quinta-feira, 5 de agosto de 2010

2ª Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas - ICID 2010

Fortaleza, no Ceará, receberá em agosto a Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas - ICID 2010. O encontro, que envolve mais de 90 países da África, Ásia e América Latina, e cerca de dois mil participantes, tem como meta incluir de forma efetiva as questões relacionadas aos efeitos do aquecimento global em regiões áridas e semiáridas nas agendas de debates nacionais e internacionais.

Organizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) - em parceria com os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Ciência e Tecnologia  (MCT), o Governo do Ceará e outras entidades governamentais e de pesquisa nacionais e internacionais -, a ICID 2010 vai gerar, consolidar e sintetizar dados e estudos sobre mudanças climáticas e identificar ações para promoção do desenvolvimento seguro e sustentável nas regiões semiáridas.

A expectativa é de que os atores envolvidos nessa agenda, incluindo formuladores de políticas públicas, cientistas, representantes de organismos internacionais, sociedade civil e iniciativa privada tenham a oportunidade de compartilhar experiências e o conhecimento adquirido em questões ligadas às regiões semiáridas nos últimos 20 anos, como variabilidade, vulnerabilidades, impactos socioeconômicos e ambientais, ações de adaptação e desenvolvimento sustentável. Eles deverão elaborar recomendações que auxiliem na criação e implantação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável dessas áreas.

Estimativas mostram que cerca de 35% da população mundial vivem em terras áridas e semiáridas, que correspondem a 41% da superfície do planeta. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), essas terras serão afetadas pelas alterações no clima mundial. Apesar desse cenário, os habitantes dessas áreas ainda são sub-representados em discussões como a COP-15.

No Brasil, 1.482 municípios do semiárido, que concentram a maior parte da pobreza do País, são afetados diretamente pelo problema, segundo dados do Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Estudos indicam ainda que quase 20% do semiárido brasileiro será atingido de forma grave, tendo reflexos ambientais e socioeconômicos, como a deterioração do solo e comprometimento da produção de alimentos, extinção de espécies nativas e degradação dos recursos hídricos.

Organizada em quatro temáticas principais - Clima e Meio Ambiente; Clima e Desenvolvimento Sustentável; Governança e Desenvolvimento Sustentável e Processos Políticos e Instituições, a ICID pretende transformar intenções em resultados práticos de desenvolvimento, e acelerar, assim, o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), de redução da vulnerabilidade, da pobreza e da desigualdade.

A Conferência, que ocorrerá 18 anos após a realização da primeira ICID, realizada no início de 1992 como preparatória para a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) - a Rio 92, também vai explorar sinergias entre as Convenções das Nações Unidas relativas ao desenvolvimento de regiões semiáridas. O encontro funcionará, portanto, como um agente integrador de teorias, modelos e ações que possam atualizar o conhecimento sobre o tema e subsidiar a realização da Conferência das Nações Unidas vinte anos mais tarde, a Rio+20.

Histórico
A primeira Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas ocorreu em 1992, também em Fortaleza. Em sua primeira edição, o encontro contou com cerca de 1,2 mil participantes de 45 países. Criada como um evento preparatório para a Rio 92, a ICID forneceu dados e informações científicas sobre as regiões semiáridas no mundo e conseguiu abrir os olhos da inteligência nordestina para os problemas dessas áreas no Brasil.

A primeira ICID teve um enorme impacto, tanto no âmbito nacional quanto no internacional. "Os trabalhos exibidos durante a primeira ICID foram levados para a Rio 92, assim como a declaração de Fortaleza, com recomendações de políticas públicas para as regiões áridas e semiáridas. Muitos participantes do evento, oriundos da África e da Ásia, também chegaram à Rio 92 como negociadores", destaca Antônio Rocha Magalhães, coordenador executivo da Conferência. A primeira edição da ICID também serviu como fator decisivo para a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

Vários estudos e publicações que servirão como subsídios para o encontro de 2010 foram derivados dos debates que entraram em pauta na primeira ICID. Entre a primeira e a segunda edição da Conferência, três convenções foram aprovadas e entraram em operação: a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD); a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Protocolo de Kyoto; e a Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (UNCBD). Todas elas contribuem, em sinergia, para fortalecer o combate à desertificação e preservar a biodiversidade presente nas regiões áridas e semiáridas em todo o planeta. A expectativa é de que a ICID 2010 tenha o mesmo impact o como conferência preparatória em eventos dessa natureza, como a Rio+20.

Mais informações: 

Secretaria Executiva CGEE (61) 3424-9608 ou pelo e-mail

Ministério do Meio Ambiente (61) 2028-1227

Fonte: CGEE

Instituto do Câncer de São Paulo premia Marcos Fernando de Oliveira Moraes


O oncologista Marcos Fernando de Oliveira Moraes é o ganhador da primeira edição do Prêmio do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), lançado este ano.

Inaugurado em maio de 2008, o Icesp é uma organização social de saúde criada pelo Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Faculdade de Medicina (FFM).

A cerimônia de premiação será na manhã desta quinta-feira (5/8), na sede do instituto, e inaugura o prêmio que será concedido anualmente a personalidades que se destaquem na produção do conhecimento nacional na prevenção e no combate ao câncer.

A escolha foi feita por um comitê formado por cientistas e especialistas ligados ao tema. A partir do próximo ano, o Icesp pretende inserir mais uma categoria, Pesquisa Nacional, que contemplará pesquisadores mediante inscrições.

Moraes é presidente do Conselho de Curadores da Fundação do Câncer e coordenador do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Formou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

É mestre em cirurgia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unido, foi presidente da Academia Nacional de Medicina de 2007 a 2009 e diretor do Instituto Nacional do Câncer por oito anos.

Foi membro fundador da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e da American Trauma Society. Participou da elaboração do Programa Nacional de Câncer na década de 1990.

Fonte: Agência FAPESP

4ª Olimpíada Nacional de Robótica (OBR)

Voltada a alunos e professores do ensino técnico, médio e fundamental, a 4ª Olimpíada Nacional de Robótica (OBR) está com inscrições abertas até o dia 27 de agosto.

A competição contará com provas teóricas e práticas ligadas à robótica e relacionadas ao conteúdo da série em que o estudante está matriculado, segundo explicou o coordenador do evento, Alexandre da Silva Simões, professor do campus de Sorocaba da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Serão selecionados e premiados os melhores desempenhos por escola, estado e de todo o país, que receberão medalhas e certificados. Os melhores classificados ainda ganharão a participação em um curso de robótica.

Em junho de 2011, os campeões brasileiros participarão competição internacional da RoboCup Federation, em Istambul, na Turquia.

Fonte: Agência FAPESP

Inaugurado o novo Centro Internacional de Pesquisa e Ensino do Hospital A.C. Camargo

Excelência centralizada
O novo Centro Internacional de Pesquisa e Ensino (Cipe) em Oncologia do Hospital A.C. Camargo deverá mudar os paradigmas de pesquisa na instituição e dará novo fôlego para os estudos sobre câncer no Brasil, de acordo com o diretor da Pós-Graduação do hospital, Fernando Soares.

A inauguração oficial do novo centro será nesta quinta-feira (5/8), integrada à programação do 3º Encontro de Patologia Investigativa e da 13ª Jornada Internacional de Patologia do Hospital A.C. Camargo. Os eventos são coordenados por Soares.

“O Cipe, para nós, é um grande sonho realizado. Somos um hospital de uma fundação privada com uma área de pesquisa em constante expansão. Com um investimento dessas dimensões, nossos estudantes agora têm à disposição um lugar adequado com todas as plataformas necessárias para a realização de pesquisa de ponta”, disse.

Segundo Soares, o A.C. Camargo é o único hospital privado do Brasil com cursos de pós-graduação stricto sensu reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mas o novo centro representa uma grande mudança completa na pesquisa da instituição.

“Tínhamos laboratórios de pequenas dimensões fazendo grande esforço para realizar pesquisa. Esses laboratórios foram redesenhados e transferidos para o Cipe. Agora, temos um centro com core facilities, plataformas bem desenvolvidas e organizadas e instalações excelentes para pelo menos 100 estudantes. Será sem dúvida um grande avanço para a nossa pesquisa”, afirmou.

No modelo antigo, cada laboratório dedicado a um tema pontual era dirigido por um professor. O novo centro, ao contrário, atenderá às demandas de todos os pesquisadores e professores, além do corpo clínico do hospital.

O Cipe terá suas pesquisas lideradas por dez cientistas e disponibilizará espaço para uma centena de estudantes, dos cerca de 180 alunos da pós-graduação do hospital. As atividades serão integradas às do Centro Antonio Prudente para Pesquisa e Tratamento do Câncer, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.

“A concepção do Cipe, com plataformas e ambientes comuns, naturalmente criará uma sinergia entre os pesquisadores, com mais interação e troca de ideias. O centro é um grande avanço para a nossa pós-graduação, assim como para o Cepid”, afirmou.

O Cipe será dirigido por Ricardo Renzo Brentani, presidente da Fundação Antônio Prudente, mantenedora do Hospital A.C.Camargo, e diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da FAPESP.

“Com recursos do próprio hospital, o Cipe recebeu investimentos de cerca de R$ 14 milhões para sua infraestrutura física. Esse valor não inclui os investimentos em plataformas e equipamentos, que foram financiados por agências de fomento”, explicou Soares.

Patologia translacional
A programação do 3º Encontro de Patologia Investigativa e a 13ª Jornada Internacional de Patologia – que teve início na quarta-feira (4/8), mescla a vertente investigativa da patologia à área diagnóstica e aplicada.

“O objetivo é apresentar os principais avanços da pesquisa básica com foco em suas aplicações. Portanto, trata-se de um evento eminentemente translacional”, disse.

Segundo Soares, uma das novidades da edição de 2010 é uma exposição de trabalhos científicos, integrada à programação do evento por sugestão de assessores da FAPESP. “Mais de 60 trabalhos de alto nível foram julgados por uma comissão ad hoc e estão sendo apresentados durante os eventos”, explicou.

Entre os 11 convidados internacionais que participam do evento, destaca-se Harald zur Hausen, do Centro de Pesquisa em Câncer de Heidelberg (DKFZ), na Alemanha. Em 2008, Hausen foi agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina por identificar a relação entre o papilomavírus (HPV) e os tumores como o de colo do útero.

“É importante observar que o professor Hausen não foi convidado apenas por ter sido laureado com um Nobel, mas principalmente porque a contribuição científica que lhe rendeu o prêmio teve relação com o câncer do colo de útero, que é uma doença altamente prevalente no nosso Brasil. Ele foi convidado especificamente pela importância que seu trabalho teve para a mulher brasileira”, disse Soares.

O evento foi aberto com a conferência “Estratégias com base em terapia celular para reparo de isquemia miocárdica”, apresentada por José Eduardo Krieger, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Krieger descreveu os novos tipos de abordagem na pesquisa relacionada aos tecidos do miocárdio lesados após infartos. Segundo ele, ao contrário de outros músculos do corpo, o miocárdio tem pouca capacidade regenerativa.

“A substituição do tecido muscular no coração ainda é um desafio. Há um grande esforço para estudar o uso de células como vetor para essa reconstrução. Uma possibilidade é o uso dos ‘curingas’ biológicos, como as células-tronco embrionárias, ou as células-tronco adultas reprogramadas”, disse.

Segundo Krieger, a engenharia de tecidos tem avançado há algum tempo e, agora, os pesquisadores estão procurando associá-la às abordagens que usam células como vetor. “Trata-se de um problema sério. A mortalidade do paciente com insuficiência cardíaca em fase avançada supera até mesmo a dos pacientes com câncer”, afirmou.

Para intervenções em situações agudas – horas, dias ou semanas após o infarto – os médicos procuram estimular a formação de novos vasos e inibir a morte celular, além de prevenir a expansão cardíaca e limitar a área de necrose. Em um segundo momento, alguns meses após o evento, além de estimular a angiogênese as alternativas são substituir os cardiomiócitos e reconstruir o músculo.

“Em 2001, um artigo na revista Nature demonstrou que a simples injeção de células-tronco provocava melhora nos pacientes. Foi uma revolução e o conceito passou a ser explorado. Mas, dois anos depois, outro artigo na mesma revista mostrava que aquela abordagem era um tanto inocente. De fato, a injeção de células-tronco provocava melhora, mas não pelas razões que se imaginava. Isto é, não havia de fato criação de novos vasos”, disse Krieger.

Atualmente, os pesquisadores estão procurando entender o mecanismo pelo qual a injeção de células-tronco melhora a situação do paciente. “Passamos para um novo patamar terapêutico. Temos muitos desafios pela frente: definir os tipos celulares mais adequados, estabelecer o número de células necessário e identificar rotas de administração e janelas terapêuticas, por exemplo”, disse.

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP