quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pesquisas tentam identificar genes responsáveis pelo processo metastático no osteossarcoma em crianças e adolescentes

Estudo de tumor ósseo é premiado
A doutoranda Carolina Salinas de Souza, do Departamento de Morfologia e Genética e do Instituto de Oncologia Pediátrica/Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ganhou dois prêmios por trabalhos apresentados durante o 12º Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro em Curitiba.

Carolina recebeu o Prêmio Onco pelo trabalho “Expressão dos genes MMP9 e CXCR4 no direcionamento pulmão-específico de metástases de osteossarcoma” e o Prêmio Rhomes Aur por “Expressão de genes relacionados ao perfil metastático do osteossarcoma”. Os dois receberam pontuação máxima na avaliação. Não houve outros ganhadores.

Carolina é autora principal dos trabalhos, que correspondem à sua tese de doutorado, com Bolsa da FAPESP, que será concluído em 2011. Ambos os prêmios visam a estimular a pesquisa na área de oncologia pediátrica. Além de certificados, ela receberá uma quantia em dinheiro pela premiação no Onco.

O estudo tenta identificar genes relacionados ao osteossarcoma, tumor ósseo maligno e agressivo de alta capacidade metastática cuja maior incidência é em crianças e adolescentes. A doença se manifesta principalmente no fêmur e na tíbia.

De acordo com Silvia Regina Caminada de Toledo, coordenadora do Laboratório de Genética do Instituto de Oncologia Pediátrica-Graacc e orientadora do estudo, esse tumor é um grande desafio da oncologia pediátrica porque, no mundo inteiro, só cerca de 10% das crianças são metastáticas quando fazem diagnóstico.

No Brasil, o número chega próximo de 30%, mas não se sabe os motivos dessa diferença. “A hipótese é que esse tumor, na sua origem, já tenha a programação para que o processo metastático se estabeleça, inclusive preparando o microambiente pulmonar para receber essas células e talvez exista aí alguma diferença nos tumores brasileiros”, disse Silvia.

O estudo de Carolina tenta identificar quais são os possíveis marcadores do osteossarcoma no grupo de amostras brasileiras. A partir de amostras metastáticas de pacientes com o câncer foi possível identificar seis genes. Quatro deles (RB1, RANKL, MDM2 e Oxterix) estão relacionados ao processo metastático do osteossarcoma e os outros dois (MMP9 e CXCR4) estão diretamente ligados a metástases de osteossarcoma para o pulmão.

Em mais de 90% dos pacientes metastáticos, o órgão onde ocorre a metástase é o pulmão. “Pouco se conhece sobre os mecanismos moleculares de direcionamento de metástases específicas para o pulmão. Por isso, torna-se necessária a caracterização dos genes e vias moleculares que determinam se uma célula tumoral terá a capacidade de formar metástase nesse órgão”, explicou Carolina.

“Os trabalhos premiados focam na parte molecular, que já está avançada. A análise citogenética ainda está em andamento”, disse. O estudo é uma continuação de três outros projetos apoiados pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e coordenados por Silvia.

Segundo a orientadora, há 20 anos não se tem uma droga nova e uma mudança do perfil de tratamento nos pacientes com osteossarcoma. “O tratamento é feito com quimioterapia pré-operatória, cirurgia, quimioterapia pós-operatória e, se o paciente tiver metástases, essas são então retiradas antes do fim do tratamento” disse.

Atualmente o protocolo de tratamento do osteossarcoma do Grupo Brasileiro de Tratamento do Osteossarcoma (GBTO), coordenado pelo professor Sergio Petrilli, da Unifesp, associa a quimioterapia em baixas doses à de altas doses, chamada quimioterapia metronômica.

“O objetivo é tentar controlar o processo de formação de novos vasos (angiogênico). Mas esse protocolo ainda está em avaliação de sua eficácia nos pacientes com osteossarcoma”, disse Carolina.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Pesquisadores americanos descobrem gene que pode proteger contra o alcoolismo

The Investigation into CYP2E1 in Relation to the Level of Response to Alcohol Through a Combination of Linkage and Association Analysis

Proteção contra alcoolismo
Um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina Chapel Hill da Universidade da Carolina do Norte (UNC), Estados Unidos, descobriu uma variante de um gene que pode proteger contra o alcoolismo.

A variante, no gene conhecido como CYP2E1, está associada com a resposta ao álcool em humanos. O trabalho foi publicado na edição on-line da Alcoholism: Clinical and Experimental Research (ACER) e sairá em janeiro na edição impressa da revista.

Segundo o estudo, de 10% a 20% das pessoas possuem a variante, deixando-as mais sensíveis à ingestão de bebidas alcoólicas do que o restante da população, que conta com outra versão do gene. Para essas pessoas, apenas algumas doses são suficientes para que fiquem embriagadas.

Estudos anteriores indicaram que aqueles que reagem mais fortemente ao álcool têm menos chances de se tornarem alcoólatras no futuro, mas não se conhecia a base genética dessa tendência. Agora, a descoberta com relação ao CYP2E1 aponta um novo mecanismo de percepção do álcool e de como ele atua no cérebro.

“Encontramos um gene que protege contra o alcoolismo e, acima de tudo, que tem um efeito muito forte. Mas é importante ressaltar que o alcoolismo é uma doença muito complexa e há diversas razões por que as pessoas bebem”, disse Kirk Wilhelmsen, professor da UNC e um dos autores do estudo.

O estudo analisou centenas de pares de irmãos que estudam no ensino superior e que tinham pelo menos um parente alcoólatra. Inicialmente, os voluntários receberam uma mistura de álcool e refrigerante equivalente a três doses de bebida alcóolica.

Em seguida, responderam, em intervalos regulares, a perguntas sobre os efeitos da ingestão da bebida, do tipo “sente-se embriagado?” ou “sente sono?”.

Os pesquisadores então conduziram análises genéticas de relação e associação de modo a investigar a região que aparentemente estaria influenciando o modo como os estudantes se sentiam com respeito à ingestão de álcool.

A análise levou à região do gene CYP2E1, que há tempos tem instigado os cientistas com relação a possíveis componentes genéticos do alcoolismo. O motivo é que o gene codifica uma enzima que metaboliza o álcool.

A maior parte do álcool ingerido pelo organismo humano é metabolizado por outra enzima, a álcool desidrogenase, que atua no fígado. Mas a CYP2E1 não atua nesse órgão, e sim no cérebro. E funciona diferentemente de outras enzimas, ao gerar radicais livres, minúsculas moléculas que podem ser reativas e prejudiciais a estruturas sensíveis como as células cerebrais.

“Verificamos que um alelo, isto é, uma versão específica do CYP2E1, faz com que seu portador seja mais sensível ao álcool e estamos investigando se isso ocorre por causa da geração de mais radicais livres”, disse Wilhelmsen.

“Os resultados do estudo são interessantes porque apontam para um novo mecanismo de como percebemos o álcool quando bebemos. O modelo convencional basicamente diz que o álcool afeta como os neurotransmissores fazem seu trabalho, mas nosso estudo indica que se trata de algo mais complexo”, afirmou.

De acordo com o cientista, no futuro, medicamentos que induzam o gene CYP2E1 poderão ser usados para tornar as pessoas mais sensíveis ao álcool ou mesmo para deixá-las sóbrias após terem bebido demais.


Fonte: Agência FAPESP

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e FAPESP: apoio a pesquisas em desenvolvimento infantil

Apoio a pesquisas em desenvolvimento infantil

Representantes da FAPESP e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) assinaram nesta terça-feira (19/10) acordo de cooperação científica e tecnológica que visa a desenvolver e apoiar projetos de pesquisa na área de desenvolvimento infantil.

Os projetos cooperativos serão conduzidos por pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa no Estado de São Paulo e da FMCSV.

O acordo destinará R$ 2,6 milhões – sendo R$ 1,3 milhão da FAPESP e igual quantia da FMCSV – para apoiar propostas selecionadas nas chamadas publicadas pelo Comitê Gestor da Cooperação entre as instituições.

