terça-feira, 20 de julho de 2010

Bioestatística em Outras Palavras

O ensino de estatística envolve fórmulas matemáticas complexas e consiste um desafio para os educadores. Um novo livro tenta facilitar a tarefa ao buscar o apoio da literatura e da filosofia para mostrar a beleza dessa ciência.

Bioestatística em Outras Palavras, de Júlio César Rodrigues Pereira, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), enfoca a aplicação de estatística às ciências biológicas e da saúde, nas quais é essencial ao planejamento, coleta, avaliação e interpretação de dados obtidos em pesquisas. A estatística utiliza teorias probabilísticas para explicar a frequência da ocorrência de eventos.

“A ideia é quebrar preconceitos disseminados no ensino da estatística. Procurei usar a estrutura lógica para tornar o assunto de mais fácil compreensão. A lógica descobre como pensamos e organizamos tais pensamentos e consegue representá-los com fórmulas matemáticas sem reduzi-los a isto, ou seja, fórmulas são representações das ideias, não as ideias”, disse Pereira. O livro teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

O médico epidemiologista ressalta que seu livro não pretende ensinar estatística, mas convidar a aprendê-la, tentando oferecer “em outras palavras” uma oportunidade de familiarização com a estrutura conceitual básica da estatística.

A aproximação da literatura com estatística permeia partes da obra, presente inclusive no título “Outras palavras”, que faz uma referência a Guimarães Rosa. “A estatística e a literatura falam sobre as mesmas coisas de formas diferentes. Quando alguém vê essa analogia, começa a perder o preconceito”, afirmou.

Para explicar a relação de existência, Pereira usa uma passagem de Grande Sertão Veredas, em palavras do personagem Riobaldo: “O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma?”.

“Ao citar essa passagem tento mostrar a noção de ‘existência’ para sugerir que a cachoeira só existe na relação da água com o barranco. Com essas analogias, os alunos vão descobrindo e se entusiasmando”, disse.

Para explicar o conceito de mediana, por exemplo, Pereira usa a descrição que Machado de Assis faz da personagem Conceição no conto Missa do Galo: “Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era talvez o que chamamos uma pessoa simpática”.

“Mediana é o ponto que separa um lado do outro das ocorrências. É um ponto que não é nada. Só separa. Mas, no livro, precisamos de dez páginas para enfocar o conceito de média e mediana”, disse Pereira.

“A literatura é o recurso que encontrei, mas conhecer o mundo pela estatística é estabelecer essas relações por meio de alguma representação simbólica, que também poderia ser a música, por exemplo”, disse ao destacar que a obra é destinada a estudantes e pesquisadores sem conhecimentos prévios de estatística.

A obra foi elogiada pelo filósofo Newton Da Costa, primeiro brasileiro a ser membro do Instituto Internacional de Filosofia, de Paris (França), que escreve o prefácio. Segundo Da Costa, o livro de Pereira poderá vir a ser um marco no ensino da estatística “e seu autor merece os maiores elogios pelo seu esforço e pela renovação didática e pedagógica à qual deu origem”, assinalou.

Relações
O livro está dividido em três partes, nas quais são estabelecidas “relações”. “A ideia de organizar a obra em relações vem da tradição da filosofia da ciência, ou seja, da percepção de que conhecer não é outra coisa se não estabelecer relações”, explicou.

No primeiro capítulo, o que usualmente, no ensino de estatística, é definido como “estatísticas descritivas/probabilidades” é chamado pelo autor de “relações de existência”. No segundo, em vez de “testes de hipótese”, tem-se “relações de ordem”. Por fim, “relações de dependência” ocupam o lugar do tradicional “regressão/associação”.

Nas relações de existências, são apresentados os tipos de medidas, conceitos de média, mediana, moda, medida de conjunto, tamanhos da amostra, entre muitos outros.

No segundo capítulo, são analisados os “juízos sobre grande e pequeno, maior e menor”, “Erros de julgamento sobre igualdade e diferença”, entre outros tópicos. Já no último (relações de dependência) o autor apresenta os “juízos sobre causa e efeito”, possibilitando o reconhecimento de dependência e inferência de causa e efeito.

“Ajuizar ordem entre coisas é julgar se uma é melhor ou pior que a outra, se uma antecede a outra, ou seja, diferentes designações de uma relação que pode ser resumida em igual, maior ou menor. Em outras palavras, duas coisas são iguais quando a diferença entre elas é nula e são diferentes quando a diferença não é insignificante”, disse.

Segundo Pereira, a última parte da obra é justamente entender o porquê das coisas. “Depois de ter reconhecido coisas (relações de existência) e a ordem entre elas (relações de ordem), a curiosidade convida-nos a questionar por que algo existe e por que uma coisa é maior do que a outra, ou seja, busca-se a causa ou então teremos de retornar ao problema inicial, que é a questão da existência”, reforça.

O motivo, segundo o autor, é buscar a “simplicidade lógica subjacente a esses procedimentos de análise estatística”, de modo que o estudante possa estar mais bem preparado para seguir marcha “rumo a uma complexidade crescente”.

“A primeira parte, ou melhor, a primeira relação, é a relação com o mundo. O aluno aprende a descobrir se os fenômenos estão de fato ocorrendo. A segunda parte expõe a relação com o que observamos e que permite destacá-los. E a última parte investiga se um fenômeno depende de outro”, disse Pereira.

Segundo o autor, ao contrário da filosofia, a ciência escapa da arguição filosófica sobre a existência das coisas. A representação formal em estatística é feita por números, e as coisas são reconhecidas por medidas que as qualificam por meio de proposições que permitem a construção de um argumento com o qual se pode alcançar uma conclusão.

“A estrutura desse raciocínio é chamada de silogismo e o procedimento pelo qual se alcance uma conclusão é uma regra de inferência, isto é, o silogismo é um procedimento de cálculo entre proposições, e sua conclusão é uma inferência dedutiva, que será considerada válida ou inválida”, disse.

Cada parte tem no final um resumo que, segundo o autor, a critério do leitor pode ser o “ponto de partida ou uma revisão do que estudou”. O livro também traz uma série de exercícios.

“É impossível ensinar todas as técnicas de estatísticas, uma vez que surgem novas necessidades a cada dia com o desenvolvimento da tecnologia, mas se o aluno entender a estrutura conceitual que o livro ensina poderá aprender com muito mais facilidade”, disse o autor.

Mais informações: www.edusp.com.br

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

IEL: Coletânea aborda direito autoral

Uma coleção composta por três publicações aborda conceitos e recomendações relativas à propriedade de bens intelectuais. Editados pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), os livros são direcionados para estudantes, professores, jornalistas e empresários e objetivam colaborar com o fortalecimento da inovação no país.

As publicações, disponíveis para download neste link, fazem parte do Programa de Propriedade Intelectual para a Inovação na Indústria, lançado em 2006, que disponibiliza, ainda, um curso online sobre a temática.

Cada livro traz linguagem, programação visual e outros recursos em sintonia com o perfil do público-alvo. A coletânea é composta pelas publicações: “A caminho da inovação: Proteção e negócios com bens de propriedade intelectual”; “Inovação e Propriedade Intelectual: Guia para o docente”; “Proteção da criatividade e inovação: Entendendo a propriedade intelectual – Um guia para jornalistas”. (Com informações do Tecpar)

Fonte: Gestão CT

A Importância do Imprinting Genômico para a Compreensão da Psicologia Humana e dos Transtornos Pediátricos

BIOLOGIA EVOLUTIVA
Robert Trivers faz conferência sobre genômica e psicologia

O biólogo evolucionista Robert Trivers (Universidade Rutgers, EUA), considerado um dos mais influentes teóricos do evolucionismo em atividade, faz a conferência "A Importância do Imprinting Genômico para a Compreensão da Psicologia Humana e dos Transtornos Pediátricos" no dia 4 de agosto, às 15h, no Instituto de Biociências (IB) da USP. (O evento será em inglês, sem tradução.)

Nos mais de quarenta anos que já dedicou à pesquisa científica, Trivers tem se dedicado sobretudo a duas áreas: teoria social baseada na seleção natural — que inclui sua teoria do auto-engano como estratégia adaptativa — e biologia de elementos genéticos egoístas — que explica determinados conflitos genéticos internos, questão relacionada com o tema de sua conferência no dia 4 de agosto.

Em conferência de 2004 organizada pelo site Edge, Trivers comentou que desde o início dos anos 90 tem tentado entender as situações na natureza nas quais os genes em um indivíduo estão em desacordo, "ou, dito de outra maneira, situações nas quais os genes num indivíduo são selecionados em direções conflitantes".

Nos seus trabalhos iniciais, publicados nos anos 70, no final de seu doutorado e anos seguintes, Trivers elaborou teorias sobre altruísmo recíproco, investimento dos genitores nos cuidados com a prole, seleção sexual, conflito genitores-prole, razão entre o número de macho e de fêmeas, engano e auto-engano. Esses trabalhos foram citados mais de 7 mil vezes na literatura científica.

Triver ingressou na Universidade Harvard no início dos anos 60 para estudar matemática, mas resolveu estudar história como preparação para se tornar advogado. Graduou-se em história em 1965, mas não pode cursar a Escola de Direito da Universidade Yale por causa de um colapso nervoso, que o levou inclusive a frequentar aulas de psicologia.

Em 1968, começou o seu doutorado em Harvard com Ernst Mayr (1904-2005), considerado o "Darwin do século 20". Obteve seu Ph.D. em 1972, trabalhou em Harvard de 1973 a 1978, depois na Universidade da Califórnia em Santa Cruz (1978 a 1994) e em seguida ingressou na Universidade Rutgers, onde atua até o momento. No ano acadêmico 2008-2009, foi pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, Alemanha.

Em 2007, Trivers recebeu o Crafoord Prize em Biociências pela "sua análise fundamental da evolução social, conflito e cooperação". No início da década, foi relacionado em edição especial da revista "Time" entre os 100 maiores pensadores e cientistas do século 20. É autor de "Social Evolution, Natural Selection and Social Theory: Selected Papers of Robert Trivers".

LOCAL
Prédio da Administração do Instituto de Biociências, Rua do Matão, Travessa 14, 121, Cidade Universitária, São Paulo.

INFORMAÇÕES
Com Sandra Sedini pelo e-mail ou pelo telefone (11) 3091-1678

Fonte: IEA

FAPESP: Bolsa de pós-doutorado em pesquisa sobre dengue

PD em pesquisa sobre dengue com Bolsa FAPESP
O Projeto Temático "Investigações dos mecanismos moleculares envolvidos nos processos de infecção de células humanas pelos vírus da dengue", apoiado pela FAPESP, tem uma oportunidade de Bolsa de Pós-Doutorado no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP).

A dengue hemorrágica é fatal em 1% a 5% dos casos. Uma proteína-chave na multiplicação do vírus e no processo de infecção pelos vírus da dengue é a proteína E, que contém o peptídeo de fusão. A estrutura quaternária dessa proteína é desconhecida no nível atômico, o que dificulta a identificação de inibidores.

O trabalho específico a ser desenvolvido é investigar a estrutura e o comportamento do trímero da proteína E do vírus da dengue quanto à sua estabilidade e quanto aos fatores que a determinam em meio ácido em função da força iônica do meio focalizando principalmente a região do peptídeo de fusão.

Os candidatos devem possuir doutorado e bons conhecimentos em química, bioquímica, técnicas de simulação molecular com aplicação, principalmente, a sistemas proteicos e proteínas/membranas modelo.

Mais informações com o coordenador do projeto, professor Léo Degrève no e-mail .Submissões até 31 de setembro de 2010.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP, no valor de R$ 5.028,90 mensais.

Outras vagas de bolsas de pós-doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades.

Fonte: Agência FAPESP

Eletronorte: novo edital para desenvolvimento de pesquisa tecnológica

A Eletrobrás-Eletronorte lançou a chamada 2/2010 cujo objetivo é estabelecer os critérios que deverão ser rigorosamente seguidos para o desenvolvimento dos projetos de pesquisa tecnológica avançada. A data limite para a submissão das propostas é 13 de agosto.

A estimativa de investimentos em projetos de P&D em 2010 pela Eletrobrás-Eletronorte é de R$ 40 milhões. Nessa chamada pública, são contempladas as seguintes demandas: tecnologias para manutenção sem desligamento do conjunto hidrogerador; padronização da logística de aquisição da geração; sistema estratégico de gestão de parcela variável; metodologia para otimização da operação interligada; aplicação de novas tecnologias na eficientização da disponibilidade da linha de transmissão; sistema de busca de anterioridade e transcrição de um esboço do estado; e reivindicação para o relatório de patentes.

Poderão apresentar projetos as instituições públicas ou privadas de ensino e/ou de pesquisa e desenvolvimento (P&D), assim como empresas de consultoria e fabricantes de materiais e equipamentos para o setor de energia elétrica.

Outras informações pelo site

Fonte: Gestão CT

IPT é credenciado a testar papéis térmicos

Teste com papéis térmicos
Os cupons fiscais emitidos por estabelecimentos comerciais são impressos em papéis térmicos, que devem apresentar características como resistência da impressão a umidade, exposição da luz, variação de temperatura e ação de produtos.

Essas características poderão ser testadas pelo Laboratório de Papel e Celulose do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (LPC-IPT), que foi credenciado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para fazer essas análises.

Os testes serão realizados em amostras fornecidas por fabricantes do papel ou das máquinas de impressão em papel térmico. Os técnicos do instituto farão o levantamento de características como gramatura, espessura e lisura do material fornecido.

De acordo com o instituto, para pleitear o credenciamento, o LPC teve de adquirir dois equipamentos específicos, uma máquina de testes de impressão e um aparelho para verificar as características da superfície do papel.

Fonte: Agência FAPESP

Workshop: Inventando um Futuro Melhor - Estratégias para Construir Capacidade Regional em Ciência e Tecnologia

Gestores de CT&I das Américas discutem estratégias para o setor

Acontece nesta semana, em Brasília (DF), o workshop “Inventando um Futuro Melhor: Estratégias para Construir Capacidade Regional em Ciência e Tecnologia”. O evento será realizado entre os dias 21 e 23, no CNPq, e reunirá representantes de mais de 15 países do continente americano, que apresentarão seus sistemas de ciência, tecnologia e inovação.

O objetivo do encontro, inspirado no estudo do InterAcademy Council (IAC), é avaliar a participação das academias e conselhos de pesquisa na elaboração das estratégias nacionais de CT&I, além de definir prioridades no setor para os países da região. O evento também discutirá como fortalecer a capacidade em CT&I em cada país e coordenar ações conjuntas entre os países membros da Rede Interamericana de Academias de Ciências (Ianas), promotora do workshop.

Informações sobre o evento podem ser obtidas pelo e-mail . (Com informações do MCT)

Fonte: Gestão CT

Localization of a Bose-Einstein condensate vortex in a bichromatic optical lattice

De volta à teoria

Até meados da década passada os fenômenos quânticos só podiam ser estudados na teoria, pois não era possível visualizar os componentes de sistemas atômicos em escala tão pequena. Essa limitação só começou a ser superada quando foi descoberto o condensado de Bose-Einstein – uma fase da matéria formada por átomos em temperaturas próximas do zero absoluto, que permite a observação de efeitos quânticos em escala macroscópica.

O estudo do condensado de Bose-Einstein se tornou fundamental para desvendar os enigmas do mundo quântico. Um Projeto Temático financiado pela FAPESP está contribuindo para esse avanço do conhecimento ao desenvolver modelos teóricos capazes de explicar fenômenos observados a partir de experimentos realizados com o condensado.

Coordenado por Sadhan Adhikari, professor do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT - Unesp), o projeto “Estudo de Condensação de Bose-Einstein usando a teoria de campo médio” foi iniciado em 2006.

Segundo Adhikari, entre os diversos resultados obtidos até agora, um dos mais significativos está relacionado ao fenômeno conhecido como localização de Anderson em condensados de Bose-Einstein. Três artigos sobre o tema foram publicados na revista Physical Review A em 2009 e 2010 pelo grupo de Adhikari.

Os trabalhos tiveram base em dois artigos publicados por grupos europeus em 2008 na revista Nature, os quais descreviam experimentos que utilizaram lasers polarizados para estudar a localização de Anderson em condensados de Bose-Einstein.

“Nós estudamos e explicamos em modelos teóricos os resultados desses experimentos. Os estudos sobre o condensado de Bose-Einstein são muito interessantes, porque permitem observar processos quânticos que, tempos atrás, estavam na imaginação dos teóricos. Agora que podemos verificar em laboratório as previsões teóricas, precisamos voltar à teoria para explicar de forma precisa o que foi observado”, disse Adhikari.

A existência do condensado de Bose-Einstein foi prevista por Albert Einstein em 1925, a partir do trabalho de Satyendra Nath Bose, como consequência teórica da mecânica quântica. Setenta anos depois, em 1995, na Universidade do Colorado (Estados Unidos), Eric Cornell e Carl Wieman produziram pela primeira vez o condensado – recebendo, por conta disso, o Prêmio Nobel da Física em 2001.

O físico norte-americano Philip Warren Anderson, nascido em 1923, estudou profundamente as propriedades dos sólidos e os problemas da física da matéria condensada. Quando trabalhava nos Laboratórios Bell Labs, há cerca de 50 anos, Anderson descobriu o conceito de localização – a ideia de que estados expandidos podem ser localizados pela presença da desordem em um sistema.

Em 1977, Anderson ganhou o Nobel da Física por pesquisas sobre a estrutura eletrônica de sistemas magnéticos e desordenados, que permitiram o desenvolvimento de componentes de memória em computadores.

A condensação de bósons, ou de pares de férmions pela generalização apropriada, é um efeito frágil que pode ser facilmente superado por outras instabilidades. Dentre seus principais competidores estão a cristalização, a dissociação no caso de bósons compostos, e a desordem e localização.

“Anderson sugeriu que é possível transformar um sólido condutor em semicondutor – isto é, em um sólido que não permite que os elétrons carregados se movam por ele – com a introdução de uma pequena porcentagem de impurezas. Anderson estudou esses mecanismos e percebeu que os elétrons se movem em paralelo a uma rede de átomos localizada na superfície do sólido”, disse Adhikari.

Com isso, Anderson percebeu que os átomos do sólido têm um potencial que, muito ordenado quando o sólido é puro, repete-se periodicamente. “Mas, quando colocamos impurezas no sólido, esse potencial periódico é quebrado. Quando o elétron encontra essa desordem, ele não consegue continuar seu trajeto e o sólido perde a condutividade. Anderson descobriu a formação de um estado ligado do elétron na superfície sólida”, explicou Adhikari.

Tamanho e natureza
A ausência da difusão de ondas em um meio desordenado passou a ser conhecida como “localização de Anderson”. O fenômeno sugere a possibilidade de localização de elétrons dentro de um semicondutor, desde que o grau de aleatoriedade das impurezas ou defeitos seja suficientemente alto.

Os movimentos dos elétrons, no entanto, não podem ser observados, já que as minúsculas partículas obedecem às leis da mecânica quântica. Só a partir de 1995 o condensado de Bose-Einstein abriu a perspectiva para estudos experimentais desses fenômenos. Em 2008, os dois estudos europeus descreveram experimentos feitos com o condensado sobre o fenômeno da localização de Anderson.

“No laboratório, os cientistas criaram uma rede potencial com o uso de lasers polarizados que, refletidos entre dois espelhos, geravam uma onda estacionária. Ao longo dessa onda aparece um campo magnético que varia enquanto se propaga, mas que possui um comportamento periódico, com um potencial encontrado pelos elétrons dentro do sólido. Em vez do elétron, os pesquisadores colocam o condensado de Bose-Einstein nesse potencial para tentar localizá-lo”, disse Adhikari.

Se o potencial for suficientemente forte, o condensado é localizado. Se for fraco demais, o condensado desaparece. “Eles criaram um potencial sem periodicidade, aleatório e perceberam que o condensado fica estagnado. Com isso, deram uma prova experimental do efeito de Anderson”, disse.

Adhikari utilizou equações de Schroedinger para estudar e explicar os resultados das experiências em modelos teóricos. Além de verificar se as observações estavam corretas e se o condensado de Bose-Einstein de fato se tornava localizado, os estudos avaliaram o tamanho e a natureza da localização, definindo como ela varia ou qual sua interferência na interação potencial entre os átomos do condensado.

“A partir desse estudo, previmos também a localização do condensado de Bose-Einstein em outros casos, como o dos átomos dipolares. Condensados simples envolvem átomos comuns com potencial de curto alcance entre eles. Mas com os átomos com momento elétrico dipolar – que estão sendo muito utilizados para gerar condensados – podemos ter um potencial de longo alcance”, disse.

Os artigos Localization of a Bose-Einstein condensate vortex in a bichromatic optical lattice, de Sadhan Adhikari, Symmetry breaking in a localized interacting binary BEC in a bi-chromatic optical lattice, de Adhikari e Yongshan Cheng, e Localization of a Bose-Einstein condensate in a bichromatic optical lattice, de Adhikari e Luca Salasnich, podem ser lidos por assinantes da Physical Review A.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

8º Seminário Rio-Metrologia

Nos dias 3 e 4 de agosto será realizado o 8º Seminário Rio - Metrologia, cujo tema central é "Metrologia, Qualidade e Confiabilidade Metrológica - os vários aspectos do trabalho em rede". O evento acontece no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) do Rio de Janeiro (RJ).

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 2 de agosto. O encontro tem como objetivo disseminar a cultura metrológica nas micro e pequenas empresas (MPEs), assim como o aprimoramento da qualidade laboratorial, o desenvolvimento técnico, econômico e social do Estado do Rio de Janeiro.

O seminário é voltado a diretores e gerentes da qualidade de empresas, representantes das MPEs, responsáveis técnicos de laboratórios das instituições de pesquisa, ensino e prestadoras de serviço, consultores e auditores técnicos e de sistema da qualidade, pesquisadores e demais profissionais interessados no tema.

Informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3575-7979 ou pelo e-mail .

Fonte:Gestão CT

Sebrae Alagoas: acordo implementa rede de extensão tecnológica

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) assinou, na quinta-feira (15), acordo para implementar uma rede de extensão tecnológica em Alagoas. O projeto, uma iniciativa do MCT, tem por objetivo levar informações diversas sobre tecnologia para empresários e impulsionar o nível de inovação no Estado.

A iniciativa prevê, por exemplo, investimento na formação de recursos humanos em gestão e inovação. Terão preferência as empresas inseridas nos Arranjos Produtivos Locais (APL) e nas cadeias produtivas, já que seus integrantes estão sensibilizados quanto à importância das capacitações. O projeto beneficiará imediatamente mais de 100 empresas.

“O intercâmbio de instituições que já têm experiência em pesquisa e em tecnologia com os empresários que estão buscando crescimento por meio da inovação é muito importante. A partir desses contatos, surgirão os meios de se trabalhar com tecnologias de produção mais limpas, voltadas para a sustentabilidade, que é o que o mercado está exigindo”, avaliou o superintendente do Sebrae em Alagoas, Marcos Vieira.

O projeto conta com a parceria da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, da Universidade Federal de Alagoas (FAPEAL) e da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL). (Com informações do Sebrae)

Fonte: Gestão CT

MDIC: Resolução disciplina procedimentos para pedidos internacionais de patentes

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) publicou, na edição do dia 14 de julho do Diário Oficial da União, a resolução nº 254, disciplinando os procedimentos para a entrada na fase nacional dos pedidos internacionais de patentes, depositados nos termos do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

De acordo com o texto, o requerente de pedido internacional de patente, depositado nos termos do PCT, que por caso fortuito ou força maior deixou de executar os atos destinados à entrada do pedido na fase nacional, no prazo de 30 meses contados da data de prioridade, poderá fazê-lo por meio de requerimento próprio.

Nesse caso, é necessária a documentação comprobatória dos fatos que caracterizam o caso fortuito ou a força maior, conforme alegado, assim como o comprovante do recolhimento da respectiva retribuição, no valor vigente à época, e demais documentos legalmente exigíveis.

Fonte: Gestão CT

Portaria institui grupo nacional para implementação da Convenção de Estocolmo

Representantes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), da Saúde (MS), do Trabalho e Emprego (MTE), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), de entidades da sociedade civil e da indústria irão supervisionar e acompanhar as ações do Plano Nacional de Implementação no Brasil da primeira etapa da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, o Projeto NIP. O grupo será formado por representantes das entidades, a serem indicados pelos titulares dos respectivos órgãos.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União da última quarta-feira (14) PORTARIA No- 262,. De acordo com o texto, o grupo deve promover a articulação com parceiros setoriais, validar relatórios de progresso e revisão, propor a criação ou modificação de instrumentos necessários à boa execução do projeto, apresentar os resultados alcançados nas reuniões da Comissão Nacional de Segurança Química (Conasq), assim como disseminar as conclusões.

Segundo informações do MMA, o Brasil assume legalmente, junto ao grupo de 164 países participantes da Convenção de Estocolmo, o compromisso de adotar medidas para eliminar globalmente a utilização dos poluentes orgânicos persistentes, mais conhecidos como Pops.

Os Pops são substâncias químicas nocivas aos homens e a animais. Tais poluentes são formados, principalmente durante a combustão de matéria orgânica na presença de cloro, de processos de queima de biomassa, de incineração de resíduos, de siderurgia e fundição, papel e celulose e indústrias químicas.

A portaria está disponível neste link.

Fonte: Gestão CT

Luiz Roberto Barradas Barata morre aos 57 anos

Luiz Roberto Barradas Barata, secretário de Estado da Saúde de São Paulo desde 2003, morreu no sábado (17/7), às 20h50, vítima de infarto do miocárdio. O corpo foi cremado no Crematório de Vila Alpina nesta segunda-feira (19/7).

O médico sanitarista tinha 57 anos. Foi um dos fundadores do Sistema Único de Saúde brasileiro. Sob seu comando, como secretário e secretário-adjunto, a Secretaria da Saúde de São Paulo criou o programa Dose Certa para distribuição gratuita de medicamentos básicos à população, idealizou a lei estadual antifumo e construiu o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, entre outras realizações.

Em 2008, Barradas Barata assinou com Celso Lafer, presidente da FAPESP, e Marco Antonio Zago, então à frente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), convênio entre Secretaria da Saúde, FAPESP e CNPq.

O convênio estabeleceu o Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde, que busca apoiar pesquisas voltadas para problemas prioritários de saúde e o fortalecimento da gestão do Sistema Único de Saúde no Estado de São Paulo.

Barradas Barata formou-se em medicina pela Santa Casa de São Paulo, em 1976. Em 1978, especializou-se em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Fez especialização em Administração de Serviços de Saúde e Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas.

Fonte: Agência FAPESP