terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Instituto Butantan: vaga de pós-doutorado na área de farmacologia

O Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, está com inscrições abertas até 9 de janeiro para a seleção de um bolsista de pós-doutorado na área de farmacologia.

A vaga é para desenvolver pesquisas junto ao projeto “Caracterização dos possíveis mecanismos moleculares da ação da crotalfina, um novo peptídeo analgésico, em neurônios sensoriais”, sob coordenação de Yara Cury, do Laboratório Especial de Dor e Sinalização. O projeto faz parte do Programa de Pós-Graduação do Butantan em Toxinologia, coordenado por Norma Yamanouye.

Para participar, o candidato deve ser recém-doutor, com experiência em cultura celular e ensaios imunoquímicos e imunoenzimáticos. Será considerado como diferencial possuir experiência na área de dor e analgesia.

Na primeira etapa, a seleção compreenderá a análise do currículo e, na segunda fase, entrevista com os candidatos que tiveram os currículos selecionados. O resultado será divulgado em 11 de janeiro. O candidato receberá bolsa Capes de pós-doutorado no valor de R$ 3,3 mil.

Os interessados devem enviar curriculum vitae completo e atualizado para a Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Toxinologia, pelo e-mail: cpgibu@butantan.gov.br (com cópia para yarac@butantan.gov.br)

Mais informações: (11) 3726-7222, ramal 2064, com Kimie Simokomaki.

Fonte:Agência FAPESP

Os Cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização

Os Cortiços de Santa Ifigênia
O Arquivo Público do Estado de São Paulo lançou, em coedição com a Imprensa Oficial, o livro Os Cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização, organizado por Simone Lucena Cordeiro, diretora do Centro de Acervo Permanente do Arquivo.

O livro foi elaborado a partir do Relatório da comissão de exame e inspecção das habitações operárias e cortiços no districto de Sta Ephigenia, documento de 1893 que faz parte do acervo permanente do Arquivo.

O relatório foi escrito em uma época de grande crescimento de São Paulo. De uma população de 69.934 habitantes em 1890, a cidade saltou para 239.820 em 1900.

Novas construções, iluminação elétrica e linha de bondes sinalizavam o projeto de igualar a cidade às grandes capitais europeias. Mas essas iniciativas não resolviam problemas como a falta de saneamento básico ou as péssimas condições de higiene nas habitações populares – que podiam causar epidemias como as de tifo e febre amarela.

O texto permite estudar as condições e as técnicas urbano-sanitárias, bem como a escala espacial das ações do poder público, o projeto de cidade que se queria construir/remodelar e os habitantes das moradias dessa parte da população paulistana, em sua maioria imigrantes.

A reprodução fac-símile do documento ocupa as últimas 128 páginas do livro, juntamente com o Código Sanitário de 1894. Historiadores de diversas áreas contribuíram com textos de análise no novo livro, como Maria Stella Bresciani (Unicamp), Maria Alice Rosa Ribeiro (Unesp) e Jaime Rodrigues (Unifesp).

Fonte:Agência FAPESP

Banguês, engenhos centrais e usinas, o desenvolvimento da economia açucareira em São Paulo e a sua correlação com as políticas estatais (1875-1941)

Dos banguês às usinas
O Estado de São Paulo ocupa o topo da produção de açúcar no Brasil. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o Brasil produziu 31 milhões de toneladas na safra de 2008/9 e o açúcar paulista foi responsável por mais de 19,6 milhões de toneladas, ou cerca de 63% do total.

A história da cultura de cana-de-açúcar no país mostra que essa liderança foi conquistada gradativamente e somente a partir de 1940. Na década de 1910, por exemplo, o açúcar produzido em São Paulo respondia por apenas 8% da produção brasileira.

O livro Banguês, engenhos centrais e usinas: o desenvolvimento da economia açucareira em São Paulo e a sua correlação com as políticas estatais (1875-1941), de Roberta Barros Meira, analisa de que forma os engenhos e usinas paulistas se modernizaram e estruturaram seu negócio.

De acordo com autora, São Paulo, apesar de ter sido uma área secundária da produção açucareira, passou no período por uma grande mudança no setor. A compra de maquinário importado, como centrífugas de açúcar, moendas mais potentes e a construção de ferrovias – que ligavam os engenhos aos canaviais –, deram impulso na disputa pelo mercado do produto.

“Essa modernização ocorreu também no Nordeste. Mas, diferentemente de São Paulo, cujos engenhos foram montados principalmente por empreendimentos nacionais, lá houve maior participação de empresas estrangeiras, que trouxeram maquinário já defasado, visando apenas a lucros imediatos”, disse Roberta, doutoranda em História Econômica pela Universidade de São Paulo.

O livro teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações. Roberta desenvolve atualmente a pesquisa de doutorado “Do terceiro distrito dos engenhos centrais às usinas”, também com apoio da Fundação.

De acordo com Carlos de Almeida Prado Bacellar, do Departamento de História da Universidade de São Paulo e orientador do estudo, o livro ressalta o papel que o açúcar teve dentro da economia paulista em um período que é mais lembrado pela produção do café.

O livro é dividido em três blocos temáticos. O primeiro analisa o processo de substituição dos engenhos tradicionais (banguês) pelos engenhos centrais. O segundo aborda o nascimento das usinas na Primeira República e o terceiro foca nas políticas estatais que ajudaram a consolidar o negócio açucareiro durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945).

De acordo com a autora, umas das primeiras medidas para modernizar o setor se deu com a criação dos engenhos centrais no fim do Império. “Eles surgiram como forma de promover a racionalização da produção, a partir da separação da parte agrícola da parte fabril. O objetivo era separar a tarefa do fazendeiro, que seria exclusivamente agricultor, da atividade do usineiro”, disse Roberta.

Mas a ideia dessas estruturas fracassou por vários problemas dentre eles a falta de mão obra especializada, de matéria-prima e necessidade de mais ferrovias ligadas aos canaviais para escoar a produção. “São Paulo saiu na frente na questão do transporte e por empregar a mesma mão de obra utilizada e que dava certo no café: o colono imigrante”, disse.

Devido à forte concorrência de grandes produtores, de Cuba e da Europa (com o açúcar de beterraba), o Nordeste perdeu espaço nas exportações no fim do século 19. As exportações para os Estados Unidos – maior mercado no período – declinaram drasticamente entre 1884 e 1886, despencando de 140 mil toneladas por ano para 80 mil.

São Paulo se firmou com o crescimento do mercado interno e a produção paulista passou a interessar aos investidores estrangeiros, em especial aos franceses, que adquiriram vários engenhos centrais no período.

Sob atuação do IAA
Algumas políticas implementadas no primeiro governo Vargas foram decisivas para tentar consolidar a indústria açucareira no país, segundo a autora. Em 1933, foi criado o Instituto do Açúcar e Álcool (IAA), cuja atuação garantiu por mais tempo a hegemonia dos produtores nordestinos e conteve o avanço paulista até 1940.

“O IAA tentou regular o preço, estabelecendo cotas de produção para cada usina e para cada estado. Sob a atuação do IAA, o açúcar nordestino voltou a ser exportado. São Paulo também se beneficiou nessa época porque conseguiu vender o produto internamente a preços vantajosos, enquanto o Nordeste exportava com margem de lucro muito pequena”, contou Roberta.

Entre outras medidas adotadas no governo Vargas se destacou a obrigatoriedade da mistura de 5% de álcool anidro à gasolina importada, mas o pequeno mercado automobilístico e o preço inviabilizaram os investimentos dos usineiros em destilarias.

O governo Vargas, segundo Roberta, assumiu uma postura definitiva para que o açúcar de usina fosse aceito pela população. “O açúcar produzido nas refinarias, o cristal, era consumido pela elite, enquanto a população consumia o mascavo. Mas, com o aumento na produção industrial e nos subsídios à produção, o preço do açúcar cristalizado se tornou mais acessível à população”, disse.

Mais informações pelo site

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Portaria nº 592 eleva limite anual das importações destinadas à pesquisa científica

Por meio da Portaria nº 592 de 29 de dezembro de 2010, o Ministério da Fazenda elevou o valor do limite global anual das importações destinadas à pesquisa científica. O instrumento prevê uma cota suplementar de US$ 100 milhões, o que permitirá ao CNPq atender a demanda já analisada e aprovada.

Com o aporte, o teto foi fixado em US$ 600 milhões para o exercício de 2010. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União do dia 31 de dezembro.

Fonte: Gestão CT

IQ-Unesp e MIT: pesquisas conjuntas na área de nanotecnologia


Intercâmbio nanotecnológico entre Unesp e MIT
A partir de fevereiro de 2011, um grupo de estudantes de doutorado e de pós-doutorado do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (IQ-Unesp), campus de Araraquara, começará a viajar para Boston, nos Estados Unidos, para realizar estágios na área de nanotecnologia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Meses depois, alunos do MIT farão o percurso inverso, vindo à universidade paulista com o mesmo objetivo. Em comum, os pesquisadores dos dois países pretendem, por meio do intercâmbio, trocar conhecimento e competência para o desenvolvimento de nanossensores de gases poluentes para controle ambiental.

Mais conhecidos como “narizes eletrônicos”, esses dispositivos em escala nanométrica (bilionésima parte do metro) são capazes de detectar, monitorar e controlar a emissão de diversos gases tóxicos, como os monóxidos de carbono e de azoto que saem dos escapamentos dos automóveis.

“Ao empregar materiais nanoestruturados no desenvolvimento desses sensores, eles podem se tornar muito mais sensíveis e seletivos e detectar pequenas quantidades de gases tóxicos no ambiente”, disse José Arana Varela, professor do Instituto de Química da Unesp e diretor-executivo da Agência Unesp de Inovação (AUIN).

Varela, que também é coordenador da divisão de inovação do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, conheceu durante uma viagem aos Estados Unidos um dos maiores especialistas no desenvolvimento de nanossensores: Harry Tuller, professor do Departamento de Ciências de Materiais e Engenharia do MIT.

Com o lançamento da chamada de propostas para intercâmbio de pesquisadores FAPESP-MIT em 17 de maio de 2010, Varela propôs a Tuller desenvolverem um projeto conjunto de pesquisa. Intitulado “Avanços em óxidos semicondutores nanoestruturados para sensores de gás”, o projeto foi um dos quatro selecionados pela chamada, cujo resultado foi anunciado em 14 de dezembro.

“Com esse projeto, queremos criar uma interação mais sólida com o grupo de pesquisa do MIT e avançar no desenvolvimento de sensores de gás utilizando materiais nanoestruturados”, explicou Varela.

Segundo ele, uma das principais especialidades do grupo brasileiro que participará do intercâmbio está na síntese química de pós e na caracterização morfológica e composição química de óxidos semicondutores nanoestruturados utilizados no desenvolvimento dos sensores de gases.

Já os pesquisadores do MIT têm maior experiência na preparação dos dispositivos e caracterização elétrica dos mesmos para serem usados como nanossensores.

“Eles já conseguiram produzir células muito pequenas para detectar, com uso mínimo de óxidos nanoestruturados, baixas quantidades de determinados tipos de gases”, disse Varela.

Em função disso, o intercâmbio possibilitará aos pesquisadores brasileiros começarem justamente a avançar no desenvolvimento desses dispositivos que, de acordo com o cientista, representa um dos maiores gargalos na pesquisa na área no país

“Essa é uma das principais lacunas que temos no Brasil: conseguimos fazer bem a parte científica mas não chegamos a fazer um dispositivo, não temos o desenvolvimento tecnológico. Esse projeto nos ajudará a preencher essa falta”, afirmou.

Ponte para as comunidades
Por sua vez, os pesquisadores do MIT avaliam que o intercâmbio lhes possibilitará conhecer os métodos de desenho, caracterização e modelagem dos óxidos semicondutores nanoestruturados para o desenvolvimento de nanossensores mais sensíveis e seletivos e com custos mais baixos. “A resposta e a estabilidade de alguns nanossensores são fortemente dependentes dos materiais usados em sua construção”, disse Tuller.

“Um dos objetivos desse programa colaborativo de pesquisa é desenvolver nanossensores com materiais nanoestruturados extremamente robustos, capazes de operar em condições ambientais extremamente adversas como, por exemplo, nos sistemas de exaustão automotivos – os escapamentos dos automóveis”, explicou.

De acordo com o pesquisador norte-americano, o intercâmbio de pesquisadores da Unesp e do MIT também possibilitará qualificar os estudantes das duas instituições para solucionar questões frequentemente complexas que surgem com a aplicação da ciência básica para resolução de desafios tecnológicos.

“Permitirá, também, construir uma ponte para aproximar as comunidades de cientistas e engenheiros do MIT e da Unesp”, disse Tuller.

Para marcar a concretização do intercâmbio, segundo ele, os pesquisadores estão organizando conjuntamente o Simpósio Internacional de Avanços em Materiais Nanoestruturados Funcionais para Aplicações Ambientais e em Energia, que será realizado durante o 10º Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat). Presidido por Varela, o evento será realizado de 25 a 29 de setembro de 2011, em Gramado (RS).

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP