terça-feira, 3 de agosto de 2010

São Paulo Advanced School in Computing Image Processing and Visualization: participação de mais de 60 pós-graduandos


Conquista de cérebros
Mais de 60 estudantes de pós-graduação em ciências da computação brasileiros e estrangeiros tiveram a chance de interagir com alguns dos principais especialistas no mundo na área de processamento e visualização de imagens.

Realizada na capital paulista entre os dias 12 e 17 de julho, a São Paulo Advanced School in Computing Image Processing and Visualization (Escola São Paulo de Ciência Avançada em Processamento e Visualização de Imagens Computacionais) foi organizada pelo Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP), pelo Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC), do campus da USP em São Carlos (SP), e pelo Instituto de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Com coordenação de Carlos Eduardo Ferreira, professor do Departamento de Ciências da Computação do IME-USP, o curso foi organizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) – modalidade de apoio lançada pela FAPESP em 2009 de modo a criar oportunidades para que pesquisadores de São Paulo realizem cursos com a participação de especialistas internacionais e que tragam ao Estado jovens estudantes ou pós-doutores de outras regiões e países, possibilitando a interação com estudantes e pesquisadores locais e o debate de temas científicos avançados.

O evento cumpriu as expectativas dos organizadores, atraindo interessados de 14 países. A área de processamento e visualização de imagens, de acordo com Ferreira, vem ganhando crescente importância, à medida que pesquisas de uma vasta gama de áreas – que vão da astronomia à medicina – geram quantidade cada vez maior de dados, que precisam ser processados e apresentados aos usuários, o que requer o desenvolvimento de elaboradas interfaces para visualização.

A programação incluiu cinco minicursos, diversas palestras e apresentações institucionais dos programas de pós-graduação das universidades estaduais paulistas e da FAPESP.

Foram discutidos temas como “Análise e classificação de formas: abordagem estrutural e aplicações”, “Processamento de imagens utilizando grafos” e “Análise visual de dados multidimensionais”, entre outros.

“Para participar do evento, 40 estudantes tiveram apoio financeiro, sendo 13 brasileiros de fora da cidade de São Paulo e 37 estrangeiros da Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos, França, México, Reino Unido, Suécia, Grécia, Cuba, Peru, Uruguai e Venezuela. Outros 22 estudantes participaram por conta própria”, disse Ferreira.

Do total de 62 participantes, seis eram pesquisadores, 37 eram estudantes de doutorado, 19 de mestrado. Além da procedência e nível de formação, a diversidade dos estudantes também se refletiu nas áreas de atuação. Segundo Ferreira, essa é uma característica típica das áreas de fronteira de conhecimento como o processamento e a visualização, que têm inúmeras aplicações importantes em diversos campos.

“Tivemos 39 estudantes provenientes das áreas de programação, ciências da computação e matemática aplicada. Outros 15 trabalham com engenharia elétrica, controle de sistemas e robótica. Os oito restantes são do segmento de bioinformática, engenharia biomédica e ciências da vida”, explicou.

De acordo com Ferreira, a expectativa agora é que, depois de participar do curso, alguns dos estudantes estrangeiros e de outros Estados brasileiros venham a se interessar por cursos de pós-doutorado nas instituições que organizaram o evento.

“A parte mais importante é que notamos a formação de um ambiente de pesquisas perfeitamente adequado ao que projetamos. Os estudantes tiveram uma interação muito intensa entre si e com os professores. Vários dos participantes disseram que virão trabalhar conosco. Esperamos agora que essas expectativas se confirmem”, afirmou.

Próxima Escola
Além da programação científica, Ferreira destacou as palestras apresentadas, durante o curso, por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, e por Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação da área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP.

“As participações dos especialistas foram de alto nível, resultando em um intenso debate entre eles e com os alunos. Os estudantes apresentaram trabalhos e puderam ter retorno por parte de grandes especialistas da área. Já atualizamos no site do evento todas as palestra e transparências apresentadas. Com isso, estamos disponibilizando um material muito rico”, afirmou.

O evento teve a participação de docentes como Jayaram Udupa, do Departamento de Radiologia da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos), Alexandru Telea, do Departamento de Matemática e Ciência da Computação da Universidade de Groningen (Holanda), Roberto Marcondes Cesar Junior, do IME-USP – que é um dos membros da Coordenação da área de Ciência e Engenharia da Computação da FAPESP –, Alexandre Falcão, do IC-Unicamp, e Maria Cristina de Oliveira, Agma Traina e Rosane Minghim, as três do ICMC-USP.

O comitê organizador já está planejando a próxima edição do curso. “Nosso plano inicial era promover a Escola a cada dois anos, mas ficamos tão contentes com o resultado que já estamos discutindo a realização anual. Na próxima, queremos escolher um tema da computação que seja tão interessante como as áreas de processamento e imagens”, disse Ferreira.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Stereological and allometric studies on neurons and axo-dendritic synapses in the superior cervical ganglia of rats, capybaras and horses

Neurônios e sinapses quantificados
O gânglio cervical superior, localizado profundamente no início do pescoço, é um componente importante do sistema nervoso autônomo simpático. Seus neurônios inervam os vasos sanguíneos do cérebro, além de glândulas da cabeça e do pescoço, e participam ainda da inervação do coração.

Distúrbios no desenvolvimento do gânglio cervical superior podem provocar problemas como a síndrome de Horner (ou paralisia óculo-simpática), cujos principais sintomas são queda da pálpebra superior, constrição da pupila e transpiração diminuída em um dos lados da face. Estudos recentes apontam para uma relação direta de problemas no gânglio com os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos.

Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), com participação de cientistas das universidades Nottingham e College London, no Reino Unido, investigou os padrões de desenvolvimento do sistema nervoso autônomo – representado pelo gânglio cervical superior – em três espécies de mamíferos: ratos, cavalos e capivaras.

O trabalho teve resultados publicados na revista Cell and Tissue Research. De acordo com Antonio Augusto Coppi, responsável pelo Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA) do Departamento de Cirurgia da Faculdade de MedicinaVeterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, o objetivo da pesquisa foi investigar a relação entre o número de neurônios, sinapses (comunicação entre os dois ou mais neurônios) e o tamanho do gânglio cervical superior, além de avaliar como esses parâmetros se adaptam conjuntamente às diferenças de pesos corporais.

“Queríamos avaliar se há alguma relação entre a massa corpórea e o número de neurônios e de sinapses e o tamanho do gânglio durante o desenvolvimento, ou seja, se um animal com cerca de 400 quilos, como o cavalo, apresenta mais neurônios e mais sinapses, quando comparado aos de ratos, por exemplo, cujo peso corpóreo é 2 mil vezes mais leve”, disse .

O trabalho, intitulado “Inervação dos vasos cerebrais de roedores durante o desenvolvimento pós-natal: possíveis modelos para o estudo do acidente vascular cerebral (AVC)”, teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Segundo Coppi, trata-se do resultado de mais de seis anos de estudos, incluindo três pós-doutoramentos realizados na Inglaterra, além de teses orientadas pelo professor.

“Associamos e combinamos os mais modernos métodos de microscopia tridimensional a laser, microscopia eletrônica de transmissão – que é a única técnica de microscopia que permite identificar sinapses acuradamente – a ensaios químicos e imuno-histoquímicos, analisados por estatística espacial e estocástica. Infelizmente, muitos pesquisadores ainda insistem na quantificação de sinapses usando microscopia de luz e densitometria”, disse.

“Os dados disponíveis na literatura eram referentes ao estudo do gânglio superior cervical em ratos, mas não em grandes animais. No caso das capivaras, os pesquisadores não tinham acesso por se tratar de animal silvestre. Mas um dos dados inéditos é que quantificamos por estereologia tridimensional o número de sinapses que existem nesse gânglio e a convergência do número de sinapses para cada neurônio”, afirmou.

Segundo o estudo, no sistema nervoso autônomo de grandes animais predominam as sinapses do tipo axodendrítica (98%) – membrana pós-sináptica em um dendrito – em relação às sinapses axossomáticas (2%) – membrana no corpo celular. “Isso se deve ao fato de que os neurônios autonômicos de grandes animais têm dendritos ramificados (arborização complexa), o que facilita o contato sináptico do tipo axodendrítico”, explicou.

O gânglio cervical superior de grande mamíferos apresenta, em média, 5.473 vezes mais sinapses do que o gânglio de pequenos mamíferos, como os ratos, de acordo com a pesquisa. Outro dado intrigante é que a capivara tem 25% mais sinapses do que o cavalo, mostrando claramente que, ao menos entre essas duas espécies, o número de sinapses não está correlacionado ao peso corpóreo.

“Esperávamos que o cavalo tivesse mais sinapses, por ser bem maior. Além disso, a capivara também tem neurônios maiores (volume) do que o cavalo. Mas ainda não temos explicação para esses achados”, disse Coppi.

Na capivara, o estudo identificou neurônios com dois núcleos (binucleados), diferentemente do encontrado em ratos ou cavalos. “Não existe uma hipótese concreta no caso desses binucleados, mas a literatura explica que células binucleadas podem funcionar como uma reserva. Para atender a um aumento na demanda funcional e, neste caso, cada célula poderia se dividir originando duas outras”, sugeriu.

Total de sinapses
O gânglio cervical superior é formado por vários componentes, como neurônios, tecidos conjuntivos e vasos sanguíneos. Ao analisar qual componente cresce mais com o aumento do peso corporal, os pesquisadores verificaram curiosamente que era o tecido conjuntivo, e não o componente neural.

“O tecido conjuntivo do cavalo – quando comparado ao do rato – aumentou em quase 900%, por exemplo. Ele funciona como estrutura de sustentação, como se fosse um arcabouço para o gânglio”, disse Coppi.

Outro dado interessante, segundo o estereologista, é que ocorreu um aumento de 60% no número total de fibras mielínicas, devido à necessidade de condução mais rápida do impulso nervoso para a periferia do corpo mais desenvolvido desses grandes animais. Quanto ao número de sinapses para cada neurônio, os grandes animais (capivaras e cavalos) têm em média 48% mais sinapses quando comparados ao rato.

Nas próximas etapas da pesquisa, o grupo liderado pelo professor da FMVZ-USP investigará o que ocorre com as sinapses de uma mesma espécie de mamífero durante o desenvolvimento pós-natal.

“Quando o animal se torna idoso, será que o número de sinapses diminui ou aumenta? Se houver uma diminuição do número de sinapses do gânglio, isso poderá comprometer a inervação dos vasos cerebrais, causando uma maior propensão a acidentes vasculares cerebrais?”, questionou.

“O estudo aponta novas direções para linhas de investigação científica, com enfoque na neuroplasticidade do sistema nervoso autônomo e implicações nos acidentes vasculares cerebrais do tipo hemorrágico, os quais podem ser consequência de distúrbios da inervação simpática da parede dos vasos sanguíneos cerebrais”, disse Coppi.



Mais informações sobre a pesquisa pelo site  lssca, pelo  e-mail   ou (11) 3091-1214.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Univesp/USP: vagas abertas para licenciatura em ciências

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) receberá, até 13 de agosto, inscrições para o processo seletivo do curso de Licenciatura semipresencial em Ciências Univesp/ USP . As inscrições podem ser realizadas no site da Fuvest e a taxa, de R$ 25, deve ser paga até o dia 16 de agosto em qualquer agência bancária. O boleto é gerado no ato da inscrição.

O curso é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Ensino Superior do Estado de São Paulo, no âmbito do Programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), e a Universidade de São Paulo (USP).

Estão sendo oferecidas 360 vagas nas cidades de Piracicaba, Ribeirão Preto, São Carlos e São Paulo (90 vagas em cada). O exame vestibular será em 12 de setembro. Os candidatos farão uma prova de conhecimentos gerais, com 50 testes de múltipla escolha, cada um com cinco alternativas, além de uma redação, que vale 30 pontos. Os locais de prova serão divulgados no dia 3 de setembro no site da Fuvest.

As matrículas serão realizadas nos dias 4 e 5 de outubro em primeira chamada e 13 de outubro para a segunda chamada. Os endereços e horários para matrícula serão informados juntamente com a divulgação da primeira lista de aprovados. O início das aulas será em 18 de outubro de 2010.

O aluno terá de cursar uma carga horária total de 2.835 horas, dividida em oito módulos temáticos. Cerca de 1.800 horas correspondem aos conteúdos de formação, 405 horas são referentes ao estágio supervisionado e 210 horas serão destinadas às atividades acadêmico-científico-culturais.

As atividades presenciais e não-presenciais serão subsidiadas por material impresso, articuladas com as demais atividades no ambiente virtual de aprendizagem e na programação da Univesp TV, construída sob a coordenação dos professores especialistas da USP, em parceria com a Fundação Padre Anchieta.

O novo curso tem como objetivo formar profissionais capacitados para atuar na educação básica, com foco na educação científica. A nova graduação terá cerca de 52% da carga horária desenvolvida por atividades a distância, possibilitando que professores em exercício possam cursá-la.

O curso de Licenciatura em Ciências é o segundo no âmbito da Univesp, criada em outubro de 2008 com o objetivo de ampliar o acesso à educação superior pública, em parceria com as três universidades paulistas e com o Centro Paula Souza. Já está funcionamento o curso de Graduação em Pedagogia Semipresencial, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Fonte: Agência FAPESP

Unicamp: vagas para professor doutor

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu processo seletivo para contratação de professores doutores para atuar em diferentes departamentos em regime de tempo parcial (RTP), nível MS-3.

Há uma vaga para o Instituto de Biologia nas áreas de Anatomia do Sistema Cardiorrespiratório, Anatomia do Sistema Digestório e Anatomia do Sistema Urogenital, do Departamento de Anatomia, Biologia Celular, Fisiologia e Biofísica.

Na Faculdade de Educação, há quatro oportunidades, para as áreas de: Teoria das Organizações, Cultura e Educação, Psicologia Educacional e História da Educação.

Há uma vaga em aberto na Faculdade de Ciências Médicas no Departamento de Patologia Clínica. O selecionado atuará no conjunto das disciplinas Análise Bromatológica e Controle de Qualidade de Alimentos; Controle de Qualidade Físico e Químico de Medicamentos e Cosméticos; e Controle de Qualidade Biológico de Medicamentos e de Cosméticos.

Também há uma vaga no Instituto de Química na área de Química Inorgânica com ênfase em Materiais Inorgânicos Nanoestruturados.

O concurso será constituído de prova didática, de título e de arguição. Mas há pesos diferentes para cada uma das etapas a depender do edital. As inscrições se encerram de 13 agosto a 13 de setembro, dependendo do edital.

Fonte: Agência FAPESP