quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Paraná: assinado decreto criando Política de Desenvolvimento Produtivo

O governador do Paraná, assinou um decreto, no último dia 16, instituindo a Política de Desenvolvimento Produtivo do Paraná (PDP-PR). A medida permitirá ao Estado alinhar todos os seus programas voltados para o setor industrial, criando melhores condições para que se encaixem nas iniciativas e projetos previstos na política nacional.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, a política econômica precisa de um plano de desenvolvimento sistêmico, que é articulado pela PDP, e o Paraná deve se inserir nesta iniciativa. Loures destacou ainda a agilidade com que o Estado conseguiu efetivar a criação da política estadual. "O Brasil levou cinco anos para chegar a uma PDP nacional e no Paraná conseguimos fazê-la em três meses".

Entre as metas estabelecidas pela PDP-PR estão aumentar a capacidade de inovação das empresas, apoiar as micro e pequenas empresas para que tenham ganho na escala de produção, incrementar a capacidade de exportação da economia paranaense e reduzir as desigualdades econômicas entre diferentes regiões do Estado.

O decreto que cria a PDP-PR institui também o Conselho Estadual de Desenvolvimento Produtivo, que será responsável por deliberar sobre a política industrial paranaense. A instância será composta por integrantes de secretarias de Estado, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e de entidades representativas do setor produtivo, como a Fiep. (Com informações da Fiep) 

Fonte: Gestão CT

Paraná: workshop “Processos de Inovação, Financiamentos e Edital de Subvenção Econômica”

Empresários do Paraná discutem crédito para inovação
De hoje (26) até amanhã (27), empresários de dois municípios do Paraná participam de um evento para tratar sobre crédito para inovação. Trata-se do workshop “Processos de Inovação, Financiamentos e Edital de Subvenção Econômica”, realizado em Maringá e Londrina.

O evento, dirigido a empresas dos mais variados portes e setores, tem como objetivo apresentar as linhas de fomento disponíveis para modernizar produtos e processos, bem como detalhar o edital de subvenção econômica da Finep no valor de R$ 500 milhões.

“Queremos fomentar a discussão em torno do tema inovação e trazer aos empresários de nossa região informações sobre recursos financeiros e institucionais disponíveis para o fortalecimento das cadeias produtivas”, destacou o diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento Terra Roxa Investimentos, Alexandre Farina. Sua instituição é responsável pela organização do encontro, com apoio da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (43) 3255-3131 ou pelo e-mail . (Com informações da UEL

Fonte:Gestão CT

Rio Grande do Norte: Fórum Empreender RN

Evento discute oportunidades para MPEs do Rio Grande do Norte

O governo do Rio Grande do Norte realizou na última sexta-feira (20), em Mossoró, o Fórum Empreender RN. A proposta foi discutir as oportunidades de desenvolvimento para micro e pequenas empresas do Estado.

No encontro, foram divulgadas as principais iniciativas para fortalecer a cadeia produtiva local, como ampliação do limite de adesão à Lei Geral da Micro e Pequena Empresa para até R$ 2,4 milhões de faturamento anual, e incentivos à pesquisa e ao crédito.

"É importante que os empresários saibam quais são os incentivos e benefícios que estão sendo feitos para o fortalecimento do setor para que possam desfrutar dessas novas medidas", destacou o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Segundo de Paula.(Com informações do governo do RN)

Fonte: Gestão CT

RS lançará edital no âmbito do Programa de Cooperação Internacional

O Estado do Rio Grande do Sul lançará, no próximo mês, um edital para concessão de bolsas no âmbito do Programa de Cooperação Internacional. A informação é do secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social.

Ele participou, na última terça-feira (24), de um seminário que apresentou os resultados do programa, uma iniciativa da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social (SJDS), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs).

Schüler avaliou positivamente o encontro, pois permitirá a elaboração de um novo edital. "A assistência social no Rio grande do Sul está madura para um processo ambicioso de cooperação internacional", disse.

De acordo com o diretor administrativo da Fapergs, Jôni Franck Nunes Costa, a ideia é dobrar os valores da parceria para o próximo edital, com vistas a beneficiar um número maior de entidades. Costa confirmou o valor de R$ 200 mil para o lançamento da chamada que será realizado em setembro.

Programa
O Programa de Cooperação Internacional foi criado em novembro de 2009, com objetivo de estimular a inserção do terceiro setor gaúcho na captação internacional de recursos. Foram selecionados nove projetos que receberam bolsas internacionais, abrangendo oito destinos: Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Itália e Suíça. (Com informações da SCT-RS)

Fonte: Gestão CT

Capes: 17 universidades são selecionadas no Planfor

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou na última terça-feira (24), o resultado da análise do Plano Institucional de Formação de Quadros Docentes (Planfor). Foram selecionadas, ao todo, 17 universidades federais do país, sendo seis da região Nordeste.

Apresentaram propostas instituições que ainda não haviam feito, ou que não tiveram seus planos aprovados em 2009, bem como aquelas que desejaram realizar ajustes nas iniciativas vigentes.

O Planfor descreve as bases do Programa de Formação Doutoral Docente (Prodoutoral), que apóia esforços institucionais para a capacitação e aprimoramento da qualificação dos seus professores.(Com informações da Capes)

Fonte: Gestão CT

UFRJ identifica DNA de pescado brasileiro contra fraudes

Laboratório da UFRJ identifica DNA de pescado brasileiro e auxilia no combate a fraudes no comércio e na pesca

Você confia na autenticidade do peixe que leva para casa? Como saber se houve ou não troca de espécies?

O Laboratório de Biodiversidade Molecular do Instituto de Biologia da UFRJ desenvolveu através da Rede Nacional de Identificação Molecular de Peixes (Renimp) um método para identificar o pescado que pode dar mais segurança ao consumidor e indicar possíveis erros ou fraudes na comercialização e importação de peixes no Brasil.

O projeto, coordenado pelo professor Antonio Mateo Solé-Cava, diretor do Instituto de Biologia da UFRJ, identifica o pescado através do sequenciamento e armazenamento das informações genéticas de 165 espécies, que representam mais de 95% de pescado comercializadas no Brasil. “O objetivo é criar uma ‘biblioteca’ de DNA para identificação do pescado mais rápida e eficiente”, explica o professor.

A ideia de um instrumento de identificação do pescado através de DNA surge com a vontade do laboratório em desenvolver uma pesquisa aplicada e com os recorrentes casos de erros de rotulagem e fraudes em mercados e feiras de peixe.

“Você via em feiras a troca do peixe namorado pelo peixe batata (espécie muito mais barata e parecida). Em muitos supermercados se comercializavam outros tipos de peixe salgado no lugar de Bacalhau e até o atum em lata foi trocado por outra espécie”, revela Antonio.

Ainda de acordo com o biólogo, a grande vantagem em usar o DNA como instrumento de análise é a possibilidade de identificar peixes mesmo após o processamento, como no caso dos filés, postas e enlatados.

A Renimp, que conta com apoio do Ministério da Pesca, junto ao Ministério da Agricultura e ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), é composta por três fases. A primeira, com início em setembro de 2009, e ainda em andamento, se baseia no sequenciamento do DNA das espécies. “O processo é demorado, pois de cada espécie foram coletadas 20 amostras para dois genes diferentes, ou seja, são mais de 6 mil sequências a serem computadas e armazenadas”, afirma Antonio Solé.

A segunda etapa é a construção de uma rede descentralizada da Renimp, com polos regionais e cursos de formação para atender às demandas locais de identificação de pescado. “O processo de identificação ainda está muito concentrado na UFRJ. Nós já temos a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA) no mapeamento da Região Norte e pretendemos abrir polos na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e na Embrapa.”

Já a terceira etapa, com previsão para 2012, almeja a criação de kits de identificação rápida para espécies com mais recorrência em fraudes. Segundo o pesquisador, os kits são mais baratos e mais práticos que o processo atual, em torno de 20 reais por análise.

Sociedade, pesquisa e comércio beneficiados
A possibilidade de fiscalização mais rápida e fácil do comércio e pesca traz uma lista de benefícios não só ao governo, como também ao comércio, à população e ao mundo acadêmico. Segundo Solé, a partir do momento em que o comércio descobre que existe a fiscalização, haverá a mudança de comportamento por medo de punição.

Além disso, o comerciante brasileiro garante que o produto importado é de qualidade e a exportação também se beneficia por se adequar à necessidade de certificação de origem exigida por consumidores da Europa, por exemplo, o que agrega valor ao produto brasileiro no comércio exterior.

Outro ponto positivo do projeto é o auxílio na proteção de espécies ameaçadas e controle da pesca ilegal. “Há um problema grande da pesca ilegal que é a comercialização de pescado da natureza em períodos proibidos, como se fossem espécies criada em fazendas. A identificação do pescado facilita o controle do período exato de proteção da pesca.”

A área de pesquisa da universidade, a partir do projeto, ganha também uma experiência construtiva, ou seja, desenvolve experimentos que podem ser aplicados imediatamente no meio social. Para Antonio Solé, essa interação dos alunos com a sociedade gerou a possibilidade de associação com a cadeia produtiva e adaptou os pesquisadores do laboratório a seguir protocolos mais rígidos durante suas pesquisas, compatíveis com procedimentos jurídicos peculiares a esse tipo de análises.

“Essa atividade de extensão significa promoção da UFRJ, melhor formação dos alunos e benefício para a sociedade como um todo”, analisa o professor.

Fonte: Michelly Rosa/ Olhar Vital- UFRJ

UNILAB: formação de profissionais em países da África e Timor Leste

FAO participa da Comissão de Implantação da Universidade Luso-Afro-Brasileira (UNILAB).

O cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMTPaulo Speller tomou posse hoje (25), em Brasília, no cargo de reitor da Universidade Luso-Afro-Brasileira (UNILAB). A UNILAB oferecerá cursos de graduação e pós-graduação para 5 mil estudantes, metade deles de países da África e do Timor Leste.

A FAO participa, ao lado da UNESCO e de instituições brasileiras, da Comissão de Implantação da universidade, que ministrará cursos em áreas como desenvolvimento agrário, gestão, saúde pública e educação, consideradas estratégicas para o desenvolvimento e a redução das desigualdades sociais nos países africanos, Timor Leste e Brasil.

“A capacitação e formação de profissionais importante e que a UNILAB pode dar uma contribuição significativa ao desenvolvimento dos países participantes. A FAO vai ajudar a montar os cursos ligados à agricultura e alimentação e buscar formas de enriquecer as atividades da universidade vinculando-as a projetos que executamos na África”, José Graziano da Silva, Representante Regional da FAO para América Latina e Caribe e integrante da Comissão de Implantação da UNILAB.

O reforço à assistência e capacitação técnica e a transferência de tecnologias a agricultores foi um dos compromissos assumidos pelo governo brasileiro durante o Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural. O encontro, realizado em maio de 2010 com a participação do diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, e de 36 ministros de 30 países africanos, citou a UNILAB como um dos meios para cumprir estes objetivos.

Cooperação Sul-Sul
A criação da UNILAB se insere no marco da Cooperação Sul-Sul que faz parte das diretrizes de trabalho da FAO e da política de cooperação externa brasileira. Atualmente, a FAO e o governo brasileiro são parceiros em diversos projetos de Cooperação Sul-Sul enfocados, principalmente, na promoção do desenvolvimento rural sustentável em paises da África, América Latina e Caribe.

A primeira sede da UNILAB será aberta em Redenção, Ceará, e o início das atividades acadêmicas está previsto para este ano.

Fonte: FAO

Relatório da associação comercial dos EUA avalia políticas de inovação da China

Relatório de associação comercial dos EUA apresenta políticas de inovação da China, que incluem incentivo a cópia e imitação

O relatório que Inovação deixa disponível para seus leitores, em inglês, foi encomendado pela Câmara de Comércio dos EUA — possivelmente a maior associação comercial do mundo — ao jornalista James McGregor, que viveu na China e é um dos consultores seniores da empresa de comunicação e relações públicas APCO Worldwide. Intitulado "Impulso da China para a 'Inovação Nativa': uma Rede de Políticas Industriais" ("China’s Drive for 'Indigenous Innovation': a Web of Industrial Policies"), o relatório é, assim, um texto que visa a oferecer informações e argumentos para defender os interesses de empresas dos EUA que operam na China.

Feita a ressalva, o relatório resume pontos principais dos documentos oficiais do governo chinês e aborda temas como o sistema de propriedade intelectual vigente na China — recentemente alterado de forma a permitir que patentes domésticas possam ser usadas contra competidores internacionais, por exemplo; a abordagem para transferência de tecnologia — que, como se sabe, inclui o estímulo à cópia e à imitação, e apresenta as principais estratégias que o governo vem implementando para fazer da China, já em 2020, uma "potência tecnológica" e, em 2050, um "líder global".

Fonte: Inovação Unicamp

JORNAL DO BRASIL: Memórias de um Secretário Pautas e Fontes

Alfredo Herkenhoff lança livro sobre o Jornal do Brasil nos anos de chumbo.


Livro denso, rigoroso e interessante.

Fonte: Fernando Herkenhoff

TI na prevenção de acidentes e na redução de perdas humanas

Tecnologia da informação pode apoiar operações das equipes de emergências

Nos últimos anos, vem crescendo o número de desastres naturais ocorridos em todo globo, como pode ser visto em notícias sobre desabamentos, inundações e furacões nos jornais diários, alarmando populações inteiras. Nesse contexto, surge, por meio dos profissionais de inovação tecnológica, a seguinte questão: Como utilizar a tecnologia da informação para ajudar na prevenção de acidentes e na redução de perdas humanas?

Uma parceria realizada entre a Universidade do Chile e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu ferramentas necessárias para criar uma rede de auxílio que, no Rio de Janeiro, foi testada dentro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O projeto teve financiamento da Faperj e foi coordenado pelo professor do Núcleo de Computação Eletrônica (NCE/UFRJ), Marcos Borges. "Nosso modelo tem o objetivo de oferecer informações para equipes operacionais de resgate que lidam com casos de emergência”, afirma o coordenador.

Segundo o professor, o número de acidentes com vítimas é enorme no Brasil. Para as equipes operacionais de resgate, é necessário chegar ao lugar da ocorrência de modo rápido e com uma equipe adequada. Uma das aplicações do projeto é a utilização de GPS, que permite acompanhar, em tempo real, a localização da ambulância. O sistema já foi adotado no Rio de Janeiro, porém a inovação da ferramenta se dá por prover comunicação mais eficiente entre a equipe e a Central de Informações.

"Queremos uma comunicação mais intensa entre as ambulâncias e a Central. Assim, seria possível alocá-las a um determinado acidente de modo mais rápido e eficiente", esclarece o pesquisador. Para Marcos Borges, essa comunicação otimiza o tempo, pois os endereços das possíveis ocorrências podem ser repassados por um aparelho portátil, sem precisar que a ambulância sequer pare de se movimentar.

A portabilidade é um ponto de destaque para a eficácia da rede de auxílio. Com um smartphone, por exemplo, as equipes operacionais podem obter informações direto da Central através de software desenvolvido pela própria universidade. Outra possibilidade é conectar o aparelho a equipamentos de ultrassonografia e eletrocardiograma, otimizando o espaço dentro das ambulâncias.

“Há dispositivos portáteis com limitação para obter informação de captura, mas que numa situação de emergência podem ajudar durante o transporte, e assim auxiliar os profissionais da saúde a tomar alguma atitude naquele trajeto entre o local do acidente e o hospital", afirma Borges.

A troca de informações entre Brasil e Chile
No Chile, a pesquisa é aplicada como apoio ao Corpo de Bombeiros na transmissão de informações entre as equipes, permitindo a interação entre elas e reduzindo o tempo de localização de possíveis vítimas.

Nesse caso, pode haver a utilização de mapas da área, plantas de prédios em risco, posições de hidrantes, avisos de mudanças de estratégia, e até mesmo consultas a rede sociais para recolher informações detalhadas de cada vítima.

Para Marcos Borges, é indispensável a troca de informações sobre a utilização dessas tecnologias entre o Brasil e o Chile, porém, segundo ele, ainda não há estimativas para que isso possa ser colocado em prática. "O nosso objetivo é de pesquisa, não é o operacional. A gente estuda as possibilidades, especula as oportunidades de melhoria desses serviços", conclui.

Fonte:Igor Soares Ribeiro/ Olhar Vital UFRJ

IPMet: impacto de queimadas na atmosfera

Efeitos das queimadas
O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista, em Bauru (UNESP), realizará até o dia 1º de setembro experimentos sobre o impacto de queimadas na atmosfera, na unidade de Ourinhos (SP).

O trabalho, que teve início na última terça-feira (24/8), utiliza equipamentos do instituto, disponíveis nos campi de Bauru e Presidente Prudente (SP), e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da Universidade de São Paulo (USP). O grupo fará a varredura de uma área com raio de 450 quilômetros a partir da posição do Laboratório de Monitoramento Ambiental (Lapam).

O IPMet é uma unidade complementar da Unesp apoiada pela FAPESP desde seu início, na década de 1970. A partir de 1982, com auxílio da Fundação, o instituto passou a dispor de um sistema central de processamento para trabalhos de pesquisa, processamento e disseminação de dados e produtos de radar.

O novo estudo, que é coordenado pelo físico e meteorologista Gerhard Held, do IPMet, tem o objetivo de compreender os efeitos das queimadas da palha de cana, como as alterações nas propriedades químicas e físicas da atmosfera.

O experimento utilizará diversos aparelhos do laboratório, como o Light Detection and Ranging (Lidar) – que por meio de feixes de raios laser mede os aerossóis na atmosfera – e o Sonic Detection And Ranging (Sodar), que mede os perfis verticais do vento em três dimensões, por meio da emissão de ondas de som.

Serão utilizadas ainda radiossondas para obtenção de variáveis meteorológicas até 25 quilômetros de altitude, além de amostradores de gases e partículas para atmosfera e cinco estações meteorológicas automáticas.

As queimadas no interior do Estado de São Paulo têm como uma das principais causas a produção sucroalcooleira. Os meses do inverno são mais propícios para a realização dessa pesquisa, por causa da intensificação das queimadas pela colheita de cana-de-açúcar, e pela ausência de chuvas que mantêm as particulas em suspensão no ar.

Fonte:Agência FAPESP

Uso precoce de drogas na infância e adolescência

Drogas na adolescência
Quanto mais precoce o consumo de uma droga de abuso, mais o indivíduo se torna vulnerável à dependência. Foi o que mostrou um estudo com camundongos conduzido no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Ao administrar doses de álcool em animais adolescentes e adultos, os pesquisadores constataram que os mais jovens apresentaram uma compulsão maior ao consumo após um período de abstinência.

Segundo os pesquisadores, o resultado também pode valer para outros tipos de drogas de abuso, que englobam desde anfetaminas até entorpecentes pesados como cocaína e heroína, passando pelo cigarro e pelo álcool.

“Drogas de abuso são aquelas que induzem à fissura pelo seu consumo seja pelo prazer proporcionado, seja pelos efeitos desagradáveis que a interrupção de seu uso provoca”, disse a coordenadora da pesquisa, Rosana Camarini, professora do ICB-USP.

O trabalho, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, terá seus resultados apresentados na 25ª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que começou na quarta-feira (25/8) e vai até sábado em Águas de Lindoia (SP).

Rosana analisou quatro grupos de camundongos: adolescentes que recebiam doses de álcool e adolescentes tratados com solução salina e adultos divididos nessas mesmas categorias (com e sem a administração de álcool).

Entre as diferenças observadas está que os adolescentes que receberam álcool apresentaram tolerância à droga, enquanto que os camundongos mais velhos sob o mesmo tratamento responderam com uma sensibilização ao álcool.

Rosana conta que ambos são fenômenos neuroadaptativos provocados pelo uso contínuo da droga. A sensibilização é um aumento do efeito que a droga apresenta ao longo de um período de consumo.

Já a tolerância, observada nos animais adolescentes, significa a redução desses efeitos. Nesse caso, o indivíduo precisará de doses maiores do produto para conseguir obter as mesmas sensações proporcionadas pelas doses iniciais.

Em uma outra etapa, os pesquisadores separaram os camundongos adolescentes e adultos que haviam recebido álcool. Colocados individualmente em uma gaiola, cada um poderia escolher entre dois recipientes, um com água e outro com álcool. O frasco com etanol continha doses que eram aumentadas gradualmente, de 2% a 10%.

“Nessa etapa, não detectamos diferenças entre os dois grupos. Porém, após a dose de 10%, resolvemos retirar o álcool para estabelecer um período de abstinência”, disse a professora da USP, explicando que se trata de um teste para verificar se o animal se tornou ou não dependente da droga.

Ao serem novamente expostos ao álcool, os animais mais jovens começaram a beber gradativamente mais, enquanto que os adultos mantiveram o consumo que apresentavam antes da abstinência.

Já os animais controle, tratados previamente com solução salina, não apresentaram um aumento no consumo ao serem expostos ao álcool em ocasiões diferentes. E isso se verificou tanto nos indivíduos jovens como nos adultos.

Rosana ressalta que nessa etapa da pesquisa os animais tratados com álcool na adolescência já estavam adultos, considerando que a adolescência dos camundongos dura apenas 15 dias.

Alterações neuroquímicas
“O que podemos concluir dessa experiência é que o contato prévio do adolescente com o etanol acaba induzindo alguma modificação que faz com que, quando adultos, eles fiquem muito mais vulneráveis ao consumo”, disse a pesquisadora.

Isso ocorre porque a droga provoca alterações neuroquímicas que interferem no processo de formação do cérebro do adolescente.

Um bom exemplo é que os adolescentes apresentam uma liberação bem maior de glutamato quando expostos ao álcool, se comparados aos adultos. Esse aminoácido tem efeito excitatório sobre o sistema nervoso central.

“O consumo de álcool aumenta o número de receptores para o glutamato e, quando se retira a droga, permanecem inúmeros receptores ávidos por esse aminoácido que não está mais lá”, disse. Convulsões associadas à abstinência, por exemplo, estão relacionadas ao glutamato.

Por essa razão, Rosana estima que indivíduos com experiência precoce com drogas tenham maior probabilidade de apresentar síndromes de abstinência mais severas.

Outro efeito do álcool sobre organismos jovens seria a redução da proteína Creb, responsável pela transcrição de determinados genes. Vários estudos feitos com animais aplodeficientes de Creb mostraram que isso provocava um consumo maior de álcool.

A redução desse mesmo neurotransmissor também é observada em indivíduos que consumiram álcool durante a adolescência.

“Parece que todas essas alterações neuroquímicas observadas nos adolescentes estão relacionadas ao fato de eles quererem consumir mais álcool”, disse. As drogas interferem no processo de remodulação do sistema nervoso central que ocorre durante a adolescência.

Essas transformações neuroquímicas explicam alguns comportamentos típicos dessa fase da vida, como a propensão a correr mais riscos e a procura por experiências que causem euforia.

Rosana cita, como exemplo, a presença maior de dopamina na região do córtex pré-frontal do cérebro adolescente. Trata-se de uma área relacionada a analisar riscos e tomar decisões e que, além de não estar totalmente formada na adolescência, recebe dopamina em doses maiores que a de um adulto. “A presença das drogas de abuso interfere nesse processo natural que já é bem complicado”, pontuou.

Os efeitos observados levaram os autores do estudo a reforçar a importância de aplicações de políticas públicas para proteger o adolescente. Como exemplo, a professora do ICB-USP cita a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de idade.

“Leis como essa se justificam, pois o contato precoce com a droga pode resultar posteriormente em uma vulnerabilidade maior à dependência quando a pessoa é exposta novamente à droga, em comparação àqueles que não tiveram essa experiência prévia”, afirmou.

Fonte: Fábio Reynol/Agência FAPESP

Revista Ciência & Ambiente: Teoria ecológica

A revista Ciência & Ambiente, publicada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou uma nova edição inteiramente dedicada ao tema “Teoria Ecológica”, reunindo dez artigos de especialistas que analisam o assunto sob a perspectiva de diversas áreas do conhecimento.

Às vésperas da comemoração de seus 20 anos, a revista discute, no número especial, as críticas e perspectivas da teoria ecológica, as reiteradas tentativas de aplicação da ideia ecossistêmica às sociedades humanas, as múltiplas possibilidades de estudo dos sistemas ecológicos, considerando os elementos históricos, o papel da biodiversidade, as variantes genéticas e os padrões estatísticos, entre outros aspectos.

A edição especial celebra também os quase 20 anos de intercâmbio brasileiro com o pesquisador francês Pascal Acot, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês) e autor de diversos livros sobre a história da ecologia.

Os editores convidados para a 39ª edição da revista são o próprio Acot e Paulo Guimarães Jr., professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

Neste número, a revista introduziu uma inovação: a publicação de artigos em língua francesa, além das línguas espanhola e portuguesa, ambas já contempladas desde o lançamento do periódico, em 1990.


“Críticas recentes e perspectivas atuais da teoria dos ecossistemas”, “Regulações ecossistêmicas e sociedades humanas”, “História do conceito de ecossistema”, “Extinção e funcionamento dos ecossistemas”, “O papel da biodiversidade no funcionamento dos ecossistemas”, “Especiação espontânea em populações espacialmente distribuídas e padrões de diversidade”, “As implicações ecológicas da variação intrapopulacional”, “Componentes filogenéticos e adaptativos em padrões ecogeográficos”, “Distribuições de abundâncias de espécies” e “A estrutura e a dinâmica evolutiva de redes mutualísticas” são os artigos no volume.

Fonte: Agência FAPESP

FAPESP: encontro estimula estudos na área de arquitetura e urbanismo

Estudos urbanos
As discussões sobre questões urbanas estão intimamente ligadas a outras linhas de estudos que envolvem as dinâmicas das cidades. Pensando no tema urbano como uma questão estratégica para novas pesquisas, a FAPESP organizou no dia 24, em sua sede, um encontro que reuniu pesquisadores do Estado de São Paulo da área de arquitetura e urbanismo.

O objetivo foi estimular o incremento de trabalhos científicos na área, a partir das modalidades de apoio oferecidas pela FAPESP. Participaram do encontro 75 pesquisadores de diversas instituições.

De acordo com Maria Cristina da Silva Leme, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) e uma das coordenadoras da área de Arquitetura e Urbanismo na FAPESP, o objetivo principal foi reunir especialistas para que conhecessem as oportunidades de apoio disponíveis na Fundação.

“Queríamos que eles conhecessem, por um lado, qual a posição da arquitetura e urbanismo em relação às outras áreas de conhecimento na FAPESP e, por outro, mostrar o enorme elenco de possibilidades de auxílio à pesquisa que a Fundação oferece e que é pouco explorado pela nossa área”, disse Maria Cristina.

Ela destacou que o campo de estudos em arquitetura e urbanismo é estratégico. “A interdisciplinaridade é uma característica presente na nossa atuação. Precisamos de mais intersecções com a pequena empresa, por exemplo. Como a área de arquitetura tem uma relação forte com a empresa e com escritório, pensamos que essa articulação tem de ser melhor explorada.”

Maria Cristina salientou que a participação nesse primeiro encontro já significou um grande avanço. “Os que compareceram não foram somente pesquisadores da cidade de São Paulo, mas de todo o Estado. Devido às distâncias e a compromissos, normalmente algum assessor comparece no lugar do pesquisador. E o que vimos aqui foi a participação efetiva dos pesquisadores principais”, ressaltou.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, apresentou as principais linhas de fomento e mostrou, em linhas gerais, como se dá a análise e seleção das propostas e o contexto da área de arquitetura e urbanismo dentro da Fundação.

Quatro instituições de pesquisa lideram o ranking de projetos encaminhados à FAPESP na área: USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De 1992 a 2009, o número de pesquisadores em arquitetura e urbanismo que solicitou apoio, considerando todas as modalidades, saltou de 30 para 160. “Houve uma curva ascendente nesse período, mas o que percebemos é que nos últimos quatro anos ocorreu uma estabilização”, disse Brito Cruz.

A taxa anual de aprovação de projetos na área saltou de 30% para 60% entre 1992 a 2009. “Apesar de arquitetura e urbanismo não terem muitos Projetos Temáticos, poucas áreas passam desse patamar. A taxa anual é de 50% de projetos em geral aprovados em relação à demanda. Isso também revela que a nossa taxa é competitiva em relação às principais agências de fomento no mundo, onde a média beira os 15%”, disse.

O prazo médio para análise das 18.177 solicitações recebidas em 2009 foi de 80 dias, o menor dos últimos nove anos. Atualmente, a instituição possui 11.533 mil bolsas vigentes no país, considerando todas as modalidades.

“O constante aperfeiçoamento do processo de análise e de seleção de propostas na FAPESP vem melhorando a qualidade nas decisões. Nos últimos anos, temos conseguido melhorar a qualidade do processo e ao mesmo tempo reduzir os prazos”, destacou Brito Cruz.

Comunidade interessada
Um dos principais temas abordados no encontro foi a análise das propostas. “Um dos critérios é que não pode haver conflitos de interesses nas partes envolvidas. Por isso, não enviamos projetos de uma instituição a pareceristas da mesma universidade”, disse Brito Cruz.

Segundo ele, o primeiro ponto a se destacar é que não existem cotas para áreas específicas do conhecimento. O que vale é o mérito da proposta. Outro ponto abordado refere-se ao tipo de avaliação.

“Temos incentivado a não aprovar projetos pela quantidade de papers ou de livros publicados pelo pesquisador, mas sim pela relevância do estudo. Por que mandamos os pareceres, mesmo os denegados, para os pesquisadores? O objetivo é ajudar o pesquisador a identificar pontos problemáticos na proposta, por isso, quanto mais completa a avaliação, melhor”, afirmou.

Durante os debates, os participantes disseram ter dificuldades em relação ao preenchimento das propostas e de tirar dúvidas específicas. “No portal da FAPESP, o pesquisador pode solicitar uma entrevista com o coordenador adjunto por meio do serviço Converse com a FAPESP. Isso ocorre corriqueiramente”, disse Brito Cruz.

Ele também foi questionado se a intenção do encontro é fazer um programa específico para a área de arquitetura e urbanismo. “Em geral, a FAPESP não cria programas e os leva para a comunidade científica. O caminho é inverso. A comunidade científica precisa estar interessada e organizada, mas isso demanda trabalho intenso”, destacou.

Segundo Maria Cristina, o encontro foi um primeiro passo para que as pesquisas na área no Estado de São Paulo possam ganhar em volume e em qualidade. “Já estamos entrando em contato com outros coordenadores que têm a questão urbana como central para ver se começamos a nos organizar melhor. Nesse sentido, esse encontro foi fundamental”, disse.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP