segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Aloizio Mercadante assume a pasta da C&T em Brasília


Tomou posse hoje (3), em Brasília (DF), o novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Ele assume a pasta com o desafio de promover mais avanços no setor, levando em consideração a sustentabilidade ambiental, a inovação como ponto central das agendas pública e privada, o fortalecimento da pesquisa e o aumento da formação de recursos humanos.

Mercadante considera imprescindível a transição mundial para uma economia de baixo carbono, o que implicará em investimentos de ponta para a maior parte dos países. Para ele, a atual crise ambiental planetária não gera apenas custos e sacrifícios, mas também cria um amplo horizonte de oportunidades.

“Contribuir para mitigar as causas do aquecimento global e impulsionar a economia verde e criativa, aprofundando a pesquisa e a inovação para gerar mais valor agregado à nossa biodiversidade em direção a sustentabilidade será uma de nossas grandes prioridades. Nesse sentido a ciência e tecnologia terão centralidade”, disse.

O ministro também elencou como prioridade de seu governo o aprofundamento de políticas de formação de recursos humanos. Ele acredita na criação de espaços permanentes de motivação e estímulo para os jovens se interessarem pelo mundo da ciência. De acordo com Mercadante, a banda larga e a inclusão digital são mecanismos fundamentais para atingir este objetivo.

“A inserção da banda larga nas escolas públicas e nas áreas rurais permitirá um grande salto de qualidade da educação dos nossos jovens, além de reduzir a enorme discrepância no acesso à tecnologia da informação”.

Entre as ações, o novo dirigente da pasta também citou a ampliação de parcerias com o Ministério da Educação (MEC), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o CNPq com o intuito de aumentar em todas as áreas a concessão de bolsas de estudos.

Em seu discurso, Mercadante ainda ressaltou a necessidade de ampliar o investimento público em C&T. Segundo ele, hoje o Brasil investe 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB), e impõe o desafio de alcançar a marca de 2% a 2,5% na próxima década, meta que considera difícil de ser atingida, mas necessária para o desenvolvimento do país.

“Devemos combinar educação de qualidade, pesquisa científica, inovação na perspectiva de uma nova produção científica mundial. Assumo o dever de ampliar cada vez mais a participação da ciência, tecnologia e inovação no PIB brasileiro. Nossa gestão vai utilizar ferramentas que implantem definitivamente o item da inovação na agenda pública e privada e continuar o processo de distribuição dos benefícios dos avanços científicos e tecnológicos para toda a sociedade”.

Mercadante lembrou que o país situa-se na 13ª posição em termos de produção de pesquisa básica e afirmou que é preciso intensificar os esforços na direção de aumentar o volume global de pesquisa, assim como aprofundar o atual processo de desconcentração regional. Nesse sentido, o ministro considera fundamental o fortalecimento da pós-graduação nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, essenciais para a redução das assimetrias regionais.

Inovação
Ainda na avaliação do ministro, outra prioridade é o fomento à inovação. “Afirmo desde já que a articulação entre a Política de Desenvolvimento Produtivo [PDP] e o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação será um dos eixos estruturantes da fase 2 da nossa política de CT&I”.

Para Mercadante é preciso reconhecer que a pesquisa científica brasileira ainda é fortemente concentrada nas universidades e instituições públicas. De acordo com ele, no Brasil a participação de empresas no número de pedidos de patentes é de somente 53%, ao passo que no Japão e Alemanha esse índice é de cerca de 90%. As empresas brasileiras investem aproximadamente 0,51% do PIB em C&T. No Japão o investimento é de 2,7%.

Segundo o novo dirigente, esse descolamento entre a produção científica nacional e o processo produtivo é histórico. “Nossa contribuição estará em estimular e agilizar o processo de reconhecimento de patentes no país. Vamos orientar e fortalecer os núcleos tecnológicos de inovação para difundir a cultura da propriedade intelectual no meio acadêmico”.

Durante o discurso, Mercadante também citou a importância da articulação com o setor empresarial, lembrando que a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) continuará recebendo o apoio do MCT. “Trabalharemos ativamente para que a sala da inovação seja um espaço de diálogo estratégico com aquelas empresas que venham a conduzir projetos inovadores”.

O ministro afirmou que manterá ainda um diálogo construtivo com as instituições de controle como Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria Geral da União (CGU) e a Receita Federal com a finalidade de criar regras específicas para o setor. Outra medida será a ampliação e o aprimoramento do marco regulatório de incentivo a pesquisa. Para ele, apesar dos grandes avanços o Brasil ainda não dispõe de uma política de incentivo de subvenções em nível adequado.

As empresas também serão chamadas para enfrentar o desafio de investir mais em inovação. Do mesmo modo, a Finep terá seu papel ampliado, passando a ser mais do que uma agência de fomento e, sim, uma instituição financeira que atuará fortemente para oferecer recursos reembolsáveis e não reembolsáveis para apoio à pesquisa e ao desenvolvimento do país.

Mercadante disse que em sua gestão também serão criados novos fundos setoriais e lembrou que nesse primeiro ano de governo serão feitos imprescindíveis ajustes fiscais. “Vamos melhorar o mecanismo de controle dos gastos e otimizar os recursos disponíveis. Devemos aprender a fazer mais com menos”.

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

Bioma Mata Atlântica tem menor desmatamento do país

Após perder mais de 75% de sua área em cinco séculos, bioma foi proporcionalmente o menos devastado entre 2002 e 2008 no Brasil

Dizimada durante cinco séculos, a Mata Atlântica reduziu seu ritmo de perdas nos últimos anos. A região que abriga 70% da população brasileira foi, proporcionalmente, a menos desmatada entre 2002 e 2008, segundo monitoramento por satélite feito pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), num projeto apoiado pelo PNUD.

Por se estender ao longo do litoral brasileiro, abrangendo 15 estados, a Mata Atlântica foi o primeiro bioma a sofrer com a ação humana após o descobrimento. No início, o principal alvo era o pau-brasil, hoje praticamente extinto. Em seguida, vieram as plantações de cana-de-açúcar, no Nordeste, e de café, no Sudeste, que contribuíram para a destruição de 75,88% da vegetação nativa. Hoje, só restam 22,25% de mata original e 1,87% de corpos d’água.

Entre 2002 e 2008, a área coberta por florestas encolheu 0,25% em relação à formação original — menos do que qualquer outro bioma brasileiro. Até 2002, haviam sido elimnados 75,62% da área original. Em 2008, já eram 75,88%. Em números absolutos, os 2.742 km² derrubados (457 km²/ano) a colocam na segunda posição entre as regiões que menos foram desmatadas, superando apenas os dados registrados no Pampa (2.197 km² no período).


O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, afirma que a Mata Atlântica tem grande importância na sustentação da sociedade brasileira, contribuindo com a manutenção da qualidade da água, proteção dos solos, sequestro de carbono, entre outros. Além de se estender por 15 estados, ela conta com mais de 20 mil espécies de plantes catalogadas (mais até que a Amazônia), 261 de mamíferos, 688 de pássaros, e seus recursos hídricos abastecem cerca de 123 milhões de brasileiros.

“No sul da Bahia, por exemplo, você tem em um único hectare mais de 440 tipos diferentes de árvores. Isso é um recorde mundial. Internacionalmente, a Mata Atlântica é considerada uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas, juntamente com Madagascar e a província do Cabo, na África do Sul”, diz.


O monitoramento via satélite é apenas um registro, não incluiu um diagnóstico das causas do desmate entre 2002 e 2008. Porém, Dias aponta algumas dos elementos que foram levantados por outros estudos. “Os fatores de pressão estão principalmente ligados a agropecuária e exploração de carvão vegetal.”

Entre as medidas que o ministério tem tomado para preservar o bioma, destaca-se a aprovação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, que criou uma série de restrições às derrubadas e impôs limites para sua exploração econômica. Ela também estabelece em quais situações é possível remover vegetação natural por razões de interesse público.

“Nós ainda publicamos um mapa produzido pelo IBGE que definiu os limites da Mata Atlântica, e, em 2010, produzimos um manual de boas práticas para a recuperação da região, voltado a todos os interessados, incluindo produtores rurais”, acrescenta o secretário.

Lideres do desmatamento
Os estados em que houve mais desmatamento entre 2002 e 2008 foram Minas Gerais (909 km²), Paraná (542 km²), Bahia (426 km²), Santa Catarina (329 km²) e Rio Grande do Sul (169 km²). Em termos relativos, quem fica na frente é Sergipe, que derrubou 0,5% dos 10.531 km² de Mata Atlântica em seu território.

Já entre os municípios, Encruzillhada (BA) ocupa o topo, com 87 km² removidos, seguido por Jequitinhonha (MG), com 50 km², Rio Vermelho (MG), com 43 km², São Francisco de Paula (RS), com 40 km², e Mafra (SC), com 38 km².

O ritmo de desmate revelado pelo governo é superior ao estimado pela SOS Mata Atlântica. De acordo com a ONG, foram derrubados 341 km²/ano entre 2000 e 2005 e 322 km²/ano entre 2005 e 2008. O ministério explica que a diferença se dá pelo fato de seu monitoramento considerar uma área remanescente quase duas vezes superior e por levar em conta de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que representam 20% do bioma e não foram estudados pela organização não governamental.

Com a divulgação dos dados da Mata Atlântica, o IBAMA completa o monitoramento de todos os seis biomas do país, que incluem ainda Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga e Pampas. “Agora nós vamos dar continuidade com o estudo anual. Uma equipe do IBAMA já está trabalhando com imagens do período 2008/2009 para todos esses biomas”, afirma Dias.

Fonte: Bruno Meirelles / PrimaPagina - PNUD

Centro de Estudos da Metrópole oferece curso com o software livre TerraView


Cartografia da política social
Possibilitar a produção de análises espaciais a partir de dados sociais, econômicos e demográficos, para pesquisadores e gestores públicos, é o objetivo do curso de geoprocessamento com software livre TerraView Política Social. O curso é oferecido desde 2008 pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.

O treinamento é destinado a usuários não especialistas ligados principalmente à área de políticas sociais, como educação, saúde, transferência de renda e habitação. O programa – que utiliza o software TerraView Política Social – foi desenvolvido pelo CEM em parceria com a Divisão de Processamento de Imagens (DPI) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O software é um aplicativo construído a partir da biblioteca de geoprocessamento TerraLib para visualização e exploração de dados geográficos e pode ser baixado gratuitamente pela internet.

De acordo com Daniel Waldvogel Thomé da Silva, pesquisador do CEM e coordenador do curso, o programa possibilita que gestores públicos de muitas cidades brasileiras utilizem a ferramenta para o planejamento de políticas em áreas prioritárias.

“O geoprocessamento propicia uma análise dos dados de maneira local e espacial, ou seja, é possível localizar onde os problemas realmente acontecem. Nosso interesse ao desenvolver o curso foi democratizar esse recurso”, disse à Agência FAPESP .

O treinamento pode ser feito em casa. “Além do software, o usuário baixa o manual e as bases de dados utilizadas no curso, a partir do preenchimento de um cadastro. O treinamento que damos é só uma forma de facilitar o processo de aprendizagem”, explicou.

Pesquisadores, técnicos de administração municipal, alunos de graduação e pós-graduação, entre outros, podem participar. Ter um domínio básico da informática (de planilhas como Excel) é o único pré-requisito.

O curso tem custo de R$ 400. Anualmente, são realizados de quatro a oito cursos, conforme a procura. Mais de 680 profissionais de diferentes áreas já fizeram o treinamento, que deverá ter nova turma em março.

O perfil dos interessados também é muito variado. “Funcionários de secretarias de educação que querem mapear escolas, arqueólogos que precisam gerar mapas para sítios arqueológicos ou arquitetos que desenvolvem pesquisas em habitação de interesse social, por exemplo”, contou Waldvogel.

O TerraView Política Social é baseado no Terra View, software desenvolvido pelo Programa Espaço e Sociedade, uma iniciativa do Inpe para aproximar as inovações derivadas do Programa Espacial Brasileiro às necessidades para a elaboração de políticas públicas sociais no país.

“Para gerar mapas é preciso construir uma base de dados para que sejam possíveis estabelecer relações, gerar hipóteses e, partir daí, inferir novos dados georreferenciados”, disse Waldvogel.

Se algum gestor público quiser descobrir áreas com maior demanda para a construção de uma nova escola, por exemplo, um dos caminhos é identificar os locais com muitas crianças e poucos estabelecimentos de ensino. “Com o geoprocessamento podemos inserir diferentes tipos de indicadores a fim de cruzar os dados e formar várias camadas sobrepostas de informações”, explicou.

Para isso são usados dados de população dos setores censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para serem cruzados com informações de uma área específica de planejamento das secretarias de educação, possibilitando a identificação do número de vagas e de alunos a ser atendidos em determinada região.

“A partir daí, é possível saber onde há locais com muitas crianças e poucas escolas e definir qual demanda será prioritária para a construção de uma nova estrutura escolar”, afirmou.

Mapeamento imobiliário

Outro exemplo de uso é o mapeamento de empreendimentos imobiliários (comerciais e residenciais) do município de São Paulo, que será lançado pelo CEM no fim de janeiro.

“Será possível saber quando o imóvel foi planejado e construído, a quantidade de dormitórios, o tamanho das habitações e onde ocorreram as maiores mudanças ano a ano, entre outras informações”, disse Waldvogel. A base compreende dados de 1985 a 2009.

A ferramenta representa um avanço nos estudos em políticas públicas no país, segundo o pesquisador do CEM. “Desenvolver pesquisas com geoprocessamento no Brasil há 15 anos era muito difícil devido ao alto custo dos softwares e à falta de profissionais especializados. Infelizmente, muitos pesquisadores individuais só conseguiam trabalhar com software pirata”, disse.

O TerraView Política Social, por ser gratuito, tem permitido ampliar a produção de análises de dados georreferenciados em espaços urbanos. “Mas no Brasil ainda temos pouca base cartográfica digitalizada, quando comparado a outros países”, disse Waldvogel. A região metropolitana de São Paulo é exceção e dispõe de uma boa base digitalizada.

No curso ministrado no CEM, com carga horária de 20 horas, os participantes conhecem os fundamentos de geoprocessamento e são habilitados a explorar as possibilidades de apresentação e de análise espacial de dados coletados. Ao fim do treinamento, podem visualizar, pesquisar e analisar dados geográficos e tabulares, além de gerar mapas e gráficos com qualidade cartográfica.

Mais informações sobre o curso pelo e-mail  ou (11) 5574 - 0399

Para baixar o software gratuitamenteacesse o site

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP