quarta-feira, 2 de junho de 2010

Criando empresas de alta tecnologia - "Start-Ups"

Criar empresas de alta tecnologia
A formação de empresas emergentes inovadoras, as chamadas start-ups, foi o tema do seminário organizado pela Agência de Inovação da Unicamp (Inova) nesta segunda-feira (31).

"A Unicamp pode contribuir de forma institucional para levar tecnologias desenvolvidas na Universidade à sociedade, através de pequenas empresas criadas para esse fim", afirmou o professor Roberto Lotufo, diretor executivo da Inova e coordenador do evento.

Segundo Lotufo, a agência tem obtido razoável sucesso ao registrar patentes de processos e produtos resultantes de pesquisas acadêmicas e firmar contratos de licenciamento com empresas já consolidadas.

"Neste seminário, escolhemos a formação de start-ups como tema por vermos nelas outro caminho para disseminar a tecnologia aqui produzida: ao invés de procurar empresas, podemos criá-las, com o objetivo de tornar uma tecnologia acessível e atrativa para licenciamento num prazo de três a cinco anos. Depois, eventualmente, essas pequenas empresas seriam vendidas para outras maiores," disse ele.

Vale da morte da inovação
O diretor da Inova explica que se chama de "vale da morte" esta distância entre as tecnologias universitárias e a sua disponibilização no mercado. "São tecnologias que estão em estágio embrionário, existindo apenas uma demonstração de laboratório. Muitas vezes, investir nelas representa um risco muito alto para as empresas. Por outro lado, depois que se chega a um protótipo, não há tanto interesse das agências em financiar a continuidade da pesquisa para torná-la uma inovação. Queremos incentivar a criação de start-ups para diminuir o 'vale da morte'".

De acordo com Roberto Lotufo, a Fapesp e órgãos federais de fomento já oferecem vários fundos destinados a empresas em processo de crescimento e que dependem da pesquisa para desenvolver seus produtos. "Vamos, também, procurar a ajuda de investidores "anjo" - empresários experientes que aportam não apenas recursos financeiros, mas principalmente a sua competência no desenvolvimento de empresas. A Incamp [Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp], particularmente, abriga empresas apoiadas por eles".

Tecnologia e mercado
Ana Lopes, uma brasileira que atua há vários anos no Escritório de Transferência de Tecnologia do MIT (Massachusetts Institute of Technology), falou sobre o modelo de criação de start-ups que é considerado um dos mais bem-sucedidos do mundo. "O TLO [Technology Licensing Office] está em operação há 25 anos, é um dos mais antigos dos Estados Unidos. Nessa volta ao Brasil, descobri que os escritórios daqui não são muito diferentes, nós somos apenas mais antigos".

A brasileira informou que entre os 34 funcionários do TLO, dez gerentes possuem sólida formação científica e, também, de 10 a 15 anos de experiência no mercado. "Achamos importante que essas pessoas conheçam tanto a tecnologia como o mercado, podendo negociar contratos de transferência em termos justos. Entretanto, o TLO não visa gerar dinheiro e apresenta uma receita insignificante perto do financiamento que o MIT recebe para pesquisa - a despesa foi de 2,3 bilhões de dólares em 2010. Nossa missão é promover a tecnologia e o desenvolvimento econômico, sobretudo na região de Massachusetts, além ajudar pesquisadores que queiram se tornar empreendedores".

Fonte:CIMM

Role of Brazilian Amazon protected areas in climate change mitigation

O papel das áreas protegidas da Amazônia Brasileira nas mitigações de mudanças climáticas

Segundo artigo de professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), proteção de terras na Amazônia podem evitar o equivalente a um ano de emissões mundiais de carbono

Entre 2004 e 2009, o Brasil conseguiu reduzir em 75% as emissões de CO2 geradas por desmatamentos na Floresta Amazônica e um dos principais fatores nessa redução é o aumento do número de áreas protegidas nessa região do país.

É o que mostra o artigo “O papel das áreas protegidas da Amazônia Brasileira nas mitigações de mudanças climáticas” (“Role of Brazilian Amazon protected areas in climate change mitigation“), escrito pelo professor Britaldo Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, em parceria com pesquisadores brasileiros e norte-americanos.

O artigo, recentemente publicado na “Pnas”, um dos periódicos científicos mais relevantes dos Estados Unidos, afirma que a expansão das áreas protegidas na década passada contribuiu com 37% da redução total de CO2 na Amazônia brasileira.

Entre os outros fatores relevantes estão a desaceleração da atividade agrícola e aumento da fiscalização do Governo Federal. “Esses dados demonstram que as áreas protegidas são peças fundamentais para frear o avanço do desmatamento, formando uma espécie de ‘barreira verde’”, constata Britaldo Soares.

Segundo o pesquisador, se forem consideradas todas as categorias de áreas de proteção, inclusive reservas indígenas e áreas militares, elas equivalem a 46% do bioma da Amazônia no Brasil e 54% da floresta remanescente (aproximadamente 1,9 milhão de km²). De todo esse território, 709 mil km² foram transformados em áreas protegidas apenas no período entre 2002 e 2009. “Isso mostra que a redução no desmatamento, e, consequentemente, na emissão de CO2, tem relação direta com o crescimento das áreas protegidas”, conclui Britaldo Soares.

A partir desses dados, a equipe de pesquisadores responsável pelo artigo simulou vários cenários que ampliavam o número de áreas protegidas no país. “Concluímos que, se todas as áreas protegidas forem completamente instauradas, elas podem reduzir em 8 gigatons a emissão de carbono da floresta até 2050. Isso equivale a toda emissão de carbono de mundo em um ano, considerando apenas as fontes de emissão antropogênicas”, afirma o professor.

Desafios
Para Britaldo Soares, é importante ressaltar que não basta apenas “criar” as áreas protegidas: é preciso também consolidar e manter essas áreas, se não elas podem se tornar reservas futuras de desmatamento. “Isso se torna ainda mais difícil para um país em desenvolvimento como o Brasil, que precisa fazer grandes investimentos em outras áreas sociais”, afirma.

Além dos custos de manutenção, é preciso considerar também que as áreas protegidas podem trazer um impacto negativo para a economia do país, já que elas evitam que parte do território da floresta seja utilizado para a pecuária e a agricultura. Porém, é possível realizar atividades econômicas nessas áreas. As biossustentáveis, por exemplo, podem realizar atividades extrativistas, como a coleta de castanhas do Brasil, e as florestas nacionais podem se tornar concessões de madeira para exploração de baixo impacto.

O governo federal criou ainda uma alternativa para arrecadar recursos para a preservação da floresta: o Fundo da Amazônia, que recebe investimentos voluntários de outros países para serem aplicados em projetos que ajudem na redução das emissões de CO2.

“Essas políticas são importantes porque somente as áreas protegidas não são suficientes para preservar a Amazônia”, revela Britaldo Soares. “É preciso criar ainda políticas que forneçam estímulos econômicos para a conservação da floresta dentro das propriedades privadas também.”

Fonte: Cedecom/UFMG/ECODebate

Finep: R$ 130 milhões para pesquisas sobre tecnologias de exploração do pré-sal

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, divulga, na próxima semana, editais no valor de R$ 130 milhões para financiamento de pesquisas que tenham como objetivo o desenvolvimento de tecnologias para exploração do petróleo da camada pré-sal.

De acordo com o ministério, serão duas chamadas públicas. A primeira, no valor de R$ 100 milhões, beneficiará projetos de empresas e institutos de ciência e tecnologia em setores como válvulas, conexões, naval e automação. A outra chamada, de R$ 30milhões, vai beneficiar estudos sobre adequação de laboratórios científicos com o objetivo de atender às demandas das empresas de petróleo e gás.

Os recursos, segundo o ministério, são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e não necessitam de devolução (são não reembolsáveis). O valor mínimo financiado será de R$ 1 milhão por projeto. As informações serão publicadas no site da agência de fomento.

O edital está disponível neste link.

Fonte: Agência Brasil

INMETRO e Fiat apresentam motor diesel movido a óleo vegetal

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e a Fiat apresentaram ontem (1º), no 10º Challenge Bibendum, no Riocentro, projeto que transforma motores a diesel em motores para tratores movidos a óleo vegetal puro. Desenvolvido em parceria pelo Inmetro e a montadora, o projeto busca desenvolver tecnologia para melhorar o desempenho dos tratores.

O chefe da Divisão de Química do Inmetro, Valnei Cunha, informou à Agência Brasil que o programa tem três linhas básicas de atuação: bioetanol, biodiesel e óleo vegetal. “Nós firmamos essa parceria com a Fiat para desenvolver tecnologia para motores de ciclo diesel, para operar diretamente com óleo in natura, sem a necessidade de transformá-lo em biodiesel”.

Em um primeiro momento, a intenção é trabalhar com motores que equipam tratores, utilizados de maneira geral por produtores rurais ou cooperativas de agricultores familiares. “Focamos nisso para que possa ter também um cunho social na geração de energia elétrica. Porque você pode utilizar o motor para mover um gerador em comunidades que não têm grande acesso a combustíveis e produzem o seu próprio óleo”.

Cunha explicou que como não há necessidade de transformar o óleo vegetal puro em biodiesel, seu custo é menor para o produtor. Embora não exista ainda pesquisa para dimensionar a redução do custo de operação, Valnei Cunha estimou que a economia nos gastos com a compra de combustível seria de até 30%.

Além disso, o uso do óleo vegetal no motor pode reduzir em torno de 20% as emissões de gases poluentes. Segundo Cunha, no momento, as pesquisas feitas pelo Inmetro e a Fiat visam a garantir que o motor não tenha nenhum problema durante o seu ciclo de vida. “Ou seja, que a empresa que vai comercializar, no caso a Fiat, possa dar garantia do motor”. Para isso, está sendo desenvolvida toda a parte de análise dos componentes do motor após o seu ciclo de uso.

De acordo com o técnico do Inmetro, a ideia é trabalhar com vários tipos de oleaginosas - entre elas o girassol - e não somente com a soja, que é a primeira matéria-prima utilizada no projeto. No futuro, a meta é trabalhar com oleaginosas características do país, como o dendê e a andiroba, facilmente encontradas pelas comunidades da Região Norte. “Cada região está mais apta a produzir um tipo de oleaginosa”.

Cunha acredita que o projeto deverá se estender por mais dois anos. O Inmetro utiliza máquinas disponíveis no mercado para a extração do óleo vegetal puro, visando a permitir que os agricultores possam fabricar em casa óleos de boa qualidade. Com valor em torno de R$ 45 mil, cada máquina consegue processar entre 50 e 60 quilos de sementes de soja por hora, o que corresponde a 8 ou 9 litros de óleo por hora.

“O custo-benefício é alto”, afirmou Cunha. Isso significa que o capital investido retorna rapidamente. “Porque ele tem a matéria-prima, vai produzir o seu próprio combustível, pode gerar energia elétrica para girar a própria máquina ou outras máquinas e também para a comunidade”.

Os testes vêm sendo realizados pelos pesquisadores no Laboratório de Motores do Inmetro em Xerém, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Fonte: Agência Brasil

Revistas e Publicações de divulgação científica no aprendizado de química

Revistas na aula de química
Ao lado de livros didáticos e de materiais de laboratório, revistas e publicações de divulgação científica podem ser uma ferramenta importante para o aprendizado de química no ensino médio.

A afirmação é de Luciana Nobre de Abreu Ferreira, que apresentou conclusões preliminares de seu trabalho de doutorado, conduzido no Instituto de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na 33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, realizada de 28 a 31 de maio em Águas de Lindoia.

Na apresentação oral “Textos de divulgação científica como recursos didáticos”, Luciana contou sua experiência de incentivar graduandos em licenciatura em química a utilizar textos de revistas nas aulas de estágio. Sua pesquisa tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Bolsa de Doutorado.

A estudante selecionou exemplares da revista Ciência Hoje, vinculada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), publicados de 2004 a 2008 e com temas associados à química.

“Como encontramos muitos textos, cerca de 230, resolvemos utilizar somente as reportagens de capa relacionadas à química”, disse Luciana à Agência FAPESP. Com a nova triagem, restaram 29 matérias jornalísticas a serem levadas às salas de aula.

Os textos foram analisados segundo o campo teórico da análise do discurso e algumas características chamaram a atenção da pesquisadora. “Eles continham informações científicas, elementos do cotidiano dos alunos e muitas vezes características didáticas que ajudavam a complementar o livro didático”, indicou.

Segundo Luciana, uma das grandes vantagens dos textos jornalísticos de divulgação científica é a contextualização dos temas que não são vistos isoladamente, mas relacionados a uma questão que faz parte da vida do aluno.

Essas características foram verificadas pela doutoranda em revistas como Galileu, Superinteressante e Pesquisa FAPESP.

Para Luciana, além de ter linguagem acessível aos estudantes, essas publicações especializadas e sessões científicas de jornais colocam a ciência em um patamar mais próximo do aluno, algo que o livro didático muitas vezes não traz.

“Os textos jornalísticos mostram aos alunos que a ciência é feita por pessoas do mesmo nível que eles, diferentemente dos livros, que apresentam muitas vezes a matéria com certa autoridade, sugerindo algo que eles não vão poder alcançar facilmente”, ponderou.

No entanto, o estudo também apontou que o uso dos textos jornalísticos só é eficaz com a participação ativa do professor na escolha e na preparação das matérias antes de levá-las às aulas.

A espetacularização da ciência, dados incompletos e até incorreções conceituais são alguns problemas dos jornais e revistas que o professor deve detectar e debater com os alunos na sala de aula.

“É papel do professor aumentar os benefícios e minimizar esses problemas”, afirmou Luciana. Na próxima etapa da pesquisa, ela pretende auxiliar os futuros professores a lidar com os textos jornalísticos e prepará-los para a sala de aula.

Na última etapa, o grupo de graduandos em química será convidado a escolher alguns dos 29 textos pré-selecionados de Ciência Hoje para utilizar nas aulas que serão filmadas e analisadas.

Luciana estima que levar revistas para a escola facilita o aprendizado. “Os textos de divulgação científica apresentam características multidisciplinares, abrangentes e que contextualizam o assunto. Tudo isso é recomendado pelas diretrizes curriculares”, disse.

Fonte: Fábio Reynol / Agência FAPESP

ICESP: 65% dos homens e 25% das mulheres com tumores de bexiga eram tabagistas

Fumo e câncer de bexiga
Levantamento feito pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ambos ligados à Secretaria de Estado da Saúde, apontou que 65% dos homens e 25% das mulheres com tumores de bexiga apresentavam histórico de tabagismo.

Nos últimos 12 meses, foram operados cerca de 800 pacientes com este tipo de câncer nas duas instituições e o maior vilão apontado é o cigarro.

O levantamento mostrou ainda que 40% dos pacientes tratados por neoplasia maligna da bexiga apresentam tumores com invasão da camada muscular, sendo necessária a retirada completa do órgão.

Depois da próstata, o câncer na bexiga é o segundo entre os tipos de tumores que atingem os sistemas genital e urinário. Mas, apesar da incidência menor, o câncer de bexiga é quase seis vezes mais mortal que o de próstata – a estimativa de mortalidade das doenças é de 3,5% e 18%, respectivamente.

A proporção também é bem maior se comparada com as estatísticas apresentadas pela literatura, que apontam a presença de tumores invasivos em 15% dos casos.

De acordo com a Secretaria da Saúde, a incidência é maior no Icesp e no HC devido aos atendimentos de alta complexidade. Um dos principais sintomas manifestado pelo câncer de bexiga é a presença de sangue na urina.

Fonte: Agência Fapesp