quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pesquisadores brasileiros realizam sequenciamento genético de variante da raiva

Vírus da raiva tem variante sequenciada
O Brasil tem conseguido controlar há mais de uma década a raiva urbana, que é transmitida principalmente pelo contato com cães. Mas, apesar de controlada, variantes do vírus continuam circulando por meio de animais silvestres, particularmente uma transmitida por morcegos que se alimentam de sangue (hematófagos).

Pesquisadores brasileiros deram um passo importante no estudo do problema ao concluir o sequenciamento completo do genoma dessa variante mantida pela espécie Desmodus rotundus.

De acordo com Silvana Regina Favoretto, pesquisadora científica do Instituto Pasteur e Coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Raiva do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), que orientou o estudo, o sequenciamento abre caminho para novos trabalhos científicos.

“O sequenciamento possibilitará identificar uma série de informações novas em estudos evolutivos e marcadores geográficos e moleculares. Também poderá ajudar a compreender por que outros hospedeiros – como humanos, animais silvestres e até morcegos com hábitos diferentes dos hematófagos – são tão vulneráveis a essa variante”, disse.

Silvana desenvolveu a pesquisa intitulada “Estudo genético do vírus da raiva mantida por populações de morcegos hematófagos Desmodus rotundus por meio do sequenciamento completo do genoma viral”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

A pesquisa compreende também a tese homônima de Angélica Cristine de Almeida Campos, cujo trabalho, sob orientação de Silvana, é realizado no ICB-USP e vinculado ao Programa de Pós-Graduação Interunidades em Biotecnologia, que reúne alunos da USP, do Instituto Butantan e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Segundo Silvana, que também é professora credenciada do programa, das quase 1,2 mil espécies de morcegos somente três – Desmodus rotundus, Diphylla eucaudata e Diaemus yungii – são hematófagos.

“Os morcegos Desmodus rotundus são os mais bem adaptados à invasão do homem ao seu habitat. A variante do vírus da raiva mantida por esse morcego é a mais importante do ponto de vista econômico e de saúde pública, ao atingir animais de criação (rebanhos) e também humanos”, explicou.

Essa variante pertence ao gênero Lyssavirus e é encontrada em uma região que compreende do meio norte do México até o norte da Argentina – com exceção da Cordilheira dos Andes.

Os estudos genéticos são uma excelente alternativa para compreender por que outros hospedeiros são tão vulneráveis a essa variante genética distinta do vírus e por que, até hoje, não foi observada uma variante diferente em Desmodus rotundus.

“Há pouco mais de 15 anos só conseguíamos saber se alguém tinha raiva ou não. Todas as variantes do vírus já circulavam entre nós, mas, como não sabíamos o tipo atribuíamos normalmente à variante mantida por populações de cães”, disse Silvana.

O sequenciamento poderá ajudar a identificar como o vírus evolui e se mantém circulante com tanto sucesso. “Outras regiões genéticas são observadas, mutações podem ser encontradas e, talvez, possam explicar o que essa variante viral tem de diferente quando comparada a outras, como as mantida por canídeos, por primatas não humanos, como saguis, ou ainda por outros morcegos não hematófagos”, disse.

A sequência completa da variante do vírus da raiva será depositada em breve no banco do National Center for Biotechnology Information (NCBI).

Padronização de um novo método
Uma das dificuldades para se realizar o sequenciamento foi o tipo de material genético. Diferentemente de alguns vírus, o da raiva é do tipo RNA, mais suscetível a mutações.

“Os vírus de DNA são bastante estáveis à temperatura e possuem mecanismo de correção, ao contrário dos vírus de RNA, que são altamente instáveis. Quando a enzima erra ao copiar o genoma, ocorrem mutações”, explicou Angélica.

Segundo a doutoranda no ICB-USP, para os vírus de RNA é preciso realizar uma reação que facilite a manipulação da molécula no laboratório, chamada de síntese de DNA complementar (cDNA). “Fazemos um molde do vírus, que é de RNA na forma de DNA para que, em seguida, ele possa ser amplificado de maneira que a quantidade de material genético seja muito aumentada, possibilitando fazer o sequenciamento genético”, disse.

Existem enzimas que já realizam essa síntese, mas são muito caras e utilizadas geralmente para fragmentos pequenos. Mas, ao desenvolver e padronizar a nova técnica, foi possível a obtenção do cDNA viral completo de uma única vez e fazer a análise em um único fragmento, com a mesma enzima utilizada rotineiramente para os fragmentos pequenos.

“Pelo método tradicional, teríamos de realizar a síntese de cDNA pelo menos cinco vezes. Com a nova técnica desenvolvida, analisamos a mesma quantidade de material de uma vez só, com economia de tempo e dinheiro. É a primeira vez que esse procedimento é descrito para o vírus da raiva”, afirmou Angélica.

Esse resultado da pesquisa, que envolve a técnica de amplificação do genoma da variante sequenciada, foi encaminhado para publicação internacional. “Estamos escrevendo outros artigos sobre achados da pesquisa”, disse Silvana.

Ao cruzar informações disponíveis em banco de dados, foram feitas análises filogenéticas. “Quando comparamos os sítios antigênicos [regiões que estimulam o sistema de defesa e são importantes para o desenvolvimento das vacinas] da variante do vírus da raiva do morcego hematófago, percebemos que havia diferenças em relação aos sítios antigênicos da variante do vírus mantida por cães”, explicou.

“Essas diferenças entre as variantes mantida por cães e por Desmodus rotundus são substituições de aminoácidos. Esse é um dos achados da tese”, contou Silvana. Segundo a pesquisadora, as células do sistema imunológico reconhecem o corpo estranho, que é o antígeno (vírus), e o organismo começa a produzir anticorpos.

Silvana explica que o vírus é neurotrópico, ou seja, apresenta uma atração para se multiplicar no sistema nervoso do hospedeiro e não aparece no sangue de pacientes (viremia). O vírus é transmitido pela saliva de qualquer animal doente, incluindo humanos. Por isso, o cão é um hospedeiro eficiente devido ao hábito de morder.

“Quando chega ao sistema nervoso central ele se multiplica e estabelece a doença até matar o individuo. É uma doença letal, mas, se o indivíduo tomar a vacina rapidamente, dá tempo de o organismo produzir os anticorpos para neutralizar o vírus antes que ele chegue ao sistema nervoso central”, disse.

Papel ecológico
Segundo Silvana, não se pode encarar o morcego hematófago como vilão ou responsável pela raiva, porque esse animal também sofre com a doença. “O problema é que invadimos o habitat dele e causamos desequilíbrios ecológicos”, disse, destacando que eliminá-los por completo não é uma saída prudente.

No Brasil, assim como em outros países onde ocorre a raiva transmitida por esses morcegos, o Ministério da Agricultura padronizou e regulamentou o uso de uma pasta vampiricida de efeito anticoagulante que provoca a morte de morcegos hematófagos, com a finalidade de controlar em número as populações. “Mas esses morcegos, assim como outras espécies, têm um papel ecológico importante”, afirmou Angélica.

Manter os animais domésticos vacinados é muito importante, segundo Silvana. Pessoas que são atacadas por animais, silvestres ou não, devem procurar o serviço de saúde para ser orientado quanto à necessidade de vacinação. “Isso é uma falha muito grande na educação em saúde. Muita gente poderia não ter morrido se fizesse isso”, disse ao destacar o dia 28 de setembro Dia Mundial da Raiva.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP

Brasil e Holanda: debate sobre a sustentabilidade de biocombustíveis


Sustentabilidade em pauta
Representantes da academia, da sociedade civil e dos governos do Brasil e da Holanda participaram, no dia 14 de setembro, na sede da FAPESP, em São Paulo, do Workshop Brasil-Holanda sobre Biocombustíveis Sustentáveis.

O evento encerrou o 3º Encontro Bilateral no âmbito do Memorando de Entendimento para a Cooperação em Bioenergia, assinado pelos governos dos dois países. O workshop foi coordenado pelo ministro André Aranha Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, e por Jan-Meinte Postma, enviado especial para o tema da Energia do Ministério da Economia da Holanda. A abertura teve a participação do diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.

Foram discutidos os temas “Prognóstico futuro para os biocombustíveis sustentáveis brasileiros”, “Demanda e fornecimento de biocombustíveis na Europa e sua sustentabilidade”, “Aspectos ambientais dos biocombustíveis”, “Aspectos sociais e econômicos dos biocombustíveis” e “Aspectos regulatórios dos biocombustíveis na Holanda e na Europa”.

Segundo Corrêa do Lago, a realização do evento na sede da FAPESP sinaliza a dimensão acadêmica que deve ser levada em conta nas discussões sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis.

“Os governos do Brasil e da Holanda assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de aproximar os dois países em relação a esse tema e de proporcionar o diálogo mais aberto possível, com a melhor informação disponível, para que possamos avançar conjuntamente em direção à sustentabilidade dos biocombustíveis. A participação de membros do governo, da academia e de organizações não-governamentais (ONG) é uma grande oportunidade de diálogo”, disse Corrêa do Lago.

Para Postma, o diálogo com o Brasil é fundamental, já que o país deverá ter um papel central, em um futuro próximo, no fornecimento de biocombustíveis em escala mundial.

“Os biocombustíveis brasileiros, em particular o etanol de cana-de-açúcar, terão papel importante no suprimento e nas estratégias de desenvolvimento econômico e social que serão desenvolvidas a partir da produção em larga escala. Por conta disso, é importante trocar informações baseadas no conhecimento”, afirmou.

Brito Cruz explicou o funcionamento do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), que reúne mais de 100 pesquisadores e cerca de mil alunos de diversas instituições em áreas como produção de biomassa, química verde, processos, motores e células a combustível e aspectos sociais da produção de bioenergia. Ele destacou também a centralidade do Estado de São Paulo na produção e pesquisa sobre o etanol.

“Cerca de 56% da energia consumida no estado – que é proporcional à Espanha em termos de população e área – vem de fontes renováveis, sendo 38% do etanol da cana-de-açúcar. O uso do etanol permitiu que São Paulo reduzisse a participação do petróleo na matriz energética estadual de 60% para 33% nos últimos 30 anos”, disse.
Marco Aurelio Pinheiro de Lima, diretor do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), destacou que a produtividade do etanol de cana-de-açúcar cresceu 66% nos últimos 30 anos no Brasil, graças ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. Segundo ele, a substituição de 10% da gasolina utilizada no Brasil até 2025 levaria a uma produção de 250 bilhões de litros de etanol, gerando mais de 9 milhões de empregos no país.

“No CTBE temos cinco programas dedicados ao esforço de pesquisa necessário para desenvolver ainda mais o etanol: ‘Ciência básica’, ‘Planta industrial piloto’, ‘Sustentabilidade’, ‘Mecanização de baixo impacto’ e ‘Biorrefinaria virtual de cana’. O objetivo é integrar as várias tecnologias no mesmo sistema, de modo que possamos aumentar a produtividade e a sustentabilidade de todo o processo de produção. Ainda não temos dados científicos suficientes para tirar conclusões sobre os aspectos de sustentabilidade no Brasil. Será muito importante gerar esses dados”, afirmou.

Mark Wolthuis, diretor-gerente do North Sea Group, comentou sobre a demanda europeia de biocombustíveis e as questões ligadas à sustentabilidade. A empresa, atuante no mercado de petróleo da Europa, combina o armazenamento e a distribuição com o comércio internacional e a venda de biocombustíveis.

“A produção de energia renovável na Europa cresceu mais de 30% desde a publicação de uma resolução da Comissão Europeia, em 1997, que determina metas para 2020. Ainda assim, a produção é muito menor do que a demanda e ficou claro que, para atingir as metas, teremos que buscar os biocombustíveis no exterior. Por isso, prevemos que o comércio de biocombustíveis crescerá consideravelmente. Estamos trabalhando junto aos produtores brasileiros na implementação dos critérios de sustentabilidade, para que possamos combiná-los com o que precisamos na Europa”, afirmou.

Sustentabilidade da produção
De acordo com André Meloni Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) e um dos coordenadores do BIOEN, os números mostram de forma inequívoca que o Brasil é o lugar ideal para a expansão dos biocombustíveis no mundo.

Segundo ele, as incertezas que restaram quanto à viabilidade de uma produção sustentável de etanol de cana-de-açúcar em larga escala não estão mais no plano do debate político: trata-se atualmente de um debate puramente metodológico.

“Nossos estudos mostram que, entre os biocombustíveis viáveis, o etanol brasileiro é o que minimiza os impactos indiretos de mudanças do uso do solo. A conclusão é: se vamos realmente produzir biocombustíveis em larga escala, isso tem que ser feito no Brasil, com a expansão da produção do etanol”, disse.

“Podemos estar preocupados com a devastação do Cerrado. Mas, se compararmos com os impactos em outros países, é melhor fazer a expansão no Brasil, onde pelo menos temos monitoramento, temos as ONGs trabalhando, temos tecnologia e temos o monitoramento agroecológico. Não se trata mais de uma questão política. Temos agora que encontrar as metodologias mais precisas para avaliar a sustentabilidade da produção”, afirmou.

José Nilton de Souza Vieira, do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, disse esperar que em breve uma nova geração de biocombustíveis trará alternativas tecnicamente e energeticamente mais eficientes.

A questão central a partir de agora, segundo ele, será o estabelecimento de uma produção de biocombustíveis integrada à produção de alimentos e à sustentabilidade ambiental, levando em conta a garantia de segurança energética para os potenciais países importadores.

“O principal desafio é promover a produção sustentável em relação às mudanças de uso do solo. O zoneamento agroecológico é uma prioridade nesse sentido. Os dados sobre o clima e o solo de cada região produtora serão fundamentais para desenvolver esse zoneamento. Precisamos identificar as áreas onde o clima e o solo permitem a produção de cana-de-açúcar com colheita mecânica, as áreas com potencial para plantio que hoje são usadas para produção de alimentos e as áreas que não têm restrições ambientais”, destacou.

Danielle de Nie, do comitê holandês da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN-NL, na sigla em inglês), manifestou preocupação com os impactos das mudanças diretas e indiretas do uso do solo sobre a biodiversidade, especialmente em relação ao Cerrado. Segundo ela, é preciso debater intensamente o planejamento do uso da terra para que se possa tomar a decisão certa em relação à expansão das áreas produtoras de cana-de-açúcar.

“O zoneamento agroecológico é o primeiro passo na direção certa. Achamos que ele possa ser uma ferramenta para auxiliar a conseguir um uso sustentável do solo. Temos que perguntar como minimizar o impacto sobre a biodiversidade nas áreas produtoras de cana-de-açúcar, como integrar o plantio com o de outros vegetais e, ainda, que medidas podemos efetivamente tomar para intensificar a produção pecuária – usando os pastos degradados para a expansão da cana. A solução está no planejamento da sustentabilidade”, defendeu.

Cristiane Azevedo, da ONG 4 Cantos do Mundo, observou que a maior parte da expansão da produção de biocombustíveis – 90% no caso da cana-de-açúcar – deverá se concentrar na bacia do rio da Prata. A região concentra 70% do PIB dos cinco países que a compõem: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, tem água disponível em aquíferos e rios, duas estações bem definidas, infraestrutura de produção e transporte e proximidade dos centros consumidores.

“Nessa região, temos áreas sensíveis como a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado, além de termos uma intensa produção de grãos. Temos que analisar os impactos do aumento da produção canavieira em relação à substituição da cultura de grãos, aos impactos sobre a agricultura familiar e sobre o preço da terra. Precisamos saber como vamos monitorar essa reorganização do cenário rural protegendo os recursos naturais”, disse.

Cássio Franco Moreira, da WWF, definiu como biocombustível ambientalmente responsável aquele que não causa mudança direta ou indireta do uso do solo, que tem balanço positivo de emissão de gases de efeito estufa, que reduz o uso de agroquímicos, que maximiza a produtividade e que não fere o atual Código Florestal.

“Temos que trabalhar com os governos, com a indústria e com o setor financeiro para que consigamos aumentar a produtividade dos pastos, reduzindo a pressão sobre a vegetação nativa. A expansão dos biocombustíveis deve ser feita apenas em áreas degradadas. Por isso, temos que dialogar com o governo e os bancos a fim de que seja possível criar incentivos para a expansão agrícola em pastos degradados e de baixa produtividade. É fundamental também criar um mercado para os biocombustíveis e estabelecer uma forte economia florestal”, afirmou.

Para Ron Wit, da Society for Nature Environment, os impactos indiretos da mudança de uso do solo só terão solução a partir de uma abordagem global. Segundo ele, as iniciativas e políticas isoladas de cada país não têm condições de garantir uma produção sustentável de biocombustíveis.

“Apenas com a implementação de um zoneamento agroecológico no Brasil não vamos resolver o problema. Há um mercado global que não pode ser operado por um país individualmente. A certificação sustentável também não resolve a questão, porque ela está ligada apenas ao ciclo produtivo de um biocombustível isoladamente e, por isso, não afeta o mercado inteiro. A certificação só garante a redução dos impactos diretos. Temos que investir em uma abordagem global e apostar na cooperação entre os setores de biocombustíveis e de pecuária”, afirmou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Fulbright: bolsas nos Estados Unidos

A Comissão Fulbright, do governo dos Estados Unidos, oferece 40 bolsas exclusivamente para estudantes brasileiros interessados em frequentar cursos superiores de tecnologia em instituições norte-americanas. As inscrições para o ano acadêmico 2011 poderão ser realizadas até o dia 3 de outubro.

As bolsas, oferecidas pelo período de um ano, são voltadas para alunos das áreas de administração e gerenciamento de negócios, turismo e hotelaria, comunicação, tecnologia da informação e tecnologia das mais diversas áreas da engenharia.

As bolsas poderão também incluir curso de inglês nos Estados Unidos, por até dois meses, dependendo do nível de proficiência do bolsista.

Os candidatos devem estar matriculados em cursos superiores de tecnologia, na modalidade presencial, de instituições reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), em uma das áreas mencionadas.

Devem ter concluído no mínimo um quarto e no máximo metade dos créditos do curso até o final de 2010. Os candidatos não podem possuir reprovação nas disciplinas já cursadas e não podem possuir diploma de bacharel.

Os estudantes selecionados terão alojamento e alimentação durante o programa e do estudo de inglês, auxílio mensal para cobrir as despesas adicionais de estadia durante o programa e passagem aérea aos Estados Unidos de ida e volta, entre outros benefícios.

Fonte: Agência FAPESP

Finep apresenta inovações na Rio Oil & Gas

Pela sexta vez, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) participa da Rio Oil & Gas, feira do setor de Petróleo e Gás Natural que ocorre até quinta-feira (16), no Rio de Janeiro. No estande da Finep, são apresentados projetos e programas tecnológicos voltados ao atendimento das demandas da cadeia de P&G, apoiados com recursos próprios e dos Fundos Setoriais – principalmente do CT-Petro.

Entre as inovações da feira, que começou ontem (13), estão tecnologias avançadas para offshore e também para recuperação de áreas impactadas por derramamentos de óleo, além de um mini posto para veículos híbridos. Outro destaque do estande é um protótipo de veículo de inspeção de cascos de navios, que está imerso num tanque de acrílico com água, onde será simulado o seu funcionamento de forma interativa com o visitante.

Desde a sua criação, em 1999, o CT-Petro já investiu, por meio de editais da Finep e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), mais de R$ 1 bilhão em projetos voltados para pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,DI) e formação de recursos humanos para o setor de petróleo e gás. Até o final do ano, a expectativa é de um investimento de mais R$ 122 milhões.

Ainda neste mês, será divulgada a relação das propostas selecionadas na primeira etapa do edital da Finep voltado à cooperação entre empresas da cadeia do setor de P&G e instituições de ciência e tecnologia (ICT’s) que ofereçam soluções para os desafios tecnológicos gerados ou ampliados a partir das descobertas de reservas na camada do pré-sal.

A demanda apresentada foi cerca de seis vezes maior que o valor da Chamada, de R$ 100 milhões, e envolveu a participação de mais de 260 empresas. Na segunda etapa, as ICT’s parceiras das propostas selecionadas terão que detalhar os projetos e encaminhá-los à Finep até 11 de novembro.

A Chamada Pública foi lançada em julho com recursos do CT-Petro e do Fundo Ação Transversal – que também recebe recursos do CT-Petro – e dá prioridade a seis segmentos: Válvulas, Conexões/Flanges, Umbilicais Submarinos, Caldeiraria, Construção Naval e Instrumentação/Automação.

Projetos voltados para o desenvolvimento de tecnologias de prevenção, localização e reparo de vazamentos em equipamentos offshore e de recuperação de áreas impactadas por esses vazamentos, são igualmente contemplados no edital.

Também em julho, a Finep lançou outra Chamada Pública com foco no pré-sal, utilizando recursos do Fundo Ação Transversal. Com valor de R$ 30 milhões, o edital visa apoiar a criação, adequação e capacitação de laboratórios de ICT’s para atender às demandas dos fornecedores da cadeia de P&G.

Projetos com foco empresarial têm destaque no estande:

Subsin - Subsea Integrity Engenharia e Projetos S/A
A Subsin é uma empresa de engenharia de alta tecnologia, focada na garantia de integridade para a indústria de P&G e no mercado industrial. Teve o apoio do Edital CT-Petro Temas Estratégicos 2006 para o desenvolvimento de projeto cooperativo com o Instituto Militar de Engenharia (IME), por meio do qual foi desenvolvido um sistema robotizado para inspeção externa de risers – Siris. Tem também o apoio do Edital Subvenção Econômica 2008 no incremento de um sistema de controle para embarcações de instalação de equipamentos no mar – Método Y. Ambos os projetos são apresentados no estande por meio de animação, maquete (Médoto Y) e protótipo em escala 1:1 (Siris), junto com o software de comando e processamento dos sinais.

Craq Term - Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Ltda.
A Craq Term é uma empresa de base tecnológica voltada para a produção de hidrocarbonetos por processo contínuo de craqueamento térmico de óleos vegetais e resíduos gordurosos. Com o apoio do Edital CT-Petro Incubadoras de Empresas 2007, foi feita uma parceria com o Instituto Gene e a Universidade de Blumenau (Furb) para estudos de ampliação de escala para protótipo industrial, cujo funcionamento, totalmente instrumentado e automatizado, é mostrado no estande, numa escala reduzida. O projeto traz como resultado a aplicação do craqueamento térmico de resíduos gordurosos para a produção de biogasolina e “green” diesel, que também fazem parte da exposição.

Ativa Tecnologia e Desenvolvimento Ltda.
A Ativa desenvolve tecnologias inovadoras em ferramentas especiais para intervenção e inspeção submarina solucionando problemas específicos da área offshore de P&G. Por meio de parceria com a Incubadora de Petróleo do Instituto Gênesis da PUC-Rio (Petroinc), e com o apoio do Edital CT-Petro Incubadoras de Empresas 2007, foi desenvolvido o braço mecânico Manflex para inspeção e manuseio de objetos em área de difícil acesso. No estande, o braço mecânico acompanha os visitantes, por meio de uma câmera em sua extremidade. Outro produto da parceria com a Petroinc é o posto sustentável de abastecimento de veículos híbridos, o Posto In, o qual é demonstrado no estande por meio de um mini-posto de abastecimento.

Simex Sistemas de Inspeção Móveis Ltda.
A Simex atua na área de ensaios não destrutivos e foi criada como uma empresa spin-off da Triex Sistemas Serviços e Comércio Ltda., parte do Centro Desenvolvimento de Protótipo (Cedep) montado pela Initia, incubadora da Universidade Federal Fluminense (UFF), com o apoio do Edital CT-Petro Incubadoras de Empresas 2007. No estande, será mostrado o protótipo de um veículo de inspeção de cascos de navios, imerso num tanque de acrílico com água, bem como a simulação de funcionamento do mesmo, de forma interativa com o visitante. Por meio de animações, é possível visualizar, por exemplo, o veículo descendo do navio a partir do convés e entrando na água sem o auxílio de mergulhadores e guindastes, algo muito desejado no setor de P&G.

Polymar Ciência e Nutrição S/A
A Polymar é uma pequena empresa de base tecnológica que atua no mercado de polímeros naturais e desenvolve aplicações para a quitosana – derivado da quitina, que está presente na carapaça de crustáceos como lagosta, caranguejo e camarão –, que possui, entre outras, a capacidade de absorver petróleo. A parceria da Polymar com o Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec), com o apoio do Edital CT-Petro Incubadoras de Empresas 2007, visa à utilização da quitosana na imobilização de microorganismos para a biorremediação de ambientes impactados por derramamentos de petróleo e seus derivados. No estande, são apresentadas informações sobre o projeto e amostras das microesferas de quitosana já desenvolvidas.

PAM Membranas Seletivas Ltda
Pioneira na América Latina, a PAM nasceu como um spin off do Laboratório de Membranas da Coppe/UFRJ e utiliza tecnologia avançada própria na produção de membranas de microfiltração e ultrafiltração. Alguns de seus projetos contam com o apoio da Finep por meio da Subvenção Econômica. Em parceria com a Fundação Coppetec, a partir do Edital CT-Petro Incubadoras de Empresas 2007, desenvolve um projeto voltado para o polimento final da água de produção – onshore e offshore – visando à remoção de óleo microemulsionado, que é hoje um problema, de cunho ambiental, para as empresas do setor de P&G. No estande, pode-se verificar o protótipo do equipamento e dos módulos de membranas de microfiltração e entender seu funcionamento.

Fonte: Agência CT

BID: Brasil lidera em inovação tecnológica na América Latina

Dados recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que o Brasil foi responsável por 60% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, em 2007, entre os países da América Latina e do Caribe. É o único país da região que destina acima de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a inovação.

Segundo o BID, um dos pontos fortes do Brasil é dispor de mecanismos de fomento à pesquisa tecnológica. Porém, assim como os vizinhos, a burocracia e a falta de articulação com os empresários impedem o crescimento da inovação brasileira e uma melhora na posição do país no ranking mundial.

“Em termo de disponibilidade de instrumentos para fomento da inovação, o Brasil, provavelmente, tem mais instrumentos do que qualquer outro país da América Latina. Quando fui aos estados e conversei com o setor empresarial, escutei queixas de que eles [mecanismos] são burocráticos, lentos e não tem suficiente informação”, afirmou Flora Painter, chefe de Divisão de Ciência e Tecnologia do BID.

A representante do banco de fomento participa de um seminário sobre sistemas regionais de inovação, patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). Os estudo do banco será divulgado no encontro.


Um dos mecanismos governamentais para estimular a inovação empresarial é a chamada subvenção econômica – recursos liberados em edital por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia. De acordo com o ministério, desde 2006, foram liberados mais de R$ 1,7 bilhão. No entanto, as empresas reclamam que a liberação em forma de edital não acompanha o fluxo industrial.

Outro problema detectado pelo banco é que os empresários não apontam como os instrumentos de apoio podem atender suas demandas. “Os empresários também não apresentam conhecimento necessário para expressar quais são suas necessidades e formular projetos".
 
De acordo com o estudo do banco, a participação da iniciativa privada é pequena na América Latina e no Caribe no montante de recursos para inovação. Enquanto no Brasil e no restante dos países latino-americanos e caribenhos, 60% dos recursos são provenientes dos governos. Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a contrapartida pública é de 36%.


Para Flora Painter, o aporte menor de recursos por parte das empresas brasileiras pode estar relacionado a uma insegurança jurídica e econômica. “Para qualquer empresa, o investimento tem que se dar em um ambiente cômodo e estável. O Brasil teve avanços na estabilidade econômica e de políticas. No entanto, o país tem grandes problemas de financiamento com uma taxa de juros razoável para as empresas”, explicou.

A opinião é compartilhada pelo diretor de operações da CNI, Rafael Lucchesi. Segundo ele, as multinacionais, por exemplo, temem em investir no Brasil e, depois, terem de pagar grande volume de impostos por conta desses investimentos.


A representante do banco de fomento participa de um seminário sobre sistemas regionais de inovação, patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Os estudo do banco será divulgado ao final do encontro.


No seminário, foi apresentado um diagnóstico sobre inovação empresarial em quatro estados (Alagoas, Paraíba, Santa Catarina e Minas Gerais), que está na fase de implantação um projeto-piloto para um sistema regional de inovação. A pesquisa apontou como algumas das dificuldades das empresas para inovar: demanda concentrada por financiamento, falta de conhecimento sobre serviços tecnológicos e ausência de comunicação entre universidade e setor empresarial.

Fonte: Agência Brasil

Pesquisadores querem patente sobre planta obtida por melhoramento convencional ou por transgenia

Para o Brasil, ainda são incertos os impactos de uma decisão do Escritório de Patentes Europeu (EPO, na sigla em inglês) sobre a patenteabilidade de processos de melhoramento convencional de plantas que envolvam etapas consideradas tecnicamente inovadoras. A questão é importante pela presença muito expressiva da agricultura no PIB nacional, fruto de desenvolvimento tecnológico promovido especialmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e por outras instituições como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e outras. A produção em biotecnologia se acelerou nos últimos 15 anos; são exemplos da tendência o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, em 2000 , do genoma da cana e de outros vegetais de interesse por pesquisadores paulistas.

A legislação brasileira se distingue da legislação da União Europeia pela abrangência. Pesquisadores da área ouvidos pelo Inovação são favoráveis a mudanças na lei brasileira para ampliar o escopo da propriedade intelectual (PI) no País, mas divergem sobre os efeitos que a decisão europeia — prevista para ser anunciada até o fim do ano — possam ter no Brasil.

O biólogo Marcelo Menossi, coordenador do Laboratório de Genoma Funcional do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — ele mesmo titular de um pedido de patente de uma variedade de cana registrado nos EUA —, acredita que, se a câmara de apelações do EPO entender que um processo que emprega marcador molecular não puder ser patenteado, pode haver um "desestímulo enorme" para as pesquisas. "Isso afetará todos os países que estão trabalhando com agricultura", destacou Menossi a Inovação. Ele explica que o marcador molecular foi considerado durante muito tempo como uma ferramenta "muito promissora", mas que tinha seu uso em larga escala limitado pelos custos. "Encontrar marcadores moleculares pelo sequenciamento do DNA é algo que é muito mais factível agora. Em um momento como esse, questionar se marcador molecular pode ser algo protegido seria a pior situação possível."

Proteção da PI no Brasil
No Brasil, a propriedade intelectual é classificada em três modalidades distintas: a propriedade industrial (patentes, indicações geográficas e registros de marcas e desenhos industriais), os direitos de autor (softwares, músicas e obras de arte e literárias) e as proteções sui generis (que incluem cultivares, transgênicos e conhecimentos tradicionais). As variedades vegetais obtidas por melhoramento, convencionais ou transgênicas, são protegidas no País desde 1997 pela Lei de Proteção de Cultivares (nº 9.456/97). Também chamada de "direito de melhoristas", essa proteção é feita por meio da outorga de um certificado que reconhece a propriedade intelectual sobre uma nova variedade vegetal. Dessa maneira, o detentor pode cobrar royalties sobre os cultivares comercializados, garantindo o retorno sobre o investimento na pesquisa.

Enquanto as patentes garantem direitos ao inventor pelo prazo de 20 anos, a Lei de Cultivares concede ao melhorista direitos de exploração comercial da nova variedade pelo prazo de 15 anos para a maioria das espécies — para árvores e videiras esse prazo é de 18 anos. No Brasil, o Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), do Ministério da Agricultura, é o órgão responsável por conceder os certificados aos melhoristas. Esse tipo de proteção sui generis assegura ao titular o direito à reprodução comercial no território brasileiro; sem a autorização do melhorista, ficam proibidas a produção com fins comerciais e a comercialização do material de multiplicação ou reprodução — da semente ou de parte da planta. A lei nº 9.456/97 também prevê algumas particularidades no caso dos cultivares, como a exceção do agricultor (permissão para que um produtor possa utilizar como semente ou muda para replantio uma parte da produção própria obtida a partir de variedades protegidas) e a exceção do melhorista (possibilidade de utilização de variedades protegidas para fins de criação de novas variedades, independentemente de permissão do titular dos direitos).

Marcelo Menossi é favorável a uma mudança na legislação brasileira para incluir as plantas transgênicas no escopo das patentes. Ele também defende que produtos extraídos da natureza, como princípios ativos de plantas, desde que tenham comprovada aplicabilidade industrial — por exemplo, para a produção de fármacos —, também possam ser cobertos pela modalidade de propriedade industrial. "Se nossas empresas tiverem essa segurança de que podem investir na fauna e flora para procurar compostos, certamente elas seriam estimuladas". Enquanto a União Europeia (UE) e os Estados Unidos possuem leis que permitem o patenteamento de sequências genéticas e de plantas transgênicas, no Brasil isso é vedado pela lei nº 9.279/96, a Lei da Propriedade Industrial.

Melhoramento genético da cana
Na Agência de Inovação da Unicamp, a Inova, há casos de inovações biotecnológicas registradas em escritórios de patentes do exterior que não são protegidas no Brasil pela lei nº 9.279/96. O pedido de patente para genes modificados da variedade de cana que produz mais açúcar, de que Menossi é um dos titulares, foi depositada pela Inova no Escritorio de Patentes dos Estados Unidos (USPTO) em 2006. Há outros dez pesquisadores da Unicamp, da USP e do CTC também titulares do pedido, ao lado da Fapesp e da Central de Álcool Lucélia Ltda. A nova variedade de cana transgênica ainda não foi protegida como cultivar no Brasil porque o processo de desenvolvimento da planta parou quando o CTC se desinteressou do projeto, segundo Menossi. Ele prevê que a pesquisa seja agora retomada em parceria com a Ridesa; o pesquisador do IB, no entanto, se queixa da diferença de legislação nessa área que obriga o desenvolvedor a garantir a propriedade intelectual com um depósito de patente do gene no exterior e com um requerimento de certificado de melhorista do cultivar no Brasil. "O nosso sistema precisa evoluir um pouco mais, porque em vários lugares é possível patentear plantas."

Mudanças estimulariam inovação, dizem pesquisadores
O biólogo Spartaco Astolfi Filho, diretor do Centro de Apoio Multidisciplinar (CAM) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), é favorável ao patenteamento de substâncias ou extratos de vegetais de interesse industrial, o que atualmente não é possível pela lei nº 9.279/96. "Achava-se que o Brasil não teria competitividade quando foi criada a lei. Mas o panorama mudou e isso está atrapalhando as empresas que realmente estão fazendo pesquisas aqui, como no caso dos laboratórios farmacêuticos", opina Astolfi.

Segundo o pesquisador da UFAM, essa situação está fazendo com que as inovações resultantes das pesquisas feitas no Brasil acabem sendo patenteadas apenas no exterior. Apesar disso, Astolfi é contrário ao patenteamento de genes isolados que não tenham aplicabilidade industrial e considera o que ocorre nos EUA como uma "violação do conceito de inovação". No Brasil, a Lei da Propriedade Industrial prevê a possibilidade de patenteamento apenas de microorganismos geneticamente modificados, como as leveduras e as bactérias, contanto que tenham aplicabilidade industrial.

A impossibilidade de patenteamento de inovações biotecnológicas é um entrave para a exploração de novas oportunidades nesse setor no País, que se destaca pela qualidade nas pesquisas com melhoramento genético, de acordo com o biólogo Paulo Arruda, professor do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp. "Essa questão do melhoramento genético chamado de convencional e o melhoramento genético pela biologia molecular, seja com marcadores moleculares ou transgenia, são consequências dos avanços da ciência", opina Arruda. "Aqueles que investem seu conhecimento e intelecto para o melhoramento genético e conseguem fazer uma variedade mais produtiva ou resistente a pragas deveriam ter seu trabalho considerado como atividade inventiva, passível de uma proteção no sistema patentário."

O pesquisador do CBMEG, entretanto, não acha que a questão em litígio no EPO sobre patentes de processos envolvendo marcadores moleculares de variedades de brócolis tenha algum impacto mais efetivo no Brasil. "Essa questão do caso dos brócolis não é relevante para o Brasil do ponto de vista do seu posicionamento na área de melhoramento genético", conclui. Segundo ele, o País já conta com pesquisadores capacitados e germoplasma de qualidade para avançar no melhoramento genético, mas faltam profissionais que entendam de propriedade intelectual para atuar na área e que tenham conhecimento tanto da área científica quanto da esfera legal.

Adaptações para diferentes legislações
Em 2009, dos 57 pedidos de patentes depositados pela Agência de Inovação da Unicamp em escritórios do Brasil e do exterior, dois deles referem-se a inovações em biotecnologia, de acordo com Patrícia Leal, gerente de Propriedade Intelectual da Inova. A descrição do invento, explica ela, pode ser feita de modo a que ele possa ser abrangido pela legislação. Um exemplo: o fato de princípios ativos ou extratos não serem passíveis de patentes no País. "Se o pesquisador, ao invés de tentar patentear apenas um princípio ativo, conseguir alcançar uma composição ou formulação, daí podemos tentar patenteá-la com uma finalidade industrial farmacêutica ou cosmética, por exemplo", afirma Patrícia.

Só no ano passado, a Inova recusou 21 tecnologias das 55 comunicações de invenção apresentadas por pesquisadores da universidade para patenteamento por conta do não cumprimento dos requisitos de invento: novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. As áreas de química, engenharia e biologia são as que mais procuram a Inova para patenteamento de invenções. "Nós sempre analisamos as invenções sob dois âmbitos: sob o aspecto dos requisitos de patenteabilidade no Brasil e, quando são casos mais específicos, em que não é passível de registro no INPI [Instituto Nacional da Propriedade Industrial], nós verificamos se há a possibilidade de depósito internacional", diz a gerente da Inova. (G.G.)

Fonte: Inovação Unicamp

Peter Burke discute a sobrevivência da República das Letras

Para o historiador Peter Burke, professor emérito da Universidade de Cambridge, Reino Unido, a "República das Letras" sobrevive até hoje, apesar de seu tamanho, geografia, estrutura social e modos de comunicação terem mudado ao longo do tempo, "a ponto de ser útil distinguir quatro períodos diferentes de sua história". Burke tratará dessa permanência na conferência "Continua Viva a República das Letras?", no dia 22 de setembro, 14h30, no IEA.


O historiador inglês Peter Burke
Segundo Burke, muitos acadêmicos já discutiram a história da "República Literária" (Respublica Litteraria) ou comunidade acadêmica internacional, começando na era de Erasmo ou no século 15 e terminando em 1750 ou 1789, "muitas vezes com a explicação de que a era do nacionalismo, em conjunto com o advento da especialização acadêmica, anunciava o fim da 'République des Lettres'", tese da qual discorda.

O evento terá coordenação de Renato Janine Ribeiro, da FFLCH-USP e conselheiro do Instituto, e será aberto a todos os interessados, sem necessidade de inscrição. Quem não puder comparecer poderá acompanhar a conferência pela web em www.iea.usp.br/aovivo.

PERFIL
Especialista em Idade Moderna europeia, Burke enfatiza em suas análises a relevância dos aspectos socioculturais. Foi professor de história das ideias na Escola de Estudos Europeus da Universidade de Essex e lecionou também na Universidade de Princeton e na Universidade de Sussex. No IEA, foi professor visitante de setembro de 1994 a setembro de 1995.

É autor de mais de trinta livros, muitos deles publicados no Brasil. Em parceria com sua mulher, a brasileira Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke, escreveu "Repensando os Trópicos: um Retrato Intelectual de Gilberto Freyre", obra que se apóia em ampla pesquisa para construir uma narrativa substancial sobre a vida e o trabalho do sociólogo pernambucano. Seu último livro publicado no Brasil é "O Historiador como Colunista" (2009), que reúne uma seleção de seus textos publicados no jornal "Folha de S.Paulo".

LOCAL
Auditório Alberto Carvalho da Silva, sede do IEA, Rua da Reitoria, 374, térreo, Cidade Universitária, São Paulo (mapa).

INFORMAÇÕES
Com Sandra Sedini ou pelo tel. (11) 3091-1678.

Fonte: IEA/USP

Finep apoia projeto de internacionalização da inovação na Artecola

O Grupo Artecola e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) iniciam um modelo inédito de financiamento para quem busca inovar. Trata-se do primeiro investimento em internacionalização da inovação. Ao todo serão aplicados nas unidades da empresa no Brasil e no exterior R$ 16,33 milhões em recursos públicos e privados, 49% deles para investimentos na Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. “A outra metade irá qualificar nossos sistemas de inovação em unidades do Rio Grande do Sul e São Paulo”, informa a diretora de Exportações e América Latina do Grupo, Lisiane Kunst Bohnen.

Para chegar a este modelo que inova no próprio formato, a Artecola e a Finep trilharam um longo caminho juntas. Foram três projetos executados em parceria, e que resultaram no desenvolvimento de produtos inovadores, como a linha Ecofibra, premiada nacionalmente. “A Artecola já havia conquistado o reconhecimento pelo perfil inovador e crescia como uma empresa internacional, especialmente depois da aquisição de quatro plantas no exterior em apenas um ano”, relembra Lisiane. “E a Finep desejava abrir novas frentes de promoção da inovação.”

