quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CNPq e Sebrae: edital de apoio ao projeto Agentes Locais de Inovação

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com apoio do CNPq, irá lançar Edital no valor estimado de R$ 42,9 milhões. A idéia é selecionar novos talentos e profissionais recém formados (de zero a três anos de formado) para atuarem como Agentes Locais de Inovação (ALI). Estes agentes, selecionados e capacitados pelo Sebrae, terão por objetivo acompanhar pelo período de 24 meses empresas de um mesmo segmento empresarial, localizadas em um mesmo território urbano.

Os Agentes Locais de Inovação, contratados como bolsistas pelo CNPq, terão um papel fundamental, pois vão atuar em conjunto com os empresários, levando soluções inovadoras para promover assim maior desenvolvimento e competitividade das micro e pequenas empresas na região e segmento em que irão atuar. Os Agentes buscarão aumentar a competitividade das empresas, por meio da difusão de informações sobre inovação; tecnologia e aplicação de soluções Sebrae, parceiros e mercado, de acordo com as características de cada negócio.

O Processo seletivo será composto por quatro etapas: na primeira fase uma comissão irá analisar os currículos dos candidatos, tendo esta caráter eliminatório; na segunda, haverá uma avaliação dos Conhecimentos; a terceira etapa será composta por provas situacionais, com dinâmicas de grupo; e a quarta e última fase serão realizadas entrevistas.


Após estás etapas serão convocados para participar do programa de formação do Sebrae os candidatos que obtiveram melhores resultados. Este programa se inicia com uma capacitação técnica preparatória de caráter seletivo, focada no desenvolvimento de competências integrando as dimensões do conhecimento humano.

Durante o curso, os selecionados serão avaliados e a depender do desempenho serão classificados e contratados os primeiros colocados, ficando os demais em um cadastro reserva. Candidatos não aprovados no período de capacitação serão automaticamente desligados do Programa. O resultado do processo seletivo será por meio de lista nominal, constando a classificação final de todos os candidatos, e estará disponível no site da empresa responsável pelo Processo Seletivo, em endereço eletrônico previamente informados e em prazo determinado.


A contratação e administração do contrato de bolsistas serão de responsabilidade do CNPq que, por meio de processo de validação dos candidatos, efetuada pelo Coordenador Nacional do Programa, indicará os bolsistas ao CNPq. Os candidatos selecionados e contratados irão trabalhar nas regiões previamente definidas de acordo com o Programa.

Os selecionados serão contratados como bolsistas pelo CNPq, na modalidade de bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora (EXP). Estas bolsas são destinadas à formação e capacitação de recursos humanos e à agregação de especialistas que contribuam para a execução de projetos de pesquisa ou desenvolvimento tecnológico, assim como atividades de extensão inovadora e transferência de tecnologia.

Durante o período em que atuarem como Agentes Locais de Inovação, os profissionais deverão realizar as seguintes atribuições: realizar visitas e diagnósticos; elaborar relatórios, buscar informações que subsidiem o atendimento a empresa, prospectar fontes de recursos e de apoio para atendimento às empresas, interagir com os interlocutores que tenham interface com o segmento empresarial atendido; Contribuir para elaboração e acompanhar o plano de trabalho da empresa atendida; Orientar a empresa atendida na elaboração de projetos de inovação; Participar de reuniões de acompanhamento, dentre outras atividades que serão especificadas no Edital.

Fonte: TN Petróleo

3ª Reunião do Comitê Conjunto Brasil-Japão para Cooperação Científica e Tecnológica

Reunião em Brasília aproxima Brasil e Japão na área de C&T

Aconteceu nesta semana em Brasília (DF), nos dias 15 e 16, a 3ª Reunião do Comitê Conjunto Brasil-Japão para Cooperação Científica e Tecnológica. O objetivo foi fortalecer a relação estabelecida em 1984 entre os dois países na área de C&T.

Foram tratados durante o encontro acordos nos setores de tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia e saúde. A parceria prevê o intercâmbio de pesquisadores, entre outras atividades.

Trata-se do terceiro encontro realizado entre as duas nações e de acordo com o MCT poderá resultar na formulação de um programa conjunto na área de ciências do mar. Dentro desse projeto, caberá ao Japão disponibilizar equipamentos científicos e meios flutuantes para a realização de pesquisas, treinamento e capacitação de pessoal.

Áreas de interesse
Ainda segundo o ministério, o Japão tem interesse em trocar conhecimento na área de agricultura tropical. Neste sentido, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) poderá envolver o Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio em programas de pesquisas integradas e convergentes em nano e biotecnologia com o Japão.(Com informações do MCT) 

Fonte: Gestão CT

Aloizio Mercadante é confirmado para o MCT

A presidente eleita Dilma Rousseff confirmou nesta quarta-feira (15), o nome do senador Aloizio Mercadante (PT) para assumir o MCT no próximo governo. Formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Campinas (Unicamp), Mercadante tem 20 anos de vida parlamentar.

Nas disputas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989 e 2002, participou da elaboração do programa de governo e atuou como um dos principais coordenadores. No Senado Federal desde 2002, Aloizio Mercadante sempre ocupou cargos estratégicos para o governo Lula. De 2003 e 2006 fez o papel de interlocutor direto do Executivo com a Casa, na condição de líder do governo. Em 2008, foi indicado pelo PT para a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O novo ministro da C&T também tem alguns projetos ligados à área em tramitação no Senado. Está pronto para votação em plenário, por exemplo, projeto de lei que leva a internet rápida para 55 mil escolas urbanas e rurais de todo o país. Pela proposta, a execução desta meta seria bancada com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).(Com informações da Agência Brasil)

Fonte: Gestão CT

UNESP : 1º Fórum de Ciências Humanas

Para além dos números
É comum ouvir que haveria uma menor produtividade na pesquisa em ciências humanas em relação a outras áreas do conhecimento. Ou que a pesquisa feita em humanidades no Brasil não teria a penetração internacional das demais áreas.

Para debater pontos como esses, pesquisadores se reuniram no 1º Fórum de Ciências Humanas, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no fim de novembro. Os participantes analisaram eventuais entraves da pesquisa em humanas, como a falta de uma metodologia apropriada para medir a produção e a necessidade de projetos mais ousados na área.

Segundo os cientistas presentes, não se pode dizer que a produtividade nas humanidades seja menor do que as das demais áreas a partir de critérios meramente quantitativos.

Para o professor Luiz Henrique Lopes dos Santos, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), essa discussão tem se pautado na maior parte das vezes em análises superficiais de números.

“O mito da baixa produtividade está ancorado em uma leitura simplista dos dados, que ignora as especificidades de cada área. A questão é saber o que significa cada número em cada área e, por vezes, em cada linha de pesquisa”, disse.

Segundo o pesquisador, que apresentou dados sobre a produção de artigos científicos nos últimos anos, em muitas áreas a pesquisa é realizada em grupo e resulta em trabalhos de coautoria, o que não ocorre com frequência nas humanidades.

“A publicação de livros nas humanidades, por exemplo, é superior à de muitas áreas. Em um cálculo grosseiro, podemos dizer que um livro equivaleria a seis artigos. O problema é que um livro ou um artigo tem o mesmo peso de cálculo se forem citados em outras publicações”, disse Lopes dos Santos, que integra o quadro de Coordenadores Adjuntos da FAPESP.

Mariana Broens, professora de Filosofia da Unesp de Marília, também destacou a importância de se desenvolver pesquisas em conjunto em ciências humanas e questionou a forma como a pesquisa costuma ser feita. “Será que o modelo de produção solitária, individual e contemplativa pode responder aos desafios da contemporaneidade?”, indagou.

Internacionalização da pesquisa
Outro ponto considerado delicado pelos participantes do fórum, para a maioria das áreas em humanidades, foi a questão da internacionalização da pesquisa. “Em muitas áreas, a agenda interessante de pesquisa para o Brasil pode não coincidir com a pauta internacional dominante, mas pode coincidir com as agendas regionais”, disse Lopes dos Santos.

O pesquisador também destacou especificidades da produção em ciências humanas. Escrever em português, e não em inglês, por exemplo, pode ser visto como um entrave. Mas a forma do discurso nas humanidades não seria apenas um meio de transmitir um conteúdo, e sim um elemento constituinte da própria área.

“Em certas áreas, tem-se um discurso enxuto, recheado de termos técnicos. Nas humanidades, a qualidade do texto é inseparável do conteúdo. É muito difícil que alguém que não tenha o inglês como sua primeira língua escreva com a desenvoltura ideal para usar todos os recursos expressivos da filosofia e da literatura, por exemplo”, disse.

Lopes dos Santos buscou também desmistificar a ideia de que as humanidades são preteridas pelas agências de fomento à pesquisa. Citou dados dos Estados Unidos, onde o setor recebe 9% de todo o investimento anual em pesquisa. Na FAPESP, o percentual para esse segmento é de cerca de 11%. “E em geral os projetos em humanidades têm custo menor, porque não demandam aquisições de equipamentos caros”, ressaltou.

Entretanto, tem havido poucas solicitações de financiamento para projetos de pesquisa de médio e grande porte para as humanas. “Há espaço para projetos mais arrojados, principalmente em pesquisa aplicada em políticas públicas. Mas noto uma certa timidez dos pesquisadores em propor pesquisas mais ambiciosas”, disse.

“Ousadia é a palavra que a área de humanas precisa perseguir com mais afinco”, corroborou Maria José Giannini, pró-reitora de Pesquisa da Unesp. Segundo ela, é necessário reunir competências de diferentes unidades e instituições de pesquisa.

“Um caminho para isso seria divulgar mais os projetos, buscar contatos e parcerias e utilizar melhor as ferramentas de apoio que cada instituição oferece”, disse a também conselheira da FAPESP.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Ahmed Djoghlaf: O papel do Brasil na aprovação do Protocolo de Nagoya


Marco histórico
A importância do acordo conseguido no fim de outubro na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP10) – que teve participação decisiva de negociadores brasileiros – foi enfatizada pelo secretário-executivo da Convenção da Biodiversidade, Ahmed Djoghlaf, durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, em Bragança Paulista (SP).

Realizada pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a reunião, que termina no dia 15 de dezembro, marca o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade.

“Acredito que o Protocolo de Nagoya é um dos mais importantes acordos na história da humanidade. Ele terá um impacto sem precedentes no meio ambiente, porque está focado em incentivar quem protege a biodiversidade”, disse.

“Aqueles que detêm a tecnologia para utilizar os recursos naturais poderão desenvolver seus produtos, mas vão compartilhar os benefícios com os países que detêm a biodiversidade que, por sua vez, deixarão de ser apenas provedores de recursos genéticos para se tornar também beneficiários desses avanços”, completou.

De acordo com Djoghlaf, a expectativa é que o acordo construído em Nagoya seja assinado no dia 2 de fevereiro, na sede das Nações Unidas, em Nova York. “Esperamos assinar o protocolo sem demora, para assegurar o início do processo de ratificação. Queremos acelerar esse processo para que o acordo entre em vigor o quanto antes”, disse.

Segundo ele, o Protocolo de Nagoya deve ser ratificado por 50 países para que entre em vigor. O objetivo é que esse processo seja finalizado até a Rio+20, evento que marcará, em 2012, os 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92), reunião que consagrou mundialmente o conceito de desenvolvimento sustentável.

“Se conseguirmos viabilizar o protocolo até lá, terá sido uma grande realização no vigésimo aniversário da Rio-92. O Protocolo de Nagoya ainda não chamou a atenção que merece na sociedade, mas é um acordo importantíssimo de responsabilização de danos. Na prática, é a implantação efetiva do Princípio 13 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento”, disse Djoghlaf.

O Princípio 13 da Declaração do Rio estabelece que os Estados “devem desenvolver legislação nacional relativa à responsabilidade de indenização das vítimas de poluição e outros danos ambientais” e cooperar para “o desenvolvimento de normas de direito internacional ambiental relativas à responsabilidade e indenização por efeitos adversos de danos ambientais causados, em áreas fora de sua jurisdição, por atividades dentro de sua jurisdição ou sob seu controle”.

Djoghlaf também destacou a participação dos brasileiros nas diversas etapas do processo que culminou com a aprovação do acordo da COP10.

“Agradeço ao Brasil por suas iniciativas, sem as quais não teria sido possível a adoção do Protocolo de Nagoya. O país foi um dos principais líderes no processo e conseguiu convencer as partes a discutir e chegar a um acordo, evidenciando que não se tratava do fim, mas sim do início de um processo”, afirmou.

