segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cetene: workshop sobre o fomento à inovação tecnológica no setor empresarial

Fomento à inovação é tema de workshop em Recife

Na próxima quarta-feira (25), o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) realizará um workshop sobre o fomento à inovação tecnológica no setor empresarial. O evento será realizado no Campus Tecnológico do MCT, instalado em Recife (PE), com abertura marcada para às 10 horas.

O objetivo é estimular empresários a participarem mais ativamente dos editais de fomento lançados pelos governos estadual e federal. O evento conta com o apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco (Fade) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes)(Com informações do MCT) 

Fonte: Gestão CT

Fapemig: Bolsistas podem receber complementação financeira

Os bolsistas matriculados no programa de pós-graduação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) poderão receber complementação financeira. A autorização, dada na última quarta-feira (20), prevê que o complemento seja proveniente de outras fontes, mas exige que estudantes se dediquem a atividades relacionadas à sua área de atuação e de interesse para sua formação acadêmica.

Para receber a complementação financeira ou atuar como docente, o bolsista deve obter autorização, concedida por seu orientador, devidamente informada à coordenação do programa de pós-graduação em que estiver matriculado. Vale lembrar que é vedado o acúmulo de bolsas provenientes de agências públicas de fomento.A Fapemig é uma instituição associada à ABIPTI. (Com informações da Fapemig)

Fonte:Gestão CT

Paraná assina anteprojeto da Lei de Inovação

O governador do Paraná assinou na última semana, mensagem a ser encaminhada à Assembleia Legislativa referente ao anteprojeto de Lei da Inovação. A legislação prevê incentivos para a aplicação de conhecimentos científicos e tecnológicos voltados à inovação nas empresas, visando o desenvolvimento social e sustentável do Estado.

De acordo com a Secretaria de C&T do Paraná (SETI), com essa iniciativa o Estado cria as condições necessárias para adequar o marco regulatório paranaense ao marco regulatório federal, criando instrumentos jurídico-administrativos para a alocação de contrapartidas financeiras em projetos financiados pelas agências federais de fomento, assim como dotando o Estado de legislação específica e pertinente.

De acordo com o titular da pasta, Nildo Lübke, a proposta paranaense é a melhor e mais moderna do país. “Representa a união da sociedade paranaense, em que o setor produtivo e a academia se somaram para constituir a melhor proposta ao Paraná”, destacou.(Com informações da Seti)

Fonte: Gestão CT

Fapergs: edital no âmbito do Procoredes

Estão abertas as inscrições para o edital 11/2010 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). A data limite para postagem da proposta é 4 de outubro.

No âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico-Tecnológico
Regional no Estado do Rio Grande do Sul (Procoredes 7), a chamada tem como objetivo operacionalizar a execução de projetos de pesquisa e desenvolvimento relacionados com os temas estabelecidos no Processo de Participação Popular 2009/2010.

Além disso, a iniciativa visa incentivar o desenvolvimento de atividades de pesquisa inovadoras que busquem soluções para problemas das diferentes regiões do Estado. Os investimentos somam R$ 760 mil que serão aplicados em despesas de custeio, de capital e investimento e com bolsas de Iniciação Científica, de Estágio Técnico, e de Iniciação Técnica.

O solicitante será o coordenador técnico-científico e deverá, necessariamente, comprovar experiência em pesquisa na área solicitada, além de ter vínculo empregatício com uma instituição de ensino ou pesquisa pública ou privada sem fins lucrativos, sediada na região sede do projeto.

Fonte:Gestão CT

USP desenvolve fossa séptica mais eficiente e de menor custo do que as convencionais


Saneamento acessível
A grande maioria das cidades brasileiras sofre, em maior ou menor grau, de contaminação por nitrogênio, particularmente de nitrato. As zonas rurais são contaminadas por causa do uso excessivo de fertilizantes e os solos urbanos recebem nitrogênio principalmente de fossas sanitárias ou mesmo de redes de esgoto sem manutenção ou mal projetadas.

Esse problema levou o grupo de pesquisa do Laboratório de Modelos Físicos do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IG-USP) a desenvolver uma fossa séptica que fosse mais eficiente e, ao mesmo tempo, acessível às populações mais pobres, que dependem principalmente desse tipo de saneamento.

O projeto Minimização dos Impactos dos Sistemas de Saneamento (Minisis), apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, analisou o problema de maneira ampla e resultou em uma série de contribuições ao sistema de saneamento por fossas sépticas.

“As fossas convencionais são bastante eficientes em degradar matéria orgânica infiltrada no solo, mas o seu rendimento é limitado para nutrientes, como o nitrogênio”, disse Ricardo Hirata, professor do IG-USP e coordenador do projeto. O resultado é a contaminação do ambiente por microrganismos e por nitrato (NO3), uma das formas que se apresenta o nitrogênio no ambiente e que é muito estável e móvel e pode permanecer por décadas nas águas subterrâneas.

A dificuldade de degradação do nitrato, aliada ao fato de derivar de uma fonte crescente, os dejetos humanos, fazem dele o contaminante mais abundante do planeta nas águas subterrâneas. “O nitrato não é o contaminante mais agressivo, mas com certeza é o mais comum e o que se apresenta em maior volume nos reservatórios de água subterrânea, os aquíferos”, disse.

O problema aumenta com o crescimento das cidades, cujas redes de coleta de esgoto nunca crescem na mesma proporção. O resultado é a permanência de nitrato no ambiente por períodos que podem chegar a centenas de anos.

O nitrato permanece nos lençóis freáticos e volta à população com a captação de água por poços ou nascentes, configurando-se em um grande problema de saúde pública. “Um dos mais sérios casos de contaminação é o da cidade de Natal (RN), cuja população consome água encanada com nitrato”, disse Hirata.

Em São Paulo, a situação também requer atenção, segundo o pesquisador, pois 75% dos municípios paulistas são abastecidos total ou parcialmente pela água que vem de fontes subterrâneas, muitas dessas vulneráveis à contaminação por fossas.

Sem condições financeiras de construir uma estrutura apropriada, muitos moradores cavam buracos simples no solo e que, frequentemente, encontram o nível freático. Esse recurso, chamado de “fossa negra”, é ainda mais nocivo ao ambiente, pois injeta o contaminante diretamente na água subterrânea, sem que nenhuma forma de redução do contaminante possa ocorrer no solo, onde se processa a maior parte da transformação bioquímica dessas substâncias nocivas, segundo o professor.

Desenvolvimento no local
Para desenvolver o novo modelo de fossa, o grupo da USP precisava de uma comunidade que não fosse atendida pela rede de esgoto. O bairro de Santo Antônio, no distrito de Parelheiros, zona sul de São Paulo, foi o escolhido.

Os pesquisadores acompanharam o desempenho de duas fossas pertencentes a moradores vizinhos. Uma delas, a fossa controle, era do tipo negro convencional. A segunda foi construída na casa ao lado segundo a tecnologia desenvolvida pelo grupo.

A fossa projetada pelos pesquisadores tem dois níveis. O primeiro é formado por óxidos de cálcio e de ferro, um rejeito da indústria siderúrgica com propriedades bactericidas. “Por ter um pH muito alto, próximo de 12, esse material consegue degradar vírus e bactérias com alta eficiência”, explicou Hirata.

Para o experimento a equipe conseguiu trazer escória do porto capixaba de Tubarão, que possui grande fluxo de exportações de minério de ferro. Após passar pela camada mineral, o líquido efluente percola para a segunda barreira reativa, composta por areia e serragem da madeira cedrinho. Os cavacos de madeira, que fornecem carbono ao meio por respiração aeróbica, consomem o oxigênio e propiciam que o nitrato seja reduzido bioquimicamente a um gás de nitrogênio.

O projeto foi bem-sucedido e a primeira camada eliminou 95% dos vírus e bactérias presentes. Já a barreira de serragem e areia degradou com eficiência 60% do nitrato encontrado, mas Hirata aponta que o conhecimento alcançado no experimento permite melhorar esse número para 80%.

A degradação do nitrato no novo sistema foi tema da tese de doutorado de Alexandra Vieira Suhogusoff, defendida este ano. A aluna foi orientada por Hirata e teve apoio FAPESP por meio de uma Bolsa de Doutorado Direto.

A redução dos microrganismos obtida na primeira camada da fossa rendeu a tese de doutorado de Jesse Stimson, da Universidade de Waterloo, no Canadá, instituição que colaborou com o projeto de pesquisa.

O trabalho ainda contou com equipamentos de monitoramento para controlar a quantidade de material lançado em cada fossa e permitir a retirada de amostras. Os resultados obtidos foram usados para construir modelos numéricos que indicaram a possibilidade de se repensar a ocupação urbana sem rede de esgoto, permitindo aumentar o número de fossas sem implicar contaminações das águas subterrâneas ou mesmo superficial.

“Como ela é mais eficiente, podemos aumentar em até 60% a densidade de fossas em um bairro, comparativamente à capacidade de suporte com uso de técnicas convencionais”, afirmou Hirata, ressaltando que o custo da obra é bem acessível, embora não tenha estimado o valor exato.

Outra vantagem é que a construção da nova fossa não exige treinamento específico de profissionais. “Qualquer pedreiro familiarizado com obras de poços é capaz de construir o novo modelo”, disse. Isso permite que seja utilizada mão de obra local, mais acessível financeiramente.

Poços mais seguros
Outro resultado do projeto foi o desenvolvimento de uma metodologia para avaliação sanitária de poços de água. Trata-se de um questionário simples com dez perguntas objetivas que exigem respostas simples de “sim” ou “não”, como “há criação de animais próxima ao poço?”, “o poço possui trincas na parede interna?” e “a água que sai da cozinha passa a menos de 10 metros do poço?”

Com ele, um agente de saúde pode fazer um levantamento da qualidade da água consumida em um bairro, uma vez que a qualidade do poço é estimada a partir do número de respostas positivas recebidas.

“É um modo simples de municiar os órgãos de saúde pública na importante questão do consumo de água na área periférica de cidades”, sugeriu Hirata, que alertou para o fato de a população não possuir parâmetros objetivos para avaliar a água de seus poços.

“Para muitos, a água cristalina e fresca é sinônimo de água potável e, como as doenças provocadas pela contaminação aparecem esporadicamente, eles não associam essas doenças à qualidade da água”, apontou. O questionário foi adaptado de uma metodologia desenvolvida na Inglaterra e aplicada com sucesso em alguns países africanos.

Segundo o professor do Instituto de Geociências da USP, a fossa e o questionário desenvolvidos nessa pesquisa são soluções baratas e que podem ajudar especialmente as áreas mais afastadas e carentes enquanto não recebem rede de esgoto.

“O ideal seria que todos tivessem coleta de esgoto, porém, como nossa experiência mostra que a área de saneamento não costuma contar com muitos recursos, essas soluções poderiam amenizar muito a contaminação da água e reduzir os problemas de saúde da população”, disse Hirata.

Fonte: Fabio Reynol /Agência FAPESP

USP apresenta a Mostra Occhialini - pioneiro da física no Brasil

Pioneiro da física ganha mostra
O Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP) sediará, de 1º a 30 de setembro, a mostra itinerante que homenageia o italiano Giuseppe Occhialini (1907-1993), um dos pioneiros da física no Brasil.

A exposição Giuseppe Occhialini, um cientista dedicado à descoberta do universo invisível, que já passou Roma, Milão e outras cidades italianas, foi organizada pelo Departamento de Comunicação do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália e inclui também um minidocumentário.

Occhialini foi um dos responsáveis por liderar na USP, na década de 1930, atividades pioneiras de pesquisa em física no país, formando o primeiro grupo de estudantes na Faculdade de Filosofia e Letras, onde foi um dos fundadores do Departamento de Física, atual Instituto de Física.

No Brasil, ajudou a formar os primeiros grupos de físicos brasileiros, tendo entre seus alunos Mário Schemberg (1914-1990) e Cesar Lattes (1924-2005). Lattes o acompanhou na mudança para Bristol, onde se reuniram ao grupo de Cecil Frank Powell (1903-1969) para descobrir a partícula subatômica méson pi.

Iniciava-se assim uma nova área da física: a física de partículas elementares. A descoberta valeu o Prêmio Nobel a Powell, em 1950. Occhialini também foi professor de Riccardo Giacconi, que ganhou o Nobel em 2002 pela descoberta de fontes cósmicas de raios X.

A exposição ficará até 30 de setembro no IF-USP, localizado na rua do Matão, 187, na Cidade Universitária.

Fonte: Agência FAPESP

Unicamp: Vagas para professor titular

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu processo seletivo para contratação de professores titulares em regime de tempo parcial (RTP), nível MS-6, mas com opção preferencial para o regime de dedicação integral à docência e à pesquisa (RDIDP) em várias áreas e departamentos.

Uma vaga é no Instituto de Artes, na área de Multimeios e Ciências para ministrar a disciplina “Educação e Tecnologia”. A outra é no Instituto de Computação na área de Processamento de Imagens para a disciplina “Introdução ao Processamento de Imagem Digital”.

Há uma oportunidade no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica, na área de Análise.

Na Faculdade de Odontologia de Piracicaba, há uma vaga em aberto para atuar em Endodontia, no Departamento de Odontologia Restauradora.

No Instituto de Biologia, são três oportunidades: em Fisiologia do Sistema Digestório, Nutrição e Metabolismo; Sistemática e Evolução de Angiospermas; e Genética Vegetal.

Há ainda duas vagas em aberto na Faculdade de Tecnologia nas áreas de Tecnologia para a Informação, Comunicação e Instrumentação e na área de Saneamento.

Os candidatos devem apresentar título de livre-docente, obtido por concurso de títulos em instituição oficial e devidamente reconhecido pela Unicamp. O concurso será constituído de prova de títulos, didática e prova de arguição.

As inscrições se encerram de 30 de agosto a 16 de novembro, a depender do edital. As inscrições serão recebidas pelas secretarias de cada departamento.

Fonte: Agência FAPESP

Fiocruz: edital abre 850 vagas

A Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou editais de concursos para preencher 850 vagas, divididas em cinco cargos, para trabalhar em diferentes estados.

São 19 vagas para especialista em ciência, tecnologia, produção e inovação em saúde pública, com salário de R$ 5.558,82, para candidatos que têm doutorado. Para pesquisador em saúde pública, para o qual é exigido o diploma de mestrado, são 96 vagas, com salário de R$ 3.745,87.

Para os candidatos com nível superior são oferecidos 266 postos de tecnologista de saúde pública e 257 para analista de gestão em saúde. Para esses dois postos os vencimentos são de R$ 3.048,03.

Há ainda 149 vagas para técnicos de nível médio referentes ao cargo de técnico de saúde pública e 63 lugares para assistente técnico de gestão em saúde, para o qual os candidatos deverão ter o diploma de ensino médio. Essas duas funções têm salário de R$ 1.678,28.

Fonte: Agência FAPESP

Brasileira ganha prêmio na Espanha por desenvolvimento de biomaterial para regeneração óssea

Biomaterial para regeneração óssea
A doutoranda Sybele Saska, do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, foi premiada durante a 88th International Association for Dental Research General Session, ocorrida em julho, em Barcelona (Espanha).

Sybele, que conta com Bolsa de Doutorado da FAPESP, ficou entre os cinco primeiros colocados pelo trabalho intitulado New [bacterial cellulose-collagen]-hydroxyapatite nanocomposite with growth factors for bone regeneration.

Ela recebeu um prêmio em dinheiro concedido pela empresa alemã Heraeus pelo pôster apresentado, que consiste no desenvolvimento de um novo biomaterial para regeneração óssea.

O congresso é um dos mais importantes da área odontológica. Os outros ganhadores foram Jonathan Y. Na, da Universidade de Washington, (Estados Unidos), Yu Furuya, da Universidade de Osaka (Japão), Mohammed Hadis, da Universidade de Birmingham (Reino Unido), e Philipp Kohorst, da Escola Médica de Hannover (Alemanha).

De acordo com Reinaldo Marchetto, professor do Instituto de Química da Unesp, campus de Araraquara, e coordenador do estudo, a pesquisa do biomaterial traz importantes avanços em relação aos existentes atualmente no mercado.

“Além de ser nanometricamente estruturado, a sua composição similar à estrutura óssea e a inédita presença de peptídeos moduladores dos fatores de crescimento ósseo trazem uma nova perspectiva para o processo de regeneração de tecido ósseo”, disse Marchetto.

