sábado, 27 de novembro de 2010

Sustentabilidade econômica e social são inseparáveis

Para cientistas sustentabilidade econômica e social são inseparáveis
Três cientistas debateram nesta quinta-feira (25), em Brasília (DF), a importância de estabelecer modelos de exploração dos recursos naturais com respeito ao meio ambiente, sem perder o foco no crescimento econômico. A proposta foi defendida durante a última palestra do Congresso ABIPTI 2010.

Na avaliação dos pesquisadores, os dois pontos são inseparáveis e pedem a produção de ciência e tecnologia para se antecipar às novas tendências. “Como conseguir o desenvolvimento sustentável dentro desse modelo altamente consumista com grande utilização dos recursos naturais? Essa questão envolve muito mais que ciência, tecnologia e inovação (CT&I) é uma questão que depende de resoluções políticas”, destacou Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Ele cita o exemplo da região amazônica que precisa, na sua avaliação, desenvolver tecnologias voltadas para a biotecnologia, para que se tenha um retorno econômico maior em relação a forma que é utilizada hoje, com a exploração das madeiras e utilização das áreas para agricultura e agropecuária.

“Em grande parte elas dão um retorno econômico baixo. Aplicação de tecnologias na agricultura e na agropecuária pode trazer resultados importantes, como aumentar a produtividade e produzir mais em áreas menores”, explica.

Já o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, mostrou dados que evidenciam o baixo lucro das atividades econômicas na Amazônia. O cultivo da soja, por exemplo, gera US$ 100 por 200 hectares por ano. “O modelo atual é frágil economicamente e ambientalmente. Falta tecnologia. Temos que descobrir novos modelos. Esse não dá mais. É prejuízo econômico e ambiental”, falou.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp, também defendeu a proposta de aliar os dois crescimentos. “Quando se pensa em sustentabilidade não podemos considerar somente a questão ambiental, mas também a econômica. Como vamos continuar a produzir para atender as demandas da sociedade que quer crescer, mas sem agredir o meio ambiente?”, questiona.

Ele sugere o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e a forte participação da comunidade científica. “Inovação é a capacidade que as empresas têm que desenvolver para se adaptarem às conjunturas econômicas. A sustentabilidade econômica está associada ao desenvolvimento produtivo. É a capacidade de competir num mercado global”, completou.

Fonte: Cynthia Ribeiro para o Gestão CT

Inpe: Superação das mudanças climáticas requer tecnologia

Os grandes desafios para a superação das mudanças climáticas são tecnológicos. A afirmação é do chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre. Ele tratou sobre o tema no Congresso ABIPTI 2010, realizado nos dias 24 e 25, em Brasília (DF).

Na avaliação do climatologista, que coordena um vultoso programa de monitoramento que gera cenários de mudanças climáticas, é urgente a necessidade de estabelecer novos modelos econômicos que possibilitem a redução da pegada ecológica, com a manutenção da qualidade de vida, assim como aumentar a capacidade de adaptação aos novos climas.

“São desafios para a sustentabilidade a longo prazo. Como aumentar o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano), com baixo uso de energia? Politicamente é um desafio gigantesco. Exemplo foi o fracasso de Copenhague [reunião realizada no ano passado na Dinamarca sobre mudanças climáticas]”, disse.

Dentro desse contexto, Nobre é contundente em afirmar que o estabelecimento de um novo paradigma econômico e ambiental depende fundamentalmente da ciência e tecnologia (C&T). “O grande desafio para esse setor é criar mecanismos para detectar e atribuir causas, aumentar a capacidade de adaptação e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. São ações de ordem tecnológica”, apontou. Ainda na avaliação do pesquisador, o Brasil tem força suficiente para se estabelecer como potência ambiental tropical, visto que foi o primeiro país em desenvolvimento a criar uma lei para mudanças climáticas. Trata-se da Lei nº 12.187/2009.

“Temos capacidade para sermos uma grande potência. Temos uma matriz energética favorável, competência em agricultura tropical, a melhor tecnologia em biocombustíveis e lideramos o monitoramento de desmatamento”, enumerou.

Para dar conta dos desafios que se apresentam, Nobre indica que é necessário criar novos institutos de tecnologia, trabalhar em rede e manter altos investimentos em pesquisa. “O Brasil ainda não acordou para essa potencialidade. Poderíamos ter uma vantagem maior”, disse. Ele sugere a criação de pelo menos três novas instituições: Institutos Tecnológicos da Amazônia; Institutos para Bio-Industrialização; e Institutos de Energia Renovável.

A opinião é corroborada pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp. Para ele, a questão ambiental não pode depender de uma base científica puramente acadêmica.

“O problema é tão urgente que nós temos que desenvolver um sistema de institutos de pesquisa com objetivos bem determinados. Temos não só que criar novos, como fortalecer os que já existem. Tivemos nos últimos anos um desenvolvimento muito grande da pesquisa acadêmica, mas um crescimento pífio nos institutos com missões específicas para trabalhar essa questão”, criticou.

Já para Antonio Ocimar Manzi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as instituições de pesquisa e tecnologia podem dar uma contribuição muito grande, principalmente para o monitoramento, seja espacial ou em terra. “Precisamos monitorar os gases de efeito estufa, de estoque de nutrientes e de carbono e melhorar nosso monitoramento hidrológico”, falou.

Inauguração
Carlos Nobre também antecipou que será inaugurado no próximo mês, um supercomputador, que dará ao país capacidade para projetar o clima futuro. A máquina custou R$ 50 milhões, recursos oriundos do MCT e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O computador dará informações sobre o fluxo de umidade, calor e gás carbônico na atmosfera, nos oceanos e na superfície terrestre globais.

Fonte: Cynthia Ribeiro / Gestão CT

Workshop on Environmental, Social and Economic Impacts of Biofuels

Resultados além das fronteiras
Estudos feitos no Brasil sobre os impactos ambientais e socioeconômicos da produção de etanol de cana-de-açúcar têm mostrado a eficiência do biocombustível nacional. Mas, para que as pesquisas tenham de fato impacto positivo na competitividade da indústria nacional, é preciso aumentar o número de artigos publicados em revistas internacionais de alto impacto.

A avaliação foi feita por representantes da indústria sucroalcooleira nesta quinta-feira (25/11), durante o Workshop on Environmental, Social and Economic Impacts of Biofuels, realizado pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pela Bio-based Ecologically Balanced Sustainable Industrial Chemistry (BeBasic) – programa de pesquisas financiado pelo governo da Holanda e voltado para o desenvolvimento de bioquímicos, biomateriais e biocombustíveis.

O workshop teve o objetivo de discutir tópicos relacionados aos impactos da produção e do uso de biocombustíveis, a fim de definir temas e questões que poderão ser estudados em conjunto pelo BIOEN e a Be-Basic.

Luiz Fernando Amaral, assessor de Meio Ambiente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), foi o primeiro palestrante, com o tema “Perspectivas da indústria sobre inovação e impacto dos biocombustíveis”. Segundo ele, os cientistas brasileiros produzem estudos de qualidade sobre os impactos do etanol, mas precisam publicar mais em revistas internacionais de peso.

“É fundamental aumentar a quantidade dos estudos publicados em inglês em revistas científicas internacionais de alto impacto. A indústria se ressente especialmente da falta de publicações de pesquisa primária, com dados básicos, nesse tipo de publicação”, disse Amaral.

Segundo ele, muitos estudos importantes de impactos do etanol têm sido publicados apenas em revistas nacionais, em português. Se não fosse essa limitação, aponta, tais dados poderiam ter impacto direto nas regulamentações e políticas internacionais adotadas para biocombustíveis, refletindo diretamente no mercado.

“Esses dados, muitas vezes, poderiam atestar a eficiência do etanol brasileiro, mostrando seu baixo impacto ambiental e socioeconômico. Mas não podemos utilizá-los nas negociações internacionais porque as publicações só têm abrangência local”, afirmou.

Um exemplo típico são os estudos sobre os estoques de carbono no solo. De acordo com Amaral, a Europa e o Japão fizeram recentemente cálculos de emissões relacionados aos impactos de mudança do uso do solo provocada pelo avanço da cultura de cana-de-açúcar.

Esses dados, provenientes do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), deram base para uma avaliação do estoque de carbono existente quando a cana cresce sobre pasto, ou sobre terrenos onde havia outras culturas. “Só que os dados do IPCC não são para a cana-de-açúcar. São dados de culturas perenes e de culturas temporárias – e a cana não se enquadra em nenhuma das duas categorias”, destacou.

Os brasileiros apresentaram, então, segundo Amaral, dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que eram mais próximos da realidade. No entanto, esses estudos não haviam sido publicados em revistas internacionais que utilizam o sistema de revisão por pares.

“Mostramos milhares de mensurações feitas pelo setor privado e os valores eram muito diferentes do que eles haviam utilizado. Mas, como eram dados provenientes da indústria, não foram aceitos, por serem considerados tendenciosos pelos organismos internacionais”, disse.

Segundo Amaral, os estudos feitos pelo CTC posteriormente foram publicados em revistas internacionais e acabaram aceitos. “Esse exemplo é válido para muitas outras situações que enfrentamos. É fundamental publicar em revistas internacionais de impacto. Programas como o BIOEN-FAPESP certamente vão ajudar muito nesse sentido”, disse.

A vez da sustentabilidade
Na abertura do evento, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, ressaltou que os estudos dos impactos ambientais e socioeconômicos dos biocombustíveis são especialmente importantes para São Paulo e para o Brasil.

“O Brasil obteve grandes avanços nas pesquisas sobre biocombustíveis, mas esses esforços estavam concentrados especialmente na questão da produtividade. Alguns avanços foram feitos em sustentabilidade, mas não se dava tanta importância para o tema. Nos últimos anos, considerando-se a quantidade o potencial da produção brasileira, o tema se tornou central”, afirmou.

Luuk van der Wielen, professor do Departamento de Biotecnologia da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, destacou a importância da colaboração entre o BIOEN e o programa Be-Basic, que ele coordena.

“Na nossa avaliação, se a Holanda quiser se manter entre as 20 maiores economias do mundo, é preciso investir na sustentabilidade econômica e ambiental. Isso só se faz com parcerias internacionais e com ciência. O Brasil, com sua experiência em bioenergia, é um parceiro muito importante nesse sentido. Mas é preciso também levar os avanços do laboratório para a realidade e, por isso, é fundamental entender os impactos sociais e econômicos dos avanços científicos”, disse.

Patricia Osseweijer, da Universidade de Tecnologia de Delft (Holanda), destacou que o interesse pelos impactos socioambientais da bioenergia decorre de uma necessidade estratégica para a Holanda. A parceria com o Brasil será fundamental para esse tipo de pesquisa.

“Está claro que, se quisermos construir uma economia sustentável, vamos precisar mudar. Mas é preciso saber agora o que mudar, como mudar e quem deve promover as mudanças. Por isso é tão importante que a Be-Basic e a FAPESP estejam juntando esforços nos estudos sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos dos biocombustíveis”, disse.

De acordo com Glaucia Mendes de Souza, membro da coordenação do BIOEN-FAPESP, o programa tem procurado aumentar o número de pesquisadores envolvidos com o tema dos biocombustíveis, para que a pesquisa brasileira tenha impacto direto na produção industrial.

“Temos 250 pesquisadores trabalhando em projetos do BIOEN e outros 52 cientistas de 11 países que colaboram com pesquisas em São Paulo. Até agora tivemos um aumento de produção científica muito grande sobre etanol e outros biocombustíveis, mas não avançamos tanto ainda na área de sustentabilidade”, disse a professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).

Heitor Cantarella, professor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC)e também membro da coordenação do BIOEN, destacou que o workshop foi importante para definir as principais questões ligadas aos impactos ambientais e socioeconômicos dos biocombustíveis e criar uma agenda de ação conjunta entre BIOEN e Be-Basic.

“Queremos estabelecer os pontos de convergência em relação aos impactos dos biocombustíveis, para, a partir dessa avaliação, conceber uma chamada conjunta para propostas de pesquisa. É muito importante para o Brasil aumentar o número dos projetos e das pessoas que trabalham com essa questão dos impactos”, disse.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

MMA: responsabilidade do Brasil com o desenvolvimento sustentável

As dimensões econômica, social e ambiental devem se harmonizar para que haja diálogo com o desenvolvimento sustentável. A ideia foi apresentada pelo secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Egon Krakhecke. Ele participou ontem (25) do Congresso ABIPTI 2010, como palestrante do painel “Marco regulatório em prol do desenvolvimento sustentável”.

De acordo com o secretário, a matriz brasileira, no que tange às emissões de gases do efeito estufa, é fundada basicamente no modelo de avanço da fronteira agrícola e de tecnologias de produção agropecuária utilizados ao longo da história. Ele lembrou que o enfrentamento do aquecimento global é um desafio mundial. “O Brasil tem assumido a sua parcela de responsabilidade. A nossa contribuição para o combate do aquecimento global é um desafio de qualquer maneira”, ressaltou.

Durante a palestra, Krakhecke falou que o processo de ocupação e uso do território constitui outro desafio no que tange à inclinação para um modelo de desenvolvimento com vistas a conferir bases mais sustentáveis. Para ele, mesmo com uma forma de ocupação e uso dos recursos naturais predatória, o Brasil avançou como uma economia pujante.

“Eu não me alinho entre aqueles que acham que temos que pôr uma redoma de vidro sobre o nosso meio ambiente, pelo contrário, temos o desafio de fazer com que o crescimento da economia dialogue com o meio ambiente”, frisou.

Krakhecke também chamou a atenção para a necessidade de um planejamento público de longo prazo. Ele citou como exemplos a Lei Orçamentária Anual (LOA), que é anual, amarrada ao Plano Plurianual, que é de quatro anos. “O que temos para dez, 15 anos?”, indagou.

O secretário lembrou que o país não tem um único marco regulatório para o desenvolvimento sustentável, a exemplo da Constituição Federal, da Política Nacional de Meio Ambiente, do Código Florestal, da Política Nacional de Recursos Hídricos, da Política Nacional de Mudanças Climáticas, entre outros. “O que precisamos é consolidar futuramente tudo o que se relaciona a modelagem de um novo paradigma para o desenvolvimento do país”, concluiu.

Fonte: Gestão CT

CCTCI: emendas aumentam o orçamento do MCT


Na última quarta-feira (24), a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) aprovou quatro emendas de acréscimo ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Elas aumentam em R$ 600 milhões a dotação destinada ao MCT.

Projetos de inclusão digital; apoio à pesquisa, inovação e à extensão tecnológica para o desenvolvimento social; fomento de incubadoras de empresas e parques tecnológicos; e apoio à pesquisa e desenvolvimento em áreas temáticas da biodiversidade serão as ações contempladas.

Emendas de remanejamento de recursos programados para o MCT e para o Fundo Aeronáutico (Ministério da Defesa) também foram aprovadas: R$ 30 milhões para a concessão de bolsas de estímulo à pesquisa; R$ 18 milhões para a ação de pesquisa e desenvolvimento em ciências e tecnologias nucleares e em aplicações das radiações ionizantes; R$ 15 milhões para o fomento a projetos de fortalecimento da capacidade científica e tecnológica; e R$ 67 milhões para o Fundo Aeronáutico destinados ao desenvolvimento de projetos de sistemas bélicos.(Com informações da CCTCI) 

Fonte: Gestão CT

Brasil tem mais de um celular por habitante

A telefonia móvel ultrapassou, em outubro, a marca de um celular por habitante. Com 2.967.108 de habilitações em no mês (crescimento de 1,55% em relação a setembro), o Brasil chega a 194.439.250 de acessos do Serviço Móvel Pessoal (SMP) e teledensidade de 100,44 acessos por 100 habitantes (crescimento de 1,48% sobre o mês anterior). No ano, o serviço registrou 20.479.882 novas habilitações, o que representa um crescimento 11,77% e um aumento de 10,92% na teledensidade. Os dados foram apresentados hoje pelo presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg.

Em outubro, 12 Estados já possuíam mais de um celular por habitante: Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rondônia, Espírito Santo, Pernambuco e Paraná.

Fonte: IPESI