segunda-feira, 7 de junho de 2010

Capes/Fulbright : seleção de professores assistentes de língua portuguesa

Estão abertas as inscrições para o programa de bolsas Capes/Fulbright, cujo objetivo é selecionar professores assistentes de língua portuguesa nos Estados Unidos. Os interessados tem até 15 de julho para preencherem o formulário, disponível no site da Comissão para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos da América e o Brasil (Fulbright).

Serão oferecidas até 30 bolsas com duração de nove meses. Entre os benefícios concedidos estão inclusos moradia, alimentação, transporte local, seguro saúde e passagem aérea de ida e volta. O bolsista deverá cursar duas disciplinas por semestre, sendo uma delas obrigatoriamente Estudos sobre os Estados Unidos.

Estão aptos a concorrer candidatos de nacionalidade brasileira que possuam licenciatura em língua portuguesa e/ou língua inglesa, e proficiência em inglês. É preciso morar no Brasil durante o processo seletivo e não receber bolsa ou benefício financeiro de outras entidades brasileiras para o mesmo objetivo. Professores da rede pública de ensino e ex-bolsistas do Programa Universidade para Todos (Prouni) terão prioridade.

O edital está disponível neste link.

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 2022-6664 e (61) 3248-8605 ou pelo e-mail1 ou e-mail2 .

CNPq recebe propostas no âmbito do edital Universal

O CNPq está recebendo propostas no âmbito do edital Universal, cujo objetivo é apoiar projetos de pesquisa científica e tecnológica, em qualquer área do conhecimento. As inscrições podem ser feitas até 5 de julho.

As propostas aprovadas serão financiadas com recursos da ordem de R$ 120 milhões, sendo R$ 50 milhões oriundos do CNPq e R$ 70 milhões provenientes do FNDCT/Fundos Setoriais. O proponente deve possuir o título de doutor e ter seu currículo cadastrado na Plataforma Lattes.

Poderão apresentar propostas os pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior, institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento, públicos ou privados sem fins lucrativos, e empresas públicas que executem atividades de pesquisa em ciência, tecnologia ou inovação.

O edital está disponível neste link.

Fonte:Gestão CT

Ex-professor da Unicamp:universidades devem formar desenvolvedores e não apenas pesquisadores

Culturas diferentes

A universidade brasileira pode se tornar um elo eficiente na cadeia de tecnologia e inovação. Mas para isso, além de formar pesquisadores em seus programas de pós-graduação, ela precisará começar a formar desenvolvedores, cujo perfil é mais adequado para as necessidades das empresas.

O ponto de vista defendido pelo engenheiro José Ellis Ripper Filho, presidente da AsGa S.A. (Soluções em Telecom), foi um dos destaques da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), realizada de 26 a 28 de maio, em Brasília.

Exemplo bem-sucedido de migração da academia para o mundo empresarial, Ripper fundou a empresa em 1989, quando era professor titular no Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A AsGa teve diversos projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP por meio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), especialmente para o desenvolvimento de tecnologias de transmissão em redes de fibras ópticas.

Graduado em 1961 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ripper fez mestrado e doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e, também nos Estados Unidos, foi pesquisador dos Laboratórios Bell Labs.

Segundo ele, a cultura da pós-graduação no Brasil se concentra na formação do pesquisador individual e, eventualmente, em um líder de pesquisas. Mas, afirma, as empresas não querem pesquisadores e sim desenvolvedores.

“São cabeças diferentes, formadas por culturas diferentes. O desenvolvedor é alguém que ajuda a equipe a resolver o problema. O trabalho de equipe é inerente ao desenvolvimento de produtos, de tecnologias e de processos. Não interessa à empresa apenas uma mente brilhante capaz de achar a solução sozinha, mas sim um indivíduo capaz de ajudar a equipe a resolver o problema”, disse.

De acordo com Ripper, a cultura do pesquisador é altamente eficiente para as necessidades da universidade, onde a missão principal é formar recursos humanos e, consequentemente, a orientação de alunos é fundamental, mas não para as empresas, onde a atividade de desenvolvimento de produtos é inerentemente uma atividade coletiva. Mesmo em carreiras vistas como mais afeitas à inovação, a diferença cultural se manteria.

“A universidade tende a formar gente à sua imagem e semelhança, mesmo nas carreiras menos especulativas e mais aplicadas. Se tomarmos como exemplo a pós-graduação em engenharia nas duas maiores universidades paulistas, veremos que elas formam essencialmente pesquisadores de engenharia e não engenheiros. Isso não significa que alguns não se transformem em engenheiros, mas, do ponto de vista da universidade, ser pesquisador é visto como algo mais nobre”, disse.

A opção do mestrado empresarial, no entanto, não seria uma boa solução. “É bobagem. O que precisamos para a empresa em termos de conteúdo é o mesmo que precisamos para a pesquisa: formação sólida. A diferença não está no conteúdo, mas na forma da tese”, afirmou.

Para Ripper, embora não seja incomum que pesquisadores se tornem desenvolvedores, é difícil mudar a cultura das universidades para estimular essa transformação.

“As instituições têm vocações mais rígidas do que as pessoas. Embora muitos pensem que a pesquisa e a prestação de serviços sejam objetivos da universidade, essas são apenas atividades meio para seu objetivo único, que é a formação de recursos humanos. Mas elas formam profissionais que vão passar 95% de sua vida lidando, nas empresas, com conhecimento que ainda não existe enquanto elas cursam a universidade”, disse. Então não adianta inserir conteúdo prático e achar que é isso que as empresas querem.

Enquanto a universidade se dedica fundamentalmente à pesquisa, a empresa de porte médio só está interessada no desenvolvimento, segundo Ripper. “A ênfase da universidade na pesquisa a torna muito eficiente durante a fase especulativa de um projeto. É nessa fase que se pode gerar teses”, afirmou.

Outra característica da universidade é o baixo risco relacionado às pesquisas. “A formatura proporciona um fim natural às pesquisas. O doutorado termina e as ideias que foram levantadas ali podem ser abandonadas sem nenhum processo traumático. Em outras organizações, empresas ou institutos de pesquisas, não há ‘formatura’, portanto abandonar um projeto é visto como um fracasso, aumentando o risco de iniciar um projeto especulativo”, afirmou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

ABTLuS - Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron tem novo diretor

O professor Walter Colli é o novo diretor geral da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS). Durante a cerimônia de posse, realizada no dia 1º de junho em Campinas (SP), Colli enfatizou o papel das Organizações Sociais (OS) como prestadoras de serviços sociais em setores que não são exclusivos do Estado.

Colli é graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em bioquímica pela Faculdade de Medicina e Livre-Docente pelo Instituto de Química da USP. É membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS), e da Ordem do Mérito Científico do Brasil nas classes Comendador e Grã Cruz.

A associação é uma OS, que por meio de contrato de gestão com o MCT opera o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que reúne os laboratórios nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e de Biociências (LNBio).

A ABTLuS é uma instituição associada à ABIPTI.

Fonte: Gestão CT

Brasil e Cepal ampliam cooperação científica

O MCT assinou na segunda-feira (31) um acordo para ampliar a cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas (ONU). Trata-se de um termo de ajuste complementar a um memorando assinado em 2007 entre as duas instituições. Com a adaptação será possível, por exemplo, criar o Programa de Formação de Gestores de Ciência, Tecnologia e Inovação.

“A ciência e a tecnologia são importantes ferramentas para o desenvolvimento de uma Nação. Para isso, precisamos de pessoal qualificado em C&T. O acordo traz várias atividades capazes de formar gestores nessa área”, destacou o ministro da C&T, Sergio Rezende. O ajuste prevê, ainda, a realização de atividades como seminários para reforçar a capacidade dos países de investir em pesquisa e desenvolvimento e criação de mecanismos para financiar novos projetos.

Segundo a secretária executiva da Cepal, Alícia Bárcena, o acordo é mais um passo para o crescimento dos países da América Latina. “Tenho certeza que será muito importante para os pesquisadores de todos os países desse continente. A interação entre os cientistas e a formação de gestores em C&T é fundamental”, destacou.

Fonte: MCT

Transformando celulas adultas em células-tronco pluripotentes

Contribuição brasileira
Um estudo realizado por cientistas brasileiros descreveu pela primeira vez um novo fator que influencia na reprogramação de células adultas para a geração de células-tronco pluripotentes – que são capazes de se diferenciar em outros tecidos do corpo, como ocorre com as células-tronco embrionárias, mas sem a destruição de embriões.

Realizado por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – e do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), o estudo gerou o primeiro artigo científico feito no país sobre células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês).

Os resultados foram publicados na última quarta-feira (2/6), na edição on-line da revista Stem Cells and Development, e em breve sairão na edição impressa.

As IPS são artificialmente derivadas de células somáticas reprogramadas por meio da introdução de determinados genes. A técnica foi desenvolvida em 2006 por um grupo coordenado por Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, no Japão.

Desde então, os cientistas têm utilizado, para a reprogramação, quatro genes ligados ao processo de especialização das células, que são introduzidos em fibroblastos (células do tecido conjuntivo) com a ajuda de retrovírus.

O grupo brasileiro conseguiu “forçar” a reprogramação utilizando um novo gene, conhecido como TCL-1A. De acordo com o primeiro autor do artigo, Dimas Tadeu Covas, coordenador de transferência do CTC e diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, a descoberta de mais um fator que influencia a reprogramação das células-tronco contribui para a compreensão do mecanismo que leva à pluripotência.

“Ainda não se conhece inteiramente o mecanismo e é importante que um grupo brasileiro tenha dado essa contribuição. O estudo não é uma repetição do esquema tradicional, com o uso dos quatro genes, mas faz uma nova combinação de fatores de transcrição – o fator TCL-1A ainda não havia sido descrito. É importante também por ser a primeira publicação brasileira sobre IPS”, disse à Agência FAPESP.

Outra diferença em relação ao trabalho do grupo japonês, realizado em 2006, segundo Covas, é que não se trata de uma reprogramação integral, mas apenas parcial. “O mais importante é que a reprogramação não levou à formação, nos camundongos, de um teratoma – um tumor embrionário que surge frequentemente quando trabalhamos com células-tronco embrionárias”, disse.

Os fatores de transcrição utilizados até agora para a reprogramação de células somáticas, transformando-as em pluripotenciais, eram os genes OCT4, SOX2, KLF4 e C-MYC.

O grupo brasileiro utilizou uma nova combinação, que acrescenta o TCL-1A ao C-MYC e ao SOX2. Segundo o estudo, as células geradas com a ajuda desses três fatores são semelhantes às células-tronco embrionárias humanas em termos de morfologia, capacidade de diferenciação em células de três camadas embrionárias e em relação ao nível de expressão genética global.

Células em quantidade

Segundo Covas, as IPS serão extremamente úteis para a compreensão dos mecanismos de reprogramação e para, no futuro, permitir o desenvolvimento de terapias celulares inovadoras.

“Atualmente, a grande esperança é que as IPS possam exercer um papel importante na chamada medicina regenerativa. A razão para isso é que, ao utilizar células do próprio paciente e reprogramá-las, temos certeza de que elas serão compatíveis com o seu organismo”, afirmou.

Outra vantagem, além da compatibilidade com o paciente, é que a técnica deverá permitir a obtenção de grandes quantidades de células, já que elas são reproduzidas em cultura.

“Além disso, elas podem não ser teratogênicas, o que é um grande problema com as células embrionárias. Neste momento, outros grupos estão utilizando as células IPS em modelos experimentais para vários tipos de doenças. É um campo novo, cujo primeiro trabalho foi lançado há quatro anos, mas que tem evoluído de forma muito vigorosa”, disse Covas.

O artigo Pluripotent reprogramming of fibroblasts by lentiviral-mediated insertion of SOX2, C-MYC and TCL-1A, de Dimas Covas e outros, pode ser lido por assinantes da Stem Cells and Development em www.liebertpub.com/SCD.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP