segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Revista Estudos Avançados - contribuição da biotecnologia na medicina, agricultura e desenvolvimento sustentável

Faces da biotecnologia
Um dossiê inteiramente dedicado à biotecnologia é o destaque da 70ª edição da revista Estudos Avançados, lançada na última semana. Os textos já estão acessíveis em formato digital na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme).

A publicação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) aborda as principais conquistas e perspectivas da área em um conjunto de nove ensaios que discutem, sob diversos aspectos, o amplo espectro de aplicações da biotecnologia.

De acordo com o editor da Estudos Avançados, Alfredo Bosi, a biotecnologia é “uma das mais admiráveis conquistas da ciência contemporânea” e o interesse pelos estudos publicados no dossiê não se limita à comunidade científica.

“Eles constituem um referencial útil não só aos estudiosos de biotecnologia, mas também aos leigos, que esperam dessas pesquisas uma contribuição segura para o desenvolvimento sustentável e o trato da saúde pública”, disse Bosi.

Coordenado pelo fisiologista Luiz Roberto Giorgetti de Britto, ex-diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e vice-diretor do IEA, o dossiê se concentra em três vertentes: a relação entre biotecnologia e desenvolvimento sustentável; as múltiplas interações da biotecnologia com as práticas médicas, veterinárias e farmacológicas; e os usos da biotecnologia na agricultura.

Segundo Britto, os nove artigos, que foram assinados por alguns dos mais experientes pesquisadores brasileiros com contribuição significativa na área, foram escolhidos, em um primeiro momento, para cobrir principalmente a contribuição da biotecnologia para a medicina, a agricultura e o desenvolvimento sustentável.

“Evidentemente, os artigos não pretendem esgotar o assunto, que continuamente se amplia, com mais grupos se envolvendo em pesquisas biotecnológicas com forte apoio das agências oficiais de fomento à pesquisa, incluindo a FAPESP”, disse à Agência FAPESP.

Britto destacou que o dossiê responde à necessidade de tratar de um tema de grande importância para a sociedade de modo geral. “A motivação principal da revista foi ilustrar um tópico que a cada dia mais frequenta a mídia e a vida da população em geral, e que ainda é bastante desconhecido em suas metodologias, seu caráter interdisciplinar e suas possíveis contribuições para a sociedade”, destacou.

Ana Clara Guerrini Schenberg contribuiu com o artigo Biotecnologia e Desenvolvimento Sustentável, enquanto Mariana de Oliveira Diniz e Luís Carlos de Souza Ferreira abordaram o tema Biotecnologia Aplicada ao Desenvolvimento de Vacinas. Os três são professores do Departamento de Microbiologia do ICB-USP.

Rafael Linden, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro é o autor do artigo Terapia Gênica: o que é, o que não é e o que será. Células-Tronco Pluripotentes e Doenças Neurológicas é o tema de Alysson Renato Muotri, professor brasileiro do Departamento de Pediatria da Universidade da California em San Diego (Estados Unidos).

Planejamento de Fármacos, Biotecnologia e Química Medicinal: Aplicações em Doenças Infecciosas foi produzido por Rafael Guido, Adriano Andricopulo e Glaucius Oliva, todos professores do Instituto de Física de São Carlos, da USP.

Os professores do ICB-USP Carlos Frederico Martins Menck e Emer Suavinho Ferro contribuíram, respectivamente, com os textos A Nova Grande Promessa da Inovação em Fármacos: RNA Interferência Saindo do Laboratório para a Clínica e Biotecnologia Translacional: Hemopressina e Outros Peptídeos Intracelulares.

Biotecnologia Animal foi o tema do artigo de Luiz Lehmann Coutinho e Millor Fernandes do Rosário, ambos do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Também professores da Esalq, Helaine Carrer, André Luiz Barbosa e Daniel Alves Ramiro fecharam o dossiê com o artigo Biotecnologia na Agricultura.

Outros temas
A revista Estudos Avançados está alcançando a marca de 14 milhões de acessos aos seus artigos, de acordo com o editor assistente da publicação, Dario Luis Borelli, que comemora o fato de a revista estar entre as dez mais acessadas da SciELO.

“Na última avaliação faltavam 20 mil acessos para a marca dos 14 milhões, que já terá sido ultrapassada quando o mês de dezembro for contabilizado. Para nós editores essa constatação tem grande importância, pois mostra o impacto social dos artigos selecionados para a revista”, disse.

Além do dossiê sobre biotecnologia, a 70ª edição da revista traz uma série de textos variados que, segundo Borelli, refletem os interesses multidisciplinares do IEA.

“A seção Textos traz um balanço econômico da última gestão presidencial e o debate da situação do ensino superior no Brasil e no exterior. Há também um artigo sobre as classificações de universidades segundo diversos critérios e outros ensaios sobre história cultural, cinema e teatro”, afirmou Borelli.

A seção resenhas, segundo ele, remete às publicações recentes mais relevantes do cenário editorial. O destaque é a resenha feita por José Luiz Goldfarb sobre o livro Obras científicas de Mario Schönberg, no qual a carreira do proeminente físico brasileiro é apresentada por sua discípula Amélia Império Hamburger – professora aposentada do Instituto de Física da USP e colaboradora do IEA-USP.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

FMVZ - Unesp: Hospital para animais silvestres

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, terá um hospital exclusivo para animais selvagens.

Os recursos da ordem de R$ 4 milhões virão de uma parceria entre a reitoria da Unesp e a Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Um dos objetivos da unidade é atender animais silvestres vítimas de atropelamentos e de outros acidentes.

Segundo a Unesp, constantes desmatamentos e outras formas de degradação da natureza têm elevado o número de acidentes com tais animais e o projeto pretende mitigar em parte o prejuízo ambiental e preservar espécies.

As instalações terão centros cirúrgicos, laboratórios, aparelhos de diagnóstico por imagem, alojamento para estagiários e residentes, anfiteatro, cozinha industrial, recintos com solário adequados para internação de várias espécies e tanques com água para banhos.

Atualmente, os animais capturados são levados para uma ala dentro do hospital veterinário, que é voltado a espécies domésticas. Mas, segundo a Unesp, esse contato é delicado porque há o risco de transmissão de infecções, sobretudo dos domésticos para os selvagens. A nova estrutura permitirá ampliar o atendimento e evitar transmissão de doenças.

O novo hospital facilitará também a realização dos treinamentos oferecidos pela FMVZ a policiais ambientais, bombeiros, guardas municipais e funcionários da vigilância sanitária, profissionais a quem a população recorre quando um bicho silvestre é encontrado. O objetivo é capacitá-los para que durante as capturas seja preservada a integridade física e a saúde das pessoas e dos animais.

Fonte: Agência FAPESP

Química da USP seleciona professor

O Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) abriu concurso para o preenchimento de uma vaga para o cargo de professor doutor para o conjunto de disciplinas de química orgânica.

O programa do concurso é composto por temas como: Correlações estrutura-atividade; Síntese orgânica “verde”; Ligações químicas deslocalizadas; Intermediários reativos em química orgânica; Catálise em química orgânica; Formação de ligação carbono-carbono; Compostos bio-orgânicos; e Estereoquímica em química orgânica.

As inscrições devem ser feitas até o dia 19 de dezembro na Assistência Técnica para Assuntos Acadêmicos do Instituto de Química, localizado no pavimento superior do bloco 6, sala nº 667, no Conjunto das Químicas, na Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, em São Paulo.
 
Mais informações pelo email ou (11) 3091-3843.

Fonte: Agência FAPESP

Investindo no Futuro: O Programa Jovens Pesquisadores

Aposta da FAPESP no futuro
Voltado para a formação de novas lideranças científicas, o Programa Jovens Pesquisadores (JP) em Centros Emergentes, da FAPESP, apoiou 1.074 projetos de pesquisa desde sua criação, em 1995, até novembro de 2010. Informações sobre os 953 projetos apoiados até dezembro de 2009 estão reunidos no livro Investindo no Futuro: O Programa Jovens Pesquisadores, recém-lançado pela Fundação.

O livro se destina a pesquisadores interessados em conhecer os objetivos e fatores motivadores dos estudos apoiados entre 1995 e 2009. Os 953 projetos abrangem uma grande diversidade de temas em diferentes áreas do conhecimento e estão distribuídos em seis capítulos: Ciências Agrárias e Veterinárias (com 88 resumos de pesquisas), Ciências Biológicas (207), Ciências Exatas (261), Ciências Humanas (79), Engenharias (151) e Saúde (167). O último capítulo traz uma seleção de matérias sobre os projetos publicadas na revista Pesquisa FAPESP.

A FAPESP concedeu R$ 222,2 milhões a esses projetos, que foram selecionados entre 3.282 propostas recebidas ao longo de 14 anos, em uma demonstração do rigor característico da FAPESP na avaliação do mérito das propostas apresentadas e que nesse programa estão acentuados.

Com esse programa de pesquisa, a FAPESP oferece oportunidade de trabalho a doutores talentosos e de grande potencial, com propostas cientificamente sólidas, das quais se possa esperar a criação de novos núcleos de pesquisadores em instituições que ainda não têm tradição em pesquisa ou a criação de novas linhas de pesquisa em instituições que já têm tradição consolidada.

“Embora São Paulo ocupe posição de liderança em vários aspectos que favorecem o desenvolvimento da ciência e tecnologia, sua situação ainda não alcançou o patamar da nossa ambição. O Programa Jovens Pesquisadores é uma aposta da FAPESP no futuro. Formar novas lideranças científicas é uma estratégia de desenvolvimento. Nosso objetivo é estimular a formação de novas gerações de pesquisadores competentes e capazes de liderar novos grupos de pesquisa”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

Lafer ressalta que o número de doutores formados anualmente no Brasil arrefeceu nos últimos anos, o que deixa o país vulnerável, tendo em vista o desafio da velocidade do processo de conhecimento contemporâneo que requer sempre um número crescente de recursos humanos qualificados.

Daí a importância de iniciativas como o JP, que valoriza e gera condições de trabalho adequadas aos doutores, com possibilidade de ação conjunta com pesquisadores de outros países num empenho da FAPESP em estimular o aumento potencial do conhecimento e a consolidação de uma comunidade científica de excelência internacional.

Nesse sentido, o Programa também tem buscado estimular grupos que atuam em temas de fronteira e com inserção internacional ainda não cobertos por pesquisadores no estado.

“Queremos atrair jovens doutores do Brasil e de outros países, em um movimento oposto ao da evasão de cérebros que costuma marcar os países em desenvolvimento, de forma a fortalecer ainda mais o sistema de ciência e tecnologia do Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

O JP foi o primeiro no Brasil a permitir que pesquisadores em início de carreira pudessem solicitar apoio para desenvolver seus estudos sem que fosse exigido um vínculo empregatício com uma instituição. Essa característica contribui para a descentralização da produção científica ao facilitar o ingresso desses profissionais em instituições com potencial para desenvolver novas linhas de pesquisa, mas que nem sempre dispõem de vagas ou infraestrutura apropriada.

Como os jovens pesquisadores contam com Bolsa e Auxílio, podem colaborar com a graduação e a pós-graduação e o programa permite investimento em infraestrutura de pesquisa na instituição, o acolhimento desses doutores é interessante também para os centros de pesquisa. Para os jovens pesquisadores já vinculados às instituições, o apoio da FAPESP é concedido na modalidade auxílio à pesquisa.

Eficiência comprovada

Entre 2007 e 2008, uma amostra de 340 projetos do Programa JP – 86% dos concluídos entre 1996 e 2007 – foi avaliada pelo Grupo de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi), do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os resultados da avaliação comprovaram que os principais propósitos dessa iniciativa estão sendo atendidos:

* Perfil dos pesquisadores: maioria com idade média de 42 anos e 76% com pós-doutorado.
* Fixação dos pesquisadores em São Paulo: 42% foram contratados pela instituição acolhedora durante ou após o auxílio. Outros 26% já estavam contratados antes do auxílio e 19% foram contratados por outras instituições de ensino superior e pesquisa.
* Formação de novos núcleos de pesquisa: 70% dos jovens pesquisadores criaram ou impulsionaram outros grupos de pesquisa em São Paulo.
* Produção científica: considerando apenas as publicações em periódicos científicos decorrentes diretamente da pesquisa realizada no âmbito do programa, foram publicados mais de cinco mil textos em anais de eventos nacionais e internacionais, 42 livros, 211 capítulos de livros, 583 artigos nacionais e 1.988 internacionais.
* Resultados dos projetos: ao todo, 264 projetos geraram 469 resultados. Desses, 366 estão relacionados ao avanço do conhecimento, 21 à obtenção de novos produtos, 50 a novos processos, 20 a novos softwares e três a novos serviços. Foram relatadas 103 inovações, além de 36 direitos de propriedade intelectual, sendo 39 patentes.
* Impacto na instituição: a avaliação indica que o programa promove a consolidação das atividades de pesquisa da instituição acolhedora, desde o fortalecimento da infraestrutura à criação de novas áreas e linhas de pesquisa. Além disso, foram criados seis novos cursos de graduação, 92% dos jovens pesquisadores orientaram alunos de graduação ou pós, em mais de 4 mil trabalhos.
* Reconhecimento: 59 projetos receberam prêmios e distinções para o pesquisador e para a instituição.

Fonte: Jussara Mangini / Agência FAPESP