terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MBSCG - Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global produzirá cenários de mudanças climáticas


Clima sob o olhar do Brasil
Nos modelos climáticos globais divulgados no mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), divulgado em 2007, o Pantanal e o Cerrado são retratados como se fossem savanas africanas.

Já fenômenos como as queimadas, que podem intensificar o efeito estufa e mudar as características de chuvas e nuvens de uma determinada região, por exemplo, não são caracterizados por não serem considerados relevantes para os países que elaboraram os modelos numéricos utilizados.

Para dispor de um modelo capaz de gerar cenários de mudanças climáticas com perspectiva brasileira, pesquisadores de diversas instituições, integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC), estão desenvolvendo o Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).

Com conclusão estimada para 2013, o MSBCG deverá permitir aos climatologistas brasileiros realizar estudos sobre mudanças climáticas com base em um modelo que represente processos importantes para o Brasil e que são considerados secundários nos modelos climáticos estrangeiros.

“Boa parte desses modelos internacionais não atende às nossas necessidades. Temos muitos problemas associados ao clima em virtude de ações antropogênicas, como as queimadas e o desmatamento, que não são retratados e que agora serão incluídos no modelo que estamos desenvolvendo no Brasil”, disse Gilvan Sampaio de Oliveira, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos pesquisadores que coordena a construção do MBSCG.

Segundo ele, o modelo brasileiro incorporará processos e interações hidrológicas, biológicas e físico-químicas relevantes do sistema climático regional e global. Dessa forma, possibilitará gerar cenários, com resolução de 10 a 50 quilômetros, de mudanças ambientais regionais e globais que poderão ocorrer nas próximas décadas para prever seus possíveis impactos em setores como agricultura e energia.

“Com esse modelo, teremos capacidade e autonomia para gerar cenários futuros confiáveis, de modo que o país possa se preparar para enfrentar os fenômenos climáticos extremos”, disse Sampaio.

A primeira versão do modelo brasileiro com indicações do que pode ocorrer com o clima no Brasil nos próximos 50 anos deverá ficar pronta até o fim de 2011.

Para isso, os pesquisadores estão instalando e começarão a rodar em fevereiro no supercomputador Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), uma versão preliminar do modelo, com módulos computacionais que analisam os fenômenos climáticos que ocorrem na atmosfera, no oceano e na superfície terrestre.

Os módulos computacionais serão integrados gradualmente a outros componentes do modelo, que avaliarão os impactos da vegetação, do ciclo de carbono terrestre, do gelo marinho e da química atmosférica no clima. Em contrapartida, um outro componente apontará as influências das mudanças climáticas em cultivares agrícolas como a cana-de-açúcar, soja, milho e café.

“No futuro, poderemos tentar estimar a produtividade da cana-de-açúcar e da soja, por exemplo, frente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera”, disse Sampaio.

Classe IPCC

Segundo o cientista, como a versão final do MSBCG só ficará pronta em 2013, o modelo climático brasileiro não será utilizado no próximo relatório que o IPCC divulgará em 2014, o AR-5. Mas o modelo que será utilizado pelo Painel Intergovernamental para realizar as simulações do AR5, o HadGEM2, contará com participação brasileira.

Por meio de uma cooperação entre o Hadley Center, no Reino Unido, e o Inpe, os pesquisadores brasileiros introduziram no modelo internacional módulos computacionais que avaliarão o impacto das plumas de fumaça produzidas por queimadas e do fogo florestal sobre o clima global, que até então não eram levados em conta nas projeções climáticas.

Com isso, o modelo passou a ser chamado HadGEM2-ES/Inpe. “Faremos simulações considerando esses componentes que introduzimos nesse modelo”, contou Sampaio.

Em 2013, quando será concluída a versão final do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, o sistema ganhará um módulo computacional de uso da terra e outro metereológico, com alta resolução espacial. No mesmo ano, também serão realizadas as primeiras simulações de modelos regionais de alta resolução para a elaboração de um modelo climático para América do Sul com resolução de 1 a 10 km.

