sexta-feira, 3 de setembro de 2010

BNDES: R$ 95 milhões em APLs do Nordeste

Uma iniciativa realizada em sete Estados do Nordeste brasileiro já soma recursos da ordem de R$ 95 milhões aplicados em projetos desenvolvidos por arranjos produtivos locais (APLs). Trata-se do Programa APLs Estados, uma ação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizada em parceria com os governos locais, para dar mais capilaridade a iniciativa.

Criado no final do ano passado, o instrumento tem por objetivo financiar atividades que pontecializem o desenvolvimento regional, em especial os pequenos produtores, por meio do uso de instrumentos integrados. O BNDES entra com 50% do montante, de forma não reembolsável, e os Estados aportam a outra metade. Do total disponibilizado até agora, R$ 43 milhões são provenientes do banco.

Mais de 1,6 mil projetos já foram apresentados e 300 deles estão em execução. A seleção das propostas apoiadas se dá por meio de editais, que são customizados para atender a necessidade local. O programa prioriza projetos apresentados por proponentes organizados em associações ou cooperativas e que tenham atividades produtivas que respeitem a vocação local. Os APLs devem também demonstrar aprendizagem acumulada, uma rede de outros parcerios, além de sinalizar capacidade de inovação e de geração de trabalho e renda. Saem na frente, ainda, aqueles que já têm canais de comercialização e de mercado conquistados.

"Nossa ideia foi complementar o apoio financeiro aos Estados, financiando empreendimentos solidários de baixa renda", destacou o chefe do Departamento de Economia Solidária do BNDES, Ângelo Fuchs, nesta quarta-feira (1º), em Goiânia (GO). Ele participa do 7º Seminário Nacional de APLs de Base Mineral e do 4º Encontro da Rede APLmineral, que terminaram dia 2.

De acordo com ele, a ideia foi utilizar os recursos parados do Fundo de Combate à Pobreza e aplicá-los em processos produtivos, que irão garantir o desenvolvimento econômico e social. "Em muitos locais esses fundos não estavam sendo utilizados e iam se perder, porque terminam agora em dezembro de 2010. Conseguimos resgatar esses recursos e aumentar o poder de inserção deles na economia para empreendimentos de APLs de baixa renda", explicou.

Os projetos contratados são acompanhados por comitês locais e, nas contratações mais recentes, o BNDES tem exigido que os Estados façam uma avaliação dos impactos sociais, com a verificação de indicadores como geração de emprego e melhoria de renda. Essa análise é feita por consultoria externa contratada pelo governo de cada unidade da Federação.

Ainda de acordo com Fuchs, o programa passa hoje por uma avaliação. O objetivo é verificar os resultados da iniciativa como política pública. "Queremos saber onde erramos e checar o que pode ser melhorado para o novo ciclo", disse. Ele se refere ao interesse do banco em estender a proposta para a região Norte e utilizar os recursos do Fundo Amazônia para alavancar o setor.

Mapa setorial
A chefe da Secretaria de Arranjos Produtivos e Inovativos e Desenvolvimento Local do BNDES, Helena Maria Lastres, também destacou os resultados de uma pesquisa encomendada e financiada pelo banco para avaliar o grau de maturidade dos APLs no país. Realizado pela RedeSist, que reúne pesquisadores de diversas universidades brasileiras, o estudo intitulado "Mapeamento e análise das políticas para arranjos produtivos locais no Brasil" identificou 806 APLS nos 22 Estados pesquisados, sendo que 756 deles já foram objeto de políticas públicas ou privadas. Trata-se do maior estudo produzido sobre o tema no país.

A partir das conclusões, os desafios do setor são dar maior visão sistêmica às políticas para arranjos, que devem, segundo Lastres, transcender os atores econômicos e abordar os responsáveis por regular, apoiar, financiar e gerar conhecimento. "Vamos parar de falar em políticas pontuais, unissetoriais e monoescalares. Vamos falar em políticas coordenadas e articuladas em todas as escalas: do federal ao local, passando também pelo regional. Temos que pensar em políticas trissetoriais", disse.

Ainda na sua avaliação, a pesquisa amplia o olhar dos agentes de financiamento em APLs de todas as regiões e tipos de atividades. Para Lastres, a partir desse retrato a expectativa é consolidar o conhecimento e fazer um mapa de políticas de segunda geração em APLs. "Houve avanços significativos nos últimos dez anos no segmento, principalmente na agenda da política de desenvolvimento. O país passou a olhar a dinâmica territorial", falou.

A chefe da secretaria também destacou que é fundamental superar a visão de que modelos de sucessos podem ser aplicados em qualquer localidade. "O estudo mostra casos interessantes de políticas que eram muito bem desenhadas, mas que não tinham nada a ver com o contexto. Então é lógico que não funcionam. Temos que sair desses modelos impositivos, que não conseguem enxergar as realidades locais", completou. O estudo foi lançado em maio último, no Rio de Janeiro (RJ).

Fonte: Cynthia Ribeiro/Gestão CT

CNPq: R$ 2,5 milhões para rede de capacitação em saneamento ambiental

Estão abertas até o dia 18 de outubro, as inscrições para o edital 43/2010 do CNPq, cujo objetivo é financiar propostas para promover a articulação, consolidação e/ou formação dos núcleos regionais da Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental (Recesa).

As propostas selecionadas deverão compor o 2º ciclo de atividades da rede, de modo a consolidar a sua atuação, com a constituição de cinco núcleos, um em cada região do país. O edital contempla as seguintes áreas temáticas: abastecimento de água; esgotamento sanitário; resíduos sólidos urbanos; águas pluviais; e temas de gestão, integradores e transversais.

Os investimentos somam R$ 2,5 milhões, sendo R$ 1 milhão oriundo do orçamento do Ministério das Cidades e R$ 1,5 milhão do FNDCT/Fundos Setoriais. O proponente deve possuir o título de doutor e ter seu currículo cadastrado na Plataforma Lattes, além de ter vínculo celetista ou estatutário com a instituição de execução do projeto.

Fonte: Gestão CT

11º Fórum Cyted-Iberoeka recebe inscrições

O 11º Fórum Cyted-Iberoeka será realizado nos dias 22 e 23 de novembro, em Cancun, no México. O objetivo do evento é oferecer às organizações ibero-americanas relacionadas com as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, a oportunidade de identificar parceiros para dar início a projetos de inovação de cooperação internacional.

Com o tema “Energia: fontes e aplicações”, a programação contará com sessões temáticas sobre aspectos específicos e fóruns de caráter geral, além de exposição de pôsteres sobre atividades relacionadas com o tema principal, e ainda encontros bilaterais programados entre representantes de empresas, a fim de fomentar futuras colaborações.

As sessões temáticas compreendem energias renováveis, energia nuclear, energias não renováveis, uso racional e eficiência energética nos setores turístico e residencial, no setor agro-alimentar e no setor industrial.

No Brasil, a Finep é o organismo gestor do programa Iberoeka, sendo responsável pela inscrição dos participantes, que será feita até o dia 15 de outubro. O formulário encontra-se disponível neste link e deve ser enviado por e-mail  ou para o fax (21) 2555-0777.

Fonte:Gestão CT

CBPF realiza Workshop on Nanoscale Science, Technology and Innovation

De 28 a 30 de setembro será realizado, no Rio de Janeiro (RJ), o Workshop on Nanoscale Science, Technology and Innovation, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). As inscrições podem ser feitas até este domingo (5).

O objetivo do evento é discutir os avanços científicos e desenvolvimentos tecnológicos em escala nano, bem como a cooperação nas Américas, com vistas a promover o diálogo sobre ciência, tecnologia e inovação nos países latino-americanos.

Durante os três dias de encontro, os participantes poderão acompanhar relatos de experiências nas áreas de energia e ambiente, nanobiologia, nanomateriais e nanodispositivos funcionais, computação e modelagem.

Também está prevista a discussão e formulação de projetos que integrem pesquisa, educação e inovação para o desenvolvimento de tecnologia nas áreas de importância econômica e social para os países da América Latina.

Fonte:Gestão CT

Prominp: sai lista de candidatos isentos

A Cesgranrio divulgou ontem, o resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição para os cursos do Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural. O resultado pode ser obtido pelo telefone 0800 701 2028 ou consultado no site da Cesgranrio , entidade responsável pela execução do processo seletivo.

Os pedidos de isenção foram enviados por pessoas integrantes de famílias de baixa renda com inscrição no Cadastro Único para programas sociais do governo federal, até o dia 26 de agosto – data final para a solicitação. No caso das solicitações aprovadas, o candidato estará automaticamente inscrito. Quem teve o pedido indeferido, poderá pedir a revisão do processo até sexta-feira, dia 3, também pela página da Cesgranrio na internet, no campo “Interposição de Recursos”.

Aqueles que, mesmo após entrar com o recurso, tiverem os pedidos indeferidos, poderão efetuar nova inscrição até 12 de setembro, realizando o pagamento da taxa de inscrição. Os valores das taxas são: R$ 24,00 para cursos de nível básico; R$ 40,00 para níveis médio e técnico; e R$ 60,00 para nível superior.

As inscrições para o 5º ciclo de seleção pública podem ser feitas no site do Prominp , nos postos de inscrição listados no Edital ou nos postos de inscrição adicionais, também publicados no site do Programa.

O edital oferece em torno de 28 mil vagas em 13 estados do país: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo.

Os candidatos aprovados que estiverem desempregados durante o curso receberão bolsa-auxílio mensal no valor de R$ 300,00 (nível básico), R$ 600,00 (níveis médio e técnico) e R$ 900,00 (nível superior).

A participação nos cursos não garante emprego aos alunos. O objetivo é melhorar a qualificação dos profissionais que serão, eventualmente, aproveitados pelas empresas privadas fornecedoras de bens e serviços do setor de petróleo e gás natural.

Fonte: Agência Petrobras

Estudo aponta que educação não escolar de jovens e adultos é “quase inexistente” nas pesquisas


À margem das pesquisas
A educação de adultos ocupa pouco espaço como tema nas pesquisas de pós-graduação das universidades brasileiras. Mas, quando se fala em educação não escolar de jovens e adultos, o panorama é ainda mais crítico. O assunto é tratado de forma marginal e, quase sempre, associado a outras práticas sociais.

A conclusão é de uma pesquisa que fez um balanço da produção de conhecimentos nas áreas de educação, ciências sociais e serviço social. O trabalho analisou a produção discente nos programas de pós-graduação no campo da educação não escolar de adultos entre 1999 e 2006.

De acordo com Sérgio Haddad, da ONG Ação Educativa, coordenador da pesquisa, o tema da educação não escolar está associado a muitos temas da vida cotidiana das pessoas.

“No entanto, a análise da dimensão educativa dessa modalidade, tendo como foco a prática, a metodologia e as características desse modelo de formação, é praticamente inexistente nos estudos de mestrado e doutorado no país”, disse Haddad.

A educação não escolar diz respeito aos processos de socialização e aprendizado das pessoas, que podem ocorrer na família, no trabalho, em centros comunitários e em outras instâncias que não a escola.

Segundo o pesquisador, é um equívoco associar a educação não escolar apenas à ideia de pessoas que não tiveram acesso à educação escolar. “O debate sobre educação permanente, sobre outras instâncias de formação, em que temas amplos poderiam ser trabalhados, foi perdendo dinamismo com a supervalorização da escola. Entendemos que é cada vez mais necessário voltar a essa discussão, que é fundamental no processo de formação do indivíduo”, afirmou.

Haddad destaca que a escolarização é uma base importante inclusive para desenvolver outras áreas. Mas, segundo ele, a escola ganhou uma relevância tão grande – principalmente a partir do processo de redemocratização do país na década de 1980 – que tudo que não era de sua competência passou a ser.

“Exige-se que a escola englobe toda a formação moral, a educação para a saúde, cidadania, e acabam esquecendo outros espaços formativos. Há um diálogo entre as duas formações, o que permite que as pessoas desenvolvam processos complementares de formação escolar ou não escolar”, destacou.

Segundo o professor, há uma “redução analítica” da educação não escolar nos estudos analisados. “Uso a imagem do iceberg para ilustrar. O iceberg tem uma parte submersa, pouco conhecida, mas que é a base de tudo. Normalmente, nosso olhar é voltado para a parte visível desse iceberg, que é a escola”, disse.

Haddad coordenou a pesquisa Educação não escolar de adultos: um balanço da produção de conhecimentos, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxilio à Pesquisa – Regular, que contou com a participação de 12 pesquisadores especialistas de várias instituições de ensino superior do país e centros de pesquisa.

Segundo ele, que é professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na pesquisa foi possível identificar a educação não escolar nos trabalhos analisados a partir de palavras-chave, como “educação popular”, “não formal”, “continuada”, “permanente”, entre outras.

Inicialmente, o grupo buscou trabalhos em bancos de dissertações e de teses disponíveis digitalmente nas universidades, na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e no Google. “No primeiro momento, a seleção foi feita com base em resumos nas áreas de educação, do serviço social e ciências sociais”, explicou.

Como a educação não escolar de adultos não é um campo específico de estudos, ou seja, um campo teórico definido, a busca por esse assunto levou o grupo a incorporar uma série de outras palavras-chave.

“Rádios comunitárias”, “participação em movimentos populares”, “economia solidária”, “educação ambiental”, “educação política” e “qualificação profissional” foram algumas das palavras utilizadas para formar a base de dados e estabelecer critérios de inclusão dos estudos.

De acordo com Haddad, foi possível identificar algumas linhas de abordagem. “Uma mais voltada para o desenvolvimento profissional, outra para as práticas de cidadania, outra na área econômica que se refere também ao desenvolvimento sustentável, como agroecologia, além de práticas educativas nas áreas de saúde e educação ambiental e fortalecimento de identidades como as questões de gênero, raciais e outras”, citou.

“O objetivo final da pesquisa foi criar um banco de dados com os documentos e estudos analisados, para ver como o tema é tratado na produção discente, e disponibilizar todo esse material a partir de uma biblioteca digital, que foi financiada pela FAPESP e está abrigada na Ação Educativa”, disse.

Dimensão educativa
A partir da identificação dos títulos, os trabalhos foram classificados em 14 áreas temáticas relacionadas à educação não escolar de adultos. Foram analisados 341 trabalhos em educação, serviço social e ciências sociais, entre dissertações e tese. Segundo Haddad, houve uma grande dificuldade para conseguir os trabalhos em arquivos digitais.

“Fizemos contatos com os programas de pós-graduação, com os autores e com os orientadores e solicitamos cópias ao Programa de Comutação bibliográfica (Comut), que permite a obtenção de documentos técnico-científicos disponíveis nos acervos das principais bibliotecas brasileiras e em serviços de informação internacionais”, explicou.

O passo seguinte foi entregar os documentos aos pesquisadores parceiros especializados em cada área para analisar as pesquisas e produzir artigos sobre os documentos levantados. Cada autor identificou os principais temas abordados, seus conteúdos, agente educador, público alvo, relação com a educação escolar, entre outros aspectos. Os artigos podem ser lidos na e-curriculum, revista eletrônica de Educação da PUC-SP.

“O sistema de coleta permitiu montar a biblioteca digital, que acolheu não só os artigos, mas também os documentos. Isso permitiu colocar à disposição as análises e todo o material bruto.”, disse Haddad.

“Se a educação não escolar tem relação com a saúde, por exemplo, o enfoque educativo está nas práticas sanitárias, na formação do agente de saúde e em como os agentes trabalham com o desenvolvimento familiar”, afirmou.

O próximo passo da pesquisa, segundo o coordenador, será analisar as práticas. “Estamos entrando em contato com organizações da sociedade civil para fazer uma análise de suas demandas e ações que dizem respeito, em sua maioria, à educação não escolar”, disse Haddad.

“A ideia é confrontar essas práticas com os nossos estudos, fazendo um levantamento dos principais temas e das principais orientações metodológicas e políticas, para que sirvam de referência para novas pesquisas e aprofundamentos nessa área”, disse.

A pesquisa contou também com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para acessar a biblioteca digital: www.bdae.org.br/dspace

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Sebrae lança site com perfil dos trabalhadores e das micro e pequenas empresas

O Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançouno último dia 31 o MPE Data, um site que atualizará constantemente informações sobre micro e pequenas empresas, bem como sobre o trabalhador brasileiro. A nova ferramenta pretende agregar em um único ambiente dados que ajudem a entender a realidade dos negócios no país e, dessa forma, facilitar o trabalho de profissionais e estudiosos interessados em desenvolver políticas públicas.

De acordo com o Sebrae, para a elaboração do MPE Data foram selecionados os indicadores mais demandados na entidade, como a taxa de sobrevivência das empresas, o número de exportadoras, as empresas optantes pelo Simples, os empreendimentos informais e os empreendedores individuais formalizados.

As informações são obtidas com os principais órgãos públicos e institutos de pesquisas nacionais e internacionais. Elas serão classificadas nacionalmente ou por unidade federativa.

O lançamento do MPE Data será às 11h na Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), em Brasília. Na oportunidade, será lançada também a terceira edição do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, com números de 2008 e 2009.

O anuário é produzido em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Fonte: Agência Brasil

Cientistas explicam gol de Roberto Carlos contra a França em 1997

 The spinning ball spiral Físicos explicam gol de Roberto Carlos
Muito antes da Jabulani, não se discutia a bola, mas sim quem a chutava, como os jogadores de futebol que encantaram torcidas com chutes de grande efeito e repercussão ainda maior. O Brasil tem uma notável tradição em gols feitos após curvas mirabolantes e improváveis – como o chamado “gol espírita”. Nelinho, Dicá, Zenon, Zico, Roberto Dinamite e o glorioso Didi, o criador da “folha seca”, são alguns dos mais lembrados nesse quesito.

Entre os atletas brasileiros ainda em atividade, um dos destaques é Roberto Carlos, que ficou conhecido por seus gols feitos com fortes chutes de longa distância e efeitos imponderáveis. Como um dos mais famosos deles, no Torneio da França de 1997, no jogo entre as seleções brasileira e francesa, que terminou empatado.

O chute de bola parada, cobrança de falta, foi de muito longe, a 35 metros das traves, e o lateral tomou mais uns dez para correr até bater na bola. A curva foi tamanha que saiu do quadro da câmera de televisão que focalizava a cena de frente.

O goleiro francês nem se mexeu. A bola passou a mais de 1 metro à direita do último homem da barreira. Parecia que ia para fora – muito fora –, quando mudou completamente de trajetória e entrou com violência no canto do gol, para perplexidade de Fabien Barthez, o arqueiro francês.

Um novo estudo acaba de concluir que o gol não foi um golpe de sorte ou obra do acaso, mas sim resultado de uma sequência de fatores. O trabalho, publicado no New Journal of Physics, foi feito, curiosamente, por cientistas franceses, da École Polytechnique in Palaiseau.

Segundo os pesquisadores, Barthez não pulou para tentar alcançar a bola por achar que ela iria para fora, uma vez que a trajetória o fez induzir que passaria longe do gol. Atrás da linha de fundo, um gandula abaixou com medo de ser atingido pela bola, que julgou estar na sua direção.

Usando pequenas bolas de plástico e estilingues, os cientistas variaram a velocidade e o giro de bolas se deslocando pela água de modo a poder traçar diferentes respostas e trajetórias.

Os resultados confirmaram o efeito Magnus, que dá a uma bola girando enquanto se desloca no ar uma trajetória curva e indicam que, além da força, a distância foi importante para o gol brasileiro.

A fricção exercida na bola pela atmosfera em seu entorno diminuiu a velocidade o suficiente para que o giro assumisse um papel maior na trajetória. Foi o que resultou na mudança brusca de direção no último momento, quando todos imaginaram que a bola iria para a linha de fundo.

Segundo os cientistas, o movimento resultante pode ser chamado de “espiral de uma bola girando” e é bem diferente dos efeitos resultantes de chutes de distâncias menores (entre 20 e 25 metros), como as cobranças de falta de jogadores como Michel Platini e David Beckham.

“Quando chutada de uma distância longa o bastante e com uma força suficiente para mantê-la em uma determinada trajetória à medida que se aproxima do gol, a bola pode assumir um comportamento inesperado”, disse Christophe Clanet, um dos autores do estudo.

“O chute de Roberto Carlos começou com uma trajetória circular clássica que subitamente dobrou de forma espetacular, levando a bola para dentro do gol, embora um instante antes tenha parecido que iria para fora. As pessoas frequentemente destacam que a falta foi batida de muito longe. Em nosso artigo, mostramos que isso não foi coincidência, mas uma condição necessária para gerar uma trajetória em espiral”, disse. Outro ponto fundamental, claro, foi a grande habilidade do lateral em cobrar faltas.



O artigo The spinning ball spiral (doi: 10.1088/1367-2630/12/9/093004), de Christophe Clanet e outros, pode ser lido por assinantes do New Journal of Physics

Fonte: Agência FAPESP

Funcap: 4 novos editais

A Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Ceará (Funcap) está com as inscrições abertas para quatro novos editais. A chamada 7/2010, no âmbito do Programa Primeiros Projetos (PPP), recebe propostas até o dia 7 de outubro.

O objetivo é apoiar a aquisição, instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infra-estrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições de ensino superior e/ou de pesquisa, visando dar suporte à fixação de jovens pesquisadores e nucleação de novos grupos, em qualquer área do conhecimento.

As propostas aprovadas serão financiadas com recursos da ordem de R$ 1,8 milhão, sendo R$ 600 mil da Funcap e R$ 1,2 milhão do CNPq. O valor máximo de cada proposta é de R$ 40 mil, desembolsáveis em 24 meses. Além de itens de capital e custeio, poderão ser solicitadas até duas bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica.


No âmbito do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), este edital recebe propostas até o dia 6 de outubro. O objetivo é apoiar a execução de projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, visando dar suporte financeiro aos trabalhos dos grupos de pesquisas com excelência reconhecida no Estado do Ceará. Os recursos disponíveis somam R$ 3,9 milhões.

Poderão apresentar propostas pesquisadores com vínculo permanente com instituições de ensino superior, e institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento, públicos ou privados, sem fins lucrativos; além de empresas públicas que executem atividades de pesquisa em ciência, tecnologia ou inovação.


A data limite para submissão das propostas é 8 de outubro. No âmbito do Programa de Apoio a Núcleos Emergentes (Pronem), a chamada visa apoiar projetos propostos por grupos de pesquisa emergentes, formados por pesquisadores com destaque na sua área de conhecimento, de modo a induzir a formação de novos núcleos de excelência em pesquisa no Ceará.

