terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia 22 de Setembro - Dia Mundial sem Carro

Apoie e pratique esta idéia :



InovaBrasil

FOP-Unicamp: Projeto estuda genes envolvidos em diferentes problemas relacionados à formação dos dentes

Má formação dentária
Dentes que não nascem, manchas no esmalte e dentição com características irregulares são alguns problemas que podem ocorrer durante a formação dentária.

Estudá-los de maneira ampla foi o objetivo do Projeto Temático “Defeitos na formação do órgão dental”, que teve o apoio da FAPESP e foi coordenado por Sérgio Roberto Peres Line, do Departamento de Morfologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (FOP-Unicamp), em Piracicaba (SP).

Um dos objetos de estudo foi o efeito do flúor na ocorrência de manchas no esmalte do dente. Considerada uma má formação branda, esse problema ocorre durante a formação da matriz orgânica e calcificação do dente e afeta principalmente o seu esmalte.

Apesar de ser composto basicamente por minerais, o esmalte dentário começa a se formar a partir de uma matriz proteica, e nessa fase o dente já sofre a ação do flúor.

“Desenvolvemos um método que utiliza microscopia de luz polarizada e permite estudar o estado de agregação das proteínas do esmalte dentário”, disse Line.

Já se sabia que o flúor atinge o esmalte dentário, no entanto a equipe da FOP mostrou como isso ocorre. “Mostramos que o flúor desorganiza a matriz proteica do esmalte dentário durante a sua formação”, ressaltou.

Essa parte da pesquisa compôs o doutorado de Alexandre Ribeiro do Espírito Santo, que estudou os efeitos das alterações genéticas sobre a matriz orgânica do esmalte dentário e contou com Bolsa da FAPESP.

Outra alteração encontrada no esmalte dentário analisada no projeto foi a amelogênese imperfeita, um problema provocado por mutações de diferentes genes relacionados à formação dessa parte do dente.

Essa anomalia pode se manifestar de diferentes formas, como, por exemplo, um esmalte dentário duro, de espessura fina e cheio de irregularidades. Na forma mais comum da doença, o esmalte surge com uma consistência mole e, ao ser desgastado pela mastigação, acaba desaparecendo e expondo a dentina, a parte interna do dente.

“Com isso, a doença apresenta consequências estéticas e também funcionais porque após o desgaste pode sobrar apenas um pedacinho do dente”, explicou Line.

Essa parte da pesquisa foi realizada em conjunto com Pragna Patel, do Instituto para Medicina Genética da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos. As equipes brasileira e norte-americana mapearam uma região gênica relacionada à amelogênese imperfeita.

O levantamento genético também teve a participação dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Nessa etapa, foram estudadas famílias que tinham pessoas com a doença para identificar os genes relacionados à sua ocorrência.

“Nenhum dos casos testados apresentou correlação com a amelogênese imperfeita. Mesmo assim, os resultados são importantes, pois foram analisados todos os genes relacionados à formação do esmalte e agora sabemos que eles, isoladamente, não são responsáveis pela doença, o que indica que outros genes estão envolvidos”, afirmou Line.

A análise dos genes envolvidos na amelogênese imperfeita foi o tema da tese de doutorado de Maria Cristina Leme Godoy dos Santos, que desenvolveu seus trabalhos com Bolsa da FAPESP.

Dentes que não se formam
A equipe também investigou a ausência do processo de formação do dente, chamada de “agenesia dentária”, cuja maior ocorrência está entre os dentes incisivos laterais superiores e terceiros molares, conhecidos como dentes do siso. Em casos mais graves, poucos dentes são formados, causando sérios problemas de mastigação e de fala, além dos relacionados à estética.

Para estudar essa enfermidade, a equipe da FOP analisou os polimorfismos de um gene chamado PAX9 e conseguiu relacionar alguns deles à agenesia de dentes molares, principalmente o dente do siso. O PAX9 esteve no foco das pesquisas de mestrado de Carolina Vieira de Almeida e de doutorado de Cristiane Pereira Borges Saito e Liza Lima Ramenzoni, com Bolsas da FAPESP.

O trabalho exigiu a coleta de DNA de pacientes atendidos pela clínica da FOP que sofrem de agenesia. Com isso, os pesquisadores puderam comparar regiões do DNA com o de pessoas sadias e, dessa forma, identificar possíveis trechos envolvidos com a doença.

Iniciado em 2005, o trabalho terminou em maio de 2010, tendo produzido artigos importantes como o New locus for autosomal dominant amelogeneis imperfecta on chromosome 8q24.3, publicado em 2006 na revista Human Genetics e que identifica o cromossomo 8 como um novo locus da amelogênese imperfeita.

Outro trabalho produzido nesse mesmo projeto foi aceito recentemente pela revista Cell Biochemistry and Function e deverá ser publicado ainda este ano, de acordo com Line.

O grupo da FOP pretende aprofundar os estudos nas regiões identificadas do PAX9 que apresentaram maior probabilidade de estar relacionadas aos problemas dentários. Esse é o foco do estudo de Mariana Martins Ribeiro e de Luciana Souto Mofatto – a primeira tem Bolsa de Treinamento Técnico da FAPESP e, a segunda, de Pós-Doutorado.

A formação de recursos humanos foi um dos principais resultados do projeto, de acordo com Line. “Estudantes que atuaram nesse Temático são agora docentes na Universidade Federal do Paraná, na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Estadual do Amazonas”, disse.

Line também considera a atualização da infraestrutura de pesquisa uma importante consequência do Temático. “A aquisição de um freezer que atinge -70º C e de um luminômetro [para medição de luminescência] e a montagem de uma sala de cultura de células, que será usada por outras áreas da Unicamp, são contribuições importantes que o apoio da FAPESP permitiu viabilizar”, afirmou.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

CGEE: Descentralização do fomento à ciência, tecnologia e inovação no Brasil

Descentralização do fomento à CT&I
Estudo avalia o desenvolvimento dos processos brasileiros de descentralização do fomento à ciência, tecnologia e inovação

O estudo recente do CGEE, “Descentralização do fomento à ciência, tecnologia e inovação no Brasil”, remete à discussão atual e relevante do compartilhamento de iniciativas entre a União, as Unidades da Federação e o setor privado. A publicação nasceu após estudos exploratórios desenvolvidos desde 2008, quando se evidenciou a necessidade de analisar a trajetória e o futuro desses processos de maneira a subsidiar a tomada de decisões acerca dessas áreas.

Mais de 50 programas de fomento em CT&I no país relacionados ao processo de descentralização do fomento foram avaliados. Os aspectos levados em conta foram os papéis desempenhados pelos diferentes níveis de governo e do setor privado; os modelos ou padrões de coordenação federativa na área de CT&I; os impactos sobre os gastos dos governos subnacionais em CT&I e o perfil desigual desses gastos entre os estados brasileiros; e as suas conexões com políticas estaduais de desenvolvimento regional, considerando as mudanças recentes no padrão das políticas estaduais de desenvolvimento. “A premissa por trás disso é que os estados sabem mais acerca de suas necessidades e potenciais do que o governo federal”, explica Sofia Daher, assessora técnica do CGEE e coordenadora do estudo.

Análise de políticas e programas
O trabalho conta com uma análise dos principais programas e políticas de desenvolvimento e suas conexões com o processo de descentralização. “Alguns programas são mais centralizados, enquanto que outros têm menos interferência do governo federal”, explica Sofia Daher. A assessora técnica do Centro também menciona as diferenças entre autonomia decisória e responsabilidade de execução. A primeira refere-se à independência na tomada de decisões nas áreas prioritárias dos programas em andamento e em outros aspectos. Já a responsabilidade de execução dos programas, por outro lado, é a garantia de que haverá fiscalização das ações e dos resultados de programas e políticas ativas.

De acordo com a publicação, a perspectiva de uma maior convergência entre diferentes programas de fomento em C&T no Brasil impõe novos desafios para o avanço do processo, já que exige maior articulação entre as instituições financeiras federais (IFF) e suas instituições parceiras na gestão desses programas, não só em termos operacionais, mas também em termos estratégicos.

Linha do tempo
O processo de descentralização do fomento à ciência, tecnologia e inovação é recente, se comparado aos mesmos a que foram submetidas as áreas de saúde e educação no Brasil. “O processo avança de forma muito intensa nos últimos dez anos, no mesmo passo que o fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI), e contrasta com a centralização que pode ser observada nas décadas de 1970 e 1980”, explica o consultor do estudo, Mariano Macedo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Outro destaque da nova publicação do CGEE se traduz na linha do tempo construída para o estudo, que engloba eventos pontuais em ciência e tecnologia que contribuíram para a aceleração da descentralização do fomento no país. “A criação de Fundos Estaduais de C&T e das Fundações de Apoio à Pesquisa (FAP) de cada estado foi uma decorrência da Constituição de 1988”, destaca Mariano.

A Carta de Salvador, de 2004, também constituiu um marco histórico. Redigida no Fórum Nacional de Secretários Estaduais de C&T, a Carta defende a consolidação de parcerias entre os estados e a União para o desenvolvimento de todo o país, superando as desproporções regionais existentes pela fixação de critérios diferenciados por estado. De acordo com Sofia Daher, o documento mostrou uma preocupação em promover o desenvolvimento dos estados em que a C&T está menos consolidada, estabelecendo proporções diferentes de contrapartida nos programas nacionais.

A linha do tempo pode ser encontrada nos anexos da publicação, assim como quadros e tabelas que abordam o Programa Prime, da Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep); algumas especificidades das leis estaduais de inovação; recursos aplicados pelos governos estaduais em C&T por atividades regiões e Unidades da Federação; características dos programas de fomento em C&T no Brasil e mudanças nos desenhos estratégicos, institucionais e operacionais de alguns programas.

Evolução evidente
Após a análise e a avaliação de dados, o estudo chegou a diversas conclusões sobre a descentralização do fomento. “É um processo de características pactuadas mais entre as instituições públicas e privadas participantes – a exemplo da Carta de Salvador – do que regido por legislação específica, como ocorre nas áreas de saúde e educação”, aponta o estudo. Mariano Macedo ressalta ainda que o processo não acontece de acordo com um formato definido, já que depende das interações entre os diferentes atores locais, com capacidades técnicas e operacionais distintas e interesses diversos.

Segundo a publicação, principalmente no final da década de 1990, é perceptível que o processo se torna cada vez mais estruturado e compartilhado entre diferentes instâncias do poder e entre instituições federais de fomento e do setor privado. Estados e municípios se comportam de maneira cada vez mais proativa nas iniciativas em C&T, aumentando seus gastos em investimentos e políticas de desenvolvimento, sejam elas articuladas ou não com o governo federal. Para Sofia, isso significa que os estados se encontram cada vez mais conscientes da importância da C&T como base para o desenvolvimento industrial.

Apesar da complexidade do sistema de fomento em C&T, o estudo afirma que este “se diferencia de processos semelhantes e paradigmáticos das áreas de saúde e educação por serem menos sujeitos a normas gerais, legalmente mais fortes e estáveis, a exemplo das que regem o Sistema Único de Saúde (SUS) ou o Ensino Fundamental”.

Fragilidades
No entanto, o processo ainda revela fragilidades. O documento mostra que as disparidades nacionais entre estados e regiões ainda são grandes. Diante dos desafios, recomenda: fortalecer as secretarias estaduais de C&T, FAP e órgãos municipais semelhantes em infraestrutura, capacitação técnica, etc.; estruturar e definir instrumentos operacionais que visem à expansão do intercâmbio entre experiências das FAP; fortalecer instituições federais de fomento em sua competência técnica e operacional; acompanhar e avaliar a efetividade das políticas e programas federais, estaduais e municipais de C&T.

Além disso, outras recomendações consistem em melhorar a articulação entre programas de fomento; fortalecer a articulação entre instituições do Sistema Nacional de CT&I; articular programas de gestão descentralizada com programas voltados para a criação de massa crítica e de excelência em pesquisa; e articular as políticas públicas de compras dos governos federal, estadual e municipal com a política de C&T.

Ficha técnica do estudo Descentralização do Fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil

Supervisão:
Antonio Carlos Filgueira Galvão

Consultores:
Mariano de Matos Macedo (coordenador)
Sergio Eduardo K. Sampaio
Antonio José Junqueira Botelho
Mariza Almeida
Luiziana Aragão

Equipe Técnica do CGEE:
Sofia Daher (coordenadora)
Carlos Duarte de Oliveira Junior
Fernanda Antonia Fonseca Sobral

Fonte:CGEE

Poli/USP inaugura o Lassu -laboratório de sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação

A Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) inaugurou o Laboratório de Sustentabilidade em Tecnologia de Informação e Comunicação (Lassu), abrigado no Departamento de Engenharia, Computação e Sistemas Digitais.

O laboratório atuará nas áreas de ensino, pesquisa, cultura e extensão em engenharia de computação, visando ao desenvolvimento social, à proteção ambiental e ao crescimento econômico sustentável.

De acordo com Tereza Cristina Carvalho, professora de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli e diretora do laboratório, a proposta é promover pesquisas ligadas à reciclagem de eletroeletrônicos e incentivar a iniciativa privada na elaboração de projetos sustentáveis.

“O principal objetivo é desenvolver pesquisas tendo como meta a sustentabilidade em tecnologias da informação e comunicação, com foco no ensino e na extensão universitária”, disse.

Segundo a diretora, o laboratório tratará de assuntos como o uso racional de recursos de tecnologias da informação, o tratamento de lixo eletrônico, a inclusão digital no mercado de reciclagem, eco-design e tecnologias para população de baixa renda.

“Queremos desenvolver, por exemplo, um computador que seja mais facilmente reciclável, projeto que envolverá não apenas os alunos da Poli, mas também da área de design de outras faculdades da USP, como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, além de parcerias com a comunidade”, disse, ao salientar que a iniciativa envolverá parcerias com o setor privado.

O Lassu foi criado a partir da atuação do Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir), inaugurado em dezembro de 2009, que recebe equipamentos de pessoas físicas para reciclagem.

“A indústria de reciclagem pode gerar empregos, abrindo caminho para projetos sociais como o treinamento de pessoas para ingressar nesta nova indústria”, disse Tereza.

Segundo ela, a Poli já tem um programa nessa área, Poli Cidadã, que são projetos de responsabilidade social. “O objetivo é que os alunos desenvolvam tecnologias apropriadas para comunidades carentes”, diz.

O Lassu está localizado na Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, travessa 5, nº 97 (ao lado do Cedir), na Cidade Universitária, em São Paulo.

Mais informações: (11) 3091-5262

Fonte: Agência FAPESP

Dora Fix Ventura e Rafael Linden são premiados por contribuições na área de Neurociências e Comportamento

Neurociência premiada
A Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) concedeu dois prêmios, durante reunião ocorrida em setembro, em reconhecimento ao conjunto de contribuições de pesquisas às neurociências.

Dora Selma Fix Ventura, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), recebeu a Medalha Neurociências Brasil, e Rafael Linden, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi agraciado com o Prêmio César Timo-Iaria.

A Medalha Neurociências Brasil vem sendo outorgada desde 2006, por ocasião do Congresso Anual da SBNeC, ocorrido em Caxambu (MG). Já o prêmio faz uma homenagem ao professor César Timo-Iaria, um dos pioneiros da neurociência brasileira. Em 2009, o prêmio foi concedido a um discípulo de Timo-Iaria, Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Dora é professora titular aposentada e atua como colaboradora sênior do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP. Graduou-se em psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (1961), fez mestrado (1964) e doutorado (1969) em psicologia experimental na Universidade Columbia, Estados Unidos.

Obteve o título de livre-docente em 1988 e tornou-se professora titular na USP em 1990. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), presidente da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) e da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento(SBNec).

Fundou em 1968 o Laboratório de Psicofisiologia Sensorial no Instituto de Psicologia da USP, para estudar mecanismos neurais da visão, principalmente da visão de cores, por meio de métodos comportamentais e eletrofisiológicos. Também fundou o Laboratório da Visão, setor de pesquisa aplicada em Psicofísica e Eletrofisiologia Visual Clínica para o estudo de doenças neurodegenerativas do sistema visual.

Linden é graduado em medicina (1975) e doutor em ciências biológicas (biofísica, 1979), ambos pela UFRJ, com pós-doutorado na Universidade de Oxford (1980-1982). É professor titular do Instituto de Biofísica da UFRJ (IBCCF), coordenador da Rede de Terapia Gênica e do Instituto Virtual de Doenças Neurodegenerativas do Estado do Rio de Janeiro.

Atua nas áreas de neurociências, fisiologia celular e biologia do desenvolvimento. As linhas de pesquisa de seu laboratório incluem os temas: neurodegeneração, desenvolvimento do sistema nervoso, terapias gênica e celular e biologia de príons.

VEJA OS TRABALHOS APRESENTADOS NO SBNeC 2010.

Mais informações: (11) 3091-5262

Fonte: Agência FAPESP

Ciências do Ambiente: conceitos básicos em ecologia e poluição

Ecologia aplicada
As atividades humanas, de modo geral, causam interferências na estrutura e no funcionamento dos ecossistemas. Para minimizar a degradação de recursos hídricos, do solo e do ar, é importante que profissionais de diversas áreas tenham acesso a um conhecimento fundamental sobre os ecossistemas naturais e antrópicos.

É o que pretende o recém-lançado livro Ciências do Ambiente: conceitos básicos em ecologia e poluição, organizado por Irineu Bianchini Júnior, professor do Departamento de Hidrobiologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Marcela Bianchessi da Cunha-Santino, professora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UFSCar (CCBS).

Segundo Bianchini, a publicação, desenvolvida para apoiar os cursos da modalidade a distância vinculados à Universidade Aberta do Brasil, oferecidos pela UFSCar, tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um pensamento crítico e de alcance global sobre o desenvolvimento sustentável, o crescimento populacional, a interferência antrópica no ambiente e o papel da educação na preservação do planeta.

“O texto foi concebido para um curso a distância de Ciências do Ambiente voltado para tecnólogos do setor sucroalcooleiro. O curso, com foco em ecologia aplicada, é dividido em duas fases: a primeira apresenta os conceitos básicos das ciências do ambiente e a segunda discorre a respeito das diversas formas de poluição”, disse.

Bianchini é responsável, desde 1992, pela disciplina de Ciências do Ambiente nos cursos de engenharia da UFSCar, ministrada atualmente por Marcela no curso a distância. O professor também coordenou dois projetos de pesquisa finalizados em maio, apoiados pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, e é um dos pesquisadores principais do Projeto Temático “Destino da matéria orgânica dissolvida liberada por cianobactérias em um reservatório eutrofizado do rio Tietê: estudo de processos”.

Segundo Bianchini, a proposta inicial do livro era levar aos alunos – especialmente técnicos e pesquisadores vinculados à produção de açúcar e álcool no Estado de São Paulo – um conhecimento básico sobre os efeitos da cadeia produtiva sucroalcooleira sobre o meio ambiente.

“A primeira parte do livro trata de conceitos ecológicos. A segunda parte aborda a poluição do solo, águas e ar. E a última parte fala dos efeitos da agroindústria, em particular na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, sobre o meio ambiente”, explicou.

A abrangência da abordagem sobre o setor sucroalcooleiro, segundo ele, vai desde a manifestação da paisagem até os efluentes eliminados pela usina, com eventual contaminação dos corpos d’água, do solo e da atmosfera. “A ideia é que o trabalhador envolvido com essas usinas tenha consciência dos aspectos ambientais, além dos aspectos técnicos, químicos e físicos”, disse.

Apesar de o último capítulo ter foco específico sobre a indústria da cana-de-açúcar, o livro, segundo os organizadores, pode ser utilizado por estudantes em geral e profissionais de inúmeras áreas.

“Os capítulos que tratam dos conceitos ecológicos têm grande abrangência e abordam a ecologia com um viés prático. Esse foco foi estabelecido com base nos cursos que apresentei ao longo dos anos para os alunos de engenharia”, disse Bianchini.

Durante os cursos, segundo o professor, ficava evidente que muitas vezes os alunos de engenharia – e das áreas tecnológicas de modo geral – não tinham muita informação sobre questões ecológicas. “A intenção não era ensinar-lhes biologia, mas mostrar como o ambiente natural funciona, de maneira simples e prática”, explicou.

Outras áreas
Passar o conhecimento sobre ciências do ambiente a esses estudantes, segundo o professor da UFSCar, é uma tarefa coerente com as necessidades atuais da sociedade, que está mais sensível às preocupações ecológicas e mais exigente em relação aos impactos ambientais.

“É esse pessoal das áreas tecnológicas que vai colocar a mão na massa e alterar de fato o meio ambiente. É bom que os projetos deles contenham noção ambiental. Essa base de conhecimento ambiental pode mudar algo dentro de seus projetos que os tornem menos agressivos”, afirmou.

O livro está dividido em oito unidades, correspondentes às oito semanas de duração do curso a distância da UFSCar. Os capítulos foram feitos nos moldes de uma publicação científica e todos eles são referenciados.

“Como as disciplinas são apresentadas a alunos que não são de biologia – mas que atuam em outras áreas com interface com a ciência ambiental –, tivemos a preocupação de apresentar informação de qualidade, com formato de um banco de dados”, disse.

Mais informações: http://editora.ufscar.br

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

UNESP: 40ª Semana de Estudos Geográficos

A Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, realizará de 27 de setembro a 1º de outubro a 40ª Semana de Estudos Geográficos.

O evento é promovido pelo Centro Acadêmico dos Estudantes de Geografia e tem o objetivo de discutir as contribuições da geografia na compreensão e transformação do território.

Com o tema “Políticas territoriais brasileiras: planejamento e contribuições da geografia”, o encontro será constituído de mesas-redondas, minicursos e palestras.

“Redes geográficas e planejamento territorial”, “ Usos do território brasileiro pelos subalternos: compartimentações quilombolas e direitos sociais”, “Escalas geográficas e desenvolvimento” e “ Modernização agrícola e novos usos do território” serão algumas dos temas abordados.

O evento será realizado no Anfiteatro II, do Instituto de Biociências da Unesp, localizado na Avenida 24-A, nº 1515, Bela Vista, em Rio Claro.

Fonte: Agência FAPESP