Segundo Djoghlaf, a própria gravidade da situação da biodiversidade mundial contribuiu para que se chegasse a um acordo no Japão. “Inúmeros estudos, incluindo várias pesquisas brasileiras, demonstram que a perda de biodiversidade continua se agravando e as mudanças climáticas levarão a uma situação ainda mais dramática. O Brasil, onde nasceu a Convenção sobre Diversidade Biológica em 1992 e onde será realizada a reunião de 2012, é um país que poderá nos ajudar muito a promover uma mudança significativa nesse cenário”, destacou.

Na COP10, de acordo com Djoghlaf, verificou-se que nenhum país conseguiu atingir as metas estabelecidas em 2002 na conferência Rio+10, em Johanesburgo (África do Sul). A preocupação agora é definir como efetivamente cumprir as metas para 2020, definidas pelo novo protocolo.

“O monitoramento será muito importante. Não vamos esperar até 2020 para concluir que fracassamos, como aconteceu em relação à implantação das metas de Johanesburgo. Haverá uma avaliação em 2015 – que coincidirá com a avaliação das Metas do Milênio. Esperamos que em 2015 tenhamos uma reunião com os chefes de estado dos países da Convenção, para redefinir o que será preciso para que as metas sejam atingidas. Durante todo esse período, haverá um processo de avaliação de relatórios nacionais”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

COP10 em Nagoya: As razões pelas quais se chegou a um acordo

Raio X da negociação
Na conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, , o subchefe da Divisão de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Maximiliano da Cunha Henriques Arienzo, procurou analisar as razões pelas quais a COP10 em Nagoya chegou a um acordo, surpreendendo as expectativas.

“A comunidade internacional talvez tenha mantido a calma suficiente para negociar os instrumentos que foram estabelecidos em Nagoya. Não tínhamos muita expectativa e isso ajudou, porque diminuiu a pressão dos negociadores do plano estratégico e das estratégias de mobilização de recursos necessários para viabilizar o acordo”, disse Arienzo, que foi o chefe da delegação brasileira e liderou a negociação em Nagoya.

“Além disso, tínhamos em mente o tempo todo que não estávamos apenas em busca de um resultado ambiental, mas também de um sucesso da diplomacia bilateral, que há muito tempo precisava de um resultado concreto como esse que conseguimos. Havia um espírito de compromisso durante a COP10 e os negociadores estavam claramente voltados para uma finalidade maior”, contou.

Arienzo destacou que três instrumentos importantes foram celebrados no acordo de Nagoya. O mais importante foi um protocolo sobre acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS, na sigla em inglês).

“O protocolo ABS foi a peça central de negociação. Além disso, foi aprovado o plano estratégico da Convenção da Diversidade Biológica para 2011 e 2012 e uma série de recursos adicionais associados a esse plano estratégico”, disse.

Segundo ele, a negociação começou antes da COP10, em uma reunião preparatória realizada em maio de 2010 em Nairóbi, no Quênia. Ali, percebendo que os impasses persistiriam os três ministérios – Itamaraty, Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Ministério da Ciência e Tecnologia –, assim como todos os representantes do Brasil na discussão, decidiram elaborar uma estratégia audaciosa.

“Com um princípio de boa fé e espírito de compromisso, o Brasil resolveu levar até o fim a negociação dos três elementos: protocolo ABS, plano estratégico e os recursos adicionais. Percebemos que, se um desses elementos não fosse concluído, inviabilizaria a conclusão dos três”, disse.

A posição brasileira foi tomada em conjunto com os outros países megadiversos, segundo Arienzo. “Com isso colocamos mais pressão nos países desenvolvidos, que foram para Nagoya com o claro panorama de que era preciso sair dali com algum acordo. Ficou claro que essa posição, de negociar os três fatores em conjunto, foi fruto de uma análise coletiva e transparente”, explicou.

O Protocolo de Nagoya, segundo ele, estabelece claramente os objetivos que serão adotados, estabelecendo um guarda-chuva de discussões, que serão aprofundadas a partir de agora.

“Os países mostraram vontade política para ter o protocolo ABS. O Brasil se destacou nesse aspecto, atribuindo uma importante ênfase na necessidade de termos uma legislação de repartição de benefícios”, disse.

A crise financeira global, que deixou os países desenvolvidos em uma situação de crise, segundo Arienzo, não atrapalhou a negociação relacionada ao financiamento para o cumprimento do Protocolo de Nagoya.

“Com a crise mundial, os países ricos pareciam ter a desculpa perfeita para se esquivar da discussão. Mas a própria experiência do mundo em desenvolvimento serviu para desmontar essa tese: nós vivemos com problemas financeiros há 500 anos e isso não nos impediu de buscar objetivos maiores. Passamos, também, a mensagem de que financiamentos não se fazem à vista. O ambiente de crise é algo que passa”, afirmou.

Os países desenvolvidos, segundo Arienzo, ofereceram uma linha de financiamento de quatro anos, que foi negociada para dois anos. O desenvolvimento da metodologia para calcular os valores será apresentado na reunião de trabalho que antecederá a COP11, marcada para 2012 em Nova Delhi, na Índia. Ali, espera-se que todos os países, em especial os desenvolvidos, adotem as metas financeiras para a distribuição de recursos voltados para o cumprimento de metas.

“O ‘pulo do gato’ é o desenvolvimento de uma metodologia que não distorça as metas financeiras. Minha sugestão é que para cada meta de estabelecimento de preservação ambiental seja atribuído um indicador financeiro. É preciso traçar um plano de negócios para que as metas sejam alcançadas”, disse.

Se não houver indicadores financeiros estabelecidos, segundo Arienzo, haverá pressão nos países que detêm a biodiversidade. “Se cumprirmos só 20% das metas, por exemplo, vamos sofrer pressão. Mas eventualmente poderemos demonstrar que isso aconteceu porque recebemos apenas 5% do financiamento necessário, segundo o indicador estabelecido. Aí vamos poder atribuir responsabilidades”, explicou.

Realizada pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a reunião, que termina no dia 15 de dezembro, marca o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Biota Neotrópica disponibiliza lista de espécies de vertebrados e invertebrados que compõem a biota paulista

Naturais do Estado de São Paulo
As espécies de peixes de água doce e marinhos, além de répteis, aves, mamíferos e anfíbios que existem no Estado de São Paulo acabam de ganhar “RG” e “comprovante de endereço”.

O programa Biota-FAPESP elaborou e disponibilizou na terça-feira (14/12), no site da revista eletrônica do programa, a Biota Neotropica, uma lista oficial e atualizada das espécies de vertebrados e invertebrados que compõem a biota paulista.

O anúncio foi feito pelo coordenador do programa, Carlos Alfredo Joly, durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada pelo Programa Biota-FAPESP juntamente com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Bragança Paulista (SP). A reunião, que terminou no dia 15 de dezembro, marcou o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade.

De acordo com Joly, inicialmente a lista é composta por espécies de cinco grupos de vertebrados – peixes de água doce e marinhos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos – e 21 grupos de invertebrados. Mas os números de espécies catalogadas devem aumentar já nos próximos meses.

“A lista está em construção. Logicamente que ela sempre será modificada e atualizada porque novas espécies vão ser descritas e encontradas”, disse Joly.

Até janeiro, os pesquisadores pretendem disponibilizar, também para consulta pela internet, a lista de 7,2 mil espécies de plantas fanerógamas (com sementes) que integram a flora paulista. E, posteriormente, a de outros grupos de plantas, como líquens, samambaias, musgos e algas.

Um dos principais objetivos da lista é ser uma referência científica das espécies de animais e plantas que ocorrem no Estado de São Paulo para estabelecer medidas de conservação.

A listagem poderá ser utilizada para a elaboração de uma relação de espécies ameaçadas, com os nomes científicos válidos e referendados, ou para melhorar os mapas de distribuição das espécies.

“Com essas listas, é possível identificar onde essas espécies podem ocorrer no Estado de São Paulo e verificar se os lugares onde elas podem habitar estão bem conservados ou não”, disse Tiago Egger Moellwald Duque-Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP.

Outra utilidade da lista, segundo Joly, será garantir a repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade entre os países onde isso foi decidido, que foi um dos maiores avanços da 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), realizada no fim de outubro em Nagoya (Japão).

A medida estabelece, por exemplo, que se uma molécula de uma determinada espécie de planta levar ao desenvolvimento de um produto pela indústria farmacêutica ou cosmética, os lucros deverão ser compartilhados com os países que demonstrarem que a espécie ocorre em seu território.

“É claro que haverá espécies que estão presentes em mais de um país e uma das maneiras de se comprovar onde determinada espécie ocorre é por meio de uma lista de espécies oficiais”, disse Joly.

Em função disso, conforme a meta estabelecida na Cúpula Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Johanesburgo (Rio+10), em 2002, os países deveriam ter apresentado este ano, em Nagoya, as listas oficiais de plantas, animais e microrganismos que ocorrem em seus territórios. Mas, a exemplo dos outros 16 países que apresentam alta biodiversidade – conhecidos como “megadiversos” –, o Brasil não conseguiu apresentar suas listagens completas.

“O que conseguimos apresentar foi uma lista parcial de espécies de plantas, que está disponível no site do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e que foi resultado de um esforço bastante grande. Mas não conseguimos avançar ainda nas listas de animais e, principalmente, de microrganismos, que é mais difícil de elaborar devida à quantidade muito grande de subespécies”, explicou Joly.

Segundo o coordenador do Biota-FAPESP, entre os principais obstáculos para a elaboração da lista oficial das espécies brasileiras está o trabalho de coordenação, que consiste em fazer revisões e correções dos dados das espécies, e o engajamento de pesquisadores para que contribuam.

Na opinião de Joly, uma das formas mais eficientes de elaborar a lista brasileira seria por meio das sociedades científicas, como as de zoologia, ictiologia e botânica, que poderiam realizar o trabalho de coordenação.

“O fato de São Paulo ter saído na frente será um incentivo para que outros estados também se animem a fazer suas listas, e isso deve acelerar o processo de elaboração da lista oficial de espécies brasileiras. Como todas as espécies do Estado de São Paulo já estão catalogadas, elas poderão ser automaticamente inseridas em uma lista nacional”, afirmou.

Novo sistema de informação

As listas das espécies de vertebrados e invertebrados do Estado de São Paulo começaram a ser produzidas na fase de planejamento do programa Biota-FAPESP, quando os pesquisadores envolvidos no projeto fizeram um levantamento sobre o que se conhecia da biodiversidade paulista até então. A pesquisa resultou na publicação, em 1999, da série Biodiversidade no Estado de São Paulo, composta por sete volumes.

Em 2009, por ocasião da comemoração dos dez anos do programa Biota-FAPESP, os coordenadores do projeto iniciaram o processo de atualização das informações da série. A iniciativa resultou na publicação das listas das espécies na internet em 14 de dezembro daquele ano.

De acordo com Joly, além de possibilitar à comunidade científica encontrar informações sobre as espécies do Estado de São Paulo reunidas em um único volume, as listas também exercerão o papel de dicionário no novo Sistema de Informações do Programa Biota-FAPESP, o SinBiota 2.0.

Desenvolvido no âmbito do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research, o novo sistema visa a diminuir erros de digitação dos nomes de novas espécies nas entradas de informação no SinBiota.

“Com o novo sistema e as listas atualizadas das espécies, no momento em que o pesquisador submeter uma planilha de espécies com nomes grafados de forma incorreta o sistema indicará que o nome cadastrado tem uma grafia diferente. Isso certamente reduzirá os erros de digitação, que acabavam causando confusão”, disse.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

Unicamp inaugura a Praça Tempo Espaço

O Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (MC-Unicamp) inaugurou, na segunda-feira (13/12), a Praça Tempo Espaço , área com equipamentos por meio dos quais os visitantes podem aprender mais sobre aspectos relacionados às duas dimensões.

Instalada em uma área de 900 m² que estava abandonada – ao ar livre e no ponto mais alto do campus da universidade em Campinas –, a praça oferece vista privilegiada de 360º por mais de 10 quilômetros no horizonte.

Concebido por uma equipe multidisciplinar, o novo espaço desdobra conceitos fundamentais associados às medidas da passagem do tempo, de localização geográfica e de objetos próximos ou distantes.

No novo local podem ser encontrados globo terrestre, mesa de bússolas, piscina de ondas, relógio de sol, teodolito e praxinoscópio, máquina por meio da qual é possível movimentar mecanicamente sequências de desenhos ou fotografias, repetindo o princípio usado pelo cinema.

De acordo com o diretor do Museu, professor Marcelo Firer, os instrumentos convidam os visitantes a aprender, de forma lúdica e interativa, artifícios científicos e tecnológicos desenvolvidos pelo homem ao longo dos séculos, para melhor dimensionar o tempo e o espaço.

Segundo a Unicamp, a expectativa é que a Praça atraia estudantes, sobretudo dos ensinos médio e fundamental. As visitas das escolas serão acompanhadas por monitores.

Fonte: Agência FAPESP

Carlos Chagas Filho: eventos comemoram o centenário de seu nascimento

Uma exposição e o lançamento de dois livros marcaram as comemorações do centenário de nascimento de Carlos Chagas Filho, médico, professor, diplomata e acadêmico, morto em 2000 aos 89 anos.

A exposição, que foi inaugurada na Casa de Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz, é apresentada em três ambientes. O primeiro é ambientado no escritório de Chagas Filho e reúne documentos pessoais, imagens e objetos representativos de sua trajetória pessoal e de suas atividades na área da cultura.

O segundo é o laboratório, com equipamentos reais e atividades interativas, representando as principais linhas de pesquisa implantadas por ele no Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do qual foi o criador.

No último ambiente, o visitante poderá ver detalhes da carreira internacional de Chagas Filho relacionados a temas como efeitos das radiações das bombas e dos testes nucleares, ciência e tecnologia a serviço do desenvolvimento, preservação ambiental, fome, miséria e desarmamento.

O livro Carlos Chagas Filho: cientista brasileiro, profissão esperança, de Nara Azevedo e Ana Luce Girão de Lima, é uma fotobiografia que narra a trajetória do médico humanista com destaque para a sua atividade profissional como pesquisador, professor, articulador e eficiente administrador do Instituto de Biofísica.

Recordações de Carlos Chagas Filho, de Darcy Fontoura de Almeida e Wanderley de Sousa, reúne uma coleção de depoimentos sobre o homenageado.

Aos 27 anos Chagas Filho se tornou catedrático de Física Biológica da Faculdade de Medicina. A partir da cátedra, criou, em 1945, o Instituto de Biofísica, onde articulou o ensino à pesquisa.

Foi nomeado embaixador do Brasil pela Unesco, em 1966, dedicando-se principalmente ao desenvolvimento cultural e científico dos países do Terceiro Mundo. Como presidente da Academia de Ciências do Vaticano lutou durante os 16 anos em que esteve no cargo pelo fim da corrida armamentista e pela paz entre os povos.

A mostra fica aberta à visitação na sala 307 do Castelo da Fiocruz, no campus de Manguinhos, de terça a sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e aos sábados, das 10h às 16h. Em maio a exposição poderá ser vista também na Casa da Ciência da UFRJ, em Botafogo. Em ambos os locais a entrada é gratuita.

Fonte: Agência FAPESP

IPT retoma ensaios de hélices em escala reduzida

O túnel de cavitação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), utilizado para testes navais, reiniciou as operações de prestação de serviços para ensaios de hélices em escala reduzida.

O túnel – que completou 47 de existência esse mês – consiste em um circuito fechado de água, fabricado em aço, montado de forma a permitir a instalação de um modelo de propulsor em sua seção de teste. A água em circulação dentro dele permite medir os parâmetros de operação do hélice (empuxo e torque).

Segundo o IPT, para retomar as atividades foram adquiridos novos equipamentos de medição para revitalizar os laboratórios do Centro de Engenharia Naval e Ocêanica (CNaval) do instituto.

A estrutura principal do túnel é a mesma desde 1963, com comprimento de 8 metros e 6 metros de altura. Mas a lista de equipamentos para os testes inclui agora células de carga, manômetros, uma nova bomba de vácuo para controle das condições internas e, principalmente, o sistema de velocimetria por imagem de partículas (PIV, da sigla em inglês), que é uma técnica que utiliza emissões de feixes de laser para a medição de campos de velocidade em escoamentos de forma não-intrusiva.

Paralelamente aos investimentos em nova instrumentação, os propulsores ensaiados no túnel de cavitação passaram a ser fabricados no próprio IPT com o auxílio da máquina de prototipagem rápida.

Moldes serão agora construídos no novo equipamento para a confecção de hélices de metal, um requisito necessário em razão das condições mais rigorosas do túnel de cavitação, acelerando o tempo de construção das peças e tornando viável o estudo de uma gama maior de geometrias dos modelos.

O túnel de cavitação foi inaugurado oficialmente em 12 de dezembro de 1963 pelo então governador de São Paulo, Adhemar Pereira de Barros.

Fonte: Agência FAPESP