segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Lipids, mitochondria and cell death: implications in neuro-oncology

Desafio do glioma 
A ciência ainda sabe pouco sobre os mecanismos de desenvolvimento dos gliomas e de outros tipos de câncer cerebral. Mas, nos últimos anos, estudos in vivo e in vitro demonstraram que determinados ácidos graxos poliinsaturados (AGPI) inibem a proliferação desses tumores e induzem à morte celular, além de aumentar a eficácia da radioterapia e da quimioterapia.

Um grupo de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) está trabalhando para compreender o metabolismo dessas células tumorais e, a partir daí, identificar alvos para o desenvolvimento de novas drogas antitumorais com base em AGPI como os eicosanoides e os ácidos gama-linolênicos.

Durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, realizado de 24 a 27 de julho, em São Paulo, Alison Colquhoun, coordenadora do Laboratório de Metabolismo da Célula Tumoral do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, apresentou uma síntese do conhecimento gerado por sua equipe nos últimos anos sobre gliomas, morte celular e a potencial utilidade dos AGPI para tratamentos neuroncológicos.

Alison, que é professora do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB-USP, discutiu o mesmo tema em artigo de revisão que será publicado na edição de agosto da revista Molecular Neurobiology. A versão on-line já está disponível.

Seus estudos sobre o metabolismo de células tumorais vêm sendo desenvolvidos ao longo de toda a sua carreira, mas nos últimos cinco anos o foco do laboratório tem sido dirigido aos gliomas e outros tumores cerebrais.

“Depois de orientar uma dissertação de mestrado sobre câncer cerebral, a dificuldade de tratamento desses tumores estimulou meu interesse sobre o tema. Sabemos muito sobre câncer de mama e colorretal, por exemplo, mas pouco sobre os tumores cerebrais, pois há grande dificuldade em se conseguir material para os estudos”, disse Alison.

Mesmo antes do primeiro trabalho em neuroncologia, Alison estudava os efeitos dos AGPI sobre o metabolismo das células tumorais. A partir de 2002, orientando a pesquisa de mestrado de Karina Lawrence Ramos – com bolsa da FAPESP –, a professora começou a observar os efeitos de determinados AGPI em um uma linhagem C6 de glioma de ratos.

“Essa linhagem de ratos é um modelo muito utilizado para esse tipo de estudos – os animais não precisam ser imunodeprimidos e, por isso, o uso é muito prático”, afirmou.

Os estudos seguiram em direção aos efeitos dos AGPI e flavonoides em tumores cerebrais, observando como essas substâncias afetavam o metabolismo tumoral, induziam à morte celular e interferiam com a capacidade migratória das células cancerosas. “Ao longo dos anos, vários alunos trabalharam conosco em seus doutorados estudando o controle do ciclo celular e publicamos diversos trabalhos sobre o tema”, disse.

Entre 2003 e 2009, Juliano Miyake desenvolveu seus estudos de doutorado sob a orientação de Alison, no ICB-USP e na Universidade de Bradford, na Inglaterra. Utilizando o modelo de glioma de rato, Miyake estudou os efeitos de lípides bioativos.

Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudante teve a viagem financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Royal Society. A análise dos dados, utilizando os equipamentos dos laboratórios ingleses, foi financiada pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O estudo demonstrou que o ácido gama-linolênico, uma gordura presente em óleos vegetais, afeta o processo de angiogênese – o mecanismo de crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes –, fazendo com que o tumor perca alimentação e diminua de tamanho.

“Começamos então a identificar diversos lípides bioativos que são derivados de AGPI e que potencialmente podem estar envolvidos em seus mecanismos de ação sobre os tumores. Estamos focando os estudos nessa área, tentando entender o papel desses lípides bioativos na invasão celular de tumores cerebrais”, disse Alison.

Possíveis tratamentos
Segundo a professora do ICB, um projeto nessa área está sendo desenvolvido junto à Santa Casa de São Paulo. “Estamos esperando a aprovação na comissão de ética, para que possamos trabalhar com tumores cerebrais primários em pacientes. O objetivo é fazer a ponte entre nossa pesquisa básica e as possíveis aplicações clínicas”, afirmou.

Há um ano, o grupo coordenado por Alison demonstrou a interferência dos AGPI no desenvolvimento dos tumores cerebrais em rato. “Quando usamos bombas osmóticas que levam o AGPI para dentro do tumor, houve um efeito considerável. Dissecando a via metabólica, vimos que havia modificações em alguns genes envolvidos no mecanismo celular, além de interferência no metabolismo mitocondrial, induzindo à morte celular. E, o principal: houve inibição da angiogênese”, destacou.

Alison conta que o efeito de inibição da angiogênese não era esperado. “Foi aí que começamos a pensar nos lípides bioativos, pois sabíamos que eles causam reações nos vasos sanguíneos”, disse. A partir de então, as pesquisas tomaram a direção de investigar a ação sobre a angiogênese.

Com a colaboração da Universidade de Bradford, sob coordenação de Anna Nicolaou, o grupo está analisando o perfil de eicosanoides presentes nos tumores cerebrais. Segundo Alison, as pesquisas também contam com a importante colaboração da equipe de Denise de Oliveira Silva, do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da USP (IQ).

“Queremos identificar quais são os lípides bioativos presentes no tumor, assim como nos tecidos de controle e nos que passaram por tratamento. A partir disso, vamos buscar a comparação com o que ocorre em humanos”, explicou a professora.

A cientista conta que existem no mercado diferentes antagonistas de lípides bioativos. A questão é conseguir identificar um eicosanoide importante para esses tumores. “Queremos saber se com uma droga que interage com esses receptores ou com a via de síntese de determinado eicosanoide podemos desenvolver tratamento antitumoral”, disse.

Veja o resudo do artigo Lipids, mitochondria and cell death: implications in neuro-oncology , de Alison Coulqhoun.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Rondônia terá banco sobre semente nativa


Rede de entidades do estado está coletando informações sobre as espécies crioulas, que não sofrem modificação genética artificial

Uma rede de entidades de Rondônia deve publicar, até o final de agosto, um banco de dados sobre sementes crioulas — aquelas que não sofrem modificação genética artificial e são aprimoradas pelo manejo dos agricultores ao longo do tempo. A ideia é registrar e divulgar as informações sobre os tipos dessas sementes no estado e contribuir para a manutenção da agricultura familiar local

O projeto é uma iniciativa da Articulação Rondoniense de Agroecologia, que reúne organizações e entidades governamentais e não governamentais, e tem apoio do Ministério do Meio Ambiente,  e do PNUD

De acordo com o coordenador dos trabalhos, o engenheiro agrônomo Cesar Augusto Dutra da Rosa, em cerca de um mês as informações geradas pelo cadastramento das sementes já estarão disponíveis para consulta pública, por meio do site do ministério e a da COOCARAM (Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua), um dos organismos envolvidos na ação.

As sementes crioulas são resultado do manejo executado pelas comunidades tradicionais ao longo dos séculos, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e caboclos. O método de seleção resume-se apenas à coleta de sementes de espécimes que mostraram, dentro de uma dada população, uma ou mais características desejáveis, como potencial de alto rendimento ou resistência a doenças. Estas são normalmente utilizadas para o plantio da safra seguinte. Foi por intermédio desse procedimento que as populações indígenas da América Latina selecionaram, por exemplo, o milho conhecido atualmente.

O banco de dados será constituído por informações fornecidas por 250 famílias de agricultores familiares de Rondônia, segundo Dutra Rosa. Destas, 180 já responderam às perguntas contidas em um questionário. As demais deverão enviar os dados nos próximos dias. Assim, ao final dos trabalhos, o projeto reunirá uma parte significativa do chamado conhecimento tradicional acerca das sementes crioulas.

“Com isso, será possível contribuir para a manutenção da soberania alimentar dessas comunidades. Além disso, o projeto ajudará a fomentar o uso de sementes mais adaptadas ao ecossistema local, diminuindo assim possíveis impactos, e concorrerá para o intercâmbio, o resgate e a valorização do saber popular”, destaca o coordenador dos trabalhos.

Conforme o também engenheiro agrônomo Luiz Carlos Balcewicz, assessor técnico da Gerência de Recursos Genéticos do  Ministério do Meio Ambiente a maior parte das sementes crioulas em questão é de plantas alimentícias, como mandioca, feijão, milho, arroz, amendoim e frutíferas nativas. “Contudo, também podem ser incluídas na relação as plantas aromáticas, melíferas, medicinais e as espécies de adubo verde, florestais e forrageiras, dentre outras, todas importantes para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das populações locais”, salienta.

Manuel Alves Filho /PrimaPagina - PNUD

55º Prêmio Fundação Bunge: anunciados os ganhadores


Na área de “Saúde Pública/Medicina Preventiva”, Raw foi o contemplado na categoria “Vida e Obra” e Ribeiro em “Juventude”. Na área “Ciências Florestais”, Higuchi foi agraciado na categoria “Vida e Obra” e Souza na “Juventude”.

Para a categoria “Vida e Obra” são escolhidas obras de especialistas já reconhecidas, e na “Juventude”, jovens de até 35 anos que tenham defendido teses de mestrado ou doutorado ou se sobressaído com algum trabalho nos ramos de premiações. Os prêmios são de R$ 100 mil (“Vida e Obra”) e R$ 40 mil (“Juventude”).

A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 13 outubro na Sala São Paulo. No dia seguinte, será realizado o Seminário Internacional FAPESP-Fundação Bunge, na sede da FAPESP, com a participação de especialistas nos temas do prêmio.

Raw é pesquisador do Instituto Butantan e pesquisador aposentado da Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de bioquímica de macromoléculas com ênfase em proteínas. Sua atuação principal atualmente é no desenvolvimento de vacinas e biofármacos.

Ingressou na Faculdade de Medicina da USP em 1945 e já no segundo ano do curso começou a dar aulas. Fundou a Editora da Universidade de São Paulo (1960) e da Universidade de Brasília (1961), dirigiu a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (Funbec), criou a Fundação Carlos Chagas e o Curso Experimental de Medicina da FMUSP. Em 1969, o cientista teve seu diploma cassado e foi aposentado compulsoriamente.

Durante o período em que esteve fora do país, Raw desenvolveu pesquisas em universidades norte-americanas e em Israel, onde foi diretor do Projeto de Educação em Saúde da Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura (Unesco). Passou por instituições como a Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, e a Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),nos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, tornou-se em 1985 presidente da Fundação Butantan e responsável técnico-científico do Centro de Biotecnologia. Desde então é grande fomentador da ciência produzida ali e contribuiu para que o instituto se transformasse no grande centro produtor de vacina no país.

Niro Higuchi é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e membro de corpo editorial das revistas Acta Amazonica, Cerne e Floresta. Tem experiência em recursos florestais e engenharia florestal, com ênfase em manejo florestal.

Foi o único engenheiro florestal que participou da produção de diferentes documentos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007.

Higuchi é graduado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná, ( UFPR) com mestrado em Engenharia Florestal pela mesma universidade, doutorado pela Universidade do Estado de Michigan (EUA) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford, Reino Unido.

Fadigas de Souza é professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Formado em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Úrsula (USU), mestre e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pós-doutorado em Ecologia de Populações pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Seu trabalho tem sido importante no entendimento dos padrões de sucessão de florestas de araucária. Desenvolveu o primeiro trabalho brasileiro que utilizou ferramentas de geoestatística para detectar padrões de conservação e degradação florestal.

Ribeiro é professor de epidemiologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde se formou em medicina. Fez residência em infectologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), mestrado em epidemiologia na Escola Harvard de Saúde Pública, nos Estados Unidos, e doutorado em biotecnologia em saúde e medicina investigativa pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

Os candidatos ao Prêmio Fundação Bunge não são inscritos, mas indicados por dirigentes de universidades e entidades culturais e científicas. Uma comissão técnica, composta por cinco membros, sendo um do exterior, em cada área de premiação, seleciona os pesquisadores em cada ramo do conhecimento na categoria "Vida e Obra", indicando-os para a decisão do grande júri. No caso dos jovens talentos, a comissão técnica escolhe diretamente os homenageados do ano.

Criada em 1955, a Fundação Bunge, entidade social das empresas Bunge no Brasil, tem atividades focadas na área da educação, com ênfase no ensino fundamental. Valoriza o conhecimento, incentiva o voluntariado e promove ações educativas e de preservação da memória empresarial.

Dentre as iniciativas realizadas, destacam-se o programa de voluntariado corporativo Comunidade Educativa, o Centro de Memória Bunge, o Prêmio Fundação Bunge e o Prêmio Professores do Brasil, além do ReciCriar – A Pedagogia do Possível.

O presidente do conselho administrativo da Fundação Bunge é Jacques Marcovitch, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP. Entre os integrantes do conselho estão Celso Lafer e Carlos Henrique de Brito Cruz, respectivamente, presidente e diretor científico da FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP

Museus brasileiros reavaliam a segurança de seus acervos científicos

Acervos protegidos
Um incêndio ocorrido na manhã de 15 de maio deste ano destruiu grande parte do maior acervo de serpentes no Brasil. Como muitas das espécies carbonizadas nem sequer haviam sido descritas, a tragédia do Instituto Butantan, em São Paulo, representou um prejuízo à ciência que não pôde ser calculado.

O acidente motivou um debate sobre as condições dos museus brasileiros de história natural durante a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada na semana passada em Natal (RN).

O curador da coleção de herpetologia do Butantan, Francisco Luiz Franco, o diretor do Museu Paraense Emilio Goeldi, Nilson Gabas Júnior, e a diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Cláudia Rodrigues Carvalho, participaram de uma mesa-redonda coordenada pelo herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues, professor da Universidade de São Paulo (USP), para tratar do assunto.

“Laboratórios de física ou de química podem ser reconstruídos após um acidente, mas a perda de coleções naturais é irreparável”, disse Trefaut ao abrir o encontro. Segundo ele, o acidente no maior acervo brasileiro de serpentes e artrópodes deverá suscitar mudanças e fazer o país se dar conta da importância desse material.

Ao relembrar o incêndio, Franco contou a história da coleção que continha mais de 85 mil serpentes, que teve início no fim do século 19 por meio de uma campanha do fundador do instituto, o médico Vital Brazil.

Fundado inicialmente para combater a peste bubônica que atingia a população da Baixada Santista, o Instituto Butantan logo absorveu as pesquisas de seu fundador no desenvolvimento de soros antiofídicos. Para tanto, Brazil precisava de serpentes que fornecessem veneno, a matéria-prima para os antídotos.

Uma campanha nacional foi lançada pedindo à população o envio de serpentes capturadas. Exemplares de todo o Brasil começaram a ser enviados à instituição paulistana, contando com transporte gratuito dos Correios, das Forças Armadas e de companhias de estradas de ferro.

A maior parte da coleção destruída pelo incêndio foi formada desse modo, com exemplares doados pela população durante mais de um século. “As perdas também incluem parte da história do Brasil, informações sobre a alternância das culturas e muitos outros dados que esses animais guardavam”, lamentou Franco.

O trabalho de recuperação dos exemplares remanescentes ainda não acabou. Animais e partes recuperadas foram armazenados em cem galões de 50 litros cada um e serão catalogados.

Franco espera ter recuperado entre 15% e 20% da coleção de serpentes e entre 40% e 50% do acervo de aranhas. Os pesquisadores do Butantan já retiraram em bom estado 370 das quase mil espécies de cobras armazenadas e esperam que o número chegue a 500. “Esperamos recuperar 50% dos tipos de serpentes e 80% de artrópodes e ainda 60% de materiais emprestados de outras instituições”, disse.

Como lição da tragédia, Franco listou uma série de medidas que poderiam ter minimizado os prejuízos, como a valorização dos dados digitalizados das coleções e a distribuição de exemplares. O Butantan construirá um novo prédio para abrigar a coleção remanescente.

Fazer permuta de materiais e aumentar o intercâmbio com outras instituições são meios de manter exemplares em locais diferentes de modo a reduzir os riscos de desaparecimento de espécies.

Outro ponto importante é o aumento na valorização dos acervos do gênero em todo o Brasil. “Esse acidente deve fortalecer os acervos semelhantes, que agora tiveram sua importância aumentada, pois deverão cobrir a demanda que o Butantan supria”, destacou Franco.

Proteção aumentada
Essas outras coleções nacionais estão concentradas em poucos lugares, segundo Gabas, diretor do Goeldi. “Cerca de 80% das coleções biológicas do Brasil estão em apenas três instituições: Museu de Zoologia da USP, Museu Nacional do Rio de Janeiro e Museu Paraense Emílio Goeldi”, disse.

Guardião de um herbário com mais de 190 mil exsicatas (exemplares vegetais), além de numerosos registros de invertebrados, artrópodes, macacos e moluscos, o museu paraense sofre com problemas semelhantes aos da instituição paulista.

“Dois dias antes do acidente no Butantan, fizemos uma reunião visando a evitar o estoque de álcool no museu”, disse Gabas. Por causa de uma licitação anual para a compra do produto, a quantidade do líquido necessário para um ano inteiro era entregue de uma só vez. O grande volume fazia com que pesquisadores armazenassem álcool em suas salas e até em alguns corredores do museu. A solução foi determinar o parcelamento da entrega.

No ano passado o Goeldi sofreu um princípio de incêndio, que foi controlado pelos funcionários antes que atingisse maiores proporções. Como resultado, a instituição iniciou um programa sofisticado de proteção contra incêndio, no valor de R$ 1,5 milhão, que envolve detectores de calor e fumaça e disparadores de dióxido de carbono nos ambientes.

Além disso, o museu investiu na reforma do sistema elétrico e pretende substituir os condicionadores de ar, adquirir armários à prova de fogo e compactar as coleções pela utilização de armários deslizantes.

Falta de curadores
Cláudia Carvalho, que administra os 15 milhões de peças que compõem o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, falou no debate sobre os principais problemas enfrentados pela instituição criada em 1818 por D. João VI, como falta de espaço, infraestrutura inadequada e orçamento insuficiente.

Para complicar, toda reforma precisa de um parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma vez que o Museu Nacional ocupa um edifício tombado que foi residência da Família Real portuguesa.

O museu já sofreu infestação de cupins e o acervo está concentrado no prédio histórico. A distribuição das peças em novos prédios está ameaçada até pela Copa do Mundo de 2014. “O estádio do Maracanã é vizinho na área do museu e boa parte de sua área externa poderá vir a ser usada nas obras de ampliação previstas”, disse Cláudia.

A diretora também reclama da falta de curadores especializados. “As atividades curatoriais não fazem parte da carreira acadêmica e não são atraentes para o docente”, frisou.

Até a terceirização de mão de obra é crítica para um museu, segundo a diretora, uma vez que a manutenção das peças exige cuidados especiais e treinamento de pessoal. Como a rotatividade de terceirizados é maior, especialistas do museu têm que dedicar parte do seu tempo para treinar constantemente esse pessoal.

A situação dos museus levou os participantes a sugerir uma moção, solicitando a valorização, a preservação e o crescimento dos acervos científicos nacionais.

“O desenvolvimento de um estudante que cresce ao lado de uma coleção científica é muito mais rico, por isso devemos diversificar e partilhar essas coleções”, disse Trefault.

Fonte: Fabio Reynol/Agência FAPESP

2º Encontro Nacional de Inovação Tecnológica em Biotecnologia (Enconit-Biotec)

A Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) realiza, de amanhã (3) até quinta-feira (5), na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, o 2º Encontro Nacional de Inovação Tecnológica em Biotecnologia (Enconit-Biotec).

O objetivo é apoiar a difusão da inovação tecnológica pelas empresas incubadas e pelas micro e pequenas empresas, por meio de treinamento em gestão empresarial, divulgação da inovação tecnológica e apoio à criação de ambiente propício para a aproximação entre investidores e empresas.

No dia 3 serão realizadas palestras de capacitação em “Plano de Negócios”. Já nos dias 4 e 5 acontecem palestras e discussões sobre projetos de empresas de biotecnologia no “Encontro de MPE de Biotec”. O evento é dirigido a empresas incubadas, micro e pequenas empresas de biotecnologia, investidores, estudantes e pesquisadores.

O encontro conta com a parceria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fiemg e as entidades Sindusfarq e Minas-Biotec.

Fonte: Gestão CT

Portal Saúde Direta oferece vários serviços gratuitamente para médicos

Portal médico oferece prontuário eletrônico 

Um dos problemas enfrentados pelos médicos é a prescrição de medicamentos. Estima-se que existam atualmente cerca de 11 mil apresentações de produtos no mercado.

Diante de tamanha oferta, torna-se difícil lembrar nomes de produtos, suas apresentações e complicações. Para auxiliar os médicos na prescrição de medicamentos, um grupo de profissionais formados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu um portal de serviços médicos, o Portal Saúde Direta.

O Portal Saúde Direta – de uso livre e gratuito para os médicos – conta com um prontuário eletrônico de pacientes. Nele, encontram-se ferramentas prescricionais, banco de dados de medicamentos, análise automática de interações medicamentosas e impressão de receitas, entre outros serviços.

Se o médico prescrever um medicamento para um paciente idoso, por exemplo, e esse estiver usando vários medicamentos ao mesmo tempo, é possível detectar imediatamente qualquer interação entre as 155 mil possíveis que estão no banco de dados disponível.

O projeto é desenvolvido no Centro de Incubação de Empresas Tecnológicas da USP e surgiu a partir da criação da ONG Saúde Direta, em 2003.

Fonte: Agência FAPESP

Zig-Zaids - Jogo sobre Aids da Fiocruz tem nova versão

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma versão atualizada do jogo digital Zig-Zaids, cujo objetivo é fornecer informações a jovens sobre o vírus da Aids e doenças sexualmente transmissíveis. O jogo pode ser baixado gratuitamente pela internet.

Desenvolvido pelo Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, o jogo é indicado para maiores de 12 anos e pode ser utilizado em escolas, no ambiente familiar, em espaços não formais de ensino, nos serviços de saúde e em espaços de lazer.

Segundo a Fiocruz, o conteúdo da nova versão é resultado de um conjunto de análises críticas sobre as limitações das ações restritas à informação biomédica sobre Aids e avaliações sobre o alcance e adequação do material.

O processo de revisão incluiu avaliação em escolas da rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro e parecer do Ministério da Saúde. Na nova edição há mais informações sobre diagnóstico, dados epidemiológicos e direitos sexuais e reprodutivos de portadores de HIV.

A Fiocruz desenvolve alguns jogos educativos voltados para crianças e adolescentes, como o Jogo da Onda, que procura esclarecer dúvidas e promover reflexões sobre a prevenção da Aids, e o Trilhas, que realiza um passeio cultural e científico pelo Estado do Rio de Janeiro, além de um CD interativo sobre dengue.

A entidade faz doação de cópias do Zig-Zaids para instituições públicas e órgãos da sociedade civil mediante o recebimento de solicitação pelo e-mail  ou por carta encaminhada à: Fundação Oswaldo Cruz, Pavilhão Lauro Travassos LEAS, sala 22, Avenida Brasil 4.365, 21045-900, Rio de Janeiro - RJ.

Para fazer download do jogo acesse a página

Fonte: Agência FAPESP