O biomaterial é constituído de alguns elementos constitutivos dos ossos, como colágeno (proteína) e hidroxiapatita (agente inorgânico) deficiente em cálcio, além da membrana de celulose bacteriana.

“O biomaterial é um osteoindutor, ou seja, estimula a regeneração óssea, possibilitando maior migração das células para formação do tecido ósseo”, disse Marchetto.

O estudo de Sybele integra o projeto “Nanocompósitos à base de celulose bacteriana para aplicação na regeneração de tecido ósseo”, coordenado por Marchetto e apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Sintetizada por bactérias do gênero Gluconacetobacter, a celulose serviu como matriz para gerar o biomaterial com estrutura nanométrica (bilionésimo de metro), já que as bactérias sintetizam as fibras de celulose em uma trama de fios dessa dimensão.

O processo começa com a produção da celulose bacteriana. “Essas bactérias possuem poros por onde são expelidos os fios de celulose durante o seu crescimento, aparentemente como um subproduto metabólico e sem utilidade para elas”, apontou Marchetto.

A produção da celulose bacteriana tem sido utilizada em várias áreas. Uma das principais aplicações está no uso como substituto temporário da pele humana em casos de queimaduras e em outros procedimentos médicos ou odontológicos.

“Estamos investigando novas aplicações da celulose, principalmente porque ela é biocompatível e biodegradável. Para a nossa aplicação o fato de ser reabsorvida pelo organismo é uma característica bastante importante, e a necessidade de uma segunda cirurgia seria evitada”, disse.

Os pesquisadores entraram com pedido de patente do biomaterial, com auxílio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI) da FAPESP.

Pesquisa multidisciplinar
Estudos preliminares in vivo feitos em fêmur de ratos apontam que o biomaterial poderá regenerar tecido ósseo em um período entre 7 a 15 dias, dependendo do tamanho do defeito ósseo.

De acordo com Marchetto, o principal desafio foi compatibilizar a inserção dos componentes ósseos (colágeno e hidroxiapatita) e dos peptídeos sintéticos.

“Os peptídeos, sintetizados em laboratório e anexados à estrutura do material, tornaram o biomaterial osteoindutor (estimulante da regeneração óssea), promovendo maior proliferação e diferenciação celular. Eles funcionam como reguladores na expressão de fatores de crescimento relacionados ao tecido ósseo”, explicou Marchetto.

Segundo o professor da Unesp, o grupo está avançando nos testes para outro modelo, chamado de Scaffold, uma espécie de molde ou armação tridimensional em que será moldado o biomaterial produzido. “Ele funcionará com o mesmo princípio. A principal diferença é que será possível obter o biomaterial no formato e tamanho desejados e que a regeneração ocorrerá em volta dele”, disse.

“Existem produtos semelhantes no mercado, geralmente importados, porém sem a presença de peptídeos. Quando o nosso produto estiver sendo comercializado, além da maior eficiência, o custo será bem inferior ao importado, cerca de 10 a 20 vezes mais barato”, estimou.

Segundo ele, clínicas odontológicas e ortopédicas serão os principais consumidores do biomaterial. “Além disso, poderá servir de base para outros estudos, uma vez que a celulose permite acrescentar muitos outros componentes”, disse.

Para os pacientes, o novo produto significará menos tempo de recuperação em casos de acidentes que provoquem perdas ósseas. “Mas ainda precisamos fazer muitas amostragens. Estamos fazendo uma ampliação do número de casos. Até o fim do ano essa parte estará totalmente concluída para podermos iniciar os estudos clínicos”, disse.

O professor destaca o caráter multidisciplinar da pesquisa sobre a produção do biomaterial. Os testes estão sendo realizados em três laboratórios da Unesp: na Unidade de Síntese, Estrutura e Aplicações de Peptídeos e Proteínas (coordenado por Marchetto) e no Laboratório de Materiais Fotônicos (coordenado por Younès Messaddeq e Sidney J. L. Ribeiro), ambos do Instituto de Química; e no Departamento de Morfologia da Faculdade de Odontologia de Araraquara, sob coordenação de Ana Maria M. Gaspar.

Além disso, a pesquisa conta ainda com a cooperação do professor Paulo Tambasco de Oliveira e do aluno Lucas Novaes Teixeira, do Laboratório de Cultura de Células da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP