quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vale e GE: cooperação para pesquisar inovações no setor de energia

A Vale e a GE assinaram na manhã desta quarta-feira (10), um termo de cooperação Técnica para a realização de parcerias em projetos relacionados ao desenvolvimento de infraestrutura do país. Boa parte da cooperação será focada em projetos de armazenamento, geração e distribuição de energia. O acordo foi assinado durante o lançamento do quinto centro multidisciplinar de pesquisa e desenvolvimento da GE no mundo, que será construído no Rio de Janeiro.

“A escolha do Brasil para receber o quinto Centro Global de Pesquisas da GE alavanca possibilidades de parcerias muito importantes, como essa com a Vale, onde juntos poderemos compartilhar conhecimento em outras áreas de pesquisa, como por exemplo, para o reuso de água e eficiência energética”, explicou Rafael Santana, presidente e CEO da GE Energy para a América Latina. Com este acordo, a Vale e a GE poderão compartilhar conhecimentos e experiências e trabalhar conjuntamente para:

• Cooperar na identificação de áreas de prioridade mútuas em pesquisa e desenvolvimento para oferecer subsídios no planejamento de longo prazo e atender os objetivos de negócios das duas empresas;

• Compartilhar informações sobre as atividades do Centro de Pesquisas Global da GE para auxiliar no planejamento estratégico em tecnologias e produtos-chave, incluindo a evolução da tecnologia de toda a rede global da GE;

• Desenvolver produtos e serviços que suportem o crescimento econômico e infraestrutura necessária, possibilitando a pesquisa e o desenvolvimento de uma gama de tecnologias como novas locomotivas, serviços e operações ferroviárias, sistemas de sinalização, armazenamento de energia, eletrificação, entre outros.

“Essa parceria é essencial para desenvolvermos tecnologias e soluções que possibilitem a produção sustentável de energia, sobretudo para empresas como a Vale que demandam um consumo elevadíssimo desse insumo importante para o desenvolvimento da empresa e do setor de mineração”, afirmou o diretor do Instituto Tecnológico da Vale, Luiz Mello.

Os compromissos da Vale com este acordo também incluem a cooperação com a GE para discutir as prioridades e necessidades de desenvolvimento tecnológico em áreas de interesse para ambas as partes e participar das revisões periódicas e programas das tecnologias dos produtos e soluções da companhia.

Com a instalação do Centro de Pesquisas Global no Brasil, a GE reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do País e espera, com parcerias como essa com a Vale, poder contribuir para os problemas mais complexos do futuro, garantindo soluções de alta tecnologia para os gargalos de infraestrutura do Brasil.

Fonte: TN Petróleo

Programa PITE leva cinco pesquisadores para a Braskem, que ganha competência em biotecnologia

Química verde
Cinco pesquisadores contratados por uma empresa. Essa foi a boa experiência vivida dentro do grupo do professor Gonçalo Guimarães Pereira, do Departamento de Genética, Evolução e Bioquímica do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Foram duas pós-doutorandas, dois doutorandos e um mestre que passaram a ser funcionários da Braskem, empresa brasileira que é a oitava petroquímica do mundo e quer adotar uma produção sustentável, com produtos, no caso insumos para a indústria de plásticos, fabricados pela via da biotecnologia utilizando fontes renováveis, principalmente cana-de-açúcar, e microrganismos.

“De repente fiquei sem alunos”, brincou Pereira, que coordena o projeto “Rotas verdes para o propeno”, do Programa Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP, realizado por sua equipe e pela Braskem com investimento total de R$ 8 milhões, sendo a metade da Fundação. “Tivemos bons resultados ao longo de três anos e produzimos duas patentes. Mas nosso papel na universidade não é produzir tecnologia, é fazer ciência alinhada com a tecnologia futura.”

Ele explica que a empresa queria ser líder em uma tecnologia desconhecida e ela foi buscar conhecimentos novos na universidade, onde a missão é de ter ideias e liberdade criativa. Para viabilizar as soluções encontradas no projeto PITE, que ainda não podem ser reveladas, a Braskem fez um acordo com o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), um dos três laboratórios associados do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), junto com o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e o Centro de Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas, no interior paulista. O convênio assinado com o LNBio prevê o estabelecimento da Plataforma Biotecnológica Braskem, num espaço alugado pela empresa dentro da instituição.

