sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Proinfra terá aporte de R$ 360 milhões

O superintendente de Universidades da Finep, Ricardo Gattass, anunciou hoje (2) que será lançado no próximo dia 13, o novo edital do Programa de Infra-estrutura (Proinfra). A iniciativa é voltada para as universidades públicas e oferta apoio financeiro para execução de projetos que tenham como escopo a criação, modernização e recuperação de laboratórios de instituições de ensino e pesquisa em todo o Brasil. A chamada será no valor de R$ 360 milhões. A proposta tramita na diretoria da financiadora.

"Esse edital nos dá uma garantia de continuidade de um programa de dez anos", disse Gattass durante a abertura do fórum conjunto dos conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), que segue até amanhã (3), em Fortaleza (CE). De 2001 a 2010, o programa já beneficiou 876 projetos, num aporte de R$ 1,5 milhão.

Abruem
O superintendente também anunciou o resultado da chamada pública para apoio a projetos de implantação de infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nos campi fora da sede das universidades federais e nos campi de novas universidades do governo federal. Foram contemplados 71 projetos provenientes de 41 universidades, num total de R$ 60 milhões.

"Nós tivemos uma boa distribuição de projetos pelo país. Somente na região Nordeste foram apoiadas 12 propostas", exemplificou Ricardo Gattass. Este edital foi lançado pela financiadora em parceria com a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). Trata-se do primeiro edital para as universidades estaduais.

A expectativa era de que fosse lançada durante o fórum uma nova etapa da chamada, mas segundo a Finep é preciso, primeiro, estabelecer novos parâmetros de parceria. "Nossa proposta é fazer primeiramente uma chamada geral e firmar um termo de cooperação com o Estado, para que este faça a chamada final e o repasse dos recursos de uma forma concentrada", antecipou.

Fonte: Cynthia Ribeiro / Gestão CT

Software identifica genes que podem ser alvos potenciais de terapias para o tratamento de doenças e pode ser aplicado também em redes sociais

Genes escolhidos
Os milhares de genes que compõem o genoma humano se relacionam entre si por meio de complexas redes de regulação nas quais, em algumas delas, certos genes (denominados canalizadores) controlam o funcionamento de diversos outros.

Para tentar descobrir e simular o comportamento desses genes que podem desempenhar funções importantes no controle regulatório do organismo humano – e que, por isso, podem ser alvos potenciais de novas terapias para o tratamento de doenças – há métodos estatísticos e computacionais que analisam amostras de dados de expressão gênica.

Essas técnicas são limitadas, mas um estudo realizado por David Corrêa Martins Júnior, professor associado do Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC (UFABC), deu origem a um novo método computacional e estatístico de caracterização de genes canalizadores e a uma nova ferramenta que possibilita detectá-los com maior eficácia em redes de regulação gênicas modeladas matematicamente.

Resultado de sua tese de doutorado, defendida em 2009 no programa de Pós-Graduação em Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP), a pesquisa recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Teses 2009, cujos resultados foram anunciados em 11 de novembro.

O trabalho foi desenvolvido com Bolsa de Doutorado da FAPESP e integrou o Projeto Temático “Modelagem por redes (grafos) e técnicas de reconhecimento de padrões: estrutura, dinâmica e aplicações”.

Na pesquisa, realizada no IME-USP e na Texas A&M University, Martins Júnior estudou as condições matemáticas e computacionais necessárias para o surgimento de genes canalizadores em redes de regulação gênicas. E, a partir desse trabalho de caracterização matemática, desenvolveu uma nova ferramenta que possibilita detectá-los analisando dados de expressão gênica de microarray.

“Essas condições são muito específicas e até então não tinham sido bem estudadas”, disse o professor Roberto Marcondes Cesar Júnior, orientador da pesquisa.

“Com a caracterização matemática dessas condições é possível criar métodos computacionais de identificação de genes canalizadores mais eficientes do que os que temos hoje”, explicou o também membro da coordenação de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

De acordo com Marcondes, uma das formas mais simples de tentar descobrir se um determinado gene controla outro é calculando a correlação entre eles. Porém, para detectar se, de fato, um gene é canalizador em uma rede de regulação gênica, é preciso analisar todos os subgrupos de genes controlados por ele, como duplas, trios ou quartetos.

Ao tentar fazer essas análises por meio dos métodos computacionais e estatísticos disponíveis, os pesquisadores na área de genômica deparam com a barreira da explosão combinatória, em que um pequeno aumento no tamanho do problema causa uma drástica elevação do tempo necessário para obter uma resposta.

Hoje, um teste de comparação de um gene com outro em uma rede de 5 mil genes analisando dados de microrray leva apenas alguns segundos. Mas, para fazer a correlação de trios, a demora chega a seis meses. Já para comparar quartetos, seria necessário esperar 824 anos. “Isso dá uma ideia de como é inviável sair testando todas as possibilidades de combinação”, explicou Marcondes.

Aplicações em biologia e redes sociais
Por intermédio da pesquisa, Martins Júnior desenvolveu novas ferramentas matemáticas que possibilitam controlar o problema da explosão combinatória.

O modelo matemático desenvolvido foi aplicado em um conjunto de dados de expressão de melanoma contendo amostras de versões ativas e inativas de um gene, o DUSP1, que atua como canalizador. Os testes revelaram que o gene controla, ao todo, 19 subconjuntos de outros genes.

“Quanto maior o número de subconjuntos de genes controlados por um gene, maiores são as possibilidades de ele ser um gene “mestre” em uma via metabólica. Ao interferir nesse gene canalizador, é possível modificar todo um sistema biológico com poucas intervenções”, disse o professor da UFABC.

Segundo Marcondes, além de serem úteis para analisar dados de expressão gênica e detectar genes canalizadores, o modelo e a ferramenta matemática desenvolvidos por intermédio da pesquisa, que já estão prontos para serem usados, também podem ser aplicados em outras áreas distintas da biologia, como psiquiatria ou telecomunicações.

Outra aplicação também poderá ser em redes sociais, como Orkut, Facebook, Myspace e Twitter, para identificar “participantes canalizadores”, isto é, pessoas que influenciam o comportamento de outras na rede.

“Como essas ferramentas são abstratas, não precisamos atacar só dados de expressão gênica. Nada impede que possamos utilizá-las para tratar dados de redes sociais para detectar formadores de opinião nessas redes”, disse o orientador do estudo.

Na biologia, uma das aplicações mais ambiciosas para o novo método e ferramentas matemáticas seria utilizá-los na área de biologia sintética para criação de um organismo que produza etanol de maneira mais eficiente, por exemplo.

“Teoricamente, como o método e a ferramenta possibilitam analisar dados e aprender parâmetros, é possível simular o funcionamento de um organismo antes dele existir e prever ou, pelo menos, analisar como ele se comportará”, disse Marcondes.

Fonte: Elton Alisson / Agência FAPESP

Lançado o Portal BHL ScieLO sobre a biodiversidade brasileira

Acesso livre à biodiversidade
O conhecimento produzido no Brasil sobre a sua biodiversidade ganhará mais visibilidade. O motivo é o Portal BHL ScieLO, que disponibiliza com acesso livre milhares de obras, artigos, mapas e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira.

Lançado oficialmente na quarta-feira (1º/12), o serviço é parte do projeto “Digitalização e publicação on-line de uma coleção de obras essenciais em biodiversidade das bibliotecas brasileiras”, conduzido pelo programa SciELO, biblioteca eletrônica virtual de revistas científicas mantida pela FAPESP em convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O projeto conta com a participação do programa Biota-FAPESP, da Biblioteca Virtual do Centro de Documentação e Informação da FAPESP, do Ministério do Meio Ambiente, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo.

De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do programa SciELO, a BHL SciELO possibilitará o fortalecimento da pesquisa científica em biodiversidade.

“O Brasil tem uma produção científica de destaque nessa área, mas que hoje assume também uma dimensão política e econômica internacional com todas as discussões sobre mudança climática e preservação de espécies”, disse.

Segundo Packer, o novo portal já reúne volume suficiente de arquivos para atender às demandas de pesquisadores e demais interessados. “Contamos até o momento com cerca de 110 mil registros digitalizados: artigos, mapas e obras de referências históricas da biodiversidade brasileira”, explicou.

O portal integrará a rede global The Biodiversity Heritage Library (BHL), consórcio que reúne os maiores museus de história natural e bibliotecas de botânica no mundo, como a Academy of Natural Sciences e o American Museum of Natural History, nos Estados Unidos, e o Natural History Museum, na Inglaterra.

“A Austrália acabou de entrar e, agora, tanto a BHL Brasil como a BHL China farão parte dessa rede mundial que já conta com cerca de 130 mil obras e mais 32 milhões de páginas digitalizadas”, dise Packer.

No Brasil, a rede será composta por instituições como Biblioteca Nacional, Museu Nacional, Jardim Botânico do Rio Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantan, Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), Bireme, Fundação Zoobotânica, Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, Museu Paraense Emílio Goeldi e a USP.

“O objetivo é seguir o mesmo modelo da SciELO com a modalidade de acesso aberto com múltiplos sistemas de busca e indicadores bibliométricos, que tem propiciado maior visibilidade à produção científica dos países em desenvolvimento, principalmente os localizados na América Latina e Caribe. A ideia da BHL SciELO é que se estenda também para a América Latina”, contou Packer. O portal também traz notícias da Agência FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP.

Produção brasileira
Ao levantar dados sobre a produção científica brasileira na área de zoologia, Rogério Meneghini, coordenador científico do Programa SciELO, disse ter ficado surpreso com a posição do Brasil na produção de artigos na área.

Com base no cruzamento de informações da Web of Science, base de dados da empresa Thomson Reuters, foram produzidos no mundo, entre 2007 e 2008, 23.903 artigos em zoologia. “O que mais chama a atenção é que o Brasil fica na quarta posição com 1.762 artigos, perdendo apenas para os Estados Unidos (7.649), Japão (2.233) e Inglaterra (1.762)”, disse.

Meneghini está concluindo a pesquisa “Projeto para avaliação do impacto de programas brasileiros de ciência e tecnologia”, que tem o apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Outro destaque do estudo é que, entre as instituições globais de pesquisa na área de zoologia, a USP é a primeira da lista, seguida das academias de ciência da Rússia e da China e da Universidade de Kyoto, no Japão. “Existem áreas em que a produção brasileira está competindo em pé de igualdade. Um exemplo é a zoologia”, disse, destacando a Revista Brasileira de Zoologia.

Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, falou da experiência do Programa e novos desafios na nova fase do programa. Segundo ele, uma das frentes é disponibilizar dados sobre as pesquisas.

“A linha de base do Biota foi a publicação de sete volumes temáticos e da revista Biota Neotropica, do Atlas e também do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota), que tiveram a função de mapear e divulgar o que já está disponível para a sociedade, governos e demais pesquisadores”, disse.

Em pouco mais de dez anos, o Biota contabilizou cerca de 113 mil registros, sendo 12 mil de espécies. “Um dos desafios agora é entender como a biodiversidade produz elementos e componentes químicos que podem ser patenteados e associados à cadeia produtiva existente na sociedade, mas ainda precisamos reunir mais dados”, disse ao falar do Biota Prospecta.

Participaram também do lançamento do portal Sueli Mara Ferreira, diretora do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, que falou dos desafios do acesso aberto na universidade, Dora Ann Lange Canhos, do Cria, que contou sobre a experiência da Lista de Espécies da Flora do Brasil, e Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, que falou das publicações do programa, da revista Biota Neotropica e do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota).

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

USP: Pós-Doutorado em Química

O Projeto Temático “Diversidade molecular em angiospermas basais”, coordenado pelo professor Massuo Jorge Kato, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), tem uma oportunidade de Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP.

O principal objetivo do projeto é o estabelecimento de relações filogenéticas entre angiospermas basais com o emprego de marcadores moleculares associados às vias de lignificação. Espécies de Piper e Peperomia apresentam diferentes padrões de lignificação e constituem-se em modelos a serem utilizados em tais estudos.

No ato da inscrição por e-mail , até o dia 15/12/2010, o candidato deverá apresentar: justificativa para a candidatura a bolsa; currículo vitae atualizado; e três recomendações de docentes ou pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação recomendados pela Capes, destacando as qualidades e potencialidades do candidato.

O resultado da seleção será divulgado por e-mail a partir do dia 15 de janeiro de 2011.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Fonte: Agência FAPESP

SP: R$ 6 mi para o Parque Tecnológico de Sorocaba

O governador de São Paulo, firmou na quarta-feira (1º/12) um convênio com a prefeitura de Sorocaba para liberação de recursos que serão investidos na construção das primeiras instalações do Parque Tecnológico da cidade.

O acordo prevê a liberação de R$ 6 milhões do governo estadual para a construção de um edifício que abrigará uma incubadora de empresas de base tecnológica e o núcleo administrativo. Também participaram da cerimônia o secretário de Desenvolvimento, e o prefeito da cidade, Vitor Lippi.

O Parque Tecnológico de Sorocaba será implantado em uma área de aproximadamente 814 mil m², na avenida Itavuvu, s/nº, próximo à rodovia Castelo Branco (SP-280), dentro de uma nova zona industrial com mais de 20 milhões de m².

O futuro empreendimento será voltado à pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos inovadores nas áreas de eletro-metal-mecânica, automotiva, energias alternativas, tecnologia da informação e comunicação (TIC) e farmácia.

“Nós temos hoje 19 parques credenciados, alguns mais desenvolvidos e outros no início do desenvolvimento. Esse vai ser desenvolvido muito rapidamente porque tem todas as condições, como tecnologia, universidades, ensino técnico, muitas empresas de alta tecnologia e grandes empresas se instalando que vão precisar de apoio”, disse Goldman.

Os recursos do Estado serão investidos na construção de um prédio com 6.656 mil m². O edifício terá dois pavimentos, com estrutura modular, e abrigará o núcleo administrativo do parque e uma incubadora de empresas de base tecnológica. O local contará com todo o suporte necessário para a instalação de micro e pequenas empresas inovadoras.

Além do edifício da incubadora e do núcleo administrativo, o projeto prevê ainda a construção de laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, espaços para animação e convivência, ambientes para eventos e centro de inteligência do empreendimento. A prefeitura de Sorocaba também pretende investir em obras suplementares, somando 11 mil m² de área construída.

A Toyota, empresa âncora do empreendimento, iniciou em 2010 a construção de sua terceira fábrica no país, em uma área de 400 mil m², localizada ao lado do parque tecnológico, o que deve impulsionar pesquisas de ponta no setor automotivo.

A montadora japonesa tem a expectativa inicial de produzir, a partir de 2012, cerca de 70 mil automóveis por ano. Os investimentos previstos somam US$ 600 milhões, que deverão gerar cerca de 1,5 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.

Fonte: Agência FAPESP

From quantum physics to number theory – a geometer explores the Universe

O Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) receberá nesta sexta-feira (3/12) à tarde a visita de um dos matemáticos mais influentes do mundo, Sir Michael Francis Atiyah.

Na ocasião, Atiyah ministrará a conferência “From quantum physics to number theory – a geometer explores the Universe”, que será seguida de uma conversa informal com o público presente.

Britânico de origem libanesa, Atiyah é considerado um dos expoentes da geometria do século 20. Em 1996, ganhou a Medalha Fields, uma das maiores distinções concedidas a um matemático, e em 2004 o Prêmio Abel, equivalente ao prêmio Nobel na matemática.

Atiyah também foi presidente da London Mathematical Society, de 1974 a 1976, e da Royal Society, no período de 1990 a 1995.

A conferência será realizada às 15h, no Anfiteatro Jacy Monteiro, do IME-USP, localizado na Rua do Matão, nº 1010, na Cidade Universitária. O evento é aberto ao público em geral.

Fonte: Agência FAPESP