quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Unifesp desenvolve técnicas de recuperação da superfície dos olhos

Reconstrução ocular
O olho é revestido pela superfície mais especializada do corpo humano. Essa superfície é composta pelos epitélios da córnea, limbo e conjuntiva e necessita da lubrificação do filme lacrimal para manter sua função.

No limbo residem células-tronco que regeneram o epitélio compacto e transparente da córnea. O epitélio, por sua vez, é considerado o tecido mais ricamente inervado do ser humano. Na conjuntiva residem células produtoras de mucina e células do sistema imune, fundamentais para a defesa do olho.

Essa superfície altamente diferenciada e complexa pode ser alvo de diferentes tipos de agressões físicas, químicas e biológicas, que repercutem diretamente na função visual e qualidade de vida.

Estudar as estruturas envolvidas e desenvolver técnicas para contornar e evitar as chamadas doenças que acometem essa área nobre do corpo humano foi o objetivo da pesquisa “Reconstrução da superfície ocular: aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos”, coordenada pelo professor Rubens Belfort Mattos Júnior, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Doftalmo -Unifesp), e apoiada pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático.

“A superfície ocular é muito importante em inúmeros aspectos. Procuramos abordar nesse projeto os aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos dos problemas que afetam esse tecido”, disse Belfort.

Uma das técnicas desenvolvidas no âmbito do projeto foi o transplante de membrana amniótica para a reparação da superfície ocular. Esse tecido, que é obtido da placenta, possui propriedades cicatrizantes e antiinflamatórias, além de ser considerado imunologicamente inerte. Pode ser conservado congelada em meio de cultura por meses, o que facilita a sua aplicação terapêutica.

A membrana amniótica se mostrou eficaz no tratamento da superfície ocular no caso de queimaduras, na síndrome de Stevens Johnson (forma grave de eritema bolhoso), no pterígio (espessamento vascularizado da conjuntiva) e na reparação dos afinamentos da córnea.

Outro estudo envolveu a aplicação de células-tronco do limbo na regeneração da superfície da córnea. “Não temos a necessidade de uma célula com pluripotencialidade, o que nos interessa são as funções ligadas ao olho nas quais a aplicação das células-tronco adultas do limbo apresentam bons resultados”, disse Belfort.

Segundo ele, as células-tronco límbicas podem ser transplantadas de um olho saudável para o outro comprometido em um mesmo paciente ou ainda serem recebidas de outra pessoa.

Outra vertente do Temático incluiu o cultivo em laboratório e o transplante das células-tronco do limbo para reparar a superfície ocular danificada, o que colocou a equipe da Unifesp em pé de igualdade com os grupos mais avançados nesse tipo de pesquisa, segundo Belfort.

“No mundo, poucos países estão no mesmo patamar. Itália, Alemanha, Inglaterra, Japão, Cingapura e Índia – e agora o Brasil – são os mais importantes”, afirmou.

Novo laboratório
Além do limbo, outras possíveis fontes de células-tronco são células da conjuntiva e dentes de leite. Um trabalho feito em parceria entre pesquisadores da Unifesp e do Instituto Butantan está experimentando células-tronco extraídas da polpa desses dentes também na reconstrução da superfície ocular.

A técnica de aplicação sobre a córnea é similar: o novo tecido cultivado em laboratório é aplicado sobre o olho, seguido de enxerto de membrana amniótica para proteger as células transplantadas.

Belfort destaca que o Projeto Temático possibilitou a criação do Laboratório de Biologia Celular em Oftalmologia da Unifesp, unidade especializada no cultivo de células-tronco epiteliais da superfície ocular, cujos equipamentos foram adquiridos com apoio da FAPESP.

A pesquisa ainda recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto de Visão, instituição filantrópica ligada ao Departamento de Oftalmologia da Unifesp.

“Um dos grandes méritos desse Temático foi consolidar um núcleo de pesquisa e formar novos talentos, como José Álvaro Pereira Gomes, que foi co-coordenador do projeto”, disse Belfort. Gomes defendeu sua livre-docência durante o projeto e atualmente também é professor do Departamento de Oftalmologia da Unifesp.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

Canadá: Programa Vanier oferece bolsas de pós-graduação

O governo do Canadá abriu inscrições para o Programa Vanier de Bolsas de Pós-Graduação, voltado a estrangeiros interessados em realizar pesquisa nas áreas de ciências sociais e humanas, ciências naturais, engenharia e saúde.

As inscrições para 2011 poderão ser feitas até o dia 20 de outubro. Nesta edição do programa são oferecidas vagas em 52 universidades canadenses. O valor da bolsa é de 50 mil dólares canadenses anuais por um período de até três anos.

Para participar do programa os candidatos devem ter cursado até 20 meses do curso de doutorado com média satisfatória e não ter recebido anteriormente nenhuma bolsa do programa Vanier.

Os candidatos devem, em primeiro lugar, escolher entre uma das 52 universidades parceiras para participar da seleção.

A avaliação será feita a partir do desempenho acadêmico e profissional do candidato, por meio dos resultados acadêmicos, prêmios e distinções, programa de estudo e contribuições potenciais para o avanço do conhecimento, experiências profissionais e acadêmicas relevantes, envolvimento com a comunidade, publicações, apresentações em conferências e cartas de recomendação.

O programa é uma iniciativa de três agências de fomento à pesquisa no Canadá: o Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais e Humanas, o Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia e os Institutos de Pesquisa em Saúde do Canadá.

Fonte: Agência FAPESP

Unifesp: inaugurado o campus em Embu das Artes

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) inaugurou na última segunda-feira (27/9) o Campus de Extensão Universitária da Região Sudoeste da Grande São Paulo, na cidade de Embu das Artes (SP).

Um convênio entre a Unifesp e a prefeitura de Embu das Artes permitiu a concessão de salas do Complexo Educacional Professora Valdelice Aparecida Medeiros Prass para a realização dos cursos.

O grupo de trabalho que idealizou o projeto é formado por representantes do município de Embu e docentes da Unifesp. Eles estabeleceram a grade curricular do novo campus, que abriu inscrições nesta terça-feira (28/9).

Serão oferecidas vagas gratuitas para cursos extensivos de capacitação, de curta duração, nas áreas de cultura, esporte, formação continuada para profissionais da saúde e educação, além de cursos voltados aos jovens, como primeiro emprego, e a Universidade Aberta da Terceira Idade.

Um dos principais objetivos do novo espaço, de acordo com a Unifesp, é investir na capacitação e atualização dos servidores públicos municipais da região. Os cursos serão ministrados por docentes da Unifesp e os certificados serão expedidos pela universidade.

Os projetos e ações de extensão são realizados de acordo com a realidade das regiões, levando-se em conta as demandas e necessidades daquele público. O objetivo é ter ações continuadas e permanentes.

Mais informações: (011) 4785-3630/ 4785-3633 e 4785-3638

Fonte: Agência FAPESP

IUCN Red List Index aponta que 1 em cada 5 plantas corre risco de extinção no Planeta

Ameaça global
As plantas são tão ameaçadas pelo risco de extinção como os mamíferos, de acordo com uma análise global realizada por instituições europeias. O estudo (IUCN Red List Index); revelou que uma em cada cinco espécies de plantas no mundo corre risco de extinção.

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, com os resultados da análise realizada pelo Royal Botanic Gardens de Kew e pelo Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), foi divulgada nesta terça-feira (28/9), na capital inglesa.

O estudo, considerado uma das principais bases para a conservação, revelou a verdadeira extensão da ameaça às plantas do mundo, estimadas em cerca de 380 mil espécies.

Cientistas das três instituições realizaram avaliações a partir de uma amostra representativa de plantas de todo o mundo, em resposta ao Ano Internacional da Biodiversidade das Nações Unidas e às Metas de Biodiversidade – 2010.

Os resultados anunciados deverão ser considerados na Cúpula da Biodiversidade das Nações Unidas, que reunirá governos em meados de outubro em Nagoia, no Japão, com o objetivo de estabelecer novas metas.

O trabalho teve apoio principalmente na ampla base de informações botânicas do Herbário, Biblioteca, Arte e Arquivos de Kew – que inclui cerca de 8 milhões de espécimes preservadas de plantas e fungos –, nos 6 milhões de espécimes do herbário do Museu de História Natural, em dados digitais de outras fontes e nas bases de informação da rede de parceiros dos Royal Botanic Gardens em todo o mundo.

“O estudo confirma o que já suspeitávamos: as plantas estão sob ameaça e a principal causa é a degradação induzida por humanos em seus habitats”, disse Stephen Hopper, diretor dos Royal Botanic Gardens de Kew.

“Pela primeira vez temos um retrato global claro do risco de extinção das plantas mais conhecidas no mundo. Esse relatório mostra as ameaças mais urgentes e indica as regiões mais ameaçadas”, afirmou.

Segundo Hopper, existem questões cruciais para serem respondidas, como qual a velocidade e a causa da perda de espécies e o que pode ser feito com relação a isso.

“Para responder a essas questões, precisamos estabelecer uma base a partir da qual possamos medir as transformações. A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção faz exatamente isso, avaliando uma ampla amostra de espécies vegetais que são coletivamente representativas de todas as plantas do mundo”, disse.

O cientista acrescentou que as Metas de Biodiversidade para 2020, que serão discutidas em Nagoia, são ambiciosas. Mas um aumento de escala nos esforços se faz necessário em um momento de perda pronunciada da biodiversidade. “As plantas são o fundamento da biodiversidade e sua relevância para as incertezas climáticas, econômicas e políticas tem sido negligenciada por muito tempo”, afirmou.

“Não podemos ficar de braços cruzados olhando as espécies vegetais desaparecer – as plantas são a base de toda a vida na Terra, fornecendo ar limpo, água, comida e combustível. A vida de todo animal e ave depende delas, assim como a nossa. Obter as ferramentas e o conhecimento necessários para reverter a perda de biodiversidade é agora mais importante que nunca. A Lista Vermelha dá essa ferramenta aos cientistas e conservacionistas”, destacou.

Alguns dos dados revelados pelo estudo:
* Cerca de um terço das espécies (33%) da amostra é conhecida em grau insuficiente para permitir uma avaliação de conservação. Isso demonstra a escala da tarefa de conservação que será enfrentada por botânicos e cientistas – muitas plantas são tão pouco conhecidas que não é possível saber se estão ou não em perigo.
* De quase 4 mil espécies que foram cuidadosamente avaliadas, mais de um quinto (22%) foi classificado como ameaçado.
* Plantas são mais ameaçadas que aves, tão ameaçadas como mamíferos e menos ameaçadas que anfíbios e corais.
* Gimnospermas – o grupo vegetal que inclui as coníferas – são o grupo mais ameaçado.
* O habitat mais ameaçado são as florestas tropicais, como a Amazônia.
* A maior parte das plantas ameaçadas é encontrada nos trópicos.
* O processo mais ameaçador é a perda de habitat induzida pelo homem, em especial a conversão de habitats naturais para uso da agricultura.

Fonte: Agência FAPESP

Cidade Cantada – Educação e experiência estética

Canções das ruas
A canção ocupa um lugar social e histórico ímpar na cultura brasileira. Discutir como essa forma tão especial de expressão artística pode contribuir para repensar o conceito de cultura da educação é o objetivo do livro Cidade Cantada – Educação e experiência estética, de Julia Pinheiro Andrade.

Para abordar o sentido formativo que a experiência estética pode assumir no campo da educação, a autora discute a forma da canção brasileira a partir de dois exemplos distintos e radicais: o tropicalismo do compositor Tom Zé e o rap do grupo Racionais MC’s.

