sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Biodiversidade na Floresta Amazônica é mais antiga do que se estimava

 Amazonia Through Time: Andean Uplift, Climate Change, Landscape Evolution, and Biodiversity 

Effects of Rapid Global Warming at the Paleocene-Eocene Boundary on Neotropical Vegetation

Origem épica da Amazônia
A biodiversidade extraordinária encontrada na Floresta Amazônica é mais antiga do que se estimava. Dois artigos publicados na edição desta sexta-feira (12/11) da revista Science ampliam o conhecimento a respeito da dramática evolução do ecossistema mais rico em biodiversidade no planeta

O artigo de revisão de Carina Hoorn, da Universidade de Amsterdã, e colegas destaca recentes descobertas que reconhecem a lenta elevação da cordilheira dos Andes como a principal força propulsora da extraordinária biodiversidade da região. O artigo tem a participação de pesquisadores brasileiros das universidades federais do Acre (UFAC) e de Uberlândia (UFU) e da Petrobras.

Extraindo informações de uma ampla gama de disciplinas, entre as quais filogenia molecular, ecologia, geologia estrutural e paleontologia, os autores oferecem uma visão geral dos antigos habitantes e dos clássicos processos geológicos da Floresta Amazônica ocorridos durante a era Cenozoica, que abrangeu os últimos 65,5 milhões de anos.

Eles explicam como a elevação dos Andes desencadeou um complexo processo geológico que gradualmente deu origem ao hotspot de biodiversidade que hoje constitui a maior floresta tropical do planeta.

No segundo artigo, Carlos Jaramillo, do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical no Panamá, e colegas expõem os efeitos de um dos eventos de aquecimento global mais repentinos dos últimos 65 milhões de anos – o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (MTPE) – nas florestas tropicais da Colômbia e da Venezuela.

Os resultados demonstram que as florestas tropicais prosperaram nas condições de altas temperaturas e elevadas concentrações de dióxido de carbono que dominavam a região há 55 milhões de anos.

Os pesquisadores apresentam dados de pólen, esporos e outras matérias orgânicas fossilizadas de três locais tropicais que revelam um claro aumento na diversidade das plantas (na sua maioria, entre espécies de plantas frutíferas) durante o MTPE. Suas conclusões contrastam com o antigo pressuposto de que o estresse térmico afeta negativamente os ecossistemas tropicais.

Os artigos Amazonia Through Time: Andean Uplift, Climate Change, Landscape Evolution, and Biodiversity (doi: 10.1126/science.1194585), de Carina Hoorn e outros, e Effects of Rapid Global Warming at the Paleocene-Eocene Boundary on Neotropical Vegetation (10.1126/science.1193833), de Carlos Jaramillo e outros, podem ser lidos por assinantes da SciencE.

Fonte: Agência FAPESP

IPT: nova ponte estaiada em São Paulo é avaliada

A nova ponte estaiada em construção na zona Norte da capital paulista, que ligará a avenida do Estado à Marginal Tietê no sentido Castelo Branco, passou por uma bem-sucedida bateria de testes no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para a avaliação dos efeitos estruturais devido às ações dos ventos na região.

De acordo com o IPT, os ensaios foram realizados no túnel de vento do Centro de Metrologia de Fluidos (CMF) do instituto. O trabalho se concentrou nas determinações dos efeitos do vento sobre um modelo seccional do tabuleiro da ponte, pois esse é o elemento estrutural que está sujeito às maiores cargas de vento.

“O ensaio em túnel de vento de modelos seccionais de pontes permite resultados com alto grau de confiabilidade, possibilitando que o projetista da estrutura utilize esses dados na avaliação de segurança das estruturas”, disse o pesquisador Gilder Nader, responsável pela operação do túnel.

