sexta-feira, 5 de novembro de 2010

IDH: Brasil sobe quatro posições, avanço é o mais expressivo de 2009 a 2010

Reformulado, Índice de Desenvolvimento Humano usa Renda Nacional Bruta em vez de PIB e apresenta novos indicadores sobre educação

O Brasil subiu quatro posições de 2009 para 2010 e ficou em 73º no ranking de 169 nações e territórios da nova versão do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que passou por uma das maiores reformulações desde que foi criado, há 20 anos. O índice brasileiro, de 0,699, situa o país entre os de alto desenvolvimento humano, é maior que a média mundial (0,624) e parecido com o do conjunto dos países da América Latina e Caribe (0,704), de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano. 
O documento, intitulado   A verdadeira riqueza das nações: caminhos para o desenvolvimento humano, foi divulgado nesta quinta-feira em Nova York.

Em razão da mudança de metodologia, não se pode comparar o novo IDH com os índices divulgados em relatórios anteriores. Mas seguindo a nova metodologia, em comparação com os dados recalculados para 2009, o IDH do Brasil mostra uma evolução de quatro posições.

A lista é encabeçada pela Noruega (0,938), seguida de Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda. A última posição é ocupada por Zimbábue (0,140), superado por República Democrática do Congo, Níger, Burundi e Moçambique. O Brasil está logo acima de Geórgia (74º), Venezuela (75º), Armênia (76º) e Equador (77º), e abaixo de Ilhas Maurício (72º), Macedônia (71º), Irã (70º), Ucrânia (69º) e Bósnia-Herzegóvina (68º).

O índice manteve suas características principais — varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano) e engloba três aspectos essenciais do desenvolvimento humano: conhecimento (medido por indicadores de educação), saúde (medida pela longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Assim, conserva a premissa que norteou sua criação em 1990: o progresso deve ser mensurado não apenas pelo crescimento econômico, mas também por conquistas em saúde e educação.

Para o 20º aniversário da publicação, foram introduzidas mudanças nos indicadores de renda e educação e no cálculo final (leia mais abaixo o texto “As mudanças na metodologia do IDH”). A reformulação resultou em aprimoramento, mas implicou uma redução no número de países e territórios abrangidos: 15 (incluindo Cuba, Omã e Líbano) saíram da lista por não disporem de informações verificáveis para pelo menos um dos quatro indicadores usados no índice.

Dos três subíndices que compõem o IDH, apenas o de longevidade não passou por alterações: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer. No subíndice de renda, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que contabiliza a renda conquistada pelos residentes de um país, incluindo fluxos internacionais, como remessas vindas do exterior e ajuda internacional, e excluindo a renda gerada no país, mas repatriada ao exterior. Ou seja, a RNB traz um retrato mais preciso do bem-estar econômico das pessoas de um país. No subíndice de educação, houve mudanças nos dois indicadores. Sai a taxa de analfabetismo, entra a média de anos de estudo da população adulta; para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez da taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos.


Evolução recente
Esta não é a primeira vez que o IDH passa por mudanças — a disponibilidade de novos dados e as sugestões de alguns críticos fizeram com que o índice se adaptasse ao longo das últimas duas décadas. Porém, a fim de possibilitar que sejam verificadas tendências no desenvolvimento humano, a equipe responsável pelo relatório usou a nova metodologia não só para calcular o IDH de 2010, mas também o de 2009 e de outros seis anos de referência: 1980, 1985, 1990, 1995, 2000 e 2005. Para o Brasil, há dados completos desde 2000.

Desde aquele ano, o IDH brasileiro teve um ganho de 7,6% (73ª maior variação numa lista de 137 países). O progresso foi mais rápido que o latino-americano (6,6%) e mais lento que o global (9,3%). De 2005 para cá, a alta foi de 3,1% (92º mais veloz em uma lista de 169 países e territórios). De 2009 para 2010, o aumento foi de 0,8%, o 53º mais elevado entre 169 países. Com isso, o Brasil subiu quatro posições desde o ano passado, a maior alta mundial — apenas França, Irã, Indonésia, Iêmen e Nepal chegaram perto disso (avançaram duas posições).

