quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Relação entre hipotireoidismo e doenças coronarianas

 Subclinical Hypothyroidism and the Risk of Coronary Heart Disease and Mortality

Pesquisa destaca relação entre hipotireoidismo e doenças coronarianas
Pacientes com hipotireoidismo subclínico – um distúrbio assintomático causado por níveis anormais de hormônio estimulador da glândula tireoide – têm maior risco de desenvolver doenças coronarianas.

A conclusão é de um estudo internacional produzido, com participação brasileira, a partir de dados extraídos de mais de 55 mil pacientes que foram acompanhados por diferentes períodos, entre 1972 e 2007, no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália, no Japão e na Europa.

O estudo foi publicado nas edições on-line e impressa da revista Journal of the American Medical Association (JAMA). O autor brasileiro do artigo, José Augusto Sgarbi, professor da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), trabalhou em conjunto com a equipe do Laboratório de Endocrinologia Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenado por Rui Maciel, professor titular da instituição.

Para viabilizar a parte brasileira do estudo, Maciel teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, entre 2007 e 2009. O cientista possui atualmente mais dois apoios da Fundação, nas modalidades Auxílio à Pesquisa – Regular e Temático.

Sgarbi apresentou os resultados no Congresso Internacional de Tireoide, realizado em Paris (França), entre 11 e 16 de setembro. De acordo com ele, o estudo já causa rápida repercussão, tendo sido objeto de comentários em outras revistas científicas, como a Annals of Internal Medicine e a British Medical Journal.

Segundo Sgarbi, já existiam na literatura científica indícios de que as disfunções tireoidianas subclínicas poderiam estar associadas a doenças cardiovasculares e coronarianas. Mas os resultados dessas pesquisas eram muitas vezes conflitantes, uma vez que não haviam sido feitos ainda estudos de grande escala.

“Embora possa persistir por muito tempo, o hipotireoidismo subclínico geralmente causa alterações mínimas e assintomáticas da glândula tireoide, que só podem ser detectadas com exames laboratoriais. Por isso havia uma grande controvérsia na literatura: essas disfunções devem ser tratadas ou não?”, disse Sgarbi .

A nova pesquisa indica que as disfunções tireoidianas subclínicas merecem mais atenção. “Pela primeira vez, temos uma revisão sistemática com meta-análise de estudos feitos em diversos países, o que aumenta muito o poder estatístico das conclusões”, afirmou.

A parte brasileira do estudo foi concebida como uma avaliação da epidemiologia de doenças tireoidianas em uma população de imigrantes japoneses residentes em Bauru (SP), considerando, entre outros aspectos, as disfunções tireoidianas subclínicas.

Os resultados foram publicados em março de 2010 no European Journal of Endocrinology, em artigo (Subclinical thyroid dysfunctions are independent risk factors for mortality in a 7.5-year follow-up: the Japanese–Brazilian thyroid study) de Sgarbi, Maciel, Teresa Sayoko Kasamatsu e Luisa Matsumura – ambas pesquisadoras da Unifesp – e Sandra Roberta Gouvea Ferreira, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“Depois de termos feito uma análise populacional em Bauru, fizemos uma caracterização e acompanhamos as pessoas selecionadas por um período de sete anos e meio. A conclusão foi que os indivíduos com hipotireoidismo subclínico têm um risco maior de morte por todas as causas relacionadas a eventos coronarianos”, afirmou Sgarbi.

Mortalidade aumentada
Com a publicação do estudo, a equipe foi convidada a participar da formação de um grupo de pesquisa voltado especificamente para as disfunções tireoidianas subclínicas. O consórcio envolvia cientistas dos Estados Unidos, Suíça, Holanda, Itália, Austrália e Japão. Todos já haviam publicado estudos populacionais sobre o tema.

“Optamos por abrir os dados de todos os estudos, com diversas populações, e o resultado foi uma amostra de mais de 55 mil indivíduos. Dessa amostra, cerca de 6% – ou 3.450 – indivíduos, tinham hipotireoidismo subclínico. O período de acompanhamento dos pacientes variou entre dois anos e meio e 20 anos. Sintetizamos os dados, avaliando-os como se fosse uma só população”, disse.

De acordo com o cientista, os resultados mostraram que, entre os pacientes com hipotireoidismo, aqueles cujos níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH, na sigla em inglês) ultrapassavam 10 miliunidades por litro (mIU/L) apresentavam maior risco de eventos coronarianos.

“Mostramos que o risco foi aumentado em uma vez e meia em relação aos indivíduos que não possuíam a disfunção. A mortalidade por causa coronariana também foi aumentada nos pacientes com TSH acima de 7 mIU/L”, disse Sgarbi.

Em relação à idade, o risco se manifestou principalmente na faixa etária que vai dos 65 aos 79 anos. “A análise mostrou que na faixa etária acima dos 80 anos o risco não persistiu. Isso talvez sugira que o hipotireoidismo subclínico possa ser até mesmo um fator protetor para os indivíduos mais idosos”, disse o pesquisador.

O artigo Subclinical Hypothyroidism and the Risk of Coronary Heart Disease and Mortality (doi:10.1001/jama.2010.1361), de José Sgarbi e outros, pode ser lido por assinantes da Journal of the American Medical Association (abstract)

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

4% dos problemas de infertilidade masculina estão associados à mutação de um gene

 Human Male Infertility Associated with Mutations in NR5A1 Encoding Steroidogenic Factor 1

Gene da infertilidade
Mutações no gene NR5A1, também conhecido como SF1, podem responder por cerca de 4% dos problemas de infertilidade masculina por defeitos na produção de espermatozoides. A conclusão é de um estudo publicado no dia 30 de setembro no American Journal of Human Genetics.

O estudo foi coordenado por Anu Bashamboo, do Instituto Pasteur, na França, que teve a colaboração de outras instituições. “O índice de 4% parece pequeno, mas em termos populacionais tem um peso muito importante”, disse o único brasileiro que participou da pesquisa, o doutorando Bruno Ferraz de Souza.

Ferraz de Souza, que assina o artigo publicado como segundo autor, está na University College London (Reino Unido), instituição que participou do trabalho na fase de conferência dos dados de laboratório.

O Instituto Pasteur analisou 315 homens que apresentavam problemas na produção de espermatozoides e sequenciou o gene NR5A1 de todos eles, comparando os resultados com os de outro grupo formado por 2 mil homens que não tinham esse tipo de problema.

Foram encontradas mutações no NR5A1 dos voluntários que apresentaram alterações mais graves, como azoospermia (ausência completa de espermatozoides) e oligozoospermia (baixa concentração).

O gene NR5A1 codifica uma proteína fundamental que regula, entre outros fatores, o desenvolvimento sexual adulto. A primeira relação entre o gene com alterações nas gônadas (ovários e testículos) e nas glândulas adrenais foi descoberta por John Achermann, pesquisador do Institute of Child Health, de Londres, atual orientador de Ferraz de Souza.

Posteriormente, a equipe da professora Berenice Bilharinho de Mendonça, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), descobriu que o NR5A1 também estava associado a casos menos graves em que não havia alterações adrenais.

“Esse foi um passo importante para associar o gene a casos de menor gravidade, porém mais prevalentes”, disse Ferraz de Souza.

O estudo ainda permitiu levantar a hipótese de que a mutação no NR5A1 pode provocar uma alteração progressiva na qualidade do líquido seminal, ou seja, a redução gradual do número de espermatozoides ao longo do tempo.

“Por enquanto, essa é apenas uma especulação baseada nas observações do estudo e que ainda precisa ser comprovada”, ressaltou Souza, que conta com bolsa de doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O artigo Human Male Infertility Associated with Mutations in NR5A1 Encoding Steroidogenic Factor 1 (doi:10.1016/j.ajhg.2010.09.009), de Bruno Ferraz de Souza e outros, pode ser lido por assinantes do American Journal of Human Genetics

Fonte: Fabio Reynol/ Agência FAPESP

Inpe: vaga para a Coordenação Geral de Observação da Terra (OBT)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou um edital para selecionar candidatos à chefia de sua Coordenação Geral de Observação da Terra (OBT), em São José dos Campos (SP). As inscrições poderão ser feitas até o dia 29 de outubro.

No Inpe, as chefias são selecionadas por meio de comitês de especialistas que buscam, na comunidade interna e externa à instituição, nomes que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas em cada área. O novo chefe da OBT será selecionado a partir de uma lista tríplice elaborada pelo comitê.

A permanência no cargo será de até 48 meses com direito a uma única recondução por igual período. Poderão se candidatar brasileiros natos ou naturalizados e estrangeiros que pertençam ao quadro do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Os candidatos deverão possuir experiência profissional em áreas de atuação da OBT, visibilidade junto às comunidades científicas e tecnológicas nacional e internacional, visão estratégica e de futuro para a OBT e capacidade de tratar questões científicas, administrativas, políticas e de visão estratégica.

É necessário ainda que os candidatos tenham experiência técnica e administrativa, capacidade de gerenciar projetos e pessoas, experiência em cooperação nacional e internacional e motivação para enfrentar novos desafios.

As cartas de inscrição para o cargo devem ser acompanhadas de curriculum vitae detalhado e atualizado do candidato e de um texto com até cinco páginas, com a descrição do seu projeto de gestão e sua visão de futuro para a OBT, considerando um mandato de quatro anos.

O processo seletivo incluirá uma audiência pública para exposição do plano de gestão e uma entrevista oral dos candidatos com os membros do comitê.

Fonte: Agência FAPESP

Cientistas brasileiros esperam continuidade da política de apoio à pesquisa

A Revista Nature publicou recentemente reportagem da jornalista Anna Petherick em que apontava a expectativa da comunidade científica brasileira de que o próximo presidente da República dê continuidade à política de apoio à pesquisa e mantenha o nível de investimentos no setor feitos nos sete anos do governo Lula.

A matéria aponta, ainda que apesar de não ter formação superior, Lula foi o presidente que mais investiu e elevou o padrão e o status da pesquisa científica do país.


Clique aqui para ler o texto original da Nature, em inglês.

Ttradução da matéria publicada pela Agência Carta Maior