quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CERTI: Brasil desenvolverá tecnologia OLED

A Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI), localizada no campus da Universidade Federal de Santa catarina (UFSC), acaba de assinar parceria com a Philips, empresa atuante no mercado nacional de iluminação. As duas entidades firmaram um convênio de cooperação com duração de três anos para a execução do projeto EMO (Emerging Marketing OLED), que viabilizará o desenvolvimento de soluções de iluminação para os mercados emergentes utilizando a tecnologia OLED (Organic Light-Emitting Diode, na sigla em inglês). O novo recurso é reconhecido por revolucionar o conceito de fonte de iluminação, pois permite o uso de lâminas emissoras de luz no lugar de lâmpadas e pela eficiência energética que proporciona.

Com inúmeras patentes nessa área, a Philips é detentora da tecnologia mais avançada de OLED para iluminação no mundo. Por meio da parceria firmada no Brasil, a empresa possibilitará que o aprimoramento dessa tecnologia seja realizado em território nacional. Durante os três anos do projeto, os profissionais envolvidos trabalharão em melhorias para as inovadoras lâminas emissoras de luz. Com elas, a Philips produzirá luminárias OLED, que devem ser comercializadas no Brasil a partir de 2013. Atualmente, o OLED é pesquisado e desenvolvido pela Philips somente na Alemanha, em um de seus diversos laboratórios, a Lumiblade.

“Estamos orgulhosos e satisfeitos em participar desta parceria e destacar o pioneirismo do Brasil no desenvolvimento desta tecnologia inovadora. Quando falamos de OLED, falamos do futuro da iluminação que já vem se transformando com a realidade dos LEDs e que associado ao OLED impactará positivamente todos nós, porque, entre outras vantagens, é uma tecnologia energeticamente eficiente. Em breve, recorreremos a estes recursos em todos os ambientes e vivenciaremos uma experiência única com a iluminação. O projeto EMO é o primeiro passo para a realização desta nova perspectiva”, afirma o diretor de Tecnologia da Philips do Brasil, Walter Duran.

O OLED, um diodo orgânico emissor de luz, será a próxima tendência em iluminação no mercado global nos próximos anos, complementando as já inovadoras soluções atuais de LED. O produto é baseado em uma tecnologia inovadora que revolucionará os conceitos de iluminação conhecidos atualmente. Com o OLED, as lâmpadas e luminárias formadas por pontos de luz darão lugar a uma única lâmina capaz de produzir uma luz difusa, potente, muito semelhante à natural, mais confortável, de longa vida útil, baixa voltagem, com mais eficiência energética, que permite um design ousado e de fácil reciclagem por não conter elementos tóxicos ao meio ambiente em sua composição.

Com o advento dos OLED flexíveis muitas das superfícies poderão ter luz própria, como por exemplo, o interior de uma geladeira (nunca mais ficará escura, difícil de localizar algo). O teto curvo de um automóvel pode ser coberto de OLED flexível; imagine o que pode ser feito com esta “flexibilidade”.

Tecnologia sustentável
O produto recebe o nome de orgânico devido à utilização de moléculas de Carbono em sua composição. Funciona por meio de uma corrente elétrica que passa por semicondutores prensados entre duas lâminas de vidro extremamente finas. Atualmente possui 1,8 mm de espessura, com a possibilidade de ainda chegar a 1,5 mm. Muito leves, podem ser utilizados sem a necessidade de grandes estruturas de sustentação.

As luminárias OLED serão a nova tendência em iluminação e destacam-se também por sua alta eficiência energética, que possibilita uma economia de até 80%, com vida útil de cerca de dez mil horas. Já quando o assunto é a potência dessa luz, o OLED pode chegar a 150 (Lumens/Watt), 15 vezes mais do que as lâmpadas incandescentes.

Fonte:CIMM

Brasil e Chile: parceria na área tecnológica de biocombustíveis

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/MCT) Campinas (SP) firmou acordo de cooperação científica com o consórcio chileno Bioenercel SA para o desenvolvimento conjunto da tecnologia de etanol celulósico. Do lado do CTBE, o foco da pesquisa é a conversão do bagaço e palha da cana-de-açúcar em biocombustível; do lado chileno, os esforços se concentram na madeira. Esta colaboração é um marco nas pesquisas em biocombustíveis, pois é o primeiro acordo de colaboração entre países da América do Sul firmado nesta área.

O CTBE vai transferir ao grupo parceiro os conhecimentos adquiridos na implantação da sua Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP), que estará concluída em meados de 2011. O objetivo é contribuir para a otimização de processos e criação da indústria de etanol no Chile. Em 2011, os chilenos construirão sua primeira planta piloto para escalonamento de processos relacionados à produção de etanol de segunda geração. O trabalho conjunto com o CTBE serve para validar o parque de equipamentos das plantas de ambos os países.

A infraestrutura de pesquisa do CTBE destinada à produção de enzimas que degradam o material lignocelulósico também será disponibilizada ao Bioenercel. O Laboratório brasileiro produzirá preparados enzimáticos celulolíticos caracterizados de acordo com as Unidades Internacionais estabelecidas para uso em pesquisas sobre etanol de segunda geração (celulósico) no Chile. Produzir enzimas eficientes para converter a celulose da madeira ou da cana em açúcares que possam ser fermentados e transformados em etanol é uma etapa vital à viabilidade econômica desta tecnologia.

O acordo assinado engloba, ainda, a elaboração de melhorias na Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar, em desenvolvimento no CTBE. Essa plataforma de simulação computacional de processos possibilita avaliar os impactos ambientais, econômicos e sociais de novas tecnologias na área de cana e etanol. Quando concluída, a Biorrefinaria Virtual deverá contribuir para que empresas, governos e instituições de pesquisa do Brasil e demais países envolvidos no Programa definam prioridades de estudo, avaliem o sucesso de projetos e planejem o investimento em novas tecnologias no setor.

Consórcio Bioenercel
O Consórcio Bioenercel SA, formado pela CMPC Celulose, Masisa, Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso (PUCCV), Fundação Chile e Universidade de Concepción, é uma das principais instituições de pesquisa em bioenergia do Chile, país com tradição na indústria de papel e celulose. Sua criação se deu em 2009, a partir do chamado do governo chileno para o Concurso Nacional de Consorcios Tecnológicos Empresariales de Investigación en biocombustibles a partir de material lignocelulósico.

Para o diretor do CTBE, Marco Aurélio Pinheiro Lima, a colaboração firmada permite a transferência do conhecimento nacional na área de etanol ao Chile, de modo a permitir a substituição de uma pequena parcela dos combustíveis fósseis por bioetanol produzido a partir de resíduos florestais, dando início a um círculo virtuoso.

Hoje, os veículos chilenos são capazes de suportar sem avarias uma adição de até 10% de etanol à gasolina. A produção do biocombustível ajudaria o Chile a reduzir a dependência externa de fontes energia que, no caso do petróleo, chega a quase 100% do consumo interno.

Ao mesmo tempo, o intercâmbio de cientistas ajudará o Brasil a tornar o etanol produzido a partir do bagaço e palha da cana-de-açúcar viável em escala industrial.

Futuro
A cooperação entre o CTBE e o consórcio chileno surgiu após reunião do Grupo de Trabalho Bianual Chile-Brasil de Cooperação Científico Tecnológica realizada em agosto último no Ministério de Relações Exteriores do Chile. Lá foram definidas as prioridades de trabalho conjunto entre os países, dentre elas a inovação em biocombustíveis.

Segundo o diretor do Bionercel, Fernando Rioseco, a expectativa é que dentro de quatro anos sejam criadas as bases para o desenvolvimento da indústria chilena de etanol celulósico produzido a partir da madeira. Isto ocorrerá em conjunto com uma avaliação econômica e técnica do setor e com a definição das empresas aptas a atuarem na área. Um dos principais desafios atuais, de acordo com Rioseco, é baixar o alto custo das enzimas utilizadas no processo. Obstáculo semelhante é enfrentado Brasil e demais nações mundiais que disputam a corrida mundial pelo etanol celulósico.

Fonte: ABN News