Na última década, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou 2,7 anos, a média de escolaridade cresceu 1,7 ano e os anos de escolaridade esperada recuaram em 0,8 ano. A renda nacional bruta teve alta de 27% no período.

Em comparação com países que estavam em nível semelhante de desenvolvimento em 2000 — os quatro logo acima e os quatro logo abaixo no ranking do IDH —, o Brasil saiu-se como um dos melhores. Se há dez anos era o quinto nesse grupo de nove nações, agora é o terceiro. O grande salto, porém, foi da Ucrânia, que registrava índice semelhante ao brasileiro em 2000, e em 2010 é o país com maior IDH desse conjunto.

As alterações foram pequenas para os países da América Latina ao longo da última década. Chile, Argentina e Uruguai mantêm-se no topo do IDH desse grupo, seguido de México e Peru. Bolívia e Paraguai ainda registram os índices mais baixos. Nas posições intermediárias, estiveram Colômbia, que acelerou menos entre 2000 e 2010, Equador, Venezuela e Brasil. O indicador brasileiro era o sexto no início do período, chegou a ser superado pelo venezuelano em 2009, mas neste ano voltou à sexta colocação.


As mudanças na metodologia do IDH
Os pilares do IDH não foram alterados: o índice varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior) e engloba três dimensões fundamentais do desenvolvimento humano: conhecimento (mensurado por indicadores de educação), saúde (medida pela longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Mas houve modificação em alguns indicadores e no cálculo final do índice.

Subíndice de longevidade
Não mudou: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer.

Subíndice de educação
É o único que engloba dois indicadores, e ambos foram alterados. Sai a taxa de alfabetização, entra a média de anos de estudo da população adulta (25 anos ou mais). Para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez de taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos (expectativa de vida escolar, ou tempo que uma criança ficará matriculada, se os padrões atuais se mantiverem ao longo de sua vida escolar). Essas alterações foram feitas porque alguns países, sobretudo os do topo do IDH, haviam atingido níveis elevados de matrícula bruta e alfabetização — assim, esses indicadores vinham perdendo a capacidade de diferenciar o desempenho dessas nações. Na avaliação do Relatório de Desenvolvimento Humano, as novas variáveis captam melhor o conceito de educação e permitem distinguir com mais precisão a situação dos países. No entanto, assim como os indicadores anteriores, não consideram a qualidade da educação. No método antigo, a taxa de analfabetismo tinha peso 2 nesse subíndice, e a taxa de matrícula, peso 1. Agora, os dois novos indicadores têm peso semelhante.

Subíndice de renda
O PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que abrange os mesmos fatores que o PIB, mas também leva em conta recursos enviados ou recebidos do exterior — é uma maneira de captar melhor as remessas vindas de imigrantes, excluir da conta o envio de lucro para o exterior das empresas e computar a verba de ajuda humanitária recebida pelo país, por exemplo. Assim como na versão anterior usava-se o logaritmo natural do PIB per capita, agora usa-se o logaritmo natural da renda. Também foi mantido o modo como os valores são expressos: em dólar corrigido pela paridade do poder de compra (PPC), que leva em conta a variação do custo de vida entre os países.

Normalização dos subíndices
Para poder comparar indicadores diferentes (a renda é expressa em dólares, a expectativa em anos, por exemplo), cada subíndice é transformado numa escala de 0 a 1. Por isso, estabelece-se um valor máximo e mínimo para cada indicador. Até o relatório do ano passado, os níveis máximos eram fixados pelo próprio RDH; neste, foram usados os valores máximos verificados na série de dados (desde 1980). Com isso elimina-se a arbitrariedade na escolha desses níveis máximos e mínimos.

Atualização dos dados
Até o ano passado, o IDH sempre trabalhava com indicadores de dois anos anteriores à publicação do relatório. O RDH 2009, portanto, trazia um IDH que refletia a situação de 2007. No RDH 2010, são usados alguns valores e projeções do próprio ano de 2010. Há dados disponíveis para este ano referentes à expectativa de vida e à média de anos de estudo. Para a renda nacional bruta, foram feitas estimativas aplicando-se os dados mais recentes do Banco Mundial às projeções de crescimento feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). No número de anos esperados de escolaridade, foi utilizado o dado mais recente disponível.

Cálculo
Até a edição de 2009, o IDH era calculado como a média simples dos três subíndices (somava-se os três e dividia-se o resultado por três). A partir deste relatório, recorre-se à média geométrica: multiplicam-se os três subíndices e calcula-se a raiz cúbica do resultado (um número que, multiplicado três vezes por ele mesmo, é igual ao resultado da multiplicação). Antes, um desempenho baixo em uma dimensão poderia ser diretamente compensado por um desempenho melhor em outra. Com o novo cálculo, essa compensação perde força — um valor ruim em um dos subíndices tem impacto maior em todo o índice. Além disso, a metodologia permite que 1% de queda na expectativa de vida, por exemplo, tenha o mesmo impacto que 1% de queda na renda ou na educação.

Nível de desenvolvimento humano
O Relatório de Desenvolvimento Humano deixa de classificar o nível de desenvolvimento de acordo com valores fixos e passa a utilizar uma classificação relativa. A lista de países é dividida em quatro partes semelhantes. Os 25% com maior IDH são os de desenvolvimento humano muito alto, o quartil seguinte representa os de alto desenvolvimento, o terceiro grupo é o de médio e os 25% piores, os de baixo desenvolvimento humano.




Fonte: PNUD / ONU

Brasil e Argentina: primeiras imagens do Sol adquiridas com telescópio e filtro H-Alfa

Imagens inéditas de explosões solares
Um grupo de cientistas do Brasil e da Argentina acaba de anunciar a obtenção das primeiras imagens do Sol adquiridas com telescópio e filtro H-Alfa – instrumento capaz de mostrar as regiões ativas da atmosfera solar com grau de detalhamento sem precedentes quando operado no mesmo local com dois outros telescópios solares no infravermelho e em ondas submilimétricas.

As primeiras imagens foram obtidas no dia 20 de outubro, no observatório do Complexo Astronômico El Leoncito (Casleo), localizado em San Juan, na Argentina. A iniciativa faz parte de um convênio que envolve, há dez anos, cientistas do Casleo e do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam), da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A obtenção de imagens em H-Alfa faz parte do Projeto Temático “Emissões da atividade solar do submilimétrico ao infravermelho”, coordenado por Pierre Kaufmann, professor do Craam, e financiado pela FAPESP.

De acordo com Kaufmann, o projeto combina uma série de métodos e equipamentos de última geração a fim de observar o Sol com grau de detalhamento inédito. O objetivo é compreender a física por trás de fenômenos como manchas e explosões solares.

“Conseguimos descrever bem processos como as explosões solares, mas a física que dá origem a eles ainda é um mistério. Se pudermos conhecê-la, isso permitirá fazer previsões sobre esses fenômenos, que têm grandes impactos no nosso planeta, provocando desde alterações no clima até interferências em satélites da constelação GPS”, disse.

Com a resolução das imagens que poderão ser obtidas a partir de agora, as análises sobre os processos físicos que ocorrem nas explosões solares terão um imenso aumento de precisão de diagnóstico. É a primeira vez que se analisam os dados da estrela com tamanha resolução e com tal diversidade de frequências.

“O novo instrumento H-Alfa permite obtenção de elevadas taxas de repetição de imagens: 30 por segundo. Simultaneamente, estamos trabalhando com imagens obtidas por outro telescópio no infravermelho médio e por rádiotelescópio em ondas submilimétricas – todos operando no mesmo local. Temos uma capacidade única para fazer diagnósticos inéditos de explosões solares com uma altíssima resolução temporal”, disse Kaufmann.

Atualmente, a comunidade científica está estarrecida com o fraco nível de atividade solar apresentado pelo Sol. “Ainda assim, na primeira semana de observações com o conjunto de instrumentos foi possível observar duas explosões solares e visualizar, no Sol, regiões ativas com manchas e praias brilhantes, além de protuberâncias no limbo solar”, contou.

Kaufmann explica que, neste momento, o astro deveria apresentar atividade muito intensa, mas está apresentando um comportamento extremamente anômalo, de forma que as manchas – as regiões solares ativas – estão aparecendo com frequência e importância muito menores que nos ciclos anteriores.

“O Sol tem ciclos de atividade de 11 anos e a previsão era de que o máximo da atividade solar deveria ocorrer em 2013. Já devíamos ter uma alta atividade, mas estamos bem longe disso. Estamos bastante perplexos com essa demora para a retomada do ciclo de atividade solar”, disse.

“Mini era glacial”
O físico solar Cornelis de Jager, da Organização de Pesquisa Espacial de Utrecht (Holanda), publicou recentemente na revista Journal of Cosmology um artigo no qual prevê que os próximos ciclos solares de 11 anos serão excepcionalmente fracos em termos de atividade.

De acordo com o artigo do cientista holandês, esse momento de baixa atividade solar pode ser análogo à chamada “mini era glacial”, um período de cerca de 100 anos que se concentrou no século 17.

“Não sabemos, ainda, detalhes sobre a física das explosões solares. Mas é certo que esses fenômenos têm forte impacto no clima terrestre”, disse Kaufmann.

O professor do Craam explica que as manchas solares confinam grande quantidade de material ionizado – ou plasmas – extremamente quente, onde subitamente ocorrem as explosões solares.

“Essas explosões liberam imensas quantidades de energia, interagindo com o espaço interplanetário e com a Terra. Se estivermos de fato diante da iminência de uma nova ‘mini era glacial’, esse período potencialmente poderá levar a um esfriamento do planeta”, destacou.

Embora os mecanismos físicos das explosões solares continuem inteiramente desconhecidos, existem evidências de que sua origem está relacionada à aceleração de partículas – em particular elétrons – a velocidades extremamente elevadas, muito superiores às que se imaginava anteriormente.

Junto às manchas solares existem poderosos aceleradores de partículas naturais. “A tendência atual é fazer uma analogia entre o processo de aceleração de partículas em grandes aceleradores de laboratório e os que dão origem a explosões solares”, disse o professor do Craam.

Kaufmann explica que esses processos podem ser medidos em comprimentos de onda que se situam na faixa do infravermelho distante e próximo, fazendo uso de tecnologias que se situam entre micro-ondas curtas e o espectro visível. “Por isso, nosso grupo tem conseguido resultados inéditos mostrando essas evidências e agora partirá para fazê-lo em nível ainda mais avançado”, afirmou.

Em El Leoncito, a equipe de engenheiros do Casleo opera a instrumentação, enquanto a maior parte da análise e interpretação dos dados é feita pelo grupo do Craam. “O observatório se situa em região desértica argentina, a uma altitude de 2,6 mil metros. As condições são muito boas, temos 330 dias por ano de céu aberto”, disse.

O projeto principal se estenderá até 2012. Há ainda seis projetos atrelados ao estudo, três dos quais de pós-doutorado. “Após a conclusão, pretendemos iniciar um outro projeto na mesma linha, cujas pesquisas deverão se estender pelo menos até o próximo máximo de atividade solar – se é que ele vai existir”, disse o coordenador do Temático.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Brasilidade Revolucionária e O fantasma da revolução brasileira discutem movimento de esquerda no Brasil

Retratos da esquerda
A trajetória do movimento esquerdista brasileiro no século 20 é o tema de dois livros do sociólogo Marcelo Ridenti, professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp), lançados pela Editora da Unesp.

Brasilidade revolucionária foi em boa parte composto a partir de pesquisas feitas no âmbito do Projeto Temático FAPESP “Formação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil contemporâneo”, coordenado pelo professor Sérgio Miceli, da Unicamp, e do qual Ridenti é um dos pesquisadores principais.

O fantasma da revolução brasileira é uma reedição ampliada do livro lançado em 1993 a partir da pesquisa de doutorado de Ridenti, realizada na Universidade de São Paulo (USP) e que contou com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

“O foco no movimento esquerdista nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil foi ampliado em Brasilidade revolucionária, no qual procuro analisar esse tema em outros momentos do século 20”, disse o autor à Agência FAPESP.

No novo livro, o autor conta como se iniciou a formação, durante a República Velha, de setores rebeldes dentro da intelectualidade brasileira, que deram origem aos movimentos de esquerda. Esses grupos se inspiravam em diversas correntes gerando ideias de cunho positivista, anarquisma, tenentista e comunista, muitas das quais se misturaram no início do século 20.

“Mostro isso ao analisar a trajetória do intelectual Everardo Dias durante a República Velha. Dentre os frutos dessa mistura de correntes de pensamento está a criação do Partido Comunista”, disse Ridenti.

O segundo capítulo é dedicado ao Partido Comunista e à relação entre artistas e comunistas no período que se seguiu da Segunda Guerra Mundial até o fim dos anos 1950, marcado pelo comunismo stalinista.

De acordo com Ridenti, apesar do autoritarismo stalinista, a atuação do partido auxiliou na organização da classe artística brasileira no fim da primeira metade do século 20 e apresentou uma atuação cultural marcante no cinema, no teatro, na literatura, na imprensa, na arquitetura e nas artes plásticas.

O Partido Comunista também se revelou, de acordo com a pesquisa, um meio para intelectuais e artistas conquistarem projeção internacional. “Viagens para conhecer intelectuais e ter um trabalho publicado no exterior eram raras na época, mas facilitadas para quem fazia parte da rede do partido”, disse.

Paralelos entre manifestações artísticas e o pensamento de esquerda também são retratados no livro. A questão da terra no cinema e na canção é o tema de um capítulo no qual o autor analisa filmes e produções musicais de cunho esquerdista.

Revolução frustrada

Na reedição da obra O fantasma da revolução brasileira, Ridenti aproveitou para ampliar e atualizar a bibliografia com produções desde 1993. Essa atualização se transformou no posfácio da obra, a qual analisa as raízes sociais dos grupos armados de esquerda entre os anos de 1964 e 1974.

Para produzir a tese de doutorado que originou o livro, Ridenti se baseou em 35 entrevistas com ex-militantes e em estatísticas levantadas pelo projeto “Brasil: Nunca Mais”. Para o autor, o fantasma de uma revolução derrotada repercutiu na sociedade da época e ainda mantém resquícios na matriz cultural contemporânea do Brasil, destacadamente na música, teatro, cinema e literatura.

O livro retrata a influência da intelectualidade nos movimentos estudantil, feminino, operário, camponês e militar e também discorre sobre como a ditadura militar interferiu no desenvolvimento cultural e político do país.

Ridenti defende a ideia de que os grupos armados de esquerda foram perdendo seu enraizamento social tanto pela ação repressiva da ditadura como por suas próprias ações.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

GEO: Brasil defende política global de livre acesso a dados de satélites

Teve início dia 3  e se estende até esta sexta-feira (5) a reunião da Cúpula do Grupo de Observação da Terra (Geo, na sigla em inglês), em Beijing, na China. 

O objetivo é avaliar o andamento do plano de implementação adotado na criação do grupo, em 2005, e definir as metas para o triênio 2011-2013.

O evento também pretende melhorar o acesso aos dados de observação da Terra e estudar suas aplicações, além de coordenar esforços para a fundação do Sistema Global de Sistemas de Observação da Terra (Geoss).

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, participa do encontro, onde irá defender a política global de livre acesso a dados de satélites.

O Brasil apoia a distribuição gratuita dos dados de satélites, a chamada Data Democracy, e o programa Capaccity Building, que está sendo implementado pelo Inpe, que consiste em disponibilizar os dados e construir capacidade para recebê-los, interpretá-los, utilizá-los e levá-los com facilidade ao usuário final.(Com informações do Inpe) 

Fonte: Gestão CT

MCT e CGEE: Consulta Pública sobre o Livro Azul da 4ª CNCTI

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) convidam a participar da Consulta Pública sobre o Livro Azul, que contém uma síntese dos grandes temas e idéias-força abordados pela 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI), e sobre o documento Consolidação das Recomendações da 4ª CNCTI, das Conferências Estaduais e Regionais e do Fórum Municipal de Ciência e Tecnologia.

Para iniciar sua contribuição, basta entrar no link (acesse aqui), cadastrar-se e seguir as instruções. Essa consulta estará aberta até o dia 22 de novembro de 2010.

O objetivo da pesquisa, aberta a toda a sociedade - em especial aos conferencistas e participantes da 4ª CNCTI, funcionários públicos, iniciativa privada, de Instituições de Ensino Superior e Institutos de Ciência e Tecnologia - consiste em avaliar as recomendações extraídas a partir da 4ª CNCTI.

A sua colaboração, portanto, torna-se muito importante para aumentar a representatividade desses documentos, fortalecendo seu papel no estabelecimento de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável do país. 

Fonte: CGEE

ABDI: Encontro de Especialistas em Política Industrial e Integração Produtiva

Nos dias 8 e 9 de novembro será realizado o Encontro de Especialistas em Política Industrial e Integração Produtiva, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília (DF). O objetivo é analisar a relação entre políticas industriais e processos de integração, além de identificar o espaço para o desenvolvimento de políticas conjuntas.

Promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), o evento trará temas como o papel da política industrial; o desenvolvimento regional por meio da integração produtiva; integração produtiva: indutores e fatores de sucesso; o papel das organizações multilaterais; e agendas regionais Sul-Sul.

A partir dos debates, espera-se avançar na integração das políticas industriais e reunir lições sobre os projetos brasileiros e dos países participantes. “O processo de integração produtiva se processa por meio de ações das empresas”, disse o gerente de Assuntos Internacionais da ABDI, Roberto Alvarez.

Estarão presentes especialistas da Ásia, África e América Latina, além de organismos internacionais como o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3962-8700 ou pelo e-mail . (Com informações da ABDI) 

Fonte: Gestão CT

Coppe e Chemtech:acordo de cooperação tecnológica

Chemtech e a COPPE, por meio da Fundação COPPETEC – Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos – assinaram um acordo de cooperação tecnológica cujo propósito é fortalecer ainda mais os laços com a UFRJ, viabilizando parcerias para execução de projetos, consultorias, cursos e treinamentos.

De acordo com a equipe de pesquisa e desenvolvimento da Chemtech, esta aproximação com a Universidade é essencial, principalmente para os projetos de pesquisa, que devem estar alinhados às mais modernas tecnologias desenvolvidas no ambiente acadêmico.

“Com essa parceria, hoje estão a nossa disposição laboratórios bem equipados e professores reconhecidos mundialmente nos mais diversos assuntos que norteiam a engenharia nacional. E esse suporte será especialmente utilizado na disciplina de Engenharia Submarina, que é um dos novos desafios do P&D da Chemtech”, comentou a gerente da área, Clarissa Pires.

A assinatura do contrato foi realizada no novo prédio da COPPE, no Centro Tecnológico do Fundão. Estavam presentes o CEO, Daniel Moczydlower, o diretor de P&D, Roberto Leite, Flávia Gallo e Clarissa Pires, além do diretor de Tecnologia e Inovação da COPPETEC, Professor Segen Estefen, e outros professores da Universidade que já estão envolvidos em projetos de pesquisa com a empresa.

O primeiro programa de trabalho já está em andamento. O professor Sergio Sphaier, do LabOceano, está realizando consultoria na área de modelagem matemática e algoritmo de controle para o projeto de Posicionamento Dinâmico.

Outro grande objetivo da empresa é abrir um escritório de P&D dentro do Parque Tecnológico da UFRJ. “Para conseguirmos nos instalar no Parque será preciso passar por um processo de qualificação técnica e uma das exigências deste processo é selar o acordo de parceria e propor um Plano de Interação com a Universidade o mais abrangente possível”, comentou a especialista de P&D, Flávia Gallo.

Fonte: Portal Naval

Embrapa Pecuária Sul: seleção de candidatos para chefe-geral

A unidade Pecuária Sul da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instalada em Bagé (RS), receberá até o dia 13 deste mês as inscrições para o processo seletivo para o cargo de chefe-geral. Podem participar mestres que tenham, no mínimo, sete anos de experiência em ciência e tecnologia (C&T).

O profissional selecionado será responsável por gerenciar o centro de pesquisa, planejar trabalhos, orientar, coordenar e avaliar as atividades técnico-científicas e administrativas da unidade. O processo seletivo será conduzido por um comitê composto por empregados da Embrapa e membros externos.

Informações sobre o processo podem ser obtidas pelo e-mail. (Com informações da Embrapa)

Fonte: Gestão CT