segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Em 1936 era constituído o Eixo Berlim-Roma

No dia 25 de outubro de 1936, a Alemanha nazista e a Itália fascista assinaram um acordo de amizade que as isolou no cenário internacional.

O eixo Berlim-Roma, a aliança da Alemanha nazista e da Itália fascista, foi constituído em Berlim no dia 25 de outubro de 1936, com a assinatura de um tratado de amizade entre os dois países. Na época, a Alemanha e a Itália estavam internacionalmente isoladas.

No caso alemão, esse isolamento decorria da atribuição de culpa pela Primeira Guerra Mundial, bem como da política externa agressiva de Hitler. Apesar disso, a Alemanha nazista conquistara algum prestígio internacional, poucos meses antes, através dos Jogos Olímpicos de Berlim.

Já a situação da Itália era inteiramente distinta. Com a invasão do norte da África e a tentativa de conquistar a Abissínia, Mussolini fez com que seu país caísse em completo isolamento internacional. A Liga das Nações condenou a invasão e decretou sanções econômicas contra a Itália. Um ano depois da assinatura do tratado de amizade, Benito Mussolini fez uma visita oficial a Berlim.

Nessa ocasião, ele dirigiu um discurso à população da Alemanha. Seu único tema foi a amizade entre italianos e alemães. A aproximação entre as duas ditaduras fascistas era vista internacionalmente com desconfiança. Mussolini acreditou, por isso, que deveria tranquilizar a opinião pública mundial. "A implementação do eixo Berlim-Roma não está voltada contra outros países. Nós, nazistas e fascistas, desejamos a paz."

"Necessidade de união"

Também a tomada do poder pelos movimentos fascistas nos dois países não seria motivo para inquietação, segundo o ditador italiano: "Mesmo que o transcurso das duas revoluções tenha sido distinto, o objetivo que buscávamos e que alcançamos é o mesmo – a união do povo". Mas Mussolini citou também um motivo concreto para a amizade entre os dois países. "Esse foi o momento em que surgiu pela primeira vez a necessidade de uma união entre a Alemanha nazista e a Itália fascista: o que hoje é conhecido em todo o mundo como o eixo Berlim-Roma surgiu em março de 1935!"

Desta maneira, ele se referiu à condenação do ataque italiano à Abissínia: "Quando 52 países reunidos em Genebra decidiram sanções econômicas criminosas contra a Itália, sanções que foram executadas com todo rigor, mas que não lograram seu objetivo, a Alemanha não aderiu a tais sanções. Jamais nos esqueceremos disso".

Na Segunda Guerra Mundial, o eixo Berlim-Roma tornou-se também uma aliança militar e estratégica entre os dois países. Regimentos italianos lutaram na frente oriental alemã, enquanto tropas alemãs foram enviadas para apoiar a política expansionista de Mussolini nos Bálcãs e no norte da África.

Com a capitulação da Itália, após a invasão da Sicília pelos aliados, acabou também para os italianos a amizade de Hitler, supostamente inabalável. As tropas alemãs invadiram a Itália e criaram uma nova frente de batalha contra o avanço aliado.

Fonte: Dirk Ulrich Kaufmann (am) / DW

USP: Cientistas estudam o “efeito de morte súbita”, um dos limitantes para a aplicação do fenômeno do emaranhamento quântico

 Robustness of bipartite Gaussian entangled beams propagating in lossy channels

Novas luzes sobre o emaranhamento
Um novo estudo realizado por pesquisadores brasileiros trouxe avanços para a compreensão de uma das mais intrigantes propriedades do emaranhamento quântico: a morte súbita.

Investigando as condições precisas em que a morte súbita do emaranhamento ocorre em dois feixes de laser, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) demonstraram que é possível gerar estados emaranhados “robustos” – isto é, que não sofrem a morte súbita – assim como feixes sujeitos ao desemaranhamento.

O artigo foi publicado no dia 17 na edição on-line da Nature Photonics e em breve estará disponível também na versão impressa da revista.

O emaranhamento quântico é considerado pelos cientistas como base para futuras tecnologias como computação quântica, criptografia quântica e teletransporte quântico. Fenômeno intrínseco da mecânica quântica, o emaranhamento permite que duas ou mais partículas compartilhem suas propriedades mesmo sem qualquer ligação física entre elas.

Em 2007, um estudo coordenado por Luiz Davidovich, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na Science, mostrou que o emaranhamento quântico podia desaparecer repentinamente, “dissolvendo” o elo quântico entre as partículas. A chamada “morte súbita do emaranhamento” poderia comprometer o desenvolvimento de futuras aplicações.

Segundo um dos autores do novo estudo, Paulo Nussenzveig, do Instituto de Física (IF) da USP, a pesquisa indica que o emaranhamento pode ser frágil a ponto de desaparecer se os feixes que se propagam forem submetidos a perdas.

“No contexto de comunicações ópticas, as perdas costumam ser o pior inimigo. Mostramos, no estudo, que estados emaranhados robustos – que não sofrem morte súbita – podem ser gerados, assim como estados sujeitos ao desemaranhamento”, disse Nussenzveig.

Mesmo na situação mais simples possível – com o uso de apenas dois feixes de laser –, o desemaranhamento completo pode ocorrer em caso de perdas parciais.

A partir de um tratamento teórico do problema, os cientistas puderam estabelecer uma fronteira entre estados robustos e estados frágeis do emaranhamento. “Com isso, somos capazes de saber de antemão se um estado é robusto ou não”, disse.

De acordo com outro autor do artigo, Marcelo Martinelli, também do Instituto de Física da USP, um primeiro trabalho, publicado na Science em 2009, mostrou que o efeito de morte súbita de emaranhamento se apresentava não apenas em sistemas discretos – isto é, sistemas que têm um conjunto finito de resultados possíveis –, mas também em sistemas macroscópicos de variáveis contínuas.

Naquele estudo, os cientistas geraram pela primeira vez um emaranhamento quântico de três feixes de luz de cores diferentes. “Conseguimos gerar o emaranhamento entre três feixes de luz operando em frequências diferentes. Esse foi um feito importante, mas que já havíamos previsto em um trabalho anterior. A surpresa naquele sistema foi observar que o emaranhamento poderia desaparecer para perdas finitas”, disse Martinelli.

Além dos dois professores da USP, participaram do estudo Felippe Alexandre Silva Barbosa, Alessandro de Sousa Villar, Katiúscia Nadyne Cassemiro e Antonio Sales Oliveira Coelho – então orientandos de doutorado de Nussenzveig – e Alencar José de Faria, cujo pós-doutorado foi supervisionado por Martinelli. Todos tiveram Bolsas da FAPESP.

O grupo faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Informação Quântica, sediado no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Universidade Estadual de Campinas, sob coordenação de Amir Caldeira. O instituto tem apoio da FAPESP e do CNPq.

Teletransporte
Os resultados da nova pesquisa abrem caminho para estudos sobre o teletransporte quântico – que é o objetivo fim do projeto “Teletransporte de informação quântica entre diferentes cores”, coordenado por Martinelli com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Segundo o cientista, certas propriedades quânticas podem ficar cada vez mais fracas com o passar do tempo, ou com a interação com sistemas externos. No entanto, elas ainda persistem, mesmo que estejam no limite da capacidade de observação. No caso do emaranhamento, porém, isso não ocorre.

“Quando há perdas finitas – como, por exemplo, na propagação por uma certa distância, seja em fibra óptica ou no ar livre – o sistema pode evoluir para um estado separável, ou seja, perde-se o emaranhamento e podemos declarar efetivamente que o sistema está desemaranhado”, explicou.

No caso do trabalho de 2009, os pesquisadores observaram o efeito de desemaranhamento, mas não sabiam se ele se devia à complexidade intrínseca do experimento com três campos emaranhados.

“No estudo que acabamos de publicar, voltamos um passo atrás no sistema, observando apenas os feixes gêmeos gerados no oscilador paramétrico óptico. Estudando o que ocorre no sistema mais simples, observamos que mesmo nesse caso podemos ter desemaranhamento para perdas finitas. Isto é, mesmo no sistema mais simples para feixes do tipo laser, o emaranhamento pode ser perdido”, explicou.

Existem diversas propostas recentes para o uso das propriedades quânticas no processamento de informação, entre elas o uso de variáveis contínuas do campo eletromagnético. A luz é considerada o meio ideal para transportar a informação de um ponto a outro: seja entre duas estações remotas, seja entre dois sítios dentro de um chip óptico.

“Mas, ao longo da propagação, vemos que a interação com o sistema por meio da atenuação do campo pode destruir o emaranhamento utilizável. Isso implica cuidados que devem ser tomados no projeto de um sistema quântico de processamento de informação”, disse.

Ao gerar tanto feixes “robustos” como sujeitos a desemaranhamento, o trabalho será importante, segundo Martinelli, para a comunidade envolvida no desenvolvimento de dispositivos fotônicos que controlem a luz e a convertam luz em sinais elétricos ou vice-versa.

“Com esse trabalho podemos estender o tratamento a sistemas mais complexos e estudar a dinâmica do emaranhamento nesses sistemas. O controle sobre as propriedades de emaranhamento é o mais importante para a realização de uma das tarefas básicas em processamento quântico de informação: o teletransporte”, disse.

Leia o artigo Robustness of bipartite Gaussian entangled beams propagating in lossy channels (doi:10.1038/nphoton.2010.222), de Marcelo Martinelli, Paulo Nussenzveig e outros.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Freie Universität Berlin inaugura escritório no Brasil

Universidade Livre de Berlim inaugura escritório em São Paulo
A Freie Universität Berlin (Universidade Livre de Berlim) inaugurou um escritório de representação da instituição em São Paulo. A solenidade de abertura foi realizada no domingo (24/10), no Instituto Goethe da capital paulista.

O Escritório Regional da FU Berlin no Brasil, atualmente em fase de construção, será abrigado no Centro Alemão de Inovação e Ciência (DWIH, da sigla em alemão), inaugurado em abril de 2009.

A criação dos Centros Alemães de Inovação e Ciência em países estratégicos é uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha com o intuito de apoiar a integração de seus cientistas às redes internacionais de pesquisa.

De acordo com Claudio Struck, diretor do escritório brasileiro, a ideia é incentivar a cooperação científica entre a Alemanha e a América Latina, com foco principal no Brasil.

“A escolha do Brasil se deu porque o país vem crescendo em importância global em vários aspectos, com destaque para a área científica. O escritório tem a finalidade de atrair estudantes de graduação e pesquisadores do país para a FU Berlin, facilitar a colaboração científica e desenvolver instrumentos adequados de cooperação para o intercâmbio acadêmico”, disse .

A Freie Universität Berlin mantém escritórios em cidades como Nova York (Estados Unidos), Pequim (China), Nova Déli (Índia), Moscou (Rússia), Bruxelas (Bélgica) e Cairo (Egito). Segundo Struck, o intercâmbio pretende também qualificar a universidade alemã ao atrair pesquisadores de alto nível.

“Temos alguns convênios com a Universidade de São Paulo para estudantes de graduação e queremos ampliar para outras universidades paulistas, como a Universidade Estadual de Campinas e Universidade Estadual Paulista, entre outras”, disse.

Segundo ele, as áreas estratégicas a serem exploradas dependem de cada país, mas, em geral, os escritórios são abertos a todas as áreas de excelência das universidades. No Brasil, afirma, existe por parte da universidade alemã um interesse pelas áreas ligadas às humanidades, em particular às ciências sociais e cultura.

“Temos na Freie Universität Berlin um Instituto de Estudos Latino-Americanos que é o mais importante na Alemanha. Trata-se de um projeto interdisciplinar com a participação de vários institutos e departamentos da universidade com foco no Brasil e América Latina”, explicou.

De acordo com Struck, há também interesse em explorar temas ligados à biodiversidade. “Em Berlim, temos um centro de pesquisa em plantas e a cooperação com o Brasil nessa área pode nos ajudar muito. Temos interesse também nas áreas de química e biotecnologia”, indicou.

Na Alemanha, há mais de 370 institutos de educação superior, sendo 110 universidades, 189 universidades de ciências aplicadas, 51 faculdades de humanidades, 30 faculdades de administração pública, 14 faculdades de teologia e seis faculdades de educação. A maior parte dos institutos de educação superior são públicos.

Em Berlim, há três grandes universidades. A Freie Universität é a maior delas e suas áreas estão concentradas em humanidades, ciências sociais e em saúde e ciências naturais. A Universidade Técnica (Technische Universität) oferece cursos de engenharia e arquitetura e a Humboldt Universität atua em ciências humanas, ciências sociais e medicina.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

CENA-USP: Bolsa de Pós-Doutorado

PD em biogeoquímica com Bolsa da FAPESP
O Projeto Temático "O papel dos rios no ciclo regional do carbono", apoiado pela FAPESP e conduzido no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP), tem uma vaga para Bolsa de Pós-Doutorado na área de biogequímica.

Segundo o coordenador do Temático, os objetivos principais do projeto são:

1) Obter informações detalhadas sobre a distribuição de carbono e de nutrientes, ao longo das diferentes escalas espaciais e temporais necessárias para entender o funcionamento dos rios da Amazônia e do Pantanal em condições naturais e sob o impacto de ações antropogênicas;

2) Reduzir as incertezas dos fluxos evasivos de CO2, aumentando a frequência das medidas de fluxo direto com câmaras flutuantes e por meio de campanhas específicas utilizando métodos variados para definir os respectivos erros associados;

3) Delinear e validar os modelos hidrogeoquímicos em diferentes escalas espaciais e temporais, a fim de testar as respostas biogeoquímicas nos sistemas fluviais causadas pelas mudanças climáticas globais.

Dentro desse contexto, o candidato a pós-doutorado deverá ter título de doutor (recente) na área ambiental e domínio em métodos analíticos ambientais. É fundamental experiência prévia em técnicas de amostragem e análise de gases dissolvidos (equilíbrio de fases, equilibradores e análise cromatográfica) e técnicas de medidas de fluxo de gases (câmaras, covariância de vórtices turbulentos).

É também essencial a experiência prévia em trabalhos de campo. É esperado que o candidato tenha motivação e habilidade para organizar tarefas de pesquisa com independência e apresente desenvoltura na redação de relatórios e artigos científicos.

Os interessados devem enviar os seguintes documentos até 10 de novembro de 2010: carta de apresentação indicando a razão de interesse na bolsa com um breve relato de sua experiência, curriculum vitae completo e duas cartas de recomendação.

Os documentos devem ser enviados em formato PDF para o coordenador do projeto, professor Reynaldo Luiz Victoria (e-mail), com cópia para a professora Maria Victoria Ramos Ballester (e-mail).

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Fonte: Agência FAPESP

POLI - USP: Mestrado em sistemas logísticos

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) abriu processo seletivo para a turma de 2011 do programa de mestrado em Engenharia de Sistemas Logísticos. As inscrições poderão ser feitas até o dia 3 de novembro.

O programa de pós-graduação stricto sensu é realizado pelos departamentos de Engenharia Naval e Oceânica, de Engenharia de Produção e de Engenharia de Transportes e conta com orientadores e disciplinas dessas três unidades da Escola Politécnica.

A primeira fase da seleção será uma prova de proficiência em inglês e de conhecimentos gerais relacionados à Engenharia de Sistemas Logísticos, que contará com perguntas referentes à bibliografia exigida além de uma questão sobre o tema de pesquisa que o candidato pretende desenvolver no curso.

A prova será realizada no dia 22 de novembro no prédio da Engenharia Civil da Escola Politécnica.

Fonte: Agência FAPESP

Instituto Butantan: Exposição sobre doenças transmitidas por animais em 3D

Microrganismos em 3D
As doenças transmitidas por meio do convívio entre humanos e animais é o tema da mostra “Amigos, amigos, micróbios à parte”, que conta com imagens em três dimensões e está no Instituto Butantan até fevereiro de 2011.

O objetivo é mostrar os perigos invisíveis que o contato com os animais pode trazer às pessoas. Entre os recursos visuais da exposição estão jogos multimídia, painéis informativos e slides 3D, que podem ser visualizados com óculos especiais.

“Apesar de serem nossos companheiros, os animais podem esconder inimigos invisíveis, como micróbios que causam sérias doenças. Essa exposição visa a orientar os visitantes sobre essas enfermidades, abordando também diversas formas de preveni-las”, disse Glaucia Colli Inglez, coordenadora da exposição e do Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, que está abrigando a mostra.

A entrada para o museu custa R$ 6 e o convite também dá direito a visita ao Museu Biológico, ao Museu Histórico e ao serpentário. Estudantes com identificação pagam R$ 2,50 e crianças de até sete anos, idosos e portadores de necessidades especiais têm entrada franca.

Os museus do Instituto Butantan funcionam de terça a domingo, das 9h às 16h30. O endereço é avenida Vital Brasil, 1.500, na Zona Oeste da capital paulista.

Mais informações: (11) 3726 7222

Fonte: Agência FAPESP