“Com isso, a empresa se vale da instrumentação e do conhecimento dos nossos pesquisadores em áreas da biologia molecular e estrutural, importantes para o aprofundamento científico necessário no atual estágio do projeto”, disse o professor Kleber Franchini, diretor do LNBio, entidade que atende a comunidade acadêmica, além de demandas pontuais de empresas.

“O laboratório Braskem estabelecido no LNBio é um ambiente entre o caos da universidade e a rigidez da empresa para que a tecnologia possa, junto com os nossos ex-alunos recém-contratados, amadurecer antes de ser incorporada pela companhia”, disse Pereira.

Os cinco alunos contratados pela Braskem que vão trabalhar no LNBio são as pós-doutorandas Joahana Rincones Perez e Inês Lunardi, os doutorandos Maria Carolina de Barros Grassi e Lucas Pedersen Parizzi e o mestre Felipe Galzerani. Todos tiveram bolsa da Braskem. A perspectiva é que o número de pesquisadores cresça.

“Queremos dentro de dois ou três anos, conforme o avanço das pesquisas, ter 40 pesquisadores da Braskem dentro do LNBio. Não tínhamos na empresa competência em biotecnologia e a maneira de obtê-la foi fazer a parceria com a Unicamp e a FAPESP”, disse Antônio Queiroz, diretor de tecnologia da empresa.

Em sinergia com o trabalho desenvolvido, a Braskem firmou um convênio com a Novozymes, multinacional dinamarquesa que desenvolve enzimas para processos industriais.

A Braskem, que inaugurou recentemente no Rio Grande do Sul uma fábrica de eteno derivado de etanol, matéria-prima para a fabricação de um tipo de plástico de largo uso, o polietileno, como em brinquedos e utilidades domésticas, quer investir cada vez mais em química de matéria-prima renovável.

“Agora estamos investindo nas rotas biotecnológicas. Queremos ser a empresa líder no mundo em química sustentável tanto em produtos renováveis como em produtos petroquímicos [origem das matérias-primas para plásticos] que na produção consumam menos água, energia e emitam menos CO2 ou ainda que ajudem a capturar esse gás da atmosfera”, disse Queiroz.

Segundo ele, para atingir esse patamar é preciso profissionais bem formados nessa área. “O aspecto de maior valor da parceria com a Unicamp e a FAPESP foi a formação de recursos humanos. Esse processo mostra que estamos diante de um novo modelo de interação universidade-empresa para geração de tecnologia e contratações de nível qualificado. Sabemos que no mundo a maior parte das pesquisas é feita nas empresas, mas não dá para a empresa surgir do nada. Mesmo em países como os Estados Unidos, é preciso começar na universidade com ideias inovadoras”, disse.

Oportunidade valiosa
Para os contratados, a parceria se transformou em uma grande oportunidade de exercício profissional. “Sempre quis trabalhar no ramo empresarial e em desenvolvimento sustentável”, disse a bióloga Maria Grassi, 25 anos. Ela defenderá sua tese de doutorado em 2011 que tem como tema a modificação genética de microrganismos para gerar polímeros “verdes”.

No caso de Lucas Parizzi, ainda faltam dois anos para apresentar sua tese de doutorado. Formado em ciência da computação, especializou-se em bioinformática. “Eu tinha interesse em genética e desde o segundo ano da graduação estudo bioinformática”, disse. Na tese, ele abordará a simulação computacional do comportamento metabólico de microrganismos.

“Foi muito bom ser contratado tendo meus estudos alinhados com as necessidades da empresa. Mesmo assim, existe a possibilidade de mudar o foco do trabalho no meio do doutorado sem prejudicar os objetivos da Braskem e da minha pesquisa”, disse Parizzi.

Outros alunos do grupo do professor Pereira estão sendo preparados para também trabalhar no laboratório da empresa no LNBio. “Já temos dois mestrandos e dois alunos da graduação que vão fazer mestrado, além de dois de iniciação científica que poderão ser contratados pela empresa para atuar como pesquisadores”, disse.

Fonte: Marcos de Oliveira / Pesquisa FAPESP

Furg: Rio Grande do Sul deverá ter parque científico do mar

A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) apresentou na última quarta-feira (3), para o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Eduardo Macluf, o projeto do Parque Científico e Tecnológico do Mar (Oceantec). A proposta foi desenvolvida em parceria com a prefeitura municipal de Rio Grande.

O Oceantec será instalado no Campus Carreiros da universidade, numa área de cinco hectares. O projeto já foi credenciado no Programa Gaúcho de Parques Científicos e Tecnológicos (PGtec), cujo objetivo é incentivar a implantação e consolidação dos parques no Estado. A proposta será, ainda, analisada pelo comitê gestor do programa.

Informações sobre a Furg podem ser obtidas no site www.furg.br.(Com informações da Furg)

Filogeografia fornece ferramentas importantes para entender a evolução de espécies em ambientes em constante mudança


Mudança e evolução
Como e por que algumas espécies se adaptam de maneira notável a um meio ambiente em constante mudança? E por que algumas respondem de modo diferente às alterações ambientais?

Apesar de a ciência ainda não ter respostas precisas a essas questões, a filogeografia – associada a áreas como biogeografia, biologia e geociência – tem fornecido ferramentas importantes que têm ajudado a elucidar aspectos relacionados à biologia da evolução.

Além dos desafios da filogeografia, essas questões marcaram o Simpósio Internacional sobre Filogeografia, organizado pelo Programa Biota-FAPESP.

Lacey Knowles, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, destacou o interesse crescente no mundo acadêmico com relação ao uso de dados genéticos para distinguir espécies.

“Os dados genéticos podem oferecer um instrumento valioso para identificar espécies. Contudo, o caminho pelo qual esses dados são interpretados pode levar a conclusões enganosas e, especificamente, a um fracasso em reconhecê-las”, afirmou.

A pesquisadora falou sobre consequências genéticas de mudanças induzidas pela alterações no clima. Os estudos conduzidos por seu grupo pretendem analisar macropadrões genéticos e a adaptação potencial das espécies em determinadas condições.

Para Nuno Ferrand, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto, em Portugal, o desenvolvimento e a diversificação da biologia, da genética molecular e da genômica, além do advento dos métodos de análise associado à crescente capacidade dos computadores, tornam possível o aumento do conhecimento a respeito de como as espécies se adaptam.

Segundo ele, uma das dificuldades atuais da filogeografia é tentar explicar por que algumas espécies se adaptam e reagem de formas diferentes em relação às mudanças e alterações ambientais.

“Já temos hipóteses consistentes para algumas espécies – como anfíbios, répteis e mamíferos como coelhos –, mas precisamos ampliar de forma substancial a amostragem do número de espécies”, disse.

Em sua palestra no simpósio, Ferrand falou sobre padrões filogeográficos em anfíbios, répteis e em espécies europeias de coelhos como modelo em biologia evolutiva.

“Estudamos esses organismos por serem especialmente adequados para a reconstrução da biogeografia histórica de uma região. A Península Ibérica é um refúgio biológico importante. É um lugar único na Europa para se estudar a dinâmica da diversidade biológica”, afirmou.

Ferrand apresentou um panorama das pesquisas desenvolvidas no Cibio, ligadas à biologia da evolução, em particular à documentação dos padrões de diversidade genética das populações naturais e à compreensão dos processos evolutivos que lhes deram origem.

O biólogo explicou que múltiplos processos evolutivos recentes – como fragmentação, expansão, hibridização, invasões e especiação – desenharam a arquitetura genética de anfíbios e répteis na Península Ibérica, resultando em uma diversidade “complexa e fascinante”.

Um exemplo dessa diversificação são os coelhos da ilha de Porto Santo, próximo à ilha da Madeira, em Portugal, espécie-modelo para estudos evolucionários e utilizados pelo grupo do Cibio há mais de 20 anos.

A multiplicação de coelhos na ilha dificultou a agricultura na região, uma vez que os animais devoraram as plantações. “Depois de se fazer uma análise das variantes genéticas da população de coelhos na ilha, verificamos que toda ela descende de um só casal”, disse.

Segundo ele, os estudos indicam que a coelha-mãe era uma coelha não domesticada. No século 19, já se defendia que esses animais teriam evoluído para uma espécie própria, denominada Lepus huxley. “Mas os estudos genéticos que conduzimos apontaram que não são uma espécie diferente, mas sim a mesma espécie adaptada às condições insulares”, disse.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Inpe e Jaxa: satélite Alos para monitorará emissões e desmatamento na Floresta Amazônica

Satélite japonês para monitorar a Amazônia

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pretende utilizar o satélite japonês Alos para monitorar emissões de gases e desmatamentos na região da Floresta Amazônica.

Na segunda-feira (8/11), o diretor do instituto, Gilberto Câmara, e o presidente da agência espacial japonesa Jaxa, Keiji Tachikawa, assinaram, em Tóquio, uma carta de intenções com essa finalidade.

A parceria deverá agregar a tecnologia japonesa – o radar que permite a observação por entre as nuvens – à experiência brasileira no monitoramento de florestas tropicais, que está sendo levada a outros países por meio dos cursos de capacitação técnica oferecidos pelo Inpe.

O Inpe já utiliza dados do Palsar em estudos na Amazônia e, com a nova parceria, pretende incorporar a tecnologia do radar aos seus sistemas regulares de monitoramento da região.

Os dados registrados serão utilizados no monitoramento para a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação em Países em Desenvolvimento (REDD).

Fonte: Agência FAPESP

IAC Formoso: Feijão com mais proteínas

O Instituto Agronômico (IAC), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolveu um novo cultivar que produz um feijão 23% mais rico em proteínas e que apresenta tempo de cozimento de apenas 20 minutos, menos do que feijões comuns.

Denominado IAC Formoso, o novo feijão levou sete anos para ser desenvolvido pela equipe do pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do Centro de Grãos e Fibras do IAC.

Segundo o IAC, o novo cultivar também oferece vantagens ao produtor. Da germinação à colheita ele se desenvolve em apenas 75 dias, 20 a menos em relação aos cultivares mais comuns na lavoura como, por exemplo, o IAC Alvorada.

De acordo com o instituto, que também desenvolveu o popular feijão carioquinha, as sementes do IAC Formoso deverão estar disponíveis para comercialização a partir de fevereiro de 2011.

“É um feijão com excelente qualidade e caldo grosso devido à liberação de sólidos solúveis totais durante o cozimento dos grãos”, disse Chiorato.

O cultivar foi desenvolvido pelo Programa de Melhoramento de Genética do Feijão, que desde a década de 1930 já lançou 40 cultivares, dos quais seis estão em uso.

Fonte: Agência FAPESP

ABDI: desafios da política industrial brasileira

Manter o crescimento nos próximos anos e aumentar os investimentos que incorporem novas tecnologias e agreguem valor aos produtos nacionais estão entre os principais desafios da política industrial brasileira. A avaliação foi feita hoje (8) pela diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Maria Luísa Campos Machado Leal, durante o Encontro de Especialistas em Política Industrial e Integração Produtiva.

Para Maria Luísa, outro desafio é a internacionalização das empresas brasileiras, embora já seja possível observar um crescimento da presença física de empresas do país no exterior.

Além disso, a diretora da ABDI destaca que é preciso fortalecer a capacidade de inovação das empresas brasileiras. “Temos legislação recente sobre esse assunto. E mecanismos que nos permitem dar mais apoio ao setor privado, com incentivos, inclusive fiscais, de inovação, como o mundo inteiro faz”, disse.

Maria Luísa enfatizou ainda a necessidade de um grande esforço para ajustar a política industrial à política educacional, no sentido de evitar restrições aos recursos humanos, além do aprofundamento da estrutura produtiva brasileira com a ampliação da participação dos setores intensivos de engenharia e conhecimento.

“O Brasil andou perdendo participação de empresas de alta intensidade tecnológica. Esse será o maior desafio que nós teremos nos próximos anos. A questão da eficiência da indústria com aumento de escala e produtividade”, afirmou a diretora da ABDI. Ela lembrou que o Brasil fez uma incorporação enorme de pessoas de “baixa renda a uma classe média emergente” e ressaltou que, além de políticas de transferência de renda, a continuidade desses esforços depende do crescimento da produtividade, do crescimento da produção.

“Só com isso nós conseguiremos reduzir os conflitos de capital de trabalho. E permitir um crescimento da renda dos trabalhadores e dos envolvidos nos processos produtivo”, acrescentou.

Maria Luísa Leal apontou ainda entre os desafios a necessidade de o país produzir de forma limpa. E a questão da sustentabilidade, segundo ela, está colocada na politica industrial para que as cadeias produtivas e todos os programas observem a importância de uma produção limpa e avancem nas questões da sustentabilidade ambiental.

Fonte: Agência Brasil