terça-feira, 1 de junho de 2010

Martin Chalfie fala sobre o desenvolvimento da proteína fluorescente GFP

Descoberta brilhante
Graças a ela é possível observar em tempo real o que ocorre no núcleo de uma célula durante uma divisão celular, localizar proteínas específicas, saber quais genes estão envolvidos em determinadas funções e ainda identificar mutações celulares, entre outras funções.

Espécie de tinta brilhante para marcar estruturas de organismos vivos, facilitando o exame e o estudo, a proteína fluorescente verde (GFP, em inglês) foi desenvolvida graças ao trabalho de três cientistas, que atuaram independentemente.

Osamu Shimamura, Roger Yonshien Tsien e Martin Chalfie foram agraciados com o prêmio Nobel de Química de 2008 pelo desenvolvimento do marcador biológico. O norte-americano Chalfie, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Columbia, contou como foi esse trabalho na conferência de abertura da 33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, no sábado (29/5), em Águas de Lindoia.

A GFP de laboratório nasceu com as pesquisas de Shimamura no Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole. O pesquisador japonês, radicado em Seattle, na costa oeste dos Estados Unidos, dedicou-se a estudar a bioluminescência da Aequorea victoria, espécie de água-viva presente no norte do Pacífico.

Após tentativas infrutíferas de isolar a substância que fazia o animal brilhar, Shimamura jogou parte de seus experimentos na pia do laboratório, que estava cheia de água do mar. Para a sua surpresa, quando apagou as luzes do laboratório no fim do expediente, observou surpreso uma luz azul emitida por aquele material.

Shimamura imaginou que a reação fora provocada por uma certa quantidade de cálcio presente na água. Foi a pista de que precisava para isolar a GFP e descobrir que ela não dependia de outra proteína para brilhar. Sozinha, ela é capaz de emitir uma luz esverdeada, a qual lhe rendeu o nome.

Chalfie, por sua vez, estava empenhado em identificar genes envolvidos no sentido do tato. Para isso, dissecava nematoides. Ao ouvir falar da GFP, viu a possibilidade de empregar a proteína nesses estudos.

Os resultados superaram as expectativas. A GFP mostrou-se eficaz na identificação gênica. Pela primeira vez, era possível observar em tempo real atividades celulares específicas, como expressões gênicas, dentro de um organismo vivo.

E não somente isso. Por meio da aplicação do marcador biológico também foi possível observar o transporte de sinais nervosos, a divisão do núcleo de uma célula, localizar outras proteínas e observar mutações celulares, entre muitas outras aplicações.

“Há um infindável número de utilidades para a GFP,” disse Chalfie, destacando que mais de 3 mil artigos já foram publicados sobre utilizações da proteína. O nematoide transparente utilizado na pesquisa da equipe do cientista ganhou a capa da edição de número 269 da revista Science, publicada em 1994.

“As vantagens da GFP a tornam especial: é praticamente não-invasiva, é visível em organismos vivos e é uma molécula pequena”, explicou. Essa última característica permite que a proteína atue em praticamente qualquer estrutura celular ou molecular.

Os trabalhos da equipe de Chalfie foram aprimorados por Tsien, do Instituto de Medicina Howard Hughes da Universidade da Califórnia, que desenvolveu métodos que atribuíram novas cores à GFP. A paleta multicolorida da proteína fosforescente sofisticou as análises, permitindo que estruturas ou moléculas diferentes pudessem ser acompanhadas simultaneamente.

O avanço que a GFP representou para estudos de fisiologia e biologia molecular rendeu aos três o Nobel. Para Chalfie, essa experiência mostra que a pesquisa básica é fundamental para o progresso não só do conhecimento como também das ciências aplicadas. “A pesquisa básica é o motor da inovação e leva a novos insights”, disse.

Do mesmo modo, a biologia não pode se ater ao estudo dos animais modelo, segundo o cientista. "Todos os seres vivos devem ser estudados. Se não fosse aquela água-viva, nada disso teria acontecido,” ponderou.

A inovação científica e tecnológica também está relacionada à participação de estudantes nas pesquisas, de acordo com Chalfie, que destacou que os doutorandos, mestrandos e pós-doutorandos são os grandes inovadores nos laboratórios.

Para isso, o professor da Universidade de Columbia defende maior iniciativa por parte desses estudantes. Ao ser questionado sobre como seleciona profissionais para trabalhar em seu laboratório, Chalfie disse discordar do modelo em que o estudante envia um e-mail com currículo e cartas de apresentação.

“Gostaria que o candidato descrevesse o projeto que tem em mente e que gostaria de desenvolver no laboratório. Isso garantiria um grau de realização maior do profissional", disse.

“Caso o trabalho ganhe destaque, o estudante terá a certeza de que foi fruto de uma ideia dele e não de um projeto do pesquisador principal que ele executou”, afirmou.

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

Carro Elétrico é uma opção viável para o Brasil?

Carro elétrico - Governo se divide sobre incentivo; Radar, do IPEA, diz que país rico optará por ele; para docente da Poli, etanol é competitivo

O governo federal pretende reduzir a tributação sobre carros elétricos, para incentivar a indústria automobilística a desenvolver a tecnologia no País, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, no dia 19 de maio, à plateia reunida no Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), no Rio de Janeiro, durante o seminário Fórum XXI. O funcionário estava adiantando informações — o anúncio oficial sobre o plano de estímulo aconteceria uma semana depois, no dia 25. Essa apresentação, no entanto, foi cancelada horas antes de acontecer, e não ocorreu até 31 de maio, por divergência de pontos de vista entre os ministérios envolvidos — Fazenda, em nome de quem falava Barbosa; Ciência e Tecnologia, que tomou a iniciativa de montar o programa; Desenvolvimento, alegando prejuízo à indústria do etanol; e Meio Ambiente. Os jornais informam que o anúncio ficou para "meados de junho" e que o presidente da República pediu mais estudos e a busca de um consenso entre os envolvidos.

As posições
Em meio às atividades da Conferência Nacional de C&T&I, o ministro Sergio Rezende, ouvido pelo O Estado de São Paulo, afirmou que o País não pode ficar à margem "desse novo mercado", nas palavras da repórter Marta Salomon. A reportagem reproduz frases com palavras do ministro: "Estamos tocando o desenvolvimento do carro elétrico (...) [com o] dinheiro dos fundos setoriais. Precisamos de mais", teria dito Rezende. Ele argumentou que o veículo flex é o presente, e o carro elétrico é o futuro; e que já há R$ 10 milhões destinados a projetos de P&D relacionados à tecnologia.

O ponto de vista do Ministério do Desenvolvimento é contrário, e a imprensa atribui a Miguel Jorge, o ministro, o cancelamento da cerimônia. Funcionários do Ministério, em off, dizem que a tecnologia flex deve ser aperfeiçoada, para reduzir mais as emissões e torná-la mais eficiente, "até que outra tecnologia mais avançada seja viável", segundo a apuração de Raquel Landim e Cleide Silva, do Estado. Segundo elas, o grupo de trabalho (criado em 2009) que preparou o documento de base do programa não anunciado não foi conduzido — como seria de praxe — pelo Desenvolvimento.

Inovação procurou os técnicos
No final de abril, a sétima edição do Radar, publicação produzida pela Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset) do IPEA, veiculou artigo de Fabiano Mezadre Pompermayer, pesquisador da instituição, que compara os veículos elétricos e os movidos a etanol. Para ele, o etanol não será a escolha mais provável na Europa e nos EUA, onde o mercado parece tender para o carro elétrico. Para Francisco Nigro, professor da Escola Politécnica da USP, que Inovação entrevistou sobre o tema, aponta que há uma pedra no caminho dos carros elétricos: o preço. Para ele, pensar que o Brasil poderá ficar isolado no mundo porque o carro elétrico pode vir a ser a opção prioritária dos mercados dos países desenvolvidos é uma falácia. "Nossa solução é muito boa, tanto em redução de emissões, como no custo, baratíssimo", completa.

Hoje, o número de veículos elétricos no País é reduzido — nem consta nas estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). São importados e pagam 25% de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Nos países em que já é comercializado, há fortes incentivos dos governos.

Veículos elétricos são uma ameaça ao etanol?
"A utilização do etanol como combustível dos automóveis nos demais países do mundo não parece ser a opção de mais provável escolha para se reduzir a emissão de gases de efeito estufa, sendo o uso de automóveis elétricos a opção mais discutida no momento", escreve Pompermayer, no Radar. No artigo, o pesquisador conta que a Europa pode reduzir em 50% suas emissões se substituir carros com motores a combustão interna por automóveis elétricos, considerando-se a matriz energética da área do Euro, que usa fontes não emissoras, como solar e, principalmente, nuclear, mas também é dependente de carvão mineral, óleo combustível e gás natural, todos fósseis e fortemente emissores. Ainda de acordo com o autor do estudo, a Agência Ambiental Europeia estima que veículos elétricos corresponderão a 60% das vendas e a 25% da frota mundial de carros em 2050. Já as montadoras projetam que os carros elétricos ocuparão 2% do mercado mundial em 2020.

O autor destaca que o uso do etanol no transporte individual contribui para a redução de emissões, mas não para a melhora da eficiência energética. Do ponto de vista energético, diz, o transporte coletivo público é mais eficiente do que o carro movido a etanol, mesmo quando se desconsidera o problema do congestionamento. No caso dos carros elétricos, o autor avalia serem eles "excelentes candidatos" a substituir os convencionais no transporte de casa para o trabalho, que envolve pequenas distâncias. As baterias têm autonomia pequena, uma das principais limitações desse tipo de automóvel, por isso, o "automóvel elétrico é perfeitamente aplicável" nas distâncias curtas. Pompermayer também ressalta que, dependendo da fonte de energia usada para abastecer o carro elétrico, pode-se acabar com a emissão de carbono. Esse tipo de automóvel também não produz outros poluentes do carro convencional, como os particulados; e são mais silenciosos.

Como barreira aos elétricos, o estudo do Ipea identifica o tamanho dos automóveis, em geral pequenos, limitados pela autonomia das baterias. Carros pequenos são associados a populares e, na visão do autor do estudo, os consumidores não iriam pagar um preço prêmio por tais carros, cujos custos de fabricação são mais elevados. Ele também aponta para a infraestrutura elétrica para geração e distribuição da energia nos pontos de recarga, e o problema do descarte das baterias.

No caso do etanol, ele também identifica como barreira a infraestrutura de distribuição e abastecimento e a necessidade de importação de etanol devido à pequena capacidade de produção local nos países de maior consumo. Pompermayer chama a atenção para o fato de que mesmo se houver outros países produzindo etanol em grandes volumes, como África, Caribe e nações da América do Sul, a dependência externa dos principais países consumidores continuaria, apenas reduziria a concentração da oferta. Uma opção para os países com restrições de espaço ou clima para produção de cana-de-açúcar seria a viabilização das tecnologias do etanol celulósico.

Na comparação, ele diz que os carros a etanol são mais versáteis, e tecnologicamente mais parecidos com os automóveis convencionais. A adequação da infraestrutura é menos complicada, nesse caso. Já os elétricos propiciam melhor eficiência energética e podem chegar a zerar emissões, dependendo da fonte de energia — caso da solar e nuclear.

O autor defende que uma aplicação viável para o etanol e não concorrente com os automóveis elétricos seria seu uso no transporte de cargas e nos coletivos — até mesmo em trens. São veículos em que o uso de baterias elétricas para propulsão, hoje, é inviável, enquanto é mais fácil adaptar motores a diesel para o uso de etanol. No Brasil, a substituição do diesel por etanol não é adequada por causa do custo, pois o diesel é muito barato, explica. Em outros países, o autor aponta que o etanol poderia concorrer com o biodiesel, já que este tem sofrido restrições por causa da matéria-prima utilizada, óleos vegetais nobres e caros, com destaque para o óleo de soja.

Outra possibilidade apontada pelo autor do estudo do Ipea é o emprego do etanol em automóveis de porte médio e grande. O uso da propulsão elétrica, nesses casos, é menos adequado, pois reduz ainda mais a autonomia das baterias, em virtude de o motor gastar mais energia por carregar mais peso.

Especialista não acredita que Brasil ficará isolado
"É preciso discutir com cuidado qual é a fonte de energia que vai mover o carro elétrico. No Brasil, temos uma matriz baseada em energia hidroelétrica, mas estamos perto do limite. Também temos o gás natural, mas emite gás carbônico. Na Europa, temos a energia nuclear, especialmente na França, mas a redução das emissões, usando os carros elétricos, se daria a um custo muito alto, enquanto nosso custo de redução, com o uso do etanol como combustível, é baixo", afirmou o professor Francisco Nigro, da Escola Politécnica da USP, a Inovação. Nigro é autor de um estudo divulgado pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) em outubro de 2009 sobre a eficiência dos motores flex.

De acordo com ele, ainda não é a hora de o País entrar com pesados investimentos nesses segmentos, pois a própria indústria automotiva, como conta o estudo do Ipea, estima que apenas 2% da frota mundial será elétrica em 2020.

O pesquisador também alerta para o fato de o carro elétrico ainda estar fora do padrão aquisitivo de boa parte da população. "Nos Estados Unidos, uma faixa minúscula da população tem carro elétrico, e ele é vendido com subsídio que está na casa dos US$ 12,5 mil", diz, em entrevista a Inovação, sobre o estudo publicado pelo Ipea. Ele destaca que ainda há muito espaço para aprimoramento dos motores flex, de forma a melhorar sua eficiência, problema apontado no artigo do Ipea. E na hipótese de não vender o etanol diretamente para os principais mercados, Nigro considera que o Brasil poderá exportar o modelo de negócios do etanol para países com mais terras agricultáveis disponíveis — por exemplo, aqueles que não conseguem produzir alimentos de forma competitiva e tem suas terras subaproveitadas.

Até mesmo o descarte das baterias, que têm produtos químicos muito poluentes, amplia o custo do produto. A obtenção do lítio para as baterias é outro nó que os fabricantes precisam resolver, pois as reservas são concentradas em poucos países, como Bolívia e China. "O mercado é global e a solução mais barata vai se impor. Nossa solução é para quem tem terra disponível para a agricultura. Quem não tem, buscará outras soluções. Não vejo risco de ficarmos isolados no mundo", conclui.

Nigro também acredita que os veículos híbridos, apontados no artigo do Ipea como uma oportunidade para o etanol brasileiro, podem vir a ser um mercado interessante. No entanto, observa, representariam apenas um nicho, novamente em razão de seu preço. "Para o consumidor, a relação custo-benefício precisa fazer sentido", continua. A hipótese de se usar o caldo da cana-de-açúcar para fabricar diesel é avaliada de forma mais positiva pelo professor da USP. "Temos a Amyris desenvolvendo tecnologia, e isso pode ser uma solução muito boa para a substituição do diesel. Até agora o biodiesel não conseguiu competir com o preço do diesel, como ocorre com o etanol, que compete com o preço da gasolina", analisa.

Consumo e mercado do carro elétrico no Brasil
Sobre o consumo de energia dos carros elétricos, o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, afirmou, na reunião do INAE, que o impacto no consumo de energia com o uso dos veículos elétricos seria pequeno. Para basear a informação, Barbosa citou um levantamento da empresa Itaipu Binacional. O estudo, segundo o secretário, concluiu que se 10% dos carros vendidos no Brasil fossem elétricos, haveria um aumento no consumo de energia de apenas 0,2%.

Barbosa também disse que o carregamento de um carro hoje demoraria de 8 a 10 horas, usando-se uma rede de 220 volts, e lembrou que falta tecnologia para resolver a questão das baterias e os problemas na rede de alimentação desse tipo de veículo. "Estamos atrasados nesse desenvolvimento tecnológico, mas podemos ganhar espaço com veículos híbridos, que utilizem ao mesmo tempo energia elétrica e etanol. Queremos desenvolver isso principalmente em ônibus, porque possuímos uma forte indústria nacional no setor", declarou ele ao jornal O Globo, sobre as linhas mestras do programa objeto da divergência interna ao governo.

Além da redução de imposto, o estudo do grupo de trabalho defende a adoção de selos que mostrem a eficiência dos motores e nível de emissão de poluentes, semelhante ao que se faz hoje para a linha branca, concedendo impostos menores a produtos que consumam menos energia. No caso dos incentivos para pesquisa e desenvolvimento em veículos elétricos, o grupo deverá sugerir a criação de um centro de tecnologia automotiva semelhante ao que é a Embrapa para o setor agropecuário. Também devem sugerir o uso do poder de compra do governo para criar a demanda por veículos híbridos, algo que ficaria mais a cargo de Estados e dos municípios, responsáveis pelo transporte público, e a inclusão dessa tecnologia no planejamento energético nacional, com a previsão de soluções de infraestrutura para atender a demanda por energia desses veículos. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

Aragão do CNPq: ensino fundamental é instrumento de avanço para a pós-graduação

Os problemas das universidades brasileiras começam no ensino fundamental. A afirmação é do presidente do CNPq, Carlos Aragão, que participou da sessão “A Universidade Brasileira, a Pós-Graduação e a Pesquisa”, na última sexta-feira (28), durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília (DF).

Para ele, um grande desafio é fazer com que o ensino fundamental brasileiro consiga ensinar para os jovens as duas linguagens fundamentais, o português e a matemática. Aragão também considera importante que a escola fundamental inclua atividades culturais, artísticas, esportivas que venham a ser um verdadeiro centro comunitário onde o estudante possa ter educação em tempo integral.

“Para que isso ocorra precisamos ter professores qualificados, além de possibilitar que o estudante possa lidar com experimentação, ter nas suas escolas bons laboratórios, se dedicar à leitura e ter uma visão ampla das opções que terá pela frente. É preciso dar àqueles que pretendem ingressar nas universidades uma visão das grandes áreas”, disse.

Em sua opinião, o acesso à universidade precisa ser revisto. Ele sugere que seja contemplado o histórico do aluno, testando seu potencial, inteligência e criatividade em detrimento de um acúmulo de conhecimento que pode ser prejudicial por deficiência da própria escola.

Outra questão apontada pelo presidente do CNPq é que a iniciação científica deve ser estimulada desde o começo. “Estimular que nos cursos de graduação exista um número bastante atraente de colóquios, seminários, visitas de pesquisadores para que o estudante desde cedo se acostume com o fato de que fazer pesquisa científica, tecnológica é algo que faz parte da agenda moderna e atual”.

Pós-graduação
No campo da pós-graduação, Aragão alertou para a necessidade de uma formação básica adequada, de modo a levar desde cedo o pós-graduando a formular projetos e estar atento sobre a busca de recursos, além de possibilitar a eles uma interação com outras universidades do país e exterior.

“A universidade tem sido a grande responsável pelo enorme avanço que tivemos. A responsabilidade da nossa universidade, da nossa pós-graduação aumenta e muito porque temos grandes desafios pela frente e só com universidades ricas, modernas, sintonizadas é que vamos conseguir superar nossos desafios”, finalizou.

Fonte: Isadora Lionço / Gestão CT

Green Talents: oportunidade para pesquisadores brasileiros

Com inscrições abertas para seu segundo processo seletivo, o programa Green Talents, promovido pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) e voltado a jovens cientistas da área de desenvolvimento sustentável, selecionou três pesquisadores brasileiros em 2009. Dois viajaram pela Alemanha em setembro passado, quando participaram do VI Fórum BMBF de Sustentabilidade, de simpósios e visitas a importantes centros de pesquisa e tiveram a oportunidade de apresentar suas pesquisas para colegas alemães e estrangeiros. Para ambos, o Green Talents abriu novas perspectivas e oportunidades.

A viagem-prêmio da pesquisadora da Unicamp e doutora em química Juliana Aristéia de Lima foi apenas a primeira decorrente de sua seleção no concurso. No momento, ela prepara-se para duas experiências profissionais na Alemanha nos próximos meses. Os contatos realizados através do programa Green Talents lhe renderam tanto um convite para trabalhar três meses no Instituto Max Planck de Mainz quanto outro para um congresso em Stuttgart. Juliana pesquisa biopolímeros como alternativa aos plásticos convencionais.

O seleto grupo de 15 green talents também contou com Antonio Carlos Caetano de Souza, mestre em engenharia mecânica e pesquisador da Unesp. Antonio Carlos qualifica como “especial” a oportunidade que o programa lhe proporcionou ao colocá-lo em contato com colegas de outros países, o que pode gerar projetos em conjunto. Já o doutor em engenharia sanitária Caetano Dorea, docente na Universidade de Glasgow, não participou da viagem-prêmio por razões de saúde na época. Dorea pesquisa novas tecnologias de saneamento ambiental.

A segunda edição do Green Talents também selecionará 15 jovens cientistas de todo o mundo, que se dedicam especialmente a pesquisas relacionadas a proteção ambiental, tecnologias ligadas a recursos hídricos, produção sustentável em indústrias e inovações no setor de serviços. Estão novamente programadas visitas a universidades, instituições de pesquisa e empresas, um fórum internacional sobre o futuro energético, eventos culturais e a cerimônia de premiação com a presença da ministra Annette Schavan, da Educação e Pesquisa. Os 10 dias de atividades na Alemanha terão início em 20 de setembro. As candidaturas encerram-se em 20 de junho.

Mais informações sobre o Green Talents 2009

Veja o Edital : Green Talents 2010

Fonte: DAAD

4ª CNTCI - Mar e Ambientes Costeiros

Conferência debate Mar e Ambientes Costeiros do Brasil

Uma ampla visão da Marinha do Brasil foi apresentada pelo Contra-Almirante Ilques Barbosa Júnior na sessão temática Mar e Ambientes Costeiros no último dia (28) da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNTCI). Barbosa Júnior ressaltou também o trabalho da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm) e os diversos aspectos relevantes sobre a Amazônia Azul.

A sessão teve a participação do chefe da divisão de Geologia Marinha do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Kaiser Gonçalves de Souza, que falou sobre as riquezas dos fundos marinhos com a abordagem explicativa do contexto internacional do qual as aspirações brasileiras de exploração desses recursos terão que necessariamente estar inseridos. A conclusão é de que o Brasil precisa urgentemente avançar na sua capacidade de pesquisa e exploração mineral em águas profundas.

Fábio Hazin, pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), explicou a situação dos recursos vivos. Segundo ele, os recursos pesqueiros já estão próximos dos seus limites. “Não deve haver expectativa de aumento significativo na produção pesqueira mundial pela captura, que já se encontra praticamente perto do seu patamar máximo. No Brasil vivemos uma situação semelhante”, disse. Porém, de acordo com Hazin, o País ainda tem um potencial importante de crescimento no âmbito oceânico, principalmente se forem incluídos recursos que ainda não foram exportados.

O coordenador da mesa, Belmiro Castro, da Universidade de São Paulo (USP), abordou de uma maneira ampla o ambiente oceanográfico e a ciência e tecnologia do mar. Destacou, inicialmente, os processos marinhos envolvidos nesse ecossistema e a complexidade das pesquisas. A abordagem do pesquisador foi dividida em duas frentes. A primeira voltada para as questões relativas ao clima, em particular, ao impacto do Atlântico Sul não apenas no clima do Brasil, mas nos processos climáticos globais. A segunda foi uma abordagem mais relacionada aos ecossistemas marinhos e as implicações dessas mudanças globais na sustentabilidade.

Castro encerrou sua palestra ressaltando, ainda, a grande importância da oceanografia operacional para que o País possa ter um acompanhamento contínuo que aborde, de forma sustentável, dados que permitam o conhecimento pontual da realidade oceanográfica nacional.

Fonte: MCT

Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão

O Congresso Brasileiro Agricultura de Precisão será realizado de 27 a 29 de setembro, em Ribeirão Preto (SP).

O evento é organizado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA).

Os organizadores esperam reunir estudiosos, pesquisadores, extensionistas, fornecedores e usuários das diferentes técnicas envolvidas no amplo leque da agricultura de precisão.

Ainda não há programação definida, mas serão oferecidos cursos, palestras e apresentação de trabalhos. Para as empresas fornecedoras de produtos e serviços haverá a sessão técnica “Sala do mercado de agricultura de precisão”, com espaços para apresentações em módulos de 20 minutos.

O evento será realizado no Hotel JP, localizado na Via Anhanguera, km 306,5, em Ribeirão Preto (SP).

Fonte: SBEA

33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química

Futuro da química

Como desenvolver a química de maneira sustentável para o Brasil e para o mundo? A questão esteve no centro das discussões da 33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), realizada de 28 a 31 de maio em Águas de Lindoia (SP) e que teve participação da FAPESP como expositora.

“A química sustentável é o principal desafio atual, especialmente no ensino superior, mas a criação da cultura da sustentabilidade vai além dos currículos. Antes dos químicos, precisamos formar cidadãos”, disse César Zucco, novo presidente da SBQ.

Zucco, que é professor na Universidade Fedederal de Santa Catarina (UFSC), admite, no entanto, que muitos formadores atuais na área não se preocupam com a sustentabilidade, uma questão que, para ele, não pode ser ignorada, “especialmente na química, por ser uma disciplina que permeia muitas outras áreas do conhecimento”.

“Estamos muito atrasados nesse aspecto, precisaríamos ter inserido os problemas de sustentabilidade há muito tempo no interior da universidade”, disse.

A fim de mudar esse quadro, a SBQ prepara diversas ações de divulgação, entre elas algumas relacionadas ao Ano Internacional da Sustentabilidade, declarado pela Organização das Nações Unidas para 2011.

Para Zucco, será uma oportunidade para levar a química aos profissionais da área, às escolas e ao cidadão comum. “Começaremos nos fóruns dos estudantes de graduação e de pós-graduação no fim de 2010”, disse.

O presidente da SBQ considera os fóruns espaços privilegiados para que estudantes e coordenadores dos cursos repensem currículos, culturas e modos de atuação envolvidos no ensino de química.

O tema da sustentabilidade permeou a reunião da sociedade, como na conferência “Química ambiental: entre o futuro desejável e o possível”, de Arnaldo Alves Cardoso, professor do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Desde 1980, o mundo excedeu sua capacidade regenerativa. Estamos tirando mais do que o planeta tem condições de oferecer”, disse Cardoso, referindo-se ao elevado aumento nos padrões de consumo em todo o mundo.

O enriquecimento das populações aumenta o consumo de alimentos, entre os quais a carne bovina. Segundo Cardoso, para cada quilo produzido desse tipo de carne produzido são gastos 7 quilos de grãos. Além disso, as criações bovinas ocupam um espaço 50 vezes maior do que o necessário para a produção de grãos.

“E quando uma pessoa melhora seu padrão de consumo, ela diminui o consumo de frango e aumenta o de carne bovina, por exemplo”, disse o professor da Unesp, para quem a química pode ajudar em vários aspectos a sustentabilidade.

O desenvolvimento de fertilizantes inteligentes que só liberam nitrogênio sob demanda da planta, a elaboração de processos de tratamento de esgoto mais eficientes, a descoberta de fontes de energia que não envolvam combustão, a redução de emissões de compostos orgânicos voláteis e a revisão do ensino da química são algumas constribuições importantes dos químicos, segundo Cardoso.

Novos combustíveis
No simpósio “A visão da química no Brasil de 2025”, Eduardo Falabella Sousa-Aguiar, pesquisador do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro, falou sobre as vantagens do dimetil-éter (DME) como combustível.

Derivado do petróleo, o DME é um gás não agressivo à camada de ozônio e pode ser utilizado como substituto tanto do óleo diesel como do gás liquefeito do petróleo (GLP).

Falabella explica que, por não possuir ligação entre carbonos, a queima do DME é limpa, não gerando fuligem como o diesel. Além disso, é superior ao combustível líquido em desempenho e não depende de alterações nas câmaras de combustão dos motores diesel para funcionar, mas somente nos acessórios para se adaptar ao gás.

Segundo o pesquisador, em 15 anos o DME poderá estar pronto para ser produzido em vários países por meio de processos industriais economicamente viáveis. Japão, China e Coreia do Sul têm plantas produtoras de DME em pequena escala.

No mesmo simpósio, Cláudio José de Araújo Mota, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), expôs os desafios que a química encontra na área de energia.

Segundo ele, daqui a 15 anos vários países serão capazes de produzir etanol a partir da celulose, a chamada terceira geração de biocombustível. Mota também acredita que será importante a conversão do etanol para ser usado no lugar do querosene de aviação.

“Trata-se de um combustível que deve obedecer a rigorosos padrões, como o de não congelar quando submetido às baixas temperaturas encontradas em grandes altitudes”, disse.

Para o professor da UFRJ, a captura de dióxido de carbono deverá ser um ramo promissor da química nos próximos anos. “A conversão de dióxido de carbono em polímeros, por exemplo, será valorizada. Se eu fosse começar a minha carreira na química, hoje, pensaria com carinho nesse setor”, apontou.

Nanomateriais e química verde
Henrique Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), falou na sessão temática sobre química verde a respeito do papel da nanotecnologia no desenvolvimento sustentável.

Segundo ele, nanomateriais inseridos na borracha de pneus ou na composição de novos materiais, por exemplo, estão reduzindo a energia gasta nos processos de produção e ainda ajudam a reduzir os descartes.

“As nanopartículas podem se acoplar a enzimas e moléculas a fim de gerar materiais com novas propriedades, fabricados por processos mais limpos e eficientes do que os atuais”, disse.

Como exemplo, Toma apresentou um nanocompósito usado como matéria-prima de autopeças, que se mostrou capaz de reduzir em 70% o peso do produto e também a energia empregada em sua fabricação.

Do mesmo modo, membranas nanométricas têm sido usadas na indústria petroquímica para aprimorar a separação de propano e propileno, um processo que, no modelo convencional, utiliza grandes torres e é muito mais dispendioso.

Uma das áreas mais recentes da química, a dos produtos extraídos da natureza, também foi destaque no encontro. Raymond Andersen, do Departamento de Química da Columbia Britânica (UBC), no Canadá, expôs seus trabalhos de coleta de extratos de esponjas marinhas encontradas no mar do Caribe e na região tropical do Pacífico, com potencial de aplicação no tratamento do diabetes.

“Cerca de 15 mil novos produtos surgiram a partir do mar”, disse o pesquisador, para quem os oceanos contêm uma valiosa biblioteca de substâncias úteis para as mais variadas áreas.

A química de produtos naturais tem crescido de maneira expressiva no Brasil, segundo levantamento feito por Maysa Furlan, professora do Instituto de Química da Unesp, que identificou 125 grupos de pesquisa ligados a essa área atuando em instituições brasileiras de pesquisa.

A maior parte (28) está no Estado de São Paulo, seguido do Rio de Janeiro (15 grupos) e dos Estados de Minas Gerais, Paraná e Amazonas, com dez grupos de pesquisa cada um.

“A presença desses grupos no Amazonas é uma boa notícia para o país”, disse a professora, destacando a região Amazônica como uma das mais importantes fontes de substâncias naturais no mundo.

Nova diretoria da SBQ
Realizada no encerramento da reunião anual, a assembleia geral da Sociedade Brasileira de Química marcou a posse da nova diretoria da entidade, referente à gestão 2010-2012.

Zucco, o novo presidente, é licenciado em química pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, mestre em físico-química pela UFSC, doutor em química orgânica pela Universidade de Glasgow (Escócia) e pós-doutor nessa mesma área pela Universidade da Califórnia em Santa Barbara, Estados Unidos. Também é diretor de Pesquisa Científica e Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Vitor Francisco Ferreira, professor da Universidade Federal Fluminense, é o novo vice-presidente da SBQ. Para o cargo de secretário geral foi eleito Adriano Defini Andricopulo, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP.

Hugo Tubal Schmitz Braibant (Universidade Federal de Santa Maria) ocupará o cargo de primeiro secretário, ao lado de Cláudia Moraes de Rezende (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), como tesoureira, e Marília Oliveira Goulart (Universidade Federal de Alagoas), como primeira tesoureira.

Membros do conselho consultivo eleitos: Luiz Henrique Catalani (USP), Fernando Galembeck (Universidade Estadual de Campinas), Vanderlan da Silva Bolzani (Unesp), Jailson de Andrade (Universidade Federal da Bahia), Eliezer de Lacerda Barreiro (UFRJ), Norberto Peporine Lopes (USP), Heloisa de Oliveira Beraldo (Universidade Federal de Minas Gerais), Hans Viertler (USP), Adley Forti Rubira (Universidade Estadual de Maringá), Raimundo Braz Filho (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Alfredo Mayal Simas (Universidade Federal de Pernambuco) e Oswaldo Antonio Serra (USP).

Fonte: Fabio Reynol / Agência FAPESP

SUS: Prêmio de Incentivo em C&T

Estão abertas até 28 de junho as inscrições para o Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS 2010, organizado pelo Ministério da Saúde. O objetivo é reconhecer e premiar os pesquisadores que desenvolvem projetos voltados para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para as necessidades de saúde da população.

O concurso é dividido em cinco categorias: tese de doutorado, dissertação de mestrado; trabalho científico publicado; monografia de especialização/residência; e incorporação de conhecimentos científicos ao SUS.

Podem participar pesquisadores, estudiosos e profissionais de saúde ou de qualquer área científica, com produção em nível de pós-graduação que tenha tido trabalho aprovado na área de ciência e tecnologia em saúde, em banca ou publicado em revista indexada ou congresso, no período de 25 de maio de 2009 a 13 de maio de 2010.

Os trabalhos serão avaliados em duas fases. Na primeira por pareceristas e na segunda por uma comissão julgadora. Para a segunda etapa, serão classificados os 20 trabalhos melhor pontuados, que serão analisados na íntegra pela comissão.

O vencedor de cada categoria receberá R$ 15 mil (tese), R$ 10 mil (dissertação e melhor trabalho científico publicado), R$ 5 mil para monografia de especialização ou residência. Para a categoria incorporação de conhecimento científico ao SUS a premiação é de R$ 15 mil.

A cerimônia de premiação será realizada em Brasília até 30 de dezembro.