quarta-feira, 24 de novembro de 2010

1859: publicada a Teoria da Evolução de Darwin

Com sua obra "Sobre a origem das espécies através da seleção natural", de 24 de novembro de 1859, Charles Darwin contrapôs-se à versão cristã da criação do mundo e tornou-se um dos cientistas mais combatidos da época.

No ano de 1859 foi dado o mais radical dos golpes contra a "ordem mundial divina". O cientista inglês Charles Darwin publicou Sobre a origem das espécies através da seleção natural, obra na qual ele havia trabalhado por 20 anos. Foram impressos 1.250 exemplares, esgotados já no dia seguinte. A história da criação do mundo proposta por Darwin tornou-se um best-seller da noite para o dia.

Apesar de todos os protestos, a teoria darwiniana impôs-se no meio científico. As provas apresentadas pareciam por demais concludentes para serem contestadas: variação, seleção, estabilização da seleção e, repetidamente, o acaso.

Darwin afirmava que as espécies são criadas e exterminadas a partir do "princípio da tentativa e do erro"; seres vivos superiores desenvolvem-se, assim, a partir de formas menores. A evolução, que tem como base esse princípio, foi também considerada válida para os seres humanos.

Segundo Darwin, não somos nada mais que mamíferos que caminham eretos. O choque do século foi perfeito: o homem deixando de ser a imagem e semelhança de Deus para tornar-se um sucessor do macaco. Na época, Darwin não teve a coragem de dizer isso abertamente, embora certamente deva ter especulado a respeito.

Levado pelo espírito pesquisador de seu tempo, o cientista inglês passou cinco anos dando a volta ao mundo a bordo do navio Beagle. Nessa viagem, recolheu toda gama de informações e observações que depois viriam a ser sistematizadas e categorizadas ao longo de sua vida. Para isso, o pai da Teoria da Evolução examinou as mais variadas formações geológicas, bem como a multiplicidade de organismos e fósseis encontrados nos diversos continentes e ilhas que visitou.

Lei do mais forte

Ao passar pelas Ilhas Galápagos, por exemplo, Darwin anotou em seu diário de pesquisas que em cada ilha do arquipélago havia diferentes espécies de tartarugas, graúnas e tentilhões. Apesar de parentes próximos, os animais encontrados em cada ilha diferenciavam-se no tamanho e na forma de alimentação.

Baseando-se nessa obervação, Darwin concluiu que todas as espécies semelhantes entre si desenvolveram-se a partir de uma origem comum. Esse mecanismo, que leva as espécies a modificarem-se para adaptar-se ao meio ambiente, foi chamado por ele de "seleção natural". Esta seleção faz com que apenas os mais fortes sobrevivam.

Em suas viagens pelo mundo, Darwin chegou à conclusão de que o homem não surgira como criação divina. Mais do que isso, o ser humano foi considerado por ele como produto final – mas ainda provisório – de uma linha de evolução biológica.

A teoria darwiniana questionava assim as explicações bíblicas de criação do mundo descritas no Gênesis. Um deus que faz diversas tentativas, comete erros e, após uma série de tempestades pelo caminho, se vê obrigado a recomeçar tudo de novo, não combinava definitivamente com a imagem do criador todo-poderoso encontrada na Bíblia.

O ateísmo propagado pelo espírito científico abalou os fiéis, para os quais os "hereges" arruinavam o mundo. O clero, no entanto, havia se tornado mais cuidadoso. A Igreja, afinal, já tinha sido obrigada a reconhecer, dois séculos antes, que o Sol realmente não girava em torno da Terra, contradizendo uma ordem do papa e os tribunais da Inquisição. E agora mais esta: Deus não havia criado todos os seres; estes seriam meras obras do acaso!

Darwin roubou do ser humano sua condição especial no universo, colocando-o sob o jugo da biologia. Segundo a teoria darwiniana, também o homem precisa adaptar-se às exigências do habitat natural. A prova disso é que, no correr dos séculos e milênios, ele acabou por modificar-se em função desse meio.

A teoria de Darwin trouxe sérias consequências, acima de tudo para o mundo cristão. No entanto, apesar do progresso científico, não foram derrubadas todas as crenças religiosas que envolvem a criação do mundo.

Criacionismo

Ao contrário disso, nos últimos anos tem crescido o número de fundamentalistas religiosos que crêem na veracidade absoluta das palavras bíblicas em todos os sentidos.

Nos Estados Unidos, os chamados criacionistas declararam guerra à "teoria do macaco" de Darwin, desde sua publicação. E com sucesso. A influência dessa corrente faz com que em alguns Estados norte-americanos o criacionismo seja ensinado nas escolas.

Ainda hoje, é terminantemente proibido em alguns Estados do país a simples menção nas escolas da existência da Teoria da Evolução de Darwin. Em seu lugar, ensina-se dogmaticamente uma interpretação literal da teoria da criação presente na Bíblia.

Entretanto, como a origem do mundo e do ser humano vai além das rivalidades entre cientistas, a controvérsia entre evolucionistas e criacionistas acabou por atingir a esfera política e social. O presidente norte-americano, George W. Bush, defendeu durante sua campanha eleitoral no ano 2000 um tratamento igualitário das duas correntes nas escolas norte-americanas.

O interesse de Bush estava provavelmente atrelado ao fato de que 45% dos cidadãos do país afirmam acreditar no criacionismo. Observe-se aqui que até mesmo o papa João Paulo 2º anunciara em Roma, em 1996, que a Teoria da Evolução de Darwin seria compatível com a fé cristã.Barbara Fischer (sv) 

Fonte: DW

Seminário H2O 2012 – Recursos Hídricos e Desenvolvimento Sustentável - Nachhaltige Entwicklung: die Ressource Wasser

A presidente do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), Profa. Dra. Sabine Kunst, abre nesta quinta-feira (25/11) o seminário H2O 2012 – Recursos Hídricos e Desenvolvimento Sustentável - Nachhaltige Entwicklung: die Ressource Wasser, promovido pelo DAAD em Recife de 25 a 27 de novembro.

Eleita recentemente a reitora do ano na Alemanha por sua atuação à frente da Universidade de Potsdam, Sabine Kunst assumiu a presidência do DAAD em julho. O DAAD é a maior organização de fomento ao intercâmbio acadêmico e científico do mundo. Seu orçamento atual beira os 400 milhões de euros e seus programas beneficiam anualmente mais de 57 mil estudantes, professores, pesquisadores e gestores universitários, alemães e estrangeiros.

O seminário reunirá mais de 100 ex-bolsistas do DAAD para discutir temas de diversas áreas (engenharia, ciências sociais e humanas e ciências naturais), mas sempre relacionados à questão hídrica e à sustentabilidade. As palestras e discussões serão conduzidas pelos professores alemães Dr. Jackson Roehrig, da FH Köln, e Dr. Jürgen Stamm, da TU Dresden, e pelos brasileiros Dra. Maria do Carmo Sobral, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fátima Brayner, da Universidade do Estado de Pernambuco (UPE), e Dr. Marcelo Cancela Lisboa Cohen, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Também participará da abertura do seminário o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig, que durante sua primeira visita oficial a Pernambuco visitará igualmente evento do roadshow Alemanha – sua parceira em pesquisa e desenvolvimento, realizado pelo Ministério Alemão da Educação e Pesquisa (BMBF), e o workshop sobre biologia sistemática da Universidade de Potsdam. As três atividades integram a programação do Ano Brasil-Alemanha de Ciência, Inovação e Tecnologia 2010-2011.

No roadshow Alemanha – sua parceira em pesquisa e desenvolvimento, instituições alemãs de investigação científica apresentam a estudantes e à comunidade cientíifica brasileira os potenciais da cooperação em ciência e educação e as possíveis soluções para os desafios globais. O workshop sobre biologia sistemática reunirá pesquisadores brasileiros e alemães. Bioenergia e regulação genética estarão em pauta no evento organizado pela Universidade de Potsdam em conjunto com a UFPE.

Fonte:DAAD

Embrapa e Braskem: parceria em de nanotecnologia e uso de fontes renováveis

Embrapa e Braskem dão início ao convênio de cooperação científica e tecnológica para identificar nanofibras de celulose de diferentes fontes vegetais mais produtivas, com melhor desempenho e biodegradáveis para uso na indústria. Com início previsto para o dia 25 de novembro, como parte da programação da solenidade de posse do chefe geral da Embrapa Instrumentação, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, o projeto tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (Fipai).

Com prazo para execução de três anos e recursos de R$ 500 mil, o projeto faz parte do programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da Fapesp, que vai participar com aporte de R$ 252 mil, os outros R$ 248 mil serão investidos pela Braskem. Esse programa tem como objetivo apoiar financeiramente projetos de pesquisa cooperativos a serem estabelecidos em parcerias com instituições de ensino superior e de pesquisa, públicas ou privadas, do Estado de São Paulo.

O primeiro passo para a realização desse estudo foi dado quando a Braskem e a Fapesp firmaram convênio de cooperação científica e tecnológica, no âmbito do Programa PITE. A Braskem, então, pode selecionar uma instituição para desenvolver pesquisa à base de fontes vegetais. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de uma de suas unidades, a Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), é a instituição parceira nesta pesquisa, com longo histórico de interações com a indústria.

Para o chefe geral, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, o convênio é uma importante oportunidade de estreitar a relação com a indústria e um desafio para a ciência em desenvolver tecnologias que possam efetivamente ser empregadas, de acordo com a necessidade de mercado de produzir novos materiais a partir de fontes agrícolas.

“Essa integração traz benefícios importantes para ambas as partes, na medida em que propicia o ambiente ideal para o desenvolvimento do trabalho científico e a inovação aplicada”, acrescenta Edmundo Aires, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Braskem.

Para o desenvolvimento de nanofibras estão sendo envolvidos três pesquisadores e cinco bolsistas da Embrapa Instrumentação, que terão como matéria-prima para o estudo o bagaço de cana, resíduos de casca de coco, variedades específicas de algodão colorido, sisal, curauá e resíduos agrícolas. Todo o material será caracterizado de acordo com as várias técnicas empregadas pela Embrapa Instrumentação, que já vem há anos estudando a extração de nanofibras.

Fonte: TN Petróleo

Paraguay, Brasil y Argentina firmaron acuerdo para manejo sostenible de los ríos Paraná y Paraguay

FAO apoyará a los tres países mediante un proyecto para el manejo sostenible de las pesquerías fluviales en los tramos limítrofes de los ríos Paraná y Paraguay.

FAO apoyará a los gobiernos de Brasil, Paraguay y Argentina mediante un proyecto que busca promover el manejo sostenible, la seguridad alimentaria y la erradicación de la pobreza en las regiones ribereñas de los Ríos Paraguay y Paraná.

El Proyecto Regional “Piraguasu” busca mejorar el manejo de las pesquerías en los tramos fronterizos de estos ríos y de este modo asegurar su sostenibilidad en los tres países involucrados.

“El sistema Paraná-Paraguay cubre una superficie total de 3 200 000 km2 y sus aguas contribuyen directamente a la seguridad alimentaria de las poblaciones ribereñas,” señaló José Graziano da Silva, el Representante Regional de la FAO para América Latina y el Caribe.

El proyecto “Piraguasu” analizará la situación actual de las pesquerías artesanales, deportivas y de subsistencia, establecerá un programa de cooperación para su manejo sostenible, entregará informes anuales acerca de su estado de conservación, y capacitará al personal tanto del sector público, como privado y de las organizaciones sociales.

En dos años de duración, y con una inversión total de 497 000 dólares US, el proyecto también trabajará con pescadores de subsistencia de las pequeñas poblaciones y asentamientos, además de grupos étnicos indígenas, como los avaguarani en Paraguay.

Una cooperación entre tres países
El proyecto abarca los tramos de los ríos Paraná y Paraguay, limítrofes entre Argentina, Brasil y Paraguay. Involucra a las provincias de Formosa, Chaco, Corrientes y Misiones del lado argentino, en el segmento brasileño, comprende al estado de Paraná, y al estado de Mato Grosso del Sur y en Paraguay implica a las gobernaciones de Alto Paraná, Itapua, Misiones, Ñeembucú y Central.

“Nuestra subcuenca es una de las más importantes del mundo en términos ambientales, sociales y de recursos naturales”, señaló Héctor Lacognata, el Canciller de Paraguay, país en que más de 12 mil pescadores serán beneficiados por la implementación del proyecto.

Las pesquerías artesanales en los tramos compartidos de los ríos Paraná y Paraguay tienen una importancia crucial como fuente de trabajo para amplios sectores de la población ribereña y aseguran el abastecimiento de pescado a las comunidades litorales.

Por su parte, la pesca de subsistencia contribuye significativamente a la supervivencia de los pobladores ribereños de menores ingresos, mientras que la pesca deportiva y de recreación, asociada con el turismo, muestra un desarrollo creciente y moviliza importantes recursos económicos.

Fonte: Rodrigo Flores / FAO

Modelos de distribuição espacial de espécies são eficazes, mas precisam considerar a dimensão temporal


A vez do tempo
Graças às novas tecnologias e a investimentos satisfatórios, os estudos sobre biodiversidade têm explorado com eficiência a dimensão espacial dos biomas. Mas, para que o conhecimento avance, é preciso investir na dimensão temporal, com estudos de longa duração.

Essa foi a síntese da palestra de abertura do International Workshop on Long-Term Studies on Biodiversity apresentada pelo coordenador do evento, Luciano Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

O encontro, promovido pelo Programa Biota-FAPESP, foi realizado nesta terça-feira (23/11), em São Paulo, com o objetivo de sensibilizar a comunidade científica a respeito dos chamados programas de estudos de longa duração sobre biodiversidade.

Tendência em vários países, esses estudos possibilitam entendimento – em escalas espacial e temporal mais amplas – dos processos biológicos e humanos que determinam o padrão de distribuição e a abundância de espécies.

De acordo com Verdade, que é membro da coordenação do Biota-FAPESP, os estudos de longo prazo em documentação e conservação da biodiversidade não são apenas uma tendência, mas uma necessidade incontornável.

“Quando levamos em conta a complexidade dos estudos que tratam da conservação e abundância das espécies, vemos que se trata de uma necessidade. Por isso, o workshop não tem como objetivo apenas apresentar o estado da arte de determinado tema ligado à biota. Temos foco em um objetivo prático: trazer para São Paulo a experiência de grupos de pesquisa que tenham trabalhado em estudos de longa duração”, disse.

O evento, segundo ele, é coerente com as diretrizes da segunda fase do programa da FAPESP, chamada de Biota+10 e iniciada em 2009. Em sua primeira década, o programa teve foco em levantamento da fauna e flora em território paulista. Nos dez anos seguintes, estabeleceu-se que, além desses objetivos, seriam acrescentadas novas abordagens interdisciplinares.

“Esperamos que o compartilhamento dessas experiências internacionais possa despertar o debate para que possamos, com o Biota e a FAPESP, implantar programas de estudo de longo prazo”, disse Verdade.

O desafio de realizar estudos de longa duração em São Paulo não representa apenas uma necessidade de aumentar o tempo cronológico das pesquisas, mas também de considerar uma nova forma de percepção do tempo. “Precisamos passar a perceber o tempo de forma diferente, não apenas em termos cronológicos, mas em forma de processos”, disse.

Verdade explicou que na Grécia pré-helênica o conceito de tempo era dividido em duas palavras diferentes, correspondentes a dois deuses: Cronos e Cairos. O primeiro correspondia ao tempo cronológico, massacrante e implacável. O segundo era o deus das estações e correspondia a um tempo “existencial”, ligado aos processos.

“Na cultura ocidental moderna temos uma só palavra para a ideia de tempo, mas na prática o tempo tem várias faces. Precisamos nos voltar para esse tempo dos processos”, disse.

Com a instrumentação disponível atualmente, a partir de investimentos com satélites e estruturas computacionais, entre outros, foi possível construir uma ideia avançada da percepção da heterogeneidade espacial dos biomas.

“Isso ganhou tanta projeção que muitas vezes subestimamos o papel da heterogeneidade temporal para a realidade que queremos monitorar e modificar. Os modelos são, em geral, baseados na presença e ausência de espécies, mas não em sua abundância. Em geral, a dimensão do tempo é achatada, de forma que os modelos consideram apenas os padrões momentâneos. Outra limitação do aparato de satélites e dos modelos é que eles só permitem observar os padrões modernos”, afirmou.

Dimensão temporal
Quando se observa uma matriz composta de plantações de eucaliptos e de alguns remanescentes de vegetação nativa, por exemplo, é fácil perceber que a presença de carnívoros é maior nos pontos onde a paisagem é mais heterogênea. Isto é, a heterogeneidade espacial influencia os padrões de presença e abundância das espécies.

“Mas as projeções mostram essas comunidades em um só momento, não sendo capazes de trazer uma compreensão dinâmica de seu padrão ao longo do tempo. Uma das premissas que geralmente usamos nos artigos científicos é que há uma correlação entre os índices de abundância e a abundância real dos animais. Mas é possível que haja variação, de forma que essas figuras representem algo mais influenciado pelo método de observação do que a realidade de fato”, afirmou.

Na discussão de resultados, muitas vezes, os artigos científicos partem da premissa de que os padrões detectados não variam com o tempo, segundo Verdade.

“A partir daí se recomenda aos gestores públicos que qualquer mudança nos padrões é um perigo para a biodiversidade. Mas, quando se insere a dimensão temporal, sabemos que é inevitável que haja mudanças nos padrões. Portanto, é arriscado recomendar a manutenção de padrões definidos sem a dimensão temporal”, explicou.

Outra premissa comum é que espécies raras sejam mais propensas à extinção. “Sabemos que essa premissa também não é sempre verdadeira. Pelo contrário, na natureza é comum ser raro. E é raro ser comum. Por isso, partir do pressuposto de que as espécies raras são bons indicadores de qualidade do habitat também é arriscado”, disse.

“Quando vamos a campo e partimos da imagem de satélite para algo mais próximo às espécies em si, em relação à paisagem, percebemos que há muitos fragmentos de florestas e matrizes de pastagens e de cana-de-açúcar. Esse é um ambiente típico no Estado de São Paulo. Cada uma dessas manchas que forma a paisagem tem uma variação ao longo de um ano que pode ser dramática para os padrões que vamos encontrar”, disse Verdade.

As paisagens cobertas por plantações de cana-de-açúcar – que totalizam 9 milhões de hectares no Brasil – têm variações anuais entre zero e 100 toneladas de biomassa por hectare, segundo Verdade. Essa biomassa proporciona o aparecimento de espécies como roedores, por exemplo, que atraem seus predadores para essas áreas.

“A presença de muitas das espécies pode variar se considerarmos os padrões ao longo do tempo. Algo parecido ocorre nas plantações de eucalipto, que variam entre zero e 300 metros cúbicos de madeira em ciclos de seis a sete anos. Algumas espécies conseguem usar esses recursos criando cadeias tróficas mais simples que a da cobertura original, mas que não podem ser ignoradas”, explicou.

Certas flutuações tendem a ser cíclicas em maior ou menor escala. Outras mostram um padrão de espécies que aumentam sua presença, colonizando a paisagem. Outras, ainda, tendem a desaparecer, por não se adaptar. Algumas podem desaparecer e depois voltar.

“Algumas espécies podem apresentar um padrão caótico de flutuação e outras podem apresentar variações populacionais determinadas por eventos singulares”, indicou.

Mais dados
A presença humana, que também varia ao longo do tempo, precisa ser considerada quando se vai a campo, segundo o professor do Cena. “Além disso, temos que considerar a evolução das espécies, uma vez que elas se adaptam às mudanças do ambiente”, disse.

“Esse processo de adaptação pode ser fisiológico, de aclimatação, mas pode ser proveniente também de uma mudança no patrimônio gênico de certas espécies. Para algumas delas, poucas décadas representam centenas de gerações”, completou.

Por conta de todas essas modificações constantes dos padrões ao longo do tempo, os estudos em biodiversidade precisam considerar uma escala espaço-temporal mais longa.

“Para estudar os processos ao longo do tempo, precisamos trabalhar em rede nessas paisagens, montando e mantendo um banco de dados aberto, que mostre nossos diversos biomas e as paisagens agrícolas principais do estado. Os dados gerados precisam ser compatíveis e comparáveis – o que não é trivial sob nenhum ponto de vista”, afirmou Verdade.

A vantagem desse tipo de estudo, segundo ele, é que a precisão conseguida pelos modelos de presença, abundância e distribuição das espécies é muito maior.

“Hoje, os lugares vazios nos mapas correspondem à ausência de evidências da presença de uma espécie. Queremos que esses vazios passem a ser, ao contrário, a evidência de ausência das espécies. Isto é, muitas das lacunas que temos atualmente nos mapas não significam que ali há pouca presença das espécies. Significa que há pouca presença de dados”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

FAPESP e Universidade de Surrey: chamada de propostas para pesquisadores de SP e UK em todas as áreas do conhecimento

A FAPESP e a Universidade de Surrey, no Reino Unido, lançam seleção pública de propostas para intercâmbio de pesquisadores no âmbito do acordo de colaboração científica e tecnológica entre as instituições.

Podem apresentar propostas pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior ou pesquisa, públicas ou privadas, no Estado de São Paulo, responsáveis por Auxílios à Pesquisa vigentes apoiados pela FAPESP, nas modalidades Auxílio à Pesquisa – Regular, Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático ou nos programas Apoio a Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes (JP) e Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).

Em cada proposta, podem se candidatar para o intercâmbio o próprio pesquisador responsável, pesquisadores doutores e bolsistas de pós-doutoramento da FAPESP associados ao projeto vigente.

A chamada está aberta a todas as áreas do conhecimento. O período de atividade do intercâmbio, de até 24 meses, deve estar contido na duração do projeto apoiado pela FAPESP.

A FAPESP e a Universidade de Surrey destinarão cada uma o equivalente a até 6 mil libras por ano para cobrir despesas de transporte, moradia e seguro dos selecionados.

As solicitações deverão ser apresentadas simultaneamente pelo pesquisador no Estado de São Paulo (à FAPESP) e por seu colaborador no Reino Unido (à Universidade de Surrey) até o dia 15 de fevereiro de 2011.

Fonte: Agência FAPESP

CTBE oferece bolsas de pós-doutorado

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), localizado em Campinas (SP), está com seleção aberta de candidatos para duas bolsas de pós-doutoramento.

As oportunidades, para implantação imediata, são para o projeto “Ação de hidrolases em substratos celulósicos insolúveis: desenvolvimento de ferramentas para a biorrefinaria de lignocelulose”, aprovado junto ao Programa Nacional de Pós-Doutorado. As bolsas serão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A seleção dos candidatos terá duas etapas. Na primeira, será feita análise do currículo disponível na Plataforma Lattes e de uma carta de apresentação. Essa carta deverá ser redigida em inglês, com um máximo de duas páginas, e enviada para os e-mail de Marcos Buckeridge  e Simone Godoi . A carta deverá versar sobre a experiência prévia do candidato e sobre seu interesse de trabalhar em um laboratório nacional voltado à bioenergia. A segunda etapa será de entrevistas dos candidatos pré-selecionados na primeira etapa. Os perfis para os dois bolsistas estão detalhados a seguir.

Perfil 1: Doutoramento com atividade experimental em ciência dos materiais, biofísica ou áreas afins. Desejável experiência com: espalhamento de raios X, análises térmicas, análises por adsorção gasosa e tratamentos estatísticos de dados. O foco do trabalho será no processamento e caracterização de materiais celulósicos, com ênfase em seus aspectos estruturais e morfológicos.

Perfil 2: Doutoramento com atividade experimental em ciências biológicas ou áreas afins. Desejável experiência anterior em purificação de proteínas, análise de carboidratos, planejamento experimental e otimização de processos.

O foco do trabalho será a clonagem e expressão heteróloga de enzimas em fungos filamentosos e preparação de coquetéis enzimáticos.

Fonte: Agência FAPESP

Santa Catarina deverá ganhar Instituto Tecnológico Naval

Santa Catarina deverá ganhar Instituto Tecnológico Naval, garante Eike Batista

Em almoço com políticos catarinenses, Eike Batista garantiu, no início da tarde de ontem (22), que o Instituto Tecnológico Naval (ITN) será implantado em Santa Catarina. Ele afirmou que está esperando de oito a dez projetos alternativos para a área onde seria instalado o estaleiro da empresa OSX em Biguaçu.

Estavam presentes ao almoço o senador eleito Luiz Henrique da Silveira, o governador e o vice-governador eleitos em SC, Raimundo Colombo e Eduardo Pinho Moreira, e o prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps.

O empresário, acompanhado de executivos e técnicos, comentou sobre possibilidades diferentes para o terreno em Biguaçu. Mas descartou a implantação de qualquer tipo de estaleiro.

"Ele não quis se adiantar sobre nenhum projeto, porque cada proposta será discutida pela diretoria do grupo. Mas comentou que está fora dos planos um outro estaleiro, mesmo que menor", disse Deschamps.

O ITN será pioneiro em sua área de atuação no país. Segundo José Eduardo Fiates, diretor executivo da Fundação Certi e um dos envolvidos no projeto, o instituto funcionará em uma espécie de sistema de rede, ou seja, ele terá uma sede no Sapiens Parque, em Canasvieiras, e laboratórios e núcleos em outras partes do Estado, trabalhando em parceria com instituições de ensino como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Instituto Federal de Educação (IFSC), entre outras.

"Teremos cursos para formar técnicos na área mecânica, eletrônica, naval, atendendo a todas as indústrias do setor naval, de petróleo e gás. No total, teremos 15 qualificações técnicas diferentes", adianta Fiates.(Diário Catarinense - 23/11/2010)

Fonte: TN Petróleo

Unesp e Petrobrás inauguram o Unespetro - Centro de Geociências Aplicadas ao Petróleo

Centro com ênfase no pré-sal
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Petrobras inauguraram, nesta terça-feira(23/11), no campus de Rio Claro, o edifício do Centro de Geociências Aplicadas ao Petróleo (Unespetro), que atuará na formação de especialistas e no desenvolvimento de pesquisas, com ênfase em rochas carbonáticas – que formam a camada pré-sal e outros importantes reservatórios petrolíferos brasileiros.

Com 2 mil m² de área útil, foram investidos inicialmente R$ 10,5 milhões para construção do prédio e compra de equipamentos e mobiliário. Do valor total, cerca de R$ 9,2 milhões são vinculados à Rede Tecnológica da Petrobras e R$ 1,3 milhão corresponde à contrapartida da Unesp, que responde também pela contratação de professores e servidores técnico-administrativos.

“O Unespetro é o primeiro complexo de uma universidade brasileira concebido sob a perspectiva sistêmica para reunir as principais ciências que compõem a geologia sedimentar, tendo como alvo principal as rochas carbonáticas”, disse Dimas Dias Brito, coordenador do centro e professor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp em Rio Claro (IGCE).

O reitor da Unesp, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, destacou a importância do novo centro no âmbito da participação da instituição nos esforços para o desenvolvimento científico e tecnológico, voltado para a melhoria da qualidade de vida, para a conservação ambiental e para a superação das desigualdades sociais.

A criação do Unespetro é uma das principais iniciativas para o desenvolvimento do Sistema de Capacitação, Ciência e Tecnologia em Carbonatos (SCTC). Esse sistema é resultado de acordo firmado em fevereiro entre a Petrobras, a Unesp e as universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Federal Fluminense (UFF) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O SCTC visa a avançar o conhecimento de rochas ainda relativamente pouco conhecidas pela indústria e pelo meio acadêmico, sobretudo em relação aos tipos ocorrentes no pré-sal.

Fonte: Agência FAPESP 

Cnem: R$ 40 bilhões na construção de usinas nucleares

A construção de usinas nucleares pelo governo brasileiro nos próximos 15 anos deve movimentar cerca de R$ 40 bilhões no período e dar impulso ao segmento industrial brasileiro. A previsão é da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem), que apresentará hoje (23), durante o 1º Encontro de Negócios de Energia Nuclear, em São Paulo, possibilidades de investimentos no setor, que poderá gerar cerca de 50 mil empregos.

No evento, a Cnem divulgará um estudo inédito com as demandas do Programa Nuclear Brasileiro. O documento avaliou a necessidade de serviços, insumos e matérias-primas para a conclusão da Usina Angra 3 e a construção de mais quatro unidades até 2025. Desde a necessidade de formação profissional, a lista inclui a produção de equipamentos tecnológicos, componentes eletromecânicos e peças que serão usadas nos ciclos do combustível nuclear.

De acordo com o coordenador-geral de Planejamento e Avaliação da Cnem, Francisco Rondinelli Júnior, para a construção de Angra 3, que está em andamento e deve ter todos os materiais e serviços licitados em cerca de um ano e meio, há a estimativa de que 70% do fornecimento sejam nacionais. Com a exposição das demandas do programa, o objetivo é ampliar esse percentual na construção das demais usinas, adequando e qualificando o setor.

"Apesar da descontinuidade do programa nuclear, que constrói usinas nucleares num intervalo muito grande e acaba desmobilizando o setor industrial, existe o fato de a indústria do petróleo no país estar produzindo insumos comuns. Existe um parque industrial que atende ao segmento de petróleo e gás que está bem próximo do que exigimos. Alguns itens precisarão de certificação, mas nem todos, portanto existe uma capacidade", afirmou.

Em relação ao domínio da produção do urânio, combustível das usinas nucleares, o coordenador explicou que o país detém a tecnologia, mas precisa ampliá-la para escala industrial. Dessa maneira, destacou que os negócios poderão também se expandir em países com os quais o Brasil mantém acordos de cooperação na América Latina, como a Argentina. "Apesar de as usinas serem diferentes, outros países também falam em energia nuclear, como o Chile", acrescentou.

O 1º Encontro de Negócios de Energia Nuclear será realizado na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, e também abordará investimentos em energia nuclear nas áreas de saúde a agricultura. O encontro será encerrado hoje.

Fonte: Agência Brasil

Seed 2010: Bicicleta de bambu ganha prêmio ambiental

Projeto africano foi um dos 30 homenageados com o Seed 2010, que valoriza ações sobre sustentabilidade nos países em desenvolvimento

Uma empresa que produz bicicletas de bambu e outra que fabrica máquinas de lavar que independem de água encanada ou energia elétrica para funcionar estão entre os 30 vencedores do Prêmio Seed (“Semente”, em inglês), que reconhece ideias inovadoras e voltadas para a sustentabilidade nos países em desenvolvimento.

Em sua quinta edição, a iniciativa ofereceu aos contemplados, além de ajuda financeira no valor de US$ 5 mil, um pacote de serviços de apoio que inclui assessoria para desenvolvimento e melhoria do plano de negócios, oficina de empreendedorismo local e divulgação de ações no cenário regional, nacional e internacional.

O projeto das bicicletas feitas com bambu, desenvolvido em Gana, no oeste da África, foi reconhecido por aproveitar uma das matérias-primas mais abundantes do país para montar um meio de transporte acessível aos mais pobres e adequado às condições de terreno locais.

Já a iniciativa “IziWasha”, da África do Sul, recebeu o prêmio por criar um inovador dispositivo portátil para lavar roupas - sem depender de água encanada ou energia elétrica -, que vai beneficiar comunidades de baixa renda.

O Quênia, outro país africano, também teve iniciativas agraciadas com o Seed. Entre elas, destacam-se um projeto para substituir um milhão de lanternas de querosene por lâmpadas solares e outro para trocar postes de madeira por plástico reciclado.

Nas Américas, o único projeto contemplado com o Seed foi um colombiano, que investe em produtos não-madeireiros para reduzir o desmatamento de florestas. Em edições anteriores, iniciativas brasileiras estiveram entre as ganhadoras.

O Projeto Bagagem, que desenvolve pacotes de turismo que propiciam a criação de novos empregos e atividades comunitárias, deu início à série, em 2007. No ano seguinte, foi a vez do Pintadas Solar e, em 2009, entre os contemplados estavam Piabas do Rio Negro, Uso Sustentável de Sementes Amazônicas e 1 Milhão de Cisternas.

A rede Seed foi fundada em 2002 por PNUD, PNUMA e a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), e incentiva ações inovadoras, que podem ser implantadas em outros locais, que tenham participação das comunidades, que combatam a pobreza e promovam o uso sustentável dos recursos naturais.

Fonte: PrimaPagina