Os R$ 16 milhões do novo projeto, provenientes do Programa Inova Brasil, serão aplicados em equipamentos, softwares, programas de qualificação de equipes e treinamentos, matérias-primas, contratação de serviços de consultoria e obras civis. A diretora da Artecola destaca que o investimento em todas as unidades, no País e exterior, resulta em crescimento no Brasil.

“Numa primeira análise, podemos falar apenas dos resultados financeiros que são consolidados aqui. Mas há todo um ganho em inteligência de recursos humanos, inovação para diferentes mercados, competitividade para diversas cadeias produtivas, enfim, uma série de vantagens que estes investimentos geram para o mercado”, enfatiza Lisiane. “Mesmo que parte da verba seja enviada para o exterior, o resultado final ocorre no Brasil.”

As características dos negócios da Artecola requerem investimentos nas diversas plantas da empresa. Operando com adesivos industriais nos cinco países onde mantém plantas produtivas, a Artecola precisa atender adequadamente aos mercados, desenvolver produtos customizados e manter uma velocidade de resposta que é fundamental para sua competitividade. “Não podemos atuar com gargalos em P&D quando temos a inovação como um de nossos principais diferenciais”, reforça a diretora.

Ela cita estudo recente da Roland Berger Strategy Consultants, apontada como um das mais conceituadas consultorias em gestão empresarial do mundo, para destacar a importância do novo projeto. “O estudo mostra que é necessário um esforço ainda maior dos setores público e privado para que a inovação no Brasil se torne capaz de alavancar o crescimento do País. Este projeto atende exatamente a esta necessidade, contribuindo para a geração de resultados por meio da inovação.”

Além do projeto internacional, o Grupo Artecola obteve junto à Finep recurso para sua subsidiária MVC Soluções em Plásticos. São R$ 9,8 milhões para o Programa Nova Geração, focado na pesquisa, desenvolvimento e inovação. Há investimentos para um moderno Centro de Design, uma planta-piloto, que dará maior agilidade ao desenvolvimento de produtos inovadores, e em pesquisa de novos produtos.

Em 2009, mais de 26% da receita da empresa foi obtida a partir de novos produtos. “Este dado nos coloca muito perto de níveis considerados benchmarking em inovação, e que devemos atingir já este ano, quando devemos superar os 30%”, afirma Lisiane. Para 2020, a meta é ainda mais ousada: alcançar metade da receita com produtos inovadores. “Investimos forte em inovação, e acreditamos que as linhas de financiamento precisam apoiar este investimento, assim como a legislação. A Artecola esteve entre as primeiras empresas a se adequar à legislação da Lei do Bem”, exemplifica a diretora.

O Projeto
• Valor Total: R$ 16.333.300,00
Brasil ( Campo Bom-RS, Novo Hamburgo-RS, TatuÍ-SP e Diadema-SP) - 50,79%
Exterior (Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru) - 49,21%
• Recursos Finep: R$ 14.699.970,00 (90%)
• Recursos Artecola: R$ 1.633.330,00 (10%
• Parcelas: Semestrais
• Prazo de execução: 36 meses
• Carência: 20 meses
• Amortização: 80 meses
• Taxa: 5%

Fonte: Agência CT

25° Prêmio Jovem Cientista bate recorde de inscrições

Reconhecida como a mais importante premiação de pesquisa do País e como uma das principais da América Latina, o Prêmio Jovem Cientista bateu o recorde no número de inscritos em sua 25ª edição. Para este ano, os participantes tiveram como tema Energia e Meio Ambiente – Soluções para o Futuro.

Os vencedores serão conhecidos em outubro e as premiações serão entregues pelo presidente da República, em novembro, no Palácio do Planalto, em Brasília. Desta vez, 2.158 estudantes se inscreveram na disputa, que é dividida em quatro categorias: graduado e estudante do ensino superior, estudante do ensino médio, mérito institucional (que premia escolas e universidades com maior número de trabalhos inscritos com mérito científico) e menção honrosa (que premiará o pesquisador com título de doutor que se destacou por sua trajetória na área relacionada ao tema do prêmio).

Os trabalhos serão julgados por 14 especialistas da comunidade científica indicados pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Carlos Alberto Aragão, sendo sete deles para o ensino médio e outros sete para as categorias graduado e estudantes do ensino superior, mérito institucional e menção honrosa.

O maior número de inscritos vem do ensino médio, 1.925, e 233 de graduados e estudantes de graduação. O Prêmio é uma parceria entre o CNPq, a empresa Gerdau e a Fundação Roberto Marinho (FRM) e tem como objetivo estimular a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e profissionais que procuram alternativas para os problemas brasileiros. Sua primeira edição ocorreu em 1981, e desde então, premia trabalhos inovadores em diferentes áreas do conhecimento.

Um dos principais resultados desta iniciativa é a constatação de que a grande maioria dos agraciados com o Prêmio Jovem Cientista segue carreira de pesquisa nas universidades e centros de pesquisa.

Fonte: Agência CT

CPTEC: novo portal é lançado

O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), acaba de lançar seu novo portal na internet.

Com a reformulação, o portal explora o uso de novas tecnologias na apresentação de seus conteúdos, como previsão de tempo por meio do Google Earth ou a partir do Sistema de Informações Geográficas Aplicadas ao Meio Ambiente (Sigma).

O novo portal oferece também a possibilidade de seguir os conteúdos do CPTEC no Twitter e dispõe de vídeos com previsões diárias do tempo e transmissão ao vivo de eventos.

A renovação do portal levou à criação de uma estrutura descentralizada no processo de geração e divulgação de informes e notícias, segundo o CPTEC. Anteriormente concebido de acordo com a estrutura das divisões do centro, o portal passa agora a ser mais amigável e voltado ao usuário.

De acordo com o CPTEC, o site conta atualmente com cerca de 5 milhões de acessos em média por mês, sendo que a consulta costuma ampliar 50% na ocorrência de eventos extremos, como chuvas intensas, ou mesmo às vésperas de feriados, para verificar a previsão do tempo.

Agência FAPESP