segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Inpe - vídeo 3D a partir de imagem de satélite que mostra os deslizamentos causados pelas chuvas na região serrana do Rio

Retrato da destruição
Os deslizamentos causados pelas chuvas em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro, podem ser melhor observados em um vídeo produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a partir da imagem de satélite aplicada sobre um modelo que confere perspectiva 3D.

Chamada pelos especialistas de DEM (sigla em inglês para Modelo Digital de Elevação), a técnica, que reproduz a distribuição espacial das características do relevo, permite um “voo virtual” sobre a região.

No vídeo, que pode ser visto acima, foi utilizado o modelo DEM disponível no Google Earth, e a primeira imagem sem a interferência de nuvens após o desastre foi obtida em 20 de janeiro pelo satélite de alta resolução GeoEye.

A imagem GeoEye, processada e analisada pelos técnicos do Inpe, foi fornecida pela United States Geological Survey (USGS) por meio do International Charter Space & Major Disasters – um consórcio que reúne instituições de agências espaciais do mundo todo, entre elas o Inpe.

O Inpe já havia apresentado um conjunto de imagens que devem auxiliar os trabalhos da Defesa Civil do Rio de Janeiro. Nas imagens de alta resolução é possível ver detalhes dos deslizamentos causados pelas intensas chuvas.

Assim que ocorreu a tragédia na região serrana, técnicos do instituto começaram a processar e analisar dados de satélite que possam auxiliar nos trabalhos de recuperação das cidades.

Um lote de imagens de média resolução foi entregue à Defesa Civil fluminense apenas uma semana depois do desastre. Já as imagens de alta resolução, que devem orientar o trabalho de campo de técnicos do órgão, foram entregues em 2 de fevereiro.

Fonte: Agência FAPESP

Filosofia da psicanálise: autores, diálogos

Inventário de uma nova disciplina
A filosofia da psicanálise já se configurou como uma disciplina filosófica consolidada – tanto do ponto de vista intelectual como do institucional –, como ocorre com a filosofia da biologia e a filosofia da mente, por exemplo.

Enfatizar essa consolidação é um dos objetivos principais do livro Filosofia da psicanálise: autores, diálogos, problemas, lançado pela editora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

A obra foi organizada por Richard Theisen Simanke, professor do Departamento de Filosofia e Metodologia das Ciências da UFSCar, Fátima Caropreso, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Izabel Barbelli, Josiane Bocchi e Ada Menéndez, todas alunas dos programas de Pós-Graduação em Filosofia e Psicologia da UFSCar.

De acordo com Simanke, a obra procura dar continuidade a uma tradição estabelecida de publicações na área de filosofia da psicanálise, que, embora seja relativamente recente, congrega um número considerável de pesquisadores em todo o país, com uma inserção internacional bastante efetiva.

“Defendo que a área está tão consolidada quanto outras disciplinas filosóficas. Parece-me que estava faltando apenas uma afirmação decidida desse fato e uma caracterização mais sistemática, ainda que preliminar e exploratória, do perfil disciplinar dessa nova especialidade. A publicação do livro apresentou-se como uma boa oportunidade para dar início a esse trabalho”, disse à Agência FAPESP.

A publicação é resultado do 2º Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise, realizado em setembro de 2007, na UFSCar. A equipe de organizadores do livro é formada pela comissão executiva de organização do evento. Boa parte dos autores dos 27 artigos do livro corresponde também a palestrantes do congresso.

“Nossos grupos de pesquisa em filosofia da psicanálise têm organizado congressos dessa natureza com regularidade. Depois do trabalho conjunto na coordenação do evento de 2007, a equipe seguiu trabalhando comigo na captação, seleção, tradução, padronização e organização do material para publicação”, disse Simanke.

Ele menciona, como exemplo da vitalidade acadêmica da disciplina, a realização dos Encontros Nacionais de Pesquisadores em Filosofia e Psicanálise, em São Paulo em 2004 e 2006, em Niterói (RJ) em 2008 e em Ouro Preto (MG) em 2010.

A comunidade científica ligada ao tema também participou dos Congressos Internacionais de Filosofia da Psicanálise, realizados em São Paulo, em 2005, em São Carlos (SP), em 2007, e em Curitiba (PR), em 2009. O próximo evento será em Salvador, em novembro de 2011.

“Quase sempre procuramos que os eventos resultem em publicações, como forma de otimizar sua repercussão e a disseminação de seus resultados, além de veicular a produção científica e intelectual dessa área de pesquisa em filosofia, que é bastante considerável”, disse.

Segundo ele, o livro é voltado para um público amplo, já que a psicanálise é uma área que desperta interesse em diversos setores acadêmicos como filosofia, psicologia, medicina, ciências biológicas, ciências humanas e sociais, entre outros.

“A área é importante também para diversos ramos de atuação profissional, incluindo toda a área da saúde mental, além da educação, vários outros ramos da medicina e os meios psicanalíticos propriamente ditos”, afirmou Simanke.

Área multiforme

A escolha dos autores que participaram da coletânea seguiu os critérios da seleção dos convidados para o congresso de 2007: representatividade e a qualidade do trabalho dos pesquisadores nacionais e internacionais e a qualidade e rigor dos trabalhos submetidos.

“Nem todos os textos consistem exatamente no que foi apresentado no congresso, mas todos resultam do trabalho e da colaboração, estabelecidos antes e depois do mesmo, entre os pesquisadores que lá estiveram”, explicou.

Na estrutura do livro, os artigos estão divididos em capítulos sobre os temas “Epistemologia da psicanálise”, “Interlocuções filosóficas”, “A filosofia e a prática psicanalítica” e “Psicanálise, ética e sociedade”.

“Fizemos uma tentativa de categorizar e organizar o material coletado, que era muito variado, já que a filosofia da psicanálise é uma área de pesquisa bastante variada e multiforme, comportando diversas tendências e linhas de investigação”, disse Simanke.

O capítulo “Epistemologia da psicanálise” inclui textos que discutem questões relacionadas à racionalidade científica em geral, aplicadas ao caso da psicanálise – como o problema da explicação e da causalidade, por exemplo – ou que realizam um trabalho de análise interna sistemática dos textos teóricos psicanalíticos.

A seção “Interlocuções filosóficas” congrega trabalhos que se dedicam a uma análise crítica ou comparativa entre as teses psicanalíticas e as tradições filosóficas estabelecidas – como a dialética, a fenomenologia e a filosofia da ciência –, ou às ideias centrais de filósofos clássicos influentes como Jacques Derrida (1930-2004), Michel Foucault (1926-1984) e Martin Heidegger (1889-1976).

“As demais partes reúnem explorações filosóficas e psicanalíticas nos campos da moralidade e da teoria social”, afirmou Simanke.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Workshop on Synthetic Biology and Robotics

Novo perfil para os biólogos
A crescente necessidade de diálogo entre as especialidades que envolvem automação e biologia sintética estão formando uma nova e promissora área de atuação para pesquisadores que trabalham com ciências moleculares, ciências da computação, bioinformática e ciências da saúde, entre outros campos do conhecimento.

Divulgar essa nova área interdisciplinar é o principal objetivo do Workshop on Synthetic Biology and Robotics, que será realizado no dia 24 de fevereiro, em São Paulo. O evento, organizado pela FAPESP e pelo Consulado Britânico em São Paulo, integra a Parceria Brasil–Reino Unido em Ciência e Inovação.

De acordo com a coordenadora do evento, Marie-Anne Van Sluys, professora do Instituto de Biociências  da Universidade de São Paulo (IB-USP), a conexão entre biologia sintética e robótica terá importância crucial no futuro. Tendência que deverá exigir qualificações especiais para os biólogos.

“Precisamos gerar um novo perfil de profissional da área de biologia que seja capaz de transitar com desenvoltura pela área de computação, aplicando a robótica tanto no que se refere à idealização de experimentos como na exploração de bancos de dados com imensos volumes de informação”, disse . "Essa nova geração de pesquisadores em biologia deverá ser capaz de integrar conhecimento de diferentes áreas, transitando entre biologia, computação, química, física e matemática."

O workshop, segundo Marie-Anne – que é uma das coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) – terá a apresentação de três cientistas britânicos e três brasileiros cujas pesquisas são exemplos bem-sucedidos de aplicação da automação às diversas áreas das ciências biológicas e moleculares.

Participarão Steve Oliver, da Universidade Cambridge, Ross King, da Universidade Aberystwyth, e Elizabeth Bilsland, da Universidade Cambridge (Reino Unido), Otávio Thiemann, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, Alexander Henning Ulrich, do Instituto de Química (IQ) da USP, e Mario Murakami, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

Segundo Marie-Anne, o workshop tratará de um novo olhar sobre a biologia. “Esse novo olhar demanda uma formação que, desde muito cedo, seja capaz de transitar em diferentes áreas de especialização. A atuação dos biólogos ‘clássicos’ sempre será fundamental para gerar conhecimento. Mas precisamos também identificar novos profissionais capazes de transitar em áreas como computação, química e bioquímica, física e biologia”, disse.

O evento pretende aproximar essa nova realidade da comunidade científica, estimulando a reflexão sobre as possibilidades de aplicação desse conhecimento interdisciplinar aos grandes programas de pesquisa da FAPESP.

“Essa perspectiva será certamente útil, por exemplo, para o Programa Biota, na síntese de moléculas ativas, para o BIOEN, em um contexto industrial, ou mesmo para o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, na interpretação de adaptação ao ambiente”, disse.

O processo de automação dos experimentos em biologia, segundo a cientista, é fundamental para que seja possível identificar e realizar a síntese de novas moléculas a partir da informação proveniente de pesquisas que gerem dados em grande quantidade, como os projetos Genoma, por exemplo.

“Esses projetos também exigem uma experimentação em escala muito grande, que não pode ser feita manualmente. Portanto, é preciso desenvolver a automação tanto do lado da seleção das moléculas como do lado da triagem posterior”, explicou.

Há pesquisadores no Brasil criando novos modelos biológicos e novas moléculas para testá-las em doenças, controle de parasitas no campo ou desenvolvimento de novas drogas, por exemplo. A automação que esses estudos demandam consiste em desenvolver robôs capazes de executar os experimentos. Para isso, é preciso ainda identificar que tipo de conhecimento biológico prévio a máquina precisará.

“De um lado, é preciso gerar a molécula e de outro lado temos que identificar o receptor que acreditamos será afetado pela droga. Precisamos de automação para as duas tarefas, porque às vezes uma pequena mudança na molécula é suficiente para definir a interação. E temos que verificar qual é a melhor interação”, afirmou Marie-Anne.

Tradicionalmente, os cientistas sintetizavam uma molécula e mudavam pontualmente seus aminoácidos para observar as alterações. “Hoje, podemos automatizar esse processo, sintetizando milhares de moléculas e testando milhares de variações no receptor de membrana”, afirmou.

Rotas metabólicas

Dos participantes do workshop, Oliver e King são conhecidos por sua atuação na área de automação por terem desenvolvidos os robôs Adam e Eve. O primeiro desenvolve novas estruturas moleculares para serem testadas em um sistema biológico e o outro testa essas moléculas geradas, a fim de descobrir se elas de fato interagem com um transportador na membrana das células.

“Eles vão falar dessa experiência. Oliver comentará a modalidade da genômica química e análise metabolômica, que procura explorar toda a diversidade metabólica existente nos sistemas biológicos”, disse Marie-Anne.

Oliver interage há anos com pesquisadores brasileiros e fez parte do comitê diretivo do projeto de sequenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, financiado pela FAPESP e que se tornou um marco para a ciência brasileira.

De acordo com Marie-Anne, os pesquisadores britânicos que participarão do workshop são biólogos de formação e colaboram entre si há muitos anos, ainda que cada um tenha seguido por uma vertente distinta.

“Elizabeth falará sobre como aproveitar essa informação em células vivas, para que se possam testar as rotas metabólicas. Enquanto isso, King explicará como produzir sinteticamente moléculas ou drogas que inibam determinado receptor na célula. O foco de todos é sempre o transporte de membrana, que isola a célula do meio ambiente”, explicou.

Dos brasileiros, Thiemann trabalha fundamentalmente com a modificação da estrutura de proteínas, enquanto Henning estuda moléculas sintéticas específicas que inibem o desenvolvimento de tumores.

“Depois de identificarmos o genoma, é preciso identificar as proteínas por ele codificadas. O tema de Thiemann será a automação da caracterização das proteínas codificadas por um genoma. Em vez de cristalizar uma única proteína e estudar sua estrutura, a proposta é cristalizar várias proteínas e estudá-las simultaneamente, a fim de definir alvos comuns”, disse Marie-Anne.

Murakami trabalha também com o desenvolvimento de drogas e evolução in vitro de proteínas, estudando como se pode acelerar o processo de modificação de uma determinada proteína para torná-la uma molécula ativa, ou para identificar nela quais são os sítios-alvo de determinadas drogas ou patógenos.

O Workshop on Synthetic Biology and Robotics será realizado no Espaço Apas, da Associação Paulista de Supermercados, rua Pio XI, 1200, Alto da Lapa, São Paulo.

Mais informações sobre o workshop: (11) 3838-4216/4362

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Em 1876 Graham Bell obtinha a patente do telefone

Muitos cientistas conseguiram desenvolver aparelhos elétricos de transmissão de voz à distância, mas o escocês Alexander Graham Bell foi o primeiro a patentear o invento, em 14 de fevereiro de 1876.

É difícil dizer quem inventou o telefone, este aparelho que hoje literalmente nos acompanha no dia-a-dia. De forma simultânea e independente, vários cientistas trabalharam com o mesmo objetivo. Na Alemanha, Johann-Philipp Reis. Na França, Charles Bourseul. Nos Estados Unidos, Elisha Gray e Alexander Graham Bell, que entrou para a história como o inventor do telefone por ter obtido primeiro, em 14 de fevereiro de 1876, a patente para seu aparelho elétrico de transmissão de voz.

"Mr. Watson, venha cá, eu preciso do senhor" foram oficialmente as primeiras palavras transmitidas pelo invento de Graham Bell, desenvolvido no laboratório do cientista em Boston. Watson era um de seus funcionários.

Nascido na Escócia, Bell se interessava pela fala desde a juventude, formando-se linguista e professor de surdos-mudos. No fim do século 19, alimentava-se o sonho de transmitir sonoramente palavras à longa distância. O telégrafo já o fazia por escrito, sendo usado com grande sucesso em todo o mundo. O próximo passo era inevitável.

Alemão pode ser o pioneiro

Acredita-se que, na verdade, a primeira transmissão elétrica de vozes tenha sido realizada pelo alemão Johann-Phillip Reis. Em vez de um chamado a um funcionário, por seu invento teria passado uma frase inusitada: "Cavalos não comem salada de pepino".

Reis não estava, porém, preocupado com a telecomunicação entre seres humanos. Professor de ciências naturais, seus estudos visavam aspectos da anatomia. Em 1861, ele apresentara um aparelho, que deveria demonstrar como o ouvido humano funcionava.

Uma membrana vibrava quando submetida a sons. A vibração fechava ou interrompia um circuito elétrico. Um corpo de ressonância reproduzia o som transportado eletricamente. Na prática, um telefone primitivo. Reis, entretanto, não teve a visão de que aquele aparelho poderia ser muito mais que um instrumento de demonstração científica.

Seu invento ficou adormecido, até que Gray e Bell, sem conhecerem Reis, redescobriram o princípio. Ambos eram movidos pela perspectiva de conversas por telefone. No entanto, eles visavam usuários diferentes. Gray pensava unicamente na utilidade do aparelho para as empresas, enquanto Bell imaginava-o para uso particular.

Objeto de primeira necessidade

O sucesso econômico da Bell Telephone Company, mais tarde rebatizada de American Telephone and Telegraph Company (AT&T), veio a dar razão ao detentor da patente do aparelho. Pois o que a princípio mais parecia um brinquedo para a população urbana, para a rural tornou-se rapidamente um instrumento de primeira necessidade. Com o telefone, mesmo as maiores e mais distantes fazendas podiam manter contato com as vizinhas, sem a necessidade de demoradas viagens.

Apenas pouco mais de um ano depois de Bell patentear seu invento, uma nova profissão surgiu diante do volume crescente de chamadas telefônicas: a de telefonista. Tantas pessoas já possuíam telefone que se tornara impossível ligar diretamente com cabos todos os aparelhos. Foi preciso criar postos de intermediação.

Todas as chamadas passaram a ser remetidas a estas centrais telefônicas, nas quais telefonistas completavam as ligações para os respectivos destinatários. Somente nos anos 70 do século 20 a intermediação manual passou a ser finalmente substituída pela automática.

A digitalização e a telefonia móvel permitem hoje a comunicação em qualquer lugar, a qualquer hora. Mas já em 1922, quando Alexander Graham Bell morreu, seu invento havia mudado o mundo.

Fonte: Catrin Möderler (mw) / DW