A obra, lançada em agosto, tem base na dissertação de mestrado de Julia, defendida em 2007 na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), com Bolsa da FAPESP.

Graduada em Geografia na USP, em 2001, a autora atuou em pesquisas em geografia urbana na cidade de São Paulo. Atualmente, é coordenadora pedagógica do Programa Mapa de Educação e Meio Ambiente e assessora da Escola Castanheiras.

Como educadora no ensino fundamental, percebeu que os alunos tinham dificuldades para se identificar e compreender conceitos e processos que explicam a lógica das transformações do espaço urbano, pois mobilizam representações abstratas da cidade.

“Utilizando a música em sala de aula, observei que a abordagem estética fornecia um excelente acesso para diversos temas, pois a canção mobiliza o corpo, as emoções e cognição a um só tempo. Quando a escutamos enquanto forma narrativa, podemos elaborar toda uma experiência sobre a relação entre os sujeitos (o cantor e o ouvinte) e as cidades (a cantada e a vivida). Quando passei a trabalhar com a formação de professores, essa possibilidade ficou ainda mais clara”, disse.

Julia passou então a considerar a possibilidade de abordar a correspondência entre a canção como forma estética, a experiência urbana e as transformações do espaço da cidade.

Inicialmente, seu projeto de mestrado partiria da década de 1950, com o samba do compositor paulista Adoniran Barbosa. “Passaria então pelas ‘descanções’ de Tom Zé – um tropicalismo diferente, que viu as metamorfoses da cidade nas décadas de 1960 e 1970 –, chegando finalmente à música dos Racionais MC’s, que cantaram a cidade implodida por um violento crescimento periférico”, disse.

O estudo acabou se concentrando em Tom Zé e Racionais MC’s, dois momentos contrastantes da cidade e da forma da canção. “Adoniran Barbosa permaneceu como contraponto iluminador, aparecendo como o fio da meada da geografia e da história da canção em São Paulo”, explicou.

No primeiro capítulo, A cidade cantada, a autora apresenta a importância da canção no Brasil. “A canção ocupa na nossa sociedade um lugar social e histórico ímpar, mais presente do que a cultura letrada”, disse.

Para situar o “objeto não identificado da canção popular”, Julia se baseou em autores como José Miguel Wisnik, Luís Tatit, Marcos Napolitano e Celso Favaretto – esse último professor no Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada da Faculdade de Educação da USP e orientador do estudo.

Delineada a força da canção, a autora define então a importância da cidade cantada. “Uma forma estética capaz de decantar e comunicar a experiência complexa e ambivalente do mundo urbano de hoje. Penso essa possibilidade em São Paulo, cidade ícone do desenvolvimento e da crise nacional”, disse.

O segundo capítulo é um ensaio teórico sobre a importância de trabalhar as diferentes linguagens da cultura em educação. “Procurei refletir sobre como podemos pensar em um projeto de formação cultural a partir de nosso espaço mais cotidiano, a cidade, e, nesse contexto, qual o papel que um trabalho sistemático de escuta de canção pode desempenhar na educação”, explicou.

Dentro desse conceito, Julia discute o valor de trabalhar a arte no contexto escolar, considerando-a uma experiência ampla que engloba simultaneamente sentimentos, razão, emoções e sentidos. A autora procura distinguir o que é a experiência estética e crítica.

“A partir da obra do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), Julia estuda a cultura e a educação dentro de uma modernidade muito crítica, que é a do nosso tempo, entre o moderno e contemporâneo”, disse Favaretto.

O terceiro capítulo discute como fazer o trabalho com a canção. Para isso, é preciso definir o que é a forma canção, como ela se estrutura, como é lida e escutada. “Trata-se de uma forma híbrida entre literatura e música. Procuro trabalhá-la em suas duas dimensões e, a fim de explicitá-las, analiso diversas canções”, afirmou.

Pensadores como Theodor Adorno (1903-1969) e Jean Baudrillard dão o fundamento para a discussão sobre as possibilidades de se pensar a canção como experiência estética, sendo que ela é, ao mesmo tempo, arte e mercadoria, isto é, necessariamente voltada para um determinado consumo.

“Sustento que, no Brasil, a canção é um objeto cultural muito forte pelo fato de unir a experiência cotidiana com uma cultura enciclopédica e, ao mesmo tempo, circular entre as várias classes sociais, fazendo uma ponte entre cultura letrada e cultura oral. Destaco a dialética entre a forma mercadoria e a forma narrativa, que é uma forma estética capaz de compartilhar e decantar experiências”, disse.

Conversações diversas
No quarto capítulo, Julia discute como a canção se manifesta na obra de Tom Zé. Contextualiza sua formação, diferencial em relação ao projeto tropicalista e apresenta a cidade cantada por ele – ou sua “descanção”, como o próprio autor define.

“Analiso como se desdobrou o seu projeto estético ao longo do tempo e como a imagem da cidade volta em suas diversas fases, avaliando as mudanças de instrumentação, estilo, ritmo, letras e maneira de cantar ao longo do tempo, evidenciando as transformações e os processos da cidade”, disse.

“Como trabalha desconstruindo a canção, Tom Zé é especialmente feliz na decantação das metamorfoses da cidade em metrópole, pois incorpora à melodia ruídos, dissonâncias, levadas harmônicas e rítmicas estranhas, como os ostinatos. Sua canção decanta as ambivalências da crise urbana contemporânea.”

Julia analisa depois as mudanças das manifestações musicais brasileiras em direção ao gênero eletrônico, até chegar ao rap ("ritmo e poesia", na sigla em inglês) que, segundo ela, é uma “forma diminuída, mínima, da canção”.

“O rap é coerente com uma experiência da mudança radical da cidade a partir da década de 1990. Faço uma gênese desse gênero nos Estados Unidos e no Brasil e destaco a relação entre os dois países para explicitar o que é o rap e por que podemos considerá-la como uma forma de canção – quando a melodia se reduz à entoação da fala e o ritmo e discurso emergem em primeiro plano”, afirmou.

“Com uma ‘dicção de navalha’ cantada e decantada por um narrador em primeira pessoa, o Racionais MC's conseguiu narrar muito bem a experiência urbana das periferias. O grupo destaca até mesmo a experiência da morte, colocando-a para falar por meio de discurso de bandido baleado, da encenação de tiroteio, do pensamento em flashback e do som ritmado de um eletrocardiograma. Mais do que a descrição factual da periferia, conseguiram narrar experiências fortes e trazer essa parte antes silenciada da cidade para dentro da música”, disse.

A autora utiliza a teoria do filósofo húngaro Georg Lukács (1885-1971) de forma narrativa para discutir como ela é capaz de narrar ou descrever uma experiência. “Faço essa discussão para ver como um grupo de rap consegue criar uma narrativa”, contou.

O último capítulo do livro é, segundo Julia, uma síntese sobre a experiência estética e sua possibilidade de uso com formação de um sujeito – exatamente porque põe em correspondência um sujeito que narra e um outro que ouve, possibilitando que se saia da simples situação de vivências individuais.

“A cultura do nosso tempo é diluída, fragmentada, mas múltipla: a canção pode trazer para a sala de aula diferentes escutas e conversações. Por menos que um professor goste de rap, se ele se propuser a escutar de forma crítica, contextualizando estética e historicamente a canção, poderá chegar a compartilhar experiências com seus alunos”, apontou.

“O livro não propõe estratégias diretas de aplicação da canção em sala de aula, mas dá indicações de como perceber, como criar uma escuta profunda da canção para compreender a experiência do tempo e do espaço contemporâneos”, disse.

Maiores informações pelo site

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP