quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MCT: Finep terá superintendência para o Sibratec

A Finep poderá ter já nos próximos dias uma superintendência exclusiva para tratar sobre o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec). A informação foi antecipada nesta quarta-feira (24), em Brasília (DF), pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.

"Percebemos a necessidade de ter na Finep, que é uma agência de fomento, uma nova área focada na articulação entre os centros de pesquisa e as empresas”, anunciou na abertura da 6ª edição do Congresso ABIPTI. De acordo com a financiadora, as negociações para a implementação do novo setor ainda estão no início e não há previsão para a criação dela.

Na avaliação do ministro, o programa está numa fase gradual de implementação e a implantação do novo setor será decisiva para a permanência das ações em curso. “A nova superintendência vai garantir ao Sibratec continuidade e a perenidade necessária para que o sistema possa contribuir para o desenvolvimento do país”, destacou.

O ministro lembrou, ainda, que há um grande esforço no país nos últimos anos para fortalecer a relação entre as entidades de pesquisa e as empresas, mas o diálogo ainda não flui na medida adequada. “Acompanho há muito tempo o papel dos institutos e vejo suas dificuldades num país que tem pouquíssima tradição de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Nunca tivemos de maneira densa uma articulação entre a política de ciência e a política industrial”, ponderou.

Para o ministro, o grande desafio atual é fazer com que a ciência e a tecnologia contribuam para gerar riqueza. “Isso é feito dentro das empresas. Tenho esperança de que ele [Sibratec] vai se firmar cada vez mais nos próximos anos e vai cumprir o papel de fazer com que o empresário consiga encontrar o seu parceiro no sistema de pesquisa”, completou.

Sibratec
Trata-se de um instrumento de articulação criado há três anos para apoiar o desenvolvimento tecnológico das empresas brasileiras dando condições para o aumento da taxa de inovação. O sistema está organizado na forma de três tipos de redes: Centros de Inovação, Serviços Tecnológicos e Extensão Tecnológica. Somente no primeiro eixo o programa já conta com 14 redes temáticas espalhadas pelo país.

Fonte: Cynthia Ribeiro Gestão CT

Coordenadores de 122 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia se reúnem em Brasília para fazer um balanço dos dois anos de atividade



INCTs têm primeira avaliação
Coordenadores dos 122 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) se reuniram em Brasília nos dias 23 e 24 de novembro para fazer um balanço das ações desenvolvidas pelos institutos nos últimos dois anos.

Participaram também pesquisadores, avaliadores e consultores, totalizando mais de 500 participantes. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) é o responsável pela coordenação da avaliação.

O Programa INCT foi lançado em dezembro de 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos de R$ 607 milhões obtidos em parceria com as fundações de amparo à pesquisa estaduais.

A FAPESP financia 50% dos recursos destinados aos 44 institutos sediados no Estado de São Paulo. Responsável por R$ 113,4 milhões do total de recursos investidos nos INCTs, a Fundação só fica atrás do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) – R$ 190 milhões – entre as fontes financiadoras.

Os projetos aprovados têm as características dos Projetos Temáticos da FAPESP – modalidade que se destina a apoiar propostas de pesquisa com objetivos suficientemente ousados, que justifiquem maior duração e maior número de pesquisadores participantes.

Espalhados por todo o país, os INCTs funcionam de forma multicêntrica, sob a coordenação de uma instituição-sede que já tenha competência em determinada área de pesquisa – no caso paulista, vários dos INCTs foram integrados aos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

A mesa de abertura do evento em Brasília contou com a participação do presidente do CNPq, Carlos Alberto Aragão, do secretário executivo do Ministério da MCT e presidente do Comitê de Coordenação do Programa INCT, Luis Antonio Rodrigues Elias, do secretário da Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, do presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, Mário Neto Borges, e do diretor do CGEE, Fernando Rizzo. O diretor científico Carlos Henrique de Brito Cruz representou a FAPESP.

O evento foi encerrado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. Simultaneamente ao Encontro de Avaliação, foi realizada uma exposição com os principais resultados das pesquisas dos INCTs.

Segundo Aragão, o encontro foi uma oportunidade de trocar experiências entre os INCTs. “É a primeira vez que o país lança um programa com essa abrangência, com esse tipo de formato, tentando nos estruturar em rede. Acho que é uma experiência que tem tudo para dar certo, está dando certo, pode ser aprimorada, mas já está sendo reconhecida não apenas no Brasil, mas internacionalmente”, disse.