“Até hoje, levávamos meses e até anos para gerar cenários regionais. Com o novo sistema de supercomputação os esforços em modelagem climática regional ganharão outra escala”, afirmou Sampaio.

Leia reportagem publicada pela revista Pesquisa FAPESP sobre o modelo climático brasileiro.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

Na corda bamba de sombrinha: a saúde no fio da história

Saúde no fio da história
Fruto de um projeto homônimo, o livro Na corda bamba de sombrinha: a saúde no fio da história, lançado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) e pela Casa de Oswaldo Cruz (COC), duas unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), une a história a questões recentes da saúde pública.

A publicação didática narra, em dez capítulos, a trajetória percorrida pela sociedade brasileira na busca por melhores condições de saúde desde o Brasil colônia até os dias atuais.

De acordo com os organizadores, Carlos Fidelis Ponte e Ialê Falleiros, o título da obra é uma referência ao contexto histórico da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e à reforma sanitária brasileira.

O livro, que pode ser acessado gratuitamente pelo site, em formato pdf, também conta com um material de apoio ao professor e um vídeo educativo dirigido pelos pesquisadores do EPSJV Ialê Falleiros e Júlio César França Lima.

Fonte: Agência FAPESP

Unesp - Jaboticabal: vaga para professor assistente

A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária da Universidade Estadual Paulista (FCAV-Unesp), campus de Jaboticabal, abriu concurso para preencher a vaga de professor assistente no Departamento de Biologia Aplicada à Agropecuária.

O profissional selecionado deverá atuar no conjunto de disciplinas “Fisiologia Vegetal”, “Relações Hídricas, Nutrição e Metabolismo de Plantas” e “Crescimento e Desenvolvimento de Plantas”, sendo a vaga em regime de dedicação integral à docência e à pesquisa.

Para concorrer, o profissional deverá ter titulação mínima de doutor. As inscrições vão até 8 de fevereiro.

Fonte: Agência FAPESP

ESPCA - prazo para chamada termina no dia 7

A FAPESP receberá até o dia 7 de fevereiro propostas para a chamada atual da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de fomento que oferece recursos para a organização de cursos de curta duração em temas de fronteira em ciência e tecnologia em qualquer área do conhecimento. As escolas serão realizadas a partir de 4 de julho de 2011.

Além do avanço no conhecimento, espera-se que os eventos apoiados contribuam para dar visibilidade à pesquisa, aos programas de doutorado e sirvam como oportunidades para estágios de pós-doutorado no Estado de São Paulo, especialmente para candidatos de outros estados e países.

Nos cursos da ESPCA, cientistas com interesses profissionais comuns se reúnem por período de uma a duas semanas, promovendo intensa discussão e análise dos aspectos mais avançados em seus campos de pesquisa.

Cada escola deverá ter uma programação de palestras ou minicursos com pesquisadores do Brasil e do exterior. Os professores que lecionarão as disciplinas nas ESPCA deverão ser cientistas de excelente qualificação e destaque em seus campos de pesquisa, incluindo-se cientistas estrangeiros convidados.

Os estudantes participantes devem estar matriculados em cursos de graduação ou pós-graduação no Brasil ou exterior, sendo potenciais candidatos aos cursos de mestrado, doutorado ou a estágios de pós-doutorado em instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo. Também poderão ser aceitos alguns jovens doutores.

Além de participar dos minicursos, os estudantes selecionados terão oportunidade de apresentar aos colegas, em sessões de pôsteres, os resultados de suas pesquisas. Espera-se que cada ESPCA receba até 100 estudantes.

Serão priorizadas as propostas que apresentarem participação intensa de estudantes de outros países. As solicitações deverão ser submetidas por pesquisadores doutores semestralmente para análise, atendendo às chamadas de propostas.

A submissão de propostas para a chamada deverá ser feita por formulários em papel, em envelope fechado, conforme instruções disponíveis no link acima.

Fonte: Agência FAPESP