domingo, 18 de julho de 2010

Em 1936 começava a Guerra Civil Espanhola

Levante dos militares nacionalistas espanhóis dá início a um dos mais emblemáticos conflitos do século 20 e que só chegaria ao final com a derrota dos republicanos e o início da ditadura franquista.


Declaração do governo espanhol, em 1936: "Um novo ataque consciente contra a República aconteceu. O governo aguardou para divulgar este comunicado até que fosse possível ter uma imagem clara dos acontecimentos. As medidas necessárias já foram tomadas. Uma parte do Exército que representa a Espanha no Marrocos sublevou-se contra a República. O governo informa que esse movimento se manteve restrito à zona do protetorado e que ninguém, absolutamente ninguém na península participou desse complô."

Essa declaração do governo espanhol, impressa num jornal de grande circulação em 18 de julho de 1936, já estava ultrapassada no instante em que se tornara pública. Além disso, ela deixava a impressão de que o primeiro-ministro Manuel Azaña estava desde o início desinformado sobre a real dimensão do complô.

Pois naquele 18 de julho, os oficiais revoltosos das guarnições espanholas no enclave norte-africano de Ceuta e em Melilla já haviam providenciando para que as unidades a eles fiéis, reforçadas por legionários marroquinos, fossem levadas para Sevilha. Lá as tropas foram recebidas com entusiasmo por generais simpatizantes.

Quando a maioria das tropas sevilhanas aderiu espontaneamente aos revoltosos, a terceira maior cidade da Espanha caiu praticamente sem resistência nas mãos dos revoltosos.

Que ainda assim o ano de 1936 marcaria o início de uma sangrenta guerra civil, com isso principalmente os golpistas nacionalistas não contavam, pois a maioria das tropas regulares estava desde o início do lados deles, enquanto os republicanos contavam inicialmente apenas com uma milícia mal preparada e pessimamente armada.

Mas em toda a Europa, e também em outros continentes, voluntários se alistaram para defender de armas na mão a causa republicana.

O que levou milhares de trabalhadores, estudantes, intelectuais – incluindo diversos escritores famosos – à Espanha, para defender um governo democraticamente eleito do ataque dos militares nacionalistas? O escritor alemão Alfred Kantorovicz descreveu em seu diário do front espanhol as motivações de brigadistas, sindicalistas, social-democratas, comunistas e intelectuais alemães.

"Para nós, alemães antifascistas, a pátria está mesmo diante de Madri, como diz a marcha das brigadas internacionais. Também não temos uma outra opção que pudesse nos pôr em dúvida. Não temos um lar enquanto em nosso país dominarem a morte, a mentira, a injustiça, a violência em nome de Hitler. Deveríamos emigrar de volta? Sem documentos, corridos, famintos, apátridas, banidos, para o escárnio de nossos inimigos e o pesar de nossos amigos? Ninguém espera por nós, a não ser o cárcere dos campos de concentração. Ai de nós se tivermos de fugir da Espanha como derrotados."

Olhando em retrospectiva, não há dúvidas de que a Guerra Civil Espanhola foi o preâmbulo, para não dizer o início, da Segunda Guerra Mundial. A Espanha se transformara, no mais tardar desde a vitória eleitoral dos republicanos sobre a monarquia e o ideário de um estado católico de castas, num sismógrafo dos antagonismos políticos mundiais.

O apoio inicialmente secreto, depois aberto, que os revoltosos nacionalistas receberam dos ditadores Hitler e Mussolini foi aceito sem protestos pelas grandes potências mundiais Inglaterra, França e Estados Unidos. Uma política que foi levada adiante com o Acordo de Munique de 1938 e a aceitação da ocupação da Tchecoslováquia em março de 1939, pelas forças militares de Hitler, e que acabou resultando no ataque alemão à Polônia. [Norbert Ahrens / Ramón Garcia-Zimsen (as)]

Fonte: DW