quinta-feira, 21 de outubro de 2010

José Goldemberg ganha prêmio Ernesto Illy

O professor José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP), é o ganhador do Prêmio de Ciência de Trieste Ernesto Illy. A distinção foi entregue nesta terça-feira (19/10), em Hyderabad (Índia), pelo primeiro-ministro do país, Manmohan Singh.

O prêmio, no valor de US$ 100 mil, é concedido anualmente a pesquisadores de países em desenvolvimento por contribuições importantes à ciência e tem o apoio da illycaffè, da Fundação Ernesto Illy e da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS).

“Esse prêmio concede uma satisfação muito grande. É um reconhecimento sério, que vem de cientistas que partilham e identificam o real valor da pesquisa, sem qualquer interesse político”, disse Goldemberg.

Um dos maiores especialistas em energia no mundo, Goldemberg é conhecido defensor do uso de novas tecnologias para promover o desenvolvimento sustentável.

Em artigo publicado na revista Science, em 1978, Goldemberg e colegas apresentaram uma série de evidências científicas demonstrando que biocombustíveis, então derivados da cana-de-açúcar, poderiam reduzir o uso de combustíveis fósseis no Brasil.

“Na época, os esforços para desenvolver biocombustíveis no Brasil foram, em grande parte, justificados pela segurança energética. Nossa pesquisa demonstrou que a produção de biocombustíveis não somente reduziria o uso e a dependência do combustível fóssil, como também ajudaria a reduzir a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa”, disse.

Ao verificar o positivo equilíbrio fornecido pela energia dos biocombustíveis, levando em consideração o benefício ambiental e o potencial energético, os estudos reforçaram o apoio ao programa brasileiro de biocombustíveis, ajudando a garantir sua viabilidade a longo prazo.

Atualmente, o Brasil produz mais de 25 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar por ano e mais da metade dos veículos de pequeno porte no país utilizam etanol.

“Em um mundo cada vez mais preocupado com o futuro abastecimento de energia e com o aquecimento global, o contínuo desenvolvimento de biocombustíveis provavelmente irá se revelar um ingrediente essencial ao crescimento econômico sustentável”, disse Goldemberg.

Doutor em ciências físicas pela USP, Goldemberg foi reitor da universidade de 1986 a 1990. Foi presidente da Companhia Energética de São Paulo e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ministro da Educação, secretário do Meio Ambiente da Presidência da República e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, entre diversos outros cargos.

Como professor ou pesquisador esteve nas universidades de Paris (França), Princeton e Stanford (Estados Unidos) e Toronto. Foi selecionado pela revista Time como um dos 13 “Heroes of the Environment” em 2007. Recebeu o Blue Planet Prize 2008, da Asahi Glass Foundation.

Em 2007, copresidiu o painel de estudos do InterAcademy Council (IAC), responsável pelo relatório Lighting the Way: Towards a Sustainable Energy Future.

Em 2009, outro brasileiro foi reconhecido pelo Prêmio de Ciência de Trieste Ernesto Illy. Carlos Clemente Cerri, professor titular e pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, foi agraciado pelo estudo pioneiro do impacto climático das práticas agropecuárias sobre o clima, especialmente no Brasil, que ampliou a discussão sobre a estreita relação entre a agricultura, o clima e o meio ambiente.

O Prêmio Ernesto Illy abordará em 2011 a área de ciência de materiais e, no ano seguinte, de saúde humana.

Fonte: Agência FAPESP

Curso Básico on-line sobre Câncer

Como cuidar de pacientes com câncer
O Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) lançou o Curso Básico on-line sobre Câncer, voltado principalmente a familiares que cuidam de pacientes com câncer em casa.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a União Internacional Contra o Câncer (UICC), entidade que desenvolveu todo o projeto, e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O Icesp ficou responsável pela tradução dos módulos para o português.

As aulas são gratuitas e o curso, que tem duração de oito horas, está dividido em quatro módulos: “Como o câncer se desenvolve”, “Como o câncer é tratado”, “Controlando os sintomas” e “Câncer como uma doença crônica”.

O programa educacional aborda as principais temáticas relacionadas à doença, desde o desenvolvimento, passando pelo diagnóstico e tratamento, com aulas que visam a promover a compreensão de aspectos fundamentais sobre o câncer, integrando os aspectos biológicos, psicológicos, sociais e éticos.

O curso pode ser interrompido de forma que se adapte à rotina do participante. Ao final de cada etapa, mediante a realização de uma avaliação, o participante recebe um certificado.

O material também está disponível para estudantes e profissionais da área da saúde. O curso pode ser instalado, gratuitamente, a partir de arquivo no site da instituição.

Mais informações pelo telefone (11) 3893-2000

Fonte: Agência FAPESP

FAPESP: Exposição traz 25 momentos de Portinari

Uma exposição com as 25 obras do artista Candido Portinari (1903-1962) que ilustram o Relatório de Atividades FAPESP 2009 foi inaugurada nesta quarta-feira (20/10), em São Paulo, na sede da Fundação. A mostra ficará aberta ao público até o dia 30 de novembro.

O evento teve a participação do fundador e diretor-geral do Projeto Portinari João Candido Portinari – filho do pintor –, do presidente da FAPESP, Celso Lafer, dos membros do Conselho Técnico Administrativo – diretor presidente Ricardo Renzo Brentan, diretor administrativo Joaquim José de Camargo Engler e diretor científico Carlos Henrique de Brito Cruz –, além dos membros do Conselho Superior da Fundação.

Pelo quinto ano consecutivo, o Relatório de Atividades homenageia artistas plásticos que nasceram ou se radicaram em São Paulo. A edição de 2005 apresentou obras de Francisco Rebolo (1902-1980), seguida por Aldo Bonadei (1906-1974) no ano seguinte, Lasar Segall (1891-1957) em 2007 e Tarsila do Amaral (1886-1973) em 2008.

“O relatório de 2009 homenageia esse homem e esse extraordinário artista que foi Portinari. Uma das obras reproduzidas, os painéis Guerra e Paz, foi considerada pelo próprio Portinari como sua melhor obra. Pessoalmente, também acho que essa obra é uma síntese do trabalho de um artista de muitas facetas”, disse Lafer.

A seleção das obras, segundo João Candido, procura mostrar os principais momentos da carreira do artista. “Uma carreira com mais de 5 mil obras, com uma temática muito abrangente: temas sociais, históricos, religiosos. Ele abordou com muita recorrência as festas populares, o trabalho e a criança. Além das questões universais, sua obra é um grande retrato do Brasil”, disse.

Durante o lançamento da exposição, João Candido apresentou a palestra Do cafezal às Nações Unidas. O título remete à longa trajetória artística de seu pai, que teve início nos cafezais por ele retratados – o pintor, filho de imigrantes italianos, nasceu em uma fazenda na região de Brodowski, no interior paulista – e culminou com a criação dos dois painéis de 14 metros de altura com o tema Guerra e Paz, concebidos especialmente para a sede das Nações Unidas em Nova York.

“Sua obra pode ser sintetizada na famosa frase do escritor russo Leon Tolstoi: ‘se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia’. Esse movimento de universalização ocorre paulatinamente em seus trabalhos”, disse João Candido.

Os painéis Guerra e Paz mostram o ápice desse movimento em direção ao universal. As crianças de todas as raças que brincam no painel Paz, por exemplo, claramente não são mais os meninos de Brodowski, segundo João Candido.

“No painel Guerra não há armas, tanques ou soldados – há apenas dor, que ele retratou no maior sofrimento conhecido pelo ser humano: a imagem da mãe que perdeu o filho. O painel tem seis a oito dessas figuras, que são autênticas pietàs. Na série Retirantes, da década de 1940, encontramos também a mãe com o filho morto. Sem dúvida, trata-se também de uma pietà, mas inserida em um drama brasileiro. No painel Guerra, vemos o drama universal”, explicou.

De acordo com João Candido, o trabalho de seu pai tem como característica um experimentalismo incessante – a ponto de críticos dizerem que na obra de Portinari há uma dezena de pintores diferentes. Mas a temática é sempre a mesma: a profunda preocupação social.

“Ele foi mudando o estilo e a forma de expressão. Dava importância à técnica, dizia que sem ela é impossível expressar o que vai na alma, mas destacava que seu tema era o homem. Está presente invariavelmente em sua obra esse desejo profundo de solidariedade e de compaixão. É uma obra permeada de valores sociais e humanos”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

IBGE: resultados da nova PINTEC serão apresentados dia 29

IBGE anuncia resultados de nova Pintec no dia 29 de outubro; metodologia da pesquisa mudou e universo tem mais firmas

Os resultados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec 2008), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), serão apresentados às 10 horas, no dia 29 de outubro, na sede da instituição, no Rio de Janeiro, com a presença de representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Finep, parceiros do IBGE na realização do principal estudo no Brasil sobre as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação das empresas industriais e de serviços instaladas no País. A última edição da pesquisa é de 2005.

A coleta de dados para essa edição da pesquisa foi iniciada em 4 de agosto de 2009 e se refere ao triênio 2006-2008. A primeira edição da Pintec foi realizada em 2000, seguida de outras duas, em 2003 e 2005. Diferentemente dos anos anteriores, a pesquisa foi toda feita por funcionários temporários e fixos do IBGE, o que demandou mais tempo para treinamento das equipes. Foram 60 agentes de coleta de informações por telefone, 12 supervisores responsáveis por monitorar o trabalho dos agentes de coleta e fazer uma análise crítica da pesquisa, e mais 20 funcionários do quadro fixo do IBGE, que atuam nas unidades regionais do instituto, fazendo visitas e entrevistas pessoais nas empresas da amostra.

Sem poder revelar os resultados e números da pesquisa, Fernanda Vilhena, gerente da Pintec, diz que aumentou a amostra em relação a outros anos. "Nosso universo cresceu porque tivemos aumento no número de empresas com 10 ou mais empregados — o universo abrangido pela Pintec", conta. Outro fator que provocou um aumento no número de empresas da amostra foi a decisão de levantar e publicar dados regionalizados sobre as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação das empresas do setor de serviços. Até agora, apenas os dados das empresas do setor industrial eram discriminados por região. "Com a decisão de regionalizar os dados das empresas de serviço, tivemos de procurar um número de companhias desse setor em cada Estado que fosse representativo para a realidade regional, o que nos fez incluir mais empresas na amostra", acrescenta.

Mudanças no questionário e novos conceitos de inovação
O questionário que as empresas respondem também foi aprimorado, especialmente no bloco que fala sobre o apoio do governo às atividades de P&D. Foram adicionadas perguntas sobre o uso da lei de incentivos fiscais à inovação ("do Bem") e da subvenção concedida pela Finep. Foram mantidas as perguntas sobre o uso dos incentivos da Lei de Informática, sobre parcerias com universidades e institutos, sobre o uso de bolsas das fundações de amparo à pesquisa dos Estados e de agências federais, e de venture capital.

A questão sobre o uso de mecanismos públicos de apoio para compra de máquinas e equipamentos foi separada da pergunta sobre o uso desses mecanismos para projetos de P&D. Antes, a Pintec queria saber dos empresários se tinham usado fomento estatal para a compra de máquinas — considerada uma atividade de inovação — e para projetos de P&D — outra atividade de inovação, mas não distinguia uma ação da outra, colocando as duas atividades na mesma questão. Com a pergunta mal formulada, a Pintec não conseguia saber, de forma exata, para que tipo de atividade as empresas estavam usando recursos públicos — compra ou projetos.

Foram também introduzidos dois conceitos: inovação em marketing e organizacional. A Pintec seguiu a recomendação do Manual de Oslo, que define os conceitos usados em pesquisas sobre a atividade de inovação, e reconhecido internacionalmente. O Manual recomenda que sejam observadas essas outras formas de inovação por serem muito usadas pelas empresas do setor de serviços. Apesar da incorporação desses dois novos conceitos, a pesquisa continua tendo como corpo principal a investigação sobre a inovação em produtos e processo. Os gastos e a taxa de inovação das empresas — indicador que mede a introdução de inovações no mercado — continuam sendo medidos considerando apenas os dados sobre inovação em produto e processo.

Mudança na metodologia
Houve também uma mudança na metodologia que altera a forma de apresentação dos resultados da pesquisa, explica Fernanda, o que pode impactar a comparação dos dados dessa edição com a das edições anteriores. "Até 2007, as pesquisas econômicas consideravam a versão 1.0 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A partir desse ano, todas passaram a usar a CNAE 2.0, o que também ocorreu com a Pintec", diz. A CNAE propõe a forma de divisão das empresas por setores e é formulada a partir de metodologias internacionais, para permitir a comparação do Brasil com outros países, combinada com a realidade da economia brasileira. Ao IBGE cabe coordenar a formulação da CNAE, metodologia usada nas pesquisas sobre as atividades industriais do instituto.

Com o uso da CNAE 2.0, alguns detalhes mudaram. Por exemplo: o setor de reciclagem, na versão 1.0, era considerado industrial. Na versão 2.0, não é mais. Por isso, o setor foi excluído da Pintec 2008, ou seja, atividades de inovação de empresas desse segmento não serão medidas. Houve setores que mudaram de classificação, ou seja, que na versão 1.0 eram considerados industriais, e na versão 2.0, passaram para a classe serviços. Foi o caso do setor de edição e gravação (de livros, jornais, CDs etc). "É preciso mais cuidado para comparar os dados dessa Pintec com as edições anteriores", alerta Fernanda. Segundo ela, as mudanças não alteraram muito os números mais gerais, mas precisam ser observados com cautela quando se trata de olhar e comparar os setores.

As empresas ainda têm receio de participar da Pintec, pois as informações de investimento em P&D são consideradas estratégicas. O IBGE trabalha com a lei do sigilo e só divulga os dados agregados, por setor ou região, e nunca por empresa. Apesar de o receio permanecer entre algumas, Fernanda destaca que as empresas estão mais bem preparadas para dar informações sobre suas atividades e, principalmente, sobre seus gastos em P&D.

A Pintec procura saber se a empresa gastou e quanto gastou em atividades como compra de equipamentos para melhorar um produto ou processo, no lançamento de um produto inovador, em aquisição de software para inovar etc. São gastos que não aparecem na contabilidade rotineira das firmas. "Nas primeiras edições da Pintec, as empresas não estavam preparadas para dar essas respostas. Com a participação nas várias edições da pesquisa e o uso da lei do Bem, que tem formulários de prestação de contas semelhantes ao questionário da Pintec, elas criaram as informações e estão mais preparadas para responder a pesquisa", afirma. Contudo, ela diz que as grandes companhias têm seus dados sobre inovação mais bem organizados do que as de menor porte.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp