terça-feira, 6 de julho de 2010

Instituto Ludwig: Príon celular induz a síntese de proteinas

Prion protein interaction with stress-inducible protein 1 enhances neuronal protein synthesis via mTOR (doi/10.1073/pnas.1000784107)

Príon na síntese de proteínas
Uma pesquisa liderada por brasileiros sobre a proteína príon celular (PrPC) é destaque na edição a ser publicada nesta semana da revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Associada inicialmente a doenças neurodegenerativas (como a conhecida doença da vaca-louca), a PrPC tem sido apontada como participante importante em muitas outras funções fisiológicas, como na proteção dos neurônios contra a morte celular e na plasticidade dessas células, ao atuar na formação de neuritos (prolongamento dos neurônios).

A pesquisa apontou que a PrPC tem outro papel fundamental no organismo: o de induzir a síntese de proteínas. Isso ocorre quando ela se une a um de seus ligantes, a proteína STI1.

“Essa síntese é um processo muito importante para a formação da memória e para o desenvolvimento do sistema nervoso”, disse Glaucia Noeli Maroso Hajj, pesquisadora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, uma das autoras do artigo.

Outra descoberta foi que esse processo de indução na produção de proteínas fica comprometido em caso de doenças provocadas pela versão tóxica de PrPC.

“Nos casos em que os neurônios eram infectados com a versão infecciosa de PrPC não observamos o aumento na produção de proteínas”, disse Glaucia, que é a responsável pela pesquisa “O papel da proteína príon celular no controle da diferenciação e sobrevivência celular: controle da síntese de proteínas”, apoiada pela FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular.

Os autores mostraram que as funções desempenhadas por PrPC, como a proteção dos neurônios contra a morte celular e o aumento da plasticidade neuronal dependem do aumento da síntese de proteína.

O efeito sobre a plasticidade é decorrente da necessidade que os neurônios têm de novas proteínas para construir os neuritos, segundo explicou a professora Vilma Regina Martins, também do Instituto Ludwig, outra autora do artigo, e que coordenou o Projeto Temático “Papel da proteína príon celular em processos fisiológicos e patológicos”, apoiado pela FAPESP e concluído em agosto de 2009.

Segundo Vilma, durante a pesquisa foram observados indícios de que o aumento na produção de proteínas ocorreria justamente nas extremidades dos neurônios. Embora ainda não se saiba quais sejam exatamente as proteínas sintetizadas no processo, esse trabalho pode ser considerado um importante avanço no conhecimento sobre as funções celulares de PrPC e do mecanismo das enfermidades causadas por sua forma anormal.

“Até então, conhecíamos algumas sinalizações iniciais que promoviam a sobrevivência do neurônio, mas não sabíamos como essas sinalizações eram encaminhadas”, afirmou.

Outro resultado importante do artigo foi demonstrar que PrPC e STI1 ativam a via de transdução de sinal de mTOR. A via de transdução de sinal é uma ativação sequencial de proteínas que entram em ação em cadeia. Como a mTOR está relacionada a alguns tipos de câncer, o seu inibidor, a rapamicina, está sendo testada em ensaios clínicos para diversos tipos de câncer.

O funcionamento da PrPC no câncer é um tema que a equipe de Glaucia pretende estudar. “Será que uma maior quantidade de PrPC em tumores indicaria uma melhor resposta à rapamicina? Essa é uma das perguntas que tentaremos responder”, disse.

Além das pesquisadoras do Ludwig, participaram da pesquisa Martin Roffé – que conta com Bolsa de Doutorado Direto FAPESP – e Beatriz Castilho, da Universidade Federal de São Paulo.

Avanço nas pesquisas
A participação da PrPC no desenvolvimento do sistema nervoso e em processos tumorais foi descrita em outros artigos publicados no International Journal of Cancer e no Journal of Comparative Neurology , publicados em 2009 e que tiveram a participação de Vilma, Glaucia e de outros pesquisadores do Instituto Ludwig.

Neste último artigo, os pesquisadores usaram um fibroblasto – célula do tecido conjuntivo – de um animal sem PrPC e o transformaram em célula tumoral. Os pesquisadores viram que sem a PrPC, era maior a atividade de integrina, uma proteína da superfície da célula, o que fazia o tumor ficar mais agressivo e demonstrando que a PrPC possui uma atividade regulatória capaz de influenciar a progressão tumoral.

O artigo Prion protein interaction with stress-inducible protein 1 enhances neuronal protein synthesis via mTOR (doi/10.1073/pnas.1000784107), de Glaucia Noeli Maroso Hajj e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org.

Fonte: Agência FAPESP

Unifesp: vagas abertas para docentes

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) abriu processo seletivo para provimento de vagas para professor adjunto – nível 1, no campus de Osasco, em regime de trabalho de 40 horas semanais e dedicação exclusiva.

Os processos ocorrerão por meio de concurso público de títulos e provas. Há vagas nas áreas de Administração, subárea de Gestão de Operações e Serviços; na área de Atuárias (duas vagas); Ciências Econômicas, subárea de Microeconomia; Formação Científica (duas vagas), nas subáreas de Matemática e Estatística; Compreensão da Realidade Brasileira, na subárea de Ciência Política (duas vagas); e em Formação Humanística e Compreensão Humana, na subárea de Antropologia.

Para essas áreas as inscrições foram prorrogadas até 16 de agosto. O concurso será constituído de prova escrita, prova didática e prova de arguição de memorial. As atribuições gerais do cargo são docência de nível superior do concurso e participação em atividades de graduação, pesquisa, extensão, assistência e administração da Unifesp. A remuneração é de R$ 7.026,85.

Exige-se titulação mínima de doutor outorgado por instituição brasileira ou, no caso de obtenção do título em instituição estrangeira, revalidado pela Unifesp.

Os candidatos devem preencher o formulário no site da Unifesp e entregar pessoalmente ou por procurador legalmente constituído a documentação exigida na Rua Botucatu, 740, na Vila Clementino, em São Paulo.

Mais informações pelo site

Fonte: Agência FAPESP

Inpe: novo supercomputador voltado à previsão do tempo

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), receberá ainda este ano um supercomputador que terá cerca de 50 vezes mais poder de processamento que o atual. Serão 15 Teraflops, que correspondem a 15 trilhões de operações matemáticas por segundo. Segundo informações da Finep, a nova máquina é considerada a maior do mundo voltada para a previsão do tempo.

De acordo com Carlos Nobre, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do CPTEC, o novo sistema possibilitará a realização de simulações climáticas de longo período, além de formular um modelo climático brasileiro. “As decisões sobre políticas climáticas podem ser aprimoradas pela análise de dados científicos produzidos no próprio país”, enfatizou o especialista.

Nos últimos 20 anos, a Finep investiu cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de previsão do tempo e pesquisas sobre o clima no Brasil. Os recursos são destinados especialmente aos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do país, que são o Inpe e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). (Com informações da Finep)

Fonte: Gestão CT

CEM - Centro de Estudos da Metrópole lança o pontocem

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM) acaba de lançar o boletim pontocem, com o objetivo de reunir e divulgar trabalhos relacionados à pesquisa desenvolvida no centro.

A publicação, que será semestral, traz a referência bibliográfica de todas as obras e trabalhos desenvolvidos no CEM, que é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP e também um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

No primeiro número, o pontocem abriga referências dos livros publicados, capítulos em livros, artigos em periódicos, dissertações e teses, além de relatórios de pesquisa entre 2009 e 2010.

A maioria dos artigos e teses pode ser acessada pela internet a partir do link disponível. Trabalho, redes sociais, pobreza, segregação, cultura, favela, gênero, juventude, entre outros, são os principais temas de pesquisa no centro.

No número 1º, o boletim destaca livros como Trabalho Flexível, empregos precários? Uma comparação Brasil, França, Japão, organizado por Nadya Guimarães, Helena Hirata e Kurumi Sugita, e La innovación democrática em América Latina: tramas y nudos de la representación, la participación y el control social, de Adrian Gurza Lavalle e Ernesto Isunza Vera.

Fonte: Agência FAPESP