quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bagaço de cana-de-açúcar para melhorar o asfalto e preservar o meio ambiente

Bagaço de cana-de-açúcar melhora o asfalto e condições ambientais A utilização de bagaço de cana em asfaltos SMA, além de reduzir custos, é uma alternativa ambientalmente correta

Há algumas décadas, o desenvolvimento sustentável tem sido preocupação constante e crescente. A utilização de materiais que antes eram descartados sem uma destinação, a não ser poluir, é um grande avanço na luta para salvar o meio ambiente.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores desenvolveu uma forma de utilizar o bagaço da cana como aditivo estabilizante nas misturas de asfalto do tipo SMA (Stone Matrix Asphalt). Eles entram em substituição às fibras de celulose, e não permitem que o cimento asfálitco escorra durante o processo de mistura ou aplicação.

Do projeto "Bagaço de cana-de-açúcar como aditivo em misturas asfálticas do tipo SMA", fazem parte os professores Regina Coeli Martins Paes de Aquino e Cláudio Leal, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), coordenadora do trabalho junto com o engenheiro Protásio Ferreira e Castro, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pró-reitor de pós-graduação e pesquisa da Universidade do Grande Rio (Unigranrio). A pesquisa tem apoio do edital Estudo de Soluções para o Meio Ambiente, da FAPERJ.

O SMA é um tipo de mistura asfáltica, desenvolvida na Alemanha no final da década de 1960 e, por sua maior resistência, muito usada como revestimento de rodovias e aeroportos europeus e americanos. Para produzi-lo, as fibras de celulose ou de vidro entram na composição para evitar o escorrimento no momento em que ele é misturado ou aplicado. "Nosso projeto propõe o uso do bagaço de cana que sobra do processo de fabricação do açúcar e do álcool. Dessa forma, aproveitamos um resíduo e transformamos um mero procedimento industrial numa contribuição ao desenvolvimento sustentável", explica Cláudio.

De acordo com Regina, a produção de álcool no Brasil gera cerca de 270 quilos de bagaço por tonelada de cana moída e a maior parte desse rejeito é queimado nas caldeiras das próprias usinas para produção de energia térmica ou elétrica. "Mas estima-se que aproximadamente 20% deste bagaço não sejam queimados e fiquem sem qualquer outra utilização", afirma.
Além de bom para o meio ambiente, o uso do bagaço reduz o custo de produção do asfalto. "As fibras normalmente misturadas ao SMA têm um custo mais alto do que as misturas convencionais com betume e compostos derivados do petróleo. O bagaço reduz consideravelmente esses custos de produção e ainda proporciona um ganho ambiental", complementa Regina. Para transformar o bagaço da cana em aditivo na mistura asfáltica, o processo é bem simples. Ele precisa apenas ser seco e passado em peneira de 1,2mm e já estará pronto para ser utilizado.

Segundo Cláudio, os resultados dos testes feitos em laboratório comprovaram que a mistura com o bagaço apresenta o mesmo desempenho que o asfalto SMA, como foi comprovado no teste mais importante feito pelos pesquisadores, o do escorrimento. Tanto que, em breve, o SMA com bagaço de cana será aplicado experimentalmente num trecho da BR-356, entre Campos dos Goytacazes e São João da Barra.

Muito empregado nos Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa, como Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Suíça, por sua maior durabilidade e maior resistência, principalmente a veículos pesados, o asfalto SMA vem, ao longo dos anos, sendo também cada vez mais aplicado no Brasil. O autódromo de Interlagos, em São Paulo, por exemplo, tem suas pistas revestidas por esse tipo de asfalto.

"O SMA proporciona o contato grão a grão das britas maiores, tornando a estrutura da mistura asfáltica mais resistente. Esta resistência, que significa quase mais 50% de vida útil, é a grande diferença do SMA para o asfalto comum", aponta a pesquisadora. "Sua textura mais rugosa também oferece maior segurança aos motoristas, já que o SMA tem melhor drenagem superficial, com a diminuição dos borrifos de água sobre a pista, reduzindo o efeito de aquaplanagem e aumentando a aderência dos pneus à superfície do pavimento", acrescenta Cláudio.

Mesmo não sendo mais uma novidade, os pesquisadores também enfatizam a reciclagem da borracha de pneus como substituto das fibras de celulose em misturas asfálticas. "Dentre os modificadores de cimento asfáltico, a borracha moída dos pneus que não são mais utilizados merece destaque: além de melhorar o desempenho do asfalto, esse reaproveitamento possibilita que um quilômetro de rodovia absorva cerca de três mil pneus que de outra forma possivelmente estariam armazenados indevidamente, descartados em rios e lagoas, ou servindo como depósitos de larvas de mosquitos", alerta a pesquisadora. Se, ao contrário, lhes dermos um novo uso, o meio ambiente certamente agradece.

Fonte: Danielle Kiffer/FAPERJ

Prêmio Jovem Investigador da Sociedade de Patologia Toxicológica dos EUA vai para doutorando da USP

Funções da Cx43
Presente em diversos tecidos, a proteína conexina 43 (Cx43) desempenha funções fundamentais no organismo, ainda que muitas sejam desconhecidas.

Lucas Martins Chaible descobriu em sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) que a Cx43 tem um papel crucial na formação óssea durante a fase fetal.

A descoberta lhe rendeu o primeiro lugar no prêmio Young Investigator, concedido pela Sociedade de Patologia Toxicológica dos Estados Unidos (STP, na sigla em inglês) ao melhor pôster apresentado por estudantes.

Chaible concorreu com outros 70 trabalhos apresentados no encontro anual da entidade, realizado entre 20 e 24 de junho em Chicago. Recebeu medalha, certificado e US$ 500.

Também foi contemplado com o Student Travel Award concedido pela mesma instituição. Essa premiação custeou a viagem e a participação de Chaible no evento.

“Trata-se de uma pesquisa importante. Os resultados aumentaram o conhecimento dos fatores necessários para o desenvolvimento adequado dos ossos”, disse Maria Lúcia Zaidan Dagli, professora titular da FMVZ-USP e orientadora de Chaible.

A pesquisa partiu de uma dificuldade enfrentada pelos cientistas que estudam as junções comunicantes e as proteínas que compõem estas junções, as conexinas. Camundongos geneticamente modificados e destituídos da Cx43 morrem pouco após o nascimento, impossibilitando mais estudos a respeito da proteína.

“Sabíamos que essa morte ocorria por problemas cardíacos, mas como a Cx43 é muito importante desconfiávamos de que a sua falta teria muitas outras consequências”, contou Chaible.

O estudante, que teve apoio da Fundação por meio de uma Bolsa de Mestrado, começou a investigar vários tecidos de camundongos nocaute durante o desenvolvimento em fase fetal.

Os nocautes são animais geneticamente modificados com o objetivo de não expressar determinados genes, os quais são nocauteados a fim de se estudar as consequências do processo no organismo. No caso, foi suprimido o gene Cx43 relacionado à produção da proteína de mesmo nome.

Um dos efeitos mais evidentes encontrados foi o atraso no desenvolvimento ósseo dos indivíduos sem a proteína. Os camundongos nocaute apresentaram de um a dois dias de atraso no desenvolvimento dos ossos em comparação àqueles ditos “selvagens”, ou que não têm seus genes nocauteados. Isso ocorreu devido a uma diminuição da comunicação intercelular na qual a proteína Cx43 exerce uma função fisiológica fundamental, a de componente das junções do tipo “gap”.

Foram comparados animais descendentes da mesma fêmea e formados durante a mesma gestação. “Sempre encontramos nos nocautes um atraso bem significativo, como ossos imaturos, células ainda indiferenciadas, o que não era visto nos irmãos normais”, disse Chaible.

Depois, começou-se a procurar mais evidências para comprovar o atraso na formação óssea e a sua associação com a ausência da Cx43, o que envolveu análises de ordem morfológica e até a da expressão de 11 genes. Os resultados confirmaram a relação.

A descoberta poderá beneficiar pesquisas sobre uma doença humana, a displasia óculo-dento-digital (ODDD, na sigla em inglês). Trata-se de uma enfermidade genética rara que apresenta entre os seus sintomas atrofia das falanges, dentes muito pequenos e outras alterações ósseas e que é causada pela mutação do gene Cx43.

“Talvez os resultados encontrados nas cobaias poderão ser extrapolados para essa doença que atinge humanos”, especulou Chaible. Maria Lúcia concorda e aponta que a pesquisa poderá ter uma aplicação futura.

As pesquisas com a Cx43 também são importantes para a oncologia. Camundongos desprovidos da proteína são mais suscetíveis a tumores, o que torna estudos como esse valiosos para o conhecimento de vários tipos de câncer.

“Em pessoas, cães e gatos com determinados tumores é observada uma redução da expressão dessa proteína, o que a torna um forte indicador de agressividade da doença”, disse Chaible.

Animais geneticamente modificados
Agora, com Bolsa de Doutorado da FAPESP, a pesquisa de Chaible continua com um objetivo maior: desenvolver camundongos geneticamente modificados nos quais seja possível impedir a expressão da Cx43 de forma condicional, ou seja, em animais que sobrevivam ao nascimento e cheguem à idade adulta. Na obtenção desse modelo será utilizado o promotor induzível Tet-On, ainda inédito. O novo animal tornará possível o aprofundamento das pesquisas sobre o papel dessa proteína.

Maria Lúcia explica que o camundongo a ser desenvolvido permitirá pesquisas in vivo, o que possibilitará conhecer a função da conexina 43 em todo o organismo. Atualmente, esses estudos têm de ser feitos em culturas de células ou parcialmente em animais que apresentam apenas um alelo da Cx43, pois os exemplares homozigotos – totalmente desprovidos da proteína – não sobrevivem.

“A conexina 43 é uma das mais ubíquas, ou seja, ela está presente em maior número de tipos celulares dentro do organismo. Assim, será melhor elucidado seu papel no desenvolvimento, na função cardíaca e inclusive no câncer”, disse a professora.

Segundo Maria Lúcia, alguns estudos de sua equipe demonstraram a associação entre a proteína e a alta suscetibilidade ao desenvolvimento de neoplasias pulmonares. Atualmente está sendo estudado o papel da Cx43 também em neoplasias mamárias, melanomas e sarcomas.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

Prêmio Professor José Leite Lopes para teses de física

O Prêmio Professor José Leite Lopes de Melhor Tese de Doutoramento em Física e Ensino de Física está com inscrições abertas para sua edição de 2010 até 30 de novembro.

O prêmio – que consiste de um diploma e de apoio financeiro ainda não definido – foi criado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) com o objetivo de estimular e valorizar o trabalho de qualidade na física e no ensino de física.

A premiação é uma homenagem ao físico José Leite Lopes (1918-2006), fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e primeiro presidente da SBF.

Poderão concorrer candidatos cujas teses foram defendidas no período de 2008-2009 e que foram aprovadas em um dos programas brasileiros de pós-graduação avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Além disso, podem propor indicações as instituições universitárias, institutos e centros de pesquisa, faculdades e orientadores (desde que proponham uma tese por eles orientada) e candidatos. Cada proposição poderá incluir apenas um candidato por ano.

As indicações devem ser encaminhadas para a sede da SBF com cinco cópias da tese e das publicações dela originadas; documento institucional que comprove a apresentação e a aprovação da tese, constando a composição da banca; endereço do currículo Lattes; resumo estendido da tese, descrevendo os principais resultados; e breve descrição dos detalhes da execução do trabalho (orientador, grupo de orientador, grupo de pesquisa, interação com outros grupos ou pesquisadores de outras instituições).

Cada via deve conter esses documentos encadernados em um único volume, a ser enviado para a SBF, caixa postal 66328, CEP 05314-970, São Paulo, SP.

Em 2009, o vencedor do prêmio foi Mario Leandro Aolita, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a tese intitulada “A física do emaranhamento: produção, detecção e aplicações”, orientado pelo professor Luiz Davidovich.