Os investimentos somam R$ 4,5 milhões, sendo R$ 1,5 milhão da Funcap e R$ 3 milhões do CNPq. As propostas deverão ser enquadradas em uma das duas categorias: projetos em áreas de ciências experimentais, com financiamentos que variam de R$ 300 mil a R$ 600 mil; e projetos em áreas não-experimentais, que devem solicitar recursos entre R$ 100 mil e R$ 300 mil.

No âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe Integração), a chamada visa selecionar propostas empresariais para subvenção econômica à pesquisa e desenvolvimento de processos e/ou produtos inovadores em fase que preceda a comercialização no Ceará. As inscrições podem ser feitas até 18 de outubro.

Podem enviar propostas empresários, sociedades empresárias e simples, que estejam enquadrados nas categorias de microempresas ou empresas de pequeno porte no Estado. Serão aplicados recursos da ordem de R$ 15 milhões, sendo R$ 10 milhões da Finep e R$ 5 milhões da Funcap. As empresas poderão apresentar propostas com valores entre R$ 100 mil e R$ 400 mil.

O edital contempla os seguintes temas: agronegócio/setores têxtil, calçadista e moveleiro; tecnologia da informação e da comunicação; tecnologia de materiais/metal mecânico/nanotecnologia; biotecnologia/alimentos/fármacos; biocombustíveis/biomassa/ energias alternativas; pesca e aqüicultura; mineração/pedras ornamentais/cerâmica; equipamentos, instrumentos, produtos e processos da área da saúde; e economia criativa e indústria cultural.

Fonte: Gestão CT

Facepe realiza eleição para escolha de membro para o conselho superior e novo diretor científico

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) lançou o edital 18/2010 para eleição de membro do conselho superior da instituição na área de ciências exatas e engenharias. O mandato dos conselheiros será de seis anos. A data limite para inscrição dos candidatos é dia 8 de outubro.

Poderão ser eleitos os pesquisadores que já obtiveram classificação nível um do CNPq, ou aqueles de notório saber científico, reconhecidos nacionalmente, a critério do conselho superior,.Mais informações estão disponíveis neste link.

Edital 19/2010
A Facepe também abriu uma consulta à comunidade científica de Pernambuco para elaboração de lista tríplice para indicação de nomes ao cargo de diretor científico da fundação, a ser enviada para escolha por parte do governo do Estado. A data limite para inscrição dos candidatos é 8 de outubro.

A diretoria tem como finalidade coordenar os programas técnico-científicos, na formação de recursos humanos, no incentivo e fomento à pesquisa científica, tecnológica e de inovação.

Para escolha dos quatro pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, representantes das instituições de ensino e pesquisa sediadas no Estado, poderão inscrever-se candidatos de qualquer área que já obtiveram classificação nível um do CNPq, ou aqueles de notório saber científico, reconhecidos nacionalmente.Mais informações podem ser obtidas neste link

Fonte:Gestão CT

Seti: Seminário - Perspectivas do Desenvolvimento do Litoral Paranaense a partir do Pré-Sal

A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) do Paraná realiza amanhã (3), o seminário “Perspectivas do Desenvolvimento do Litoral Paranaense a partir do Pré-Sal”, em Antonina (PR). O objetivo é discutir o desenvolvimento da região litorânea por meio do petróleo presente na camada do pré-sal no domínio marítimo paranaense.

Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Nildo José Lübke, os municípios e a iniciativa privada devem se preparar para dar suporte às demandas que surgirão a partir da exploração do petróleo e/ou gás natural nas camadas do pré-sal.

Como parte da programação está prevista uma mesa de debates sobre o tema “O desenvolvimento do litoral do Paraná a partir do pré-sal”, com o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, e Alexandre Padilha, ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, além do governador do Paraná, Orlando Pessuti.

Além deste tema também serão abordados “O impacto do pré-sal no desenvolvimento do Litoral do Paraná: aspectos econômicos e sociais”, e “Perspectivas do setor naval a partir do pré-sal”. O evento reunirá autoridades municipais, estaduais e federais, empresários, pesquisadores, professores, estudantes, representantes de associações e da sociedade civil organizada.A Seti é uma instituição associada à ABIPTI. Com informações da Seti) 

Fonte:Gestão CT

Braskem e LNBio: parceria para desenvolver pesquisas para o desenvolvimento de "plástico verde"

Parceria para plástico verde
A Braskem assinou no dia 1º parceria com o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas (SP), para instalação de um laboratório a ser utilizado pela equipe de pesquisadores da empresa.

Nas novas instalações serão realizadas pesquisas na área de biotecnologia para o desenvolvimento de um plástico utilizando rota química que será, ao mesmo tempo, economicamente competitivo e sustentável, utilizando matérias-primas de fontes renováveis.

A equipe da Braskem também terá acesso aos avançados equipamentos de pesquisa do LNBio. “A cooperação científica entre Braskem e LNBio se dará por meio de consultorias e também cooperação técnica, com compartilhamento da propriedade intelectual nos casos pertinentes”, explicou Kleber Franchini, diretor do Laboratório Nacional de Biociência.

A parceria com o LNBio prevê a utilização de uma área inicial de 50 m² que será expandida para 200 m² no início de 2011, e envolverá no curto prazo cerca de 40 pesquisadores da Braskem.

A empresa já tem convênio de cooperação com a FAPESP e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O LNBio atua em pesquisa na área de biotecnologia, inclusive em outros projetos com indústrias de cosméticos e farmacêuticas, para a descoberta e desenvolvimento de produtos inovadores. É um conjunto de instalações abertas multiusuário, que está à disposição da comunidade científica e tecnológica, quer seja acadêmica ou empresarial.

O laboratório integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, que compreende ainda os Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS) e de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e é gerido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron.

A Braskem é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Com 29 plantas industriais distribuídas pelo Brasil e Estados Unidos, a empresa produz anualmente mais de 15 milhões de toneladas de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos.

Fonte: Agência FAPESP

Roraima : Femact apóia projetos de pesquisa na área da saúde

Apoiar atividades de pesquisa, mediante o aporte de recursos financeiros a projetos que visem promover o desenvolvimento científico, tecnológico ou de inovação da área de saúde, em temas prioritários para o Estado de Roraima. Este é o objetivo do edital 1/2010 lançado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima (Femact).

A data limite para a submissão das propostas é 6 de outubro. Poderão apresentar propostas pesquisadores com vínculo permanente com instituições de ensino superior, e institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento, públicos ou privados, sem fins lucrativos; além de empresas públicas que executem atividades de pesquisa em ciência, tecnologia ou inovação.

As propostas aprovadas serão financiadas com recursos de capital e custeio, na proporção de 40% e 60%, respectivamente, no valor estimado de R$ 228 mil, dos quais R$ 200 mil oriundos do Ministério da Saúde e o restante da Femact. O limite de financiamento para cada proposta é de até R$ 40 mil.

Entre os requisitos, é exigido que o pesquisador seja mestre ou doutor atuante na área; possuir vínculo com a instituição a qual representa; currículo atualizado na Plataforma Lattes; e não ser membro do Comitê Gestor do Programa PPSUS.

Fonte:Gestão CT

Rio Grande do Sul: convênios impulsionam pesquisa na área de energia

Dois convênios assinados na última segunda-feira (30), no Rio Grande do Sul, vão promover o desenvolvimento de pesquisas na área de energia, com investimentos da ordem de R$ 5,7 milhões. A iniciativa é da Secretaria da Ciência e Tecnologia (SCT) do Estado e da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).

Os projetos a serem trabalhados são “Avaliação de desempenho de biocombustíveis em motores de combustão interna” e “Biogás a partir do reaproveitamento da glicerina – fase pesada e lixo orgânico domiciliar”. Juntos, totalizam R$ 352 mil, recurso oriundo do termo de referência 1/2010.

Para o secretário da pasta, Eduardo Macluf, os convênios contribuem para dar impulso às pesquisas que o Programa de Pólos Tecnológicos da SCT mantêm em diversas regiões do Estado. O prazo de conclusão dos projetos é de três anos.

Fonte: Gestão CT

Santa Catarina faz mapeamento de recursos humanos em TIC

Santa Catarina está realizando uma pesquisa no Estado com o intuito de mapear as carreiras, habilidades e competências existentes entre os profissionais que atuam no setor tecnológico estadual.

A ideia é identificar os números de profissionais empregados, a demanda reprimida do setor, o perfil e a qualificação técnica dos profissionais buscados pelas empresas, quantos empregos serão gerados no futuro para, com base nos dados, promover ações coordenadas de formação profissional.

“Queremos gerar oportunidades de inclusão social e buscar reduzir a atual carência por profissionais qualificados, hoje considerado um grande obstáculo ao desenvolvimento do nosso setor”, disse Moacir Antônio Marafon, vice-presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate).

A pesquisa “Mapeamento de Recursos Humanos em TIC de Santa Catarina” é direcionada a todas as empresas do Estado ligadas ao setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC).

O acesso é feito pelo endereço eletrônico . Para iniciar a pesquisa, é preciso informar o CNPJ da empresa e criar uma senha de acesso.

Informações podem ser obtidas pelo e-mail ou pelos telefones (48) 2107-2726 ou 2107 2705.(Com informações da Fapesc)

Fonte: Gestão CT

Pesquisa com participação brasileira mostra que bactérias idênticas cultivadas no mesmo meio podem adotar estratégias distintas de adaptação

Divergence Involving Global Regulatory Gene Mutations in an Escherichia coli Population Evolving under Phosphate Limitation

Evolução divergente
Uma pesquisa internacional com participação brasileira mostrou que bactérias idênticas cultivadas em um mesmo ambiente adotam diferentes estratégias de adaptação.

No estudo, uma população da bactéria Escherichia coli evoluiu de forma divergente para se adaptar às condições do mesmo meio. Depois de 37 dias de crescimento contínuo, os cientistas isolaram diversos mutantes com diferenças importantes em genes regulatórios.

Os resultados do experimento foram publicados na revista Genome Biology and Evolution. Coordenado por cientistas da Universidade de Sydney (Austrália) e da Universidade de São Paulo (USP), o estudo teve também participação de pesquisadores da Universidade Nankai (China).

O brasileiro Beny Spira, professor do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, realizou seu pós-doutorado, com Bolsa da FAPESP, no laboratório de Thomas Ferenci, da Universidade de Sydney. Ambos são coautores do artigo.

Spira coordena atualmente o projeto “O fator sigma S da RNA polimerase em linhagens de Escherichia coli diarreiogênicas”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Segundo ele, no experimento de evolução realizado com a Escherichia coli foi observado um processo de divergência simpática – isto é, em um mesmo ambiente, a partir de um inóculo inicial geneticamente homogêneo, uma população de bactérias idênticas evoluiu de forma divergente para melhor se adaptar às condições do meio.

“A grande novidade é que a evolução ocorreu de forma divergente. Em um ambiente constante, sem barreiras físicas, observamos estratégias distintas de adaptação que resultaram em mutações em diferentes genes regulatórios”, disse.

Para o experimento, os autores utilizaram um quimiostato – uma espécie de biorreator que mantém as condições da cultura constantes. No equipamento, o meio fresco é introduzido continuamente, enquanto o excesso de bactérias é eliminado também de forma contínua por meio de um exaustor.

“Normalmente, as bactérias em cultura se multiplicam até saturar o ambiente, mas no quimiostato isso não ocorre, pois a disponibilidade de nutrientes é constante e outras características físicas, como o pH, também. No equipamento, as bactérias permanecem sempre em crescimento exponencial e não entram na fase estacionária”, disse Spira.

Durante todo o experimento, a taxa de crescimento das bactérias era de 0,1 por hora – isto é, a população de bactérias levava cerca de sete horas para dobrar de tamanho, mas se mantinha constante, já que parte dela era continuamente eliminada”, explicou.

Para impedir a saturação da cultura de bactérias no quimiostato, é preciso limitar a quantidade de algum nutriente. No caso, a quantidade de fosfato – elemento crucial para o crescimento das bactérias – foi limitada.

“Conduzimos o experimento do quimiostato durante 44 dias e, ao longo desse tempo, retiramos amostras a cada dois ou três dias. No 37º dia retiramos uma amostra a partir da qual cinco colônias foram isoladas – sendo que cada colônia representa um clone de uma única bactéria. Essas colônias foram analisadas e testadas em relação a vários fenótipos, como morfologia da colônia, sensibilidade a detergentes e fosfatase alcalina – uma enzima diretamente induzida quando a bactéria tem acesso limitado ao fosfato”, disse.

A maior parte das bactérias tem um complexo de mais de 40 genes que respondem ao estímulo externo de limitação de fosfato. “Quando há pouco fosfato no meio, esses genes codificam proteínas que vão auxiliá-las a obter fosfato”, apontou.

Algumas dessas proteínas, situadas na membrana da bactéria, captam fosfato para o organismo, mesmo que o nutriente esteja em baixa concentração no ambiente.

“Esperávamos que a bactéria, evoluindo em um ambiente limitado em fosfato por mais de 100 gerações, acumulasse mutações que resultariam em um aumento na expressão de genes relacionados à captação de fosfato. Mas não esperávamos que as bactérias adotassem diferentes estratégias, promovendo mutações em diversos genes regulatórios”, afirmou.

Motor evolutivo
As bactérias foram então enviadas para os colaboradores chineses, que fizeram o sequenciamento completo do genoma de todas elas e realizaram um estudo de proteômica, a fim de avaliar como a expressão de proteínas se diferenciava entre elas.

“O estudo de proteômica mostrou que havia, no total, mais de 30 proteínas cuja expressão diferia, em cada clone, em relação à bactéria ancestral. O resultado do sequenciamento foi ainda mais interessante: as colônias de bactérias sofreram ao todo 12 mutações diferentes, sendo que três delas se deram em genes regulatórios importantes”, disse.

Depois dos 37 dias no quimiostato, as colônias de bactérias tiveram mutações nos genes rpoS, hfq e spoT. O gene rpoS codifica para uma proteína conhecida como fator sigma S. Os fatores sigma – há sete deles na Escherichia coli – são responsáveis pelo reconhecimento dos sítios promotores dos genes, iniciando o processo de transcrição. Eles associam-se à enzima RNA polimerase para exercer essa função. A RNA polimerase é a principal enzima do complexo responsável pela transcrição do DNA em RNA.

“A ligação do fator sigma ao cerne da RNA polimerase é transitória. Quando a bactéria precisa de fosfato, usa o fator sigma 70 para iniciar o processo de transcrição do gene que codifica a fosfatase alcalina”, explicou.

Segundo o professor do ICB-USP, quase todas as proteínas são reconhecidas pelo fator sigma 70. Mas um outro fator sigma – o sigma S ou rpoS – ganha importância quando a bactéria está em estado de estresse, ou limitação nutricional. O sigma S reconhece o promotor de genes ligados à proteção da bactéria.

“Por um lado, a bactéria busca o crescimento e precisa do fator sigma 70. Mas, quando ela começa a sofrer uma limitação nutricional, acumula o sigma S. A bactéria sofre um dilema, pois os dois fatores competem entre si. Quando um deles é ligado à RNA polimerase, o outro é desligado e a bactéria precisa equilibrar as necessidades de crescimento e proteção”, disse.

Dos cinco isolados obtidos no experimento, três possuíam mutações em rpoS. “Como o ambiente tinha limitação de fosfato, o melhor para a bactéria era eliminar o rpoS, pois ao competir com o sigma 70 ele impede que a bactéria consiga mais nutrientes”, explicou Spira.

Esse modelo, segundo Spira, é conhecido como Autopreservação e Competência Nutricional (Spanc, na sigla em inglês). “Trata-se de um motor da evolução, já que ele permite acumular mutações de acordo com a necessidade imposta pelo ambiente. Quando há muito estresse, o organismo acumula mutações que aumentam a atividade de rpoS; quando há poucos nutrientes, ele perde rpoS”, disse.

Além das três mutações no gene rpoS nas cinco colônias isoladas, os pesquisadores constataram também mutações nos genes hfq e spoT, ambas resultando em uma diminuição da expressão de rpoS.

“Todas essas mutações em genes reguladores tiveram a finalidade de melhorar a capacidade nutricional da bactéria, diminuindo a concentração de sigma S. Esse desvio no equilíbrio Spanc, no entanto, não é gratuito. A bactéria teve ganho nutricional, mas teve também perda de capacidade de preservação, ou seja, de proteção contra estresses ambientais”, disse.

A grande novidade revelada pelo experimento, segundo Spira, é que as três estratégias distintas de mutação em genes regulatórios ocorreram em um ambiente constante sem barreiras físicas.

“Com mutações em genes regulatórios, temos uma modificação profunda na fisiologia da bactéria. Muito possivelmente isso resultaria, a longo prazo, em um processo de divergência evolutiva que poderia, eventualmente, levar ao aparecimento de novas espécies”, disse.

O artigo Divergence Involving Global Regulatory Gene Mutations in an Escherichia coli Population Evolving under Phosphate Limitation, de Beny Spira e outros, pode ser lido por assinantes da Genome Biology and Evolution

Fonte:Fábio de Castro / Agência FAPESP

MDIC: criado grupo especial para APLs de Base Mineral

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), criou uma instância setorial dentro do Grupo de Trabalho Permanente dos Arranjos Produtivos Locais (GTP APLs), voltado para o setor mineral. A ação é pioneira no país e objetiva, principalmente, apoiar e fomentar ações para desenvolvimento deste segmento.

A proposta foi apresentada nesta terça-feira (31), durante o 7º Seminário Nacional de APLs de Base Mineral e o 4º Encontro da Rede APLmineral, na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia (GO).

A iniciativa será responsável por identificar APLs no país, propor modelos de gestão multissetorial, definir critérios de ação conjunta para apoio e fortalecimento dos arranjos, entre outros. As diretrizes de atuação irão valorizar e priorizar o protagonismo local, com a promoção de um ambiente inclusivo, com a elevação da capacitação social, preservação do meio ambiente, e integração com diversos atores.

Segundo o coordenador da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM) do MME, José Marcos de Oliveira Figueiredo, em todo o país já foram identificados 96 APLs de Base Mineral, sendo que 55 deles já estão cadastrados nesse grupo. "Nosso objetivo é aprimorar a formulação e a difusão de políticas públicas voltadas para a consolidação e o desenvolvimento destes arranjos, assim como fortalecer a integração, o associativismo e a governança deles, a partir de um trabalho em rede", disse.

Para Margarete Gandinia, coordenadora geral do GTP APL, esfera criada em 2004 por meio de decreto presidencial, a ideia da criação do grupo é integrar sistemas de informação para a avaliação de políticas públicas com indicadores de impacto. A unidade é coordenada pelo MDIC e congrega hoje a participação de 33 instituições, sendo 12 públicas. "Os APLs são um tema predominante na pauta política hoje no país. Independente do próximo presidente essas ações se manterão", avaliou José Marcos de Oliveira Figueiredo.

Descentralização
A criação do subgrupo para o setor mineral é uma demanda da Rede Brasileira de Informação de Arranjos Produtivos Locais de Base Mineral (Rede APLmineral) e está sendo articulada desde abril do ano passado. A ideia é descentralizar as ações do MDIC, a exemplo dos núcleos estaduais, responsáveis pela seleção e análise de propostas de arranjos em âmbito local. O país já conta com 27 núcleos e, segundo Figueiredo, dez deles serão envolvidos no subgrupo mineral, que somam mais de 30 APLs desse segmento.

O subgrupo será coordenado pela SGM e pelo GTP APL, tendo como secretaria executiva a Rede APLmineral. "Era uma demanda antiga de termos na esfera federal uma instância que pudesse fomentar e criar programas para os arranjos de Base Mineral. Esse trabalho conjunto poderá fornecer insumos para a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento destes APLs", completou o coordenador geral da Rede APLmineral, Elzivir Guerra.

Fonte:Cynthia Ribeiro/ Gestão CT

Capes e Unila: bolsas no âmbito do Programa Professor Visitante Sênior

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) lançaram o edital 57/2010, no âmbito do Programa Professor Visitante Sênior (PVS).

A chamada tem como um dos objetivos oferecer suporte ao planejamento das ações institucionais e à concepção e execução da missão legal da universidade pelo fortalecimento de seus programas de ensino, pesquisa e extensão.

O candidato deverá ter título de doutor há no mínimo dez anos; possuir currículo atualizado na Plataforma Lattes; ter sido docente e pesquisador de reconhecida competência em sua área; ser preferencialmente pesquisador nível um do CNPq; entre outros.

Os benefícios do programa para a instituição são quota total de 20 bolsas, além de concessão de bolsas de Professor Visitante para cada instituto ou unidade da universidade. Já ao professor visitante será destinado valor de R$ 8,9 mil mensais, mais passagem aérea, de ida e volta.

Fonte: Gestão CT

Orçamento do MCT no PLO 2011 tem aumento de 9,1%

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) apresentou, na última terça-feira (31), ao Congresso Nacional, o Projeto de Lei Orçamentária (PLO) 2011. O orçamento do MCT é de R$ 7,2 bilhões, valor 9,1% maior em relação à proposta para 2010, quando foi aprovado o montante de R$ 6,6 bilhões.

Esse número ainda pode ser aumentado com as emendas parlamentares, da mesma forma como ocorreu com a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2010, passando o orçamento do MCT a atingir a marca de R$ 7,6 bilhões.

Para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) está previsto o valor de R$ 2,8 bilhões. O orçamento do CNPq foi calculado em R$ 1,1 bilhão, e o da Agência Espacial Brasileira (AEB) em R$ 274 milhões.

A proposta orçamentária prevê despesas de R$ 1,9 trilhão. O PLO 2011 será encaminhado à Comissão Mista de Orçamento, onde será analisada por deputados e senadores que irão definir o cronograma de tramitação da matéria. A PLO é a última do governo Lula e vai passar pela aprovação do Congresso Nacional e da equipe de transição do presidente eleito em outubro.(Com informações do Jornal da Ciência)

Fonte:Gestão CT

Finep divulga total de inscritos no Prêmio de Inovação 2010

Está previsto para este mês o julgamento das propostas do Prêmio Finep de Inovação 2010. Ao todo, foram recebidas 885 inscrições, dos quais a região Sudeste finalizou com o maior número, 307 no total. Em seguida, a região Sul participa com 224 inscritos, o Nordeste com 159, o Centro-Oeste com 113 inscrições e o Norte do país com 82 pedidos.

Os vencedores receberão recursos do programa de Subvenção Econômica, que variam de R$ 120 mil a R$ 2 milhões, dependendo da categoria premiada. A verba é para ser usada no desenvolvimento de projetos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Os primeiros colocados de cada região concorrem, no final do ano, ao prêmio nacional, que determina o melhor de cada segmento.(Com informações da Finep)