sexta-feira, 17 de junho de 2011

Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação é lançada


A Frente Parlamentar da Pesquisa e Inovação (FPPI) não tem apelo popular, é uma área que deve ter o envolvimento da sociedade para que se possa compreender que a transformação do conhecimento em novos produtos e processos é importante para o país. A afirmação é do coordenador da frente, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que lançou a FPPI ontem (15), em Brasília (DF).

Segundo ele, uma das prioridades este ano será aperfeiçoar o assessoramento das comissões, assim como atualizar a agenda parlamentar de 2010. São 276 proposições que envolvem a área de ciência e tecnologia e que estão nas comissões tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal.

Outra ação será propor que o governo lance o PAC da Pesquisa, visando alcançar em nove anos 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) investido em C&T. “Se acrescentarmos 10% ao ano, em nove anos teremos aquele percentual, que é um índice dos países desenvolvidos. A frente vai conduzir o discurso para que o governo possa absorver”, disse Piau.

O deputado acredita que a figura do ministro Aloizio Mercadante é fundamental para se avançar no setor de C&T. “Ele vem da área econômica e sabe que transformar conhecimento em tecnologia, produtos, processos e em patente é o que o país precisa. Ele sabe que temos uma rica biodiversidade e que podemos transformar isso em produtos comerciais”, ressaltou.

Para Mercadante, a FPPI será uma parceira, principalmente ao trazer para discussão a questão orçamentária, a preocupação com o investimento em pesquisa e inovação. De acordo com o ministro, no último orçamento foram cortados R$ 610 milhões do setor de C&T e aumentados recursos em outras áreas que, segundo ele, não tem a mesma prioridade estratégica.

Mercadante reiterou que o Brasil não pode ser um simples produtor de commodities. “Temos que disputar as áreas de média e alta tecnologia. E recursos no orçamento são decisivos para que a gente possa fazer isso. Então essa frente vai ser uma parceira muito importante nessa disputa”.

O ministro voltou a defender que os royalties do petróleo sejam divididos. Para ele, não tem sentido que os mesmos sejam destinados apenas aos Estados produtores e, ainda que se reparta uma parte para os Estados e municípios, a prioridade tem que ser educação e ciência e tecnologia.

“No futuro não se terá mais petróleo, as próximas gerações seguramente não vão ter o pré-sal. O que vamos deixar para eles? Vamos usar esses recursos para pulverizar na máquina pública ou vamos investir nos setores estratégicos? Se a lei ficar como está agora, a C&T perderia já este ano R$ 900 milhões e em nove anos seriam R$ 12,2 bilhões”, disse.

Competitividade
Para competir com os baixos preços dos produtos chineses, Mercadante aposta na inovação como peça fundamental. Segundo ele, a China é um país que tem um 1,3 bilhão de pessoas e um mercado interno muito forte, além de ser um país que soube exigir transferência de tecnologia e criou uma base industrial bastante consistente. Para o ministro, é preciso investir fortemente em PD&I.

“Temos que exigir mais pesquisa do setor automotivo, somos a 5ª indústria no mundo; mais pesquisa e desenvolvimento no setor de tecnologia da informação, somos o 3° mercado em vendas de computadores; o 5° mercado no setor de telecomunicações. Portanto, o Brasil não pode simplesmente aceitar importar equipamento”, frisou. Ele defende que os incentivos fiscais e financiamentos públicos só sejam concedidos para quem produz no Brasil e investe em P&D.

Secretaria executiva
A ABIPTI será responsável pela secretaria executiva da FPPI. A Associação, que reúne cerca de 200 entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação de todo o país, fará a articulação entre as demandas do setor e a frente parlamentar. A ABIPTI foi representada na ocasião pela presidente Isa Assef dos Santos.

Fonte: Isadora Lionço/  Gestão CT

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