“Esse acordo entre FAPESP e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal é muito importante para que o Estado de São Paulo e o Brasil possam desenvolver pesquisas em um tema tão fundamental como o desenvolvimento infantil”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

“Temos dois motivos de orgulho, a valorização da Fundação Vidigal por celebrar essa cooperação com a FAPESP e a certeza de que com ela os resultados dos nossos trabalhos serão ampliados”, disse Regina Vidigal Guarita, presidente do conselho da FMCSV.

Poderão se candidatar às chamadas no acordo projetos de pesquisas nas seguintes áreas de interesse: 1) Promoção de melhorias no sistema de atenção à primeira infância / Avaliação de programas e políticas que têm impacto no desenvolvimento infantil (zero a 3 anos); 2) Saúde, assistência social, educação e desenvolvimento; 3) Parcerias com pais e comunidades.

Familiar e sem fins lucrativos, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal foi criada em 1965 para atuar em pesquisa em hemoterapia. Durante quase 40 anos, os trabalhos foram dirigidos exclusivamente a pesquisas e atendimento a leucêmicos.

Nos anos 2000, as atividades foram expandidas para a área de geração de conhecimento. Atualmente, a missão da fundação, que é mantida por um fundo patrimonial, é gerar e disseminar conhecimento para o desenvolvimento integral da criança de zero a 3 anos.

Participaram também da assinatura do acordo, realizada na sede da FAPESP, Marcos Kisil (diretor-superintendente da FMCSV), Carlos Henrique de Brito Cruz (diretor científico da FAPESP), Joaquim José de Camargo Engler (diretor administrativo da FAPESP), Sedi Hirano, conselheiro da FAPESP, e outros representantes das duas fundações.

Fonte: Agência FAPESP

BIOEN - FAPESP: Bolsa de pós-doutorado em engenharia química

PD em pesquisa sobre etanol com Bolsa da FAPESP
O Projeto Temático "Um Processo Integrado para Produção Total de Bioetanol e Emissão Zero de CO2", apoiado pela FAPESP, tem vaga de Bolsa de Pós-Doutorado em simulação do processo conceitual visando a integrar as rotas de primeira, segunda e terceira gerações para produção de bioetanol, fazendo uso do simulador Aspen Plus e de programação em Fortran. O projeto integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

O Projeto Temático visa a um processo de produção totalmente integrado de bioetanol, a fim de melhorar a produtividade da produção de etanol já existente (fermentação de melaço de cana-de-açúcar, chamada primeira geração de bioetanol), bem como propor estudos para melhorar a produção de etanol de segunda geração (a partir de biomassa) e a viabilidade da terceira geração de bioetanol, produzido a partir da biomassa de algas ou da fermentação biológica ou catalítica de gás de síntese.

A terceira geração de bioetanol tem maior interesse no consumo de dióxido de carbono produzido nos processos de produção de bioetanol de primeira e segunda geração, causando grande impacto de emissão quase zero de CO2 no processo integrado.

Segundo os responsáveis pelo projeto, esse processo integrado desafiador tem o grande apelo de não emitir CO2 e aproveitar ao máximo os compostos de carbono para a produção de etanol, tornando-o, quando viável técnica e economicamente, um marco na alavancagem da competitividade do bioetanol brasileiro.

Competências desejadas para o bolsista de pós-doutorado:
* Título de doutor em engenharia química, com titulação adquirida nos últimos cinco anos;
* Experiência em processos fermentativos/reativos, simulação, otimização e controle de processos biotecnológicos, simulador Aspen Plus e programação em Fortran.
* Ser altamente motivado, capaz de trabalhar de forma independente e supervisionar/co-orientar outros alunos.
* Ter publicações em revistas e conferências nos temas relacionados ao projeto de pós-doutorado (simulação, otimização, controle, processos fermentativos/reativos e bioetanol).

Os interessados devem enviar os seguintes documentos (formato PDF), até dia 30 de outubro de 2010, para o professor Rubens Maciel Filho, coordenador do Projeto Temático e membro da coordenação do BIOEN:

* Carta de apresentação justificando razão de interesse pela bolsa de pós-doutorado;
* Curriculum Vitae atualizado;
* Duas cartas de recomendação.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Fonte: Agência FAPESP