segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Classe D já é o dobro da A nas Ifes

Em 2009 os alunos do estrato social mais pobre eram cinco vezes mais que em 2002

A classe D já passou a classe A no número total de estudantes nas universidades brasileiras públicas e privadas. Em 2002, havia 180 mil alunos da classe D no ensino superior. Sete anos depois, em 2009, eles eram quase cinco vezes mais e somavam 887,4 mil.

Em contrapartida, o total de universitários mais ricos caiu pela metade no período, de 885,6 mil para 423, 4 mil. Os dados fazem parte de um estudo do instituto Data Popular. Renato Meirelles, responsável pela pesquisa, diz que essa é a primeira geração de universitários desta classe sócioeconômica. “Cerca de 100 mil estudantes da classe D ingressaram a cada ano nas faculdades brasileiras entre 2002 e 2009, e hoje temos a primeira geração de universitários desse estrato social”.

Essa mudança de perfil deve, segundo ele, ter impactos no mercado de consumo a médio prazo. Com maior nível de escolaridade, essa população, que é a grande massa consumidora do país, deve se tornar mais exigente na hora de ir às compras.

O estudo, feito a partir dos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizada pelo IBGE (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela, também, que as classes C e D atualmente respondem por 72,4% dos estudantes universitários. Em 2002, a participação dos estudantes desses dois estratos sociais somavam 45,3%.

São considerados estudantes de classe D aqueles com renda mensal familiar entre um e três salários mínimos (de R$ 510 a R$ 1.530). Os estudantes da classe C têm rendimento familiar entre três e dez salários mínimos. Já na classe A, a renda está acima de 20 salários mínimos (R$ 10.200).(Portal R7.com)

Fonte:Pedro Farnese/UFLA

Inovação em C&T é desafio para governos latino-americanos

Pela primeira vez, ministros e outras autoridades de nações da América Latina se encontraram para discutir o papel da ciência e da tecnologia na agenda socioeconômica de seus países. O resultado do encontro, encerrado na semana passada em Buenos Aires, mostrou que os países do continente consideram o setor uma área que incorpora componentes aplicáveis ao segmento produtivo e que, com isso, também pode abrir espaço à competitividade comercial.

Ana Paula Kobe, assessora de Ciência e Tecnologia da embaixada brasileira na capital argentina, participou do encontro e disse à Agência Brasil que o uso das ferramentas desse setor torna-se o grande desafio dos governos latino-americanos porque atualmente nenhum deles quer depender exclusivamente de suas exportações agrárias.

“Hoje, [ter] um grande componente tecnológico impulsiona as empresas”, disse a assessora. “Há 20, 30 anos, a Coreia do Sul investia pouco em ciência e tecnologia. Desde que o governo local passou a encarar o setor como prioridade, o país conseguiu estar entre os primeiros do mundo na área de inovação, da apresentação de propostas científico-tecnológicas que mudaram não apenas a própria Coreia do Sul, mas também chegaram ao resto do mundo.”

Ana Paula Kobe disse que os ministros e autoridades de ciência e tecnologia da América Latina assinaram uma Declaração de Buenos Aires que não é apenas um documento com afirmações genéricas distribuído ao fim de um encontro internacional. “O diferencial da Declaração de Buenos Aires é que ela já identifica os temas prioritários para a cooperação dos países latino-americanos no setor de ciência e tecnologia. Entre eles estão as mudanças do clima, a segurança alimentar, as energias alternativas, a saúde e a prevenção de desastres naturais.”
 
Um exemplo de como a ciência e a tecnologia podem ser aplicadas na vida prática das pessoas é o uso da TV digital na prevenção de desastres naturais. Nas regiões do mundo onde ocorrem, com relativa frequência, abalos sísmicos, terremotos, enchentes e outras fenômenos da natureza, a TV digital pode servir como ferramenta para o envio de alertas e informações sobre segurança para que os cidadãos tenham tempo suficiente de procurar abrigo.
 
Segundo Ana Paula Kobe, esta é uma aplicação da ciência e da tecnologia que entra no cotidiano das pessoas, tornando-se uma ferramenta de uso prático e não apenas uma complicada fórmula de laboratório. “Uma pessoa pode estar usando uma roupa que é mais resistente ao desgaste porque foi produzida dentro dos princípios da nanotecnologia [área da ciência que manipula o próprio átomo para a produção de novos materiais e estruturas químicas]”.

Os ministros e autoridades de ciência e tecnologia da América Latina reunidos em Buenos Aires propuseram a criação de um grupo para elaborar uma agenda de trabalho. Esse documento deverá estar pronto até março de 2011, quando os ministros de Ciência e Tecnologia que participaram do encontro em Buenos Aires estarão novamente reunidos, desta vez na cidade mexicana de Guanajuato.

“A estimativa é que um ano de produção na indústria tecnológica corresponde a sete anos de qualquer outra indústria. Não há tempo a perder. É preciso ser rápido e os países latino-americanos estão conscientes de que devem se apressar para fazer da ciência e da tecnologia um componente importante da sua agenda produtiva”, justificou a assessora.

Fonte: Agência Brasil

COPPE/UFRJ: Centro de Simulação de Guindastes Portuários e Offshore do Brasil será inaugurado

A Virtualy, empresa especializada em simuladores, inaugura no dia 9 na Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ, o primeiro Centro de Simulação de Guindastes Portuário e Offshore desenvolvidos com tecnologia totalmente nacional. O Centro será o primeiro desta categoria no Brasil e vai funcionar como ambiente de treinamento para operações em guindastes de bordo, portainer, ponte rolante e caminhões. Os simuladores estarão disponíveis para empresas, escolas e pessoas físicas, interessadas em locar os equipamentos para treinamento de mão-de-obra qualificada.

O centro terá dois simuladores com projeção em cave (caverna digital) e duas estações de mesa para operação a partir de monitores interligados, os dois formatos servem como base para operar diferentes modelos de guindastes. Os simuladores apresentam situações que podem ser vivenciadas durante o exercício da função, como procedimentos padrões de manipulação da carga, carga e descarga de navio, condicionamento em situações de emergência e condições adversas de clima, entre outros.

O treinamento no ambiente portuário e offshore é importante, principalmente, para garantir segurança e agilidade nas operações, reduzir custos e aumentar a produção, já que os treinamentos não precisam mais serem feitos no próprio equipamento real ou fora do Brasil, como atualmente acontece.

A tecnologia comercializada pela Virtualy foi desenvolvida no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia - LAMCE/COPPE. Os simuladores funcionam a partir de uma réplica de cabine com todos os comandos ativos integrados a um sistema de visualização avançado. O cenário virtual em 3D, que pode ser projetado em cave ou em monitores interligados, simula sons e condições meteorológicas em tempo real. Os cenários são reproduções do ambiente de portos brasileiros, entre eles o porto de Santos e do Rio de Janeiro, Portocel Espírito Santo.

A Samplling Planejamento, empresa de treinamentos, é parceira da Virtualy e será a primeira empresa a utilizar os simuladores do Centro de Simulação de Guindastes Portuários e Offshore para cursos de treinamento.

Fonte: TN Petróleo

São Paulo Advanced School on Primary Immunodeficiencies: Unraveling Human Immuno-Physiology


Tolerância imunológica e intrigante
Em 1997, o gene AIRE (“regulador autoimune”, em inglês) foi identificado como responsável pela suscetibilidade a uma rara doença. Desde então, novos estudos têm revelado evidências de que o gene está profundamente envolvido com um mecanismo fundamental para as doenças autoimunes em geral: a tolerância imunológica.

De acordo com uma das principais especialistas no assunto em todo o mundo, Diane Mathis, da Escola de Medicina da Universidade Harvard (Estados Unidos), a descoberta mais recente sobre o gene AIRE é intrigante: o gene é expresso ao longo de toda a vida, mas só causa a doença caso não seja expresso logo após o nascimento.

“Fizemos uma linhagem especial de camundongos nos quais podemos ‘ligar’ e ‘desligar’ o gene. Descobrimos, para nossa grande surpresa, que o AIRE precisa ser expresso apenas por um curto período de tempo após o nascimento – se isso não ocorrer, o animal pode ter doenças autoimunes. Mas se o gene é ‘desligado’ mais tarde, não faz diferença alguma”, disse.

A descoberta foi feita em 2009 e os especialistas ainda estão tentando conhecer a diferença entre a expressão precoce e a expressão tardia do gene.

“Isso foi muito surpreendente e queremos descobrir por que o gene continua sendo expresso ao longo da vida, sem no entanto influenciar no aparecimento das doenças autoimunes. Estudar esse mecanismo será fundamental para compreender de fato a função do AIRE – que, por sua vez, poderá ensinar muito sobre mecanismos importantíssimos de tolerância imunológica”, explicou.

Diane esteve em São Paulo na semana passada, quando participou da São Paulo Advanced School on Primary Immunodeficiencies: Unraveling Human Immuno-Physiology, que reuniu, no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, 77 estudantes brasileiros e estrangeiros envolvidos com pesquisas relacionadas às imunodeficiências primárias.

O evento, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Instituto Gulbenkian de Ciência, de Portugal, foi organizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP.

Embora a poliendocrinopatia autoimune associada à candidíase e distrofia ectodérmica (APECED, na sigla em inglês) – a principal doença causada pela mutação no gene AIRE – seja bastante rara, os cientistas estimam que ela poderá ser uma oportunidade única para a compreensão da tolerância imunológica, um dos processos mais fundamentais do sistema imune.

A tolerância imunológica é o mecanismo que permite que o sistema imune seja capaz de distinguir os antígenos nocivos de suas próprias células e moléculas, impedindo que elas sejam atacadas pelas células T – glóbulos brancos especializados em coordenar a resposta imune contra tumores e agentes infecciosos. Quando a tolerância imunológica é suprimida, as doenças autoimunes aparecem.

“Sabemos que o gene AIRE controla a eliminação das células T, tendo um papel fundamental na tolerância imunológica. Mas o mecanismo molecular pelo qual esse controle é feito é algo muito intrigante. Começamos a ter alguma informação sobre como isso acontece, mas ainda não entendemos exatamente o mecanismo”, contou Diane.

De acordo com a cientista, se o mecanismo molecular AIRE for compreendido de forma precisa, esse conhecimento poderá fornecer opções de intervenção em pacientes de APECED, mas também de outras doenças.

“O gene não é importante apenas para o pequeno grupo de pacientes da APECED. Ele também é provavelmente fundamental para uma série de outras doenças ligadas à autoimunidade. Achamos que nesses casos não é o AIRE em si que está comprometido, mas algo nas vias moleculares”, disse.

Mecanismo de vigilância
Diane explica que há um mecanismo de tolerância central que ocorre no timo – órgão no qual são produzidas as células T – e um mecanismo de tolerância periférica que ocorre diretamente nos tecidos. O AIRE é fundamental para a tolerância central.

Outra molécula, a FOXP3, é fundamental para a tolerância periférica. Distúrbios ligados a ela também tornam os pacientes suscetíveis a várias doenças autoimunes.

“Sabemos que o AIRE é responsável por parte da tolerância, mas as células T circulam pelo corpo para detectar infecções e ali, na tolerância periférica, há outro mecanismo que envolve esse outro fator de transcrição, que é o FOXP3, responsável por cuidar de erros que possam ocorrer com a tolerância. É como um mecanismo de vigilância. Os dois mecanismos operam de forma complementar”, disse.

Para Diane, no entanto, o mecanismo molecular envolvido com o AIRE é o grande desafio, assim como os temas relacionados aos autoanticorpos e seu papel para a autoimunidade. Segundo ela, os problemas gerados pela mutação no gene são raros na população porque a doença não aparece caso apenas um cromossomo tenha a mutação.

“Podemos ter um casal sem qualquer sinal de doença autoimune, mas que tem a mutação. Quando eles têm um filho, a criança pode herdar a mutação do pai e da mãe e apresentar a doença, enquanto outros irmãos só herdam a mutação de um dos pais e não manifestam nenhum problema”, explicou.

De acordo com Diane, para que as pesquisas na área continuem avançando, é preciso investir não apenas nos projetos de pesquisa, mas no desenvolvimento tecnológico.

“Atualmente, fazemos coisas que antes eram tecnologicamente impossíveis. Podemos sequenciar todos os receptores e células T de uma pessoa, por exemplo, mas isso custa incrivelmente claro. Para fazer esses estudos em larga escala, será preciso investir em tecnologia e tornar esses procedimentos mais baratos”, afirmou.

Conhecimento compartilhado
Diane destacou que aumentar a interação entre os cientistas de várias partes do mundo será um fator essencial para o avanço do conhecimento sobre as doenças autoimunes. Para ela, a realização da São Paulo Advanced School on Primary Immunodeficiencies: Unraveling Human Immuno-Physiology representou uma dessas oportunidades.

“Escolas como essa, que reúnem cientistas de várias partes do mundo – e permitem um contato mais prolongado que em congressos e conferências –, são fundamentais. Todos nós aprendemos muito e essa interação possibilita colaborações valiosas”, afirmou.

Segundo Diane, até mesmo os casos de estudo apresentados pelos estudantes lhe trouxeram novas informações. “Estou aprendendo muito, porque pude ter contato com estudos relacionados a aspectos e abordagens que não haviam sido tratados por outros grupos”, afirmou.

A coordenadora do evento, Magda Carneiro-Sampaio, professora do Departamento de Pediatria da FMUSP, ressaltou que a presença de Diane foi um dos principais destaques da Escola. “Diane é hoje a maior estudiosa do fenômeno da tolerância imunológica central, no qual o gene AIRE exerce um papel crucial”, disse.

Geraldo Passos, das Faculdades de Odontologia e de Medicina, ambas da USP em Ribeirão Preto, também destacou a participação da cientista norte-americana. “A professora Diane é hoje a principal especialista sobre o gene AIRE. A participação dela no evento foi uma oportunidade muito importante, especialmente para os alunos”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Prêmio Natura Campus de Inovação Tecnológica 2010

Pesquisa colaborativa reconhecida
A Natura anunciou nesta terça-feira (02/12), em São Paulo, os vencedores do Prêmio Natura Campus de Inovação Tecnológica 2010.

O primeiro lugar ficou com o projeto “Metodologia não invasiva do diagnóstico da pele”, coordenado pelo pesquisador Anderson Zanardi de Freitas no Instituto Nacional de Pesquisas Nucleares (Ipen). O projeto “Projeto de permeação cutânea”, coordenado pela professora Maria Vitoria Bentley na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), ficou em segundo.

Em terceiro lugar ficou o projeto "Bioprospecção do potencial aromático de espécies nativas do bioma Mata Atlântica no estado de São Paulo: ocorrência, taxonomia, caracterização química, genética e fisiológica de populações”, coordenado pela Márcia Ortiz Mayo Marques no Instituto Agronômico (IAC).

Os três vencedores do prêmio ganharam um curso na área de inovação tecnológica na Sloan School of Management do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos.

Lançado em 2007, o prêmio é concedido a cada dois anos a projetos escolhidos entre os finalizados e desenvolvidos por universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior em parceria com a Natura.

Nesta edição, concorreram projetos realizados por pesquisadores da USP, IAC, Ipen, Universidade Estadual de Campinas, Universidade de Caxias do Sul, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Laboratório Nacional de Biociências e Universidad Tecnica Particular de Loja (Equador).

Os trabalhos foram avaliados por uma comissão formada por assessores internos e externos de órgãos de fomento à pesquisa e de reconhecidas instituições de ensino e pesquisa. Os critérios para seleção dos vencedores foram a qualidade dos resultados e objetivos do projeto, a consistência técnica e diferenciação e a intensidade da inovação.

Como reconhecimento pelo estímulo à parceria entre instituições de pesquisa e empresas em projetos colaborativos, a FAPESP também foi homenageada na cerimônia de anúncio dos ganhadores do prêmio, que ocorreu na sede da Natura, em Cajamar, como um órgão de fomento à inovação.

A homenagem foi feita na forma de um troféu, recebido pela assistente técnica da Diretoria Científica da FAPESP, Patricia Pereira Tedeschi, que representou a FAPESP no evento.

PITE e empresa

O projeto coordenado por Márcia Ortiz contou com financiamento do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP.

Desenvolvido ao longo de três anos, o objetivo do projeto multidisciplinar foi identificar no bioma da Mata Atlântica do Estado de São Paulo espécies de plantas aromáticas que podem ser fontes para o desenvolvimento de novos óleos essenciais para a indústria de cosméticos.

Para atingir esse objetivo, cerca de 25 pesquisadores envolvidos no projeto realizaram um levantamento da diversidade genética de espécies de plantas com potencial aromático existentes na Mata Atlântica por meio de avaliações da composição química, olfativa e da atividade antimicrobiana e antioxidante. E, após identificar e selecionar algumas espécies, iniciaram estudos sobre como cultivá-las em grande quantidade, sem comprometer suas matrizes, na mata.

“Foi a primeira vez que foi feito um levantamento de espécies com potencial aromático no bioma da Mata Atlântica. Por meio desse trabalho de bioprospecção também foi possível conhecer melhor a diversidade química dessas plantas que são encontradas em diferentes lugares no Estado de São Paulo”, disse Márcia.

A pesquisadora afirma que foi muito positiva a experiência de realizar um trabalho de pesquisa cooperativo e co-financiado com uma empresa. E avalia que programas como o PITE são fundamentais para estreitar as relações entre instituições de pesquisa e empresa

“A partir do momento que uma instituição de pesquisa trabalha em parceria com uma empresa, o processo de desenvolvimento de um produto é muito mais rápido e focado. O trabalho integrado possibilita o intercâmbio de ideias e o aprendizado de ambas as partes envolvidas”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

Prêmio FCW de Ciência e Cultura 2010: divulgados os ganhadores

A Fundação Conrado Wessel (FCW) divulgou os vencedores do Prêmio FCW de Ciência e Cultura 2010.

O ganhador na categoria Ciência foi Jairton Dupont, professor associado do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IQ-UFRGS). Em Medicina, a escolhida foi Angelita Habr-Gama, professora titular de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O cineasta Nelson Pereira dos Santos ganhou em Cultura.

Todos receberão R$ 300 mil e o troféu FCW em cerimônia na Sala São Paulo, na capital paulista, no dia 13 de junho de 2011. Os ganhadores da categoria Arte serão escolhidos em março.

Dupont é formou-se em química pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e doutorou-se pela Universidade Louis Pasteur de Strasbourg (França). O pós-doutoramento foi feito no Dyson Perrins Laboratory na Universidade de Oxford (Inglaterra). Desenvolve projetos de pesquisa em catálise e publicou mais de 160 artigos em periódicos internacionais.

O pesquisador tem 13 patentes e seus trabalhos publicados entre 1996 e 2006 receberam mais de 6 mil citações. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 2005, recebeu a medalha Simão Mathias da Sociedade Brasileira de Química e foi contemplado com o Humboldt Young Research Award (Alemanha). Em 2007, ganhou o prêmio Scopus da Elsevier-Capes e, no ano seguinte, a medalha do Journal of the Brazilian Chemical Society, o Prêmio Finep Inventor-Inovador e o World Intellectual Property Organization Award.

Angelita Habr-Gama realizou o doutorado e a livre-docência na Faculdade de Medicina da USP. É presidente da International Society of University Colon and Rectal Surgeons (2008-2010) e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Foi indicada pela Organização Mundial de Gastroenterologia como coordenadora no Brasil do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal. Fundou e preside a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino.

Entre outras distinções, é membro honorário da American Surgical Association desde 2002 – foi a primeira mulher a receber esse título – e do American College of Surgeons, desde 2004. Foi a primeira médica latino-americana e a primeira mulher a integrar o seleto grupo de 17 membros honorários da European Surgical Association, em 2006. Criou a Disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da FMUSP (leia entrevista publicada por Pesquisa FAPESP com a cientista).

Cineasta imortal
Nelson Pereira dos Santos é também imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), o primeiro diretor de cinema a entrar para a Casa fundada por Machado de Assis.

Santos talvez seja o cineasta que mais levou às telas trabalhos de escritores brasileiros, como Vidas Secas, livro de Graciliano Ramos considerado também uma obra-prima do cinema nacional (leia entrevista).

Paulistano, é doutor honoris causa da Universidade de Paris X – Nanterre e professor emérito da Universidade Federal Fluminense. Fez 25 filmes. O primeiro foi o curta-metragem Juventude, em 1949; o mais recente é de 2009, o documentário Português, a língua do Brasil.

Os três vencedores do Prêmio FCW foram escolhidos pelo grande júri formado pela FCW, FAPESP, ABL, Academia Brasileira de Ciências (ABC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

UFSCar: Revista GEMInIS é lançada

O Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som (PPGIS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançará nesta terça-feira (7/12) a primeira edição da Revista GEMInISM, voltada à publicação de artigos que tratam da produção de mídias audiovisuais para múltiplas plataformas.

De periodicidade semestral, o veículo eletrônico é organizado pelo Grupo de Estudos sobre Mídias Interativas em Imagem e Som (GEMInIS), coordenado pelo professor João Massarolo do Departamento de Artes e Comunicação.

Segundo os editores, a Revista GEMInIS busca aproximar o discurso acadêmico da realidade do mercado contemporâneo da comunicação, seja do grande produtor ao consumidor gerador de conteúdos.

A publicação aceita contribuições em três categorias: artigos científicos, produção artística e resenha de obras. Cada edição contempla um dossiê a partir de uma temática específica, além de um espaço para artigos de abordagens diversas.

Convergência midiática, contribuições sobre a narrativa audiovisual e a cultura participativa, questões sobre a ficção seriada, os novos formatos de narrativa transmidiática, a web e os novos espaços de circulação da produção audiovisual, assim como a produção cinematográfica, televisiva e de videogames são alguns dos temas centrais da revista.

A primeira edição da revista traz como tema a ficção audiovisual seriada. “A ficção seriada diante da convergência tecnológica e midiática”, “Telenovela brasileira: fascínio, projeção e identificação”, “Quando a história vira entretenimento”, “Os efeitos sonoros no seriado House M.D” são alguns dos artigos presentes na primeira edição.

Fonte: Agência FAPESP

O mito do original

Roberto Nicolsky*
A inovação tecnológica acontece quando desenvolvemos um produto novo, certo? Errado. De um lado temos a invenção radical: o novo, o original, o inédito. De outro, a inovação, que é a introdução do novo em algo que já existe. Temos um produto inovado, portanto, quando aperfeiçoamos um modelo, introduzindo melhorias em um produto já existente. Se o assunto é inovação, a busca da originalidade só atrapalha.
Ser criativo é muito bom e alimenta nossa vaidade. O problema é que não ‘se dispõe de termos ideias geniais todos os dias. Os prêmios e editais que privilegiam a originalidade dos projetos de inovação prestam um enorme desserviço ao reforçar este modelo da criatividade e da inventividade, inviável como base para políticas públicas de inovação tecnológica. Mais do que perseguir a grande ideia, rara e imprevisível, é importante buscar o crescimento da taxa de incorporação de pequenas inovações nos produtos, em um processo contínuo e diário, começando pela agregação das inovações introduzidas nos produtos concorrentes.
Um exemplo é a evolução do telefone celular, que teve início na década de 1960, na Suécia. O aparelho pesava 40 quilos e era instalado em porta malas de carros. A partir daí, houve uma agregação contínua de pequenas melhorias até o celular se transformar no que é hoje. Os de última geração envolvem cinco mil patentes, e nenhum dos atuais grandes players desse segmento participou da criação do sistema. O desenvolvimento de inovações se reflete no crescimento do PIB do país e no aumento da exportação de produtos com maior valor agregado. Para que isso aconteça no Brasil, temos que privilegiar o aperfeiçoamento de processos e produtos, e não a originalidade.
A inovação deve ser incorporada sem demora para se traduzir em vantagem competitiva. O produto gerado a partir da invenção original, que exige investimentos de longo prazo, é ultrapassado rapidamente pelo concorrente que inova. A busca pela ideia inédita, estimulada por quase todos os editais de inovação publicados pelas entidades de fomento, deveria ser substituída pelo critério da rápida inserção no mercado. Ao contrário do que diz o senso comum, inovação não tem a ver com a criatividade do inventor, e sim com a capacidade da empresa de atender antes da concorrência as demandas do mercado. É uma questão de competência e gestão tecnológica.
O desenvolvimento de uma cultura da inovação depende, basicamente, da compreensão de que o aumento da taxa de inserção de produtos aperfeiçoados no mercado é critério mais relevante do que a originalidade; e também de se promover a criação de linhas de produção contínua de inovações nas empresas. Enquanto a primeira inovação é lançada no mercado, a segunda é incorporada à produção e uma terceira já pode estar em pesquisa e desenvolvimento, em um processo incessante e rápido. Porém, para que este modelo prevaleça é necessário modificar profundamente as atuais políticas públicas de apoio à inovação. Se o objetivo do governo é aumentar a competitividade e acelerar o crescimento econômico, terá que elaborar programas de apoio à inovação em conjunto com o setor produtivo e eleger instituições mais próximas dele para dialogar com as empresas. 

* Físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec)

UFRJ: novos tratamentos de doenças do fígado

Estudo abre caminho para novos tratamentos de doenças do fígado
Um estudo realizado pelo pesquisador Bruno Paredes e orientado pelos professores Regina Coeli dos Santos Goldenberg e Antônio Carlos Carvalho, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, tem se mostrado útil na pesquisa de novos tratamentos para doenças hepáticas.

A pesquisa foi divulgada na defesa da tese de doutorado de Bruno Paredes, “Contribuição das células da medula óssea na lesão apática aguda”, defendida em fevereiro deste ano. O objetivo do estudo foi analisar o papel das células derivadas da medula óssea diante da lesão hepática, tema controverso para os pesquisadores da área.

“Em nossos estudos anteriormente publicados, observamos que a infusão tanto de células da fração mononuclear quanto células mesenquimais derivadas da medula óssea não apresentaram benefícios em modelos de lesão hepática crônica, como fibrose, esteatose e cirrose hepática. Atualmente, estamos investindo no estudo do potencial dessas células em modelos de fase aguda da doença, como hepatectomia, irradiação e intoxicação por tetracloreto de carbono”, afirma Regina Goldenberg.

“A iniciativa do estudo surgiu, portanto, do interesse em compreender a relação entre a medula óssea e o fígado em condições fisiológicas normais e frente à lesão hepática”, complementa Bruno Paredes.

A ideia era descobrir, através desta relação, se as células derivadas da medula óssea poderiam desempenhar um papel regenerador no tecido do fígado e na própria fibrogênese, um fenômeno no qual o tecido responde à lesão formando cicatrizes, que são prejudiciais ao órgão.

Os testes foram realizados em camundongos fêmeas, que sofreram transplantes para que sua medula óssea se tornasse verde fluorescente, de modo que toda e qualquer célula que fosse mobilizada para a circulação e chegasse ao tecido hepático, pudesse ser detectada por técnicas de detecção de fluorescência.

“A grande dificuldade envolve o estabelecimento dos modelos. Uma vez estabelecido, o restante é mais fácil. Para estudar a participação das células de medula óssea nesses modelos, estabelecemos um método de rastreamento dessas células no fígado”, afirma a professora Regina Goldenberg.

“Desenvolvemos uma maneira de rastreamento que consistiu no transplante de células de medula óssea de um animal transgênico, que produz a proteína verde fluorescente, em animais normais, que foram previamente irradiados para que sua medula óssea fosse extinta. Com isso, teríamos um animal em que apenas as células da medula óssea são verde fluorescente, enquanto o restante do organismo é normal”, explica Bruno.

A importância da pesquisa realizada é, basicamente, contribuir para novas descobertas com relação à regeneração do tecido do fígado e na redução da fibrogênese, ou seja, da formação de cicatrizes no fígado que, se forem crônicas ou de longa duração, podem causar uma cirrose.

Descobriu-se, por exemplo, que enquanto há lesão hepática, as células da medula óssea não contribuem para a formação da fibrogênese, uma informação importante para a aplicação terapêutica destas células. Por outro lado, descobriu-se também que as células da medula óssea estão indiretamente ligadas ao processo inflamatório que induz à fibrogênese, o que facilitaria a descoberta de modos de redução da lesão hepática e da produção de fibrose.

“Nosso estudo não pode contribuir diretamente na descoberta de novos tratamentos, mas pode direcionar o foco dos estudos para outras frentes, já que nem tudo foi investigado. Ainda há, por exemplo, a necessidade de investigar outros tipos celulares derivados da medula óssea que, por terem características de células-tronco, poderiam contribuir para a regeneração hepática”, afirma Bruno Paredes.

“As doenças hepáticas são cada vez mais freqüentes na população e a terapia celular pode contribuir para o tratamento. É importante ressaltar que muitas pesquisas em modelos animais devem ser feitas para se alcançar esse objetivo”, conclui a Regina Goldenberg

Fonte: Stephanie Tondo / Olhar Vital