quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Paulo Artaxo ganha o Prêmio Fissan-Pui-TSI Award 2010 em trabalho cooperativo com Meinrat Andreae

Parceria internacional é premiada
Paulo Artaxo, professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), e Meinrat Andreae, diretor do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, foram contemplados com o Fissan-Pui-TSI Award 2010 pelas pesquisas que desenvolvem em conjunto na área de aerossóis.

O prêmio é concedido pela International Aerosol Research Assembly (IARA), entidade que reúne 11 instituições internacionais de pesquisa em aerossóis. A cerimônia de premiação foi realizada no início de setembro durante a Conferência Internacional de Aerossóis, em Helsinki, na Finlândia.

O Fissan-Pui-TSI Award tem como finalidade homenagear, a cada quatro anos, cientistas que liderem trabalhos internacionais sobre aerossóis atmosféricos.

“Esta premiação enfatiza o fato de que em algumas áreas de pesquisa é necessário um trabalho internacional de longo prazo para que bons resultados sejam obtidos”, disse Artaxo. O cientista, que integra o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, ressalta que a cooperação internacional em estudos climáticos é fundamental, uma vez que problemas similares costumam ocorrer em pontos diferentes do planeta.

Artaxo e Andreae desenvolvem, desde 1980, trabalhos conjuntos na região amazônica, entre os quais três Projetos Temáticos apoiados pela FAPESP. O primeiro deles, “Caracterização de gases e partículas de aerossóis da atmosfera amazônica e seu relacionamento com processos de transporte e emissões em queimadas”, foi realizado no início da década de 1990.

A cooperação também permaneceu no Temático “Aerossóis atmosféricos na Amazônia”, iniciado em 1996, e no projeto “Interações físicas e químicas entre a biosfera e a atmosfera da Amazônia no experimento LBA”, que começou dois anos depois com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Esse último trabalho abordou uma parte do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “A FAPESP financia projetos de pesquisa de grande porte na área de mudanças climáticas globais desde muito antes de essa área ter o destaque que tem hoje”, ressaltou Artaxo.

A parceria dos grupos brasileiro e alemão, coordenados por Artaxo e Andreae, resultou em cerca de 80 artigos científicos conjuntos, sendo quatro publicados nas revistas Science e Nature, além de outros 200 trabalhos apresentados em conferências internacionais.

Artaxo coordena atualmente o Projeto Temático “Aeroclima – Efeitos diretos e indiretos de aerossóis no clima na Amazônia e no Pantanal”, realizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

“O professor Andreae é um parceiro de todos esses projetos FAPESP, alocando recursos do Instituto Max Planck para somar esforços internacionais no entendimento de processos físico-químicos que regulam o funcionamento do ecossistema amazônico”, disse Artaxo, que também integra o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

A colaboração entre os cientistas continuará em dois outros trabalhos: o Cooperative LBA Airborne Regional Experiment-2012 (Claire-2012) e o Amazon Tall Tower Observatory (ATTO – Observatório Amazônico de Torre Alta).

O ATTO será um observatório ambiental de grande porte com uma torre de 320 metros, localizada na reserva de desenvolvimento sustentável do Uatumã, em São Sebastião do Uatumã, no Amazonas. Esse projeto envolve o Inpa, a Universidade do Estado do Amazonas e o Instituto Max Planck de Química. Já o Claire-2012 pretende investigar o processo de oxidação de radicais atmosféricos. Ambos os projetos serão desenvolvidos no âmbito do LBA.

Segundo Artaxo, o prêmio recebido na Finlândia também é um sinal da excelência da pesquisa brasileira em climatologia, posição conquistada graças ao financiamento de projetos de grande amplitude e de longo prazo.

“Na área ambiental e de mudanças climáticas, o Brasil tem um papel de destaque no cenário internacional graças ao apoio continuado de longa data a projetos de pesquisa multidisciplinares e complexos”, disse.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

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USP: diversas vagas para docentes

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) tem concursos abertos para provimento de cargos de professor doutor em diversos cursos e áreas.

O salário é de R$ 7.574,75, para regime de dedicação integral à docência e à pesquisa (RDIDP).

Há uma vaga em administração, no curso de Gestão Ambiental, em Administração e Meio Ambiente. O selecionado atuará nas disciplinas: Princípios de Administração, Resolução de Problemas I, Resolução de Problemas II, Resolução de Problemas IV, Resolução de Problemas IV, Projeto de Formatura I e Projeto de Formatura II. As inscrições para esse edital (071/2010) vão até o dia 25 de setembro.

O curso de Lazer e Turismo tem uma vaga na área Gestão de Serviços, em Lazer e Turismo. As inscrições (edital 072/2010) também vão até 25 de setembro.

O curso de Obstetrícia tem seis vagas para professor doutor, nas áreas de Assistir e Cuidar em Obstetrícia (duas vagas, inscrições até 15/10); Cuidar e Gerenciar em Obstetrícia (até 15/10); Psicologia e Saúde (até 23/10); Ciências Humanas, Sociais e da Saúde (até 6/11); e Bases Biológicas da Obstetrícia (até 8/11).

Outras informações pelo site.

Fonte: Agência FAPESP

Potencialidades industriais da Macaúba

Comum nas paisagens mineiras, a macaúba (Acrocomia aculeata) é a palmeira de maior dispersão no Brasil e uma das mais promissoras fontes de óleo para a indústria cosmética, de alimentos e de combustíveis. 

Resistente a pragas e a variações climáticas, a espécie tem sido intensamente estudada nos últimos anos, embora sejam incipientes as experiências de plantio planejado.

No Laboratório da Macaúba, do Departamento de Engenharia Química da Escola de Engenharia da UFMG, a professora Maria Helena Caño de Andrade coordena estudos que analisam diversos aspectos relativos ao fruto: metodologia de coleta e armazenamento, composição e teor nutricional, rotas e análise da viabilidade econômica do processo industrial de extração do óleo, produção de alimentos e biodiesel.

Segundo a professora, todo o fruto é aproveitável – casca, polpa, castanha e amêndoa – e tanto a polpa quanto a amêndoa têm vasta utilização. Na indústria alimentícia, pode ser processado para uso como óleo de mesa ou na produção de margarinas, cremes vegetais e os chamados shortenings, substâncias usadas em alimentos. A composição do óleo da polpa se assemelha à do azeite de oliva, e o da amêndoa é similar ao óleo de coco. “Devido ao baixo percentual de ácidos graxos poli-insaturados, o óleo da polpa da macaúba torna-se boa opção também para o uso em frituras, pois apresenta maior estabilidade oxidativa quando comparado aos de soja, girassol e milho. No entanto, outros testes devem ser realizados para viabilizar o uso para tal finalidade”, diz Maria Helena Caño de Andrade.

Outro filão para o setor é a utilização dos óleos para a produção de biodiesel e na indústria de produtos manufaturados, como cosméticos, fármacos, resinas e lubrificantes. “O consumo mundial de óleos vegetais cresce à taxa de 4,8% ao ano, devido ao aumento populacional e às demandas por biodiesel”, informa a professora, ao lembrar que o fruto da macaúba possui massa média de 46 gramas e teor de 20% a 25% de óleo em sua composição.

Energia
Revestimento da amêndoa, a castanha (endocarpo) pode ser utilizada como carvão e como combustível para caldeiras, que produziriam o vapor necessário a equipamentos do processo de beneficiamento da macaúba. Adicionalmente, o excedente pode ser utilizado para a geração de vapor em condições apropriadas para produção de energia elétrica, como já ocorre com o bagaço da cana-de-açúcar nas destilarias e usinas brasileiras. Nem o resíduo final do processo de extração de óleo se perde, pois as tortas da polpa e da amêndoa têm mercado certo como matéria-prima para a produção de ração de uso animal. Além disso, há pesquisas em fases iniciais visando à obtenção de farinha para alimentos como pães e bolos.

Em dissertação defendida no primeiro semestre deste ano, a pesquisadora Gisele Cristina Rabelo Silva propõe um processo industrial de extração dos óleos do fruto da macaúba e demonstra sua alta rentabilidade. “Mesmo que uma usina de beneficiamento funcionasse apenas durante os cinco meses de produção do fruto – de novembro a março – ainda seria um negócio viável”, comenta a orientadora da pesquisa, ao lembrar que, em geral, as indústrias que lidam com produtos sazonais trabalham em regime de consórcio de matérias-primas, de modo a se manterem em funcionamento durante todo o ano. A autora da dissertação demonstrou que o tempo estimado para que o capital investido seja recuperado foi um ano e meio, desde que a planta instalada opere 24 horas, por 29 dias mensais durante cinco meses.

Em sua pesquisa, Gisele Rabelo analisou de forma integrada todas as etapas do processamento. Valendo-se de equipamentos do mercado brasileiro, ela quantificou a produção dos óleos de polpa e amêndoa, a perda de óleo nas tortas, a energia consumida, bem como o excedente de endocarpo. Um modelo de simulação da rota de beneficiamento foi desenvolvido, o que permitiu avaliação financeira da cadeia produtiva – custos de implantação e operação da planta industrial. O estudo demonstrou a necessidade de otimizar os maquinários do processo.

Maria Helena Caño destaca a importância dos estudos desenvolvidos pela Engenharia Química com o objetivo de aperfeiçoar a extração dos óleos e gerar matéria-prima para a obtenção de produtos de maior interesse para o mercado. Quanto à produção de biodiesel, por exemplo, o mestrando Daniel Bastos de Rezende pesquisa o processo de catálise heterogênea, que substitui soluções líquidas por resinas sólidas para viabilizar a reação de transesterificação, o que eliminaria etapas posteriores do processo.

Fonte: UFMG

Bioetanol de Cana-de-açúcar – P&D para produtividade e sustentabilidade

Bioetanol ganha coletânea
O livro Bioetanol de Cana-de-açúcar – P&D para produtividade e sustentabilidade (Editora Blucher), organizado por Luís Augusto Barbosa Cortez, professor titular da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador adjunto de Programas Especiais da FAPESP, será lançado nesta quinta-feira (16/9), na sede da FAPESP.

Trata-se de uma coletânea de trabalhos científicos realizados entre agosto de 2006 e março de 2009 no âmbito do projeto “Diretrizes de Políticas Públicas para a Pesquisa Científica e Tecnológica em Bioenergia no Estado de São Paulo” (PPP Etanol FAPESP), apoiado pela Fundação e coordenado por Cortez.

“Essa é a primeira referência abrangente da pesquisa científica e tecnológica voltada ao etanol de cana-de-açúcar”, disse Cortez, salientando que outros livros abordam aspectos específicos do setor sucroalcooleiro sem apresentar uma visão geral.

Por sua abrangência, a nova publicação não pretende fornecer estudos aprofundados, mas ser claro o suficiente para dar uma noção geral do assunto ao leitor.

Cortez estima que a obra servirá especialmente a professores e alunos de graduação e de pós-graduação e a demais interessados em se inteirar na pesquisa brasileira em biocombustíveis. As análises também podem subsidiar políticas públicas, segundo ele. “Apontamos as áreas em que é necessário investir, por exemplo”, disse.

A obra reúne trabalhos de 139 especialistas de diversas instituições de pesquisa, como o Centro Nacional de Referência de Biomassa (Cenbio), o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de São Paulo (USP), além da empresa Dedini S.A. Indústrias de Base.

São 992 páginas, divididas em 76 capítulos agrupados em cinco partes. Cada uma ficou sobre a responsabilidade de organizadores. Estratégias de políticas públicas para o etanol foi coordenada por Cortez e Sustentabilidade da produção e do consumo de biocombustíveis, por Arnaldo Walter e Manoel Regis Lima Verde Leal, do CTBE.

Novo modelo agrícola para cana-de-açúcar teve coordenação de Paulo Sérgio Graziano MagalhãesOscar Braunbeck (Unicamp) e (CTBE). A parte sobre Novo modelo industrial e usos finais do etanol foi organizada por Antonio Bonomi (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva - AEA) e Roadmapping tecnológico para o etanol, por André Tosi Furtado (Unicamp) e Rodrigo Lima Verde Leal (Fundação CPqD).

“As pesquisas reunidas abrangem temas que vão desde questões voltadas para aspectos políticos e de sustentabilidade até problemas específicos de desenvolvimento tecnológico no setor sucroalcooleiro brasileiro”, disse Cortez.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, aponta, no prefácio, que o Brasil e o Estado de São Paulo devem intensificar as atividades de pesquisa e desenvolvimento nos temas abrangidos pelo livro.

“A posição de destaque do país no uso de bioenergia depende disso”, afirmou, destacando que agora o Brasil enfrenta uma competição na área de bioenergia com as maiores potências científicas do planeta.

Precursor do BIOEN
Segundo Cortez, uma série de 20 workshops realizados pelo PPP Etanol FAPESP permitiu a criação de indicadores e a realização de diagnósticos do setor sucroalcooleiro nacional, identificaram gargalos e oportunidades e auxiliou os autores do livro com diversos dados.

O PPP Etanol FAPESP foi organizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp (Nipe) e contou com a parceria da Associação Paulista de Tecnologia em Agronegócios (APTA). O projeto abriu caminho para a criação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

“O trabalho do professor Cortez e da equipe que ele reuniu é uma riquíssima contribuição do BIOEN-FAPESP para o desenvolvimento da pesquisa e desenvolvimento sobre bioenergia no Brasil”, disse Brito Cruz.

O livro também contará com uma versão em inglês que só será vendida pela internet.

O lançamento do livro na sede da FAPESP será das 10h às 12h e é aberto aos interessados. Para se inscrever, é preciso preencher o formulário na página . Mais informações: (11) 3838-4216. .

Lançamento: 16/9/2010, às 10h
Local: FAPESP – Hall do 2º andar, Rua Pio XI, 1500, Alto da Lapa, São Paulo (SP).

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

Bolsa de Pós-doutorado da FAPESP para PD no Inpe

O Projeto Temático “Land use Change in Amazonia: Institutional analysis and modelling at multiple temporal and spatial scales”, financiado pela FAPESP, dispõe de uma Bolsa de Pós-Doutorado, por um período de um ano, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para o desenvolvimento do subprojeto “Construction of computational models and scenarios to represent the social interactions and institutional arrangements”.

O projeto de pós-doutorado consiste, em uma primeira etapa, em organizar trabalhos de campo e oficinas de cenários para diferentes estudos de caso, em paralelo à análise de imagens de sensoriamento remoto para entendimento da coevolução dos arranjos institucionais e uso da terra nesses casos de estudo.

Em uma segunda etapa, o projeto consiste em analisar os resultados dos diversos estudos e está focado em atividades de integração e análise, conectando os resultados dos casos de estudo para estabelecer interrelações e um entendimento analítico dos processos sociais e institucionais de mudança em diferentes escalas.

O objetivo principal é extrair informações para a construção de modelos multiescala baseados nos resultados do projeto, incorporando dados sobre arranjos institucionais, processos de mudança do uso da terra e interações intrarregionais.

O pesquisador desenvolverá metodologias para a construção de modelos e cenários, combinando diferentes abordagens, da escala local para a regional. Também é esperado que contribua e lidere artigos científicos relacionados ao projeto.

O candidato deve ter título de doutor em sensoriamento remoto, no mínimo dez anos de experiência no estudo do uso e ocupação da terra na Amazônia e em trabalhos de campo na região para levantamento de dados socioeconômicos e biofísicos, sólida formação em processamento de imagens orbitais e geoprocessamento para estudos de ocupação antrópica e conhecimento dos processos sociais e econômicos da região. O candidato deve ter motivação e disponibilidade para longos períodos em campo e viagens.

Os interessados devem enviar os seguintes documentos até o dia 24 de setembro: carta de apresentação indicando a razão de interesse na bolsa com um breve relato de sua experiência, curriculum vitae completo e três cartas de recomendação.

Outras informações podem ser obtidas por e-mail endereçado a Ana Paula Dutra de Aguiar pelo e-mail

Os documentos devem ser enviados para:

Dra. Ana Paula Dutra de Aguiar
Centro de Ciências do Sistema Terrestre - CCST
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE
Av. dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja
12227-010, São José dos Campos, SP

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Outras vagas de bolsas de pós-doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades,

Fonte: Agência FAPESP