Além dele, Marina Soares Leite e Thiago Rodrigues de Oliveira, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), receberam menção honrosa com as teses, respectivamente, “Formação de ligas em nanocristais epitaxiais de GeSi:Si(001)”, orientada pelo professor Gilberto Medeiros, e “Emaranhamento e estados de produtos de matrizes em transições de fase quânticas”, orientado pelo professor Marcos César de Oliveira e Amir Ordacgi Caldeira. Marina e Thiago foram bolsistas da FAPESP.

A terceira menção honrosa foi para Carlos Roberto Mafra, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com a tese “Superstring scattering amplitudes with the pure spinor formalism”, orientado por Nathan Jacob Berkovits, e também com Bolsa da FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP

Revista IPAS aborda pesquisa sobre o aborto no Brasil


Editorial

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), apresentada em maio de 2010, mostrou que 1 em cada 7 mulheres de até 40 anos já realizou aborto; se consideradas apenas as mulheres de 35 a 49 anos, esta relação cai para 1 em cada 5 mulheres.

Esta pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB) e pelo instituto de pesquisa Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero e abriu a pauta da mídia brasileira na divulgação de mais dados sobre outras pesquisas e estudos nacionais sobre o tema.

No dia 1º de julho, Ipas participou do Seminário Direitos Reprodutivos e Experiências junto ao Ministério Público, organizado pela Cunhã Coletivo Feminista, na ocasião foi feito o lançamento do dossiê "Impactos da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde da Paraíba". Já no dia 28 de junho, na Universidade de Brasilia foram apresentados os resultados de estudos realizados em 5 estados brasileiros:

  • Mulheres negras morrem muito mais em consequência de abortos inseguros, quando analisada a variável raça/cor;
  • Mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas quanto aos cuidados de promoção da saúde reprodutiva e não são encaminhadas a serviços e profissionais capacitados;
  • Há predominância de mulheres jovens, entre 20 e 29 anos, nos diagnósticos de aborto espontâneo e aborto por razões médicas;
  • Nos cinco estados, a intervenção mais utilizada para assistir mulheres que abortaram é a Curetagem Pós-aborto (CPA), procedimento mais caro e que oferece riscos que estão relacionados a perfuração uterina e maior tempo de permanência nos hospitais para reverter infecções com antibióticos; na contramão da indicação do Ministério da Saúde de utilizar a Aspiração Manual Intra-uterina (AMIU);
  • Em Salvador (BA) e Petrolina (PE), o aborto inseguro foi a primeira causa de morte materna....

Leila Adesse
IPAS BRASIL

Leia o editorial na integra e acesse a edição completa no endereço

Index:

GLOBAL

"Aborto terapéutico y salud mental"
La presente publicación constituye un aporte para la comprensión del impacto traumático que tiene en la vida de una mujer y, específicamente, en su salud mental, la denegación del acceso a un aborto legal y seguro cuando ella ha recibido como diagnóstico "embarazo de feto anancefálico" y desea interrumpir dicho embarazo.
http://www.demus.org.pe/ - DEMUS Estudio para la Defensa de los Derechos de la Mujer - PERU - Publicado em 2009

BRASIL EM FOCO
"Dossiê sobre a realidade do aborto inseguro na Paraíba: O impacto da ilegalidade do abortamento na saúde das mulheres e nos serviços de saúde de João Pessoa e Campina Grande"
Beatriz Galli... [et. al.]. junho 2010

DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
"O Estatuto do Nascituro e as suas implicações para os direitos reprodutivos e o acesso das mulheres à saúde"
Beatriz Galli - Advogada e Consultora Ipas Brasil - julho 2010

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA
"Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna"
Debora Diniz - UnB e Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero anis@anis.org.br
Marcelo Medeiros - medeiros@igualdade.org.br

REFLEXÕES
"PNDH 3: aborto é visto como questão de saúde pública, mas mulheres continuam criminalizadas"
Por Raquel Júnia /EPSJV-Fiocruz, publicado no site FAZENDO MEDIA em 14.06.2010

VIOLÊNCIA
"Patriarcado da violência"
Por Debora Diniz - ANTROPÓLOGA E PROFESSORA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, publicado no Estadão em 10.07.2010

DESTAQUES | MOBILIZAÇÃO
» PERIGOS PARA A MULHER BRASILEIRA: Projetos de lei visam controlar a autonomia reprodutiva e promovem a criminalização das mulheres
» Posição candidatos sobre a legalização do aborto no Brasil

Informações e Eventos

Ipas Notícias e clippings
» Exposição fotográfica no Rio de Janeiro retrata mulheres ameaçadas em seus direitos
» Resultados Seminário sobre Anencefalia - maio 2010
» Pesquisas e estudos mostram o quadro do aborto no Brasil
» Médicos têm medo de realizar abortos previstos em lei
» Estudo: 8% das universitárias já fizeram ou induziram aborto
» Ipas Brasil tem trabalho aprovado no Programa Saúde na Escola
» Dossiê Mulher 2010

Links Recomendados:

SedeDeQuê? a arte para enfrentar a violência contra as mulheres

O SedeDeQuê? faz parte um projeto chamado Arte e cultura no enfrentamento da violência contra as mulheres, realizado por Católicas pelo Direito de Decidir , com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres.O projeto tem por objetivo incentivar o uso da arte para eliminar toda forma de violência contra as mulheres.

Mapa Misoprostol em América Latina - CLACAI
Articulación integrada por activistas, investigadores/as, proveedores/as de servicios de salud y profesionales que contribuye a la disminución del aborto inseguro en Latinoamérica. Promueve el acceso a la información y a tecnologías modernas y seguras en el marco del pleno respeto a los derechos sexuales y reproductivos, desde una perspectiva de género y equidad.

Ciência e Pesquisa
Rio de janeiro possui maior taxa de aborto induzido, diz pesquisa da UNICAMP ( Aborto no Brasil: um enfoque demográfico)


Fonte: IPAS

FAAC - UNESP lança revista

A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) acaba de lançar a Revista FAAC, voltada principalmente às áreas de arquitetura e urbanismo, artes, representação gráfica, desenho industrial, ciências humanas e comunicação social.

A revista eletrônica será semestral e de acesso livre. A publicação divulgará estudos e pesquisas, principalmente artigos e ensaios. Além disso, cada número apresentará um dossiê temático e espaço para resenhas de livros.

O site da revista já está disponível com chamada de artigos para a primeira publicação, cujo tema é “Desafios e dilemas da educação do século 21”. O prazo para submissão de artigos se encerra em 26 de setembro. A primeira edição está prevista para o fim do ano.

O projeto dispõe de um conselho editorial com 15 pesquisadores: cinco estrangeiros, cinco professores da FAAC e cinco pesquisadores de outras instituições no Brasil.

Há também um conselho consultivo formado por 40 membros, metade deles de outras instituições, que serão responsáveis pela emissão dos pareceres ad hoc. Compõe a revista ainda um comitê editorial formado por cinco professores da FAAC, responsável pela gestão cotidiana da revista.

Fonte: Agência FAPESP

Leituras de Literatura Espanhola – da Idade Média ao século 17

Literatura espanhola em nova leitura
Na Idade Média, a poesia na Espanha já trazia elementos de modernidade. Mais tarde, nos séculos 16 e 17, três correntes coexistiam na literatura do país ibérico: a estética renascentista, o maneirismo literário – que corresponde à crise da Renascença – e o Barroco, que reunia traços de modernidade aliados ao pensamento conservador.

Essa visão crítica da história da literatura espanhola – muito mais caracterizada por processos de continuidade do que por simples rupturas – não será encontrada em nenhum manual de literatura. A perspectiva inovadora é a linha mestra do livro Leituras de Literatura Espanhola – da Idade Média ao século 17, de Mario Miguel González, lançado em junho.

De acordo com o autor, que é professor titular do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), o perfil do livro é indissociável de seu próprio percurso de leituras e pesquisas nos últimos 50 anos, que constituíram uma visão singular e crítica da literatura espanhola, em contraste com a visão dos manuais.

“Trata-se de um antimanual. Normalmente os manuais trabalham com uma periodização cronológica que nem sempre leva em conta o contexto histórico e sociocultural e desconsidera o diálogo ideológico. Com isso, perdem o sentido crítico ao percorrer a história da literatura. No livro, tratei de pinçar algumas obras e autores, de acordo com um critério muito particular que serviu para a análise desses processos”, disse González.

O autor nasceu na Argentina e se graduou em Letras pela Universidade Católica de Córdoba (UCC) em 1963. No Brasil, fez mestrado e doutorado na USP, obtendo a livre-docência em Literatura Espanhola em 1993.

Segundo ele, o livro é voltado especialmente para estudantes de literatura espanhola de graduação e pós-graduação, mas poderá também ser útil a professores e ao público interessado no tema, uma vez que os ensaios têm sequência na exposição e se referem a diversos autores do período estudado. A obra teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

González destaca que, no caso de muitos países europeus, a literatura relevante tem início na Renascença. Mas o mesmo não vale para o caso espanhol. “A abrangência cronológica remete ao que se considera o período de formação da literatura espanhola – a partir da Idade Média, que na Espanha tem papel fundamental – até o seu auge no século 17. No caso espanhol, o período medieval é crucial devido ao próprio processo histórico da nação, que se fundamenta na construção do herói, tanto na literatura erudita como na popular”, explicou.

A figura do herói, levada à idealização máxima no início da Renascença, logo se tornaria objeto de paródias. “Quando voltamos às paródias feitas sobre esse herói – como é o caso de Don Quixote –, podemos ver o nascimento do romance como forma moderna de narrativa”, disse.

No livro, de acordo com González, o leitor encontrará uma perspectiva mais crítica do que nos manuais, embora eles também se refiram normalmente a um determinado período da literatura, além de uma valorização distinta das escolas e períodos.

“Não me refiro, por exemplo, à literatura espanhola dos séculos 16 e 17 como a produção dos ‘séculos de ouro’. Essa nomenclatura achata e uniformiza elementos de um processo que é extremamente complexo. Prefiro trabalhar com algo que os manuais não dão conta de abordar, que é a existência de três correntes estéticas coexistentes entre os séculos 16 e 17”, afirmou.

A primeira corrente é a Renascença, caracterizada pela poesia lírica e pelas novelas de cavalaria. A segunda, na leitura de González, o “final brilhante” da estética renascentista: o Barroco. Paralelamente às duas correntes que coexistem, há uma terceira que o autor denomina de “maneirismo” – conceito extraído das teorias de Arnold Hauser (1892-1978) e aplicado à literatura por González –, que corresponde a uma crise da Renascença.

“É exatamente nessa crise da renascença que se encontram as raízes da modernidade. A modernidade consolidada no século 19 seria apenas o coroamento de uma estética que cresceu a partir da crise renascentista. É aí que a literatura espanhola apresenta aspectos modelares, confirmando-se como nascedouro do romance. Temos a poesia lírica de autores como frei Juan de la Cruz (1542-1591) ou Luis de Góngora (1561-1627), que trato como poetas modernos. Temos também um teatro que já dá sinais de modernidade em obras do fim da Idade Média, como La Celestina, atribuída a Fernando de Rojas (1465-1541)”, explicou.

Para González, não é a cronologia que determina o sentido de modernidade de um texto e sim os fatores estéticos. “O fator determinante é a construção do leitor. São textos que pedem um leitor atuante e crítico, que deve construir os sentidos em vez de se aceitar a passividade. Nos ensaios, procuro mostrar as raízes modernas na crise da renascença, que atinge um homem que já não é o homem clássico. Nessa crise, já se constroem formas de expressão que são a raiz de uma modernidade”, disse.

No livro, a fim de poder trabalhar os textos como fatos históricos, o autor procura contextualizar o leitor apresentando em primeiro lugar uma síntese da história da Espanha da Idade Média ao século 17. Em seguida, apresenta um resumo da literatura daquele período, trabalhando com textos medievais em busca de vestígios da construção da modernidade.

“Além da lírica popular medieval, que apresenta fatores de modernidade, vemos também que o conto – um gênero moderno – já nasce no século 14 na obra de alguns autores espanhóis. Junto com isso, basicamente a partir da poesia épica e suas transformações populares, vou buscando delinear a construção do herói”, disse.

Mas, ao mesmo tempo em que surgia o herói, já aparecia a crise, segundo González, no fim da Idade Média, em textos que iriam formar o que se chama de romanceiro. “A herança dessa crise teve reflexos até mesmo na literatura do Nordeste brasileiro. Aquele romanceiro era trabalhado a partir de personagens heróicas, mas revelavam uma angústia existencial que já pertence ao homem moderno”, afirmou.

Em contraste com essa crise no fim da Idade Média, alguns autores apresentam uma resposta para as angústias existenciais, sem apoio em elementos religiosos.

“Temos poemas magistrais, como Coplas por la muerte de su padre, de Jorge Manrique (1440-1479), que enxerga a resposta na existência humana como um fato transcendente. Essas duas maneiras de ver a realidade iriam dialogar de maneira muito forte nos séculos 16 e 17”, apontou o professor da FFLCH-USP.

Nova classificação
A visão crítica proposta por Leituras de Literatura Espanhola permite, segundo González, compreender determinados autores com os quais os manuais são incapazes de lidar, por não saberem onde encaixá-los em sua escala cronológica rígida.

“Eles utilizam divisões ideológicas que querem ter algum sentido estético, mas não dão conta da dinâmica literária. O caso de La Celestina é emblemático. Os manuais colocam esse texto entre a Idade Média e a Renascença, o que faz sentido cronologicamente. Mas eu o coloco entre os modernos, por ser uma obra que antecipa a crise da burguesia, que na Espanha seria muito profunda”, disse.

Aqui, mais uma vez, aspectos históricos, sociais e políticos se refletem sobre a literatura. González conta que, diferentemente do modelo social português do século 16, essencialmente burguês, o modelo que se implanta na Espanha é o de cavaleiros conquistadores.

“A burguesia da Espanha nasce morta, com a formação de um modelo social pronunciadamente antiburguês. A conquista da América hispânica, por exemplo, é uma atividade de cavaleiros medievais, em contraste com a aventura burguesa da colonização do Brasil. Tudo isso precisa ser considerado quando tratamos da literatura desse período”, disse.

Alguns casos fogem claramente ao achatamento dos manuais, como o romance anônimo Lazarillo de Tormes, uma espécie de ilha literária. “É um pequeno romance perdido no meio do século 16, contrastando com a narrativa idealizada dos livros de cavalaria da época e antecipando o romance picaresco do século 17”, disse.

Outro caso exemplar é Don Quixote, de Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), escrito na virada do século 16 para o século 17. “Para os manuais, a literatura do século 16 é renascentista e a do século 17 é barroca. Mas Don Quixote não é uma coisa nem outra. Ele se encaixa naquela crise da estética renascentista que produziria a modernidade”, disse.

Entre os grandes autores da poesia lírica espanhola, San Juan de la Cruz é invariavelmente catalogado como poeta místico. González apresenta uma visão mais crítica dessa classificação.

“Dizer que essa poesia é mística equivale a forçar uma única leitura do texto, como poesia de sentido religioso. Estabelecer esse sentido único é uma forma de anular o poema. Na verdade, San Juan de la Cruz escreve uma poesia de temática amorosa que se aplica a qualquer forma de amor, religioso ou não”, afirmou.

Góngora, segundo González, é frequentemente encaixado na corrente do barroco conhecida como “culteranismo”, voltada para o jogo de palavras e rebuscamento da forma. “Na realidade o termo ‘culteranismo’ foi inventado por inimigos de Góngora e tinha grande carga estigmatizante, a partir de uma analogia com ‘luteranismo’, remetendo a uma heresia e, por extensão, à origem religiosa incerta do poeta, presumivelmente judaica”, afirmou.

A característica do universo barroco espanhol, entremeado por elementos de modernidade, também se estenderia ao teatro. “O teatro clássico espanhol é profundamente marcado por um pensamento barroco – e me refiro aqui a um pensamento da contrarreforma. No entanto, esse teatro é formalmente uma ruptura radical com a perspectiva renascentista. É de uma modernidade impressionante em relação às unidades de tempo, ação, espaço e mistura de gênero. O teatro dá lugar à aparição de personagens extremamente modernas, como Don Juan, que analiso como um mito de poder”, disse.

Mais informações pelo site

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP