quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ipea - analise dos gargalos das políticas de inovação

Os instrumentos públicos de incentivo e financiamento à inovação no setor produtivo brasileiro são considerados modernos e semelhantes aos adotados nos países de primeiro mundo, mas seus resultados ficam aquém das expectativas criadas. A análise é da 13ª edição do boletim Radar – Tecnologia, Produção e Comércio Exterior – divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Os fatores que respondem a baixa inventividade na produção industrial brasileira são basicamente: aversão ao risco; reduzida orientação para o mercado exterior e elevada participação de empresas multinacionais em segmentos intensivos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), isso porque estas companhias costumam manter seus centros de pesquisa nos países mais desenvolvidos.

O instituto também destaca que os instrumentos legais e financeiros criados no país, desde a década de 1990, para incentivar a inovação no setor produtivo não foram concebidos de modo estratégico, mas sobe uma lógica simplista de modelo de inovação.

“As políticas prescritas tinham um caráter instrumental: bastaria alocar recursos financeiros nas atividades de pesquisa básica, usar o poder de compra do Estado em setores estratégicos, como o militar, e aguardar os transbordamentos naturais em direção às demais atividades econômicas”, coloca Luiz Ricardo Cavalcante, do Ipea.

Os requisitos para aplicação dos mecanismos de concessão de bolsas de pesquisa, por exemplo, envolvem mais a publicação de artigos, ou seja, a produção científica, do que a produção de tecnologia (patentes obtidas) pelo pesquisador. Segundo dados de 2009, de 13.433 projetos aprovados e participantes dos fundos setoriais, apenas 1.831 (13,6%) contavam com a participação de empresas.

Fonte: ANPEI

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