sábado, 12 de junho de 2010

Nelson Mandela era condenado à prisão perpétua em 1964

No dia 12 de junho de 1964, Nelson Mandela, líder do Congresso Nacional Africano, então ilegal, e outros sete correligionários foram condenados à prisão perpétua. Nelson Mandela só seria libertado em 1990

"Estou feliz e, ao mesmo tempo, profundamente triste em poder voltar a Soweto. O que me entristece é ver que vocês continuam sofrendo sob o sistema desumano do apartheid."

Esta foi a primeira declaração feita por Nelson Mandela, em fevereiro de 1990, quando saiu da prisão em que ficou confinado durante quase 28 anos. Suas primeiras palavras em liberdade foram abafadas pelas vozes de seus correligionários, que cantavam em clima de festa o hino Deus salve a África. Eles já pressentiam que o apartheid estava com os dias contados.

Também o que aconteceu nas décadas que antecederam esse dia nunca será esquecido pela África do Sul. Nelson Mandela, líder do então proibido Congresso Nacional Africano (CNA), passara a viver na clandestinidade em 1961. Ele havia jurado que lutaria, se necessário até com armas, contra a discriminação racial garantida por lei.

Segregação racial ancorada na lei
A partir de 1911, uma série de leis consolidara o domínio dos africâners (descendentes de holandeses) e ingleses sobre a maioria negra. Essa política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a ascensão ao poder do Partido Nacional, que se manteve como força política dominante por mais de 40 anos.

O apartheid impedia os negros de possuírem terra, sua participação política e acesso às profissões mais bem remuneradas. Também os obrigava a viver em áreas separadas das zonas residenciais de brancos. Os casamentos mistos e as relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram proibidas.

CNA: resistência e ilegalidade
A oposição ao regime do apartheid intensificou-se a partir dos anos 50, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), fundado em 1912, lançou uma campanha de desobediência civil. Em 1960, depois do massacre de 67 negros pela polícia numa manifestação, o CNA foi declarado ilegal.

Segundo Mandela, muitas pessoas notaram então que não fazia sentido falar de paz e não-violência diante de um governo que respondia com ataques brutais contra pessoas desarmadas e desprotegidas. Mas, antes que o CNA pudesse começar a responder à violência com violência, Mandela e vários companheiros foram presos e levados a tribunal.

Prisão perpétua: uma forma de clemência
Mandela esperava para si e seus amigos a pena de morte. O juiz Quartus de Wet, no entanto, anunciou no dia 12 de junho de 1964 que decidira não aplicar a pena máxima. Sob o argumento de estar apenas cumprindo sua obrigação e que esta era a única clemência possível, ele condenou todos os acusados à prisão perpétua. O então prisioneiro político mais conhecido do mundo seria libertado só em fevereiro de 1990.

O hino do ANC virou hino nacional e Nelson Mandela foi eleito, em 1994, primeiro presidente negro da história da África do Sul. Em outubro do mesmo ano, recebeu junto com o último presidente branco, Frederik de Klerk, o Prêmio Nobel da Paz. (Klaudia Pape - gh)

Fonte: DW

IPT: estudos sobre a substituição da cera por resina em processos de precisão

O Laboratório de Metalurgia e Materiais Cerâmicos (LMMC) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está estudando um novo procedimento para a fundição de precisão, que poderá dar mais economia e agilidade ao desenvolvimento de peças em escala reduzida para simulações de componentes de embarcações no Centro de Engenharia Naval (CNaval) do Instituto.

Máquina de prototipagem rápida executa modelo de hélice em resina
A ideia dos pesquisadores é substituir o tradicional modelo de cera das peças fundidas em molde cerâmico por modelos de resina, confeccionados por uma máquina de prototipagem rápida. Essa máquina, na verdade uma impressora 3D, materializa com camadas sobrepostas de resina as peças projetadas em CAD.

A vantagem econômica dessa substituição é eliminar a necessidade da matriz usinada em aço para a execução do modelo de cera, insumo que encarece o processo tradicional. “Para pequenas séries de produção, o processo que estamos propondo permite também o desenvolvimento de peças com formas bastante complexas”, afirma o pesquisador Mário Boccalini. As peças que serão produzidas são hélices com duas ou três pás para propulsão de embarcações.

Mas há desafios técnicos a serem vencidos. No processo tradicional, a cera é derretida no molde cerâmico e, por conta de seu baixo ponto de fusão, isso é feito com facilidade. No caso da resina, ela precisará ser submetida a um forno que trabalha entre 1 mil e 1,1 mil graus centígrados para derreter e até mesmo evaporar.

“Esse é um processo novo, não existe nada publicado a respeito”, afirma o pesquisador Marcelo Moreira, que contou apenas com informações dos fabricantes de máquinas de prototipagem para iniciar os estudos. Outra questão é que o coeficiente de dilatação da resina é grande e o da cerâmica, pequeno. A cerâmica, desse modo, tem que resistir à pressão da resina submetida ao calor.

O processo para a fundição da peça propriamente dita também está em estudo, visto que é preciso garantir que todas as cavidades do molde sejam completamente preenchidas. Será feito um teste de fundição por gravidade inicialmente. A partir de seus resultados, será verificada a necessidade ou não de fundição por centrifugação.

Na etapa atual dos trabalhos, os pesquisadores estão analisando qual o melhor material metálico para a fundição dos hélices. Como se trata de modelos em escala, essas peças não precisam ter o mesmo material que as peças reais, mas ao mesmo tempo necessitam ter resistência para não se deformarem durantes os ensaios. “Está em perspectiva adotar ligas de cobre, que têm baixa dureza e permitem que a peça receba acabamento manual depois de fundida”, diz Boccalini.

UFSC e UFRJ representam o Brasil no Frisian Solar Challenge

UFSC e UFRJ participam do maior evento europeu de embarcações solares

A equipe Vento Sul, formada por alunos e professores da UFSC e UFRJ, vai participar da terceira edição do Frisian Solar Challenge. Este é o maior evento europeu para embarcações solares, com participantes percorrendo 220 quilômetros de canais de 11 cidades da região da Frísia, no norte da Holanda. A competição, que ocorre a cada dois anos, será realizada entre os dias 4 e 10 de julho.

Em outubro do ano passado o grupo da UFSC, formado por docentes e estudantes de graduação das áreas de engenharia, design e jornalismo, além de integrantes do Laboratório de Energia Solar (Labsolar), venceu o Desafio Solar Brasil, em Paraty (RJ), na classe catamarã. Com a vitória, foi selecionada para participar do campeonato mundial de barcos elétricos abastecidos com energia solar fotovoltaica. Para este novo desafio, a UFSC fez uma parceria com o vencedor na classe mono casco: o Laboratório de Mecânica das Turbulências da COPPE/UFRJ, e assim surgiu a equipe Vento Sul – UFSC/UFRJ.

O novo barco, que será enviado para a Europa na próxima quarta-feira (16/6), está enquadrado na Classe A, com comprimento máximo de seis metros e largura máxima de dois metros e quarenta centímetros. A UFRJ foi responsável pela construção do casco laminado a vácuo em fibra de carbono. A UFSC pelo mecanismo de propulsão - motores elétricos de alta eficiência e hélices modelados para otimização na transmissão mecânica de energia – e pelo sistema de energia, formado por painéis solares.

A equipe Vento Sul trabalha com o uso criativo de tecnologias comercialmente disponíveis para maximizar eficiência e causar pouco ou nenhum impacto ambiental. O barco solar é um meio para estimular o desenvolvimento de novas tecnologias aliadas à energia fotovoltaica. Além disso, é uma alternativa aos atuais motores a diesel, que poluem as águas e fragilizam ainda mais os ecossistemas.

A energia de origem fotovoltaica ainda possui um custo elevado devido ao seu estágio tecnológico atual. O projeto do barco solar é uma forma de estimular a produtividade acadêmica de alunos e professores quanto às aplicações e desenvolvimento desta energia. Embarcação está sendo montada no Lagoa Iate Clube (LIC), na Lagoa da Conceição.

Mais informações no site www.barcosolar.ufsc.br