quarta-feira, 9 de junho de 2010

História e Música no Brasil

Sonoridades da história
Na década de 1920, jornais e revistas de São Paulo começaram a registrar um espetáculo curioso: pessoas se aglomeravam diariamente em frente às lojas de discos para ouvir os lançamentos da época, que incluíam tango, maxixe, marchinhas ou sambas, em gravações de artistas como Francisco Alves, Gastão Formenti, Stefana de Macedo ou Vicente Celestino.

Os mais abastados também se reuniam em cafés e outros lugares públicos, principalmente no centro comercial da cidade. A prática da escuta coletiva permaneceu mesmo após a proibição da Câmara Municipal, com o argumento de que o alto volume das vitrolas perturbava o sossego de comerciantes.

O episódio está registrado em um dos capítulos do livro História e Música no Brasil, organizado por José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba, que acaba de ser lançado. A obra reúne nove capítulos de pesquisadores ligados ao grupo Entre a Memória e a História da Música, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), criado em 2004.

O livro, que é acompanhado de CD, analisa fragmentos da história musical do país desde a chamada música colonial, passando pela chegada da família real em 1808, que imprimiu nova dinâmica cultural ao país, até o surgimento da indústria fonográfica nas três primeiras décadas do século 20. Destaca também artistas que marcaram a história da música popular brasileira, como Nazareth e Pixinguinha. A obra recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

De acordo com Vinci, professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História Social da USP, apesar de estar organizada de forma cronológica, a publicação não busca linearidade ou “sentido para o tempo histórico”.

“O livro procura mostrar que a história da música no Brasil faz parte de uma construção múltipla. Não é apenas uma trajetória exclusiva e obsessiva da música nacional nem uma herança dada e muito menos exclusivamente afro-americana com relação às tradições populares. De outro lado, a obra evita fazer uma historiografia da música no Brasil baseada na dinâmica linear dos gêneros musicais ou nos autores”, disse.

Uma das dificuldades do estudo realizado pelo grupo – que se centra sobretudo na música popular urbana – tem a ver também com as fontes de pesquisa. Os registros mais organizados são encontrados na imprensa ou são frutos de programas radiofônicos. É o caso de Almirante, cantor e radialista carioca que reuniu nas décadas de 1940 e 1950 um acervo fonográfico e bibliográfico que se tornou a base inicial do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, fundado por Carlos Lacerda (1914-1977), jornalista e político brasileiro, ex-governador e membro da União Democrática Nacional (UDN).

“A pesquisa pretende discutir como se constrói uma narrativa historiográfica. A música também é o que as pessoas dizem sobre ela e como elas compreenderão depois o que foi dito, como a música popular, por exemplo. Como se chega a essa música, que não foi registrada em partitura nem em disco? Somente por meio do que foi dito”, disse Moraes.

Ele escreveu o capítulo Entre a memória e a história da música popular, resultado do projeto com mesmo título e que recebeu apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. A pesquisa de Moraes – e também do grupo que é coordenado por ele – resultou na construção do site Memória da Música.

O projeto também teve apoio da FAPESP na forma de Bolsas de Iniciação Científica para coleta de dados e já abriga quase 400 registros de trabalhos publicados por historiadores e musicólogos, acompanhados também de arquivos sonoros.

“A ideia foi criar um banco de dados para começar a refletir sobre os modos como os historiadores interpretam a música. A partir deste ano, pretendemos iniciar as análises qualitativas dos estudos arquivados no site”, disse.

A relação entre história e música ainda é um campo em aberto, segundo o pesquisador. “Existem algumas linhas de análises predominantes que, infelizmente, se tornaram também uma espécie de camisa de força e limitação, que se concentram no estudo da malandragem e da música no Estado Novo (1937-1945), na Bossa Nova e na década 1960 com os festivais. A maior parte das pesquisas ainda prefere abordar essas três linhas”, afirmou.

Construção do gosto brasileiro
O principal objetivo do livro, de acordo com o professor da USP, foi entender a história cultural da música. No capítulo Música na América Portuguesa, Paulo Castagna, do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), analisa a chamada música colonial, que marcou os três primeiros séculos após o Descobrimento, mas que é contestada pelo autor, que prefere utilizar o termo “música na América portuguesa”.

“O texto de Castagna identifica as diferentes experiências e práticas musicais que ocorreram no país, sem criar fortes hierarquias entre a música erudita e popular. Ele analisa tanto a música religiosa e profana trazida pelos colonizadores europeus como também aborda as práticas dos indígenas e negros”, disse Moraes.

Um marco para a história da música brasileira se deu com a vinda da corte de D. João 6º, em 1808, que é analisada no capítulo Aspectos da Música no Brasil na primeira metade do século XIX. É nessa fase que se inicia um processo de “construção do gosto” musical específico no Brasil.

A chegada da Corte imprimiu nova dinâmica sociocultural ao Rio de Janeiro, com a entrada em cena de compositores, copistas e intérpretes como, por exemplo, os castrati, cantores representantes da escola italiana de canto setecentista cuja extensão vocal corresponde à das vozes femininas.

De acordo com Vinci, o momento seguinte – segunda metade do século 19 – inicia um interessante processo de hibridização e de misturas múltiplas. “É um período em que o Rio de Janeiro já tinha consolidado intensa vida musical que se manifestava tanto nos teatros fechados e ambientes cortesãos como nos espaços públicos e populares. Ou seja, é o momento em que se começam a decantar os gêneros musicais populares como choro, xote e samba urbano. Muitos deles vieram de influências da música europeia”, disse.

De autores como Pixinguinha – que sintetiza essa trajetória de hibridização cultural – ao samba-exaltação no Estado Novo (1937-1945), a obra aborda também a pouco conhecida produção fonográfica paulista na década de 1930 no capítulo Vitrola paulistana pelos olhos e ouvidos de um basbaque-andarilho, escrito por Camila Koshiba Gonçalves, doutoranda em história social pela USP.

“O artigo de Camila trata da presença do disco no meio da população, da função pública que cria para a difusão da música já que o público não tinha dinheiro nem para comprar o fonógrafo nem as bolachas. Toda essa prática pública foi importante para criar um gosto musical”, disse.

A década de 1950 é destacada no capítulo Na trilha das grandes orquestras. O ABC da cidade moderna. Aviões, Bailes e Cinema, de Francisco Ro cha, pesquisador ligado ao grupo. O texto procura compreender as relações entre os signos da cidade moderna (avião, bailes e cinema) com a música popular.

Em cada capítulo do livro, o leitor poderá acompanhar os textos com referências das músicas contidas no CD. “A ideia original era que para cada capítulo tivéssemos dois registros sonoros do que é apresentado e discutido, mas, infelizmente, esbarramos na questão de direitos autorais”, disse.

Entre as músicas, há algumas preciosidades sonoras como a gravação de Batuque, de Henrique Alves de Mesquita, realizada em 1910, do programa do radialista Almirante de 1938, e Quem dá mais (ou Leilão do Brasil), gravada por Noel Rosa em 1932.

* Título: História e Música no Brasil
Organizadores: José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba
Páginas: 412

Mais informações pelo sitio

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP

Cern: escola de física para professores brasileiros de ensino médio

Até 21 de junho estão abertas as inscrições para o processo seletivo de professores de física de ensino médio, das redes particular, municipal, estadual e federal, para participar da Escola de Física Cern 2010, que ocorrerá de 5 a 10 de setembro em Genebra, Suíça.

O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), um dos principais laboratórios de pesquisa em física no mundo, é o responsável pelo Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas já construído.

O Cern mantém um programa de educação destinado a professores de diversos países da Europa. Por meio de negociações de pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) com centros portugueses foi feito um acordo para incluir brasileiros no programa.

Poderão se inscrever somente professores de física do ensino médio ou que tenham habilitação para ministrar a disciplina e que estejam em atividades de docência e em sala de aula de turmas.

A seleção levará em conta eventual titulação de pós-graduação do candidato (especialização, mestrado ou doutorado) e a área de sua realização, além do envolvimento do candidato em projetos e atividades de pesquisa ou extensão ligados ao ensino.

Os custos estimados para a participação de cada professor são de R$ 5 mil. A expectativa dos organizadores é que sejam selecionados 20 professores. Por conta disso, pede-se que o candidato solicite uma declaração da instituição à qual está vinculado, na qual a instituição se compromete a conceder as diárias internacionais necessárias ao desenvolvimento da atividade. Entretanto, esse critério não elimina o candidato.

A solicitação de inscrição será feita apenas por meio de e-mail redigido conforme modelo e enviado, juntamente com a documentação exigida, até a data-limite para o e-mail , indicando o assunto “Escola de Física CERN 2010”.

A documentação necessária deverá ser enviada por meio de arquivos anexados à solicitação de inscrição e deverá seguir rigorosamente os modelos de documentos disponíveis no site.

Mais informações no sitio da SBF

Fonte: Agência FAPESP

Instituições de ensino preparam mão de obra especializada mas não atendem a demanda

A educação no desenvolvimento industrial

A falta de mão de obra qualificada é um dos maiores entraves no desenvolvimento econômico, industrial e social do Brasil. As empresas já sofrem com a dificuldade de contratar profissionais qualificados. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que em poucos anos irá faltar engenheiros no país.

A produção industrial cresceu 18% no primeiro quadrimestre de 2010, e a perspectiva é que continue subindo. Quando aumenta a produção, também sobe a procura por funcionários. Este é um dos motivos para a queda do número de desempregados no país nos primeiros meses de 2010. No entanto, existe a barreira da desqualificação, que impede as empresas com vagas em aberto de absorver o contingente que ainda não tem espaço no mercado de trabalho. Em alguns casos, para diminuir o impacto causado pela falta de mão de obra qualificada, muitas empresas treinam seus próprios funcionários, promovem cursos, workshops, palestras.

Um reflexo desta necessidade de profissionais está em uma pesquisa desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os dados apresentados revelaram que quem cursa algum tipo de modalidade de educação profissional - qualificação, ensino médio técnico ou curso superior profissionalizante - tem 48,2% mais chances de conseguir uma ocupação profissional do que quem não fez esses cursos.

O papel das instituições de ensino
Pensando na importância da educação para o desenvolvimento social e econômico do cidadão, muitas instituições de ensino oferecem cursos de acordo com as necessidades da região onde estão inseridas e fazem parcerias com indústrias locais para absorção da mão de obra dos estudantes que passam por suas salas de aula.

Uma dessas instituições é o Senai, que em Santo Antônio da Platina, fornece cursos do segmento metal-mecânico há três anos, estando há 12 na cidade. A instalação destes cursos se deu pela mudança das necessidades da região.

Por muito tempo focada no setor agropecuário, a cidade com 42 mil habitantes, localizada na mesorregião do Norte Pioneiro do Paraná, começou a ver suas cidades crescerem e a população do campo diminuir. Com uma gama de indústrias precisando de profissionais, o Senai passou a oferecer diversos cursos direcionados para as necessidades do setor.

Para melhorar ainda mais a capacitação dos estudantes, a instituição inaugurou este ano o laboratório de metal-mecânica, que atende todas as modalidades de ensino oferecidas pela instituição, com equipamentos novos, estrutura e espaço físico adequado. O Senai também oferece curso gratuito de Aprendizagem industrial, destinado a jovens entre 14 a 24 anos, de baixa renda.

"A busca por maiores níveis de produtividade e competitividade em âmbito mundial por parte do setor produtivo demanda das entidades de educação profissional novas estratégias de atuação. A educação profissional deve promover capacitação para atividades tecnicamente mais complexas, de maneira a proporcionar ao educando a capacidade de avaliar, criticar, propor e tomar decisões", explica Amanda Nogueira Rosa, analista de negócios do Senai.

Outro exemplo, também no Norte Pioneiro do Paraná, mas agora na cidade de Cornélio Procópio, é a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), antigo Cefet-PR. O campus oferece o curso de Tecnologia em Manutenção Industrial desde 1998, com conceito “A” pela avaliação de cursos do Ministérioda educação (MEC). São oferecidas 22 vagas semestrais, formando cerca de 40 alunos por ano. Outros cursos também são ministrados, como o de engenharia industrial mecânica, industrial elétrica, curso superior de tecnologia em automação industrial, ensino médio técnico em mecânica, além de cursos de pós-graduação nestas áreas.

"A UTFPR Campus Cornélio Procópio proporciona para a região uma opção de formação qualificada para estudantes que optaram por um curso técnico, tecnológico ou engenharia, nas áreas de mecânica, elétrica e computação, criando condições para implantação de indústrias dos setores acima através de formação de mão de obra qualificada, dentro dos padrões mais exigentes do mercado", afirma o professor Marcio Sadao Hirata, responsável pelo setor metal-mecânico da instituição.

A instituição também mantém convênios com indústrias por meio da Diretoria de Relações Empresariais e Comunitárias, oferecendo serviços como consultorias, prestação de serviços e convênios específicos para solução de problemas das empresas da região.

A qualificação da mão de obra reflete diretamente na utilização de processos e máquinas modernas. O investimento em educação é, com certeza, uma das melhores maneiras, senão a mais importante, de evitar uma desindustrialização do Brasil e uma crise desenvolvida não pela falta de emprego, mas pela defasagem dos profissionais que disputam as vagas.

Fonte: CIMM

ONU: inscrições abertas para seleção de estagiários

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), abrem de 1º a 15 de junho de 2010, o 2º processo de seleção para 3 estudantes negros (pretos e pardos) cursando mestrado ou doutorado na área de Ciências Humanas ou Sociais, interessados em estagiar na Delegação permanente do Brasil em Genebra, Suíça e acompanhar as atividades do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU).

O estágio terá duração de três meses (ano de 2011), não será remunerado e está inserido no Programa de Formação Complementar e Pesquisa na Área de Direitos Humanos da Agência Brasileira de Cooperação, que oferecerá os recursos para passagem, hospedagem, alimentação e transporte dos candidatos selecionados. A análise dos currículos será realizada por Comissão Científica composta por representantes dos Ministérios proponentes e da Sociedade Civil.

Os pré-requisitos para as vagas são:
* Ter idade máxima de 35 anos;
* Ter concluído ou estar em vias de concluir pós-graduação ("stricto sensu") em área conexa aos temas abrangidos pelo programa de formação complementar e pesquisas humanas e sociais;
* Ter domínio comprovado da língua inglesa;
* Ter disponibilidade de dedicar-se em tempo integral.

Para candidatar-se ao programa, o estudante deverá enviar até dia 15 de junho o currículo pelo e-mail

Maiores informações pelo site.

Fonte: Portal da Igualdade