Guimarães destacou que o principal desafio da área é investir o dinheiro adequadamente. “Eu acredito que o INCT seja talvez a ferramenta mais importante para fazer com que esses recursos sejam gastos com inteligência, com mais competência e responsabilidade”, afirmou.

“A FAPESP contribui decididamente para o Programa INCT, sendo o segundo maior financiador. Fizemos isso porque o programa tem qualidades importantes, entre as quais facilitar a interação em redes de pesquisadores em todo o país, o que traz importante contribuição aos mais de 400 projetos temáticos que a FAPESP apoia”, disse Brito Cruz.

Conquistas e dificuldades
De acordo com um dos participantes, José Carlos Maldonado, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do INCT em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), a avaliação geral é que os primeiros resultados da iniciativa já começaram a aparecer.

“A avaliação foi muito positiva, considerando todos os institutos. No nosso caso, por exemplo, os 130 pesquisadores e doutores envolvidos com o INCT-SEC aprofundaram sua articulação com outros parceiros, o que constituiu uma base muito forte de competência na área de sistemas embarcados críticos. Além de muitos resultados tecnológicos e publicações, realizamos 12 cursos e temos mais de 300 alunos envolvidos”, disse à Agência FAPESP.

No entanto, segundo Maldonado, a reunião mostrou que também existem dificuldades enfrentadas pelos INCTs, em especial na gestão das próprias redes e em aspectos legais da aplicação de recursos.

“Essas dificuldades fazem parte do processo de aprendizagem inerente à implantação dos institutos. Isso é natural, porque se trata de um programa inovador, que mudou os paradigmas de relações estruturantes e de articulação das instituições científicas no Brasil”, afirmou.

A reunião permitiu que cada participante conhecesse o trabalho de outros INCTs, estabelecendo interfaces entre eles. De acordo com Maldonado, além de possibilitar a discussão de problemas comuns, o encontro foi uma oportunidade para avaliar em que grau pode haver migração de conhecimento entre os institutos.

“No nosso caso, isso fica ainda mais nítido: percebemos que há uma necessidade de contribuição da computação em diversos institutos. Aproveitamos para identificar essa demanda de ação multidisciplinar e, a partir daí, vamos procurar organizar a formação de recursos humanos do nosso INCT”, afirmou.

Excelência fortalecida
O Programa INCT estimulou a abertura de novas vertentes em programas que já estavam estruturados e avançados, de acordo com Mayana Zatz, que coordena o INCT de Células-Tronco em Doenças Genéticas Humanas. Associado ao Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH), o instituto é também um dos Cepids da FAPESP.

“É difícil avaliar com precisão o impacto do INCT na nossa pesquisa, pois ela já estava muito bem estruturada. O trabalho foi uma continuidade do que era feito no Cepid e o INCT, no nosso caso, ajudou a alavancar a área de células-tronco. Trata-se de uma área de altos investimentos e difícil implantação. O INCT permitiu uma ação mais robusta dentro da linha de pesquisas na qual já estávamos trabalhando”, disse.

Segundo Mayana, o INCT permitiu associar os estudos de genômica – que é a área de excelência do Cepid – à pesquisa com células-tronco. “Toda vez que se escreve um grande projeto novo surgem novas ideias. A partir do projeto do INCT, tivemos a ideia do projeto 80 Mais. A proposta é coletar amostras de pessoas saudáveis com mais de 80 anos e formar, assim, um banco de dados que nos permitirá estudar a função da genética na manutenção da longevidade com saúde”, disse.

Para esse projeto, o INCT está estudando uma parceria com o Hospital Albert Einstein para que todos os pacientes sejam submetidos a ressonância magnética funcional. Por enquanto, a equipe está apenas coletando o DNA dos pacientes para o banco de dados.

“Fazer essa coleta agora é fundamental, porque em cinco anos, se for possível sequenciar o genoma humano completo com US$ 1 mil, teremos uma demanda gigantesca, com uma imensa quantidade de dados que vão precisar de análise. Nesse momento, o banco de dados que estamos começando a formar agora nos fornecerá um parâmetro importantíssimo para essas análises”, afirmou.

Segundo Mayana, a avaliação dos INCTs foi satisfatória, em termos gerais. Os resultados mais importantes, no entanto, deverão aparecer dentro de mais alguns anos.

“Os recursos foram liberados no fim de 2008 e nós ainda não concluímos 2010. Sabemos que os resultados de fato vão aparecer depois de três ou quatro anos – foi o que ocorreu com os Cepids, que, segundo o próprio ministro Sergio Rezende, foram o modelo que inspirou a criação dos INCTs”, disse.

Impacto na Amazônia
O coordenador do INCT Madeiras da Amazônia, Niro Higuchi, explicou que o instituto tem buscado consolidar o manejo florestal sustentável na Amazônia por meio da exploração da floresta primária em faixas com o menor impacto ambiental possível.

Entre as iniciativas, destacou os tratamentos silviculturais, a realização de um inventário de insetos e plantas, o desenvolvimento tecnológico de processamento de madeiras da Amazônia e de produtos alternativos para aproveitamento de resíduos de indústrias madeireiras e de técnicas inovadoras para manufatura de produtos de madeira de alta qualidade e maior valor agregado.

“Se formos comparar a produção de madeira na Amazônia e o desmatamento, vemos claramente uma correlação entre ambas. A produção de madeira na Amazônia é altamente predatória: 68% da produção de madeira vem do corte ilegal e apenas 25% vem do corte legal. Temos nesse INCT dois grandes grupos relacionados, um de manejo florestal e o outro de tecnologia da madeira. Se não melhorarmos as tecnologias da madeira, não teremos nunca um manejo florestal sustentável. Nosso grande desafio é melhorar o rendimento da floresta”, disse.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenador do INCT dos Serviços Ambientais da Amazônia (Servamb), Philip Fearnside, apresentou os principais resultados do instituto, que tem cinco grupos de pesquisa envolvendo temas como “Mudança de uso da terra e emissões”, “Florestas secundárias, Agroflorestas, Fragmentação e efeitos de borda” e “Hidrologia”. “O que temos em maior quantidade são os dados relacionados ao carbono e aos efeitos da floresta em evitar o aquecimento global”, disse.

Segundo ele, o Servamb está tentando promover uma nova base para a economia na Amazônia, pois atualmente essa economia utiliza muito a destruição da floresta. “Também é importante quantificar quanto de carbono ganhamos quando se cria uma reserva e quanto se perde quando desmatam a floresta”, afirmou.

Recursos humanos
Segundo Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física de São Carlos, da USP, e coordenador do INCT de Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal em Doenças Infecciosas (INBEQMeDI), os institutos já estão cumprindo um papel importante na aproximação de pesquisadores brasileiros com parceiros de outros países.

“Estamos recebendo instituições e agências de vários países, como Alemanha, França, Holanda, Canadá e Espanha, em busca de acordos de cooperação. Os INCTs são uma porta de entrada para colaborações internacionais, que não só promovem a integração dos pesquisadores como ajudam a criar massa crítica, a dar visibilidade para nossa pesquisa e a abrir canais para captação de recursos”, afirmou.

O INCT de Técnicas Analíticas Aplicadas à Exploração de Petróleo e Gás, coordenado por Colombo Celso Gaeta Tassinari, professor do Instituto de Geociências da USP, está permitindo a formação de uma rede de pesquisadores que já existia no papel há algum tempo, mas não conseguia efetivamente estabelecer-se, segundo o pesquisador.

“A meta é formar massa crítica significativa e de alta qualificação para dar sustentação às próximas décadas nas atividades ligadas aos estudos exploratórios e de reservatórios de óleo e gás”, disse.

No caso do INCT para Mudanças Climáticas, coordenado por Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o investimento está permitindo estimular a formação de uma ampla rede de 250 pesquisadores espalhados por 70 instituições brasileiras e dez internacionais e patrocinar estudos que vão além da tradicional pesquisa sobre o clima, abordando aspectos como a adaptação às mudanças climáticas, a mitigação de seus efeitos, além de avançar na determinação das causas do aquecimento global.

“Observar as mudanças climáticas não nos dá o direito de afirmar que todas as causas são antropogênicas. Temos alterações de vegetação muito significativas que nos levam a mudanças de caráter regional. Para entendermos, é importante ter pesquisa de caráter interdisciplinar, que envolva não só o climatologista, mas também o agrônomo, o biólogo e o cientista social”, disse.


Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

INCT-Ineu - 1º Simpósio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos

Estudos sobre os Estados Unidos
A presença norte-americana é tão marcante no Brasil que se criou por aqui a ideia de que os assuntos sobre os Estados Unidos são muito familiares e bem cobertos por pesquisas. Mas nos últimos anos o interesse em desenvolver estudos sobre os Estados Unidos vem crescendo, diante da constatação das lacunas existentes no conhecimento sobre o país – isso ironicamente em um período desfavorável para a maior economia do mundo.

Esses são alguns dos diagnósticos dos pesquisadores que participam do 1º Simpósio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu), que termina nesta sexta-feira (26/11), em São Paulo. O instituto tem apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os participantes defendem a necessidade de conhecer mais profundamente as instituições e sociedade norte-americanas.

De acordo com Reginaldo Nasser, do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e coordenador da mesa temática “Instituições e Sociedade Norte-Americana”, o objetivo do evento é fazer um balanço e discutir perspectivas de estudos brasileiros sobre os Estados Unidos. “Nossa meta é criar uma agenda de temas que possam fomentar pesquisas entre os alunos de graduação e da pós-graduação”, disse.

Os palestrantes abordaram temas como imprensa, política exterior, cultura e sociedade. Carlos Eduardo Lins e Silva, consultor de comunicação da FAPESP, focou sua análise no jornalismo norte-americano, destacando a pouca presença da temática nas universidades brasileiras. “Muitas vezes a defesa de se estudar os Estados Unidos é vista como adesão à ideologia americana. Esse é um erro recorrente”, afirmou.

Autor de O adiantado da hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro – resultado de trabalho desenvolvido entre 2007 e 2008 no Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington –, Lins e Silva destacou que, apesar de a imprensa brasileira se basear em grande parte na experiência norte-americana, seus veículos se adaptaram à realidade local.

Segundo ele, um tema que mereceria estudos é o modelo de negócios adotado na mídia impressa. “Sabemos que o modelo de negócios da mídia impressa nos Estados Unidos faliu. Eles sabem que precisam mudar ou o jornal se tornará irrelevante do ponto de vista político e cultural, e inviável economicamente”, disse.

Ele cita como exemplo anúncio de um novo jornal, o Daily, da empresa News Corp, cujo conteúdo será produzido exclusivamente para dispositivos do tipo tablet, como o iPad, e custará US$ 0,99 por semana.

“A questão é tentar entender, por exemplo, por que eles chegaram a esse ponto e a mídia impressa brasileira continua saudável. Não acho que tudo aquilo que aconteça nos Estados Unidos deverá acontecer aqui tardiamente. A história mostra que não é assim. Mas entender esse processo pode nos ajudar também”, disse.

Matias Spektor, da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, abordou a política externa norte-americana. Segundo ele, que também apresentou assuntos relevantes para estudo na área de relações internacionais, é preciso entender como se formou o caráter liberal da política norte-americana.

“O sistema político norte-americano é pulverizado em relação à política externa, ou seja, o executivo não tem capacidade de definir sozinho a agenda política. A sociedade e as instituições dos Estados Unidos têm um papel decisivo nesse processo”, disse.

Spektor também destacou algumas áreas temáticas nas relações internacionais como o papel da religião e o papel dos lobbies na política externa americana. “São áreas que carecem de estudos", disse ao acrescentar que uma outra vertente de pesquisa seria analisar como a sociedade e instituições americanas atuam na política externa sob a perspectiva do "pensamento econômico".

O historiador Antonio Pedro Tota, da PUC-SP, falou da importância de pensar a “cultura americana” e deu como exemplo o papel do empresário e político Nelson Rockefeller, lembrando de sua relação com o Brasil, quando por aqui esteve como enviado especial do governo dos Estados Unidos nos anos 1960.

“Rockefeller teve uma atuação importante no Brasil como um homem preocupado com a cultura e memória. Nos Estados Unidos, cheguei até mesmo a encontrar a planta original do Museu de Artes de São Paulo”, contou.

Tota pesquisou durante anos documentos no Rockefeller Archive Center e no National Archive Building, em Washington, e publicou artigos sobre a atuação de Rockefeller no Brasil. “Existe uma infinidade de documentos históricos sobre o Brasil que ainda precisam ser analisados”, disse.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Unicamp: Pós-doutorado em mudanças ambientais

O Projeto Temático "Crescimento urbano, vulnerabilidade e adaptação: dimensões ecológicas e sociais de mudanças climáticas no litoral de São Paulo", coordenado por Lúcia da Costa Ferreira, no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e submetido ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, tem uma oportunidade para bolsista de pós-doutorado.

A vaga se refere ao subcomponente do projeto "Conflitos entre expansão urbana e a cobertura vegetal e suas consequências para as mudanças ambientais globais: um estudo no litoral de São Paulo".

O selecionado desenvolverá pesquisa sobre inter-relação entre mudanças sociais e ambientais, focando sua análise nos processos sociais locais relacionados a dinâmicas ambientais mais amplas, em especial as mudanças climáticas.

Os pré-requisitos do candidato à bolsa são:
* Ser doutor em ciências sociais;
* Experiência em sociologia ambiental, em especial temas relacionados a processos de conflitos e reordenamentos socioambientais envolvendo uso e ocupação de áreas naturais alvos de interesses conservacionistas;
* Experiência em pesquisa de campo envolvendo metodologias sociológicas e antropológicas;
* Experiência em grupos de pesquisa interdisciplinares;
* Familiaridade com a perspectiva construcionista da questão ambiental, teoria da ação, teóricos do conflito e teoria antropológica: análise situacional, dramas sociais, observação direta e participante.

As inscrições deverão ser feitas até o dia 10 de dezembro de 2010 pelo email . A divulgação do resultado final ocorrerá em 5 de janeiro de 2011.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Fonte: Agência FAPESP

3º Latin America Course and Workshop Embrionic Stem Cells as a Model System for Embryonic Development

Curso sobre células-tronco no México
O Consulado Geral Britânico em São Paulo, em parceria com o MRC Centre for Regenerative e o Institute for Stem Cell Research da Universidade de Edinburgh, o Wellcome Trust Center for Stem Cell Research da Universidade de Cambridge e a Universidade Autônoma do México promovem o 3º Latin America Course and Workshop Embrionic Stem Cells as a Model System for Embryonic Development.

O evento ocorrerá de 27 de fevereiro a 18 de março de 2011 em Cuernavaca, no México, e será composto por diversas atividades, que incluem um curso prático e palestras com especialistas em células-tronco embrionárias.

O objetivo do encontro é fortalecer a troca de experiências entre pesquisadores da América Latina e do Reino Unido e estabelecer colaborações em pesquisas sobre células-tronco embrionárias entre cientistas das duas regiões.

Para isso, serão selecionados estudantes em nível de doutorado, pós-doutorado ou jovens pesquisadores integrantes de grupos de pesquisa na área, sendo entre 16 a 19 participantes da América Latina e cinco a oito do Reino Unido. Os custos com passagens aéreas e acomodação dos estudantes selecionados serão cobertos pela organização do evento.

As inscrições para participar da seleção devem ser feitas até o próximo dia 15 de dezembro.

Fonte: Agência FAPESP

Políticas de CT&I e de Desenvolvimento Produtivo precisam estar articuladas

A ciência, tecnologia e inovação devem estar fortemente acopladas ao desenvolvimento industrial, ao comércio exterior e as políticas de CT&I e de Desenvolvimento Produtivo precisam estar fortemente alinhadas. A análise é do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Ronaldo Mota, que participou ontem (24), em Brasília (DF), do Congresso ABIPTI 2010.

Ele lembrou que até recentemente poucas empresas privadas nacionais tinham atividades de P&D, o que pode ser explicado pela cultura empresarial pouco estimulante para a inovação e falta de políticas governamentais.

“Hoje há uma clareza por parte dos empresários de que sem estabelecer como prioridade a questão da inovação as empresas não têm como seguir, assim como é preciso estabelecer políticas governamentais em todas as escalas. É preciso ter uma política nacional acoplada às políticas estaduais e muitas vezes às municipais”, frisou.

Mota lembrou que até pouco tempo só existiam dois instrumentos do governo para apoiar a inovação nas empresas: crédito da Finep com juros de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) mais 5%, e incentivos fiscais da Lei de Informática. “Isso era o conjunto de políticas que tínhamos, absolutamente pouco”.

A meta do governo é atingir neste ano a marca de 1,5% do PIB em investimento em CT&I. Desse total, 0,85% é proveniente de investimento público e 0,65% privado. Nos países avançados, mais de 70% dos dispêndios são realizados pelas empresas. “Qualquer relação saudável aponta sempre investimento privado superior”, disse Mota.

Marco regulatório
O marco regulatório atual implica em uma nova realidade do ponto de vista empresarial e na relação das empresas com o mundo acadêmico. Um dos exemplos é a Lei do Bem. Hoje são 650 empresas beneficiadas contra 130 em 2006, um salto de R$ 2,1 milhões para R$ 8,1 milhões, e de 0,09% do PIB para 0,3%.

Uma lei que, segundo o secretário, veio desburocratizar o processo. “Uma empresa que queira investir em inovação consegue deduzir do imposto de renda contribuição social do lucro liquido, aquilo que ela investe seja em equipamento, seja em contratação de pessoal de uma forma desburocratizada”.

Outro avanço do ponto de vista do marco regulatório é a Lei de Inovação de 2004 que permite que o Estado realize subvenção. Em 2006, a demanda era de 1,1 mil projetos totalizando investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão. Hoje são 2,5 mil projetos que somam R$ 5,2 bilhões. “São políticas governamentais que constituem elementos que mudam o cenário e induzem o empresário a investir”, concluiu.

Fonte: Isadora Lionço Gestão CT