Para realizar as análises experimentais, foi construído, instrumentado e monitorado um modelo na escala 1:50, pela empresa Laboratório de Sistemas Estruturais, parceira no ensaio, sob coordenação de Pedro Afonso de Oliveira Almeida, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

O modelo manteve para a escala reduzida as relações de forma geométrica, massa, rigidez e amortecimento do protótipo. No túnel, o tabuleiro foi acoplado a um conjunto de molas e massas que simulam essas características dinâmicas do tabuleiro da ponte. Os efeitos estruturais do modelo reduzido foram registrados pela monitoração das forças de sustentação, forças de arrasto e as de aceleração do tabuleiro, grandezas medidas com células de carga e acelerômetros.

No ensaio da ponte no túnel de vento do IPT foram realizadas medições em modelo rígido (ensaio estático) e em um modelo aeroelástico (ensaio dinâmico). No primeiro foram obtidos os coeficientes de arrasto, sustentação e momento do tabuleiro. Nos testes dinâmicos foram determinadas a velocidade de desprendimento de vórtices (lock-in) e a velocidade crítica de instabilidade aerodinâmica.

No caso dos ensaios dinâmicos, uma das preocupações é verificar se o fenômeno de lock-in ocorre para uma velocidade de vento que não traria riscos estruturais à ponte. “O lock-in é um fenômeno que ocorre quando a frequência de emissão de vórtices é próxima da frequência de ressonância da estrutura. Nessa situação, é comum haver grandes oscilações na estrutura”, disse o pesquisador Paulo Jabardo, do IPT.

Outros fenômenos analisados são o drapejamento (flutter) e o martelamento (buffeting). Um caso clássico de drapejamento foi registrado em 1940, em Washington, Estados Unidos, quando uma ponte então recém-construída sobre o estreito de Tacoma entrou em ressonância, e consequentemente em colapso, com ventos de 65 km/h.

De acordo com o IPT, a ponte Rio-Niterói também apresentava problemas de grandes oscilações, que chegavam a 60 centímetros, e o trânsito tinha que ser interrompido para ventos com velocidade da ordem de 55 km/h. Nesse caso, a solução foi implementar atenuadores dinâmicos para diminuir substancialmente as vibrações.

Com as novas técnicas de simulação em túnel de vento é possível prever os efeitos de vibração da estrutura de uma ponte, evitando que correções posteriores sejam feitas.

Fonte: Agência FAPESP

Ano Brasil-Alemanha de C,T&I : cidades brasileiras recebem instituições alemãs

Doze renomadas instituições de pesquisa alemãs se apresentam em quatro cidades brasileiras, em novembro, por ocasião do Ano Brasil-Alemanha da Ciência, Tecnologia e Inovação 2010/2011. Elas estarão presentes em Porto Alegre (RS), no dia 22; em Belo Horizonte (MG), dia 24; em Recife (PE), no dia 26; e no Rio de Janeiro (RJ), dia 29.

Promovido pelo Centro Alemão de Inovação e Ciência São Paulo e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, o evento debaterá questões ligadas à cooperação entre instituições de pesquisa da Alemanha e parceiros brasileiros, áreas de pesquisa mais procuradas para cooperações, entre outros assuntos.

Participarão palestrantes das universidades de Bochum, Aachen, Tübingen, Münster, Livre de Berlim, Técnica de Munique, além de representantes do Centro Aeroespacial Alemão, do Centro de Pesquisas de Jülich, do Instituto Federal Alemão de Pesquisas de Materiais, do Fraunhofer-Gesellschaft, do Leibniz-Gemeinschaft e do Centro Helmholtz para Pesquisas Ambientais.

Fonte: Gestão CT

Pesquisadores sugerem formação de rede sul-americana de pesquisa em filogeografia


Rede de filogeografia
Para promover o desenvolvimento das pesquisas em filogeografia é preciso uma maior comunicação e integração entre as áreas relacionadas. A afirmação foi feita por pesquisadores presentes no Simpósio Internacional sobre Filogeografia, organizado pelo Programa Biota-FAPESP nos dias 8 e 9 de novembro na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP).

Os cientistas também se comprometeram a, nos próximos seis meses, formatar uma rede colaborativa sobre filogeografia que reúna pesquisadores na América do Sul.

“Precisamos de uma rede de colaboração para integrar áreas e visões e para podermos pensar juntos as importantes questões levantadas no simpósio”, disse João Alexandrino, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e co-organizador do encontro.

De acordo com Celio Haddad, professor do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do evento, o objetivo do simpósio foi plenamente atingido.

“Nosso objetivo foi divulgar a filogeografia, um ramo multidisciplinar da ciência que reúne um conjunto de áreas. Pretendemos dar um impulso na filogeografia por meio do programa Biota-FAPESP. O simpósio atendeu tanto a especialistas quanto a graduandos que querem iniciar nessa área”, disse Haddad, que também é membro da coordenação do Biota-FAPESP.

“Tivemos a participação de estudantes de biologia, geografia, ecologia, geologia e outras áreas. Além de reunir pesquisadores, quisemos alcançar os graduandos”, disse.

Durante os dois dias, o público deparou com uma complexidade de temas que envolveu desafios e avanços nas pesquisas. Foram apresentados estudos sobre biogeografia e paleoecologia, além de trabalhos filogeográficos em plantas, organismos aquáticos, anfíbios, pássaros e mamíferos.

Durante os debates, os pesquisadores levantaram alguns pontos divergentes, como o conflito entre o papel da taxonomia e da filogeografia. Segundo eles, é preciso uma maior aproximação entre as duas áreas.

Outro ponto levantado disse respeito às fontes de dados disponíveis. “Vimos uma concentração de trabalhos sobre a Mata Atlântica, particularmente na região Sudeste. Mas há muitas regiões não apenas no Brasil como em toda a América do Sul que ainda não foram exploradas nem discutidas”, disse Luciano Beheregaray, professor das universidades Flinders e Macquarie, na Austrália.

Segundo Alexandrino, a concentração de trabalhos na Mata Atlântica e nas regiões Sudeste e Sul se justifica. “A estrutura do simpósio seguiu a lógica das pesquisas. Houve associação com o número de estudos publicados nos últimos anos nessa área”, disse.

Scott Edwards, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, falou sobre a necessidade de padronizar as diferentes técnicas utilizadas para os estudos filogenéticos. “As diferentes técnicas empregadas nas análises são importantes porque esclarecem similaridades e diferenças entre as espécies”, disse.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research: Workshop de Ciência Ambiental

Avanço computacional e ambiental
Pesquisadores do Brasil e do exterior participaram nesta quinta-feira (11/11), na sede da FAPESP, do Workshop de Ciência Ambiental, promovido pelo Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research.

O objetivo do grupo de trabalho, de acordo com a gerente do Programa de Pesquisas da Microsoft Research (MSR), Juliana Salles, é planejar um experimento multidisciplinar de pesquisas na área ambiental.

No encontro, cientistas da área ambiental colocaram colegas da área computacional em contato com suas principais necessidades de pesquisa, do ponto de vista tecnológico. Em contrapartida, especialistas em várias áreas da ciência da computação apresentaram o estado atual de desenvolvimento de sistemas e tecnologias que podem ser úteis para a pesquisa ambiental.

De acordo com Juliana, o workshop foi inspirado em um projeto iniciado em 2009, que teve foco no desenvolvimento de redes de sensores ambientais adaptados às florestas tropicais. O projeto consistiu na instalação de uma rede piloto tridimensional de 50 sensores, na Serra do Mar, na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.

Os sensores, desenvolvidos em parceria entre a Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) e a MSR, são destinados a coletar dados em grande escala, permitindo a observação contínua e o monitoramento inteligente de dados como temperatura, umidade e concentração de dióxido de carbono no solo.

“O workshop foi inspirado nesse projeto, com a ideia de expandi-lo tanto em termos de escala como de escopo. Queríamos distribuir um número maior de sensores, da ordem de centenas ou milhares e, ao mesmo tempo, integrar outras disciplinas”, disse Juliana.

Além disso, o objetivo é assegurar que o experimento motive uma forte reflexão sobre como a tecnologia computacional pode abrir caminho para o avanço da ciência e, ao mesmo tempo, como a ciência pode estimular o desenvolvimento tecnológico da área computacional.

“Em vez de focalizar apenas no sensor e na tecnologia, queremos que os pesquisadores pensem quais perguntas científicas não podem ser exploradas em função da falta de tecnologia. E como a tecnologia pode facilitar essa exploração científica. O foco é antecipar o que poderemos descobrir se tivermos os recursos certos”, disse.

Nos grupos de discussão, segundo Juliana, o workshop explorou alguns cenários a fim de propor um experimento para os mesmos. “O foco foi entender quais são as perguntas de pesquisa e definir o que podemos usar em termos de tecnologia para habilitar essa investigação”, disse.

A partir dos resultados do workshop, o Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research identificará possíveis colaboradores interessados em participar do experimento multidisciplinar. “A ideia é criar um plano de trabalho para os próximos anos, integrando pessoas e disciplinas. Esperamos que isso nos ajude a planejar a execução desse plano experimental”, disse.

Do ponto de vista de ciência da computação, o experimento abordará todo o ciclo de pesquisa: desde a aquisição de dados até metodologias de visualização, arquivamento e compartilhamento das informações. Assim como o projeto desenvolvido na Serra do Mar, o experimento terá financiamento direto do instituto – isto é, não estará atrelado às chamadas anuais do Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP-Microsoft Research.

“Mas esperamos que essa discussão estimule outros projetos no futuro, atrelados ou não às chamadas. Temos no grupo de trabalho, por exemplo, profissionais da área de bioenergia que talvez não se integrem neste experimento especificamente. Mas que, a partir desse debate, possam se interessar em submeter propostas”, destacou.

Segundo Juliana, os principais desafios identificados até agora pelo grupo se concentram nos problemas de visualização e tratamento de dados de maneira geral.

“A coleta dos dados é um problema, mas um dos desafios mais importantes é desenvolver maneiras para analisar e visualizar esses dados de forma que gerem um insight interessante para o pesquisador. O ambiente de dispersão é também um desafio, pela própria hostilidade do ambiente natural”, disse.

Outro desafio central é o da multidisciplinaridade, já que a discussão envolve pessoas com interesses e treinamentos distintos. “Um biólogo focaliza determinados atributos do problema científico de maneiras diferentes de um especialista em ciências atmosféricas. O desafio é fazer com que os interesses possam convergir para fazermos um experimento em comum”, afirmou.

Desafio multidisciplinar
Claudia Bauzer Medeiros, professora titular do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC-Unicamp) e membro da coordenação da área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP, destacou a importância do workshop em reunir especialistas de áreas muito diferentes, que normalmente não dialogam.

“Cada um mostrou sua metodologia, seu enfoque e seus problemas, o que abre sem dúvida novas possibilidades de projetos que integrem diferentes pontos de vista e necessidades. Especialistas na área computacional apresentaram sistemas já desenvolvidos para evidenciar a gama de possibilidades que temos disponíveis. A ideia é que as necessidades de pesquisa na área ambiental motivem uma adaptação dessas tecnologias”, disse.

As possibilidades de aplicação das tecnologias computacionais em ciência do meio ambiente são praticamente infinitas, segundo a pesquisadora, envolvendo desde a coleta e o monitoramento de dados do solo, do subsolo, da atmosfera e do clima, por exemplo, até o tratamento, o armazenamento e a visualização dessas informações.

“Existe uma gama imensa de possibilidades para coletar dados e monitorar o que está ocorrendo. Temos desde sensores para observar o crescimento de raízes, por exemplo, a outros para monitorar a umidade, luminosidade, ventos, fluxos de seiva, fluxos e poluição de água, de velocidade de sedimentos no leito de um rio. Os sensores podem ser usados desde o nível molecular, no interior da célula, até em satélites”, afirmou.

Ao lado de especialistas em ciências ambientais, meteorologia, solos e mudanças climáticas presentes no workshop, os cientistas das várias áreas da computação podem cooperar para facilitar o desenvolvimento de novas ferramentas, segundo Claudia, especificando novas formas de armazenar os dados, novos algoritmos e novos tipos de sensores. “Isso deverá facilitar o avanço da ciência nas áreas ambientais e, ao mesmo tempo, na ciência da computação”, disse.

Além da captação de dados, a maneira como eles são tratados é uma questão em aberto na ciência da computação. Um dos problemas centrais é como armazenar e integrar dados e que tipos de algoritmos devemos usar para manipulá-los.

“Temos, além disso, o desafio dos modelos de análise: que tipo de programas e algoritmos vamos ter em computação – a partir dos dados já disponíveis e tratados – para gerar modelos. E, finalmente, que novas formas de processamento de imagens teremos para visualizar esses modelos”, disse.

O diálogo multidisciplinar é fundamental para o avanço das pesquisas, segundo Claudia. Eventualmente, os cientistas poderiam pensar, por exemplo, em utilizar para o monitoramento de raízes no subsolo programas já desenvolvidos para o processamento de imagens de capilaridade de vasos sanguíneos na retina.

“Não sei se isso é possível porque não é minha área, seria preciso conversar com o pessoal de processamento de imagens. A capilaridade de raízes e vasos sanguíneos pode ter algo em comum. Mas será que os algoritmos são os mesmos, ou podem ser adaptados? Só saberemos se tivermos esse diálogo multidisciplinar”, destacou.

Fábio de Castro / Agência FAPESP

Relatório Unesco sobre Ciência 2010

Panorama da ciência no Brasil e no mundo
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou nesta quarta-feira (10/11), em Brasília e em Paris, simultaneamente, o Relatório Unesco sobre Ciência 2010. A data corresponde ao Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento.

O documento é editado a cada cinco anos para apresentar um diagnóstico do desenvolvimento mundial da ciência. No Brasil, o lançamento ocorreu em audiência pública no Senado Federal, em evento proposto pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que preside a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado e ressaltou o fato de o estudo dar destaque ao Brasil.

O país foi o único da América do Sul a ser contemplado com um capítulo exclusivo, de autoria de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Hernan Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Além de Brito Cruz e de Ribeiro, participaram da audiência Vincent Defourny, representante da Unesco no Brasil, Jailson Bittencourt de Andrade, representando a Academia Brasileira de Ciência (ABC), e Roosevelt Tomé Filho, secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social.

De acordo com Defourny, o relatório apresenta análises extensas sobre a evolução da ciência e tecnologia por regiões no mundo e destaca alguns países que apresentam características de evolução de políticas ou de investimentos que podem se tornar exemplares no contexto global.

“O relatório mostra que, ao lado da clássica tríade que sempre se destaca na ciência e tecnologia – Estados Unidos, Japão e União Europeia –, há a crescente importância de países emergentes como a Coreia do Sul, a India e a China. E também o Brasil, que aparece ainda de forma modesta, mas com um papel que lhe permite crescer e avançar”, disse Defourny.

Segundo ele, no caso do Brasil, os números indicam grande evolução recente no setor, mas uma relativa estagnação nos últimos anos. “O país desenvolveu uma base acadêmica competitiva em ciências, mas há ainda uma série de desafios. A taxa de crescimento no número de doutores, por exemplo, foi de 15% ao ano por muito tempo. Nos últimos três anos, o crescimento continuou, mas foi de apenas 5% por ano. É um sinal de estagnação. Será uma tarefa do novo governo federal olhar para esses dados de forma muito detalhada”, afirmou.

Um dos problemas diagnosticados pelo relatório no país é a falta de investimento no setor por parte do governo e, especialmente, das empresas privadas. “A pesquisa e desenvolvimento na indústria precisa receber uma atenção maior até mesmo do que a pesquisa acadêmica”, disse.

O relatório indica que o investimento em ciência no Brasil deriva principalmente do setor público: 55%. O país está abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na relação entre o investimento bruto em pesquisa e desenvolvimento (GERD, em inglês) e o produto interno bruto (PIB) do país.

Para alcançar a média da OCDE de financiamento público à pesquisa e desenvolvimento (P&D), o Brasil precisaria investir um adicional de R$ 3,3 bilhões ao ano, montante que corresponde a três vezes o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Nos gastos empresariais com P&D, a média dos países membros da OCDE é o triplo da encontrada no Brasil. Para igualar esse patamar, seria preciso aumentar os gastos privados no setor de US$ 9,95 bilhões ao ano para US$ 33 bilhões.

O desafio, de acordo com o capítulo produzido por Brito Cruz e Chaimovich, pede instrumentos de políticas públicas muito mais efetivos que os empregados até agora pelo Estado Brasileiro. Segundo Brito Cruz, além de reiterar a grande desigualdade regional na produção de ciências no Brasil, o relatório destacou a necessidade de uma melhor articulação entre as iniciativas federais e estaduais.

“Uma articulação entre políticas federais e estaduais não se resume a transferir recursos da União para os estados. É essencial, por exemplo, que os estados participem diretamente da produção de indicadores de ciência e tecnologia. Precisamos de uma política nacional de ciência, tecnologia e inovação, e não de uma política federal desconectada dos estados”, disse.

O relatório da Unesco revela um mapa no qual é possível comparar, periodicamente, o desempenho das várias regiões do mundo em ciência e tecnologia e avaliar suas políticas. Trata-se de um exemplo de como o Brasil deveria mapear o desempenho em suas regiões, de acordo com Brito Cruz.

“São Paulo tem feito isso, mas não temos os dados do Brasil para diagnosticar o que ocorre nos vários estados, para fazer comparações e para pensar em soluções integradas. Sem isso, fazemos um voo cego. A Unesco está dando um ótimo exemplo”, disse.

Menos cientistas em empresas
Entre as principais preocupações manifestadas por Brito Cruz em relação aos diagnósticos incluídos no relatório está o fato de a mais recente Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ter mostrado que o número de pesquisadores que trabalham em empresas no Brasil diminuiu entre 2005 e 2008.

“Isso é algo que deve nos preocupar muito, porque toda a estratégia e as políticas são feitas para levar mais pesquisadores para a empresa e esse número nem sequer ficou constante: diminuiu em 10% no período. É um problema que precisa ser bem entendido. Precisamos ter esses indicadores com frequência para podermos realimentar as políticas públicas”, destacou. O número de pesquisadores em empresas era de 35 mil em 2000, passou a 40 mil em 2003, 50 mil em 2005 e caiu para 45 mil em 2008.

Para Brito Cruz, houve evoluções importantes no setor no Brasil, mas não basta observar que os indicadores de resultados estão crescendo. “É preciso saber se estão crescendo em relação ao resto do mundo, com quem o país compete”, afirmou.

“A Coreia do Sul edita esse tipo de dados a cada três meses. No Brasil, depois de três anos descobrimos que há menos pesquisadores em empresas. Com tantas políticas, como isso está acontecendo? É preciso entender. Foi identificado o problema e pode haver uma explicação, mas não sabemos qual é. Trata-se de um alerta para nos perguntarmos que resultados essas políticas estão trazendo”, disse.

Outra preocupação, segundo Brito Cruz, é que, apesar da necessidade de formar mais recursos humanos, nas universidades federais o número de concluintes deixou de crescer desde 2004.

“Em 2008 houve menos concluintes do que em 2004. As federais têm uma importante qualidade acadêmica no Brasil, ainda que com heterogeneidade. Precisamos recuperar o crescimento desse sistema”, disse.


Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Portaria cria o Comitê de Articulação para a Promoção de Centros de Pesquisa e Projetos Estratégicos de Inovação

Por meio da portaria interministerial nº 930, de 5 de novembro, os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), da Educação (MEC) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), criaram o Comitê de Articulação para a Promoção de Centros de Pesquisa e Projetos Estratégicos de Inovação.

Chamado de Comitê Pró-Inovação, o objetivo é acompanhar, promover e incentivar, de forma coordenada, projetos empresariais de inovação e de instituições de ciência e tecnologia, no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Plano de Ação Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (Pacti 2007-2010).

Uma das atribuições do comitê é promover projetos de inovação de empresas no país, em especial a instalação e expansão de centros de pesquisa e desenvolvimento e projetos de pesquisa pré-competitivos, no país e no exterior. Além disso, a instância também irá fomentar o uso de instrumentos de política de forma articulada por parte das empresas, e sugerir aperfeiçoamentos de instrumentos e atos normativos de política aos órgãos e agências competentes.

Compõem a instância: as secretarias Executiva e de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT; a Secretaria de Inovação do MDIC; a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial; a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; o Instituto Nacional de Propriedade Industrial; o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial; a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior; o CNPq; e a Finep.

Fonte: Gestão CT

CNPq: Editais 35 e 26 têm mas de 200 propostas são selecionadas

Já está disponível no site do CNPq o resultado dos Editais 35 e 26, que selecionaram propostas com foco no meio ambiente. Ao todo, foram aprovados 219 projetos que contarão com recursos da ordem de R$ 20,5 milhões. As chamadas têm como escopo o desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro e a promoção do reflorestamento de áreas degradadas.

Do total das propostas, 167 foram aprovadas dentro do edital 35, destinado para o Semiárido. Tratam-se de iniciativas voltadas para a conservação, recuperação e utilização dos recursos naturais. Para esta chamada, o desembolso será de R$ 12,5 milhões, oriundos do CT-Hidro e da Ação Transversal.

Já o edital 26 investirá R$ 8 milhões em atividades de inovação, que contemplem o reflorestamento de áreas degradadas e ambientes impróprios para produção agrícola. Foram selecionadas 59 propostas. Os projetos visam, por exemplo, reduzir os impactos das ações antrópicas no meio ambiente; a melhoria da funcionalidade dos ecossistemas; entre outros.

Fonte: Gestão CT

Capes : 133 candidatos selecionados em dois editais de estágio no exterior

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado do Edital 10/2009, no âmbito do Programa de Estágio Pós-Doutoral no Exterior. Foram aprovadas 107 candidaturas.

O objetivo é conceder bolsas aos doutores brasileiros, como forma de contribuir com a inserção internacional desses pesquisadores, assim como o estabelecimento de intercâmbio científico e a abertura de novas linhas de pesquisa de relevância para o desenvolvimento da área no país.

A Capes também disponibilizou o resultado do edital no âmbito do Programa de Estágio Sênior no Exterior. Ao todo, 26 candidaturas foram aprovadas. As áreas contempladas são: ciências exatas, da terra e engenharias; ciências biológicas/ciências da saúde e ciências agrárias; ciências sociais aplicadas, letras/lingüística e artes; e ciências humanas.

O objetivo é conceder bolsas a doutores brasileiros, com formação obtida há pelo menos oito anos, com vistas ao intercâmbio científico e ao estabelecimento de parcerias com outros países.

Fonte: Gestão CT

Sebrae investiu mais de R$ 500 milhões em inovação

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) já investiu recursos da ordem de R$ 560 milhões em projetos de inovação neste ano. O anúncio foi feito na última sexta-feira (5), em São Paulo (SP), pelo diretor-técnico da instituição, Carlos Alberto dos Santos.

“São 40 mil indústrias em todo o país, de 21 setores da economia, que estão sendo beneficiadas por estes projetos”, destacou Santos. O trabalho realizado pela instituição foi elogiado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho.

Na avaliação dele, a atuação da entidade tem sido decisiva para o encadeamento produtivo entre grandes e pequenas empresas. “O Sebrae é o parceiro mais precioso que temos na MEI [Mobilização Empresarial pela Inovação]. Precisamos estruturar a grande escala a partir da base das pequenas empresas”, disse Coutinho.

Somente neste ano, o Sebrae lançou dois novos instrumentos para fortalecer os projetos de inovação. Tratam-se da nova formatação do Sebraetec, que tem investimentos previstos de R$ 787 milhões até 2013, e o Sebrae Mais, voltado para empresas avançadas, com mais de dois anos de atuação no mercado.(Com informações do Sebrae) 

Fonte: Gestão CT

Finep: 993 propostas para edital de subvenção econômica

O edital de subvenção econômica, que investirá R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis em projetos de inovação, recebeu 993 propostas. O balanço foi divulgado nesta semana pela Finep, agência responsável pela chamada. Em volume financeiro, a demanda apresentada totaliza R$ 1,9 bilhão.

De acordo com a instituição, o maior número de projetos enviados é da área de tecnologias da informação e comunicação, com 428 propostas submetidas. Desenvolvimento social recebeu 177 projetos, biotecnologia (125), saúde (120), energia (89) e defesa (54).

As propostas ainda passarão pelas fases de habilitação e análise de mérito, que observarão se os projetos têm aderência ao tema, o grau de inovação, viabilidade técnica e financeira, entre outros pontos. A divulgação do resultado final está prevista para os primeiros meses de 2011. A chamada opera com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).(Com informações da Finep) 

Fonte:Gestão CT

INMETRO: 1ª Oficina de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para MPEs

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) realiza no dia 17 de novembro, no Rio de Janeiro (RJ), a Primeira oficina de propriedade intelectual (PI) e transferência de tecnologia para micro e pequenas empresas.

A proposta do seminário é estimular a inovação em pequenos empreendimentos e para tanto abordará temas como: linhas de fomento para modernização; marca como posição estratégica de mercado; como a PI pode incrementar a competitividade; entre outros.

O evento contará com a participação de representantes da Finep, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).(Com informações do INPI) 

Fonte:Gestão CT

BNDES: Inovação deve valorizar a sustentabilidade

Para o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, a inovação brasileira deve ter um viés pró-exportação e apostar na sustentabilidade como diferencial competitivo.

“O Brasil tem matriz energética limpa, novas formas de energia e capacidade de desenvolver produtos com certificação verde, ambiental. Precisamos tirar proveito também de inovação com sustentabilidade ambiental e ter competência em comunicar isso para o mundo", destacou Coutinho na última sexta-feira (5), em São Paulo (SP).(Com informações da CNI)

Fonte: Gestão CT

3º Congresso Internacional de Inovação

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) receberá nos dias 17 e 18 deste mês, o 3º Congresso Internacional de Inovação. A proposta do encontro, que contará com palestrantes nacionais e internacionais, é fortalecer as alianças entre governo, universidades e empresas e intensificar a agenda para inovação.

De acordo com os organizadores, estão programadas sessões plenárias e painéis sobre educação, economia de baixo carbono, redes sociais, semicondutores, indústria naval e operações offshore e inovação social. As inscrições têm valores entre R$ 40 e R$ 120.(Com informações da Fiergs)

Fonte: Gestão CT

BIPF 2010 – BRIC IP Fórum: Os desafios para obtenção de direitos de propriedade intelectual em mercados emergentes

De 2 a 5 de dezembro será realizado, no Rio de Janeiro (RJ), o BIPF 2010 – BRIC IP Fórum, cujo tema será “Os desafios para obtenção de direitos de propriedade intelectual em mercados emergentes”.

Um dos objetivos é possibilitar que especialistas de propriedade intelectual (PI) dos países do BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China - encontrem mecanismos eficientes para superar os obstáculos que impedem uma adequada proteção dos direitos de PI.

Como parte da programação estão previstas discussões acerca dos temas “O Papel do Escritório de Patentes nos Países Emergentes”; “Importações Paralelas”; “O Sistema Internacional de Proteção à Propriedade Intelectual”; “Proteção Aduaneira dos Direitos de PI no Brasil”; entre outros.

Fonte: Gestão CT