilação em regiões onde não deveria ocorrer – o que pode explicar como os genes supressores de tumor são inibidos”, disse Carvalho à Agência FAPESP.

Todas as células de um organismo têm o mesmo DNA, mas cada uma delas é especializada para uma função específica. Isso ocorre porque as alterações epigenéticas garantem essa diferenciação. “No câncer, esse processo é subvertido. A metilação ocorre em locais errados, desligando genes que deveriam suprimir o tumor, permitindo assim que ele ocrorra”, explicou.

Mas com os modelos utilizados até agora não se sabia exatamente como a metilação é mantida, nas células saudáveis, em locais exatos do DNA durante as divisões celulares. “Nosso principal achado se refere exatamente a isso: como as metilações aberrantes não ocorrem na célula normal”, disse.

Duas enzimas são responsáveis por controlar o mecanismo de metilação: a DNMT3A e a DNMT3B. Ambas podem metilar o DNA em qualquer lugar. “Essas enzimas são perigosas, já que podem desencadear a metilação em lugares onde ela não devia ocorrer”, afirmou.

As duas enzimas só conseguem ser estáveis quando estão “ancoradas” no nucleossomo que contém DNA metilado. Isso permite um mecanismo homeostático que faz com que as enzimas só ocorram nessa região. “Descobrimos que, no tumor, uma dessas enzimas se desgarra do nucleossomo e fica livre no núcleo. Com isso, ela consegue metilar lugares do DNA que não deveriam ser metilados”, disse.

Mecanismos de controle

Os pesquisadores descobriram também que o desprendimento da enzima ocorre por causa de uma deleção da proteína: um trecho da enzima é perdido e permite que ela possa se estabilizar fora do nucleossomo.

“Mas o mais importante foi descrever o mecanismo de como, em situação saudável, ocorre a manutenção dos padrões normais de metilação do DNA. Com a divisão celular, esse padrão precisa ser transferido para a célula filha de forma fiel. Conseguimos descrever como esse mecanismo se mantém com tal fidelidade”, disse Carvalho.

As enzimas, segundo o cientista, precisam ficar ancoradas no nucleossomo. Esse mecanismo regulatório é o que permite a propagação fiel e impede que ocorram metilações aberrantes.

“Vamos tentar entender melhor como a célula tumoral consegue superar esse mecanismo. Chegamos às primeiras pistas: a deleção de deltaisoformas da enzima, que permite que ela se desprenda do nucleossosmo. Agora, queremos entender como o tumor consegue driblar esses mecanismos de controle que descrevemos”, afirmou.

Leia o artigo Nucleosomes Containing Methylated DNA Stabilize DNA Methyltransferases 3A/3B and Ensure Faithful Epigenetic Inheritance (doi:10.1371/journal.pgen.1001286), de Daniel Diniz de Carvalho e outros.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Estados Unidos deixarão de dominar a pesquisa científica no mundo já na próxima década

Queda do império (científico) americano
Uma mudança no cenário da pesquisa científica mundial irá reposicionar os Estados Unidos como um personagem importante, mas não mais como líder dominante. E essa mudança ocorrerá já na próxima década, afirma estudo feito na Universidade Penn State, nos Estados Unidos.

Por outro lado, a análise, apresentada no dia 18 na reunião anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), em Washington, aponta que o país poderá se beneficiar do novo panorama, caso adote políticas para compartilhar o conhecimento com a comunidade científica mundial.

“O que está emergindo é um sistema científico mundial no qual os Estados Unidos serão um participante entre muitos outros”, disse Caroline Wagner, professora da Penn State e autora do estudo.

Segundo ela, a entrada de mais países tem mudado o cenário da pesquisa mundial. De 1996 a 2008, a porcentagem de artigos científicos publicados pelos Estados Unidos em relação ao total mundial caiu 20%. Caroline atribui esse resultado não a uma queda nos esforços de pesquisa no país, mas ao crescimento exponencial observado em países como China e Índia.

A mudança principal está entre os chineses, que já ultrapassaram os norte-americanos na publicação de artigos em áreas como ciência natural e engenharia. Se as taxas de crescimento atuais forem mantidas, de acordo com a análise, a China publicará mais que os Estados Unidos em todas as áreas do conhecimento já em 2015.

De acordo com Caroline, embora a China ainda esteja atrás na qualidade –medida por indicadores como fator de impacto e citações –, a diferença nesse ponto para os Estados Unidos também está diminuindo. A China também deverá se tornar o primeiro país em número de cientistas.

O estudo aponta que recomendações típicas para estimular a pesquisa, como aplicar mais dinheiro no setor, não serão suficientes para garantir a supremacia científica norte-americana.

No lugar da estratégia tradicional do baixo retorno sobre o investimento, Caroline recomenda que os Estados Unidos passem a adotar uma política mais eficiente de compartilhar o conhecimento ao atrair para o país especialistas que desenvolveram melhores capacidades do que seus colegas norte-americanos em determinadas áreas. Outros países também podem fazer o mesmo com relação aos pesquisadores norte-americanos.

A autora do estudo discute a possibilidade de uma comunidade global nos moldes da “universidade invisível”, termo que deriva do século 17 e que descreve as conexões entre cientistas de disciplinas e locais diversos para criar uma sociedade científica mundial.

Fonte: Agência FAPESP

IQ - Unesp: vagas para professores colaboradores

O Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, está com inscrições abertas até 10 de março para a seleção de professores colaboradores.

O concurso público é destinado à contratação de três profissionais, sendo um professor colaborador para o Departamento de Química Analítica e dois para o Departamento de Química Orgânica do Instituto de Química da Unesp.

Os candidatos selecionados terão contrato por dois anos e jornada semanal de 40 horas, em regime CLT. As atividades de pesquisa desenvolvidas por cada um serão: “Produção de Bioenergia através de Biomassa” ou “Biorrefinarias, Alcoolquímica, Oleoquímica e Sustentabilidade”, no Departamento de Química Orgânica, e “Processos de Fabricação de Biocombustíveis”, no Departamento de Química Analítica.

Fonte: Agência FAPESP

SBPC - Helena Nader assume a presidência

A biomédica Helena Bonciani Nader será a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a partir desta segunda-feira (21/2), em substituição ao matemático Marco Antonio Raupp, que se afastará do cargo para ocupar a presidência da Agência Espacial Brasileira.

Helena foi eleita primeira vice-presidente da diretoria em junho de 2009. O mandato dos atuais diretores termina em julho próximo.

A nova presidente da SBPC é professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da coordenação de área de biologia da FAPESP. Tem experiência na área de bioquímica, com ênfase em química de macromoléculas, atuando principalmente nos seguintes temas: antitrombótico, glicosaminoglicanos, heparina, Hunter/Hurler, mucopolissacaridose e heparitinases.

Possui graduação em biologia pela Universidade de São Paulo (1971) , graduação em ciências biológicas modalidade médica pela Universidade Federal de São Paulo (1970), doutorado em ciências biológicas (biologia molecular) pela Universidade Federal de São Paulo (1974) e pós-doutorado pela Universidade do Sul da Califórnia (1977), nos Estados Unidos.

Helena Nader é membro titular da Academia de Ciências de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências, classes Comendador e Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, e professora honoris causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Fundada em 1948, a SBPC é uma das principais sociedades científicas do país, com cerca de 90 sociedades científicas associadas e mais de 2 mil sócios ativos. Tem representações oficiais em mais de 30 conselhos e comissões do governo federal.

Fonte: Agência FAPESP

Brasil atrai interesse de pesquisadores estrangeiros

Rumo ao Brasil para fazer pesquisa
Abduleziz Ablat, 28 anos, já traçou o rumo que pretende seguir quando terminar seu doutorado, em 2012, em física condensada da matéria no Instituto de Física de Alta Energia da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. Ele pretende fazer um pós-doutorado ou se candidatar a uma vaga de pesquisador em alguma universidade ou instituição de pesquisa brasileira.

“O Brasil tem uma estrutura para realizar pesquisa tão boa quanto à da China e de outros países que eu já visitei e há cientistas brasileiros realizando pesquisa de alto nível em áreas como biotecnologia. Acho que fazer um pós-doutorado em alguma universidade ou instituição de pesquisa brasileira será muito importante para a minha carreira científica”.

Ablat chegou a essas conclusões ao participar da Escola São Paulo de Ciência Avançada – New developments in the field of synchrotron, realizada em janeiro no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP).

Promovido pela FAPESP, no âmbito da ESPCA, o curso, além de contribuir para formação dos participantes em pesquisa avançada em diferentes áreas do conhecimento, atraiu talentos científicos estrangeiros para desenvolver trabalhos de pesquisa no Estado de São Paulo.

Durante o evento os participantes foram apresentados a oportunidades de apoio oferecidas pela FAPESP, como Bolsas de Pós-Doutorado e o programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

Nos últimos dois dias do encontro, os participantes também conheceram, além do LNLS, o campus da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, e o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP).

Nas visitas, assistiram a apresentações de coordenadores e integrantes dos departamentos de física, química e biologia das universidades paulistas sobre as pesquisas conduzidas por seus grupos.

O resultado foi o interesse de alguns dos participantes da escola em realizar doutorado e pós-doutorado no Brasil ou iniciar uma colaboração com pesquisadores brasileiros.

Em uma enquete realizada por Yves Petroff, diretor científico do LNLS e coordenador da escola, com os 64 estudantes estrangeiros que participaram das atividades, 47 disseram ter interesse em fazer doutorado ou pós-doutorado no Brasil.

“Já estamos em contato com sete estudantes que pretendem vir para o Brasil já a partir do ano que vem”, contou Petroff. Um deles é Olga Paseka, doutoranda em óptica e fotônica na Faculdade de Física da Universidade Estadual de Moscou.

Durante o curso e as visitas às instituições paulistas, Olga aproveitou para fazer contatos com cientistas em sua área de pesquisa e prospectar oportunidades para começar a cursar um pós-doutorado em São Paulo logo após defender sua tese de doutorado, em 2012.

“Gostaria muito de fazer pós-doutorado em São Paulo. Fiquei muito impressionada com a infraestrutura de pesquisa das instituições que visitei”, afirmou.

Outro estudante “estrangeiro” que também participou do curso, Benjamin Salles, pós-doutorando no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industriais Avançadas, em Tsukuba, no Japão, pretende adiar um pouco a decisão de vir a São Paulo.

Nascido no Brasil, Salles, que também tem cidadania francesa, mudou para a França após concluir o ensino médio, tendo feito a graduação, mestrado e doutorado em física na Université Pierre et Marie Curie, em Paris.

Agora, depois de participar do curso, está avaliando a possibilidade de retornar ao país natal para realizar, pela primeira vez, pesquisa na área de spintrônica.

“Minha motivação em participar do curso foi verificar como está caminhando a pesquisa no Brasil. Pude confirmar que está evoluindo muito rápido e que muitas oportunidades estão surgindo. No momento, ainda quero enriquecer minha experiência profissional em outros países, mas, provavelmente, no prazo de cinco a oito anos, pretendo encontrar alguma oportunidade de realizar pesquisa no Brasil”, disse.

Bolsas atraentes

Segundo Petroff, os expressivos números de estudantes estrangeiros interessados em participar da ESPCA no LNLS e de fazer doutorado ou pós-doutorado no Brasil são indicadores do aumento do interesse pela pesquisa brasileira.

Ao todo, 260 estudantes, de mais de 40 países, candidataram-se para participar da escola. Do total, 75 alunos de 22 países participaram do curso e tiveram aulas com pesquisadores renomados, como Ada Yonath, prêmio Nobel de Química em 2009, e Albert Fert, Nobel de Física em 2007.

“Há algumas cidades no mundo que também oferecem programas para atrair jovens pesquisadores, mas não conheço nada comparável à ESPCA”, disse Petroff, francês de nascimento e que já liderou alguns dos maiores laboratórios europeus de luz síncrotron, como o European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), em Grenoble, na França.

Radicado no Brasil desde o fim de 2009, Petroff atribuiu o interesse de estudantes estrangeiros em vir para o país para realizar pesquisas, além do avanço da ciência no país, ao valor das Bolsas de Doutorado e de Pós-Doutorado concedidas pela FAPESP. “Elas são competitivas ou até maiores do que as oferecidas na Europa e nos Estados Unidos”, destacou.

Por outro lado, Petroff aponta que as universidades e instituições de pesquisa brasileiras ainda pecam em detalhes cruciais para atrair o interesse de estrangeiros, como dispor de um site em inglês com informações sobre suas linhas de pesquisa e contato dos pesquisadores.

“Alguns estudantes estrangeiros se queixaram de que o site da maioria dos institutos de pesquisa no Brasil está somente em português”, disse.

Informações em inglês sobre Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP e sobre o Programa Jovens Pesquisadores estão disponíveis em: www.fapesp.br/en.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP