quinta-feira, 1 de julho de 2010

MCT, Sebrae e CNI: R$ 100 milhões para núcleos de inovação tecnológica

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) juntamente com o Sebrae e o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) anunciaram ontem um programa que prevê aportes superiores a R$ 100 milhões para fomentar projetos de pesquisa e desenvolvimento, principalmente na área de tecnologia, voltado para pequenas e médias empresas.

"Para o Brasil crescer em média de 5% a 6% ao ano, o caminho precisa passar por uma política industrial focada, sobretudo, na ampliação da capacidade de inovação tecnológica das empresas brasileiras. Posto isso em prática, o resultado será o aumento da competitividade da indústria tanto no mercado doméstico quanto internacional", afirmou o vice-presidente da CNI, Robson Braga Andrade.

"Temos uma defasagem de produtividade muito grande entre as pequenas e grandes empresas e isso afeta a produtividade média da indústria brasileira", ressaltou o diretor técnico do Sebrae, Carlos Alberto Santos. "Além disso, há uma ideia, principalmente entre as pequenas empresas, de que inovação é algo muito sofisticado. Com esse programa queremos mobilizar a criação de projetos de inovação. As grandes já dão importância a isso, queremos que as pequenas também tenham esse amadurecimento", acrescentou Andrade. Segundo Santos, 98% das empresas no País são micro e pequenas. O programa é desenvolvido por meio de um convênio entre CNI e Sebrae, que deve ser lançado ainda nesta semana, e por um edital entre a Confederação e o MCT, a ser assinado por ambos os órgãos na próxima semana. Os recursos deverão atender 20 estados, onde serão instalados núcleos nas federações industriais. Ambos os acordos deverão possibilitar investimentos em um universo de 18 mil empresas, a fim de sensibilizá-las sobre a importância da inovação.

Segundo Santos, a intenção do programa é criar, no curto prazo, cerca de 2,4 mil projetos concretos. "Ambas as ações deverão beneficiar 1.600 empresas inicialmente", disse o secretário executivo do MCT, Luís Elias.

Dentro do convênio firmado entre CNI e Sebrae, o aporte destinado será de R$ 48,6 milhões (recurso proveniente igualmente entre ambos os órgãos), cuja finalidade é de capacitar os gestores e induzir empresários a criar projetos de ações visando à inovação, além de servir como consultoria para buscar meios de financiamentos, como no caso do BNDES. Somando-se a isso, o ministério destinará entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que servirão de apoio para a gestão dos projetos.

Segundo os representantes, os empresários interessados devem procurar um dos 20 núcleos das federações, que passam a operar imediatamente após o lançamento do programa, que deve ser na próxima semana.

De acordo com estudo da CNI entregue em maio para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a indústria brasileira representa um quarto da economia brasileira, isto é, responde por 22% do PIB. Por outro lado, o Brasil investe 1% do PIB em pesquisa em desenvolvimento, sendo metade dos recursos advindo do setor privado e a outra parte do setor público. Em média, a participação do setor privado em países mais desenvolvidos e ricos é três vezes superior ao patamar brasileiro. "Inovação deve ser um dos pontos principais da agenda para a próxima década", aponta Elias.

Financiamentos
Apesar de elogiar a atuação do BNDES na elaboração e gestão da política de desenvolvimento do País, o presidente da CNI comentou que o banco não pode ser o único meio de obtenção de crédito se o Brasil crescer até 6% ao ano. "Se consideramos que o BNDES liberou a somatória de R$ 200 bilhões para investimentos no País e para avançarmos 6%, são necessários investimentos de R$ 600 bilhões, precisamos buscar outras fontes de crédito", aconselha Andrade.

Ele disse acreditar, ainda, que a indústria brasileira cresça a 9% em 2010 e de 5% a 6% em 2011.

Juros
O vice-presidente do CNI afirmou, após encerrar a reunião com o Sebrae, BNDES e MCT, que não há motivos para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decida elevar a taxa básica de juros (Selic). A taxa está a 10,25% ao ano.

"Nossa perspectiva é diferente do BC. Não há risco de inflação. No segundo trimestre já vemos uma retomada dos preços a um patamar adequado, por isso, devemos atingir a meta deste ano [4,5%] sem nenhuma dificuldade", acredita. "A capacidade instalada da indústria está entre 82% e 85%, só que há muito ganhos de produtividade que melhoram a automação e a forma das empresas elevarem sua produtividade, fazendo com que os preços fiquem em um patamar adequado", acrescentou Andrade.

Na opinião dele, o juro real ideal seria ao nível de 3,5% e a taxa Selic à 8% ao ano. "Mas a taxa Selic está em 10,25%, o que mostra um contrassenso do BC." (DCI - 29/06)

Fonte: CIMM

São Paulo Advanced School in Spintronics and Quantum Computation

Fronteiras da computação
Na primeira semana de novembro, em São Carlos (SP), uma centena de estudantes brasileiros e estrangeiros terá a oportunidade de interagir com alguns dos principais especialistas do mundo em spintrônica e computação quântica – áreas emergentes que, além de já terem permitido uma revolução na capacidade de processamento e miniaturização de computadores, englobam um vasto número de questões na fronteira do conhecimento na física.

A São Paulo Advanced School in Spintronics and Quantum Computation será realizada entre os dias 1º e 5 de novembro pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O evento será organizado no âmbito da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio lançada pela FAPESP em 2009.

De acordo com o coordenador do evento, José Carlos Egues, professor do Departamento de Física e Informática do IFSC-USP, participarão 50 alunos brasileiros e 50 estrangeiros, que passarão por um processo de seleção.

“Os temas da spintrônica e da computação quântica serão tratados em seu sentido mais amplo, englobando áreas que vão de semicondutores à óptica quântica. Teremos uma escola de altíssimo nível, com participação de alguns dos maiores expoentes nessas áreas”, disse.

Além de Egues, participam do comitê organizador do evento os professores Guilherme Sipahi e Esmerindo Bernardes, também do IFSC-USP, e Adilson Aparecido de Oliveira e Yara Gobato, da UFSCar.

A spintrônica é uma tecnologia emergente envolvida no aumento do poder de processamento e na miniaturização dos componentes computacionais nos últimos anos, ajudando, por exemplo, a contornar dificuldades relacionadas ao aquecimento e consumo de energia nesses dispositivos.

“Na eletrônica tradicional o funcionamento dos dispositivos é baseado na passagem ou não de corrente, que depende da carga dos elétrons. Já na spintrônica, em vez da carga elétrica é o spin, momento angular intrínseco do elétron (spin significa “giro” em inglês) que liga ou desliga os dispositivos. O uso do spin, ao contrário das cargas elétricas que colidem produzindo calor, gera menos energia. As consequências disso são enormes para os processadores”, explicou Egues.

A spintrônica nasceu em 1988, com a descoberta da tecnologia conhecida como magnetorresistência gigante (GMR, na sigla em inglês), que rendeu o prêmio Nobel de Física de 2007 ao francês Albert Fert e ao alemão Peter Grünberg.

A presença já confirmada de Grünberg será justamente um dos principais destaques da ESPCA, de acordo com Egues. “A tecnologia GMR é responsável por termos hoje os discos rígidos de alta densidade. Certamente os estudantes terão muito a aprender com Grünberg durante o curso. Além dele, teremos a participação de Stuart Parkin, da IBM, que foi responsável por fazer com que a tecnologia GMR fosse transformada em produto. A descoberta foi feita em 1988 e em 1997 a tecnologia já estava nos computadores pessoais”, disse Egues.

Além do armazenamento de dados, a spintrônica poderá ser aplicada aos semicondutores e à criação de processadores para computadores quânticos. Esse será outro dos amplos temas que estarão em foco durante o evento.

“Nossos computadores eletrônicos não têm nada de mecânica quântica em seu processamento. Se hoje temos os bits – cujos valores só podem ser 1 ou 0 –, com a computação quântica poderemos ter uma superposição na qual o 1 e o 0 poderiam aparecer ao mesmo tempo, como ocorre no mundo quântico. Evidentemente, essas máquinas não serão usadas em tarefas triviais, mas, por exemplo, em aplicações com a fatoração de números primos muito grandes, de importância para a criptografia”, explicou.

Encontro com editores
A ESPCA em spintrônica e computação quântica, segundo Egues, será organizada em minicursos nos quais os especialistas apresentarão introduções básicas sobre os temas envolvidos. “Além dos minicursos, os especialistas brasileiros e estrangeiros apresentarão resultados de pesquisas de fronteira do conhecimento”, disse.

A escola contará ainda com plenárias nas quais os pesquisadores mais experientes discutirão os desafios e oportunidades abertos nas áreas de spintrônica e computação quântica.

“Queremos atrair gente que tenha interesse em migrar para essas áreas em busca de bons problemas de pesquisa. Diferentemente das áreas tradicionais, os jovens ainda têm condições de fazer contribuições significativas e de resolver problemas interessantes em spintrônica e computação quântica. Vamos concentrar esforços em apresentar a área de forma ampla a esses jovens, além de tentar atrair talentos do exterior para São Paulo”, disse Egues.

Entre as temáticas relacionadas à área de computação quântica um tópico importante será a óptica quântica. Para isso, a escola terá a participação de pesquisadores como Luis Davidovich, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Peter Zoller, da Universidade de Innsbruck (UIBK - Áustria).

Outros participantes confirmados na escola são Vanderley Bagnato, professor do Departamento de Física e Ciência dos Materiais do IFSC-USP e coordenador do Centro de Óptica e Fotônica (Cepof) de São Carlos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, Tito Bonagamba, do Departamento de Física e Informática do IFSC-USP, e Ivan da Cunha Lima, do Instituto de Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Entre os participantes estrangeiros estão confirmados Daniel Loss, da Universidade de Basileia (UN IBAS - Suíça), Michael Flatté, da Universidade de Iowa (UIOWA - Estados Unidos), Guido Burkard, da Universidade de Konstaz ( UNI-KONSTANZ - Alemanha), e John Schliemann, da Universidade de Regensburg (UNI-REGENSBURG - Alemanha).

A São Paulo Advanced School in Spintronics and Quantum Computation contará ainda com um evento paralelo, o workshop Meet the editors, que terá a participação dos editores Peter Adams, da Physical Review B, e de Daniel Ucko, da Physical Review Letters.

“A ideia é orientar os participantes a lidar com o processo de publicação científica. Já realizamos esse evento em São Carlos e ele foi muito bem recebido pela comunidade científica”, disse Egues.

Mais informações: (16) 3373-9760

Fonte: Fábio de Castro /Agência FAPESP

Pesquisadores automatizam técnica para diagnóstico parasitológico

Diagnóstico automatizado
Após desenvolver um método considerado mais sensível em relação aos convencionais para o diagnóstico parasitológico das fezes, um grupo de pesquisadores começa a testar a automatização do sistema.

De acordo com Jancarlo Ferreira Gomes, pesquisador dos Institutos de Biologia (IB) e de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a proposta da Técnica Coproparasitológica de TF-Test (Three Fecal Test) é garantir diagnósticos de alta eficácia com baixo percentual de erro. “Com a automatização, pretendemos ampliar a modalidade do diagnóstico parasitológico das fezes”, disse.

A automatização envolveu duas etapas. A primeira se referiu à análise de imagens e à regulagem e aquisição de imagem e detecção de estruturas parasitárias (em lâmina de microscopia) por computador.

“A segunda foi justamente promover a interação do equipamento – que contém câmera digital, platina motorizada e microscópio – com o computador, para a realização dos procedimentos de forma automática”, explicou Gomes.

O processo automatizado ainda está em fase de testes, mas os resultados obtidos até agora são promissores. “Nossa intenção é que em mais um ano a automatização esteja concluída e pronta para ser industrializada e comercializada”, disse.

O TF-Test foi criado em 2004 por pesquisadores da Unicamp, em colaboração com colegas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Taubaté (Unitau), e em parceria com a empresa Immunoassay.

Desde 2005, o kit é comercializado para testes manuais. Atualmente, são vendidos cerca de 45 mil kits por mês a laboratórios de análises clínicas. Gomes e colegas concluíram a técnica a partir do projeto “Desenvolvimento de novos kits destinados ao diagnóstico de parasitoses intestinais em amostras fecais”, coordenado por Sumie Hoshino Shimizu, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e apoiado pelo Programa FAPESP na modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

“Fizemos melhorias no TF-Test e obtivemos imagens de maior qualidade para detecção de estruturas parasitárias. A sensibilidade da técnica está acima de 90%”, afirmou. Segundo ele, a maior parte dos métodos convencionais empregados nos exames de fezes para detectar parasitos apresenta diagnóstico com sensibilidade entre 48% e 76%.

Para aprimorar o diagnóstico laboratorial das enteroparasitoses e a técnica de TF-Test, o grupo finalizou em 2008 um projeto para análises de imagens de parasitos intestinais, apoiado pela FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular.

Na atual etapa, que envolve o melhoramento da imagem, foram obtidas lâminas mais limpas de impurezas fecais, comuns nos testes convencionais, e com maior concentração de parasitos que as convencionais, segundo Gomes. Esse novo desdobramento da técnica foi denominado de TF-Test Modified.

Nas duas etapas finais, o projeto está sob a coordenação do professor Alexandre Xavier Falcão, do IC da Unicamp. Atualmente, Gomes desenvolve o projeto de pós-doutorado “Análise automatizada de enteroparasitos para finalidade diagnóstica”, com Bolsa da FAPESP.

Patentes

O TF-Test Modified consiste na análise a partir da coleta de três amostras, realizadas em dias alternados. “Cada coletor contém um líquido conservante à base de solução neutra de formalina, que conserva as estruturas coletadas por até 30 dias sem necessidade de refrigeração. Além disso, usamos alguns reagentes para eliminação de impurezas fecais”, explicou.

Com as melhorias da técnica foi possível, segundo Gomes, detectar com maior exatidão as estruturas de parasitos como a giárdia, que é de difícil diagnóstico por meio de exames convencionais devido a seu complexo ciclo vital.

A técnica concentra as amostras, fazendo o diagnóstico mesmo em casos mais difíceis, em que o indivíduo apresenta baixa e moderada intensidade de infecção. “Nos testes tradicionais, muitos casos dão como resultados falsos negativos”, disse.

Gomes afirma que a técnica é abrangente e permite detectar a maioria das espécies parasitárias. Ao fazer um levantamento epidemiológico com o TF-Test convencional, concluído no início de 2010, com 737 alunos da Escola Municipal Professor José Jurandyr Piva, no município de Pedreira (SP), os pesquisadores registraram alta positividade de enteroparasitos.

Os resultados apontaram que 342 crianças estavam com enteropasitoses, sendo que 194 apresentavam parasitismo simples e 148 poliparasitismo.“Atualmente trabalhamos com a validação das 16 espécies de helmintos e protozoários mais prevalentes no Brasil. Nos estudos que realizamos, procuramos trabalhar a prevalência e não a patogenicidade, pois nosso interesse foi validar a tecnologia”, disse.

O TF-Test resultou em duas patentes solicitadas pela empresa Immunoassay junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e outra solicitada à World Intellectual Property Organization (WIPO).

As duas fases posteriores – que incluem a análises de imagens e a atual fase de automatização – geraram mais quatro solicitações de patentes, três nacionais e uma internacional, solicitadas pela Agência de Inovação da Unicamp (Inova).

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP

Pan-American Advanced Studies Institute on Rare Isotopes

O Pan-American Advanced Studies Institute on Rare Isotopes será realizado de 1º a 13 de agosto em João Pessoa (PB).

Foco de estudo da física e da astrofísica, os isótopos nucleares raros estarão no centro desse evento que tem como objetivos disseminar o conhecimento dessa área no continente americano, estimular a formação e a cooperação entre os físicos que atuam no continente e contribuir para ampliar a participação nesse campo de pesquisa.

A organização incentiva a participação de interessados de todos os níveis de formação, inclusive de estudantes de graduação.

Entre os conferencistas convidados estão: Jorge Lopez (Universidade do Texas El Paso , Estados Unidos), Luiz Chamon (Universidade de São Paulo), Brett Carlson (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ITA), Ed Brown (Univerdade do Estado de Michigan, Estados Unidos), Bruce Barrett (Universidade do Arizona, Estados Unidos), Baha Balantekin (Universidade de Wisconsin, Estados Unidos), Andres Kreiner (Laboratório Tandar, Argentina) e Angela Bonaccorso (Instituto Nacional de Física Nuclear, Itália).

O local do evento é o Tropical Tambaú Hotel, que fica na avenida Almirante Tamandaré, 229, Tambaú, João Pessoa.

Mais informações pelo site.

Fonte: Agência FAPESP